quinta-feira, 7 de outubro de 2021

{Resenha} Mensagens de Yogananda, org. de Sahaja Mascia Ellero

quinta-feira, outubro 07, 2021 4

Se existe um livro que junta profundidade de conteúdo e leveza é o Mensagens de Yogananda, organizado por Sahaja Mascia Ellero e ilustrado por Nicoletta Bertelle. A obra, que foi feita partindo dos ensinamentos de Paramhansa Yogananda, vem em um box de capa dura e é acompanhado por 40 cartas temáticas e ilustradas.

Paramhansa Yogananda é o mestre responsável por apresentar o Yoga ao ocidente e praticamente tudo o que conhecemos de Yoga deste lado do planeta passou por ele. Sendo assim, quando Sahaja Mascia Ellero resolveu organizar o Mensagens de Yogananda tinha como objetivo era o facilitar para o leitor o acesso dos preceitos deixados pelo autor. Cada tema (com suas cartas, suas afirmações e explicações) leva as pessoas a principal meta do mestre, a de apoiar todos na jornada de "encontrar o caminho de volta à nossa maior Felicidade".

Caixa em capa dura, livro e cartas que compõem o Mensagens de Yogananda.

Ainda na primeira parte do livro, há o resgate de uma explicação de como Paramhansa Yogananda propõe a busca da felicidade. Ellero também apresenta detalhadamente três sugestões de uso do oráculo: para receber inspiração; para receber orientação da sua sabedoria interior; como parte do método Próximo Passo ("O Próximo Passo é um método de coaching espiritual para a vida, baseado nos ensinamentos de Yogananda"). 

Como a própria autora afirma, este material foi desenvolvido para que seus leitores acessem sua sabedoria interna. Sendo assim, ela frisa que o próprio Yogananda "desaconselhava a consulta a oráculos e adivinhos, nos estimulava a não depender de respostas externas, mas, em vez disso, nos deixarmos inspirar pela sabedoria do nosso próprio Ser". Tanto o livro, quanto as cartas são, portanto, um canal que apresenta caminhos de reflexões para que encontremos nossas próprias respostas.

Achei lindas essas cartas com as cores dos 7 chakras.


Na segunda parte do livro, há o desenho de cada carta, uma afirmação relacionada ao seu tema, uma explicação relacionada a um contexto de objetivo, recurso ou próximo passo e outra caso a carta tenha surgido em um contexto de obstáculo. Os dois modos de leitura são seguidos de um terceiro parágrafo com orientações de possibilidades para se lidar com tema.

Cada carta traz uma afirmação do próprio Yogananda. Tanto a organizadora, quanto a ilustradora decidiram que seria importante ter a figura do mestre como protagonista em todas as lâminas, ainda que, de acordo com Bertelle, ela deixou de se preocupar "se Yogananda estaria reconhecível ou não nas cartas, porque sentia que elas queriam transmitir acima de tudo uma emoção".

Percebe-se que tanto organizadora quanto ilustradora se preocuparam em entregar para o mundo um trabalho carinhosamente intenso para seus leitores. Que bom que elas conseguiram! 

Capa.


Livro: Mensagens de Yogananda: para inspirar sua vida interior
Título original: The Cards of Yogananda for Superconscious Guidance
Autor: Paramhansa Yogananda
Organização: Sahaja Mascia Ellero
Ilustração: Nicoletta Bertelle
Tradução: Denise de Carvalho Rocha
Páginas: 136
Editora: Pensamento
Apresentação: Por meio de 40 cartas e um livro explicativo ilustrado, esta obra inspirada nos ensinamentos de Paramhansa Yogananda, um dos mais respeitados mestres espirituais do século XX, traz lampejos de luminosa sabedoria para você encontrar respostas inspiradoras em seu interior. As cartas representam qualidades da alma, que são poeticamente ilustradas com a figura do próprio Yogananda. Você pode usá-las em qualquer momento de necessidade para receber inspiração e orientação para saber identificar o melhor caminho em qualquer situação da vida.


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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Novo curso: Poesia ao Sol e à Sombra

quinta-feira, setembro 30, 2021 7
Vem ler e escrever poesia!


Oi, pessoal! 
Andei um pouco sumida porque estava preparando uma novidade muito INCRÍVEL. 😍

Ao longo dos últimos meses, meu amigo e poeta Rafael Farina e eu preparamos com muito carinho um curso de leitura e escrita de Poesia, o Poesia ao Sol e à Sombra. Então, se você sempre teve um medinho de ler poemas ou sempre teve vontade de entender mais sobre esse assunto, chegue mais. 😉



Ao longo de 8 encontros, Rafa e eu pretendemos criar um ambiente em que seja possível a expressão criativa por meio da linguagem poética (seja ela expressa na poesia ou na prosa). Para isso, vamos analisar o que torna um texto um bom texto poético, elaborar textos a partir das nossas próprias vivências e influências e dialogar sobre as diversas formas artísticas pelas quais perpassa esse tipo de linguagem. 

Abaixo deixo as informações complementares e o convite para que você se junte a nós! 😉

Sobre o curso Poesia ao Sol e à Sombra


Público-alvo:
Todas as pessoas que desejem conhecer mais sobre o processo de leitura e escrita de poesia e criatividade. Não precisa ter experiência prévia em escrita. 

Programação: 
  • Aula 1: Ao Sol e à Sombra 
  • Aula 2: Microscópio e luneta 
  • Aula 3: Referências e reverências 
  • Aula 4: Poema desentranhado 
  • Aula 5: Estilos e instintos 
  • Aula 6: A crise lírica 
  • Aula 7: Faxina 
  • Aula 8: Ponto de partida 
Datas: as aulas serão de 13/10 a 01/12, uma vez por semana, sempre às quartas-feiras.
Horário: 19h às 20h30 (horário de Brasília). 
Inscrições: via Sympla. 

Sobre os professores:

Fernanda Rodrigues é uma paulistana apaixonada por gatos e café. Atualmente é escritora, professora escrita literária, revisora, preparadora de textos e cofundadora do Projeto Escrita Criativa. Já trabalhou com textos de mais de 30 autores independentes, tem uma mentoria de escrita para autores iniciantes e um grupo de estudos de escrita literária. De formação é especialista em Docência em Literatura e Humanidades e em Produção e Crítica de Textos Literários, além de ser bacharel e licenciada em Letras. É autora do livro A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos (Editora Penalux), 3º lugar no Prêmio SESC Crônicas Rubem Braga (2017) e escreve no site Algumas Observações, no ar desde junho de 2006. | Instagram: @fe_notavel

 

Rafael Farina, 39 anos, autor de Falhas que só existem no Sul (2018) e Ossos açucarados (2021). Participou de oficinas literárias com autores como Marcelino Freire, Daniel Galera, Marina Wisnik, e Xico Sá.Palestrante na Feira do Livro 2020 de Bento Gonçalves/RS, com o tema: “Poema e identidade - O desenvolvimento do eu na poesia”. Tem poemas inéditos publicados na Revista Mallamargens e na Rusga Revista. | Instagram: @rafael.com.f


Esperamos por vocês 😉
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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

{Resenha} Memórias difusas, de Ivete Nenflidio

segunda-feira, setembro 20, 2021 4



Memórias difusas é o primeiro livro de poesia da escritora, pesquisadora das manifestações tradicionais e folclóricas, curadora de festivais e gestora cultural, Ivete Nenflidio. A obra apresenta aos leitores sentimentos traduzidos na metalinguagem intrínseca da vivência do eu lírico da autora.

A partir do mergulho profundo na busca do eu, a poeta faz da lírica um diário artístico, quase em tom de crônica, que dá zoom às pequenas coisas, a exemplo da aranha avistada que é premissa do poema "Entressonho e ficção", e que se amplia no intertexto com outras áreas das humanidades, conforme acontece em “A pintura”.

A dualidade entre o amor e o desamor também é presente na poética de Nenflidio. Para isso, o eu lírico da autora caminha em direção à uma sensualidade convertida em obra de arte e na conexão com a natureza. Assim, é possível conhecer o mapeamento não só do próprio corpo desse eu poético, mas também da pessoa amada por esse eu lírico.

Há, no resgate dessas Memórias Difusas, uma singular singeleza na riqueza dos encontros e desencontros — artísticos, de pele, de natureza entranhada — nos versos Nenflidio. Alternando entre poemas longos e curtos, a poeta elabora versos soltos e livres de modo a se aproximar dos leitores, como se estivesse fazendo uma série confissões ao pé do ouvido: a falta, os desejos, os clamores de um “Corpo sedento”, o sono velado, o discurso repetido do “Enredo envelhecido” tudo é revisitado e (re)escrito com a força do “Vento Norte” de um tempo antigo. É assim que, pouco a pouco, os leitores são convidados não só a sentirem a poesia de Ivete Nenflidio, mas também a refletirem quais seriam as suas próprias memórias que lhes povoam de modo difuso.

De Arizona, à Amazônia, passando pela costa de La Perla, por toda profundidade do oceano de Netuno e do universo que sustenta o Sol e a Lua, Ivete Nenflidio consegue apontar com sua poesia o universal que há em sua particular experiência. Isso faz de Memórias Difusas um deleite da poesia brasileira contemporânea.

Capa



Livro: Memórias Difusas
Autora: Ivete Nenflidio
Editora: Beira Editorial
Gênero: poesia
Apresentação: Embora a autora julgue sua obra simples e acessível, a sua escrita poética é permeada por uma criatividade fantástica e original. Seus textos são como mergulho em águas profundas, revelando as impressões ligadas ao mais íntimo “eu”, transbordando emoções e sentimentos, apresentando uma narrativa rítmica e melodiosa. Sua poética é baseada no cotidiano e caracterizada por uma delicadeza surpreendente e por uma sabedoria de quem observou cada detalhe do caminho percorrido. A lírica de Ivete Nenflidio é impregnada de história, memória e ancestralidade. Manuel Luiz Freitas (Ed. Beira)

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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Aurora

quarta-feira, setembro 15, 2021 5

Foto por Nick Nice, via Unsplash.


As flores mortas no vaso indicam a sua ausência. Há tempos você se foi e ninguém foi capaz de preencher o seu lugar. Não sei ainda quantos meses a frente tenho até arranjar forças para seguir em frente. As flores, no longo e delgado vaso de vidro escuro, pouco a pouco se despedaçam, assim como você fez ao demonstrar que não me ama.

Não sei bem como ou quando o fim se deu. Sei que naquele dia, em que nós dois nos sentamos na escada do jardim do museu, eu sabia que te perderia. Meu choro vindo do nada, totalmente descompassado indicava isso e, por mais que você me abraçasse sem jeito e dissesse que tudo ficaria bem que não me deixaria, eu intuía que algo de errado não estava certo.

Nos últimos meses murchei como murcham as flores em um vaso bonito e sem água. A falta de ar me fez permanecer dias a fio deitada, no quarto escuro, em posição fetal. Em looping, fiquei repassando cada gesto, cada sorriso, me perguntando o que, afinal, eu tinha feito de errado. Logo eu, que sempre me esforço tanto para que tudo seja perfeito, onde poderia ter falhado?

Não sei se ele se recorda do dia em que trouxe essas flores para casa. “Cada uma me lembra um detalhe seu”, ele completou sorrindo de lado, como um superstar, ao notar a minha cara de espanto. O buquê era delicado, e eu não me reconheci ali. Talvez este fosse mais um dos indícios de que nada daria certo. Sempre fui a cabeça dura, que responde todo mundo e que move montanhas pelo que quer. Como poderia ser delicada a ponto de ser flor?

As flores mortas no vaso indicam que algo morreu dentro de mim. A espontaneidade, o cuidar do outro, o sorriso sincero. Cada flor que foi secando me força a me lembrar de cada parte de mim que doei sem medo e sem preocupação. Hoje já não quero mais buques de flores. Hoje prefiro ser jardim na aurora. Se fui flores como ele afirmou, ele esteve longe de ser um amante da natureza.


Texto escrito a partir do tema Já não quero um buquê de flores
da blogagem coletiva de setembro, do Projeto Escrita Criativa.

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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Transitiva

segunda-feira, setembro 06, 2021 28
Foto por Benjamin Raffetseder, via Unsplash.


tiro uma foto
para salvar os sentimentos.
não quero me esquecer desse oásis
de calmaria.
a minha felicidade é cada vez mais
tranquila.
ela mora na troca olhares,
no enlaçar dos dedos,
no silêncio compartilhado.
não preciso de muito para ser feliz.
só preciso
me sentir acolhida
neste corpo que é meu próprio lar.

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terça-feira, 31 de agosto de 2021

{Resenha} Palavra de Criança, de Patricia Gebrim

terça-feira, agosto 31, 2021 2
Resenha do livro Palavra de Criança, de Patricia Gebrim.

Palavra de criança, de Patricia Gebrim, é um livro curto que apresenta uma reflexão bem profunda sobre como as pessoas se desconectam da sua voz interior por conta da correria do dia a dia. Apesar de ser voltado ao público adulto, a obra é toda narrada e ilustrada a partir da perspectiva infantil, o que lhe confere um ar de simplicidade e de ingenuidade gostosa de ser lida. Ao tratar de temas tão profundos, o livro passa longe de ter um ar pedante, espalhafatoso, de lição de moral.

Livro, caixa dura e as 45 cartas que acompanham o Palavra de Criança.

A voz que traz a palavra de criança apresenta sugestões de como trazer a voz interior — sempre tão abafada pelos ruídos externos — à superfície, a partir de elementos do dia a dia que costumamos deixar passar batido: parar para descansar, se abrir para o novo e, sobretudo, estar aberto à sentir são peças fundamentais para não sufocar nossa criança interna e, por conseguinte, ter uma vida mais leve.

O livro vem dentro de uma caixa dura e é acompanhado por 45 cartas. Cada par delas tem uma ilustração distinta — menos a carta do sonho, um coringa/presente para os leitores. No fim do livro há várias sugestões de como usar as cartas que passam por jogos da memória, jogos com desenho, uso individual, em pares ou em grupo (de adultos e crianças), ou seja, as cartas também foram feitas para despertarem a brincadeira, o que ajuda a resgatar a criança interior de forma prática.


Capa.


Livro: Palavra de Criança 
Autora: Patricia Gebrim (prefácio de Sônia Café)
Editora: Pensamento
Páginas: 56
Sinopse: Esta é a nova edição do best-seller Palavra de Criança, de Patricia Gebrim. Com mais de 50 mil exemplares vendidos, a obra é um convite para um encontro transformador com a sua criança interior. Por meio de uma linguagem simples, direta, tal como a das crianças sem reservas sobre o que dizem, sentem e pensam a autora traz mensagens e lições lúdicas, tanto no livro quanto nas 45 cartas coloridas e ilustradas que o acompanham, para ajudá-lo a despertar sua criança interior e convidando-o a desfrutar a eterna fonte de alegria, cura e renovação que muitos adultos nem lembram que ainda possuem. Um livro recomendado para todos aqueles que têm esperança em resgatar seus sentimentos mais profundos e verdadeiros.

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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a escritora Anna Carolina Ribeiro

quarta-feira, agosto 25, 2021 8
Vamos falar sobre escrita e conhecer mais do Lua em Escorpião?

Estou muito feliz por trazer mais uma entrevista aqui para o blog. Primeiro, porque a Anna Carolina Ribeiro é uma escritora de mão cheia (só por isso a entrevista valeria a pena!). Segundo, porque ela foi minha aluna na Mentoria de Escrita e Mercado Editorial e, atualmente, faz parte do Grupo de Estudos de Escrita e Crítica Literária* de que sou professora — por isso, tive a honra e o privilégio de ter visto o livro dela, Lua em Escorpião, nascer. Terceiro, porque eu amo quando a minha história de vida se cruza com a de outras pessoas por causa da literatura e vai além. A Anna acabou se tornando minha amiga e minha professora de Yoga e isso tem sido um verdadeiro presente para mim! 😉

Então, sem mais delongas, vamos ver mais deste bate-papo e conhecer melhor a Anna Carolina e o seu Lua em Escorpião?

Anna Carolina Ribeiro, escritora, poeta e professora de Yoga.

Algumas Observações: Olhando para a sua trajetória, eu queria que você falasse um pouco do nascimento do Lua em Escorpião. Como foi a construção do livro, quanto tempo durou esse processo?!
Anna Carolina Ribeiro: Apesar de ter me formado em Letras, a faculdade e depois o trabalho como professora de inglês acabaram me afastando da escrita. Depois de algum tempo trabalhando em uma escola de inglês, resolvi dar aulas de Yoga, justamente porque teria mais tempo para me dedicar a algumas coisas que eu desejava, entre elas, a escrita. Então já fazia algum tempo que eu vinha retomando minha proximidade com outras formas de escrita, mas eu ainda estava distante da poesia desde a adolescência. Uma das minhas metas pro ano de 2020 foi começar a escrever poemas regularmente. Depois de algum tempo, com a chegada da pandemia, em que a minha produção aumentou muito, busquei também uma mentoria de escrita com você, Fernanda! E aí, pra minha surpresa, ao mostrar os poemas produzidos pra cumprir essa resolução pessoal, você disse que eles poderiam compor um livro. A partir daí começou um novo processo, de selecionar quais poemas iriam para o livro, de acrescentar mais alguns pra que houvesse uma coerência entre eles e de editar o que já estava escrito pra trabalhar a forma um pouco mais.

Lua em Escorpião, de Anna Carolina Ribeiro (Editora Penalux).


AO: Tanto no subtítulo quanto na abertura, você fala o livro ser um reflexo dos desejos e de quem você é. Queria que você comentasse um pouco disso. Como você acha que vai ser o encontro dos seus desejos com o dos leitores?
ACR: Acredito que os meus desejos são muito universais. Ter tudo que precisamos pra sobreviver, conexão com as pessoas, encontrar pares, encontrar um lugar nosso, autodescoberta, ser feliz, entender a vida: Tudo isso é muito humano e acho que alguns desses temas ou todos, podem ser compreendidos e sentidos por todas as pessoas. Isso tudo aparece nos poemas, acredito eu, é o que acaba nos conectando enquanto espécie humana. Eu espero que a poesia seja uma boa ponte entre isso que há de humano manifestado em poesia sobre os desejos e as pessoas que vão ler as poesias.

AO: Aproveitando, seu livro, desde o nome, se relaciona com a astrologia. Você tem um poema "Lua em Escorpião", outro "Vênus em Leão" e outro "Vênus em Libra", um outro chamado "Marte", "Pontos de luz", e por aí vai. Queria que você comentasse isso pensando tanto nos leitores que são superligados aos temas celestes, quanto aos leitores que são céticos ou não entendem nada.
ACR: Mais do que astrologia, um tema presente no livro é esse olhar humano pras estrelas, pro infinito, pros outros mundos. Como somos seres que gostam de criar narrativas, olhamos pro desconhecido e criamos histórias pra que as coisas façam sentido. Mesmo que a pessoa que lê não tenha conhecimento sobre astrologia ou não creia que ela faça sentido, a experiência que os poemas podem oferecer a elas é de experimentar olhar pra essas histórias que criamos e deixar que as palavras e essas ficções reverberem nelas. Quando a pessoa ler, vai completar as lacunas que não entende ou não crê com os próprios conhecimentos e entendimentos que tem da vida e vai criar novos entendimentos. Independentemente da astrologia, espero que o que quer que a pessoa que lê e assimile seja mágico. Porque a magia da escrita é justamente essa: o que eu escrevo não importa tanto, mas como e o quê o outro lê dessas palavras que pus no papel. Pra quem conhece alguma coisa de astrologia, o processo pode ser o mesmo, afinal estou só compartilhando um pouco do que entendo desses mitos que os humanos criam pra dar sentido à vida. Pode ser um ponto de vista novo… ou não. Mas espero que todos se transformem e se entendam um pouquinho mais com a leitura.

AO: Quero saber como foi esse processo de dar nomes aos seus desejos?
ACR: Como boa virginiana, gosto de organizar o mundo e etiquetar e categorizar cada coisa (mesmo que em alguns momentos a gente descubra que muitas coisas podem receber muitas etiquetas ao mesmo tempo — ou nenhuma). Então, alguns poemas que não tinham nome ganharam nome porque, pra mim, dar título é um modo de organizar e, a partir daí, entender sobre o que estou escrevendo. O título do livro, Lua em Escorpião, veio inclusive a partir dessa conclusão de que a maioria dos poemas, escritos anteriormente, tinham a ver com as minhas emoções, que segundo a astrologia, são regidas pelo signo de escorpião. E aí, surgiu também o subtítulo: minhas emoções passam pelo que desejo ou já deixei de desejar. E alguns desses desejos estavam soterrados beeem profundamente. Outros estavam mais à superfície. E foi interessante nomear cada um desses desejos e ver que existia um fio invisível que ligava todos eles.

AO: Você acha que esses títulos servem como um mapa de leitura da relação do seu eu-lírico com o mundo?
ACR: Totalmente. Meu eu-lírico é totalmente movido a desejos e vontades (mas acho que, no fundo, todo mundo também é, não é?). Se os títulos formam um mapa pra minha relação com o mundo, então a poesia é um território a ser explorado. Espero que os leitores façam uma boa navegação!

AO: No poema que intitula o livro, você fala muito sobre a profundidade e o mistério. Como está sendo essa experiência de se escancarar para o mundo?!
ACR: Bem desafiadora! Tem tanto desejo que ficava escondido (até de mim mesma!) e agora eles estão aí, escancarados num livro! Como as coisas que eu acabei escondendo nunca foram feitas conscientemente, acho que o livro é até uma boa oportunidade pra mostrar tudo isso pro mundo, com coragem. E essa coragem vem também porque a palavra é minha amiga, e sinto que tem um trabalho pra fazer essa revelação ao mundo, o que me tranquiliza. O nervosinho existe, mas talvez seja simplesmente parte do processo de escrever, que sempre é uma forma de mostrar pra todo mundo algum pedacinho tão particular da gente.

Além de ser escritora, Anna Carolina Ribeiro é professora de Yoga no Espaço Samadhi (@omsamadhiyoga)

AO: No segundo poema do livro, "Lavra palavra", há uma estrofe que fala que escrever perpassa também pelo desapego. Queria saber como ser professora de Yoga influencia na sua escrita e se escrever pode influenciar, de algum modo, o seu trabalho como professora de Yoga.
ACR: Pra mim, escrever é entregar o que passa por mim. Não vejo muito as palavras que escrevo como minhas, mas sim como ideias que usou meu corpo pra existir, mas nunca foram de fato totalmente pertencentes a mim. Me desidentificar um pouco da minha produção é o que me permite me abrir pra ser publicada e lida, por exemplo. E esse desapego é algo que aprendo diariamente com Yoga. E Yoga é uma forma de perceber o mundo e estar presente nele, coisas que também faço através da escrita. Acho que, de certa forma, as duas coisas são inseparáveis na própria essência. Mas de forma mais prática, tenho tentado tornar minhas aulas de Yoga, sempre que possível, mais poéticas. E minha poesia vem muito do corpo (e da mente, que é parte do corpo!), que é um dos objetos diretos de trabalho da prática de Yoga, mesmo que Yoga vá muito além dos exercícios pro corpo.

AO: Já no primeiro poema do livro, você mostra aos leitores que o aprofundamento da natureza humana perpassa também pela sexualidade e pela sensualidade e que isso será presença marcante nos seus textos. Eu queria que você comentasse o mergulho no que é instinto, ainda mais numa sociedade que, ainda hoje, evita esses assuntos. (Eu, particularmente, gosto da visão de conexão que seus poemas trazem pra esse tema, como acontece em "Desejo" e "Com ciência").
ACR: Como eu disse anteriormente, minha poesia vem muito da minha percepção do mundo e dessa relação com o corpo. Os sentidos são um meio pra essa percepção do mundo acontecer, e essa conexão passa pelo corpo. O nosso corpo está aqui no universo, entre outras coisas, perfeitamente equipado para sentir. E uma das coisas mais legais de se sentir com todos os sentidos, na minha opinião de pessoa que tem não só a lua mas também o ascendente em escorpião, é o sexo. E não falo só do ato sexual em si, mas tudo que envolve a conexão com o outro, com o mundo e com a própria individualidade. No meu entendimento, sentir o mundo e ignorar esse tema, a sexualidade, não é sentir todas as coisas plenamente. Quando a gente ignora esse lado, perdemos muita potência que existe ali. Acho que é isso que o poema “Com Ciência” expressa. A sociedade quer limitar nossos corpos há muito tempo, justamente porque existe um poder enorme aí. Essa limitação acaba caindo especificamente sobre alguns corpos. A experiência de ser categorizada como mulher acaba limitando os nossos desejos e instintos, e muito da nossa potência e até da nossa identidade se perde aí. Colocar poemas assim no mundo acaba sendo uma forma pessoal de resistência e libertação de todos essas delimitações, mas eu espero que isso também inspire outras pessoas a fazer o mesmo. Não é fácil, estamos sempre em processo de libertação e entendimento crescentes, mas é bom demais. Recomendo muito!

AO: Ainda sobre isso, você também aproveita esse mergulho em si mesma para discutir o papel da mulher na sociedade e, sobretudo, como ela é vista (como em"Ninfomaníaca"). Queria que você comentasse o papel das artes em geral, e da sua poesia em particular, nessa discussão.
ACR: Banksy diz que a arte deve perturbar os confortáveis e confortar os perturbados, e eu concordo muito com isso. Tento fazer esses movimentos o máximo que consigo, e às vezes sei que não consigo muito, mas pelo menos busco esse objetivo. Não sei se sou boa em perturbar os que estão confortáveis ou em confortar os que são perturbados pelo sistema, mas tento seguir essa ideia em alguns poemas. "Ninfomaníaca" é um deles. Como um desses corpos muitas vezes importunado por tanto controle, me expressei no espaço que o livro me abriu. Essa expressão pode pelo menos conversar com outras pessoas que vivem essas limitações e é principalmente um desafio a tudo que dizem que uma mulher não poderia fazer ou ser. Se não incomodar a quem nos limita, pelo menos com essa poesia temos esse conforto de sabermos que não estamos passando por tudo isso sozinhas. Isso fortalece a luta de todas que buscam mais liberdade, principalmente na sexualidade. E, bem, o sistema também não quer que a gente perceba que não somos os únicos passando por uma situação, então, de certa forma, continuamos perturbando os confortáveis com essa expressão artística.

AO: Ao mesmo tempo, há também no livro espaço pra discussão das ausências e como isso é visto por meio da observação do mundo. Conta para nós como é escrever sobre o impacto das ausências. Acho bonito como você mostra um ponto de vista diferente para isso no poema "Novelos".
ACR: Como praticante de Yoga, aprendi que todo espaço é lugar pra criação, pra surgir a vida. Esse livro é sobre desejos, mas não necessariamente sobre a realização deles. O próprio desejo tem essa dualidade de buscar algo, mas só existir porque há, antes desse algo buscado, a ausência, a falta. Também acho que os desejos nos movem. E a vida é movimento. Às vezes a solidão, a ausência, os nãos são espaços onde se pode construir algo grande e novo. “Novelo” é um poema com essa visão que bebe das águas da filosofia do Yoga e fala sobre como no vazio tem um infinito de descobertas e possibilidades também. Claro que tem ausências que doem, e a gente não precisa aceitar todas. Mas algumas podem ser um universo todo a ser descoberto, se a gente puder enxergar o que tem ali.

Capa de Lua em Escorpião, publicado pela Editora Penalux.

AO: Falando do projeto gráfico, como foi o processo de feitura da capa?
ACR: Foi bem simples! Conversei com o pessoal da editora sobre o que queria: algo minimalista, misterioso, simples mas marcante. A capa ficou linda e muito parecida com o que eu tinha imaginado, mesmo que eu não tenha falado muito claramente sobre o que queria quando descrevi o que tinha pensado. Eu queria deixar espaço pra surpresa, mas a minha supresa foi que, na verdade, ficou muito parecida com o que eu queria. A Penalux fui muito cuidadosa de deixar o projeto gráfico nas mãos da Talita Almeida, que fez um trabalho que amei! A capa ficou linda e estou apaixonada por ela!

AO: Falando da escrita em geral: como é o seu processo?! Escrever na pandemia muda alguma coisa?
ACR: Tenho processos diferentes: alguns poemas e contos vêm de uma ideia que quer ir pro papel. Outros textos surgem do simples fato de eu me sentar pra escrever. Esses dois métodos são os principais e não costumo ter dificuldade pra escrever. Editar pra deixar as ideias mais claras, mais coesas ou ainda trabalhar a forma é um segundo processo que se segue a um desses dois passos iniciais. Na pandemia eu tive mais tempo pra sentar e escrever porque outros movimentos acabaram reduzidos na minha vida. Isso trouxe mais textos. Também sinto que os temas se tornaram um pouco mais tristes, pessimistas e pesados, já que, principalmente na poesia, acabo falando sobre coisas bem pessoais e estou pessoalmente abalada pela situação da pandemia e do Brasil. E, talvez, como o momento é de muitas ausências, os desejos se tornaram mais evidentes, porque muitos deles não têm muito como se realizar no momento.

AO: Quais conselhos você daria para uma escritora em começo de carreira?
ACR: Não sei se já estou capacitada pra dar algum conselho, até porque talvez o que funcionou e funciona pra mim não funcione pra todas as pessoas. Mas eu diria que escrever é o principal. Parece óbvio, mas é esse o primeiro e mais importante passo. Vejo muita gente que quer seguir na carreira mas não escreve tanto quanto seria preciso. Entendo que tem várias questões que causem esses bloqueios, mas acho difícil tentar uma carreira sem já ter alguma coisa produzida, pelo menos pra começar. Segundo, conhecer o processo de publicação ou formas de mostrar sua escrita são coisas importantes pra que o texto não fique só na gaveta. Claro que cada pessoa que escreve pode ter objetivos diferentes, mas acho cada escrita um pedacinho tão bonito pras pessoas mostrarem que acho que ninguém devia deixar textos na gaveta! Seja em blog, instagram, antologias, livro próprio, compartilhar o que é escrito é importante pra carreira mas funciona melhor quando a gente conhece e experimenta esses métodos. Inclusive, sua mentoria é um bom caminho pra conhecer essas possibilidades, Fernanda! Em terceiro lugar, recomendo coragem, persistência cuidadosa, dentro dos nossos limites, e trabalhar a consciência de que cada escrito é importante e deve vir à luz.

Anna Carolina Ribeiro.

AO: Você publica vários textos seus no Instagram, no seu blog e na sua newsletter. Então, gostaria de saber qual é a sua visão sobre o papel das redes sociais para a carreira do escritor. Além disso quero aproveitar para perguntar por onde/como as pessoas podem entrar em contato com você? Como elas podem adquirir o seu livro?
ACR: As redes sociais têm me conectado e me levado pra longe. Como sou de uma cidade do interior de Minas, consigo expandir as pessoas que leem e se identificam comigo pra além desse cenário. Essa comunidade cresce e, pelo menos até agora, leva os livros pra muito longe, e me apresenta a outros escritores e leitores. Ser lida também é bom principalmente porque vira e mexe tem alguém que se identifica comigo. E isso é pessoalmente maravilhoso também. Me sinto menos só! A única coisa que tomo muito cuidado é pra manter a mente sempre ligada à ideia e que não preciso viver em função dos algoritmos e à essa exposição e propaganda. Acredito muito na ideia e que as redes é que devem servir pra me conectar às pessoas, e não o contrário. Ninguém deve servir às redes e à essa vida online que trás muitas coisas boas, mas não é real. O virtual é uma ponte, que a gente pode tornar em ponte suspensa pra limitar o que vai e vem pra vida real.

Pra quem quer acompanhar o que eu escrevo, minha newsletter resume tudo e ainda manda algum texto inédito mensalmente. Ela se chama Serviço de Escritas da Anna e pode ser assinada gratuitamente em tinyletter.com/servicodeescritasdaanna. Meu blog é o Escrevi pra tirar da cabeça (escrevipratirardacabeca.blogspot.com) e eu também sou bem ativa no Instagram (instagram.com/annacaribee), que é um bom lugar pra entrar em contato direto comigo. E por último, mas não menos importante, colaboro mensalmente pro The Valkirias e falo sobre minhas outras paixões: filmes, séries e dramas.

Meu livro pode ser adquirido no site da Editora Penalux ou diretamente comigo (pode pedir pelo instagram).

AO: Quais são os seus planos futuros? Já pensa em um próximo projeto?
ACR: Eu tenho material que já quero organizar pra um novo livro de poesia, mas ainda estou sentindo como é o lançamento e o processo de ser publicada pra decidir um rumo mais preciso pro próximo projeto poético. Em paralelo, estou escrevendo um romance. Vamos ver se ele vem à luz em breve!

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
ACR: Eu agradeço primeiro a você pelo espaço que você me cedeu com essa entrevista. E também por estar comigo durante todo o processo de criação do livro, Fernanda. Espero que seus leitores gostem da entrevista e caso se interessem por Lua em Escorpião, o convite pra leitura está aberto. Pra quem lê o que você escreve, que é sempre tão profundo, a profundidade dos meus versos não vai ser novidade, mas espero que meu olhar sobre o mundo possa trazer novos pontos de vista. Espero que os desejos dos leitores do Algumas Observações possam conversar com os versos de Lua em Escorpião ou com o que expressei aqui nessa entrevista.

Para ver como foi o lançamento de Lua em Escorpião, aperte o play:


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*Para saber mais sobre a Mentoria de Escrita e/ou sobre o Grupo de Estudos e Crítica Literária, clique aqui.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

{Resenha} Mandala Naïf, de Lindolfo Roberto Nascimento

segunda-feira, agosto 23, 2021 4
Mandala Naïf é o terceiro livro de Lindolfo Roberto Nascimento.


"A tristeza do náufrago é saber a grandeza do mar
sem que se possa sorvê-lo aos goles".
(Do poema Esforços


Mandala Naïf é o terceiro livro do escritor, performer e artista plástico negro e paulistano Lindolfo Roberto Nascimento. Sua obra busca, sem dúvida alguma, levar o leitor ao limite da fronteira entre corpo e política, por meio de uma linguagem coloquialmente poética.

Há, portanto, uma convocação do leitor e do papel que esse leitor tem no mundo. Uma provocação no sentido de levá-lo a pensar um "você se deixa levar por essa paralisia ou vai tentar lutar?". Me parece nítido que esse chamamento também serve de crítica às pessoas que sabem que estão apenas seguindo um fluxo e que se deixam estar por se localizarem em uma zona de conforto — seja ela social, ética, política e/ou sentimental. 

Nesse sentido, os poemas apresentam uma fronteira muito próxima com a crônica. A conversa ao pé do ouvido surge da vivência do eu-lírico, que é crítico naquilo que observa e que lhe atravessa. Ao partir do que vê, o autor se funde ao seu eu poético escancarando as possibilidades de revolta e de mudança. 

A arte de Mandala Naïf é, portanto, potência que se vê associada a uma forte crítica social. O eu-lírico se percebe em uma sociedade doente e, por isso mesmo, chacoalha seus leitores pelos ombros, num grito potente de resistência.

Algo interessante de notar é o repertório de intertextualidade que o autor nos apresenta. Mandala Naïf é um verdadeiro banquete de referências que perpassam mitologia, teatro, artes, ciências sociais, filosofia e política.

O poeta fala e quando os versos já não cabem, ele se translada para uma prosa que não deixa de ser poética. Um texto tão provocativa quanto a poesia que compõem as primeiras partes — Paralisia e Queda — do livro. É na Suspensão, que a língua ganha caldo no rio da narrativa poética. Prosa e poesia se fundem como o poeta ao mundo e o mundo ao caos. Quem ganha com isso tudo somos nós, leitores.

Capa.



Livro: Mandala Naïf
Autor: Lindolfo Roberto Nascimento
Gênero: Poesia
Editora: Desconcertos
Apresentação: Lindolfo Roberto Nascimento é escritor, performer e artista plástico negro, nascido e criado na Zona Leste da cidade de São Paulo. Graduado em Artes do Corpo (2018) e Publicidade e Propaganda (2009), pela PUC-SP. Integra a Cia Solitária de Artes do Corpo.
Mandala Naïf é seu segundo livro de poesia. Já publicou três livros de forma independente: os romances Os banheiros mais sujos do mundo (editora Linear B - 2015), Álcool e fósforos no fim do túnel (Editora Livre Expressão, 2012), bem como o híbrido de poesia e dramaturgia Tímpanos estourados (Editora Benfazeja, 2017).
No olhar proposto por este livro de poemas o autor se dedica a um processo de poetizar a política e politizar o corpo. Sem perder o tom coloquial de comentário da realidade, constrói em seus versos imagens tão cotidianas quanto brutais, por sua dor ou por sua simplicidade. Fala sobre a necropolítica sob a ótica do corpo que aparece morto nas fotos de jornal.
Porém desta vez esse corpo negro-performer é quem decide como se apresenta. O poeta sabe que esse corpo não é apenas seu, e amplifica e ecoa vozes semelhantes à sua na poesia, não só no megafone do movimento. É um projeto que extrapola o intimista porque entende a depressão, o racismo e a política como experiências coletivas.

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quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Agenda segunda quinzena de agosto

quinta-feira, agosto 19, 2021 6
Foto por STIL, via Unsplash.


Este post é para compartilhar um pouco do que vai acontecer no mês de agosto, uma vez que eu não enviei newsletter em julho. Desde já, convido a todos para estarem comigo nessas lives. Se tiverem perguntas, podem deixar aqui nos comentários ou interagir perguntando na hora também. 

O que vai acontecer

  • Anna Clara conversa com Fernanda Rodrigues — no dia 26/08, às 19h, no @jugmeirelles, do Instagram;
  • Café Notável: conversa com Ane Venâncio, Ayumi Teruya, Adriel Christian e Luly Lage |  #008— no dia 29/08, às 16h, no meu canal do YouTube;
Já clique em "Definir Lembrete", para ser avisado pelo YouTube. 


O que já aconteceu

Dei o ponto de partida no mês de agosto com a mediação do lançamento do livro Lua em Escorpião, da Anna Carolina Ribeiro, no canal da Editora Penalux:



Todo o segundo domingo do mês, às 16h, eu estou ao vivo lá no canal do YouTube do Projeto Escrita Criativa. São lives superanimadas, em que respondemos dúvidas sobre escrita, criatividade e mercado editorial. Também trocamos ideia sobre livros e cultura. Para ver a live de agosto, basta apertar o play: 



Espero por vocês nas próximas lives! 😉


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terça-feira, 17 de agosto de 2021

Vacinei — parte 2

terça-feira, agosto 17, 2021 8
Eis que o dia chegou!


Ontem, faltando um mês e um dia para o meu aniversário, tomei a segunda dose da vacina contra o coronavírus

Tão importante quanto se vacinar com a primeira dose é voltar para a segunda. Não sei como funciona nos outros estados, mas aqui em São Paulo, o governo está enviando um lembrete via SMS relembrando todo mundo a data da volta, sendo assim, não há desculpa de esquecer. 

Quando a SMS chegou, eu já estava pronta para ir ao posto, Brasil!


Eu estava bem ansiosa e, sobretudo, grata. Depois de tanto tempo confinada, dá um alento e uma esperança poder saber que, em 15 dias, meu corpo estará imunizado. Fiquei pensando demais no vô e nas outras pessoas que se foram por conta da covid-19. Fazer isso por mim e por quem amo é um alívio.  

Aproveitei para estrear o casaco que fiz baseado no do Harry Styles.
(Vai ter post sobre esse tricô, no futuro.)


Agora é continuar me cuidando. Como diz um amigo, "não é porque tomei as duas doses que vou sair lambendo corrimão". Distanciamento social, máscara e álcool continuam por aqui, ainda que eu pense em encontrar algumas poucas pessoas (que já foram duplamente vacinadas e que, assim como eu, continuam se cuidando).

Eu espero que todos vocês que me leem possam se vacinar, estejam onde estiverem. Só assim sairemos desta. 

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Algumas Observações | Ano 14 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.