terça-feira, 29 de setembro de 2020

Fênix

terça-feira, setembro 29, 2020 3
Foto por Andrew Stickelman, via Unsplash.

Às vezes eu acho que perdi a mão. A vontade que dá é a de jogar tudo para o alto, desfazer dos sonhos e seguir o fluxo sem ficar elaborando muito. O problema surge quando eu me lembro de que não tenho a menor vocação para engolir sapos, de que não consigo conviver com a minha infelicidade e — principalmente — de que o mundo não merece as patadas do meu mal humor.

Sou uma idealista melancólica e, talvez por isso mesmo, que escolhi as profissões que tenho. Como idealista, sou professora e acredito que o mundo só se transforma quando há acesso a educação de qualidade para todos. Como escritora, mergulho na minha própria existência melancólica que busca entender o que está fazendo aqui.

Às vezes, como parte desse entendimento, preciso me distanciar. E nesse distanciamento sinto que perco a mão e não sei mais o que escrever, como parir aquilo que precisa ser dito. É difícil domar a linguagem quando é preciso reorganizar — uma vez mais — as peças de um quebra-cabeças de uma figura comum e, ao mesmo tempo, desconhecida.

Nesses tempos em quem não escrevo, torno-me azeda. Como diria Clarice, é como se eu morresse nesse meio tempo. De pequenas mortes em pequenas mortes a vida luta em criar palavras para ressurgir.

Às vezes acho que eu perdi a mão. Mesmo assim, me debato. Mesmo assim, sigo tentando.


O tema da blogagem coletiva de setembro de 2020 foi: a voz.
Para saber mais sobre o Projeto Escrita Criativa, clique aqui.


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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Impossibilidades

quarta-feira, setembro 23, 2020 6
Foto por Bruno van der Kraan, via Unsplash.

No hibridismo entre poesia e jornalismo nasce uma crônica. O problema, talvez, seja que estou longe de ser jornalista — além de ouvir, gosto igualmente de falar. E, embora seja poeta, não ando flanando por aí. Tem sido difícil coletar miudezas.

Desde que terminei a grande faxina, tenho vivido no meu quarto. Durmo, acordo, trabalho, estudo e me exercito entre as quatro paredes e sua pequena janela. É difícil tirar grandes narrativas dessa rotina.

Já se foi um semestre inteiro de quarentena. Seis meses, alguns dias e um aniversário em casa. Meu carrinho da montanha russa das emoções continua em seu looping star eterno de alternância entre dias incríveis e terríveis. De qualquer forma, sigo.

Às vezes penso no futuro. Como seremos nós no final de tudo isso? Digo o final real e falo em um nós coletivo. Como seremos daqui alguns anos, depois que a população mundial for vacinada e o planeta estiver ainda mais quente (por conta dos biomas cada vez mais destruídos) e os sistemas econômicos atuais em ruínas? 

O dito popular afirma que em pouco tempo "muita água corre por debaixo de uma ponte". Resta saber qual é o estado dessa água. (A sensação que tenho é de que há cada vez mais lodo. É impossível ver o fundo.)

A vida muda o tempo todo. E eu, que tenho tentado sair do quarto ao menos para ver os telejornais na sala, hoje pulei esse momento. A falta da verdade me dói. Eu não vivo no mesmo país que foi descrito na reunião da ONU.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Limpezas que vêm e vão

segunda-feira, setembro 07, 2020 7

Foto por Jan Kopřiva, via Unsplash.

Quando as coisas doem, além de me voltar para dentro, preciso colocar a energia para fora. Normalmente, essa força motriz orbita em torno de duas atividades, a escrita e a faxina. Há tempos ando insatisfeita com algumas áreas da minha vida e, aos poucos, venho tentando colocar tudo no seu devido lugar, mesmo sem saber ao certo se o lugar escolhido é o adequado. Organização e a fórmula de “tentativa + erro/acerto” seguem reinando por aqui.

Sei que sou uma pessoa essencialmente mental, que vive ponderando o que e como e onde e, sobretudo, por quê. Então, é meio natural que eu saia da terapia alternando entre entusiasmo para fazer as coisas e dores de cabeça por pensar demais (às vezes as duas coisas ao mesmo tempo). Estou tentando aprender que não tenho respostas para tudo, que é possível planejar e ao mesmo tempo seguir o fluxo, que é impossível controlar a água entre as mãos. Isso é particularmente desafiador quando se vive uma pandemia em que cada um faz o que sente o que é certo, não o que é recomendado pelos órgãos de saúde. Nessas horas me lembro dos tempos de faculdade, de uma conversa com um amigo da Filosofia. “O que é a verdade?” Nos questionávamos há 10 anos. Ainda não encontrei uma resposta que me satisfaça.

Inspirações em uma parede torta. :) 
(Para quem quiser esses quadrinhos, a referência está no fim do post.

O que acontece é que, quando o meu mental fica sobrecarregado, normalmente isso se reflete do lado de fora: cabeça bagunçada, ambiente bagunçado. É aí também que entra a faxina. Às vezes é mais fácil organizar o que está fora do que o que está dentro. Nesse processo, sempre surge algum insight para resolver uma questão interior.


Em agosto, eu resolvi que faria uma grande faxina — antecipei aquela anual que sempre faço em dezembro, para a virada do ano. 2020 está sendo tão complexo, que decidi tirar o peso da vida abrindo espaço para o novo (novos saberes, novos olhares, novas relações). Uma grande faxina que deveria terminar antes do meu aniversário, em meados de setembro. Ao invés de focar em quem é próximo que está nem aí para a quarentena, resolvi focar na pessoa com quem mais convivo: eu mesma. Não dá para mudar os valores éticos e ideológicos dos outros, mas dá para eu ser uma pessoa melhor, dá para deixar um legado melhor para o mundo. Mais uma vez, a conversa filosófica surge na minha cabeça, com meu amigo me dizendo que cada um vive com a versão da verdade que lhe convém.

Cantinho de trabalho :)
Meu homeoffice pós-faxina. :)

A Thais costuma dizer que “não dá para organizar tralhas”, então eu comecei destralhando o guarda-roupas. Tudo o que não servia ou não ressoava mais com quem eu sou, eu resolvi doar. Depois passei para os sapatos e, por fim, cheguei aos livros — tudo com a mesma resolução. Destralhar para mim é algo interessante, porque, se for seguir o que diz a Marie Kondo e me perguntar se tal livro me faz feliz, a resposta provavelmente será “sim”. Tive que usar outros critérios. Foi difícil, mas consegui. A falta de espaço para os amantes do livro físico é uma problemática constante para quem vive em uma casa pequena. Sendo assim, encaixotei a minha biblioteca, deixando na estante apenas os de estudo, trabalho e alguns dos meus preferidos. Acho que deu certo.


Eu sou do tipo de pessoa que sempre atribui um valor sentimental ao que compro, ganho, leio. Então, fazer essa grande faxina é um eterno recordar, uma viagem ao túnel do tempo. Esta, em especial, me fez refletir sobre a minha caminhada e me fez grata pelos meus privilégios, ainda que muito do que eu sou seja fruto de muito esforço. Esses dias, conversando com algumas amigas sobre a minha opção de continuar sem quebrar a quarentena, disse a elas que tudo é uma questão de objetivo. O lance é que isso não se dá só a respeito de ficar ou não em casa, isso é para a vida, por isso o autoconhecimento é tão fundamental.


Quatro dias depois de pegar firme no propósito de terminar tudo, ficou faltando apenas uma pequena parte de um armário, cujas lembranças ainda não sei se estou pronta para encarar e destralhar. No geral, sinto-me orgulhosa por ter conseguido compreender parte do que vim fazer aqui — 2020 e sua inconstância me possibilitaram isso. Do vazio aocaos, sigo nas minhas intermitências: destralhando, organizando e curtindo a paz que reina como o cheiro de roupa de cama trocada que nos abraça para uma bela noite de sono.


Seguem as referências dos quadrinhos:

  • Os quadrinhos da Mafalda e o dos sueños, eu comprei em Buenos Aires (San Telmo e Caminito);
  • As citações do Ariano Suassuna e Paulo Freire são da Tertúlia
  • o quadrinho com desenho de unicórnio foi presente de uma amiga, vindo da Seja Único;
  • Born to be an unicorn e a gatinha sereia são da Mulher Vitrola;
  • O bastidor também foi presente de uma amiga, vindo da Artes da Cá;
  • O With mu whole heart, comprei na Daiso;
  • la vida es un viaje foi comprado em um stand de alguma Bienal do Livro (esse eu não me lembro exatamente qual era);
  • Para essa parede, ainda quero colocar um cartão poético meu e um dos sonhos da sou potiria.

 

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terça-feira, 1 de setembro de 2020

{Resenha} Os nove arquétipos da alma feminina, de Cherry Gilchrist

terça-feira, setembro 01, 2020 6
Camomila e o livro Os nove arquétipos da alma feminina, de Cherry Gilchrist

Em Os nove arquétipos da alma feminina, a pesquisadora especialista em mitologia e escritora Cherry Gilchrist resgata a história dos círculos de mulheres e de como ela se repete em diversas localidades do mundo. É a partir desses estudos que Gilchrist resgata descreve os nove arquétipos e o que as mulheres podem aprender com cada uma dessas deusas ancestrais.

Vejo que a obra é estruturada em três grandes pontos: uma apresentação do processo de elaboração do livro, que também explica de onde vem essa cultura dos círculos de mulheres; uma segunda - e maior part - com capítulos dedicados aos arquétipos propriamente ditos; e a terceira, trazendo uma conclusão e as notas explicativas daquilo que fora apresentado ao longo da obra.

Minha gata, Camomila, e o livro "Os nove arquétipos da alma feminina", de Cherry Gilchrist
A Camomila mandou avisar que o livro é incrível! :)

Os nove arquétipos apresentados são: A Rainha da Terra, A Mãe Tecelã, A Senhora da Dança, A Rainha da Noite, A Mãe Justa, A Senhora do Lar, A Rainha da Beleza, A Grande Mãe e A Senhora da Luz. Além de trazer o histórico de cada deusa, a autora faz questão de cruzar informações das manifestações delas em outras culturas e como elas podem se mostrar presentes e ausentes no dia a dia feminino contemporâneo. Por vezes, Gilchrist relata exemplos pessoais de quando estava distante de um determinado arquétipo e do que fez para trazê-lo para o seu cotidiano. Isso é bacana, porque faz com que os leitores percebam como incorporar esses arquétipos na própria rotina. 

Cada capítulo desses termina levantando três aspectos fundamentais: a evolução da deusa, as manifestações da deusa e a visão da deusa tratada no capítulo. Esses pontos trazem um didatismo à obra que é fundamental para que leitores e leitoras sistematizem o que aprenderam sobre aquele arquétipo.

Gostei bastante do tom usado na escrita (e na tradução) do livro e nas propostas de trazer a ludicidade para poder lidar com todas as demandas da vida. Como leitora, fiquei pensando em algumas atividades que deixei de fazer ao longo dos anos ― conforme a vida adulta falou mais alto. Um exemplo prático é a dança. O quanto me afastei disso? Acredito que o livro é muito interessante nesse sentido também: ele nos faz um convite para uma autorreflexão. Tem coisa melhor?

Capa do livro Os Nove Arquétipos da Alma Feminina, de Cherry Gilchrist
Capa


Livro: Os nove arquétipos da alma feminina: círculos de mulheres e a jornada de autoconhecimento para despertar o feminino divino interior
Título original: Circle of nine: an archetypal journey to awaken the divine feminine within
Autora: Cherry Gilchrist
Tradução: Marcelo Brandão Cipolla
Páginas: 264
Editora: Pensamento
Apresentação: Em Os Nove Arquétipos da Alma Feminina, Cherry Gilchrist, mostra às leitoras como se reconectar com aquela energia divina e intuitiva que possuem, a fim de descobrir um novo equilíbrio e dar novo sentido à sua vida. A autora apresenta nove arquétipos que representam aspectos diferentes, mas igualmente importantes, do sagrado feminino. Ao partir de perspectivas e pesquisas históricas de seu trabalho e de observações contemporâneas, Cherry Gilchrist apresenta uma mitologia que explora a psicologia da mulher moderna de forma contundente, profunda e prática. Um guia útil para trazer aos dias de hoje a sabedoria ancestral dos círculos de mulheres que havia na Antiguidade. 

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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

20 blogs para ler e seguir no dia do blog

segunda-feira, agosto 31, 2020 8
Foto por Domenico Loia, via Unsplash.


Chegamos ao fim de agosto e a uma data muito especial: o dia do blog! E como acontece em todos os anos, eu quero conversar um pouquinho com vocês e, claro, indicar alguns blogs que leio e amo! 

Já conversamos algumas vezes sobre ter um blog e o quanto essa atividade me permite estabelecer conexões que eu nunca esperei que fossem acontecer. É muito bacana olhar as estatísticas do Algumas Observações e perceber que tenho leitores na outra ponta do planeta! Fora as amizades feitas! :) 

Mapa com a localização dos principais locais dos visitantes do Algumas Observações nos últimos anos.
Mapa com a localização dos principais locais dos visitantes do Algumas Observações nos últimos anos.


Muito obrigada

Feliz dia do blog!


Eu só posso agradecer a todos que me acompanham tanto aqui, quanto nas redes sociais, que gostam dos textos que escrevo e do conteúdo que eu compartilho. É muito importante para mim tê-los aqui. A cada visita, vocês me alimentam com uma dose de esperança! Também posso dizer que é muito fundamental poder trocar ideias nos comentários e aprender com as opiniões e vivências de cada um de vocês! Seguimos juntos! 💚😉


Blogs para ler e seguir no Dia do Blog

Separei aqui 20 blogs para vocês visitarem no dia do blog, mas recomendo vocês darem uma olhada no meu Blogroll. Lá estão listados todos os sites que leio com frequência e amo. 💚 A lista abaixo está em ordem alfabética e apresenta blogs que falam sobre estilo de vida, literatura, fotografia e tudo aquilo que me inspira. Vamos lá?!

Lista com 20 blogs para o dia do blog.
20 blogs para o dia do blog.


Espero que vocês tenham um feliz dia do blog! :)
Beijos e queijos cheios de amor :*

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sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Retrô mensal #2: agosto/2020 — #SextadoBlog 04

sexta-feira, agosto 28, 2020 6
Foto da vista do avião em algum lugar entre São Paulo e Buenos Aires.
Saudades de voar, né, minha filha? (Foto de março desse ano).


Agosto passou tão rápido que a sensação que eu tenho é que foi ontem que escrevi a retrô de julho. Minha ideia principal é fazer com que esse post de retrospectiva seja o último do mês, entretanto, dia 31 de agosto é dia do blog e, como diz a tradição da data, terei um post voltado especificamente para isso, na segunda. #FiqueLigado.

Fim de mês

Acho que chego ao fim de agosto um tanto mais esperançosa. Além da chegada de dias mais ensolarados ― que me deixam com o humor MUITO melhor ―, vejo que a questão toda da pandemia/quarentena começa a dar um ar de respiro (aqui em São Paulo o número de mortes/casos tem diminuído). Acho que a quantidade de tempo fechada em casa agora será menor do que a quantidade de tempo que já vivi em quarentena. Pensar assim me traz muita esperança. 🍀

Profissionalmente, agosto foi um mês e tanto! Entreguei a leitura crítica de um projeto de poesia que vai ser lindo, lindo e uma outra leitura de uma novela. Estou no aguardo do curso que estou revisando para mais uma etapa desse processo. Fiz uma live e um encontro fechado sobre as crônicas da Clarice Lispector. Planejei muita coisa que acontecerá daqui para dezembro.

Livro A Intermitência das Coisas, de Fernanda Rodrigues
Para adquirir o seu exemplar autografado do meu livro, acesse a loja aqui.


#Retrô de boa

  • Vendi livros!
  • Terminei o mês com o meu emocional um pouco mais equilibrado;
  • Fiz uma aula de escrita com um professor argentino;
  • Fotografei as gatas um tantão;
  • Terminei de ler o Quincas Borba (uma leitura que vinha de muito tempo, porque estava lendo com os meus alunos);
  • Aumentei o meu tempo semanal de leitura;
  • Aumentei a quantidade de postagens no blog (de 2 para 3 vezes por semana);
  • Enviei a neswletter mensal (para receber a de setembro, inscreva-se);
  • Fiz live no Instagram (você pode assistir no IGTV ou no YouTube);
  • Organizei o meu ciclo de estudos;
  • Fiz o curso de revisão de textos literário, do Ronald Monteiro (da UFRRJ);
  • Me inscrevi no Clipe Online, da Casa das Rosas;
  • Planejei um projeto que vai acontecer (em breve novidades);
  • Escrevi um texto para o livro novo (antes um do que nenhum);
  • Participei da #SextadoBlog ― projeto criado pelo criado pelo Adriel
  • Teve trabalho!
Minhas gatas: Camomila e Poesia
Camomila e Poesia.


#Retrô para melhorar

  • Implementar o meu ciclo de estudos;
  • Regular o meu sono;
  • Voltar a trabalhar no meu livro novo;
  • Dar continuidade nos cursos online (marketing digital e narrativas de viagem);
  • Continuar com o emocional equilibrado;
  • Voltar com os vídeos do canal (esse mês, só postei o da live, mesmo).
Eu lendo o Quincas Borba (do Machado de Assis), com a Poesia no meu colo.


Eu fiquei muito feliz de ter feito o ciclo de estudos (quem quiser saber mais sobre isso, recomendo uma visita no conteúdo da Thais Godinho, do Vida Organizada). Como elaborei o ciclo agora no fim do mês, ainda não consegui implementá-lo como gostaria. Setembro será o mês disso. Também preciso regular melhor o meu sono (ainda não encontrei um jeito bom, mas seguimos na luta).

O que teve no Algumas Observações em agosto


Setembro traz a primavera, muita chuva e o meu aniversário. Estou feliz por ver que cheguei até aqui; mas, sobretudo, sobre o como cheguei até aqui. Fazia um tempo que eu não me sentia orgulhosa de quem sou. Talvez esse seja o lado bom de ter passado tanto tempo comigo mesma: reconhecer aquilo que só eu posso reconhecer sobre mim mesma.

Espero que você tenha um setembro incrível e cheio de amor!
Beijos, queijos e continuem em casa se puderem :*

Leia os outros posts da retrô mensal: 



Sexta do Blog
Este texto faz parte de uma blogagem coletiva. Veja abaixo os outros blogs participantes:


Caso você queira ler os outros posts  que eu escrevi na #SextadoBlog, acesse: 
♡ 01 ♡ 02 ♡ 03 ♡
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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

{Diário de gateira} As gatas e a quarentena

quarta-feira, agosto 26, 2020 9
Poesia e Camomila.

Faz tempo que eu não conto como anda a minha vida de gateira, então resolvi escrever esse post para falar um pouco como estão as coisas.

A última vez que escrevi o meu diário de gateira foi no ano passado (eita!), contando da adoção da Camomila. Sendo assim, deixe aí nos comentário se você quer saber mais de como foi a adaptação dela no último ano.

Minha gata, Camomila, deitada na caminha, encarando a câmera.
Camomila toda observadora.


Minha gata, Poesia, na janela.
A Poesia ama se pendurar assim e cadeiras e grades da janela.


Desde que a quarentena começou, a rotina aqui de casa mudou bastante, várias vezes. Dentre essas mudanças, eu migrei em definitivo para o home office, o que ampliou em sua totalidade o tempo que eu vivo com as gatas.

Minhas gatas, Poesia e Camomila em busca de um solzinho.

Minhas gatas, Poesia e Camomila em busca de um solzinho.
Poesia e Camomila em busca de um solzinho.


É interessante notar como somos parecidas. Detestamos o frio, amamos o sol, pipoca (elas gostam de brincar com a pipoca, não comem!), dormir e ficar juntinho. A Camomila aprendeu a gostar de petisco e agora sempre fica perto do armário antes de dormir. A Poesia tem curtido ficar no colo de novo e agora pede tapinha no bumbum. 

Poesia no meu colo, enquanto eu me preparava para retomar a leitura do Quincas Borba.
Poesia no meu colo, enquanto eu me preparava para retomar a leitura do Quincas Borba.


Estar ao lado delas tem sido o lado bom dessa quarentena. É legal demais vê-las crescendo, se desenvolvendo e aprontando todas! hehehe (Lembrando que vocês podem segui-las no Instagram, clicando aqui).

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Para ler os outros posts do Diário de Gateira, acesse:
01 😻 02 😻  03 😻 04 😻 05


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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Vivência

segunda-feira, agosto 24, 2020 6

Estar
no aqui, no agora
sempre presente
com os pés no chão.

Estar 
no passado, no futuro
sempre sonhando
com o coração nas alturas.

Estar
ser.

Ser em totalidade,
ser em potência.

Acontecendo,
crescendo,
respirando.

Sigo,
focando
em busca do que 
é meu.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Wishlist de aniversário notável — #SextadoBlog 03

sexta-feira, agosto 21, 2020 9
Wishlist de aniversário notável (pacotes de presente e flores roxas)
Rumo aos 34!

Eis que já falta menos de um mês para o aniversário notável! Yay!🎉Confesso que ando um pouco desanimada para comemorações, porque eu não vou conseguir fazer como eu planejei no começo do ano. Entretanto, quero ver se eu tiro o dia de folga (vai cair numa terça-feira) e se fico tranquila. 

Pela primeira vez eu desativei o aviso do Facebook (tenho conta lá há mais de 10 anos!). Ano passado eu estava tão aborrecida no meu aniversário que acabei não respondendo individualmente, então, não quero ser rude este ano de novo.

Essa quarentena tem me deixado com dificuldade de criar e, sobretudo, de planejar novos passos. Não quero deixar de fazer planos (porque me sinto meio morta por isso), mas também é complicado pensar muito para frente. Saco de pandemia!

Pensando no agora, estou fazendo uma grande organização na minha vida (eu comentei isso na retrô mensal de julho), o que me levou a pensar no que eu quero (em todas as áreas), o que me traz a essa lista de desejo de aniversário. Tandaaaaaaaaaaaan! 🎁

Dividi a lista em três partes, porque elas são bem específicas. Clicando nos nomes dos itens, você pode ter mais detalhes de casa desejo da lista.

Wishlist de livros

Capas dos livros que estão na minha wishlist de aniversário.
Clique nos títulos dos livros da lista abaixo, para ter mais informações sobre eles.

Ultimamente eu ando numa vontade de desvendar mais e mais da vida da Clarice Lispector; saber mais sobre criatividade, escrita e organização. Sendo assim, meus desejos livrescos são os seguintes:


Wishlist papelaria, lazer e criatividade

Clique nos nomes dos itens abaixo, para ter mais informações sobre eles.

Algumas aleatoriedades de itens que preciso ou que vi na internet e amei ou de carinho com quem precisa. 

Teeny wishlist

Wishlist dos fãs de Friends e de Backstreet Boys.
Clique nos nomes dos itens abaixo, para ter mais informações sobre eles.

Porque meu lado de fã grita. aushuahsuha

Na segunda quinzena de setembro eu conto para vocês se ganhei algum desses presentes notáveis! ;)
E vocês, o que colocariam na sua wishlist?!


Sexta do Blog
Este texto faz parte de uma blogagem coletiva. Veja abaixo os outros blogs participantes:


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01 ♡ 02 ♡

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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Você já defendeu o livro hoje?

segunda-feira, agosto 17, 2020 11
#DefendaoLivro!

Quero começar o post de hoje com algumas perguntas:
  • Na sua escola (ou nas escolas em que você estudou) havia uma biblioteca organizada e acessível? Nela chegavam os últimos lançamentos literários e científicos?
  • Na sua cidade há bibliotecas públicas? Nessas bibliotecas há livros novos nos catálogos?
  • Você já deixou de comprar algum livro por causa do preço dele? Ficou namorando um tempão, esperando por promoções na Amazon ou pela Black Friday para comprar algum título (seja ele para lazer ou para estudo)?
  • Você conhece alguém que não diz que não gosta de ler, justamente porque nunca teve acesso decente à leitura?
Acredito que, se você respondeu "sim" a pelos menos uma dessas perguntas, você sabe o quanto os livros são fundamentais na formação da nossa sociedade, certo?! Então, vem aqui que eu quero te contar o que anda rolando.

Defenda o livro (ilustração dos livros protestando contra a tributação proposta pela reforma tributária)
Você já defendeu o livro hoje?! (Imagem por Companhia das Letras)

O que tem que acontecer?

Quem tem acompanhado a política brasileira sabe que estamos passando por um período de reformas. Primeiro foi a da previdência, agora estão em pauta a fiscal e a que vai rever os cargos públicos. Muito tem sido discutido sobre todos esses assuntos e, independentemente de posicionamento ideológico (seja você de direita, de esquerda ou do centro), é fundamental que tentemos compreender as diversas propostas e os impactos positivos e negativos de cada uma delas.

A proposta de reforma fiscal traz uma reformulação na forma de arrecadação dos tributos. A ideia, pelo o que eu compreendi do que li e vi, é que o governo consiga arrecadar mais dinheiro para arcar com as contas públicas e, ao mesmo tempo, simplifique o modo de como essa taxação é feita (vale lembrar que a tributação é complexa para brasileiros e estrangeiros que querem investir aqui). 

Até aqui, tudo lindo, certo? Certo. O ponto é que a proposta apresentada quer incluir nessa tributação os livros. Não entendeu? Continue lendo. 

O que está de fato acontecendo?

A proposta entregue quer criar uma taxação única para produtos e serviços de 12%. Isso incluiria os livros, que até agora são isentos de tributação. O argumento dado pelo ministro da economia, Paulo Guedes, é que o livro é um produto consumido pela elite brasileira que pode pagar pelo produto e, consequentemente, por esse imposto. 

Essa isenção foi elaborada pelo Jorge Amado. Além de ser escritor, Amado foi parlamentar constituinte e criou essa proteção ao mercado livreiro (em 1946) como forma de democratizar a leitura. Isso se manteve na legislação e foi reforçada por outra lei (a nº 10.865, art. 28) estabelecida em 2004:

Print do artigo 28 da lei nº10.865 de 2004)
Para ler a lei nº10.865 completa, clique aqui.

Agora, se o livro deixar de ser isento, seu valor ficará muito mais caro para o consumidor (seja ele pessoa física, escolas ou bibliotecas), o que vai na total contramão da ideia de Jorge Amado de democratizar a leitura e o conhecimento literário e científico da população.

Trecho do Manifesto em Defesa do Livro
Trecho do Manifesto em Defesa do Livro. Para ler o texto completo, clique aqui.

Por que é absurdo?

Eu sei que algumas pessoas podem se perguntar: "mas Fê, o Paulo Guedes não disse que o governo vai ampliar o acesso de outros modos?" Sim, ele disse. Mas aí eu volto para as perguntas que abriram esse post. Na prática, a gente sabe que é difícil ter bibliotecas organizadas e livros baratos SEM a taxação, imagine com ela? Outro ponto a se pensar é que é obrigação do governo garantir acesso a educação e cultura com ou sem isenção dos livros. Então, não podemos perder um direito para ter acesso a outro. Isso não faz o menor sentido.

É importante pensar também que, uma vez aprovada essa medida, o governo passará a receber mais do que o próprio autor do livro. Por convenção, o escritor recebe até 10% do preço da capa; o governo ficaria com 12% do preço do livro. 

Caso o imposto passe, daria para manter o valor atual?

Talvez você esteja se perguntando se seria possível aumentar o valor recebido pelo autor ou manter o preço atual do livro caso essa proposta passe e haja mesmo com a taxação. A questão é que os outros 90% não ficam todos com a editora. Eles são usados para pagar o editor, o revisor, o capista, a gráfica, o transporte, a distribuição, os profissionais do marketing que criam o material de divulgação, os brindes para os leitores... Só uma pequena parte do valor de capa fica com a editora. E aqui vale uma nota importante: o papel do livro impresso é comprado em dólar e, com essa alta, fica ainda mais difícil baratear a produção.

Subir o preço do livro é dificultar ainda mais o acesso de quem tem pouca renda e não garantir o direito constitucional de educação e lazer que cabe a todos nós.

Como ajudar?

Se posicionando! Leitores, escritores, editoras, livreiros, bibliotecários e todos que amam o livro estão debatendo o assunto de forma a: 1. fazer com que o governo não taxe os livros; 2. discutir outras alternativas que resolvam o problema da arrecadação tributária.


Imagens por Companhia das Letras.


Você pode ler o manifesto escrito em defesa do livro, clicando aqui. Você pode assinar a petição em defesa da isenção do livro, clicando aqui. Aproveite para compartilhar o link da petição com seus amigos e familiares. Bora ampliar esse debate?

Conto com a ajuda de todos vocês! #defendaolivro
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Algumas Observações | Ano 14 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.