domingo, 16 de agosto de 2026

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a escritora Nathália Pureza

domingo, agosto 16, 2026 0
Conheça o trabalho da escritora Nathália Pureza.

No post de hoje eu trago uma entrevista muito especial, com a escritora Nathália Pureza. Conheci a Nath quando ela se tornou minha aluna na mentoria de escrita literária há cerca de três anos. De lá para cá, vi a literatura que ela produz amadurecendo a ponto de se tornar um site, um livro e mais alguns projetos bacanas que virão por aí. Sendo assim, gosto muito da ideia de que vocês possam conhecer não só dela, mas da literatura dela também. Vamos lá?

Algumas Observações: Olhando para a sua trajetória, eu queria que você falasse um pouco do nascimento do Voar alto não precisa ser tão difícil. Em qual momento você decidiu escrever um livro? Como foi a construção da obra e quanto tempo durou esse processo?
Nathália Pureza: Comecei a escrever com treze anos, quando ganhei um caderno de meu pai, que me falava para expressar meus sentimentos quando eu não conseguia falar para outra pessoa. Desde aquele dia, sonhei que eu escrevia um livro. Ideias vinham espontaneamente e também a vontade de elaborar coisas não vividas, refletir, descobrir a mim mesma, os outros e o mundo concreto, acontecimentos, bem como a ideia de um livro. Apesar do sonho, primeiramente fui escrevendo coisas aleatórias. Quando estava no Ensino Médio escrevia, recitava poemas, e meu Professor de Literatura me incentivou a escrever um Livro de Poemas, que no caso se tornou o Voar Alto. Primeiramente juntei todos os poemas que eu tinha, cheguei a enviar para uma editora, mas não deu certo. Ainda bem! Na faculdade de Letras aprendi muitas técnicas sobre Literatura e Escrita e, como trabalho final, podia entregar projetos mais criativos, trouxe esse livro, para aprimorá-lo. Depois de sair da faculdade tirei um tempo para descansar, mas continuei escrevendo coisas. Queria que esse livro se concretizasse. Conversando com meus pais, percebemos que eu precisava de orientação, de um empurrão para que o livro e minha escrita se concretizassem, fossem mais profissionais. Resolvi buscar! Tentei uma antiga professora minha, mas ela disse que não fazia essa orientação que eu estava pedindo e me sugeriu buscar uma oficina. Sou muito intuitiva e introvertida, senti que não era isso que eu precisava. Então comecei a buscar na Internet pessoas especialistas em Poesia, depois de muito procurar achei a Fê (Rodrigues) e intui que ela era a pessoa certa para me ajudar. Com ela falei do livro e mandei o arquivo de como ele estava até ali. Precisava de aperfeiçoamento. Paralelamente a isso ela passava propostas de textos das aulas. Fazia os textos, mas esquecia de enviar para ela. Mostrar o que escrevo é desafiador. Então, ela sugeriu que eu começasse a enviar os poemas do livro, em blocos, o que tornou o processo mais leve. E assim ele se tornou o que é. Então... o processo durou, quase uma eternidade, diria que 11 anos.

AO: Seu livro é dividido em partes? Como você pensou cada uma delas? Que sensações você queria despertar no seu leitor durante o percurso de leitura?
NP: Sim, ele é divido em três partes. A primeira fala de sentimentos, memórias, caminhos turvos, mistura do presente e do passado, conflitos, que geraram algumas descobertas; a segunda mostra a busca pelo novo, mas ainda com resquícios do passado, experiências e reflexões internas; a última é sobre as quedas, as dores, as descobertas, busca por leveza, integração, continuar, seguir em frente, mesmo quando o passado e suas questões insistem em voltar. Apesar de ele ter essa separação definida, seria interessante o leitor não pensar tão linearmente. Na verdade, o leitor pode encarar o livro todo como um processo, com mergulhos, descobertas de si, do outro, de mundos, bem como suspensões, respiros, retornos, voos, sensações que as palavras, os sentimentos, as pessoas e acontecimentos podem mostrar, causar, impactar – transformar.

Nathália Pureza

AO: Como é para você esse processo de dar nomes ao livro, às partes do livro e aos poemas? É um processo mais de análise ou mais intuitivo e por quê?
NP: Começa como um processo muito intuitivo, espontâneo. Mas com a Fê, aprendi a olhar e criar títulos a partir de coisas que estão dentro do livro, uma frase, um verso, o título de um texto que está dentro dele. Voar Alto, por exemplo, é na verdade o verso de um dos poemas que está no livro. Diria, então, que é uma mistura dos dois.

AO: Por enquanto, o seu livro saiu apenas em formato de e-book e você optou por fazer uma publicação independente. Por que essa escolha? Como foi escolher publicar de forma independente?
NP: Na verdade, desde quando ele surgiu e ainda não era o que é, meu pai me incentivava a publicar na Amazon. O livro passou por algumas editoras e foi recusado. Senti uma urgência de publicá-lo, porque ele já estava pronto e também porque esse termo Voar Alto, tem circulado bastante atualmente, por isso o e-book. Além disso, a Amazon foi onde várias escritoras, poetas da minha geração começaram a se auto publicar: Rupi Kaur, Amanda Kviatkovski, Maria Costa, todas poetas. Publicar de forma independente é desafiante, porque o autor tem que divulgar muito e por conta própria, geralmente com apoio da família e dos amigos. Acredite ou não, para mim, divulgar têm sido mais difícil do que todo o processo de escrita e construção do livro. Tenho dificuldade de mostrar o meu trabalho.

AO: Para muitas pessoas é difícil se assumir como escritores. Como foi esse processo de se autointitular escritora e se inserir no mercado profissional?
NP: No meu primeiro ano de Mentoria com a Fê ela me falava “Escritora você já é!”, coloca lá na bio do seu Insta – Escritora, quando as pessoas perguntarem da sua profissão fala o que você é, escritora. Com ela também criei um site do zero, nele publico alguns poemas, crônicas e textos, palavras soltas, pensamentos que não tem um gênero definido, a que chamei de Pluralidades; também aprendi coisas sobre rotina criativa e como responder, dialogar, corretamente com as editoras, por exemplo o que fazer antes de enviar meu original e como refletir melhor sobre as editoras e seus critérios diferentes de publicação.

AO: Você começou a escrever e procurou uma formação literária ou foi o contrário? Poderia comentar um pouco sobre a ligação entre a sua formação e a profissão de escritora? A sua formação transformou seu processo de escrita ao longo do tempo?
NP: Comecei a escrever e procurei a formação. Fiz alguns meses de Jornalismo, mas não gostei e também sentia que minha escrita era mais ficcional do que jornalística, apesar de eu gostar de pesquisar e achar importante saber dos acontecimentos do mundo, inclusive para escrever. Então conversei com uma prima e ela me sugeriu fazer Letras. Enquanto procurava o Curso e as Universidades, me deparei com o Curso Letras – Produção Textual (Formação de Escritor), na PUC-Rio. Não fazia ideia que isso existia. Aí me formei nisso. Então, sinto que sim, minha escrita amadureceu muito, principalmente no nível técnico.

Nathália Pureza compartilha a sua rotina de escrita.

AO: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesma? Se sim, como essas metas te ajudaram a escrever o Voar Alto?
NP: Estou sempre lendo livros e coisas na internet. Leio um de cada vez, buscado revezar os assuntos e gêneros. Tenho “Ansiedade Literária”, sempre em busca de livros, assuntos, autoras/es que eu gosto, isso nunca para ou termina, mas não sofro. Em si minha escrita é mais espontânea, então a ideia, a palavra, vem muito rápido, anoto no que tenho mais perto de mim: notas do celular, caderno, papel solto, computador etc., e edito na hora, mas também deixo um tempo, para revisar e aprimorar. Quando me sinto muito travada, começo a ler textos e livros de autoras e gêneros daquilo que estou escrevendo, bem como também, assistir entrevistas sobre autoras/autores e seus temas, processos criativos, ou, uma coisa mais aleatória, assistir um filme, uma série. A Fê me ensina a escrever sob demanda, a cada quinze dias ela me passa uma proposta de escrita. Alguns textos escrevo rápido, mas demoro a entregar, porque reviso demais, outros demoro mais a escrever, porque me desafiam no gênero ou temática, por exemplo contos, que estou praticando desde o ano passado.

AO: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritora? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser boa o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?)
NP: Acho que meu maior desafio, particularmente, é escrever em um tempo curto sobre o que me pedem para escrever. A sensação de insegurança sempre me ronda. Também acontece de uma coisa, um assunto que eu não imaginava, acabar me inspirando. Como falei antes, leio textos dos gêneros, assisto entrevistas, um filme, uma série, coisas que eu gosto, também converso com pessoas próximas.

AO: Nos seus textos você costuma falar sobre o amor e outros sentimentos nobres — eles, inclusive, aparecem no Voar alto não devia ser tão difícil. Como você vê a relação do seu público com a obra que você produz, uma vez que vivemos em um mundo tão caótico e violento?
NP: Sendo bem sincera não tenho muita certeza ainda sobre o meu público. Quando eu publicava no Face e depois no Insta, eram coisas mais espontâneas, ou que eu tinha escrito a um tempo atrás. Mas penso que o Amor é um tema universal humano e da Literatura, nunca se esgota. A Fê me ensinou a explorar, pensar e escrever sobre isso de outros jeitos e pontos de vista diferentes.

AO: Falando do texto em si, o que você mais gosta de escrever? Como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos e o que você acha importante fazer antes de soltar um texto no mundo?
NP: O poema é onde me “sinto em casa”, na verdade diria que é quase um vício, não vivo sem escrever versos. Sou muito autocrítica, reviso muitas vezes antes de publicar. Quando comecei a publicar no Instagram publicava mais coisas que eu tinha acabado de escrever, não sem antes revisar mil vezes e trocar ideias com pessoas próximas, rsrsrsr e depois, fui ficando mais seletiva, mais cautelosa, bem como também acabei acumulando muitos textos soltos, que fui revisando e aperfeiçoando, em parte que eu já tinha escrito antes e outros depois, além das temáticas e propostas que vejo nas aulas, que a Fê ensina na Mentoria. Faz um tempo que estou com certo bloqueio, não para escrever, mas para publicar. Então, estou reaprendendo a deixar ir, soltar, publicar e não ficar pensando, imaginando tanto o que os outro vão achar, como vão agir/reagir, qual impacto estou causando, nesse sentido no meu caso, só praticando mesmo. O que fazer? Diria que uma revisão gramatical e também para você prestar atenção em como você mesma(o) se sentou depois de escrever, se sentou feliz e leve, sugiro soltar.

Instrumentos de ofício da Nathália Pureza.

AO: Você também escreve no seu site. Pode comentar um pouco sobre esse tipo de escrita?
NP: No meu caso eu já tenho muita coisa acumulada, que já está escrita, mas não está exposta. Falo isso porque talvez quem escreve em site, provavelmente escreve e publica, tudo junto, de uma maneira contínua, tanto textos técnicos quanto coisas pessoais, cotidianas, bem como também possíveis temáticas que gosta, mas também assuntos que estão circulando, ou não e que a pessoa goste ou ache relevante falar, refletir sobre tal assunto. Comigo foi um pouco ao contrário, revisei e editei muitos escritos antigos primeiro, que estavam engavetados, para depois publicar. Mas pode ser que em um futuro muito próximo isso mude, e eu não planeje mais tanto, reestabelecendo e ressignificando essa rotina. Além disso, estou sempre escrevendo, um texto, um pensamento, uma linha que seja!

AO: Quais conselhos você daria para uma escritora em começo de carreira?
NP: Escreva do seu jeito, se permita ser espontânea. Explore, se descubra. Leia coisas, autoras(es), gêneros que você gosta, mas também, coisas diferentes. Pratique para aperfeiçoar, compartilhe com seus amigos, pessoas próximas e que você confia. Mas, se quiser ser mais profissional, procure um especialista em texto, mercado literário e no gênero textual que você está escrevendo, ou alguém que entenda muito de português e do tema. Vá compartilhando, mostrando seus textos na Internet: redes socias ou site, blog.

AO: Quais são os seus planos futuros? Já pensa em um próximo projeto?
NP: Sim. Tenho quatro livros começados. Cada um vem seguindo um ritmo diferente. Tento seguir uma ordem, dos que vieram primeiro, mas nem sempre consigo manter, então, vou deixando acontecer espontaneamente. Inclusive um deles, surgiu ao acaso, não foi planejado, muito recente, através de um exercício da Mentoria.

AO: Você publica vários textos seus no Instagram e no seu site. Então, gostaria de saber qual é a sua visão sobre o papel das redes sociais para a carreira da escritora. Além disso quero aproveitar para perguntar por onde/como as pessoas podem entrar em contato com você? Como elas podem adquirir o seu livro?
NP: A internet abriu muitas portas para Escritoras(es), tornou a escrita, o acesso a ela e a troca entre autora e leitor, escritora e público mais democrática, mais próxima. Na Poesia especificamente, a internet e as redes sociais fizeram com que os poemas ficassem mais acessíveis, conectivos, inclusive na linguagem, amenizando a distância escritor-leitor e afastando o “medo” e crença das pessoas de que a poesia, os poemas, são difíceis de entender e ler por causa da linguagem. Poemas geralmente retratavam fragmentos, sentimentos, de um jeito que poucos apreciavam. Com internet e redes sociais surgiram os Instapoets, o que na minha opinião democratizou a poesia e aproximou mais os leitores, uma vez que as poesias passaram a ter uma linguagem mais simples e mais próxima da oralidade e do cotidiano, além de uma busca por mais igualdade – a maioria dos poetas contemporâneos escreve os versos com letras minúsculas, ou todas maiúsculas, justamente para representar mais igualdade e não afastamento, separação ou hierarquia e empoderamento.

Meus Textos estão publicados no meu Instagram: @purezanathalia,
Facebook: Nathalia Pureza
Podem me chamar no Direct (acesso mais o Insta) e no e-mail: natahaliapureza@yahoo.com.br

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
NP: Queridas(os) leitoras(es) do Algumas Observações, escrever é um abrir e bater de asas, pousar, entrar, se permitir molhar, fluir no rio, desaguar no mar, se deliciar nos pingos de chuva, se secar e se aquecer ao sol, em dançantes faíscas. É por vezes saltar no vazio, esbarrar, encontrar, dançar com outras vozes e corações cheios de tinta e cores, e também encarrar os próprios abismos, as sobras, mas também colocar, descobrir, deixar fretas para que a luz entre. Não prometo um céu estrelado todo tempo, mas de mãos dadas e corações pulsantes, vozes unidas, seguimos avente, batendo asas.

Beijos,
Muito Obrigada!
Nathália Pureza, Escritora

Conheça o livro da Nathália Pureza

Capa.

Livro: Voar alto não precisa ser tão difícil
Autora: Nathália Pureza
Ano: 2026
Páginas: 57
Formato: e-book
Apresentação: Em um mundo com tantas possibilidades, tecnologias, “facilidades”, por que às vezes podemos sentir dificuldade de encontrar leveza pelo caminho? Como as experiências passadas nos impactam negativa, positivamente até o momento presente que vivemos? Como lidar com isso, alçar voo e seguir além, além?
Olhar para si, para o outro. Caminhar pelo mundo livre, descobrir, criar mapas, atravessar direções tortas, correr riscos. Antes de alcançar o céu é preciso saber alavancar os pés na terra, caminhar sobre ela, descobrir, adentrar as águas de si, saber, aprender a atravessar o sol, as tempestades? Entre turbulências, com asas feridas, corações alagados voar, continuar a bater asas, bem abertas, voar grandes alturas sem temer a queda e seguir de peito aberto, apesar de.
Este é um livro dividido em três partes onde presente e passado se misturam, lembranças e emoções são turvas, mas geram reflexões; a busca pelo novo, ainda com resquícios do passado, novas experiências, reflexões internas e breve união do passado com o presente, impactos, soluções breves, caminhos desconhecidos, inexplorados, valem algum risco. Um conjunto que leva o leitor a reflexão de si, do mundo, dessa sociedade atual tão livre, cheia de alternativas, opções, mas ao mesmo tempo tão líquida e cada vez mais acelerada, instável.
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

6 on 6: brasilidade

quinta-feira, agosto 06, 2026 6

O tema do 6 on 6 de julho foi brasilidade. Até agora, foi o assunto mais difícil pra mim. Primeiro, porque eu queria sair do óbvio. Segundo, porque meu mês de julho foi um mês corrido demais pra mim (tanto em acontecimentos, quanto emocionalmente), o que significa que eu ainda estou exausta. Ainda que muita coisa bonita tenha acontecido, quase não tirei fotos, porque quis viver o momento. Então, para não ficar sem o post (não quero furar o projeto), resolvi buscar imagens nos meus arquivos. Segue, então, a minha leitura de brasilidade com fotos tiradas ao longo do primeiro semestre.

Lenine
Quem me conhece sabe que eu sou enlouquecida no Lenine. Pra mim, ele é um dos maiores artistas brasileiros que temos, com uma discografia que representa a nossa brasilidade do começo ao fim e que é linda tanto nas letras (este homem é um verdadeiro poeta!), quanto na sonoridade. No fim de abril, fui com a Lucila, ao show da turnê nova dele, chamada Eita (que também é o nome do álbum mais recente que ele lançou). Tanto a turnê quanto o álbum celebram a cultura nordestina, mais precisamente a pernambucana. Pernambuco faz parte das minhas raízes, então foi lindo demais me sentir em casa assim. Cantei, chorei, me diverti. Foi lindo! Queria que ele voltasse para mais apresentações por estas bandas de cá. 

Simplesmente eu, Clarice Lispector

Com a maravilhosa Beth Goulart

Nas segundas e terceiras fotos, juntamos duas bralisidades: o talento majestoso da atriz Beth Goulart e a monstruosidade literária da Clarice Lispector. Beth está em cartaz com a peça Simplesmente eu, Clarice Lispector, que eu tive a honra de assistir durante o mês de julho. Estar na primeira fila e ver a grandeza que é a Beth Goulart fazendo a Clarice é de arrepiar. Ela não só atua, ela realmente encarna a Clarice de tal modo que chega a ser assustador (de um jeito maravilhoso, mas ainda assim, assustador). Para quem respira Clarice como eu, foi uma honra não só ver a peça, mas ter um minutinho de dedo de prosa com a própria Beth após o espetáculo. Para quem estiver em São Paulo, a peça continua em cartaz agora em agosto. Vale a pena ver!

SP não é a Disney
No final de maio passei por essa obra e a inscrição manuscrita na placa que diz "SP não é a Disney" me chamou a atenção. Realmente, como paulista eu sei que aqui não tem a magia no ar. Tem realização de sonhos, tem trabalho, tem felicidade e estresse, tem contradição. Amo São Paulo com todas as forças do meu ser, mas reconheço que aqui está longe de ser o paraíso onde só se encontra os sonhos no ar. No fundo, me pergunto se Disney real (a dos bastidores) não tem um pouco de São Paulo nela também. Talvez o único lugar intocado de pecados seja o interior do interior de alguma floresta ou o fundo do oceano. Ou talvez nem isso, porque nós, os humanos, levamos problemas para esses lugares também.  Fora toda essa reflexão geográfica, os trabalhadores fazendo todo um esforço braçal é uma brasilidade desde a nossa fundação de país e que também é assunto que me gera toda uma gama de pensamentos críticos acerca das condições e jornadas de trabalho. Enfim, "SP não é a Disney" e talvez nem a Disney seja a Disney. Fiquei pensando em tudo isso no dia em que fiz a foto e continuo pensando em tudo isso cada vez que olho para ela.

Futebol feminino
No começo de junho eu fui com um amigo ver o amistoso de futebol feminino. O Brasil é o país do futebol, então quis trazer o esporte a partir da minha perspectiva: a feminina. Esta foi a minha primeira vez em um estádio para ver uma partida (antes tinha ido só para shows) e fiquei feliz, pois vencemos (não sou pé frio como o Mick Jagger). Me deu um orgulho danado, porque as meninas bateram um bolão (inclusive, jogaram muito mais que o time masculino na copa do mundo). Estou empolgadíssima para a copa que elas farão aqui no ano que vem. Se você tem algum preconceito com o futebol feminino, apenas peço: dê uma chance! Você não vai se arrepender.

Selfie da torcida

Tricotei este gorrinho e este cachecol para ver as meninas jogarem e para torcer pelo futebol masculino na copa do mundo. Como todo mundo já sabe, a participação do time masculino foi meio que um fiasco, mas eu (apesar de saber de todos os problemas envolvidos) amei a copa! Ficava vendo todos os jogos, torcendo pras outras seleções (alô, Cabo Verde!), acompanhando cada jogada. Me sinto um pouco órfã agora que tudo acabou (e, como disse antes, estou contando os dias pra Copa feminina aqui no Brasil).

📷📷📷

Equipamentos usado no post:

Todas as fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:

Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: Reticências, Sweet Luly, Inventando assunto, Camila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷 02 📷 03 📷 04 📷 05 📷 06 📷
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 2 de agosto de 2026

O que me faz (bem) feliz hoje

domingo, agosto 02, 2026 4


Domingo passado estava em casa descansando quando fui assistir ao vídeo da Martina Giacoboni, uma argentina muito simpática, que tem uma livraria muito bonitinha. Lá pelas tantas, ela compartilhou uma lista de coisas que a fazem feliz no momento e disse que gosta de fazer isso quando ela está meio tristonha. Como eu estava meio tristonha, resolvi fazer a minha lista também. E ela tinha razão. Me senti melhor quando terminei o exercício. Aliás, não só me senti bem, mas fiquei surpresa com o tamanho da minha lista. 

É justamente esta lista que eu trago no post de hoje. Ela não tem um grau de maior ou menor importância, porque, para mim, tudo isso é bem importante. Deixo a minha lista pública como incentivo para você fazer a sua também.

Este é o vídeo da Martina.

O que me faz (bem) feliz hoje

  1. Saber que Deus escuta as minhas orações;
  2. Dormir com as duas gatas, mesmo que eu fique toda torta;
  3. Dias de sol e calor;
  4. Café depois do almoço;
  5. Conversas honestas (de coração para coração);
  6. Minhas amigas (e o quanto elas preocupam e cuidam de mim);
  7. Meus pais;
  8. Gatinho;
  9. Harry Styles no Brasil;
  10. Harry Styles dizendo "Scream if you wanna go faster!";
  11. Ver meus alunos e ex-alunos sendo felizes na vida;
  12. Casa limpa e perfumada;
  13. Vídeos de animais sendo felizes;
  14. Dançar, dançar e dançar;
  15. Ir ao teatro;
  16. Poder sonhar com um futuro melhor;
  17. Trabalhar com o que eu amo;
  18. Cantar (mesmo que fora do meu tom);
  19. Chá antes de dormir;
  20. Acordar sem despertador;
  21. Tricotar;
  22. Escrever;
  23. Começar e terminar a leitura de um bom livro;
  24. Chocolate;
  25. Ganhar comidinhas de presente;
  26. Minhas plantas;
  27. Ganhar flores/plantas de presente;
  28. Quando alguém que amo se lembra de mim sem motivos;
  29. Ouvir e falar en español;
  30. Quando o que eu convido pra minha vida vem pra minha vida;
  31. Árvores e natureza;
  32. Sorvete;
  33. Comidas que me fazem dançar de tão gostosas que são;
  34. Ir a shows;
  35. Ir a shows e cantar até ficar sem voz;
  36. Ronronar da Poesia;
  37. Ronronar da Camomila;
  38. Meus alunos crescendo e virando meus amigos;
  39. Backstreet Boys;
  40. Backstreet Boys dizendo o famoso "Hi, we are the backstreet boys!"
  41. Andar descalça;
  42. Este blog.

Alguns itens dessa lista são bem banais, outros são bem profundos. Acho que a questão com este exercício é justamente não julgar o que vem na cabeça e não ficar pensando em hierarquia. O ponto é só reconhecer o que nos faz bem, redirecionar o olhar para o copo meio cheio. 

Agora me conte, o que você colocaria na sua lista?

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 26 de julho de 2026

Jornada

domingo, julho 26, 2026 4



da beira do desfiladeiro avisto o outro lado do abismo.
ele é convidativo:
tem o mistério como seu habitante
e uma travessia que parece pacífica.

coloco a minha trouxa nas costas e sorrio:

o salto para o novo é certo
dentro da certeza do desconhecido.

só é mistério aquilo que um dia fora segredo.
só é amor o que mora no respeito.

há toda uma nova vida por vir.

(ainda bem)

💚💚💚

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de julho de 2026 é o outro lado.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 19 de julho de 2026

Sede boa morre com água

domingo, julho 19, 2026 8


Gosto de sentir sede. Não pela garganta seca em si, mas pela sensação de sentir a vida descendo faringe adentro. Gosto da sede que é matada não com suco, coca-cola, cerveja, café ou vinho. Sede boa morre com água.

Lembro-me da primeira vez em que a professora de ciências foi categórica: “Não é possível haver vida sem água”. A informação me intrigou. Fiquei tão ou ainda mais curiosa quando soube que este corpo, este que me carrega, é composto por no mínimo 60% de H2O. Cabelo, braços, pernas, pele, pulmão, coração, osso, sangue — esse rubor que me mantém viva —, tudo água.

Gosto de sentir essa sede que me remete à infância, para aquele dia primeiro de descoberta, em que chorava sem parar, sem entender o que era a secura que vinha dos lábios e seguia até atrás das amídalas. A necessidade nata se convertendo no desespero de acordar sem fome, sem fralda cheia, sem medo, mas aos prantos. Nesta hora, meu bem, nem pai, nem mãe, nem irmãos, nada é capaz de substituir um bom copo de água fresca. E as minhas mãozinhas, como a de qualquer bebê, sabiam disso.

Estiquei-me em direção ao objeto que minha mãe trazia. O copo se convertia no cálice da fé que traria a boa nova. Em instantes, a mágica se fez: ali em minha boca, aquele líquido sem cheiro e sabor, tinha o gosto da paz.

Gosto de sentir sede e da sensação de vitória na conquista de cada gole. Gota a gota, as memórias de infância reverberam na vida adulta.
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 12 de julho de 2026

Meu alfabeto musical (de A a Z)

domingo, julho 12, 2026 9
Foto por Matthias Groeneveld, via Pexels.

Dia desses estava nos stories do Instagram (me segue lá @fe_notavel), quando os meus amigos começaram a postar um Alphabetical Music Challenge. Achei bacana a proposta de pensar em uma música para cada letra do alfabeto, entretanto nem tentei fazer, porque a ideia de compartilhar a lista nos stories é fazendo uma por dia. Sabia que esqueceria e não terminaria o desafio. Sendo assim, resolvi trazê-lo para o blog e montar uma playlist no Spotify (clique aqui para me ver no Spotify)..

O critério de escolha foi unicamente a primeira música que passou pela cabeça quando vi a letra.

Estão prontos para uma playlist bem doida?


As long as you love me (Backstreet Boys)
Baby one more time (Britney Spears)
Castanho (Lenine)
¿Dónde están los ladrones? (Shakira)
En la fiesta mando yo (Thalia)
Fátima (Capital Inicial)
Girls just wanna have fun (Cyndi Lauper)
Hey Jude (Paul McCartney)
Immer in Bewegung (Revolverheld)
Just want you to know (Backstreet Boys)
Kiwi (Harry Styles)
Luz dos olhos (Cássia Eller)
Mi Buenos Aires querido (Carlos Gardel)
Nadie como tú (Miranda)
Óculos (Os Paralamas do Sucesso)
Pajarito colibrí (Natalia Lauforcade)
Quit Playing Games (Backstreet Boys)
Remember the time (Michael Jackson)
Survivors (Passenger)
Thunder (Jessie J)
Until the end of the world (U2)
Vogue (Madonna)
Wannabe (Spice Girls)
Xscape (Michael Jackson)
You oughta know (Alanis Morissette)
Zooropa (U2)

Agora me conta, o que você colocaria na sua playlist alfabética?

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

6 on 6: junino

segunda-feira, julho 06, 2026 6


Chegamos à metade do ano, e o tema de junho do nosso 6 on 6 foi junino. Meu junho foi intenso cheio de portas se fechando e se abrindo. Tudo se encaixando. Vários encontros. O aniversário de 20 anos do Algumas Observações. Uma festa junina em que eu encontrei gente queridíssima. Um mês em que vi minhas melhores amigas. Enfim, só posso ser grata por tudo o que me aconteceu. 


Vazio.
Junho começou tão gelado e chuvoso que as crianças ficaram longe do parquinho. Eu, que detesto o frio, entendo bem as crianças.


Vai, Brasil!
Eu sempre sonhei de ir em um estádio para ver um jogo de futebol. Quando o meu amigo me chamou para ver o amistoso da seleção feminina de futebol, topei na hora. Chegamos cedo, ficamos coladas no banco das estadunidenses, e eu gritei tanto que fiquei sem voz. A (rainha) Marta não jogou, mas estava lá e deu tchauzinho pra gente. As brasileiras venceram de virada, e eu me senti pé quente! Saí de lá já pensando na Copa do Mundo feminina, que será aqui no Brasil no ano que vem.

Essa também foi a minha primeira vez no Itaquerão. 

Doce, doce, doce
Junho é o mês do aniversário do meu blog e de um monte de gente que eu amo. 💚 Então, eu achei que seria de bom tom comprar brigadeiros para celebrar. Num mundo em que tudo é corrido e que não abre espaço para gente sentir que está vivo, celebrar é um sinal de resistência, de não se deixar engolir. Fora que brigadeiro eu amo até sem motivos. Que a vida seja doce e que doces resultados nos esperem. 

Florescer.
Eu não sei como se chama essa árvore (se você souber, me conta nos comentários, por favor?), mas eu amo a florada que ela faz. Aqui em São Paulo há várias delas; todas extremamente lindas. Esta está entre o Sesc Paulista e o Itaú Cultural. Sempre que posso, ano após ano, tiro uma foto da diva. 

Saudades de casa.

Depois de mais de seis meses sem encontrar a minha amiga-irmã, finalmente tivemos agenda para nos ver e colocar o papo ainda mais em dia. Ela sugeriu um lugar lá no Centro, e eu me senti feliz quando vi que tinha milanesa y papas fritas no cardápio. Não pensei duas vezes: pedi minha milanesa con papas para tentar matar a saudades de mi Buenos Aires querido. O tiro saiu pela culatra, entretanto, a saudade aumentou. De qualquer modo, posso dizer que, meu Deus, eu fui muito feliz! Nada como comida de conforto.

Céu azul.

Do restaurante fomos à Galeria Metrópole tomar um solzinho e ver o que estava rolando. O dia estava lindo, o que me inspirou a fazer algumas fotos. Esta é uma delas. Gosto das retas, dos ângulos, das janelinhas, do céu azul (céu que sempre me lembra da música do Charlie Brown Jr.). Às vezes a gente só precisa de estar com alguém que ama, um solzinho e uma paisagem bonita pra ter paz.

📷📷📷

Equipamentos usado no post:

Todas as fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:

Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: Reticências, Sweet Luly, Inventando assunto, Camila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷 02 📷 03 📷 04 📷 05 📷
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 28 de junho de 2026

Feitiço

domingo, junho 28, 2026 6


degustei diversas vezes do fruto proibido:

 

enfeiticei-me.

embriagada no amor, dormi anos a fio.

 

acordei,

não com o beijo, mas com a pancada da descoberta:

 

a fruta,

 agora,

despencava

sobre a minha

cabeça.

 

tentação feita,

isca mordida.

 

o caramelo vermelho da liberdade me envolveu o corpo por inteiro.

 

vítrea,

me tornei escarlate desejo:

 

sou,

por fim,

maçã do meu próprio amor.

🍎🍏🍎

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de junho de 2026 é maçã do amor.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

20 anos de Algumas Observações

quarta-feira, junho 24, 2026 10

Querido Algumas Observações,
Feliz aniversário.

Eu sei que não é comum a gente escrever uma carta a um blog, mas aqui estamos nós — você, eu e nossos leitores. Em tempos tão modernos em que as pessoas conversam com chats e inteligências artificiais, não vejo problema em lhe deixar por aqui algumas palavras.

20 anos. Tal qual uma mãe saudosa, me pego me lembrando do dia em que te criei. Queria falar sobre tudo na internet. Naquela época, os blogs ainda não tinham tags e formas de classificação que me permitisse organizar o conteúdo como fazemos hoje. Também não havia muitos recursos. Era tudo feito à base de código HTML e de tutoriais que víamos nas comunidades Orkut.

A vida era mais divertida, mais esperançosa. Você já teve vários layouts e a clássica neve caindo no inverno. Você me viu entrando e saindo da universidade, das diversas pós-graduações. Você me viu indo aos shows que tanto me divertem e fazendo viagens felizes. Você me viu amando e tendo o coração partido (como agora). Você me viu publicando meus livros, testando novas artes, vivendo.

Apesar da depressão diagnosticada e tratada, eu amo viver. E amo registrar essa vida — nada extraordinária, pra dizer bem a verdade — aqui. Duas décadas inteiras sendo blogueira (termo que já foi sinônimo de ser legal, de status, pejorativo e sabe lá a quantas anda atualmente). Duas décadas sendo blogueira, escritora, artista. Talvez não tivesse seguido o rumo do meu coração se não tivesse este espaço, então muito obrigada.

Obrigada por ser espaço para treino da minha escrita; obrigada pelos amigos que fiz aqui — alguns deles a vida tornou possível conhecê-los e abraçá-los pessoalmente; obrigada pelas gratas surpresas, pelas empresas que já foram parceiras; obrigada pela comunidade tão fiel e gentil de leitores; obrigada por me ajudar a me entender e a amadurecer.

Que venham mais 20, 30, 40 anos observando o mundo, sentindo intensamente, sendo uma observadora do cotidiano e da vida.

Com carinho,
Fernanda
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 14 de junho de 2026

Uma série de vidas imaginárias

domingo, junho 14, 2026 10

Ao refazer o caminho do artista, proposto pela Julia Cameron, eu tive que pensar em vidas imaginárias que teria. Confesso que a primeira vez em que fiz o caminho, achava esta tarefa meio chata. Em 2026, entretanto, minha criatividade anda bem mais desbloqueada e pensar em vidas imaginárias foi uma das coisas que mais me divertiu.

A ideia proposta pela Cameron é que nós pensemos em outras possibilidades às vidas que temos e que tragamos um pouquinho delas para o nosso dia a dia. Sendo assim, vidas imaginárias que pensei para mim foram as seguintes:

  1. Patinadora profissional que tem suas coreografias baseadas em músicas pop;
  2. Dançarina profissional que faz turnê ao redor do mundo;
  3. Baixista de uma banda de rock no estilo do Linkin Park;
  4. Jogadora de basquete que viaja o mundo por causa do esporte;
  5. Florista que tem uma floricultura em Buenos Aires.
  6. Jornalista do Globo Repórter numa vibe bem Glória Maria viajando o mundo;
  7. Fotógrafa da natureza pra fotografar grandes felinos em seu habitat natural;
  8. Arqueóloga (para encontrar vestígios de dinossauros e de civilizações antigas);
  9. Artista plástica que expõe arte ao redor do mundo;
  10. Oficializadora de casamentos (uma espécie de juiz de paz);
  11. Especialista em felinos;
  12. Bibliotecária;
  13. Nômade digital (de novo, para viajar o mundo todo);
  14. Agricultora de pequena produção em um lugar remoto;
  15. Dona e diretora de um centro cultural.

Como vocês viram, eu só não viajo mais porque o dinheiro não me permite (ainda). Achei curioso que, mesmo sem estar pensando na lista, resolvi comprar flores na semana 7. Não sou florista, não moro em Buenos Aires, mas isso ficou na minha cabeça. Nas semanas 8 e 9, cuidei bastante das minhas plantas (não chegou a ser agricultura, mas foi divertido mesmo assim).

Quem me acompanha no canal do YouTube pôde ver como foi refazer o caminho e conhecer melhor o conteúdo das 12 semanas. Se você não viu ou quiser rever, pode dar o play abaixo.


Agora me conte: quais seriam as suas vidas imaginárias? 


_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

sábado, 6 de junho de 2026

6 on 6: trilha de cor: laranja

sábado, junho 06, 2026 12



Maio chegou trazendo mais um tema fotográfico, a cor laranja. O que a trilha de cor azul teve de fácil, a laranja teve de difícil e complicada. De todos os temas que fizemos, este foi o que mais me deu trabalho. Como não sou uma pessoa de ter muitas coisas laranjas ao meu redor, comecei a procurar tal cor pelo meu caminho. Aí que veio a encrenca. No meu olhar míope, ou as coisas eram vermelhas, ou eram marrons. Nunca cor de laranja. Quanto mais procurava, menos encontrava. Bateu o desespero sim e com certeza. Enfim, vamos às fotos:

Três incógnitas


Enigma.

A primeira foto que fiz foi esta. Assim como a vegetação do tema Linhas, estas plantas moram no parque em que faço minhas aulas de dança. Era sexta de manhã, estava frio e não fazia (e ainda não faço) ideia de como esta planta se chama, muito menos se essa cor é vermelha, marrom ou laranja. Digam-me aí nos comentários se acertei na foto ou se roubei no tema.

Florezinhas incertas

Na sexta à tarde, no caminho para a aula de canto, sempre passo por um colégio cujo o muro é coberto por esta outra planta. Mais uma das que também não sei o nome. Mais uma que eu olhei e pensei: isso é laranja ou vermelho? O que posso dizer com certeza é que ela forma pequenos buquês como este da foto, e que eles ficam lindos sob a garoa fina que tem feito nos dias frios de outono.


Meio cantora, meio Jasmine.

Um pouco mais tarde, já no meio da aula de canto, olhei para o chão e me lembrei da história do Aladdin. O tapete tem os quadrados alaranjados, já a minha garrafa de água, a cor da roupa da Jasmine. A bateria deu um toque de Gênio da Lâmpada; que, lembremos, também é meio azulado. Foto nada artística, com zero enquadramento, mas que conta como laranja, não conta?

Três certezas

Infância.

Na volta da aula de canto, passei algumas vezes por alguns desses brinquedos públicos. A prefeitura de São Paulo tem colocado vários deles em diversas praças (ano de eleição tem dessas reformas de última hora). Olhando de longe, é muito bonito. Chegando mais perto, dá para ver que alguém já foi lá rabiscá-lo (dá para ver justamente na parte laranja dele). É uma pena. Enquanto desmontarem a Educação, não adianta trocar o patrimônio público esperando perfeição, porque isso vai continuar acontecendo. Só há valorização quando se compreende verdadeiramente a importância disso. Sem educação de qualidade, fica difícil chegar a esse entendimento sozinho.

Gatinha.

Se há uma certeza é que, ao chegar em casa, encontrarei dona Camomila enrolada — tal qual o recheio de um bolo — na sua cobertinha laranja. Ela não só ama essa coberta, mas também tem ciúmes dela. Talvez esse seja o único motivo pelo qual ela bata na Poesia vez ou outra: quando a Popô quer roubar o lugar dela na cobertinha laranja. Diva que é diva tem que defender o seu espaço, não é mesmo?




Por fim, mas não menos importante, um dos meus livros preferidos da vida é este laranjão. Esta foi a primeira foto que pensei em fazer e, no fim, foi a última a ser produzida. Leminski e seu bigode, sua poesia. Leminski sendo ele mesmo e escrevendo sobre alfabetos e girafas. Tem como não amar? 

Enfim, este foi o meu 6 on 6 de maio: no meio fio entre a concretude e a incerteza, bailando pela vida. Espero que vocês tenham gostado. 😉

📷📷📷

Equipamentos usado no post:

Todas as fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:

Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: Reticências, Sweet Luly, Inventando assunto, Camila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷 02 📷 03 📷 04 📷

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: