quinta-feira, 4 de março de 2021

Segurança

quinta-feira, março 04, 2021 6
Foto por iMattSmart, via Unsplash.


já quis se trancar
em uma angústia
que acorrenta.

até que percebeu
que a melhor fechadura
é a que está quebrada,
a que deixa a porta aberta
simplesmente escancarada.

_____________________________________________________________

terça-feira, 2 de março de 2021

{Vamos falar sobre escrita?} Mais 5 revistas para publicações de textos literários

terça-feira, março 02, 2021 1
Foto por freestocks, via Unsplash.



Em agosto de 2019 eu escrevi um post também para a coluna Vamos falar sobre escrita? uma lista chamada 10 revistas para publicações de textos literários. Até hoje recebo comentários neste artigo, e muita gente me pede para que eu traga mais lugares em que é possível submeter textos para publicação. Sendo assim, resolvi trazer mais lugares que aceitam textos literários. Vamos lá?

Maçã do Amor

Gênero: contos, textos livres, correios elegantes, lettering, quadrinhos e ilustrações;
Temática: cada edição tem o seu próprio tema, mas todas partem do universo do amor romântico (o movimento #ownvoice é encorajado. Todas as formas de amor são aceitas na revista);
Especificações: contos de 2000 a 4000 palavras; textos livres de até 1500 palavras; correio elegante de até 1000 palavras;
Envio do texto: por meio deste formulário;

Pretérita Revista

Gênero: ficção histórica (segundo a própria revista, "é qualquer história que não se passa no tempo presente. Geralmente, mas não sempre, a narrativa gira em torno de um evento histórico relevante, e pode (ou não) incluir figuras históricas famosas. Uma boa ficção histórica é atrelada a pesquisa e tenta transmitir a realidade sociocultural da época que se propõe a retratar. Para efeitos organizacionais, a Revista Pretérita vai considerar como ficção histórica qualquer narrativa que se passe até o ano de 1999.");
Temática: as temáticas variam conforme a edição;
Envio do texto: entrar em contato com os organizadores por meio do formulário de contato;

Revista  Alcateia

Gênero: prosa curta, poesia e ilustrações
Temática: as temáticas variam conforme a edição;
Especificações: cada autor/artista pode enviar 1 prosa, 2 poemas e 2 ilustrações por vez. Os textos devem ter até 2500 palavras.​ Formatação: fonte Times New Roman tamanho 12, espaçamento duplo (2) entre linhas; margens da página: 3cm superior, inferior, direita e esquerda; contagem de palavras na primeira linha do documento alinhada à direita; TW (trigger warning, aviso de gatilho) antes do título alinhado à direita; título do texto centralizado duas linhas abaixo da contagem de palavras (ou TW, se tiver); corpo do texto alinhado à esquerda com parágrafos de 2cm; o título do arquivo deve ser o título do texto e o formato do arquivo deve ser .docx.
Envio do texto: por e-mail para alcateiarevista@gmail.com com "Submissão de original" no assunto.

Revista Folharal

Gênero: contos, artigos, ensaios, indicações e ilustrações originais;
Temática: as temáticas variam conforme a edição;
Envio do texto: entre em contato com os organizadores via Twitter ou Instagram;

Revista Traços

Gênero: recebe textos e trabalhos fotográficos (fotopoema, artes visuais, fotos autorais, desenhos, pinturas, arte digital e gravuras);
Temática: livre;
Especificações: no caso de envio de textos, o trabalho deve ser escrito em Língua Portuguesa digitado em formato Word, ou doc (Não serão aceitos arquivos em PDF), em fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12, espaçamento entre as linhas de 1,5, com no máximo três (3) páginas. O texto deve conter o nome ou pseudônimo do autor (será publicado o nome que constar no texto), a cidade e o estado onde reside e, se quiser, um endereço de um blog/site ou página do Facebook para divulgação. A revisão dos textos é de inteira responsabilidade de seus autores e nenhum texto precisa ser inédito. A Revista Traços não revisará os textos enviados, em hipótese alguma. Cada autor pode enviar no máximo três (3) textos na mesma mensagem;
Envio do material: por meio do e-mail culturaltracos@gmail.com;


Espero que vocês tenham se animado e que enviem seus textos! Se forem publicados, não deixe de me contar para que eu possa te ler! 😉

_____________________________________________________________

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Retrô mensal #7: fevereiro/2021

domingo, fevereiro 28, 2021 2
Buenos Aires, 2015.



Don't let go when the daylight's gone (Let go)
'Cause it's always darkest before the dawn, I breathe (Oh, I breathe)
When the cold air starts filling up my lungs (My lungs)
When I hate the things that I've become, I breathe (Oh, I breathe)
Breathe - Backstreet Boys

Fevereiro foi um mês difícil. Emocionalmente difícil. Foram três semanas tentando lidar com um universo interno querendo explodir, sem saber exatamente como. Vulcões causam estragos, mas o fogo também é força criadora. Seguimos.

Tento observar a vida de uma perspectiva mais elevada. É possível ter a visão do todo? Tento. Sei que a vida é feita de ciclos — uns mais curtos, outros mais longos — e que, portanto, a pandemia é só um mais um deles. O foco agora é chegar viva até o final dele. Seguimos.

A arte foi fundamental para mim ao longo desses 28 dias. Tenho certeza de que se não fossem a literatura e a música, eu não teria chegado viva até aqui. Lenine aprendeu com o pai que a música é uma conexão com o divino. Concordo com ele. As artes sempre me são uma tábua de salvação.

#Retrô de boa

  • Fevereiro foi intenso, mas igualmente fundamental para estreitar alguns laços que me parecem muito importantes;
  • Minha irmã, que é profissional de saúde, e minha vizinha, que é como uma avó para mim, foram vacinadas;
  • Kevin com o Nick fizeram uma live antes da final do Super Bowl que foi uma delícia de se ver. Calhou que a live foi em um dia em que eu estava bem mal, então foi ótimo vê-los (e ver as crianças também!) e dar um pouco de risada. Saudades deles e de ir a shows;
  • Consegui fazer um encontrinho virtual com a Boo e com a Mai. Passamos mais de três horas desabafando sobre a vida. Foi incrível.
  • Entrei em um processo de aprender a controlar melhor as crises de ansiedade (com direito a ter que fazer tarefas de casa da terapia e tudo). Estou esperançosa;
  • Trabalhei bastante no livro novo! Yay! :)
  • Comecei a notar as mudanças do Pilates no meu corpo. Observar tudo isso tem sido uma redescoberta carinhosa comigo mesma.
  • O Lenine fez um show lindo para o projeto do SESC verão. Eu achei muito interessante que, durante a semana eu comentei no Instagram que estava com saudade dele. Dias depois ele falou que faria o show. Acho legal quando estas coincidências acontecem. Ele foi impecável como sempre. É nítida a falta que ele tem dos palcos. Sentimos todos essa falta de poder aglomerar com gente que está na mesma vibe. 


  • O Pearl Jam publicou uma versão de Daugther no canal deles que também me deixou feliz. Meu sonho é viver isso ao vivo. Espero que o corona deixe um dia...


  • No fim de fevereiro, o primeiro álbum da Jessie J, chamado Who you are, fez dez anos!!! O tempo anda voando tanto, mas há coisas que não envelhecem e as músicas desse disco são exemplo disso. Para comemorar ela lançou alguns vídeos de uma performance acústica que ela fez em 2019. Coisa mais linda do universo! :)
 
  • A Marina Colasanti publica uma crônica no site dela, sempre às quintas-feiras. Ler o que a Marina escreve é, para mim, uma aula de escrita e um deleite como leitora.  Em fevereiro, eu me identifiquei tanto com A difícil arte de jogar fora, que vou deixar o link aqui para vocês.

#Retrô para melhorar

  • Entender que algumas coisas só acontecem na minha cabeça. Esse é um desafio diário que talvez seja eterno;
  • Com isso, acabei mudando a minha área de foco do ano. Não adianta eu querer estudar sem estar bem psicologicamente falando. Os estudos continuam no radar; mas, como disse no começo do post, o foco é sobreviver à pandemia com o mínimo de dignidade.

O que teve no Algumas Observações em fevereiro


No canal

Ontem aconteceu a terceira edição do Café Notável. Eu conversei com a Moni Souza. Para ver, aperte o play: 



É isso! 
Que março seja melhor. Que todos nós estejamos rodados de amor. Sigamos.

_____________________________________________________________

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Sobre ser casa

sexta-feira, fevereiro 26, 2021 1
Buenos Aires, 2015.


Muitas vezes me pego olhando para o céu numa tentativa de puxar ao ar divino para dentro. Respirar e encher os pulmões é a principal lembrança de que há uma vida desejosa de mais habitando o meu corpo.
Olho para o céu para me nutrir. A inspiração que pulsa, me leva à escrita, à criação, a ser alguém que sente e sofre e é, de algum modo, feliz por poder deixar uma marca no mundo, por menor que ela seja.

Olho para o céu para me lembrar de não me esquecer que sou um ponto no universo caótico, que também tem um infinito particular dentro de si. Olhar pro céu me relembra de que os meus dramas não são maiores ou menores que os dos outros. Eles são apenas meus.

A vida é cheia de ciclos. Eu olho para o céu na busca de uma esperança que me renove por inteiro. Assim, e só assim, posso ser meu próprio lar.

_____________________________________________________________

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Clichê

domingo, fevereiro 21, 2021 10
Foto por Alec Krum, via Unsplash.


Mais uma madrugada em que acordo com uma imagem na cabeça. Estamos ali, nós dois. Eu passando um café fresquinho com seu aroma tão característico percorrendo todos os cômodos. Você deitado no sofá lendo. 

Pego a minha xícara e, sem palavra alguma, me sento no chão. O sol entra por entre as cortinas para se despedir de mais um dia que termina. Não faz nem muito calor, nem muito frio, mas os pássaros cantam. É primavera, e os sabiás alimentam os seus filhotes. 

Não dizemos nada. O jazz toca baixinho na vitrola alguma música instrumental. Com uma mão você continua lendo o seu livro. Com a outra, me faz um cafuné. Eu sorrio. De algum modo finalmente entendo o que o Gil diz quando canta: “a paz invadiu o meu coração". 

Tomo um gole do café, enquanto penso que eu não preciso de muito para ser feliz. Dou graças aos céus que você também não.

_____________________________________________________________

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Gestação

sexta-feira, fevereiro 19, 2021 10
Foto por Erastus McCart, via Unsplash.


Escrever é um troço que dói. Escrever é ir buscar palavras no recôndito da alma, para tentar nomear uma ideia de que nem se sabe se tem nome. Se não tiver, o autor que lute para encontrar o termo exato para tornar a tal ideia algo concreto, que o outro compreenda. Escrever é encontrar a ponta do rolo de fita adesiva transparente. A gente sempre se pergunta por que raios não dobrou a ponta para tornar o início mais fácil. Mas quem disse que nós, escritores, queremos facilidade?

A aula de escrita misturava os temas que mais gosto: filosofia e literatura. Entender quem sou e o que é viver, mas fazer isso de forma literária. Queimar a cuca, torrar os neurônios de tanto pensar e depois dizer que foi um personagem que quis assim ou assado. Vantagens de poder criar histórias. Algum álibi a profissão teria que trazer.

Eu, que venho pensando muito nos tempos e nas distâncias, me joguei de corpo e alma e coração e espírito. Fui fundo no oceano dos sentimentos e, como acontece com qualquer sujeito que mergulha sem se preparar, aconteceu de eu me perceber na escuridão, sem ar e sem saber o caminho de volta à superfície.

Escrever é um troço que dói, mas é também o processo de busca na nomeação do tudo que traz um respiro. Escrever é oxigênio para os dias em que a semente foi absorvida pela terra e ainda não sabe se vai vingar ou não. Escrever é seguir no túnel do tempo em direção ao passado sem futuro e ao futuro sem passado. Há cedo ou tarde nas profundezas do oceano?

Quando acho piamente que morri, é a escrita — a dor da escrita — que me mostra o quanto estou viva, o quanto ainda quero viver. Só é possível sentir algo quando o coração pulsa. Só é possível sentir, quando o oxigênio das palavras chega aos pulmões. Só assim existo.

Escrever é um troço que dói, porque a vida é um troço que dói. Mas mesmo em meio a tanta dor, é possível encontrar uma dose de alegria. A pequena felicidade chega vinda das águas uterinas, quando do líquido amniótico da língua um texto surge inteiro e, de modo robusto, ganha o mundo.

_____________________________________________________________

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Como foi o seu dia?

terça-feira, fevereiro 16, 2021 14
Foto do entardecer de 15 de fevereiro de 2021.


Sou alguém que ama compartilhar. Não digo apenas sobre o que sei — algo intrínseco da minha profissão de professora —, mas sim o que sinto, o que vivo, as miudezas da vida.

A partilha mais bonita responde ao como foi o seu dia?. Quando essa pergunta vem da alma, sua resposta é uma declaração de amor, de amizade, de troca. Quando a resposta é sincera, a reciprocidade é entrega à relação que está ali estabelecida — seja ela do tipo que for.

Algumas pessoas veem isso como "dar satisfação". Já eu gosto de pensar que  esse pequeno ritual estabelece vínculo. Não somos obrigados à nada, e justamente por não sermos, que perguntar ou responder a um como foi o seu dia? se torna um gesto de carinho. Em uma sociedade em que tudo é aparente e quase nada é profundo, em que as pessoas estão sempre dispostas a falar, mas nunca a ouvir, se importar de verdade é uma bandeira verde para a construção de laços duradouros.

Virginiana que sou, acabo implementando esse cuidado na rotina com facilidade. Quando me conecto a novas pessoas e sinto que elas são importantes, quando as velhas amizades se tornam cada dia mais fundamentais, com o meu pequeno núcleo familiar. Gosto da rotina de entender como as pessoas ao meu redor estão e de saber se posso ajudá-las a tornar o dia delas nem que seja um pouquinho melhor, um pouquinho mais feliz.

Contudo nem sempre isso é recíproco. Às vezes o cuidar vem com rejeição. Às vezes acompanhar o Big Brother é mais interessante do que perguntar como eu estou ou me sinto. Às vezes é furar a rotina do falar todos os dias por um motivo qualquer. Às vezes é o jeito distraído de quem só pensa em si mesmo. Às vezes, eu não tenho o mesmo grau de importância que essas pessoas têm para mim. Acontece. Tudo na vida é aprendizado (e algumas rejeições são livramento. Doem, mas no final sempre nos levam por melhores caminhos).

Tenho para mim a ideia de que são os pequenos gestos os que mais importam. O como foi o seu dia? é uma minúscula porta que permite que outras pequenas gentilezas entrem na relação — seja ela de que natureza for —, para estabelecer algo maior e mais bonito. E o que é o viver se não justamente construir e fortalecer laços com quem é importante para nós?

_____________________________________________________________

domingo, 14 de fevereiro de 2021

{Resenha} Moedor de carne, de Eduardo Lisboa

domingo, fevereiro 14, 2021 4
Resenha do livro Moedor de Carne, do escritor e arquiteto Eduardo Lisboa.


Moedor de Carne, de Eduardo Lisboa, é um livro que apresenta breves narrativas que vão do cotidiano ao absurdo. Os contos do livro partem muitas vezes de situações do dia a dia e levam seus personagens a adotarem atitudes que beiram à performance ou ao irracional. 

É interessante notar como essa irracionalidade nos provoca, enquanto leitores. Será que teríamos as mesmas atitudes desses personagens se não tivéssemos que vestir as diversas máscaras que a sociedade nos impõe? Será que seria confortável agir de acordo com a própria vontade, como muitos dos personagens do livro agem? O será que o que é visto como excêntrico e performático, na verdade é o normal? Ou não? Ser assim seria instaurar o caos?

Moedor de carne, de Eduardo Lisboa, páginas 30 e 31.
(Clique para ampliar.)

As múltiplas narrativas apresentadas em o Moedor de Carne são provocativas justamente porque elas partem da crueza do cotidiano: um encontro, uma carona, uma lembrança da escola, um amor que se foi ou que deseja regressar, uma ida a um provador de loja. Tempo e espaço que pode ser de qualquer leitor que conviva com o ir e vir movimentado da urbe.

A composição do livro remete, de algum modo à cidade e à essa movimentação dos personagens nela. Cada texto e cada ilustração (com seus traços e curvas secos) compõem a obra são como uma das peças deste grande quebra-cabeça que brinca com o interno dos lares e o externo do transitar no mundo.

Ler esse livro é se aventurar na simplicidade da provocação que todos estes desconfortos nos apresenta.

Capa


Livro: Moedor de Carne
Autor: Eduardo Lisboa
Páginas: 118
Editora: Humana Letra
Apresentação: Moedor de Carne é uma coletânea de 64 contos escritos por Eduardo Lisboa, com ilustrações do próprio autor. Os personagens que habitam e narram os contos interagem com as situações banais do cotidiano de forma performática e às vezes absurda. Fazem isso com naturalidade e tédio. Alguns moram sozinhos em apartamentos, sentem falta de alguém, querem uma motinha com franjas coloridas no guidão ou gostam do cheiro de fumaça. Outros querem companhia para dividir como faxinam a casa, como aprenderam a falar francês ou como fazer um barquinho de papel. O leitor adquire intimidade e imerge nesse conjunto de particularidades que ao longo da leitura vai se moldando e fazendo sentido.
Livro no Skoob. | Livro no Goodreads.

_____________________________________________________________

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

{Vamos falar sobre escrita?} Lauda: o que é, como calcular e por que ela é importante

sexta-feira, fevereiro 12, 2021 6

Foto por Julia Joppien, via Unsplash.

Desde que eu comecei a realizar trabalhos textuais (saiba mais aqui), eu noto que as pessoas ficam um pouco confusas quando eu digo que o orçamento é feito por meio da quantidade de laudas do texto e que isso é diferente do número de páginas. Muita gente acha que é a mesma coisa, por isso, eu resolvi fazer este post para explicar direitinho o que é a lauda e por que ela é importante.

Vamos lá?

O que diz o dicionário?

Começando do começo, convido todo mundo dar uma espiada no que diz o dicionário (vocês sabem que eu AMO dicionários!). Conforme aponta o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra lauda foi usada pela primeira vez em 1361. Sua origem é duvidosa, mas ela pode ter quatro significados. São eles:


 s.f. (1361) cada lado de uma folha de papel 2  gráf página de livro (impressa ou em branco) 3  cine rád teat tv cada uma das páginas, ger. em folha padronizada, de um script ou roteiro 4  edit gráf rád tv folha escrita com contagem de toques padronizada por órgão de imprensa ou editora, us. na elaboração de matérias jornalísticas e de originais de publicação ¤ etim orig.duv.

 

Clique para ampliar.

Apesar de todas as acepções existirem, quando estamos trabalhando com livros (literários ou não) e artigos (impressos ou para a Internet), o nosso foco deve estar no quarto significado do verbete, que afirma que a lauda é uma “folha escrita com contagem de toques padronizada por órgão de imprensa ou editora, usada na elaboração de matérias jornalísticas e de originais de publicação”.


Então, o que diferencia a página de uma lauda?

Chegamos à pergunta que vale um milhão de dólares: “por que as pessoas não falam logo ‘página’? Por que elas insistem em orçar a lauda?”. A resposta está lá nas palavras-chaves da definição do Houaiss: “contagem de toques padronizada”. 


Uma página pode ser formatada de qualquer forma, já a lauda tem uma formatação igual/fixa (com pequenas variações, conforme veremos adiante), combinada previamente com o profissional que prestará o serviço ao escritor/editora/veículo de comunicação/publicação científica (seja esse profissional o tradutor, leitor crítico, o editor, o preparador ou o diagramador do texto).


Formatação: um exemplo prático

Pego como exemplo o texto do post 2021 e as metas e planos conscientes. Formatado em Arial, tamanho 12, espaçamento simples, este artigo ocupa 3 páginas.

Exemplo de formatação.


O mesmo texto (também em Times New Roman, tamanho 12), com espaçamento duplo ocupa 5 páginas inteiras.

Mesmo texto do exemplo anterior, com mudanças na formatação do espaçamento.

Estas mudanças podem ser infinitas a depender do tipo da fonte, do tamanho escolhido, da disposição das imagens e suas legendas (caso haja) e de todas as variações que um texto pode apresentar. Sendo assim, cobrar por preço da página é injusto tanto para o profissional (que poderia receber um texto com fonte tamanho 8, só para caber mais texto em menos espaço e portanto, pagar menos pelo trabalho), quanto para o autor (que não teria nenhum parâmetro de como o trabalho está sendo orçado/cobrado para avaliar se o valor é válido ou não).


Sendo assim, realizar o orçamento de um trabalho textual baseado em laudas é um caminho mais justo porque a lauda é um padrão preestabelecido baseado na “contagem de toques padronizada”, como já nos disse o dicionário.


E quanto mede uma lauda?

Aqui entra o X da questão. Lá no começo do texto eu disse que há pequenas variações no que diz respeito ao padrão da lauda, lembram-se? Essas variações partem de três fatores que podem ou não estar combinados entre si:


  1.  Tipo de texto (literário ou não literário);
  2. Tipo de veiculação (revista científica, jornal, artigo para a Internet, livro físico, e-book);
  3.  Tipo de serviço (tradução/versão, leitura crítica, preparação, revisão, diagramação).

O que o autor tem que ter em mente é que os profissionais que trabalham com texto não têm uma regulamentação única. Este é o principal motivo de as regras variarem tanto*. De um modo geral, quando se vai contratar um serviço medido por laudas, o autor deve sempre se atentar a quantos caracteres com espaço o seu texto tem, porque é isso que vai determinar o tamanho da lauda nas três situações.

Para encontrar a quantidade de caracteres com espaço, use a função contar palavras do Word.

 

O texto que usei como exemplo de formatação tem 5188 caracteres com espaço.


Tamanho da lauda em média

O tamanho médio das laudas varia de acordo com o serviço prestado e com aquilo que for estabelecido pelo profissional que fará o trabalho. Abaixo estão os tamanhos mais comuns que encontrei nas pesquisas que fiz quando iniciei o meu trabalho com textos (as referências estão no fim do post).


Na tradução/versão

O Sindicato dos Tradutores recomenda os seguintes padrões de lauda:

  •         2100 para a tradução/versão comum;
  •     1250 para tradução/versão juramentada.

Vale ressaltar que a maioria dos tradutores optam por cobrar pela tradução por palavras, não por laudas.

 

Na leitura crítica, preparação e revisão de textos

O site do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo há uma tabela com o que eles recomendam de tamanho e preço padrão para trabalhos textuais de não ficção: 1400 caracteres com espaço. Já o mercado literário costuma considerar uma lauda 2100 caracteres com espaço.

Entretanto, esses números podem variar entre 1000 e 2600 caracteres com espaço. Esta escala depende dos 3 fatores mencionados no tópico sobre o tamanho da lauda.

 

Na diagramação

Assim como acontece com os tradutores, há diagramadores que cobram por página (normalmente, quando há muitas ilustrações, gráficos, fotografias e elementos visuais no texto). A lauda da diagramação tem o tamanho médio de 1250 caracteres com espaço.


Como é feito o cálculo da quantidade de laudas de um texto

Ao entrar em contato para o orçamento para um trabalho com o seu livro, muitos profissionais pedem que você envie o seu original para que eles mesmos calculem. Se eles pedirem, enviem o texto — é importante que o profissional veja o material com que ele vai trabalhar. Todavia, é importante que você, escritor, também saiba calcular a quantidade de laudas do seu texto para conferir se o orçamento foi feito certo.


Saber como este cálculo é feito também é importante em casos de encomenda de texto. Há escritores que recebem demandas com espaços limitados (como aqueles que publicam crônicas em jornais, revistas e sites semanalmente ou os que trabalham com artigos científicos).

 

Para realizar este cálculo, siga o passo a passo:

  1. abra o seu texto e vá até a opção “contar palavras”;
  2. verifique quantos caracteres com espaço o seu texto tem;
  3. divida esse número (de total de caracteres com espaço) pelo tamanho da lauda utilizada pelo profissional que vai realizar o trabalho.

Um exemplo: 

Como disse acima, o texto que usei de modelo para formatação tem 5188 caracteres com espaço. Esse número dividido por 1400 (lauda de não ficção) é igual a 3,7 laudas (ou 4 laudas, se você preferir arredondar este número).

 

Salve este pin para não perder as informações deste post. 

Quanto custa uma lauda?

A segunda pergunta de ouro deste post é: "afinal, quanto custa cada lauda?". Mais uma vez, caímos no bom e velho “depende”. Normalmente, a lauda tem um valor fixo para cada profissional, não para toda a categoria de profissionais. Esse valor varia de região para região do país*. Além disso, considera-se alguns fatores para estabelecer o preço da lauda:


  1. a formação que o profissional tenha (quanto mais experiente e qualificado, mais alto será o valor da lauda); 
  2. complexidade do seu texto (uma coisa é trabalhar com “texto corrido”, outra é ter que trabalhar texto e tabelas, legendas, imagens, quantidade grande de notas, revisão de índice remissivo etc.);
  3. complexidade no assunto (se o trabalho realizado for sobre um assunto que o profissional não domine, provavelmente ele terá que se dedicar por mais tempo — fazendo pesquisas e estudando o tema — o que pode gerar um acréscimo no valor do trabalho);
  4. tempo para a realização do trabalho (alguns profissionais cobram taxa de urgência se o prazo for muito apertado).

 

Dica: desconfie de profissionais que cobram muito barato! Todos os serviços citados aqui exigem um grau de complexidade e dedicação muito intensos. No caso da leitura crítica, preparação e revisão de texto, não é só "dar uma olhadinha no texto". Há um arsenal de conhecimentos e de materiais envolvidos no trabalho. Quem cobra muito barato normalmente não tem essa preocupação toda.


Para saber mais:

Como disse anteriormente, deixo abaixo algumas referências sobre tamanho e valor de laudas que me ajudaram não só a fazer esse post, mas também a orçar o trabalho dos meus clientes:


Acho que é isso! Qualquer dúvida, deixe aqui nos comentários. ;)

_________________________
*Lembrando que, neste artigo, estou considerando o contexto brasileiro. Pode ser que, em outros lugares da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa — CPLP  o modo de trabalho seja outro. 

_____________________________________________________________

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Descobertas recentes

domingo, fevereiro 07, 2021 20
Foto por Saad Chaudhry , via Unsplash.


Dente de leão é uma das minhas flores preferidas.
A escrita flui na madrugada.
É mais fácil escrever poesia
— ela faz parte de mim.
É bom limpar a casa quando a cabeça está sem foco.
O pôr do sol é o meu ponto zero.
Sinto saudades de ver o Lenine ao vivo.
Compartilho da mesma personalidade de um dos Obama.
Andar na rua
— com sol ou com chuva —
é motivo para me sentir grata.
Gosto das imperfeições das polaroides que não deram certo.
Alguns áudios no WhatsApp são mais importantes do que outros.
Posso ser doce quando me apaixono.
O amor é complexo, mas não é complicado (e se for, não é amor).
É importante compartilhar com quem vibra pelas minhas conquistas.
Pegar na mão é uma das declarações de amor mais grandiosas que alguém pode dar ao outro.
Multiplicidades se formam na minha cabeça.
Às vezes, preciso inspirar em 3 e expirar em 6.
Às vezes, preciso de silêncio para aplacar a raiva.
Às vezes, preciso organizar o trânsito dos pensamentos que se atropelam.
É necessário transbordar,
para fazer o monólogo interior sair de mim.
Para parar de imaginar o pior.

Aproveitar os silêncios é mais do que importante,
é compaixão.
Comunicar é mais do que importante,
é sobrevivência.
Permaneço viva a cada dia
e me orgulho da minha jornada.

_____________________________________________________________
Algumas Observações | Ano 14 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.