sábado, 6 de junho de 2026

6 on 6: trilha de cor: laranja

sábado, junho 06, 2026 0



Maio chegou trazendo mais um tema fotográfico, a cor laranja. O que a trilha de cor azul teve de fácil, a laranja teve de difícil e complicada. De todos os temas que fizemos, este foi o que mais me deu trabalho. Como não sou uma pessoa de ter muitas coisas laranjas ao meu redor, comecei a procurar tal cor pelo meu caminho. Aí que veio a encrenca. No meu olhar míope, ou as coisas eram vermelhas, ou eram marrons. Nunca cor de laranja. Quanto mais procurava, menos encontrava. Bateu o desespero sim e com certeza. Enfim, vamos às fotos:

Três incógnitas


Enigma.

A primeira foto que fiz foi esta. Assim como a vegetação do tema Linhas, estas plantas moram no parque em que faço minhas aulas de dança. Era sexta de manhã, estava frio e não fazia (e ainda não faço) ideia de como esta planta se chama, muito menos se essa cor é vermelha, marrom ou laranja. Digam-me aí nos comentários se acertei na foto ou se roubei no tema.

Florezinhas incertas

Na sexta à tarde, no caminho para a aula de canto, sempre passo por um colégio cujo o muro é coberto por esta outra planta. Mais uma das que também não sei o nome. Mais uma que eu olhei e pensei: isso é laranja ou vermelho? O que posso dizer com certeza é que ela forma pequenos buquês como este da foto, e que eles ficam lindos sob a garoa fina que tem feito nos dias frios de outono.


Meio cantora, meio Jasmine.

Um pouco mais tarde, já no meio da aula de canto, olhei para o chão e me lembrei da história do Aladdin. O tapete tem os quadrados alaranjados, já a minha garrafa de água, a cor da roupa da Jasmine. A bateria deu um toque de Gênio da Lâmpada; que, lembremos, também é meio azulado. Foto nada artística, com zero enquadramento, mas que conta como laranja, não conta?

Três certezas

Infância.

Na volta da aula de canto, passei algumas vezes por alguns desses brinquedos públicos. A prefeitura de São Paulo tem colocado vários deles em diversas praças (ano de eleição tem dessas reformas de última hora). Olhando de longe, é muito bonito. Chegando mais perto, dá para ver que alguém já foi lá rabiscá-lo (dá para ver justamente na parte laranja dele). É uma pena. Enquanto desmontarem a Educação, não adianta trocar o patrimônio público esperando perfeição, porque isso vai continuar acontecendo. Só há valorização quando se compreende verdadeiramente a importância disso. Sem educação de qualidade, fica difícil chegar a esse entendimento sozinho.

Gatinha.

Se há uma certeza é que, ao chegar em casa, encontrarei dona Camomila enrolada — tal qual o recheio de um bolo — na sua cobertinha laranja. Ela não só ama essa coberta, mas também tem ciúmes dela. Talvez esse seja o único motivo pelo qual ela bata na Poesia vez ou outra: quando a Popô quer roubar o lugar dela na cobertinha laranja. Diva que é diva tem que defender o seu espaço, não é mesmo?




Por fim, mas não menos importante, um dos meus livros preferidos da vida é este laranjão. Esta foi a primeira foto que pensei em fazer e, no fim, foi a última a ser produzida. Leminski e seu bigode, sua poesia. Leminski sendo ele mesmo e escrevendo sobre alfabetos e girafas. Tem como não amar? 

Enfim, este foi o meu 6 on 6 de maio: no meio fio entre a concretude e a incerteza, bailando pela vida. Espero que vocês tenham gostado. 😉

📷📷📷

Equipamentos usado no post:

Todas as fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:

Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: Reticências, Sweet Luly, Inventando assunto, Camila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷 02 📷 03 📷 04 📷

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domingo, 31 de maio de 2026

Desconexo

domingo, maio 31, 2026 3


*Texto escrito em abril de 2022.

Sempre que algo importante está para acontecer, eu sonho comigo andando por aqueles corredores, naquele banheiro, naquelas salas de aula. Sempre que algo importante está para acontecer, eu volto à escola em que estudei por aqueles anos mais bonitos da minha infância.

Talvez aquela escola seja o meu forte, meu porto seguro, o lugar onde fui feliz sem saber que aquilo era felicidade. O local onde eu gostaria que todos estivessem lá comigo. Talvez eu só esteja sendo nostálgica, mesmo. Isso — ser nostálgica — é algo da minha natureza, sempre foi.

Estava no banheiro, falando com alguma amiga — qual delas, meu Deus?! — sobre o meu desejo de parar de usar sutiã e a necessidade de naturalizar o “farol aceso”. Trocava de roupa. Colocava uma regata de alça finininha. A blusa era amarela. A alça do sutiã, azul marinho. Dispensava o sutiã e me sentia dona de mim. Aquele era só um corpo. Aqueles eram só mamilos embaixo de uma blusa. Me sentia poderosa, porque estava livre. Algo de grandioso aconteceria ao sair dali. Algo profundo.

Acordei com dor de cabeça, sentindo as têmperas latejarem. Ainda há guerras e dores no mundo. Ainda há pandemias e lockdown. Ainda há mortes. Minha cabeça lateja em um dia de terapia, aulas e lives. Três semanas do ano já se foram. Algo de grandioso está chegando. Algo incrível.

Abro o YouTube, vejo a Patti Smith lendo trechos de Só Garotos e de O ano do Macaco. Ela não desiste e me ensina a não desistir também. People have the power, because the night belongs to us. O mundo há de dar certo. Pulo para o Chico Buarque e tento respirar enquanto tomo um gole do chá de boldo que fiz antes de apertar o play nesses vídeos todos. São mais 11 horas, “deveria estar trabalhando”. Deveria tantas coisas. Queria ser muitas, sou uma só. Algo de grandioso acontece. Algo magnífico.

Sinto saudades. Sinto vontade de falar do dia a dia. Sinto vontade de dizer que “sim, eu gosto pra caralho de você”. Sinto demais, tenho coração de poeta. Não sei fazer prosa, não sei fazer dramaturgia. O diálogo é sempre tenso. Eu sinto muito. 

Sinto demais, sinto demais, sinto demais. Algo de grandioso bate à porta. Algo maravilhoso. Você estará aqui para pegar na minha mão?
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domingo, 24 de maio de 2026

Negativo

domingo, maio 24, 2026 2
Imagem por Markus Spiske, via Pexels.

não temos fotos.
o duende levou consigo o registro mágico do Natal.

não há memórias.
as doçuras foram levadas pela tempestade de verão.

não há amor.
como explicar a ilusão do que aconteceu,
quando o sentimento não era recíproco?

não há saudade.
como entender o que está acontecendo agora,
com uma comunicação inexistente?

em um tempo em suspenso,
o relicário segue pendurado no pescoço:

nele há dois lados que seguem vazios.
 
provavelmente nunca mais serão preenchidos.

💔📷💚

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de maio de 2026 é relicário.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

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domingo, 17 de maio de 2026

Como trazer uma língua estrangeira para a nossa rotina

domingo, maio 17, 2026 8
Você tem dificuldade para estuda uma língua estrangeira? Vem que este post é para te ajudar!

Sou professora de inglês desde 2009. Além desse idioma, também tenho nível avançado no espanhol. Então, tanto amigos quanto alunos me perguntam como estudar quando falta tempo e, principalmente, quando falta energia para sentar, abrir um livro ou um caderno e fazer uma sessão focada de estudos.

O que eu sempre digo é que quanto mais a gente aumenta o nosso tempo em contato com a língua estudada, mais fácil vai ficando. Sendo assim, o que trago aqui são estratégias para aumentar o tempo de contato com a língua que se está aprendendo. As estratégias listadas servem para quaisquer línguas e exigem poucos recursos (livros, cadernos, conexão com a internet).

A lista está dividida por nível da sua energia: coisas para você fazer quando estiver sem disposição, normal/ok, com disposição. A ideia é que você possa trazer a língua estrangeira para o seu dia a dia, mesmo quando não estiver tão a fim de estudar. Entretanto, já deixo a ressalva: nada como aprender com a mente descansada. Se você puder descansar, faça isso. 😉

Foto de Tim Gouw, via Unsplash.

Baixo nível de energia:

  1. No caminho para o trabalho ou para casa você pode nomear cada cor ou cada nome de lugar por onde passar na língua de estudo;
  2. Enquanto malha, você pode contar as suas repetições na língua de estudo;
  3. Nos seus momentos rolando nas redes sociais, você pode escrever um comentário para um produtor de conteúdo nativo;
  4. Enquanto cozinha, você pode colocar um programa de culinária na língua que está aprendendo e deixar tocando de fundo. (Quem é a Ana Maria do país que fala a língua que você está aprendendo?)
  5. Ao mesmo tempo em que você lava a louça, você pode dizer os nomes dos utensílios de cozinha e dos ingredientes usados na refeição que acabou em voz alta;
  6. Ao assistir filmes e séries, coloque a legenda no idioma estudado (mesmo que seja uma série ou um filme brasileiros, coloque a legenda em língua estrangeira!);
  7. Enquanto toma banho, coloque um podcast ou um audiolivro para tocar;
  8. Ao mesmo tempo em que escova os dentes, faça uma contagem regressiva na língua aprendida;
  9. Quando você tentar focar, faça uma meditação guiada na língua que você está estudando.
  10. Configure os seus equipamentos (computador, tablet, celular, TV etc.) para a língua que você está aprendendo.

Imagem via BrasilcomS.

Nível médio de energia:

  1. Se grave falando na língua estudada. Você pode falar como foi o seu dia, contar aquela história famosa que todo mundo conhece na sua família ou explicar qual é a sua profissão e os detalhes da sua rotina de trabalho;
  2. Faça exercícios de um livro de estudo ou de uma gramática;
  3. Escreva o seu planejamento diário ou semanal na língua estudada;
  4. Escreva a sua lista de compras do dia a dia ou a sua lista de desejos na língua que você está aprendendo;
  5. Crie uma lista ou um caderno só para estudo de vocabulário;
  6. Assista a vídeos na língua estudada e anote as palavras que você não conhecia ou não entendeu na sua lista ou no seu caderno de vocabulário;
  7. Grave um recado na língua estudada para você ver/ouvir no dia seguinte;
  8. Escreva um diário na língua estudada;
  9. Faça etiquetas com os nomes dos objetos / móveis na língua que você está aprendendo e cole nele;
  10. Leia um livro na língua alvo de estudo;
  11. Escolha uma música e cante-a lendo a letra ao mesmo tempo;
Foto de Unseen Studio, via Unsplash.

Alto nível de energia (ideal para longas sessões de estudo):

  1. Escolha um vídeo. Assista uma vez. Depois coloque o mesmo vídeo novamente. Dê pausa entre as falas. A cada pausa, repita o que foi dito;
  2. Faça o exercício de shadowing: coloque um vídeo e fale ao mesmo tempo que a pessoa. Repita várias vezes;
  3. Veja um vídeo na língua estudada sem legendas;
  4. Escolha um vídeo ou um podcast e escreva de 5 a 10 frases sobre o que você aprendeu com ele;
  5. Escolha uma palavra do seu caderno ou da sua lista de vocabulário. Escreva de 5 a 10 frases colocando-a no contexto do seu dia a dia, da sua rotina;
  6. Escreva um texto com o tópico gramatical que você está estudando;
  7. Leia um texto em voz alta. Se grave lendo. Ouça a gravação e corrija possíveis erros de pronúncia;
  8. Leia um artigo ou um capítulo de um livro em inglês. Usando uma cor, destaque as palavras que você não conhece. Usando outra cor, destaque as palavras-chaves do texto. Procure o significado delas no dicionário (há bons dicionários online);
  9. Faça um resumo do que você leu/assistiu/ouviu na língua estudada;
  10. Escreva uma carta para o seu eu do futuro. Escolha uma data para abri-la (último dia do ano, seu próximo aniversário etc.).
  11. Se cadastrar no site do postcrossing, escolher um endereço de destino na língua estrangeira e enviar um cartão postal físico pelo correio.
Foto de Becky Phan, via Unsplash.

Lembrando que:

Essas sugestões não substituem a aula com o professor, elas servem como complemento. No meu caso de professora, eu gosto quando os meus alunos implementam essas dicas, porque eles fazem aulas comigo apenas uma vez por semana e este é um jeito que eles encontram de seguir praticando. Já como estudante, faço isso tanto para as línguas que já sei (inglês e espanhol), quanto para as que quero aprender (alemão e italiano).

Outro lembrete importante é que tudo isso (e o que vou dizer vale para qualquer aprendizado) deve ser divertido. Pense nos seus piores momentos da escola e você vai ver que você não aprendeu (no máximo, memorizou). Isso porque é muito mais difícil aprender quando a gente considera algo chato. Tornar o aprendizado divertido é meio caminho andado para conseguir apreender e colocar a língua estudada em prática com confiança.

Agora me conte: o que você pretende implementar na sua rotina de estudos?
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domingo, 10 de maio de 2026

O amor é uma K-46

domingo, maio 10, 2026 7

*Texto escrito em 2019.


Definir o amor como uma arma é tão comum que a expressão, antes poética, agora não passa de um mero clichê. Mas o que não é um clichê, se não uma imagem que faz com que a gente a use até gastá-la, de tanto que se identifica com ela?

Essa semana, fui almoçar com uma das professoras que trabalha comigo. Quando a encontrei, ela estava pálida, tremendo mais que vara verde. Via em seu rosto que ela buscava uma forma de me explicar o que se passava, mas ela mesma estava tão passada que não conseguia encontrar as palavras. Passava o celular de uma mão a outra, tentava tirar o cabelo do rosto, enquanto caminhava rápido. Quando finalmente nos distanciamos do colégio, ela soltou em um atropelo:

— A Vânia disse que quer que o José morra, você acredita? Quando eu perguntei o porquê, ela respondeu que é porque ele é diferente, porque ele tem dois pais.

Senti o ar entrando em meus pulmões, mas não consegui fazer os meus neurônios se articularem. Como assim, uma aluna minha, uma criança de oito anos sendo tão homofóbica? Como pode uma criança desejar a morte de outra tão gratuitamente? Na hora, a imagem que veio na minha cabeça foi a de todos os meus amigos gays, lésbicas e bis, o quanto eles são maravilhosos, o quanto eles não deveriam sofrer por apenas existirem. Como o amor alheio pode incomodar tanto?

— Eu perguntei para a Vânia se ela acreditava de verdade nisso que dizia — completou a minha amiga — ela respondeu que não. Tenho certeza que isso é coisa que deve ter ouvido dos pais.

Coisa dos pais. Meu sangue ferveu na hora que concluímos isso. Adultos semeando o preconceito em pessoas tão pequenas. “Ninguém nasce odiando”, já diria o Mandela. Ninguém nasce odiando, mas aprende com os pais, com a sociedade, em todos os lugares. Isso é desesperador e pensar em tudo o que o pequeno José pode ter sentido ao ouvir um absurdo desses me deixou profundamente abalada.

Li que algum desses escritores famosos disse que um bom autor não pode escrever com raiva, porque assim o texto não fica bom. Fico me perguntando como escrever sobre ver outras pessoas sendo massacradas apenas por existirem sem ter sangue nos olhos. Sem sentir esta fúria que cresce em mim. Como amar em tempos de ódio?

Hoje eu acordei com a notícia que o prefeito do Rio de Janeiro mandou apreender uma HQ da Marvel que estava sendo vendida na Bienal Internacional carioca, porque em um dos quadrinhos, dois personagens homens se beijam. Segundo ele, esse material continha “conteúdo pornográfico”. Pleno 2019, e eu tendo que lidar com censura no Brasil. Mais uma vez meu o sangue ferveu.

Como escritora (e tendo amigos que também o são), quero poder escrever sobre o que eu quiser. Quero que os meus leitores possam ler o que eles quiserem. Quero que meus amigos e desconhecidos possam existir. Sem represálias, sem medo, com o direito de amar quem eles quiserem. Quero que as pessoas vivam à base do amor. Por isso escrevo esta crônica. Porque preciso me juntar a todos que acreditam que compartilhar bons sentimentos é válido e ir à luta.

Vamos produzir, sim. Vamos consumir, sim. Vamos amar. O amor é o nosso combustível e a nossa arma. Ele é a nossa K-46. Por mais que dizer isso soe o maior clichê dos clichês, é amando que venceremos todo esse preconceito.
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quarta-feira, 6 de maio de 2026

6 on 6: linhas

quarta-feira, maio 06, 2026 16


Ao longo do mês de abril, nosso grupo do 6 on 6 foi atrás das linhas. Linhas que (nos) sustentam, linhas que se cruzam, linhas que levam a lugares nos juntando ou nos separando de quem amamos (ou odiamos, vai saber?). 

Sendo assim, eu trouxe seis visões das minhas linhas queridas. 

Aula de canto. 

Lousa da aula de canto. Cantar (certo) tem sido uma descoberta e um desafio. É muito legal aprender novas habilidades e, ao mesmo tempo, tem sido muito difícil. A parte teórica é muito complicada pro meu cérebro abstrato. Neste dia, a professora explicou algumas coisas sobre escala e clave de Sol.


🎶All my troubles seemed so far away🎵

Estamos ensaiando três músicas. Uma delas é Yesterday, dos Beatles. A professora toca no piano, e nós todos cantamos. É difícil soar bem, mas sigo. Na foto, as linhas do teclado e da partitura da música.


Linhas no parque.

Amo o fato de fazer aula de dança dentro de um parque. Adoro poder ver as árvores e respirar um pouco de ar puro. 

Pau Brasil.

Lá no parque tem esse jovem Pau Brasil. Sempre que eu vejo uma árvore dessa espécie, fico feliz. É algo que não é tão comum; mas, pra mim, é um símbolo de resistência. Nós ainda existimos, apesar de tanta pressão, de tanta destruição, continuamos aqui. 

Camomila ao sol de outono.

Sempre que as pessoas me perguntam como diferenciar a Poesia da Camomila, eu digo que a Poesia é a minha onça (ela não tem listras, mas manchas na pelagem). Já a Cacá é a minha tigresa, cheia de listras. Acho bonito como a pelagem dela é cheia de linhas bem definidas. Camomila é uma gata elegante, que ama sol e não se submete ao que os outros querem. Aprendo demais com ela.

Manta do Clima.

Fiz um monte de fotos da minha manta do clima, porque quero fazer um post sobre ela aqui no blog e um vídeo lá no canal, mostrando o resultado final depois que a terminei. Quem quiser ver mais e saber mais de como foi o processo de tecitura, pode ver a playlist lá no canal.

Estas foram as minhas linhas. O que você fotografaria?

📷📷📷

Equipamentos usado no post:

Todas as fotos deste post foram feitas com o celular, exceto as duas últimas (da Camomila e da manta), que foram feitas com a minha Nikon D3100.

Mais 6 on 6:

Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: ReticênciasSweet LulyInventando assuntoCamila por aí e Adriel Christian.

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01 📷 02 📷 03

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domingo, 26 de abril de 2026

Como uma playlist de música ruim no repeat

domingo, abril 26, 2026 12

— Foi só uma vez. Eu não tive escolha.

Alexandre me olha parado na porta daquele que até ontem foi o nosso quarto, com os lábios secos e os olhos úmidos. Ele espera por uma resposta. Mais uma resposta. E quanto mais ele espera, mais em silêncio eu fico. Estou sentada de costas para ele. Olho pela janela e vejo o céu azul, com suas pequenas nuvens brancas que prenunciam o fim do verão. Ele continua esperando, como se a vida dele dependesse da minha voz enchendo os seus ouvidos, o quarto, a casa. Persisto muda. É como se não houvesse ar capaz de encher os meus pulmões e de fazer as minhas cordas vocais vibrarem para emitir quaisquer sons. Meu corpo segue inerte.

— Fala alguma coisa... Você sabe que eu sou assim mesmo, mas sabe que eu te amo, não sabe?

Não. Eu sei que tudo isso não é amor, mas resolvo deixar que o silêncio continue falando por si só. Agora eu não me importo mais. Por tantas outras vezes, eu já havia gritado, chorado, jogado o que tinha ao alcance das mãos nas paredes, agora eu não tenho mais forças para argumentar. Estou esgotada até mesmo para rebater o “só uma vez”. Primeiro que não era “só”; segundo que era recorrente. As cenas das descobertas tiveram as suas nuances, é verdade, mas eram recorrentes. O mesmo modus operandi tanto nas merdas, quanto nas súplicas por perdão. Depois de três vezes, já dá pra pedir música no Fantástico, não é mesmo?

— Por Deus, amor, fala alguma coisa... Você sabe que eu sou assim mesmo; mas, que se eu não te contei, fiz isso por você, pra você não ficar chateada, triste e raivosa como está agora. Eu sou homem, tenho os meus instintos. Você sabe, todo homem faz isso, não sabe? Anda logo, me perdoa! 

Respiro fundo e me viro para ele. Alexandre continua tão bonito como quando nos conhecemos. Apesar da estatura mediana, sua voz envolvente, seu olhar profundo, suas tatuagens e as covinhas nas bochechas continuam ali. Ele continua ali. Inteiro e ao alcance das minhas mãos. Como pode a tentação que liberta o desejo despertar também tanta dor? Enquanto o meu corpo quer ter o dele, minha cabeça e meu coração me guiam por outro caminho: saio de perto da janela, levanto aquela que era a nossa cama box e abro o baú em silêncio. Pela visão periférica, noto que ele parece confuso, mas sigo firme. Tiro a mala de viagem há tempos guardada, coloco-a sobre o colchão, abro o armário sem dizer uma única palavra. Então, começo a pegar a parte que me cabe do nosso agora ex-pequeno latifúndio.

— Amor, você tá louca? Pelo amor de Deus, isso foi só um deslize, algo pequeno, da minha natureza. Você já me perdoou tantas vezes, não custa fazer isso mais uma? Eu prometo que isso não vai se repetir! Prometo! — Continuo impassível. Se alguém visse a cena pela janela, acharia que eu estou arrumando uma mala para uma viagem feliz de férias. Só quando Alexandre tenta tirar as peças já guardadas que eu o encaro:

— Você pode dizer o que for. — Minha voz soa tão calma, tão resignada, que até eu me surpreendo. — Eu vou pegar as minhas coisas e seguir a minha vida.

— Mas você não pode fazer isso! Você tem que me perdoar! O que as pessoas vão pensar de nós? De mim? Você não tem dó de mim, não?

— Alexandre, vai ficar tudo bem. Aliás, já está tudo bem. — Fecho a mala e a ponho no chão. — Quanto ao que vão dizer ou como você se sente, você deveria ter pensado nisso antes. Eu, honestamente, não me importo.

📻📻📻

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de abril de 2026 é a mentiras que contamos.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

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domingo, 19 de abril de 2026

Trazendo 2016 de volta

domingo, abril 19, 2026 11


Se você está em alguma rede social, sabe que 2016 voltou a ser tendência. A nostalgia nos atingiu em cheio e isso é fruto desses tempos de incerteza tão bélico e politicamente dividido. Sempre que a sociedade entra em caos, há um desejo de olhar para trás e encontrar alguma forma de aconchego.

Eu respondi a essa trend no meu Instagram, mas ao visitar o blog da Valéria, o Hey, I'm with the band, vi que ela levou as respostas pro blog dela e me deu vontade de fazer a mesma coisa por aqui. 


De um modo geral, eu penso em 2016 com muito carinho. Foi um ano em que eu conheci gente nova, amigos que estão comigo até hoje. Além disso, ganhei balões de aniversário pela primeira vez (a Bia é uma amiga que sempre me emociona), visitei os meus lugares preferidos da vida, viajei com uma das minhas melhores amigas, fui a shows, abracei o Nick Carter, fotografei muito e encontrei poesia pelo caminho.














A vida me abraçou em 2016.
Eu abraço a vida em 2026.


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domingo, 12 de abril de 2026

Ciclos se encerram

domingo, abril 12, 2026 9

sempre fui muito faladeira, mas é importante aprender os momentos de calar e ouvir. nessas horas, gosto de escutar em modo de mergulho. sigo como as ondas: para fora e para dentro.

ouço e revejo.

nenhuma situação volta à toa. 

padrões ressurgem para que a gente possa refletir sobre o nosso aprendizado. não quero ter as mesmas atitudes de antes. cansei.

estou exausta de dar murros em ponta de faca.

é importante assumir as próprias responsabilidades e estabelecer limites. é importante não ignorar a bússola interna.

escolher as próprias batalhas. só assim se pode lutar.
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segunda-feira, 6 de abril de 2026

6 on 6: comida

segunda-feira, abril 06, 2026 10
Março foi cheio de momentos saborosos! Vem conferir!


Março foi um mês em que eu compartilhei a mesa com muita gente querida. Eu amo esses momentos em que a comida não está apenas servindo de combustível para o corpo, mas também conectando as pessoas e nutrindo a alma. 

Nosso sextou!
Conheci a Bibla Livraria. Fui com o Dan para o lançamento do livro da Carolina Zuppo Abed. Lá, aproveitamos para jantar juntos. Não deu tempo para fotografar nosso jantar (a fome foi mais rápida que o clique), mas nesta foto está a sobremesa: uma torta de maçã deliciosa e, claro, café espresso (sim, café à noite, porque sou maluca, mesmo). Eu amo dividir esses momentos com o Dan (ele já apareceu em alguns vlogs, no meu canal), fora que o evento foi perfeito e o livro da Carol é bem bonito!

O livro se chama Reforma — um tríptico insone e saiu pela editora Urutau.


Mis amigos peruanos y yo.
Março também teve um almoço muito especial, recebendo os meus amigos peruanos, Anthony e Yoss, aqui em São Paulo. Como é possível ver, a mesa estava farta! 🤩 Depois deste almoço feliz, ainda fomos ao parque. Uma experiência ao ar livre, como pede o fim do verão em São Paulo. 


O que eu faço com esta vontade de ir ao Peru?
Anthony e Yoss me trouxeram estes docinhos do Peru, e eu AMEI! O de Maní parece um pé-de-moleque cremoso. Já o de coco, uma cocada cremosa. Uma delícia! Se vocês tiverem chance, provem!


Leia também: tudo o que comi na última viagem a Buenos Aires (com indicação dos restaurantes).


O alho e o alecrim dão um toque especial.

O encontro mensal do Trio on Tour foi um Duo on Tour, mas nada que interferisse o nosso cardápio. Uma coisa que é unanimidade nos nossos almoços é batata. A gente ama com toda a força do nosso ser. Tá aí uma iguaria que não dá para ser ruim Hehehe


Nada como o tradicional X-salada.

Ainda nesse almoço, pedi um sanduíche. Entre uma atualização da vida e outra, fiquei feliz porque o lanche estava divino!

Neste dia, escolhemos a tradicional meia muçarela, meia calabresa.

Por fim, dividir comida com as pessoas que me trouxeram ao mundo é algo que eu amo demais! Sentar-me à mesa com os meus pais, conversar e rir… sou privilegiada demais por ter os dois ao meu lado e valorizo cada segundo com eles aqui. Sou a filha coruja e orgulhosa deles. Celebrar esses laços com uma pizzinha é sempre gostoso demais.

📷📷📷

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01 📷 02 📷

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domingo, 29 de março de 2026

Psique

domingo, março 29, 2026 12
Imagem por Paolobon140

a psicanálise diz que o maior problema de todos é que a gente não sabe o que a gente deseja

faço incontáveis listas
planejo cada passo
no fundo, o que quero é escrever um texto
longo, sem rimas
que seja minimamente, literariamente, vivido
a beleza é poética
quando está no dia a dia

(alguns desejos são sonhos
que estão fora do meu alcance)

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domingo, 22 de março de 2026

Labirinto

domingo, março 22, 2026 10

no cruzar de caminhos,
na esquina ao acaso,
no não sei se vou ou se fico
na janela ou no abismo:
nossos olhares se cruzam.

na juventude ou na velhice,
na hora marcada ou inexata,
no inverno seco ou no verão molhado,
no seguir a pé ou no travar do trânsito:
nossos olhares se tocam.

você com cachorro, eu com gato,
você e seu chá, eu e meu espresso,
você acordando cedo, eu indo madrugada adentro,
você amando inverno, eu preferindo verão:
nossos olhares travam.

pessoa certa na hora errada:
a vida exemplificando
que rejeição é ato de ser protegido
por algum dos deuses e seus discípulos.

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de março de 2026 é pessoa certa na hora errada.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

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