domingo, 9 de fevereiro de 2025

Maresia

domingo, fevereiro 09, 2025 3


“Estou sendo atropelada por uma onda de amor”, me ouvi dizendo a uma amiga mais próxima. Há tempos — anos, sem exagero algum —, não me sentia assim. Bytes que vêm e vão também é troca? Faço pontes entre o meu cantinho e lugares remotos. Assim celebro as pequenas conquistas diárias. O tempo passa de modo distinto, e eu fico pensando quantos anos cabem nesse intervalo que chamo de temporada 2020-2021. Muitas pessoas vieram — algumas delas parecem estar aqui desde sempre — e outras se foram. Aprender a me respeitar é mais que preciso, é questão de sobrevivência.

Leio poesia como quem respira. Cada verso agita as moléculas do meu corpo, reverberando vida. “Deu para ver na sua pele o quanto você parecia feliz por estar ali”, foi o que a minha amiga respondeu. Cada vez mais eu penso sobre o ser inteira. Em um mundo que acelera tudo em nome da produtividade, quero estar lenta, entregue e completa nas minhas relações com os outros.

Escrevo. Solto pensamentos nas páginas do meu diário sem pensar muito o que vou fazer com eles. É preciso fazer algo?! Escrevo, faço polaroides, brinco com as gatas, observo o céu. Será que voltarei a compartilhar silêncios amorosos com quem me quer bem?

A roda da fortuna está girando. Tenho sorte de receber avisos amorosos de oráculos, anjos e pessoas que me querem bem — Deus tem ótimos mensageiros. Tenho sorte por receber amor de onde menos espero. É claro que há decepções pelo caminho, que há dores pelo caminho, que há genocidas pelo caminho. Nada é cem por cento flor, mas continuo plantando e lutando. Uma hora a semente germina.

Há tempos não punha os pés fora de casa. Não sabia que agora dá para pagar o metrô com aplicativo do celular ou que finalmente arrumaram o poste e a minha rua está melhor iluminada à noite. Há tempos não saía, mas fui brindada com uma chuva de folhas das árvores sobre a minha cabeça — elas me deram o melhor de si. O amor vem de todos os lados ou sou eu que sempre me transbordo demais?

Os últimos trinta dias foram tão intensos quanto um passeio pela maior montanha-russa do mundo. Isso, de algum modo, me deixa de ressaca — uma ressaca boa, de quem tem histórias para contar. Vou com as ondas, sacolejando de um lado a outro, tentando tirar o melhor de cada experiência. A natureza também sou eu.

Converso sobre a previsão do tempo com quem sente mais frio que eu. Passo café no meio da tarde. Mergulho em sonhos com Netuno. Tenho conversas profundas sobre sentimentos piegas. Reflito sobre o que quero deixar de legado. Coleto os pequenos acontecimentos e os coloco na prateleira da vida. O tempo, por sua vez, brinca de se arrastar e correr num piscar, enquanto eu ouço os lendários entoando clássicos do rock no player do meu computador. Me rendo a uma atmosfera de esperança que me circunda, me empurrando em direção ao futuro — seja ele qual for.

Talvez eu esteja quebrando a promessa de enviar uma crônica por mês. Não sei se o que escrevo pode ser considerado crônica (no sentido Rubem Braga de ser), mas sigo. Sigo, porque tenho sede de me interligar com quem me lê. Sigo, porque quero me conectar ao mundo como fazem os bytes do meu computador. Sei que minha sede profunda nunca acabará. Ela me faz ser e estar aqui. Completa. Inteira. Sempre.

E você? Você também está me lendo por inteiro?

Olho para as minhas inconsciências. Elas são mapas para eu não me perder.

Este texto foi enviado na minha newsletter em 30 de maio de 2021. Para receber outras crônicas como esta em seu e-mail, inscreva-se
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domingo, 2 de fevereiro de 2025

{Resenha} Quarto de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus

domingo, fevereiro 02, 2025 2


O dia a dia da favela e a luta por sobrevivência são os objetos de observação, vivência e registro de Carolina Maria de Jesus em Quarto de Despejo: diário de uma favelada. O livro, escrito em formato de diário, registra desde os acontecimentos mais corriqueiros de sua autora, até fatos históricos (e como eles interferem na vida dos moradores da extinta favela do Canindé, na Zona Norte de São Paulo).

As entradas vão de 1955 a 1960 e apresentam com muita honestidade as mazelas e a solidariedade existente nesta região tão precária e periférica. Carolina, mãe de dois meninos (João e José Carlos) e de uma menina (Vera Eunice), se desdobra numa rotina pesada de catadora de papel, ferro e estopa, para alimentar a si e aos filhos — nem sempre com sucesso — e para criá-los da melhor maneira possível dentro de uma comunidade insalubre.

Fora de seu barraco de madeira e papelão há brigas por motivos torpes, fofoca, sexo e prostituição, violência entre adultos, contra mulheres e crianças, alcoolismo, meninos e meninas morrendo por causa da desnutrição. A autora, por vezes separa brigas, protege mulheres e crianças, vai atrás da polícia, se indigna com o tratamento que a vizinhança dirige aos filhos dela e aos dos outros e com a displicência dos políticos que aparecem na favela apenas em época de eleição.

Dentro do barraco há a falta de estrutura (água encanada, esgoto, energia elétrica), de comida, de roupas e calçados, de itens de higiene e limpeza. Sobram apenas as pulgas e a falta de privacidade, ainda que Carolina prezasse muito por se separar de todo o caos.

Embora a rotina seja muito similar todos os dias — acordar, pegar água, fazer café, alimentar os filhos, catar papel, escrever —, é justamente nas pequenas nuances que Quarto de Despejo ganha forma e força: seja na reflexão de sua autora sobre o governo, seja na lupa que ela coloca na favela ao apresentar os dias sem comida, o diálogo com os vizinhos, a generosidade na partilha do pouco, a gangorra entre desespero e esperança em dias melhores.

Como professora de escrita literária, me encontro com muitas mulheres que têm medo de dizer que são escritoras — a insegurança de uma possível falta de perfeição textual está sempre à espreita. Ver como a Carolina Maria de Jesus se vê como escritora desde sempre e como a comunidade a reconhece como tal, apesar das adversidades vivas por todos é acalentador e exemplo. As pessoas ao seu redor a viam como escritora, porque ela sempre se apresentou assim. E muitas delas tinham medo de ter seus nomes divulgados no diário, a exemplo do pai de Vera Eunice que, mesmo atrasando a pensão da filha, teve o pedido atendido.

Como uma criança que cresceu entre o fim dos anos 1980 e ao longo dos anos 1990, ouvi muito do registrado na obra: o medo infantil de não ser uma criança comportada e ir parar no Juizado (de Menores); o medo do adulto negro e periférico de andar sem documento e ser tido como vagabundo, bandido; a necessidade do negro estar sempre extremamente arrumado para não ser desrespeitado gratuitamente; a morte por desnutrição; a truculência policial (que muitas vezes escolhe o tratamento dado às pessoas de acordo com o bairro em que ela está ou reside*).

Algumas dessas coisas perduram até hoje, o que só reforça que mais do que um simples diário, Quarto de Despejo é um retrato fiel do Brasil.

capa.


Livro: Quarto de Despejo: diário de uma favelada
Autora: Carolina Maria de Jesus
Editora: Ática
Páginas: 200
Apresentação/sinopse: O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.

*Leia reportagem sobre isso, aqui e aqui.
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domingo, 26 de janeiro de 2025

{Fotografia} Pausa para respirar #7

domingo, janeiro 26, 2025 6


Uma das coisas mais legais de 2024 foi poder ter ido à praia. Este passeio abriu as comemorações do meu aniversário, em setembro. Foi bacana, porque fui com os meus pais, e a gente se divertiu muito, apesar de ter sido um bate e volta.

A princípio, iríamos a Santos, mas no meio do caminho mudamos de ideia e fomos parar na Riviera de São Lourenço. Como descemos a serra num dia de semana, a praia estava MUITO tranquila. Além disso, embora na capital o sol estivesse reinando, no litoral estava nublado. Viajamos naquela semana em que o interior estava sofrendo com as queimadas, então até a fumaça tinha descido a serra. 

Apesar dessas adversidades, não deixei de me divertir. Eu AMO ir à praia, mas quase nunca tenho a oportunidade de fazer isso. Sendo assim, agarrei com unhas e dentes e me joguei no mar, mesmo com a água estando fria. Parecia uma criança e, se esse papo de criança interior for verdadeiro, a minha foi bem feliz!

Abaixo alguns dos registros feitos com a boa e velha cybershot. 😉

Uma conchinha fofinha 😍



Já diria Diogo Nogueira: 🎶Pé na areia, a caipirinha, água de coco, a cervejinha
Pé na areia, água de coco, beira do mar🎵


Pessoas ao longe. 


Uma ilha. ⛵

Nós respeitamos o mar, e o mar nos respeita. 😉


Por fim, a famigerada selfie — esta, feita com o celular:

Solar, salgar



Veja também: outras edições do Pausa para Respirar:
01 ⏯️ 02 ⏯️ 03 ⏯️ 04 ⏯️ 05 ⏯️06 ⏯️


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domingo, 19 de janeiro de 2025

{Resenha} Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo

domingo, janeiro 19, 2025 5



Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo, é um livro que contém muitas camadas, aquela leitura que a cada vez que a revisitamos descobrimos mais e mais coisas tanto sobre as personagens, quanto sobre nós mesmos.

A obra nos apresenta a história de Fio Jasmim, um homem negro, que trabalha em uma ferrovia, e de todas as mulheres que passaram por sua vida: desde a oficial — com quem casou e teve os ditos “filhos oficiais” — a todas as outras que conheceu em suas viagens a trabalho.

Dito assim, pode parecer que Fio Jasmim é apenas mais um homem qualquer; mas, ao adentrarmos na narrativa, a autora nos leva a refletir sobre o racismo estrutural, sobre a masculinidade frágil, sobre a coragem e determinação de algumas dessas mulheres e sobre a pressão sofrida por todas elas, a que algumas sucumbiram. Tudo isso, narrado a partir de uma força poética que já é tão característica da literatura de Evaristo.

A obra coloca uma lente na masculinidade tóxica vivida por homens em geral e mais ainda, na que é vivida pelos homens negros. Homens estes que são cobrados de uma virilidade sempre pronta, em riste e forte, e sem o direito a sensibilidade alguma. Ao ler o livro de Conceição Evaristo, observamos o outro lado, o efeito — muitas vezes geracional, já que Jasmim aprendeu o que sabia com os homens mais velhos que o rodeiam — do estereótipo do malandro aproveitador que é tido como uma máquina de obter e dar prazer e que abandona uma mulher grávida a cada estação por onde passa.

O legado, como dito e muito bem-marcado pela autora, é geracional: assim como há os efeitos do estereótipo do homem negro, há também uma lente para a mulher negra — seja ela tida como “de família” ou “da vida” — qual é o espaço que essa mulher ocupa na sociedade? Se jovem e bonita tem seu corpo sexualizado; se mais velha ou mãe, muitas vezes assume o lugar de “lutadora que cria os filhos sozinha”, geração após geração.

No livro, Conceição Evaristo maneja não só (um dos muitos modos de) ser negro no Brasil, mas também como essa relação de homem que sempre é forte, conquistador e viril impacta diretamente na vida das mulheres e dos filhos que elas eventualmente têm. De como, para o homem ser o garanhão é um sinônimo de virtude; quanto para as diferentes mulheres (negras ou não), estar como alguém como Fio Jasmim é cair em desgraça.

Por meio das mulheres que amaram Fio Jasmim; nós, leitores, passamos a compreender a ferida estrutural da nossa sociedade, que descende — em grandíssima parte — de pessoas como ele e seus amores. Conceição Evaristo, por meio de sua escrevivência, coloca o dedo na ferida e brada um “precisamos falar, sim, sobre isso, sim”, afinal, ainda hoje dados estatísticos comprovam que o número de mães que criam seus filhos sozinhas no Brasil ainda é alto*.

Há um vazio existencial enorme para praticamente todos os personagens do livro. O vazio provocado pela estrutura social que educa pela lente do racismo (há príncipes negros na escola?) e do machismo desde a infância e que a objetificação dos corpos não consegue preencher. Homens como Fio Jasmim têm que se provar o suficiente o tempo todo, para que se sinta existente e aceito na sociedade — mesmo que ele nem esteja com tanta vontade assim de sexo (como sair da cidade sem ter transado como alguém?).

O corpo como moeda de troca para preenchimento de um vazio. O vazio causado por uma sociedade egocêntrica que não questiona o sentimento alheio. O poder de decisão, de resignação, de curiosidade, de pulsão de vida e morte. A história dos nossos e das nossas ancestrais. Questionamentos. Poder de estagnação e igualmente, de mudança. É possível encontrar tudo isso em Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo. Que sorte a nossa, ter uma autora como ela no nosso cânone. Que sorte a nossa!

Capa (divulgação da editora).



Livro: Canção para ninar menino grande
Autora: Conceição Evaristo
Editora: Pallas
Páginas: 136
Apresentação/sinopse: Trata-se de um mosaico afetuoso de experiências negras, um canto amoroso e dolorido. Na figura do personagem Fio Jasmim, Conceição discute com maestria as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um mergulho na poética da escrevivência e ao mesmo tempo um tributo ao amor sob uma ótica poucas vezes vista na literatura brasileira.

*Segundo reportagem da Agência Brasil (leia aqui), em 2022, havia mais de 11 milhões de mães solo no Brasil. 
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domingo, 12 de janeiro de 2025

7 hábitos que eu implementei em 2024 e que manterei em 2025

domingo, janeiro 12, 2025 14


No post de hoje, trago sete hábitos saudáveis que implementei em 2024 e que quero levá-los para 2025. Todos eles me auxiliam na minha rotina e tornam a minha vida mais fácil de ser vivida, em meio à correria do dia a dia.

1. Ter uma garrafa grande de água

Isso foi um divisor de águas na minha rotina. Comprei a garrafa de água mais simples que achei na Daiso, mas que era a maior que tinha na loja naquele dia. O que eu buscava? Um litro ou mais.

Encontrei uma que comporta 1,1 litro de água e, embora ela não seja a melhor do mundo em termos de se manter fechada (se eu a colocar na bolsa e ela virar, vai molhar tudo), ficou muito mais fácil para eu controlar o quanto bebi de água por dia. (Nos dias de onda de calor, cheguei a beber 4 delas.)

O meu corpo todo passou a responder melhor, minha pele ficou tão bonita que as pessoas ao meu redor repararam e vieram me perguntar o que eu ando fazendo, quando tudo o que fiz de diferente foi beber mais água.

2. Comprar chás de diferentes sabores

Embora eu AME café, eu gosto muito de resolver a minha vida com chá. Comi algo que não caiu bem? Tomo chá. A barriga ficou inchada? Tomo chá. Estou ansiosa ou tensa? Tomo chá. Quero dar um quentinho no coração? Tomo chá. Preciso me concentrar? Tomo chá. Está muito calor? Chá gelado com limão. Enfim, você entendeu, não é? 

Ter um chá para cada ocasião tem sido muito, muito gostoso porque me dá uma sensação de aconchego, de que estou cuidando de mim mesma ao longo do dia.

3. Criar estações ao organizar os meus itens

Eu sempre fui uma pessoa organizada, mas vez ou outra tinha itens diferentes em lugares diferentes. Seja porque me esquecia onde era o lugar original, seja porque o lugar original não era funcional e me dava preguiça de guardá-los lá. Entretanto, resolvi mudar isso. Fui criando o que chamo de "estações" e armazenando tudo junto. Dois grandes exemplos: tudo o que envolve papelaria, todas as coisas das gatas. 

Isso facilita tanto para mim, quanto para se alguém da minha família precisar de alguma coisa. Quando isso acontece basta responder que está na estação tal, que a pessoa acha.

4. Me organizar de acordo com as estações do ano

Apesar de noturna, eu sou uma pessoa muito solar e funciono melhor na primavera e no verão, do que no outono e no inverno. Sendo assim, eu quebro o meu planejamento de acordo com as estações do ano. Eu sei que no inverno eu tenho mais dificuldade de sair de casa, que preciso dormir mais, que no verão tenho mais energia. Então, planejo os projetos que demandam mais energia de janeiro a março e de setembro a dezembro, por exemplo. 

5. Ter um hobby para espairecer 

Sabe aquele hobby que você faz porque gosta, não porque quer ser bom naquilo, e que usa para espairecer depois de um dia cansativo? Pois bem, os meus são o tricô e a aquarela. O tricô, com mais frequência. Amo ter algo meu que não é para fazer dinheiro, que faço porque gosto, no meu tempo, sem pressão.


6. Ouvir pelo menos 10 minutos em língua estrangeira todos os dias

Uma coisa que eu gosto de fazer é ouvir as línguas estrangeiras que falo (inglês e espanhol) todos os dias. Normalmente, faço isso usando o YouTube, seja vendo vlogs, seja assistindo aos programas de notícias. Tem sido legal não só pelo exercício em si, mas também porque posso variar nos sotaques, aprender palavras novas (algumas, que eu nem sei como seriam em português) e ver como os outros países têm visões diferentes sobre determinados temas (normalmente relacionados à política e à economia).

7. Manter a caixa de entrada do e-mail zerada

Há alguns anos eu zerei todas as minhas caixas de entrada. Lembro-me que levei alguns dias nessa tarefa de arquivar o que era preciso e de jogar fora o que não era. Hoje, o combinado que tenho comigo é: tudo o que está na minha caixa de entrada está pendente por algum motivo. Quando resolvo, já faço esse redirecionamento de guardar ou excluir. 

Zerar a caixa de entrada é algo que dá trabalho, mas que vale a pena. Além de manter o digital em ordem, depois que se pega o jeito, o mental também fica muito mais organizado sem tanta informação desnecessária à mostra. Recomendo demais!


E você?

Conte pra mim: quais são os hábitos que você tem que tornam a sua vida mais fácil de ser vivida? Há algum hábito de que você não abre mão? Me conta nos comentários quais são as suas dicas que facilitam o seu dia a dia e se você gostou de alguma das que dei aqui. 😉

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domingo, 29 de dezembro de 2024

O limbo e uma dose de esperança

domingo, dezembro 29, 2024 4
Foto de Ch Photography na Unsplash.


Escrevo este texto em 25 de dezembro, também conhecido como Natal. Desde pequena, me pergunto se a gente comemora o aniversário de Jesus — e, por consequência, todos os outros — do modo correto. Minha cabeça de virginiana que é analítica, mas que não sabe lidar com a exatidão matemática, se questiona se o certo não seria usar o fuso horário de Belém e fazer as contas. Afinal, 25 de dezembro em Belém pode ser 26 na Austrália e 24 no Chile, não pode? (Não sei, nunca fiz as contas.)

Estava vendo um reel que mostrava uma moça islandesa. Na Islândia, a comemoração começa às 6 da tarde do dia 24 de dezembro, mas os presentes começam a chegar 13 dias antes, trazidos por 13 papais Noel (ou Noéis?) diferentes. Segundo ela, alguns deles são assustadores. Todos são irmãos e filhos de uma bruxa. Assim como acontece com o Papai Noel universal, eles só presenteiam as crianças comportadas (as que não se comportam são devoradas pela bruxa).

Minha mãe conta que ela deixava o sapatinho na janela durante a época de Natal e que uma tia — irmã do meu avô — costumava deixar presentes para ela e para os meus tios em nome do bom velhinho. O medo da minha mãe era receber um pedaço de carvão, como “punição” por não ter sido uma boa menina. Li na Deutsche Welle que essa é uma das tradições italianas, que lá, “a bruxa Befana leva doces para as crianças boas. As que foram ‘malvadas’ recebem um pedaço de ‘carvão’ feito de açúcar.” — não sei como a história do carvão foi chegar na Zona da Mata pernambucana, mas aí está uma tradição que se repete.

Este ano ganhei um único presente de Natal. Biscoitos de gengibre numa caixa bonitona que veio da minha irmã do coração. Ela sabe o quanto amo o Natal, embora as pessoas ao meu redor não gostem muito da data. O presente, me emocionou. Já eu, comprei alguns que quero entregar pessoalmente, conforme for encontrando os queridos por aí.

for encontrando”. Acho que o gerúndio é o motivo de eu ter começado a escrever este texto. Gosto de desacelerar em dezembro e dessa espécie de limbo nostálgico para onde ele me transporta. É uma coisa entre dois mundos. Apesar de estar aqui, olho para trás, numa tentativa de saber se saí ou não do lugar; olho para frente, numa tentativa de viver uma vida ainda mais harmoniosa comigo mesma. É um limbo e uma dose de esperança, ainda que a palavra “limbo” me remeta a um espaço meio de areia movediça.

2024 foi um ano atípico. De um lado, vi muita gente que eu amo perdendo pessoas queridas ou vivendo um luto de anos anteriores, vi muita gente ficando doente — eu mesma, inclusive, passei meu aniversário bem ruim. Além de toda pobreza e fome e guerras no mundo, das tragédias climáticas, como a que assolou o Rio Grande do Sul no início do ano e do racismo, houve todos os problemas da vida pessoal e familiar pelos quais muita gente também passa. A sensação que me dá é que se a gente ficar olhando muito pra tudo o que vê nas notícias e ao redor, que a gente será engolido pelo limbo movediço.

Mas há esperança. Sempre há. Se de um lado houve tantas dores, do outro, ganhei novas alunas, trabalhei no meu terceiro livro, reativei meu canal no YouTube, voltei à newsletter, publiquei meu primeiro livro traduzido para o espanhol, consegui me colocar alguns pontos finais em relacionamentos que eram tóxicos, me curei de muita coisa, me diverti nos inúmeros shows que fui. Ter contato com a arte me alimenta: sempre há o lado meio cheio do copo.

2025 vem aí, “um ano novo que traz consigo 365 páginas de possibilidades”. Alguns clichês não são clichês à toa. Há algo na sabedoria popular que nos dá um alento, um fôlego. Que 2025 seja isso: um sopro de vida para o nosso espírito realizar os nossos desejos mais profundos sem medo, vergonha ou culpa. Que, planejando ou não, nós cheguemos naquele espaço em que nos sentimos verdadeiramente acolhidos. Que tenhamos a coragem de atravessar o que tivermos que atravessar e que todos os caminhos nos levem na direção de casa. 😊


Este texto foi enviado em primeira mão na minha newsletter de presente de Natal. Para receber este e outros textos, inscreva-se aqui.

Boas festas! 
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domingo, 15 de dezembro de 2024

{TAG} Natal Brasileiro #AcabouoPapel

domingo, dezembro 15, 2024 14


Oi, pessoal!
Quem me conhece sabe que eu AMO o Natal. Amo o clima, amo as cores, amo tudo relacionado. Por isso, quando entrei no Canto Cultzíneo e vi a Tag que Nana respondeu, eu sabia que tinha que responder também. 😊

A Nana contou no blog dela que a tag Natal Brasileiro #AcabouoPapel nasceu no Canal da Bell Lopes, o Brincando de Escritora — que eu também amo demais.

🎅🎄🎅
Lembrando que, caso queiram, vocês podem comprar os livros citados nesta TAG (e tantos outros!) na loja de afiliados do Projeto Escrita Criativa na Amazon, clicando aqui.
Apesar de não mudar o valor para vocês, o Projeto recebe uma pequena comissão. O seu apoio é muito importante para a continuidade do trabalho que eu desenvolvo com as meninas por lá.
🎅🎄🎅

Amigo secreto:

Um livro que deve virar um presente.


Pode começar a TAG fazendo uma propaganda? Eu recomendaria dar os meus livros de presente (aliás, vocês podem comprá-los aqui). Acho que poesia é sempre uma boa recomendação de presentes, sejam eles de Natal ou não.

Inimigo oculto:

Um livro que você NUNCA daria de presente de amigo secreto:



Nem este, nem nenhum outro livro do Lobato. Aqui não apoio o trabalho de um autor que tem vários problemas relacionados ao racismo.


Panetone:

Um livro que você já tentou dar várias chances, mas não funcionou para você:



Ai, gente, juro que eu tentei ler mais de uma vez e não rolou. Eu entendo o porquê de a crítica aclamá-lo (realmente é muito bem-escrito), entretanto, a história não me pega.

PS: Não entendi por que essa categoria se chama panetone, já que panetone é sempre TÃO gostoso.

Papai Noel:

Um livro que você ganhou de presente:


Eu já ganhei três ou quatro livros da Livia Brazil (Obrigada, Liv! 💚). Este foi o último, ela me deu de aniversário no ano passado, porque sabe o quanto o meu amor pelo Matthew é gigante. 💜

PS²: Vocês podem conhecer mais do trabalho da Livia aqui.

Ceia em Família:

Um livro com uma família que você adoraria se convidar para uma festa natalina:



Serve uma família que existe de verdade? Estou lendo a biografia do Bono e amando cada linha, cada segundo. Superpassaria o Natal com ele e com a Ali. (Alô, Bono! Me convida, por favor?! hahahaha)


Especial de fim de ano:

Muitas pessoas não gostam deste livro. Ao longo da leitura, descobri o porquê:


Há livros que eu sei que são bem-escritos, mas que eu simplesmente não gosto (como foi o caso do da Ferrante acima). Entretanto, há livros que eu não gosto porque a escrita é ruim. É o caso de 50 tons de cinza. Me lembro que faltavam 40 páginas e eu estava pior do que a Phoebe gritando "my eyes, my eys", porque além de toda a problemática que o assunto traz (romantizar a violência, eu, hem?!), ainda tinha o fator escrita ruim. 




🎄🎅🎄


E vocês? Quais seriam as suas respostas? Me contem nos comentários! 
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domingo, 8 de dezembro de 2024

{Resenha} O ato criativo: uma forma de ser, de Rick Rubin

domingo, dezembro 08, 2024 4


Quando a editora Sextante lançou O ato criativo: uma forma de ser, de Rick Rubin, a internet não falava em outra coisa. Eu não sou muito de ler os livros que estão no hype, mas aproveitei uma visita à livraria Martins Fontes para comprar um exemplar e ver se era tudo isso que todo mundo andava dizendo.

O livro é bom, sem dúvida. Penso que é uma excelente porta de entrada para quem nunca leu nada sobre viver uma vida autoral e criativa. Também acredito que pode inspirar quem se vê em uma fase mais dura, de bloqueio criativo. Entretanto, se você for um leitor como eu, que já leu dezenas de livros sobre criatividade e que vê na arte uma forma de devoção, talvez este livro seja mais do mesmo. Embora Rubin seja muito didático e objetivo, ele não me trouxe nenhum conhecimento novo sobre o assunto. Em algumas passagens, inclusive, achei que há outros autores que apresentam determinados pontos de vista de formas melhores do que as dele.

Quando você segura uma peça central do quebra-cabeça e fita a mesa vazia, é difícil saber onde colocá-la. Se o quebra-cabeça estiver completo exceto por essa única peça, você saberá exatamente qual é o lugar reservado a ela. Em geral, o mesmo acontece com a arte. Quanto mais da obra pudermos conhecer, mais fácil será localizar com elegância e clareza os detalhes finais. (Rick Rubin, O ato criativo, página 127)
Início do capítulo sobre sucesso. Página 160, de O ato criativo, de Rick Rubin

Rubin é um produtor musical de sucesso e traz a sua experiência para o livro. Por mais que ele tente falar de outras áreas artísticas (como a escrita, a fotografia etc.), ele ainda se prende mais ao ramo dele de trabalho. Tanto nesse sentido mais prático, quanto no sentido mais espiritual a que ele se refere da criatividade, penso que os livros da Julia Cameron (também publicados no Brasil pela editora Sextante) aprofundam mais esses pontos.

Entre em sintonia com esses sentimentos durante o trabalho criativo. Procure as reações internas. De todas as experiências que surgem no decorrer do processo, tocar o êxtase e permitir que ele guie nossas mãos é a mais profunda e preciosa de todas elas. (Rick Rubin, O ato criativo, página 169)

Talvez esta sensação que senti de falta de aprofundamento de alguns pontos seja fruto da tentativa de cobrir os assuntos mais importantes da vida criativa. Quando olha-se o "Sumário", tem-se uma ideia dos assuntos abordados em cada um dos capítulos que vão desde entrar em sintonia com a fonte, passando por plantar e colher frutos da semente criativa. Ele ainda passa por pontos como o olhar para dentro e o subconsciente, a importância da paciência, o equilíbrio entre o romper com a mesmice, a espontaneidade, ter regras e ser constante, o não competir, o trabalho em equipe, a adaptação, a sinceridade, a harmonia, dentre outros. Entendo que se ele resolvesse aprofundar de fato cada um desses pontos, o livro seria imenso.

Sumário de O ato criativo, de Rick Rubin.

Todas as coisas vivas estão interconectadas e dependem umas das outras para sobreviver. A obra de arte não é diferente. Ela gera entusiasmo em você. Exige sua atenção. E sua atenção é exatamente o necessário para que ela cresça. É uma relação harmônica de dependência mútua. O criador e a criação recorrem um ao outro para prosperar. A vocação do artista é seguir o entusiasmo. Onde há entusiasmo há energia. E onde há energia há luz. (Rick Rubin, O ato criativo, páginas 245-246)

Como disse no princípio, não é um livro ruim, apenas não me entregou toda a expectativa que o buzz da internet criou antes da minha leitura. Se você nunca leu nada sobre criatividade ou quer relembrar algo sobre o assunto, este O ato criativo pode ser um bom ponto de partida.

Capa.


Livro: O ato criativo: uma forma de ser
Título original: The creative act: a way of being
Autor: Rick Rubin
Tradução: Beatriz Medina
Editora: Sextante
Páginas: 288
Apresentação/Sinopse: O lendário produtor musical Rick Rubin é um mestre em ajudar artistas dos mais variados gêneros a se conectarem com a fonte de sua criatividade para descobrir quem são de verdade e o que de melhor têm a oferecer ao mundo.
Ao longo de anos estimulando as pessoas a transcenderem suas limitações e resgatarem esse estado puro de inocência e inspiração dentro de si, Rubin compreendeu que ser artista não tem a ver com criar obras de arte; tem a ver, sim, com uma maneira peculiar de estar no mundo e de se relacionar com ele.
Este livro é uma generosa reflexão que ilumina o caminho do artista e nos convida a seguir por essa estrada – pois a arte e a criatividade estão à disposição de cada um de nós, como um direito de nascença.
“Não importa se estamos produzindo arte formal ou não; todos nós vivemos como artistas. Pelo mero fato de estarmos vivos já podemos nos considerar participantes ativos do processo contínuo de criação. Viver como artista é um modo de estar no mundo. É uma prática de atenção.” – Rick Rubin

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domingo, 1 de dezembro de 2024

{Agenda} Convite: Sarau do Projeto Escrita Criativa

domingo, dezembro 01, 2024 2

Olá, pessoal!
O post de hoje é para fazer um convite: que tal fechar o ano com uma dose de arte? 

No domingo, dia 15 de dezembro, às 16h, realizaremos o segundo sarau do Projeto Escrita Criativa. Na live, conversaremos sobre literatura, leremos nossos textos e, claro, vamos nos divertir!

Já coloque na agenda e ative as notificações:


O quê? Sarau do Projeto Escrita Criativa
Quando? 15 de dezembro de 2024, às 16h
Onde? No canal do Projeto Escrita Criativa, no YouTube
Quem? As escritoras convidadas são Lucila Eliazar Neves e Nathalia Pureza. Além delas, estarão as três cofundadoras do Projeto: Ane Venâncio, Ayumi Teruya e eu.
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domingo, 24 de novembro de 2024

Comecei a tricotar uma manta do clima (temperature blanket)

domingo, novembro 24, 2024 2
Minha manta e eu. 😍


Como alguém que costuma sentir muito frio, eu já estava há algum tempo pensando em tricotar uma manta para os dias de temperatura mais baixas. Ao invés de buscar uma receita muito elaborada, optei por fazer uma manta que registrasse o meu ano pessoal. Depois de ver alguns vídeos sobre o assunto, resolvi tecer o que traduzi livremente como Manta do Clima (do inglês, Temperature Blanket). 

O que é uma Manta do Clima?

É uma manta tecida em tricô ou em crochê em que cada linha equivale à temperatura do dia. Normalmente ela é tecida ao longo de um ano, seja ele um ano gregoriano , seja ele um ano pessoal.

Como eu vou fazer a minha?

Depois de assistir a vários vídeos no YouTube e pesquisar no Ravelry, eu resolvi tecer a minha manta em tricô, usando como marcos o meu ano pessoal, ou seja, do meu aniversário de 2024 até o meu aniversário de 2025. Farei uma receita simples, apenas no ponto tricô. Para cada dia, teço o direito e o avesso. Também resolvi deixar franjas, que serão finalizadas quando eu terminar. Uso o branco para dividir os meses. Duas vezes o branco para dividir os anos. Na primavera e no verão eu vou tecer as máximas e no outono e no inverno, as mínimas.

Aperte o play para me ver contando como decidi fazer a manta do clima 
e o unboxing dos novelos.

Quais são os materiais que eu estou usando na minha manta do clima?

  • Agulha: embora eu esteja tecendo reto, estou tecendo em agulha circular (Círculo, 4mm de espessura e 100 cm de comprimento), além disso, uso tampas de agulha que comprei na Daiso.
  • Lã: escolhi a Família, da Pigouin (essa linha é muito tradicional, então há menos risco de ser descontinuada até eu terminar o projeto). Ela é 100% acrílico e cada novelo tem 100 gramas.
  • Tesoura.
  • Fita métrica.

Qual é a minha paleta de cores?

Escolhi uma paleta que está relacionada com as cores tradicionais que vemos para falar de temperatura (que vai do vermelho-escuro para as temperaturas mais altas ao azul-escuro para as temperaturas mais baixas).


Como eu tenho me organizado para isso?

Fiz uma página no Notion com todos os dados do material usado e com um banco de dados com as temperaturas do dia. É possível ver tudo isso no vídeo abaixo:

Veja os materiais que uso e a minha página no Notion.

Quer saber mais?

Então deixe nos comentários as suas dúvidas e comentários, porque eu vou gravar mais um vídeo para essa série da manta do clima. 😉 Para ver este e outros vídeos, se inscreva no canal


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domingo, 17 de novembro de 2024

{TAG} 50 perguntas que libertarão a sua mente

domingo, novembro 17, 2024 4
Foto feita por mim no Parque Severo Gomes.


Não me lembro bem como eu descobri as 50 questões que libertarão a sua mente. Sei que faz muito tempo, muito, muito tempo. Deixei o link salvo, porque eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu responderia. Como as perguntas são em inglês, fiz uma tradução livre, mas você pode conferir o original aqui, no blog do Marc Chernoff. 

Se você quiser, pode responder também. Se o fizer, depois compartilhe comigo as suas respostas. 😉

💚💚💚


1. Quantos anos você teria se não soubesse a sua idade?
Provavelmente, 30 ou 80.

2. O que é pior: falhar ou nunca tentar?
Nunca tentar e morrer com a dúvida do "e se eu tivesse feito?".

3. Se a vida é tão curta, por que nós fazemos tantas coisa que não gostamos e gostamos de tantas coisas que não fazemos?
Cada vez mais eu procuro fazzer coisas que eu gosto. Acho que isso acontece porque algumas coisas "chatas" são necessárias.

4. Quando tudo foi dito e feito, você disse mais do que fez?
Não. Eu falo bastante, mas faço mais. 

5. O que mais você gostaria de mudar no mundo?
A desigualdade social. Gostaria que ela não existisse. Penso que a desigualdade é ponto desencadeador de muitos outros problemas.

6. Se a felicidade fosse a moeda nacional, qual tipo de trabalho te faria rico?
Os mesmos que tenho hoje: lecionar e escrever.

7. Você está fazendo o que acredita ou só está se contentando com o que está fazendo?
Cada vez mais busco fazer só o que acredito.

8. Se a média da vida humana fosse 40 anos, de que modo diferente você viveria a sua vida?
Acho que teria celebrado mais a vida fazzendo mais festas de aniversários.

9. Até que ponto você realmente controlou o curso que sua vida tomou?
Consegui realizar boa parte dos meus sonhos, então, sei lá, 50%?

10. Você está mais preocupado em fazer as coisas direito ou em fazer as coisas certas?
Estou mais preocupada em fazer as coisas alinhadas com os meus valores pessoais de modo a contribuir com o coletivo.

11. Você está almoçando com três pessoas que você respeita e admira. Eles começam a criticar uma das suas melhores amigas, sem saber que ela é sua amiga. A crítica é de mal gosto e desrespeitosa. O que você faz?
Ouço tudo, depois aviso que sou amiga da pessoa, que discordo do pontuado e mudo de assunto. Se for algo muito ofensivo, me retiro.

12. Se você pudesse dar um conselho para um recém-nascido, o que você diria?
Faça o seu melhor, mesmo que as pessoas não pareçam retribuir, porque o mundo sempre dá um jeito de trazer o amor de volta.

13. Você infringiria a lei para salvar alguém que ama?
Se esse alguém fosse um dos meus pais, sim. (A depender da lei, porque eu não seria capaz de matar uma pessoa, mas seria capaz de infrigir uma lei de trânsito pra socorrê-los, por exemplo.)

14. Você já viu insanidade onde antes parecia ser criatividade?
Toda vez que escrevo um livro.

15. O que você sabe fazer de diferente da maioria das pessoas?
Ser entusiasmada, ser fã, me amar, lecionar, amar alguém.

16. Como é que as coisas que te fazem feliz não fazem todo mundo feliz?
Essa é uma boa pergunta. De algum modo, fico feliz que haja pessoas que gostem de coisas que eu não gosto, porque assim elas podem me ajudar fazendo o que não quero. Dou graças a Deus que há engenheiros que amam matemática e constroem prédios, médicos e enfermeiros que amam trabalhar com a saúde, por exemplo. Assim, não preciso fazer isso.

17. O que você não fez que realmente gostaria de fazer? O que te impede de fazer isso?
Viajar para alguns lugares, morar sozinha, andar de balão, fazer mestrado. O que impede, por enquanto, é o financeiro. 

18. Você está apegado a algo que precisa deixar ir?
A ideia de não querer fazer mestrado na USP, mas não estou certa se devo deixá-la ir.

19. Se você tivesse que mudar de estado ou de país que não fosse onde você mora hoje, para onde se mudaria e por quê?
Se fosse pra mudar de estado, iria para Minas. Se fosse pra mudar de país, pra Argentina. Ambos têm comida boa, espaços culturais, não são longe de São Paulo.

20. Você aperta o botão do elevador mais de uma vez? Você realmente acredita que fazer isso torna a chegada do elevador mais rápida?
Não aperto mais de uma vez. Enquanto espero, faço uma dancinha. hahaha

21. Você prefere ser um gênio preocupado ou uma pessoa simples e alegre?
Não me vejo como gênio, mas sinto que vivo sempre preocupada, então, simples e alegre.

22. Por que você é você?
Porque eu não sou outra.

23. Você tem sido a pessoa gentil que gostaria de ter como amigo?
Sim. Eu faço pelos meus amigos o que gostaria de receber.

24. O que é pior: quando um bom amigo se muda para longe ou perder o contato com um bom amigo que mora perto de você?
Meus melhores amigos moram longe (uma delas, em outro país), então acho que é pior perder o contato com quem mora perto. 

25. Pelo que você é mais grato?
Pela saúde (minha e de quem amo).

26. Você prefere perder todas as suas memórias antigas ou nunca se capaz de fazer novas memórias?
Como alguém que já amou alguém que perdeu a memória, digo que penso ser menos pior não conseguir fazer memórias novas. Quando a gente não se lembra do que foi, perde o senso de identidade.

27. É possível saber a verdade sem desafiá-la primeiro?
Não sei. É?

28. O seu maior medo já se tornou realidade?
Já.  Algumas vezes.

29. Você se lembra daquela ocasião há 5 anos atrás, quando você estava extremamente triste? Isso importa de verdade agora?
Sim. E importa. Foi por conta daquela tristeza que dei um novo rumo à minha carreira profissional.

30. Qual é a sua memória de infância mais feliz? O que faz dela tão especial?
Quando o meu pai me colocava no ombro ele. Visão de cima e muitas risadas.

31. Em que momento do seu passado recente você se sentiu apaixonado e vivo?
Na festa de aniversário do meu sobrinho de coração (te amo, Pepê!) e no show do Linkin Park. :)

32. Se não agora, então quando?
Quando a intuição disser "sim".

33. Se você ainda não conseguiu, o que tem a perder?
Nada. Por enquanto, estou no lucro.

34. Você já esteve com alguém, não disse nada, saiu andando e sentindo que você teve a melhor conversa da vida?
Na época achava que sim. Depois de um tempo, notei que não.  

35. Por que religiões que pregam o amor causam tantas guerras?
Porque religiões são feitas por pessoas, não por espiritualidade genuína. Pessoas são contraditórias por excelência.

36. É possível saber, sem dúvida alguma, o que é bom e o que é mal?
Bom e mal na perspectiva de quem?

37. Se você ganhasse um milhão de dólares, você se demitiria do trabalho?
Não, mas diminuiria o ritmo.

38. Você prefere ter menos trabalho para fazer ou mais trabalho que você realmente gosta de fazer?
Hoje eu prefiro ter menos trabalho do que eu realmente gosto de fazer, assim posso equilibrar o trabalho com outras áreas da vida.

39. Você já sentiu como se você tivesse vivido esse dia cem vezes antes?
Quem nunca?

40. Quando foi a última vez que você marchou na escuridão com apenas o brilho suave de uma ideia na qual você acreditava fortemente?
Quando escrevi meu último livro.

41. Se você soubesse que todo mundo que você conhece iria morrer amanhã, quem você visitaria hoje?
Passaria o tempo da visita com os meus pais.

42. Você estaria disposto a reduzir sua expectativa de vida em 10 anos para se tornar extremamente atraente ou famoso?
Nunca! Eu quero mais é viver e viver e viver! 

43. Qual é a diferença entre estar vivo e viver verdadeiramente?
A paixão!

44. Quando é hora de parar de calcular riscos, perdas e ganhos e quando é o momento de simplesmente seguir em frente e fazer o que você sabe que é certo?
Meu norte é sempre fazer o que sei o que é certo, mesmo que pareça ter muitos riscos. Fazer o que é certo me dá paz.

45. Se nós aprendemos com os nossos erros, por que nós sempre temos medo de cometer erros?
Porque há a ilusão da perfeição.

46. O que você faria diferente se soubesse que ninguém iria lhe jugar?
Falaria dos meus medos mais abertamente.

47. Quando foi a última vez que você prestou atenção no som da sua própria respiração?
Em público, durante o show do Linkin Park. Em particular, antes de ir dormir.

48. O que é o amor? As suas ações mais recentes são expressões claras deste amor?
É colocar o nosso melhor no mundo. São expressões, se claras, não sei (elas me parecem claras, mas não sei se são para quem recebe).

49. Daqui a 5 anos, você se lembrará do que você fez ontem? E antes de ontem? E do dia anterior?
Sim, porque esses dias fiquei ocupada com o pequeno acidente que minha mãe teve e com o show do Linkin Park.

50. Decisões são tomadas agora. A pergunta é: você está decidindo por você mesmo ou está deixando que os outros decidam por você?
Cada vez mais eu tenho tomado decisões por mim, que tentem não só me fazer bem, mas também ao coletivo ao meu redor.

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Algumas Observações | Ano 18 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.