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sábado, 14 de setembro de 2019

Eu não sou uma máquina

sábado, setembro 14, 2019 24
Foto: Patricia Rodrigues
O perfeccionismo me pegou e, mais uma vez, me traiu. Talvez seja por conta de mais uma volta ao redor do sol — a 33ª que se inicia virginianamente agora em setembro — ou porque eu esteja há duas semanas sem ir para a terapia, ou ainda porque a minha cabeça esteja voltada em mais um ou dois projetos que quero pôr para rodar ainda este ano, mesmo tendo o volume de trabalho que tenho. As incertezas várias e a vontade de entregar tudo incrível me deixou aqui paralisada, na chave da perfeição. 

Não falo da perfeição que quer me encaixar ou não em um padrão de moda e beleza e me faz pensar em como vou me apresentar ao mundo. Tampouco daquela que me faz organizar tudo por cores, ordem alfabética, localização e dados que se cruzam, como as pastas da Monica Geller, de Friends. Não falo da perfeição que me faz entregar tudo nos prazos previstos, mesmo que isso implique em noites sem dormir para dar conta de tudo. Falo de algo que vai mais além, da perfeição que me priva do mundo, da que me faz buscar o impossível, da que me impele ao desejo de algo que nunca fora visto antes. Falo da perfeição que me obriga ter que fazer tudo impecável sem margens ao erro, porque preciso disso para provar o meu lugar ao sol (uma vez que sou mulher, negra, vinda de uma classe que está engatinhando para ascender socialmente).

Ao mesmo tempo, eu sei, eu sei. Tenho a consciência do quanto esse conceito é ilusório: o que é perfeito para mim, não o é para você e vice-versa. Sei também que ele morre com o tempo e com toda a evolução tecnológica (o que era perfeito manuscrito, virou imperfeito datilografado, que virou imperfeito digitado, só para dar um exemplo). Que a validação do que o que está perfeito ou não passa por um viés das relações entre opressor e oprimido (o que é perfeito para o homem branco, hétero, cis, que está no poder, está longe de ser perfeito para as diversas minorias que não se encaixam nesse perfil). Que são muitas as variantes, os olhares e os primas. E que, e esse é o fator mais determinante para mim agora, eu não sou uma máquina que entrega tudo no padrão: tenho que me contentar, e sobretudo, me respeitar com o melhor que posso no momento.

Mas eu não mereço o que é mais pleno? Você não merece ver e ter o melhor de mim? Se tenho que fazer algo, não é melhor fazer bem feito? Será que consigo fazer bem feito? O que é fazer bem feito? Não há alguém que possa fazer isso melhor do que eu? O que eu preciso para melhorar cada vez mais nisso? Será que eu posso errar? Se eu errar como posso lidar com essa falha? O fluxo de consciência pode ser bem cruel com alguém que sempre se cobrou e foi cobrada pela excelência. É dessa crueldade que venho buscando me libertar, ainda que haja uma recaída aqui, outra acolá.

O perfeccionismo pode até ter me pegado, mas desta vez estou mais atenta. O que me guia agora não é mais a perfeição pura e simples, aquele horizonte que se afasta quanto mais a gente anda em sua direção. O meu farol agora é o meu limite interno que diz que o meu bem feito é aquilo que é feito com amor sem me causar angústia. Eu não sou uma máquina e, olha, está tudo bem em não sê-la.

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

BEDA agosto/2018 #7 — Grandes lembranças, pequena dúvida

terça-feira, agosto 07, 2018 0
Imagem: Free-Photos.
Ainda penso nos dias em que vivemos,
nas palavras trocadas
nos desejos compartilhados.

Ainda penso na esperança que tive
nos sonhos elaborados
nos beijos roubados.

Não quero desistir
Estou cansada de tentar
Será que é impossível
Ver o amor se realizar?

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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Números

quinta-feira, outubro 12, 2017 14

às vezes que eu me perdi
os tantos laços desfeitos
pretéritos imperfeitos
sempre sem fim

os que me deixaram de lado
e os que de lado deixei
as relações espaçadas
amor que nunca ganhei

aquela conta que não fecha
os números se convergindo
poema que me força a pensar
no que seria a parte boa da vida

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sexta-feira, 17 de março de 2017

Não é possível ser poeta

sexta-feira, março 17, 2017 0
Jardim da Casa das Rosas.

Queria escrever um poema sobre a gratidão. No fundo, queria falar sobre a beleza, sobre a felicidade, sobre o afago de dormir em conchinha, sobre o acolhimento que a gente sente diante das coisas simples. Mas hoje, agora, não consigo. Só posso falar sobre a solidão.

É engraçado. Há tempos não me sentia solitária. Melhor dizendo, há tempos não sentia a solidão do modo doloroso. A de antes era aquela dos sonhos e das esperanças, da que nos leva ao topo do mundo. A de agora, contudo, é daquela dolorida, que nos faz ficar embaixo do cobertor, em posição fetal, ouvindo a chuva que cai sobre o telhado.

Fiquei me perguntando o que mudou — se é que mudou algo. A estranheza da vez está no fato de que agora me vejo sob outra ótica, por um ângulo de quem se afasta e se vê de fora. A dor não é mais pela perda, muito menos do tipo desesperada e sem consolo. Ela é triste pelo o que não deu certo e, sobretudo, conformada pelos caminhos que me trouxeram até aqui. 

Isso acontece em parte por saber que não dá para mudar o passado, em parte por ter certeza do enfrentamento do futuro. Não se pode fugir das situações mais incômodas. Sempre fui de enfrentar o medo. Espero mesmo que isso me liberte...

Há dias bons, dias ruins e dias tristes. Nestes, não é possível ser poeta.

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Se eu pudesse...

terça-feira, setembro 20, 2016 10
Que os caminhos sejam flores.

Se eu pudesse, passaria por você de modo casual. Sabe aqueles encontros despretensiosamente premeditados? Seria um assim. Eu estaria usando o meu vestido florido, com os cabelos soltos, a máquina fotográfica à tira colo. Você estaria de mãos dadas com a sua namorada e faria uma cara confusa, de espanto. Por que eu ali, depois de tanto tempo? Por que logo eu, para te forçar sacudir a poeira do esquecimento?

Faria um pequeno meneio com a cabeça. Discreto, porém vívido. Uma fração de segundos que não sairia mais da sua cabeça. Sua namorada iria ficar um pouco confusa, perguntaria um "quem é ela?" por entre os dentes. Você, na falta de resposta melhor, diria um "não sei", numa clara tentativa de mudar de assunto. De fato, não sabe mesmo.

Você não sabe como eu tive que lidar com as minhas dores depois que você se decidiu por ela. Você não sabe das manobras que tive que fazer para parecer feliz, mesmo estando aos pedaços. Você não sabe o que foi ter que sair da cama, quando queria me enterrar viva. Você não sabe do esforço que eu fiz, não para esquecer o que vivemos, mas para me reerguer com os pedaços que sobraram disso. Construir um castelo a partir de cacos de vidro. Você não sabe o quanto as mãos sangram quando a vida nos força a fazer uma coisa dessas...

O tempo e suas transformações. A vida e seus ensinamentos: o momento do nosso reencontro. Eu estaria usando o meu vestido florido e o meu melhor sorriso (discreto, porém vívido), mas você não me reconheceria. Não sou mais aquela que se deixa assustar com a grandeza da sua intelectualidade, com a fragilidade da minha poesia. Você captaria a minha força ao me ver sorrir. Sutil mudança poderosa.

Seguiríamos por caminhos opostos. Você tentando entender o que aconteceu no último minuto. Eu, com a certeza de que o pior já passou, desejando o melhor para o mundo. 

Este texto faz parte do Projeto Escrita Criativa, que reúne escritores e blogueiros para colocarem no “papel” suas ideias. Quem quiser conhecer mais, acesse a página ou o grupo do projeto. Lá há a lista de todos os blogs participantes. O tema da blogagem coletiva de setembro era "Se eu pudesse...".
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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Insight

quinta-feira, julho 07, 2016 8
Aqui é o seu lugar! ;)

Já amei e muito! E já quebrei a cara em demasia. Na verdade, a cara ficou intacta, o que se espatifou mesmo, foi o coração. Uma, duas, várias vezes. De coração partido, sou especialista.

Quando um relacionamento acaba, há vários estágios de sobrevivência, que incluem a dor aguda, o isolamento, a revolta, o desejo de vingança, a indiferença e a volta por cima. Tudo acontece – não necessariamente nesta ordem – com direito a altos e baixos, recaídas regadas a brigadeiro e trilha sonora deprê.

Mais dia ou menos dia, acontece aquilo que todos os seus amigos te dizem: tudo passa. Então, você se sente imune aos posts do ex nas redes sociais (mesmo que ele esteja almoçando com alguma outra mulher mundo à fora). Sim, você vai achar que está tudo bem. Você passará semanas sem pensar naquele último relacionamento e na forma como ele acabou. O céu estará mais azul, o canto dos pássaros mais alegres. Até que um dia, de uma hora para outra, algo – nem que seja o silêncio da madrugada – despertará aquela saudade, que se erguerá como um gigante à sua frente. Gigante, esse, que quer te esmagar em milhões de pedacinhos. Você vai se sentir a pior pessoa (e se amaldiçoar por estar sofrendo, enquanto ele almoça com outra por aí). Vai ser doloroso, vai ser torturante... Mas vai ser normal também. Talvez, seja por isso que eu esteja escrevendo isso agora, para lembrar que a saudade é inerente nos homo sapiens.

O lance é que, entre todos estes altos e baixos, há uma tendência a se fechar. Isso é questão de sobrevivência. Eu me apaixono, eu sofro. Se não me apaixonar, não vou sofrer. Quem nunca disse que iria fazer isso, que atire a primeira pedra. A gente age assim, mas deveria fazer justamente o contrário.

O coração é uma caixa, nosso porto seguro para tudo aquilo que amamos, certo? Então, quando a caixa é atirada ao abismo ela tende a se abrir, não é de fechar. Amar é, de alguma forma, se abrir a esse mundo que não é perfeito e que nos leva à dor, em algum momento da vida.

Sou especialista em ter o coração partido. Sempre que amo confio. Sempre que confio, vejo o meu coração sendo atirado ao longe. Costumo brincar que, a cada queda, os pedaços de tornam tão pequenos, que só alguém muito doido para querer remendá-lo (embora eu tenha cuidado disso sozinha, estou aberta a receber ajuda).

Um coração partido é um coração aberto, por isso, bora deixar um novo amor entrar! :)

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domingo, 3 de julho de 2016

Notívago

domingo, julho 03, 2016 4
Noites, suas lindas! ♥

Quem me conhece, sabe: sou noturna. Se dependesse de mim, o horário comercial começaria ao meio-dia (ou um pouco depois disso) e se estenderia até o início da noite. Depois, teríamos o jantar em família e a luz da lua nos inspirando. A poesia e a criatividade tomariam conta do cotidiano. Com todos descansados, não conheceríamos o mau humor matinal. Diminuiríamos os sintomas de estresse e de fadiga. As pessoas seriam mais saudáveis, o mundo seria mais feliz.

Sou defensora das madrugadas. É à noite, quando todos dormem, que me sinto potencialmente dispersa e disposta. Enquanto ouço o tic-tac do relógio e o motor dos carros passando nas ruas mais distantes, sou capaz de encarar a faxina, a pilha de louças para levar ou a bacia com roupas para passar. Entretanto, minha predisposição acaba não saindo do plano das ideias. Tenho que ser educada, não posso atrapalhar o sono do restante da família que, diurna como é, dorme o sono dos justos. Não posso fazer barulho, para não atrapalhar os vizinhos. Por isso, o que me resta é escrever.

Talvez, o que mais goste nas férias seja justamente isso: as madrugadas em que posso ficar corujando em meio às palavras. Escrevo e leio. Aproveito a calmaria para faxinar as minhas ideias, trazendo à vida histórias escritas sejam por mim, sejam por outros autores. É sempre muito bom conseguir vivenciar momentos de paz de espírito assim.

Aproveito a chance, porque sei que trinta dias passam voando. Logo mais, voltarei à rotina insana de quem dorme tarde e acorda com o raiar do Sol... Muito triste isso. Aliás, já disse que acho o mundo deveria acordar depois do meio-dia?

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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Fragmento

sexta-feira, abril 15, 2016 8
Imagem por Unsplash, sob licença creative commons.

O marasmo era tamanho, que os ponteiros não se moviam. Eram sempre as mesma horas e minutos, nos mesmo números, as mesmas carências. Ele não sabia mais o que era dia ou noite e não se importava. Havia alguma necessidade em sair da cama? Precisava mesmo cumprir com as responsabilidades?

Vivia na inanição não por escolha, mas por falta de forças para mudar. Querer, até queria; contudo, estava há tanto tempo na inércia que não sabia por onde começar a mudar. Os amigos casados há alguns anos, começavam a ter filhos; enquanto ele ali estava: tendo apenas a solidão por companhia.

A dúvida lhe corroía. Sair de casa tornava-se uma tarefa árdua, já que isso sempre implica em ter que falar com estranhos. Como lidar com sorrir, cumprimentar e ter que puxar assunto? Depois de tanto tempo sozinho, já não sabe mais o que é ser sociável. E o não-saber vem acompanhado de uma dor tão profunda, que o encolhe como um feto no leito de seu quarto escuro.

Querer e não ter capacidade. Desejar o mundo e se amedrontar. Sentir ganas de seguir e não ter forças. Vivia no limite da sua falta de esperança, ao passo que os ponteiros do relógio fingiam brincar de estátua. Ilusão. Doce ilusão. Enquanto todos invejavam a sua vida aparentemente pacata, ele se via à beira de um ataque de insanidade.

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Aquele das ideias encubadas

sexta-feira, março 11, 2016 0
O tal caderno verde, meus óculos e minha caneta preta. Tríplice companheira de aventuras.

Tenho muitos textos inacabados nos rascunhos deste blog, outros tantos estão no meu caderninho verde e, mais alguns, no da pós-graduação. Tenho muitas ideias que nascem, mas não têm alta. Elas ficaram todas encubadas na gaveta.

Escrever é algo realmente muito doido. Em um instante, aquilo surge do nada, reverberando na nossa cabeça até que, num roupante, exploda por nossos dedos. A ideia, aquela linda trapezista da nossa mente, era tão, tão incrível quando era apenas nossa! Então, quando a vemos materializada em forma de palavra, pensamos com desdém: "só isso?"

Quero escrever sobre assunto sérios com leveza. Quero oferecer para o mundo a poesia que tanto me consola. Quero, de alguma forma, contribuir. Contudo, o tal do "só isso?" anda encubando todos os meus escritos. Será que eles sairão do hospital para uma vida feliz ou partirão para a morte do "excluir" do computador, da lixeira física mais próxima.

Talvez eu esteja sendo dura com estes a quem considero como os filhos que ainda não tive. Que mãe quer ter um filho mediano, que passa desapercebido e não agrega nada ao mundo? Nenhuma, eu sei... Talvez eu esteja sendo mais rígida ainda comigo mesma, com a minha necessidade de perfeição - que, cá entre nós, é surreal e inatingível. O problema maior é que eu não sei como quebrar este círculo vicioso de ideia > escrita > encubação (> lixo?). Como apenas deixá-los ir?

Meus textos, ah, meus textos são ideias encubadas que se agitam dentro e fora de mim, querendo ganhar o mundo, para serem ou não felizes.

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O sonho

quarta-feira, fevereiro 10, 2016 6
Imagem por Harry Pherson, sob licença creative commons.

O sonho não termina. Ele não se apaga com o passar do tempo, com a desilusão, com a dor. O sonho é especialista em se camuflar, em se esconder no mais profundo. Ele fica ali adormecido, esperando apenas a oportunidade certa para vir à tona, com o seu kit de sobrevivência em punho, surpreendendo a todos.

O sonho é intrínseco, intenso, explosivo. Ele faz nossas mãos suarem frio, nossas pupilas dilatarem, e nossos lábios se esticarem em um sorriso amplo que nos lembra que a felicidade é a melhor roupa que podemos vestir. Ele nos lembra que podemos ser quem quisermos, onde quisermos, com a força que nunca acreditamos ter. O sonho renova a fé, a esperança, a energia. Quanto mais o buscamos, melhor é a sensação de realização. Assim nos tornamos aquele super-herói invencível.

A realização de um sonho pode ser rápida ou longa, mas o que ficam são as lembranças de como ele nos tornou mais fortes e mais amáveis. Fica o desejo de ter outros sonhos realizados e de ajudar as outras pessoas a conquistarem os seus desejos mais profundos. São os nossos sonhos que nos movem em busca de um futuro mais doce, mais querido, mais feliz. E é justamente isso que não tem preço.

Você já parou para pensar em qual será o próximo sonho que você vai realizar?

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fim de tarde

terça-feira, fevereiro 02, 2016 8
Metrô de São Paulo (alguém sabe quem é o autor da imagem?)

Adentrei naquele vagão com a expectativa de viajar não apenas ao longo do trajeto entre uma estação e outra, mas também com o intento de desligar-me dos muitos perrengues da vida. 

As portas se fecharam e, enquanto sentia o ar gelado em minha pele, o metrô partiu em velocidade. Sabia que, em poucos minutos, não seria mais apenas eu, mas sim um cercado de eus que viviam entre o desânimo e a vitalidade, a conversa e o silêncio, o sono e o despertar.

Ao meu lado dois rapazes travam um diálogo sobre futebol, cada um a defender empolgadamente a sua equipe do coração. À minha frente, por sua vez, um senhor lê concentrado o seu jornal e uma senhora tira um cochilo.

Assim, no vai e vêm da grande metrópole, durante mais um fim de tarde cotidiano, a vida segue.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Uma carta para o último dia de 2016

segunda-feira, janeiro 04, 2016 10
Imagem de pol sifter, sob licença creative commons.


Caro 31 de dezembro de 2016,

Espero que você seja um dia tranquilo e que traga aquela leveza de mais um ano feliz, daquele que ficará na saudade.

Minhas expectativas - aqui do mês de janeiro - são de que eu, quando chegue aí até você, tenha trassado um período de serenidade e sabedoria. Acho que serenidade, sabedoria e muito amor é o que eu mais desejo para este ano que em você se findará.

Que eu possa, em minha retrospectiva, dizer que cheguei em você mais leve, mais doce e mais compreensiva. Se hoje eu busco ser mais tranquila e menos rancorosa, que eu me orgulhe de chegar até você com a sensação de que, pelo menos este dever, eu consegui alcançar.

Que o mundo sorria mais quando você chegar! Não só por ter tido uma dose de esperança renovada no seu amigo, 25 de dezembro, mas porque tenha aprendido que o respeito ao próximo vale mais do que ter mais dinheiro que o próximo.

Que minha família esteja saudável e unida. Espero que até lá, ela tenha crescido e que o amor tenha batido à minha porta. Mas, se isso não acontecer, que pelo menos o amor-próprio tenha se fortalecido mais e mais!

Que eu olhe para trás e perceba que só ficou quem me quer bem. Se tem algo que o seu amigo, 2015, me ensinou é que menos é mais. 

Que a coleção de felicidade aumente: sorrisos, companheirismos e viagens! Muitas viagens são bem-vindas também (aqui o mais é melhor! uahaha).

Espero que todos os dias que o antecederam tenham feito de mim alguém melhor. Espero que eu tenha conseguido espalhar pelo mundo este amor que não cabe no meu peito e que eu tenha conseguido fazer a diferença na vida de alguém.

Como você pode notar, 31 de dezembro, esta carta é sobre amor e esperança, porque é assim que a vida deve ser!

Por um 2016 dos nossos sonhos e um último dia do ano tranquilo e em paz,
Com amor, beijos e queijos,

Fê

Este texto faz parte do Projeto Escrita Criativa, que reúne escritores e blogueiros para colocarem no “papel” suas ideias. Quem quiser conhecer mais, acesse a página ou o grupo do projeto. Lá há a lista de todos os blogs participantes. O tema da blogagem coletiva de dezembro era o "Minhas tradições de ano novo".

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domingo, 20 de setembro de 2015

101 coisas, estudos, trabalho, ano novo e outras observações

domingo, setembro 20, 2015 10
Alguém me dá uma luz?
- Instalação artística no Jardim do Palácio do Catete, Rio de Janeiro, RJ.
Obra: Caminhos mais claros, por Marcos Duarte. Madeira e fibra de vidro cromada. -

Trilha do post de hoje: Chris Cornell e seu Higher Truth.

Você já se sentiu cansado e perdido ao mesmo tempo? Ando um pouco assim. Logo, esta postagem é daquelas para organizar as ideias todas. Espero que dê certo e que, de alguma forma, você goste do bate-papo.

Semana passada estive no Rio de Janeiro. A cidade estava com um tempo horroroso, mas consegui aproveitar mesmo assim. Fiquei hospedada na casa da Gisela, uma amiga super querida que trabalhou comigo nos tempos de CDI. Realizei dois sonhos antigos: abracei a estátua do Drummond (meu muso!) e visitei a Biblioteca Nacional. Além disso, conheci a Livia Brazil, autora de Queria Tanto e Coisas não Ditas. publicados pela Editora Benvirá. Passamos o sábado juntas, e ela é sensacional não só como autora, mas também como pessoa! :) A viagem serviu como uma prévia de comemoração do meu aniversário e também era uma das minhas tarefas da lista de 101 coisas em 1001 dias (aliás, meu prazo está quase acabando! Dá para acreditar?). É claro que escreverei sobre os passeios todos com calma, com direito às descrições, impressões, custos e fotos. Mas isso acontecerá mais para frente...

O trabalho tem sido algo maluco para mim. Desde que voltei de férias tenho me questionado muito sobre o que tenho feito no colégio. Bateu uma depressão profissional forte, porque tenho a sensação de que, por mais que eu me esforce, não tenho causado o impacto que gostaria na vida dos meus alunos. Pode ser uma questão de perfeccionismo? Provavelmente. Todos os feedbacks que recebo das professoras que trabalham comigo, da minha coordenadora e da minha coach (sim, este ano estou chique e tenho uma coach!) são positivos. Entretanto, continuo perdendo tempo com a indisciplina e com as lições de casa não feitas, ainda tenho alunos que priorizam sair com os amigos, ir ao cinema, pular amarelinha a não fazer tarefas e, principalmente, tenho aqueles que são super inteligentes e capazes, mas que não movem uma linha na tentativa de aprender. Sinto-me um lixo por não ter encontrado a chave que muda esta postura e os motiva. Eles ainda são crianças e não têm noção do impacto que é saber ou não um idioma estrangeiro quando adultos. Eu tenho. Eu me esforço. E, infelizmente, me sinto falha. Pode ser uma má fase, pode ser o cansaço do fim do ano, pode ser que - de uma hora para a outra - eles amadureçam e mudem... E também pode ser que nada mude...

É louco pensar nisso e, por outro lado, ver que duas das minhas turmas (uma delas, uma das mais indisciplinadas) fizeram festinhas surpresas de aniversário para mim (foi na quinta, dia 17). Para quem não tinha nada planejado, tive um ano novo feliz! :D Tanto o 5º da manhã, quanto o da tarde me encheram de amor e carinho. Eles pensaram em tudo com tanta dedicação, que até agora me emociono ao pensar. Voltei para casa feliz, desejando que esta alegria toda se multiplique ao longo do restante do ano. Será triste não dar aulas para todos eles no ano que vem. :( Sentirei saudades de todas aquelas carinhas (por mais que um ou outro não acredite muito nisso!).

Numa tentativa de tentar ser uma professora melhor, comecei um curso novo, em inglês, sobre disciplina positiva (o nome é tão lindo: Positive Discipline in the Classroom Professional Development Workshops), com a professora (e amiga) Bete P. Rodrigues, que conheci quando fiz a extensão para professores de inglês na PUC. A disciplina positiva fala sobre como encorajar a criança, sobre como educar sendo firme e gentil ao mesmo tempo, sobre como ser justo (sem precisar usar qualquer forma de humilhação ou castigo). Como a Bete sabe explicar isso muito melhor que eu, recomendo que você acesse o blog dela para saber mais! ;)

Fora isso, tive uma ideia para um livro, então, vou tentar de novo. Para quem não sabe, escrevi dois de literatura infantil durante a época da faculdade. Teria um livro grande se vencesse a preguiça e reunisse todas as minhas poesias e tenho dois livros terminados (precisando de revisão) que irão um dia para o Wattpad ou para a loja da Amazon (talvez). Espero que eu consiga dar vida aos personagens que estão na minha cabeça. Meu grau de concentração tem sido o de uma criança de cinco anos ultimamente, contudo, pretendo me esforçar.

No mais, tenho sentido saudades de um monte de gente. Gente que está ocupada com outras prioridades (faculdade, pós, trabalho, namoro etc.) e que me deixa com o coração apertado pela distância. Não posso cobrar, não tenho este direito. E, sendo muito honesta, já passei dessa fase de ficar pedindo amor (tenho blog pra isso, não tenho? uahahahah). As pessoas sabem aonde me encontrar.

Também tenho sentido saudades de ter tempo para mim. Tenho saudades dos exercícios (abandonei a academia :/), do cronograma capilar (meu cabelo está longe do que foi um dia!) e de fazer a unha toda semana. A vida não é fácil, e eu tenho me esforçado para que tudo melhore. Espero que dê certo.

Ter esperança... Talvez seja esta a habilidade que não me permite deixar tudo para trás (não ainda).
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segunda-feira, 1 de junho de 2015

O ponto final

segunda-feira, junho 01, 2015 4

Amor, lhe ouvi naquela sala escura em um dia qualquer. Sentávamos frente a frente e olhávamos nos olhos. O sol lutava para transpor as pesadas cortinas, enquanto eu lutava comigo mesma para não chorar. Você, mais do que ninguém, sabe que amo prosas repletas de pontos de exclamação e não palavreados que se findam em pontos finais.

Eu sei, Amor, que tudo o que você queria era acabar com toda a interrogação que há em minha mente. Seu desejo – talvez maior que o meu – era de dar-me a outra parte da verdade que me falta: a sua. E lá estava eu, ouvindo a sua versão.

Não é fácil, Amor, ouvir sem julgar. Eu fui abandonada, eu fiquei de coração partido, eu lhe vi com outra. A sua vida seguiu, enquanto eu fiquei presa à areia movediça do fim do relacionamento: quanto mais queria sair, mais me afogava nas lembranças do seu sorriso, mais me afundava no desespero, em meio a todos os planos desfeitos. Ainda assim, fui firme e tentei não assumir o papel de juíza. Brigar no nosso último momento seria mais doloroso ainda...

Amor, posso dizer que você partiu o meu coração mais uma vez. Relembrar é realmente reviver, e eu senti toda a pontada dentro do meu peito novamente. Talvez aquela única lágrima que não se conteve, aquela que você quis secar com o seu polegar, seja a prova do sentimento que até hoje me sufoca. Ela era a primeira de muitas que viriam depois que você fosse embora. Chorar é o lavar da alma, não é mesmo?

Você disse a sua verdade. Eu a ouvi em silêncio. Nós dois temos a plena consciência de que não há nada que possa ser mudado a esta altura do campeonato. Contudo, esta conversa foi necessária para que o tal ponto final me desse a liberdade que preciso para viver, a luz no fim do meu túnel. Ainda que a tal liberdade tenha sido apenas um sonho.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Crônica de uma mente sem sono

segunda-feira, dezembro 22, 2014 4
00:10.

É madrugada. Depois de um dia muito quente, começou a chover e - graças a Deus - a temperatura caiu um pouquinho. Diz o app do meu celular que agora temos 24°C, e eu, que deveria estar no meu vigésimo quinto sono de beleza, estou aqui olhando para o teto.

O fato é que entre sentir ciúme besta e pensar em quem já é passado fico neste limbo. Não sei por que o passado tem vindo  à tona tão fortemente esses dias.  Será que é por causa do natal e seus duendes amarelos? 

00:20.

De qualquer forma, prefiro escrever. As palavras me levam para longe. Passo a frequentar um mundo sem fronteiras entre a sanidade e a loucura. Muito melhor assim. Mais confortável também. 

No mundo das palavras não há dias chuvosos nem noites de solidão. Há apenas devaneios em meio a escuridão abafada de um dia de solstício.  

00:51.

O relógio continua com o seu tic-tac intermitente.  Os pingos de chuva insistemais em cair. O calor volta com força total (ainda que o meu celular minta, dizendo míseros 23°C). 

Já não penso mais em nada, e as palavras vertem dedos à fora, numa tentativa de deixar a mente cansada. Mente que brava mente resiste e luta contra os olhos que já começam a arder...

domingo, 3 de agosto de 2014

Pequenas reflexões autobiográficas

domingo, agosto 03, 2014 18

Já escrevi sobre o céu,
sobre a lua e as estrelas.
Já falei sobre como caí
seduzida nos braços de Morfeu.

Sonhei sobre sentimentos diversos
e amores completos.
Traduzi minha vida
em palavras, textos, versos.
Tentei me entender ao me transcrever.
Rimei, dancei, sorri.

Agora eu estou aqui,
refletindo sobre o passado
Compreendendo que não seria eu mesma
sem ter carregado certo fardo.

Não seria eu mesma sem todas as dores,
sem os conselhos dos amigos,
sem as crises de ansiedade,
sem as nostalgias e a saudade.

Agora que amadureci
compreendi perfeitamente
que só cheguei até aqui
porque fui eu mesma, plenamente.

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Não sei se faz sentido

terça-feira, fevereiro 11, 2014 4

Muitas vezes escrevo por escrever, sem saber se faz sentido. O fato é que as palavras vem, os sentimentos também e puf! Quando os vejo, aqui estão, todos no papel transformados em textos. Mas, por serem frutos de sentimentos - sentidos ou não - nem sempre sei se o que escrevo tem um pé no campo da razão. Não que isso seja 100% necessário, todavia é a razão que ajuda dar coerência ao texto, não?

Escrevo sem saber se faz sentido. O que é melhor: um coração amado ou partido? Talvez apenas um que bata e funcione direito, dentro dos padrões da Sociedade Brasileira de Cardiologia? Não sei... 

Sei que não consigo ficar indiferente ao sentimento do mundo. Por isso escrevo. Mesmo que essa escrita seja confusa, do nível "só Freud explica". No fundo, meu caderno é meu divã mesmo...

E por que um texto sobre isso? Porque o fazer sentido é - talvez, não para sempre - um capricho deste pobre coração de escritor sentimental.

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O último adeus

quarta-feira, dezembro 18, 2013 8
Céu mudando de cor, visto da minha janela.

Subi para me despedir, enquanto a festa continuava animada e barulhenta no andar abaixo. Entardecia, e o céu mudava de cor... Ao lado da janela, lá estava ele, sentado sozinho, pensando consigo mesmo. Ele observava o céu escurecer, enquanto sabia que a sua própria vida rumava à escuridão do desconhecido. Não que isso fosse ruim, ao contrário, ele lutara para chegar até ali e tinha total consciência da beleza de uma noite estrelada. Entretanto, a emoção batia à sua porta, trazendo consigo a inundação de uma nuvem de lágrimas.

Fiquei a observá-lo por alguns instantes, na incerteza de como interrompê-lo. Eu, que detesto despedidas - e já havia chorado muito dizendo "tchau" aos demais - estava tão sobre a linha tênue que separa a felicidade da tristeza quanto ele. Como lidar com tamanha emoção?

Minha voz saiu entrecortada, quando finalmente soltei um "vim me despedir...". Ele se levantou com o sorriso mais sincero do mundo e me abraçou - com um daqueles abraços longos, que só um grande amigo consegue dar. Queríamos dizer muito, mas só de olharmos um para o outro sentíamos um nó na garganta. No fim, prometemos que nos veríamos em breve e caminhamos em direções opostas.

Aquele fora o último adeus daquela noite. Quando deixei a festa, uma brisa noturna me recebeu junto ao belo sorriso do luar. 

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Quando eu era pequena...

segunda-feira, dezembro 09, 2013 19
Clique meu, do #aophotoaday, porque meu nome começa com F, de Fofolete.
Fala se isso não é a cara da infância! :)

Infância, você foi tão boa! Onde estão as tardes comendo pão "frito" quentinho, na companhia do Pedro, da Biba e do Zequinha?! Sinto falta também dos dias de joelho ralado andando de patins, dos enigmas de matemática e de costurar as roupinhas de bonecas...

O sabor de ganhar uma caixa nova de lápis de cor? Ah! Até hoje me sinto feliz ao ver a tal caixa cobiçada de 48 cores. E as colagens com o dedo - só para puxar a cola seca das pontas? Bons tempos de trabalhos em grupo, das idas ao cinema para assistir ao filme do Pokemón? É impossível não sorrir! Aliás, até hoje me sinto feliz ao ver o Pica-Pau descer as cataratas, e ouvir a bruxa dizer "e lá vamos nós...". E não se pode deixar de recordar as incríveis aventuras do Super Mario World - porque só quem já salvou a princesa sabe como é isso!

Ah, Infância! Fisicamente tão distante, mas carrego tanto de você em mim! Essa nostalgia me faz ser grata por tantos momentos incríveis, por tanta felicidade, pelos pequenos milagres do dia a dia!

Obrigada, realmente, muito obrigada!

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domingo, 17 de novembro de 2013

Preguicinha

domingo, novembro 17, 2013 17

Domingo, dia oficial da preguiça, trouxe as tais chuvas previstas para os dias anteriores que, até então, não havia chegado ainda. A música dos pingos na janela me fez não querer sair da cama, para aproveitar melhor o abraço caloroso do edredon que me envolvia. Fechei os olhos e, em meio a esta preguicinha danada de boa, lembrei-me de você.

Seu rosto surgiu tímido em meio à aglomeração de pessoas reunidas na sala do meu sonho, e sua expressão assustada quando me viu foi engraçada. A verdade é sempre esta: teme aquele que deve. Você é devedor, à medida que roubara o meu coração, partira esta pequena caixa de carregar sentimentos em pedaços, devolvendo-me tal peça faltando uma parte. Até hoje me viro sem ela, por isso a minha face esboçou um sorriso de satisfação ao ver o seu terror.

O devaneio continuou. Pelo o que eu entendi, trabalhávamos juntos, e eu era uma espécie de coordenadora que resolve todos os pepinos. Você, em sua pólo azul marinho, olhava-me com uma pontada de admiração e outra de despeito. Como que uma pessoa que eu abandonou poderia se virar tão bem? Acho que isso martelava na sua cabeça, porque seu rosto estava introspectivo. Do que lhe conheço, sabia que este ar de "ser ou não ser" estava relacionado a como sorria e encantava a todos. Seu olhar acompanhando cada milímetro dos meus movimentos não negava.

O fato é que eu me sentia feliz como o sol brilhando no verão. Era uma rainha em meio a todos e como tal, assumi o meu reinado sem culpa, sem medo, apenas com aquele friozinho bom na barriga de quem se sente responsável por algo. Veio o momento em que dirigi-lhe a palavra olhando nos seus olhos negros com uma noite sem luar e a revelação surgiu como um relâmpago: ali estava uma página virada de minha vida. Página incrivelmente boa, gigantescamente dolorosa, repleta de aprendizados, mas virada e acabada com um belíssimo ponto final. Sorri por perceber que não havia mais a necessidade de esbravejar o abandono, de encontrar os culpados, de explicação... 

Abri os olhos, espreguicei-me. Definitivamente, havia começado o dia bem.

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