Sou uma professora que sonha e que luta
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| Vamos falar da grandiosidade da vida? |
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| Passagem na igreja. |
| Calhamaços. |
| O maior dos direitos, o direito de voto. |
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| Minha amiga. |
| Minha literatura. |
Você pode comprar os meus livros na loja do Algumas Observações.
| Berçário. |
Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: Sweet Luly, Inventando assunto, Camila por aí e Adriel Christian.
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| O texto abaixo nasceu das minhas páginas matinais. |
Ter fé não é ter religião, é ter confiança.
A vida é um mistério a ser atravessado.
Se o meu aprendizado ao longo dos 20 foi não mendigar
amor; o dos 30 é este: a vida é um mistério a ser atravessado, não a ser
desvendado.
Como observadora, atravesso o
mistério coletando dados que compartilho com os mais novos ou com quem queira.
Não há capacidade humana para desvendar o mistério por completo, porque ele é
divino. Por mais que sejamos parte dessa centelha, não temos a visão de todo,
do tudo. Isso é muito mais do que poderíamos suportar. A visão de tudo, em seus
mínimos detalhes, com todas as suas nuances, com o que é pregresso e com as
possibilidades de futuro, com todas as linhas do tempo se cruzando¼ Isso é mistério. Não há
como desvendá-lo.
(…)
O caminho do não sofrimento não é
o mistério. Penso que ele, o mistério, é maior e mais soberano do que apenas o
não sofrer, é mais e vai além. O mistério é a explicação de tudo: da gênese de
cada espécie, à descoberta da cura de uma doença rara; das guerras e desigualdades
sociais, aos sistemas econômicos; das estações do ano, às chuvas do El Niño; da
criação de máquinas que constroem e destroem, aos animais mais diferentes
vivendo em lugares mais remotos; do porquê raios a minha linha do tempo se cruzou
a de M., porque eu me apaixonei por ele, porque ele diz que gosta de mim há
tantos anos, mas não se mobiliza e não se importa com o que sinto, a porque
estou refletindo sobre tudo isso agora. O mistério é criação divina, mas também
é Deus, Deusa, Criador, Força Maior, Universo, entidade cujo nome é impronunciável,
Natureza ou qualquer outro termo que queiramos usar. O mistério é indecifrável,
nossas diversas linguagens não o alcançam. O máximo que é possível é viver em
aceitação radical do que o atravessaremos ao longo da vida, até alcançarmos seu
ponto máximo: a morte.
Há mais de uma semana chove sem
parar aqui em São Paulo. Vivo o luto da semente de um relacionamento que tinha
tudo para ser lindo e duradouro, mas que morreu afogado na covardia de M. Leio
sobre prognósticos de inteligências artificiais destruindo a humanidade em
menos de uma década e do início de uma terceira grande guerra. Tudo isso, na
semana do meu aniversário de 40 anos.
“Espere o inesperado.
Respire.
Devagar se ganha a corrida.”
Sigo atravessando o mistério com
uma tentativa de sorriso no rosto. No fim, a vida sempre dá certo — seja lá o
sentido que damos à palavra “certo”. “Todos os caminhos levam na direção de
casa” e é aí que mora a beleza: atravessar o mistério sem se deixar ser engolido
por ele.
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| Como andam os seus sonhos mais profundos? |
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| Caderno de desejos. |
Há um mundo de humanidade dentro de cada pessoa. E esse mundo tem sido cada vez mais enterrado dentro de nós. A rotina, a correria, o trabalho, as redes sociais (nada sociáveis), o esforço pra abrir um espacinho pra família, pro parceiro, pros amigos, pros animais de estimação. É preciso resgatar o que se perdeu. Essa humanidade que é cada vez mais asfixiada.
Sempre digo que relações são como
plantas. Se a gente rega, cuida do solo, expõe à quantidade certa de luz, a
semente cresce e se torna uma árvore frondosa. Mas basta se esquecer de fazer
uma dessas coisas e puf!, a planta não vinga. Morre de morte matada e
morrida. Em um mundo em que tudo tem que ser perfeito, milimetricamente
produtivo, corrido, sem tempo, irmão!, onde se cultiva o que é, de fato,
importante ser cultivado?
…
Tempos atrás eu vi um post da
Vanessa Rozan dizendo que ela busca aprender uma coisa nova a cada aniversário.
Isso, pra ela, é uma atitude deliberada. Ela escolhe, por espontânea vontade,
aprender algo novo. Não para ser a melhor pessoa naquele assunto, mas apenas
para experimentar.
Como pessoa curiosa que sou, eu
gosto de aprender. Por isso, também, que acumulo os ditos conhecimentos “inúteis”
— como saber a oração de um povo distante da América do Norte ou posições para
fazer um bebê soltar pum (sendo que nem pretendo ter filhos). Assim como a Vanessa,
gosto de aprender, de experimentar.
Ano passado, entrei nas aulas de
dança: dois grupos distintos, formados por mulheres maravilhosas. Fiz novas
amigas. Neste ano, além de continuar dançando, cursei um semestre de aulas de
canto. Na dança, me sinto indo bem. No canto, fui um verdadeiro desastre — não
sei se alguém já te disse, mas cantar certo é difícil pra caramba. Em ambas as
atividades, me diverti bastante, apesar da dificuldade em respirar. Respirar
certo para uma mente ansiosa é sempre um desafio.
Durante a vida, sempre gostei de cantar e de dançar. Na infância, me reunia com a minha vizinha da rua de trás para passar as tardes praticando as coreografias do É o tchan! e de Chiquititas. Na adolescência, nossa turma do ensino fundamental se reunia na casa de uma amiga para treinar todas as coreografias dos Backstreet Boys (e algumas da Britney Spears também). Depois cada amiga seguiu o seu caminho, entrei na faculdade, a vida ficou séria e isso se perdeu. Os únicos momentos em que me permitia dançar e cantar a plenos pulmões eram nas idas aos shows. Onde a música foi parar na minha vida?
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| Lista citada na crônica. |
Ontem contava a uma das minhas professoras de dança que encontrei um caderno em cuja primeira página há uma lista de Dez Desejos e o primeiro item é: “fazer aulas de dança”. É preciso resgatar o que se perdeu. Eu não me lembrava do caderno e não pensei nos meus momentos nas casas da Taís e da Cristiane quando fiz a inscrição para dançar. Apenas ouvi o que estava aqui dentro, a vontade de me expressar de uma forma distinta. De encontrar novos caminhos, novas linguagens.
E desde então eu tenho ouvido
mais músicas, tenho descoberto novos artistas, tenho entendido mais das
tradições populares existentes pelo Brasil, tenho aceitado a minha voz e o meu
corpo como nunca antes, tenho feito novas amizades, tenho me aberto para a
vida. Resgatar o que se perdeu tem sido um caminho doce, bonito e cheio de gargalhadas
(eu sempre caio no riso quando eu não consigo fazer algo). Resgatar a música e
a dança tem me feito reencontrar aquele pedaço meu que estava em algum lugar
muito no fundo de um armário empoeirado (e amargurado). Isso tem sido bonito a
cada dia.
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| Conheça o trabalho da escritora Nathália Pureza. |
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| Nathália Pureza |
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| Nathália Pureza compartilha a sua rotina de escrita. |
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| Instrumentos de ofício da Nathália Pureza. |
Beijos,
Muito Obrigada!
Nathália Pureza, Escritora
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| Capa. |
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| Lenine |
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| Simplesmente eu, Clarice Lispector |
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| Com a maravilhosa Beth Goulart |
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| SP não é a Disney |
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| Futebol feminino |
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| Selfie da torcida |
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