quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Retrospectiva literária: lidos em 2021

quinta-feira, dezembro 30, 2021 12
Foto por Hayffield L, via Unsplash.


Hoje eu vim aqui comentar um pouco dos livros que li ao longo de 2021. Ao todo foram 35 livros lidos e terminados (fora algumas leituras que começaram e vão ficar pendentes para 2022). Particularmente, fiquei surpresa com esse número, porque não tinha a dimensão de que tinha lido mais do que em 2020. 

Um dos meus objetivos para este ano era o de ler mais poesia. De fato, consegui fazer isso, em parte porque meu trabalho me possibilitou isso também. Ao pensar o Poesia ao Sol e à Sombra (com o Rafa), acabei juntando o útil ao agradável. 

O que me chamou a atenção foi a lista de não ficção. Acho que 2021 foi o ano em que mais li não ficção na vida. Em parte por conta da minha parceria com o queridíssimo Grupo Editorial Pensamento, em parte por conta das leituras do grupo de estudos de Yoga, em parte por conta do trabalho como professora. Esse mergulho fora do que estou habituada foi bacana demais. 

Sem mais delongas, vamos à lista: 



Prosa média/longa

  1. Linha M, de Patti Smith
  2. Três Palmos, de Maria Eugênia Moreira
  3. O pai da menina morta, de Tiago Ferro
  4. Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera

Prosa curta

  1. Moedor de Carne, de Eduardo Lisboa 
  2. Amares, de Eduardo Galeano
  3. No útero não existe gravidade, de Dia Nobre
  4. De Natura Florum, de Clarice Lispector
  5. A teus pés, de Ana Cristina Cesar
  6. Imerso Cotidiano, de José Luís de Villa
  7. O conto do vigário, de Fernando Pessoa 

Poesia

  1. Quando versos gotejo, de Camila Dió
  2. Ossos Açucarados, de Rafael Farina
  3. Desvio, da Iasmim Martins
  4. Lua em Escorpião, de Anna Carolina Ribeiro 
  5. Mandala Näif, de Lindolfo Roberto do Nascimento
  6. Os melhores poemas, de Affonso Romano de Sant'Anna
  7. Poesia sobre poesia, de Affonso Romano de Sant'Anna
  8. Memórias difusas, de de Ivete Nenflidio
  9. As 79 luas de Júpiter, de Leidiane Holmedal e de Lucila Eliazar Neves
  10. O que não sangrou no caminho, de Rogério Bernardes
  11. Na carcaça da cigarra, de Tatiana Eskenazi

Não ficção 

  1. O despertar da Deusa, de Emma Dilton
  2. O poder de cura dos chakras, de Tori Hartman
  3. O oráculo da deusa, de Amy Sophia Marashinsky
  4. Os yoga Sutras de Patanjali, de Patanjali
  5. Tarô Egipcio Kier, de de Bibana Rovira
  6. Palavra de Criança, de Patrícia Gebrim
  7. Com Clarice, Marina Colasanti e Affonso Romano de Sant'Anna
  8. Como e por que ler a poesia brasileira do século XX, de Italo Moriconi
  9. Mensagens de Yogananda, de Paramhansa Yogananda
  10. Tempo vida poesia, de Carlos Drummond de Andrade 
  11. Tarô Claro e Simples, de Josephine Ellershow
  12. Tarô dos Anjos, de André Montovanni
  13. Bhagavad Gītā, de Krsna Dvaipayana Vyasa

E você, o que leu em 2021? 
Me conta nos comentários e já deixa uma dica para eu incluir na minha lista para 2022. Lembrando que você pode me adicionar no Skoob ou no GoodReads para ver os livros que estou lendo ao longo do ano.

Beijos :*

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sábado, 25 de dezembro de 2021

A vida é feita de momentos agridoces

sábado, dezembro 25, 2021 6

A vida é feita de momentos agridoces.
(Foto tirada no Conjunto Nacional, em São Paulo.)

Hoje eu acordei melancólica, neste espaço tempo entre o passado e o futuro — que não é presente. Me recordei da época em que minha família ainda comemorava o Natal e me pergunto onde isso se perdeu. Será que se perdeu?

Ainda antes de sair da cama, alimento meu novo hábito das manhãs de sábado e leio a crônica do Fuks. Fuks foi meu professor e, embora ele não saiba, é muito importante para mim. Fico com as palavras dele na cabeça. A gente nunca está sozinho, mesmo quando está sozinho — há uma capsula interna que "guarda a memória dos toques alheios que alguma vez recebeu", ele diz. Esse é um conceito bom de se ter em mente nos momentos agridoces. A vida é feita de momentos agridoces.


Passo a manhã brincando com as gatas no quintal. Vê-las correndo atrás do ratinho de brinquedo me faz sorrir e me relembra que alguns sonhos demoram para se concretizar, mas acontecem.


Bono no Simon Christimas Busk.

No computador, Bono cantando Running to Stand Still na Saint Patrick’s Cathedral. Essa é a música que gosto de ouvir quando estou triste. Há um contraste entre ouvi-la na felicidade. Ele toca gaita e me transporta à infância e a um antigo desejo. Ainda há tempo? Há a possibilidade do encontro?

Reflito no impacto que as pessoas deixaram em mim. Reflito sobre o impacto que tenho na vida dos outros. Ser amor, exemplo, paz, abrigo, generosidade, amplitude, conhecimento. Será que já fui dor e melancolia para alguém? Será que é possível passar uma vida sem fazer mal a outras pessoas?


Penso no impacto de uma década, no Natal sem duendes ou magia, no quanto eu venho lutando para ressignificar essa data que havia morrido em suas decorações vazias de um coração partido. Não compreendo muito bem o porquê de tentar entender tudo isso agora, mas como Alice sigo, adentro à toca do coelho. 


No WhatsApp muitos votos de Feliz Natal. No Instagram, fotos de reunião de família. Na minha revisão anual, a pergunta derradeira: “Você é feliz?”. O que é ser feliz? Talvez o Natal venha para lembrar justamente isso: ressignificar é importante. Ressignificar não só os laços de amizade e fraternidade, mas também as dores, as mágoas, as angústias, as esperanças. 


Natal é tempo de reaprender a viver. Não à toa, apesar dos pesares, essa continua sendo a minha data preferida do ano.

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sábado, 11 de dezembro de 2021

4 lugares para comprar presentes legais :)

sábado, dezembro 11, 2021 5
Prontos para dicas MUITO legais?


Oi, pessoal!
Espero que vocês estejam bem. Queria que este post tivesse saído um pouco antes, mas acabou que não deu tempo de escrevê-lo. O tempo está me atropelando! 😞 Vocês também não veem a hora de ter férias?! Eu não estou contando os dias! De qualquer modo, penso que esses presentes são adequados para todas as épocas, não só para o Natal. Então, está valendo, certo? 😉

Minha ideia aqui é dar dicas de presentes que são feitos por pessoas queridas, que produzem tudo com muito amor. Vamos lá?!💚

Calendário Sou Potíria, por Ísis


Que tal começar 2022 se organizando com um calendário feito por uma artista maravilhosa?! O Calendário Sou Potíria é feito pela minha amiga, Ísis, que além de ilustradora é educadora lá na Pinacoteca SP. 


O calendário tem tamanho A4, é impresso em alta qualidade e é maravilhoso! Falo isso porque usei a versão 2021 o ano todo e foi ótimo! 😊😉

Para adquiri-lo, basta entrar em contato com a Ísis lá no instagram, no @soupotiria.


Cadernos e marcadores personalizados, por Livia Brazil



Além de escritora, Livia Brazil produz cadernos personalizados. Quem encomendar pode pedir com ou sem pauta e escolher o tamanho também. Além disso, ela também produz marcadores personalizados. 💜



Para adiquiri-los, entre em contato com a Livia Brazil, no Instagram, via @liviagbrazil.


Bonecas, decoração e presentes personalizados feitos à mão, por Claudia Ghiraldelli, da Grilli Ateliê de Criatividade



Eu sou fã declarada do trabalho da Claudinha. Na imagem acima, vocês podem ver alguns dos produtos personalizados que ela fez para mim, como a bolsa que tem um verso do meu poema que saiu publicado na antologia Poetas Negras Brasileira, que está acompanhada de uma boneca no estilo japonês. Ao lado há os diversos modelos de Papais Noel (eu tenho o meu, que é negro!) e a boneca que ela fez inspirada em mim e nas minhas gatas, Poesia e Camomila, e no meu livro, A Intermitência das Coisas.

Sério, o que você pedir, a Claudinha é capaz de trazer à vida. Então entre em contato com ela, via Instagram: @grilliateliedecriatividade.

Autocuidado com a Quiriquiqui


A Quiriquiqui é a empresa da minha amiga Vília e da irmã dela. Elas produzem sabonetes, velas, sachês e tudo mais que nos ajuda a ter aquele momento "spa em qualquer lugar". Tudo feito à mão e de modo personalizado.

Para adiquirir este carinho, basta entrar em contato via Instagram, no @quiriquiqui


Gostaram das dicas?!
Vocês gostariam que eu trouxesse dicas de livros também?
Contem nos comentários!

Beijos e queijos :*

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

{Resenha} Tarô dos Anjos, de André Mantovanni

quarta-feira, dezembro 08, 2021 0
Resenha do livro Tarô dos Anjos, de André Mantovanni.



Escrito por André Montovanni, Tarô dos Anjos é um livro completo. Um dos principais pontos da obra é que além de ensinar sobre as cartas que o acompanham e sobre utilizar o tarô propriamente dito, o livro também traz informações sobre angeologia, astrologia cabalística e a liturgia dos anjos. Tudo isso numa linguagem simples e objetiva, apesar de abortar um assunto tão complexo e cheio de nuances.



O livro é dividido em 7 capítulos e conta com uma longa lista de referência bibliográfica. Os quatro primeiros apresentam a explanação didática do que constitui o Tarô do Anjos: os motivos de sua criação, uma reflexão do uso do tarô, como ele está estruturado, como consagrar as cartas e como fazer as consultas. 

Falando do tarô propriamente, ele é formado por 22 duas cartas que relacionam os 22 arcanos do tarô tradicional com anjos. Conforme o próprio autor aponta:

Para o estudo do Tarô dos Anjos, as cartas seguirão a ordem e as nomenclaturas clássicas, mas tendo como abordagem a simbologia do mundo angélico. (página 17)

Mantovanni também afirma que seu objetivo é o de compartilhar os conhecimentos "tanto para leigos quanto para pessoas mais experientes no estudo do tarô ou para aqueles que desejam aperfeiçoar sua comunicação com o reino angélico". 

O capítulo 2 é o que explica as 22 cartas. Ele é estruturado de modo a apresentar uma pequena introdução de cada carta, bem como o seu significado geral e sua possível interpretação nas áreas espiritual, de amor, de trabalho e finanças e da saúde. Essa descrição tão prática e, ao mesmo tempo, minuciosa, é de grande valia tanto para quem tira as cartas, quanto para o consulente, que recebe as informações.



Os capítulos 5, 6 e 7 trazem informações extras sobre este universo. Por meio deles fica fácil para que o leitor descubra qual é o seu anjo da guarda, compreenda a hierarquia que há entre os anjos e qual é a função de cada um dentro dela, qual anjo se relaciona com cada signo e como interagir com ele. Todas essas informações contribuem muito para o entendimento mais aprofundado das cartas.

O projeto gráfico do livro também é primoroso. Tanto a caixa de capa dura quanto o livro (também de capa dura) e as cartas são violeta, cor relacionada à espiritualidade. As cartas são ilustradas por Cristina Martoni, artista plástica parceira de longa data do escritor. O tamanho de cada lâmina é ótimo para o manuseio. O material como um todo é muito inspirador.




Capa.



Livro: Tarô dos Anjos
Autor: André Mantovanni
Páginas: 184
Editora: Pensamento
Apresentação: Nesta obra inspiradora, André Mantovanni, autor do best-seller Baralho Cigano, combina toda a força espiritual do mundo angélico com o simbolismo dos arcanos maiores do tarô, para que você possa conectar seu coração ao mundo elevado dos anjos e compreender sua vida com mais luminosidade e sabedoria. Por meio das 22 cartas dos arcanos maiores do tarô, o leitor fará um mergulho no mundo inconsciente e simbólico da alma, obtendo grandes revelações úteis sobre as leis universais que regem nosso destino. O autor aborda a interpretação de cada carta do Tarô dos Anjos para o amor, a saúde, o trabalho, as finanças e a espiritualidade, além de métodos de interpretação, consagração do tarô, angelologia (estudo dos anjos), astrologia cabalística e muito mais. A caixa contempla um livro em capa dura e ricamente ilustrado e colorido, e um conjunto de 22 cartas ilustradas e confeccionadas em alta gramatura.

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terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Flâneur

terça-feira, dezembro 07, 2021 5



A cidade me chama mais que antes. Há um imã que me convoca e me atravessa. Mas nada é como no passado: suas cores seguem mais vívidas vista por trás das novas lentes. Suas dores também. É impossível não sentir o lamento de quem faz do céu aberto e suas intempéries um lar. A felicidade primeira de me integrar aos parques, aos carros, ao asfalto e ao concreto se desfaz à medida que caminho. Passo por homens, mulheres, crianças, cachorros e gatos em barracas a cada esquina. Pessoas que lutam segundo a segundo para manter um resquício de dignidade. Pontos turísticos inteiros se convertem em lares organizados: muitas vezes há uma tentativa de ordenar o caos. Alguns pedem dinheiro. Outros, já exaustos, apenas deixam uma plaquinha visível: "me ajude a ter jantar". Sinto que a luta — essa, por ser gente — também é minha. Como posso ser digna enquanto há outros de mim sem ter o que comer?


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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

{Resenha} Tarô Claro e Simples, de Josephine Ellershow

quinta-feira, novembro 18, 2021 12
Saiba tudo sobre o livro Tarô Claro e Simples e o material que o acompanha.


Não é por qualquer motivo que o subtítulo de Tarô Claro e Simples é Aprenda a ler as cartas de maneira rápida e prática. Ao longo da leitura, sinto que uma das maiores preocupações da autora, Josephine Ellershow, foi não só com o significado das cartas, mas com o futuro tarólogo que as receberiam.

Se tornar um cartomante não é tarefa fácil e o livro que acompanha as cartas do Tarô Dourado vem pronto para apoiar seus leitores nesta tarefa. Mais do que apenas explicar as lâminas, Tarô Claro e Simples é praticamente um curso prático das melhores formas de estudo do tarô.

Sumário de Tarô Claro e Simples. (página 09)

A obra está dividida em vinte e dois passos que vão desde o que fazer a partir do primeiro contato até como ler as cartas que para o tarólogo parecem mais desafiadoras. Foi interessante notar que Ellershow busca, como toda boa professora, dar ferramentas para que seus leitores não se tornem dependentes apenas dos significados que ela mesma dá às cartas em seu livro. Para isso, a autora sugere mesmo um roteiro de estudo que, além de outras estratégias, passa por dois pontos fundamentais: resistir à tentação de tirar as cartas e ler o livro dela como um todo e criar um diário do tarô.


Tarô Claro e Simples acompanhado das cartas do Tarô Dourado


É interessante notar que, ao longo dos passos sugeridos, ela subverte a ordem que eu havia visto em várias outras obras sobre tarô e parte da explicação dos arcanos menores, para depois falar dos maiores. Além de dar dicas de como cuidar das cartas antes de começar a usá-las e do que fazer com elas depois de realizar as leituras, Ellershow compartilha diferentes formas de realizar as tiragens (que vão desde as mais simples, com poucas lâminas, às mais complexas, com muitas delas).

Outro ponto MUITO importante é que a autora faz questão de que, sempre que possível, relembrar sobre a responsabilidade do cartomante ao fazer uma tiragem. Ela retoma várias vezes, por perspectivas diferentes, a necessidade de se compreender o contexto do consulente e de ler o conjunto de cartas (não apenas o significado de uma lâmina isolada). Ellershow também aponta alguns exemplos de pessoas que ficaram devastadas por falas de cartomantes irresponsáveis e mostra na prática como um olhar mais atento à leitura poderia ter dado ao consulente uma resposta mais assertiva ao que ele/ela estava querendo saber.



O livro vem dentro de uma caixa e é acompanhado por 78 cartas do Tarô Dourado e um gabarito de leitura da tiragem da cruz celta.

Para ler outros posts sobre tarô e oráculos, acesse as resenhas: Tarô Egípcio Kier | Tarô de Marselha: A jornada do autoconhecimento | O tarô de Marselha Revelado | Palavra de criança | O oráculo da deusa


Falando das cartas propriamente ditas, elas têm um tamanho que, para mim, é ótimo (não são tão pequenas, mas também não são enormes atrapalhando no manuseio). Sua paleta de cores mais escura (se comparadas a outros conjuntos de lâminas) e as representações das joias em suas bordas vão mudar de cor a cada tipo de arcano/naipe que uma determinada carta representa: arcanos maiores têm a cor preta, já os menores se subdividem em:
  • Paus = Vermelho (representando o fogo);
  • Copas = Ouro (representando a água, que é incolor e por isso reflete a cor de sua taça);
  • Espadas = Azul (ar);
  • Ouros = Verde (terra).
Livro e Arcanos Maiores.



Arcanos menores: naipe de ouros em destaque.

O kit (cartas, folha/cartaz de gabarito da tiragem da cruz celta e livro) vêm dentro de uma de capa rígida, o que garante um armazenamento bonito, prático e que protege bem o material.

Capa: Tarô Claro e Simples, de Josephine Ellershow.


Livro: Tarô Claro e Simples: aprenda a ler as cartas de maneira rápida e prática!
Título original: Easy tarot handbook
Autora: Josephine Ellershow
Prefácio e cartas: Ciro Marchetti (criador do Tarô Dourado)
Tradução: Marcello Borges
Páginas: 272
Editora: Pensamento
Apresentação: Agora em nova edição com caixa rígida, esta obra é voltada para os iniciantes na arte da leitura das cartas de tarô. Trata-se de um curso completo e bem prático sobre o tema. Usando como base o Tarô Dourado, você vai aprender como as 78 cartas que acompanham o livro se fundem e se associam às singulares energias na Cruz da Verdade, na Cruz Celta e em muitas outras tiragens. Para a autora, o Tarô tem sido um companheiro constante em sua jornada pessoal há mais de três décadas. Profissionalmente, ela tem uma longa experiência de leituras, orientações e atendimentos como agente de cura.
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domingo, 14 de novembro de 2021

{Resenha} Tempo Vida Poesia, de Carlos Drummond de Andrade

domingo, novembro 14, 2021 10
Carlos Drummond de Andrade e Lya Cavalcanti (imagens: IMS)


Estudiosos da vida do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade sabem que o autor não era muito de ficar espalhando aos quatro ventos como era o seu dia a dia. Por isso mesmo, ler Tempo Vida Poesia é tão precioso. O livro não é muito grande — tem apenas 124 páginas —, mas é um tanto poderoso.

O volume é um compilado de oito conversas entre Drummond e sua amiga, a jornalista Lya Cavalcanti, que foram ao ar em oito domingos de 1954, no programa de rádio Quase memórias e que depois foram publicadas Jornal do Brasil. Dividida em pequenos capítulos, a prosa cobriu pontos importantes da vida do poeta de sete faces que foram desde as primeiras leituras da infância até a obsessão em reunir todos os artigos — fossem eles bons ou ruins — sobre um de seus mais famosos poemas, o "No meio do caminho" (de seu livro de estreia, Alguma Poesia).

Ao longo da leitura, o leitor entra em contato com outro Drummond: não o gauche, que tem uma vida besta, mas um menino fanfarrão que chegou a, literalmente, causar um incêndio em uma casa por causa de uma paquera. 

Carlos Drummond de Andrade e Lya Cavalcanti (imagens: IMS)


Também é muito interessante ver como as relações entre o grupo de escritores do Modernismo mineiro aconteciam e como esses autores se relacionavam com os demais (principalmente com os paulistas e com os cariocas). É bonito de ver como a escrita se relaciona com a vida, como a literatura habita tudo, como os autores se desenvolveram artisticamente no desenrolar dos acontecimentos.

Entre anedotas e influências, Drummond não deixou de dar o recado. Há muitas reflexões sobre o fazer literário, sobre a escrita e sobre o papel da arte naquele que era o seu mundo (e que, de algum modo, não deixou de ser o nosso, de seus leitores, também).

Nunca deixei de nutrir certo respeito-ternurinha pelos mais velhos que tinha feito o mesmo que eu tentava fazer. Podia  não ser muito afeiçoado ao que escreveram, mas eram de certo modo meus tios, pessoas a quem a gente dispensa consideração, mesmo não indo com a cara deles. De fato, se não fossem esses tios literários, que mal ou bem nos transmitem o fio de uma tradição que vem de longe, não haveria literatura. Ninguém a inventaria. Ela foi se formando por um anseio de expressão dos primeiros representantes de espécie humana que sentiram necessidade de formular alguma coisa mais do que o enunciado direto da fome, do sexo, da ambição e do medo. Alguma coisa que fosse ainda reflexo dessas necessidade, mas que chegasse além delas: tentativa de reinvenção do real em termos abstratos, ou de imaginação realizada em linguagem. Daí por diante a linguagem teria uma dupla missão: servir ao cotidiano e ao intemporal, constituido pela criação literária. Todos esses barbudos antigos que a utilizaram da segunda maneira são nossos pais ou irmãos mais velhos, companheiros da gente na aventura literária. Não houve uma geração inútil, ainda que se manifestasse mediocremente. De qualquer modo, serviu de elo na corrente infindável. Eu pego num livro velho com reverência; sinto nele a substância inerente a toda criação do espírito: o desejo de alongar as fronteiras da existência, pela reflexão ou pelo sonho acordado... (Carlos Drummond de Andrade — páginas 70 e 71)


Livro: Tempo Vida Poesia: Confissões no rádio
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Posfácio: Elvia Bezzera
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 124
Apresentação: Uma conversa entre amigos, pautada pelo humor e pela cumplicidade.
“Tudo o que tenho a dizer está nos meus livros”, disse certa vez Carlos Drummond de Andrade, avesso, habitualmente, a falar sobre a própria vida. No entanto, ao conversar em 1954 com a amiga e jornalista Lya Cavalcanti numa série de oito programas gravados para o rádio, sua discrição foi aos poucos se dissipando. A transcrição desses encontros, chamados de “Quase memórias”, viria a ser publicada nas páginas do Jornal do Brasil anos mais tarde e, em 1986, ganharia forma em livro.
No posfácio escrito para esta edição, Elvia Bezerra comenta que em Tempo vida poesia está “impregnado o frescor, a inteligência e a vivacidade de uma conversa entre dois jornalistas amigos tão diferentes em suas personalidades quanto afinados no que há de humano e intelectualmente essencial”.

domingo, 7 de novembro de 2021

{Vou por aí} Poesia Experimental Portuguesa no CCSP

domingo, novembro 07, 2021 14
Você conhece a Po.Ex


Eu quase não tenho saído, embora já esteja com as duas doses da vacina em dia, mas quando o faço, busco locais que sejam, por natureza, arejados. Sendo assim, resolvi matar a saudade do Centro Cultural São Paulo, principalmente do café, da biblioteca e do jardim suspenso. Fui sozinha e, para a minha surpresa, ao chegar lá me deparei com uma exposição bem bacana que apresenta ao público brasileiro a poesia experimental portuguesa. É sobre ela que quero falar hoje.


O movimento que ficou conhecido como poesia concreta no Brasil ganhou o nome de poesia experimental em Portugal.

A exposição é a primeira aqui no Brasil panorama da poesia experimental escrita em Portugal desde os anos 1960 até 2018 e percorre as diferentes formas do fazer poético — desde textos impressos passando por pinturas, caligrafias, fotografias, objetos, áudios e vídeos.


O movimento Po.Ex (apropriação das primeiras sílabas de Poesia Experimental), nasceu na década de 1960, quando foi lançada uma revista de mesmo nome em dois volumes — o primeiro datado de 1964 e so segundo, de 1966. Apesar de não ser tão conhecido no Brasil, o Po.Ex nunca se viu como algo fechado, pelo contrário, absorveu muito da poesia concreta brasileira (é notável a semelhança de alguns trabalhos com a forma da poética de Haroldo de Campos, por exemplo), como é possível perceber em alguns dos trabalhos abaixo:


E.M. de Melo e Castro. Tontura, 1962.

Essas formas artísticas de fazer poesia nasceram num de modo a transgredir e ser resistência. Os artistas sobreviveram ao autoritarismo que regia a vida dos lusitanos por meio da radicalização da linguagem que a poesia concreta portuguesa — por lá chamada de experimental — lhes possibilitou no processo de criação. Ao longo dos anos muitos foram se modernizando a ponto de começar a incorporar diferentes tecnologias em suas artes.


E.M. de Melo e Castro. "Geografia humana", 1962-2018. Publicado em Ideogramas, 1962.


E.M. de Melo e Castro. Duplicado/Anulado, 1966. Coleção Galeria Superfície.


Obras de E.M. de Melo e Castro.


Estão expostos cerca de 80 trabalhos realizados por 18 artistas (Abílio-José Santos; Américo Rodrigues; Ana Hatherly; António Aragão; António Barros; António Dantas; António Nelos; César Figueiredo; E. M. de Melo e Castro; Emerenciano; Fernando Aguiar; Gabriel Rui Silva; Jorge dos Reis; José-Alberto Marques; Nuno M. Cardoso; Rui Torres; Salette Tavares; Silvestre Pestana).

António AragãoPoesia encontrada, 1964-2018. Publicado em Poesia Experimental nº1, 1964.

Abílio-José Santos. Ditador, Atchim, Rasgado. sem data.

Obras de Abílio-José Santos.

António Nelos. Consciência, Devotos. Ali é Nação. Pri Mata.

A Poesia Experimental vem se modernizando ao longo dos anos, mas seu objetivo principal mantém-se o mesmo da sua criação: mostrar que tudo pode ser trabalhado e apresentado de forma poética. 

Obra de Salette Tavares.

Salette Tavares. Aranha. 1963-1978. Coleção Espaço Líquido.

Fernando Aguiar. Soneto digital. 1968-2018.

Fernando Aguiar. Ensaio para uma nova expressão da escrita. 1968-2018.

Esta exposição tem a idealização e a produção do Espaço Líquido, o apoio do Consulado Geral de Portugal em São Paulo é uma realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo – por meio do ProAC Editais.

Silvestre Pestana. Atómico Acto. 1968-2018.

Vale a pena conferir. 😍

Para visitar:

Se visitar, compartilhe nas redes com a hastag #PoexNoBrasil. 😉


Exposição: Poesia Experimental Portuguesa
Onde: Centro Cultural São Paulo - CCSP (Piso Flávio de Carvalho)
Quando: de 18 de setembro a 14 de novembro de 2021
Horários: terça a sexta, das 10 às 20 horas | sábados, domingos e feriados, das 11 às 18h
Quanto: gratuito
Endereço: Rua Vergueiro, 1000  CEP 01504-000  Paraíso  São Paulo  SP (para quem for de metrô, basta descer na estação Vergueiro).
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Acesso para pessoas com deficiência.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Norte

quarta-feira, novembro 03, 2021 14
Foto por Jamie Street, via Unsplash.


rascunho poemas como quem pare a noite
busco imagens sorrateiras no silêncio
algo que não nasceu e ainda assim resiste
há florescer de raízes já mortas

sementes enterradas no mais profundo
se alinhamento em lava que alimenta e revolve a Terra
versos desejosos de morar em outro peito
em um corpo-cápsula desconhecido:
bússola a apontar sempre para dentro

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sábado, 30 de outubro de 2021

Sísmico

sábado, outubro 30, 2021 18
Foto por Matt Hardy, via Unsplash.


E eis que eu estou aqui novamente, na angústia de escrever e apagar e rescrever este post mais de uma vez. Poderia culpar conta da crise de enxaqueca que me acompanhou ao longo da semana ou o projeto grande de trabalho que tem me tirado o sono. Mas não. De novo, não. A razão do fazer e desfazer perpassa por outros caminhos.

Algumas pausas são mais necessárias que outras. Não há como mergulhar fundo sem o equipamento adequado. No caso da palavra, ela só é ouvida se houver fôlego e silêncio. No meio de uma explosão, ficará para sempre perdida. Talvez seja isso: tenho explodido para dentro. Como o eremita, busco fôlego na luz do mar do meu casulo. Sonhos me mandam sinais. Anoto tudo que lembro no meu diário, numa tentativa de descobrir ali a passagem secreta que me desague numa ilha paradisíaca. O problema é que não quero ser ilha, meu desejo é de continente! Terra firme depois de tantas moléculas de H²O... Isso é mais uma das minhas contradições.

Os encontros literários, mesmo que através de uma tela, me levam cada vez mais a perceber as minhas fragilidades. Meus calcanhares de Aquiles (assim mesmo, no plural) são mais fortes do que eu. Noto o quanto é cansativo lutar contra o moinho submerso e carcomido por águas que sempre mudam de direção e aparecem arrastando tudo para os lugares mais inusitados. Por algum tempo, desisto.

Até agora escrevi sobre marés hiperbólicas, repletas de incertezas e da aspiração do ser mais. Contraditoriamente foi justamente essa pressão de ser gente que não me permitiu ser eu. Como quase tudo na vida, a escrita me é âncora pesada e distante: há responsabilidade em parir algo para o mundo  mesmo que seja um pequeno post para um blog insignificante. Será que estou contribuindo? 

No fundo, parei momentaneamente de olhar para trás e de tomar cafés com os amigos. Parei de publicar textos para tentar entender como lidar com essa pressão em meus ouvidos. Nesse impasse de represar e transbordar, minhas palavras nadam no meu útero. Não há ar nos meus pulmões, mas paro de lutar contra a minha angústia. No meio desse maremoto todo, mesmo sem saber nadar, eu continuo tentando dar minhas braçadas.

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Algumas Observações | Ano 14 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.