domingo, 5 de abril de 2020

{Resenha} Relatos de uma Br em Buenos Aires, de Ayumi Teruya

domingo, abril 05, 2020 0

Divertido, irreverente, cativante. Podemos dizer que as tais crônicas desastrosas que Ayumi Teruya reuniu em seu Relatos de uma Br em Buenos Aires mostram, com muito bom humor, a dura vida de uma imigrante brasileira em terras portenhas.

Lançado de forma independente, o livro traz todas as angústias e curiosidades do olhar de quem flana pela capital argentina pela primeira vez. Coisas aparentemente simples como sair do interior e ir estudar na capital, ir a uma festa e se enturmar, romper a barreira cultural e fazer amizades, estudar em uma língua que não é a materna ou conquistar um novo amor ganham um novo ar, engraçado e, em muitos momentos, destrambelhado -- e é justamente isso que nos prende ao livro: querer saber onde tudo isso vai dar.


Cronista nata, Teruya sabe dosar as percepções exteriores com as neuras internas do seu lado cronista. Neste contraponto vemos seu olhar amadurecendo para as nuances de quem desbrava o mundo e assume as responsabilidades da vida adulta. É interessante como ela é capaz de pegar na mão do leitor e conduzi-lo ao longo dessa dupla jornada.

Enquanto caminhamos e nos perdemos pelas belas ruas de Buenos Aires, somos tocados pela sensibilidade de cada crônica, pela finitude da nossa existência e pela imensidão dos nossos sonhos. Tudo isso, dando muitas gargalhadas! Preciso dizer mais alguma coisa?

Livro: Relatos de uma Br em Buenos Aires
Autora: Ayumi Teruya
Páginas: 183
Apresentação: Ayumi é uma brasileira baixinha e atrapalhada, que decidiu escrever sobre suas aventuras ao se mudar para a Argentina para estudar psicologia. Aproveitando cada nova experiência e desastres que encontrou no meio do caminho para rechear este livro de histórias engraçadas, de amor e de superação ao viver em outro país um tanto quanto diferente do seu. Venha rir da desgraça alheia através de crônicas que prometem fazer você "cagar de risa" (como diriam os argentinos).
Para comprar: físico | e-book.
Livro no skoob. | Livro no goodreads.
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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Recursos digitais criativos

quarta-feira, abril 01, 2020 6
Imagem de Andrian Valeanu por Pixabay.
Oi, pessoal!
Espero que vocês estejam bem. O post de hoje é voltado para todo mundo que precise construir materiais em casa nesses tempos de trabalho remoto (home office). Como vocês sabem, sou professora e, assim como vários colegas, estou produzindo videoaulas para os meus alunos. Tem sido um bom pico de aprendizado (desde adaptação do planejamento ao uso de recursos tecnológicos), ainda que extremamente exaustivo. É complicado demais replanejar as 24 aulas semanais e adapatar todo o conteúdo para o formato EaD, gravar e editar vídeos com o que tenho em casa, tudo em tempo record, mas, pelos meus alunos, sigo em frente.

A ideia aqui, portanto, é compartilhar os recursos que encontrei na internet (um beijo para a Vanessa Reis, para Bel Quintilio, para a Dani Botelho e para a Vi Gama que também contribuiram com isso), que possam contribuir com todo mundo que está passando por dilemas de produção iguais ou parecidos aos meus.

*Clique no nome do recurso para ser direcionado para o site dele*

  • Adobe Spark: permite criar montagens de imagens (incluindo em formatos para as redes sociais), apresentações de slides, informativos e modelos de páginas da web;
  • Audacity: trabalhe gravando e editando áudios (bom para fazer podcasts!);
  • Bit.ly: Permite encortar e nomear urls;
  • Canva: permite a mapulação de imagens e criação de infográficos;
  • Gimp: software gratuito de edição de imagens;
  • Goosechase: permite a elaboração de caça ao tesouro online;
  • Infogram: permite a elaboração de infográficos;
  • Instructure: crie uma plataforma de aprendizado LMS;
  • Kahoot!: permite a elaboração de jogos educativos;
  • LessonApp: permite criar e compartilhar planos de aula;
  • Lifeliqe: ferramenta que permite o estudo de imagens em 3D;
  • Loom: recurso para gravar videoaulas;
  • Lucidchart: permite a criação de mapas conceituais;
  • Mailchimp: permite a elaboração de newsletters;
  • Matematus: soluções matemáticas;
  • Mentimeter: permite a criação de enquetes interativas; 
  • Microsoft Sway: permite criar boletins informativos, apresentações e documentação incríveis em minutos;
  • OBS Studio: software que permite fazer gravação da tela do seu computador e de uma câmera ao mesmo tempo. Você pode salvar o arquivo de vídeo ou fazer transmissão online para múltiplas plataformas (Esse tem me salvado muito! Você pode conferir dois tutoriais dele vendo essa playlist.);
  • Padlet: permite a criação de belos quadros, documentos e páginas da web fáceis de ler e divertidos para contribuir;
  • Pickers: permite criação de cartões interativos (de/com perguntas e respostas);
  • Plataforma MEC RED: platafora MEC de recursos educacionais digitais (há vários recursos por lá);
  • Pixton: permite a criação de histórias em quadrinhos;
  • Pooleverywhere: permite a criação de pesquisas online;
  • Seesaw: ferramenta que permite a elaboração de portfólio online;
  • Seppo: permite criar jogos educacionais;
  • SlidesCarnival: templates gratuitos de apresentações de slides (para google slides e powerpoint);
  • Slidego: templates gratuitos de apresentações de slides (para google slides e powerpoint);
  • Slido: interaja por meio de enquetes/pesquisas em um evento;
  • Socrative: permite a criação de salas de aula virtuais;
  • Synth: trabalhe usando podcasts;
  • TinyLetter: permite a criação de newsletters;
  • Wordle: permite a criação de nuvem de palavras;
  • Write About: permite a escrita coletiva/colaborativa e o feedback do professor-mediador;
  • Write & Improve: site que permite com que o estudante escreva em inglês e receba um feedback automático;
  • YouTube for education: canal que reune os principais vídeos educacionais do Youtube.

Conhece mais alguma ferramenta que possa ajudar? Deixe as informações nos comentários para que eu acrescente aqui no post. :)

Beijos e queijos :*

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quinta-feira, 26 de março de 2020

Eu era silenciosa

quinta-feira, março 26, 2020 8
Una charla con Mafalda en Buenos Aires.
"Eu era silenciosa". A frase de Clarice solta, assim como quem não quer nada em seu volume de crônicas, me pegou de jeito. Logo eu, a nerd faladeira, cuja reclamação era certa nas reuniões de pais e mestres: "A Fernanda, a Fernanda é maravilhosa, mas fala pelos cotovelos...".

Eu era silenciosa. De um silêncio que assustou meus pais. Lá pelas tantas, cresci e não falava. Minha mãe, preocupada, aproveitou a visita à casa de minha avó e colocou o pobre do filhotinho da galinha para piar na minha boca. O pintinho fez "piu" e, com ele, as compotas foram abertas. Magia, superstição ou fé? Não sei. O que posso dizer é que foi assim que a minha vida de tagarela começou.

Eu era silenciosa. Mas depois que abracei quem eu sou, passei a lutar pelas minhas próprias ideias. Dizem por aí que falo alto demais. Talvez fale mesmo. Em um mundo racista e patriarcal, é preciso elevar a voz. Às vezes, ir além: faz-se necessário rugir. 

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domingo, 22 de março de 2020

Espalhe coisas boas!

domingo, março 22, 2020 6
Imagem de Monoar Rahman Rony por Pixabay
Oi, pessoal!
Sei que falei que não voltaria no coronavírus, mas resolvi criar algo bom para o período de quarentena. Depois do homeoffice, fiquei pensando no que poderia fazer para matar o tédio. Post passado eu dei algumas dicas e, agora, resolvi colocar uma delas em prática: aprender algo novo é sempre útil, portanto, cá estou eu explorando as ferramentas do Adobe Spark novamente.

Fiz o meu login no site. Escrevi "quotation" na área de busca e resolvi produzir algo inspirador para os dias de confinamento. 

Fique em casa. Lave as mãos. Cuidar é amar.



Aquele lembrete que a gente está cansado de ouvir, mas também está vendo um monte de gente ignorando. Fiquem em casa! (Se vocês tivessem algum profissional da saúde em casa, como eu tenho, não colocariam o rosto na janela, quanto mais na rua!)

Para este, peguei um modelo inicial, mudei a mensagem de texto. Inseri um filtro e uma forma no fundo, acrescentei um pequeno sombreado às letras. As alterações nem foram tantas, mas já deu diferença, como vocês podem ver abaixo:



Respire


Respirar é um lembrete que eu sempre carrego comigo. Na raiva, no medo, na insegurança, na ansiedade ou até mesmo na empolgação, respirar me ajuda a trazer o equilíbrio para o corpo e para a mente. Sendo assim, fazer a imagem acima me serviu como um lembrete de algo que dá certo e que pode ser feito repetidamente durante a quarentena.

Para fazer o "Respire", eu acabei mudando tudo: fonte, filtro, imagem de fundo. O modelo só serviu mesmo como inspiração, conforme vocês podem ver abaixo: 



Espalhe coisas boas


Em tempos de fake news e notícias tristes, temos que espalhar (ou ao menos tentar espalhar) coisas boas. Por isso, vídeos de gatinhos, memes divertidinhos, frases de livros inspiradoras, as ações de solidariedade. Coisas boas atraem coisas boas. Vamos fazer uma corrente do bem. :)

Para esse, usei o recurso de "Aprimorar foto" (está em "filtros"). Também recorri ao filtro contraste. Mudei a mensagem e a fonte. Mais uma vezes, esses ajustes trouxeram diferenças.


Por hoje é isso. Vocês também gostam de editar imagens? Me contem nos comentários!


Este post parte de uma experiência pessoal em parceria com a Adobe Spark. Para saber sobre os outros recursos, clique aqui.
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quarta-feira, 18 de março de 2020

Atualização do blog, adiamento dos eventos e coronavírus

quarta-feira, março 18, 2020 6
Atualização do blog, adiamento dos eventos e coronavírus
Algum lugar do céu latinoamericano.

Oi, pessoal! 
Espero que vocês estejam bem. Vamos conversar um pouquinho?

Ausência do blog

Eu lendo o meu livro, A Intermitência das Coisas, para a Malfada, lá em San Telmo, Buenos Aires.
Eu lendo o meu livro para a Malfada, lá em San Telmo, Buenos Aires.

Escrevo para dar notícias. Estou bem. Estive ausente do blog nas últimas semanas, porque fiz uma breve viagem para Buenos Aires (graças a Deus, foi antes do surto do coronavírus) - que será assunto nos próximos posts, se assim vocês quiserem - e me enrolei entre o pré, a viagem e o pós. Agora, estou numa fase de reorganizar a vida e entender tudo o que está acontecendo com esta pandemia. 

Como vocês estão lidando com o isolamento voluntário? 

Minha partipação em eventos

Afetos em Ruínas, de Elizza Barreto, e A Intermitência das Coisas, de Fernanda Rodrigues.
Afetos em Ruínas, de Elizza Barreto, e A Intermitência das Coisas, escrito por mim.

Como está acontecendo no Brasil e no mundo, todos os eventos em que há aglomeração de pessoas estão sendo cancelados, o que inclui os dois que eu participaria no começo de abril: o encontro do Coletivo EscreViver (que discutiria o meu livro, A Intermitência das Coisas) e o lançamento em São Paulo do livro Afetos em Ruínas, da escritora Elizza Barreto (Editora Penalux).

Por enquanto, os locais estão mantidos - só mudarão as datas. Assim que a poeira abaixar e as pessoas puderem circular livremente, reagendaremos os dois eventos, e eu aviso por aqui e nas minhas redes sociais.

Pensar coletivo

Fico triste por ter que adiar os dois encontros, mas a nossa saúde vem em primeiro lugar, não é mesmo? Agora é um momento em que, sobretudo, temos que pensar no coletivo. Acredito que esta é uma grande oportunidade que temos de reorganizar a vida, repensar os nossos hábitos e costumes, entender qual é o nosso papel na Terra, como lidamos com a coletividade. Chegou o momento de parar de olhar para o próprio umbigo. Toda crise traz a opção de crescimento e esse é o momento.

Eu já entrei em isolamento voluntário e tenho evitado sair de casa. Lavar as mãos e usar o álcool gel já era um hábito antigo, que tem sido reforçado - inclusive, já escolhi um trecho de 30 segundos de uma das músicas que os Backstreet Boys selecionaram neste post aqui para cantar enquanto lavo as mãos (isso ajuda a não sair da lavagem antes do tempo). Parece bobo, mas lavar as mãos vai salvar a humanidade (de novo!).

(Uma observação aqui: eu sei que nem todo mundo tem as condições de se isolar e acho uma bosta quem não pode fazer isso por causa desse capitalismo voraz. Também tenho feito pensamento positivo e orações para todos os aqueles que não podem parar, para profissionais de saúde - incluindo a minha irmã - e jornalistas, que estão se arriscando para manter o que é essencial, salvar pessoas e nos trazer informações.)

Saúde física e mental

OMS (Organização Mundial de Saúde)
OMS.
Por fim, mas não menos importante, cuidem uns dos outros e tomem cuidado com o que vocês se alimentam. Não falo só de alimentação física (que é muito importante agora, porque ajuda dar um reforço no sistema imunológico), mas também do que nutre as nossas cabeças. É importante não ficar pautado no medo, nas fake news. Escolham a dedo com quem vocês se conectam virtualmente nas redes sociais. Agora é momento de entender o que é fato e o que é invenção, seguir e compartilhar apenas o que for verdadeiramente confiável. Na dúvida, dê uma olhadinha nos sites abaixos:
(Ainda está perdido e precisa de informações confiáveis? Clique aqui para dar uma olhada neste artigo-resumão, escrito pela Mih Lestrange.)

O que fazer durante o isolamento voluntário?

Autocuidado: chá de cidreira e livro do Galeano antes de dormir.
Autocuidado: chá de cidreira e livro do Galeano antes de dormir.

Seguir e se guiar por fontes confiáveis ajuda muito a manter a saúde mental em dia, porque gera menos ansiedade. Se a sua timeline estiver muito saturada desse assunto, vá fazer algo por você. Seguem algumas sugestões:
  • Adiantar o que dá do trabalho: no meu caso, vou terminar as revisões, planejar aulas, resolver burocracias do colégio, desenvolver os projetos novos, escrever conteúdos para o blog, gravar vídeos para o IGTV/YouTube e escrever o meu livro novo;
  • Atualizar o currículo: dar uma revisada no currículo de distribui-lo nos sites de emprego pode ser uma boa agora;
  • Spa-day: banho, creme, hidratação no cabelo, fazer máscara no rosto, fazer (ou aprender a fazer) a própria unha;
  • Ler: tentar diminuir a lista interminável de leituras que está na sua cabeceira, para poder comprar livros novos quando o surto terminar;
  • Acompanhar e apoiar os projetos dos amigos: sabe a lista de blogs e livros no wattpad que você nunca teve tempo de ler? Agora é a hora;
  • Cozinhar: entra em algum site de receitas/canal do youtube e tenta cozinhar algo que você nunca tenha feito;
  • Faxina: ligue o mode Monica's clean e aproveite para limpar aquele armário que faz 15 mil anos que você não tira pó. Aproveite para ver se há algo que você possa doar ou que precise de reparo;
  • Backup: este é um ótimo momento para fazer o backup dos seus arquivos do computador e do celular;
  • Dançar pela sala: se você for como eu, adora ver vídeos das suas músicas preferidas no YouTube. Como não dá para fazer exercícios fora de casa, que tal arrastar os móveis e fazer a sua baladinha solitária? Dá até para aprender as coreografias e postar uns vídeos no TikTok;
  • Desenvolver novos projetos: chegou a hora de pôr no papel todo o planejamento possível dos seus sonhos;
  • Se reorganizar financeiramente: chegou o momento de cuidar bem das finanças, porque - com o dólar acima dos 5 reais - a crise está chegando;
  • Estudar: línguas, artesanato, finanças, escrita criativa ou qualquer outro assunto que esteja disponível online;
  • Declarar o imposto de renda: vida de adulto sucks, mas fazer o quê?
  • Meditar e se reconectar: momentos de recolhimento são importantes para olhar para dentro. Que tal começar?
  • Escrever um diário: escrever é bom para pôr as angústias para fora e para reorganizar os pensamentos. Isso também ajuda com a saúde mental;
  • Planejar a próxima viagem: ainda não podemos viajar, mas podemos pensar nos próximos destinos, pesquisar lugares, entender o que quer visitar, montar o roteiro e um orçamento. Quando estivermos liberados é só pôr o plano em prática;
  • Jogar vídeo-game e passar todas as fases;
  • Aprender a fazer autorretratos e registrar a quarentena por meio de imagens;
  • Dormir: lembrem-se que dormir ajuda muito a manter o sistema imunológico bem;
  • Chamada de vídeo: falar com as pessoas que a gente ama, dar e receber uma dose de amor, se acalmar quando o medo vier. Chamadas de vídeo ajudam muito nessas horas. Vamos cuidar uns dos outros.

Eu desejo que todos vocês, aí do outro lado, fiquem bem.
Seguimos nos falando.
Beijos (de longe) e queijos :*

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PS: Eu pretendo não falar mais de coronavírus por aqui (a não ser que aconteça algo muito fora do planejado mesmo). Minha ideia é trazer outros conteúdos, trazer leveza, trazer amor. Assim vocês não precisam se preocupar em ver coisas tristes por aqui. 
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quarta-feira, 4 de março de 2020

{Resenha} A criação do patriarcado, de Gerda Lerner

quarta-feira, março 04, 2020 14
{Resenha} A criação do patriarcado, de Gerda Lerner.
Por que as relações são como são? Por que homens e mulheres perpetuam o machismo em diversos povos, ao longo da História? Quando a desigualdade entre homens e mulheres começou? Guiada por um desejo de desvendar a história das mulheres, a historiadora, escritora e professora Gerda Lerner iniciou uma extensa pesquisa sobre A Criação do Patriarcado.

Lerner voltou muito na linha do tempo. Além de tentar diagnosticar no presente, ela vai até as mais antigas civilizações: assírios, egípcios, gregos, mesopotâmios, romanos, judeus. Foi preciso entender qual era o papel das mulheres nessas sociedades, para compreender o impacto que o legado delas causa no nosso dia a dia.

Algumas Observações | Sumário do livro A criação do patriarcado, de Gerda Lerner
Parte do sumário do livro.

Ainda que seja muito complicado ter um marco zero preciso que diga “o patriarcado e o machismo começam aqui”, as pesquisas de Lerner apontam que há um processo de apagamento das mulheres pelas diversas sociedades. Portanto, é possível dizer que sim, o patriarcado é um processo histórico que teve um começo e que, logo, pode ter um fim.

O fortalecimento do patriarcado se dá por meio das instituições que têm alguma vantagem no apagamento das mulheres na História: a família, a religião e o Estado. É interessante notar que Lerner defende que o histórico de dominação das mulheres acontece como uma espécie de ponto de partida para a dominação (subjulgação e escravização) de outros povos/raças.



Para construir o seu argumento, Gerda Lerner articulou diversas áreas do conhecimento. Desde especialistas em assiriologia e literatura a historiadores, antropólogos, psicólogos. Sem dúvida, este diálogo que ela nos apresenta o que enriquece a pesquisa nos seus diversos pontos de vista.

Apesar da densidade do assunto, a linguagem e as explicações antes da pesquisa propriamente dita facilitam muito o entendimento da obra. A edição brasileira, publicada pela Cultrix, traz uma nota sobre as definições, uma nota sobre a cronologia e metodologia escolhidas por Lerner, um prefácio assinado por Lola Aronovich (do site Escreva Lola Escreva) e uma introdução. No final do volume ainda há um apêndice com as definições de termos importantes para compreensão do livro, notas explicativas, a bibliografia da pesquisa e índice remissivo. Ou seja, não tem como os leitores se perderem com o conteúdo acadêmico. Nesse sentido, A criação do patriarcado é um ótimo livro para quem deseja entender a importância do feminismo e busca um caminho para mudar a realidade tão opressora em que vivemos.

Livro: A criação do patriarcado
Subtítulo: História da opressão das mulheres pelos homens
Autora: Gerda Lerner
Tradução: Luiza Sellera
Editora: Cultrix
Páginas: 400
Apresentação: A Criação do Patriarcado explora cerca de 2.600 anos de história humana e as culturas do Antigo Oriente Próximo, para nos mostrar em um dos mais originais estudos dos últimos tempos, a origem da opressão das mulheres perpetrada pelos homens. Valendo-se de dados históricos, literários, arqueológicos e artísticos, Gerda Lerner refaz o traçado evolutivo das principais ideias, símbolos e metáforas graças às quais as relações de gênero patriarcais foram incorporadas à nossa civilização, sustentando que a dominação da mulher pelo homem é produto de um desenvolvimento histórico. Não é natural ou biológica e, portanto, imutável, de modo que o Patriarcado como sistema de organização da sociedade pode ser abolido por processos históricos. Gerda Lerner propõe uma nova e surpreendente teoria de classe, revelando as diferentes maneiras pelas quais as classes são estruturadas e vivenciadas de forma diferente por homens e mulheres.
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domingo, 1 de março de 2020

{Fotografia} Pausa para respirar #4

domingo, março 01, 2020 4
Algumas Observações | {Fotografia} Pausa para respirar #4
Livros que estou lendo.
Fevereiro, mesmo sendo mais longo, voou!
Trabalhei bastante, bastante MESMO, dei uma choradinha, li muito (mas não tanto quanto gostaria), sobrevivi às tretas todas do dia a dia, encontrei algumas amigas e fiquei doente. Ou seja, teve de tudo! hehehe

Algumas Observações | Flores brancas sobre a mesa do restaurante
Momentos de paz.

Depois de uma manhã dura, fui almoçar em um lugar que tinha essas flores na mesa. São os pequenos detalhes que fazem diferença.

Algumas Observações | Árvore com flores roxas em dia nublado
Postei essa foto no meu Instagram. Na legenda, há um poema. Clique aqui para lê-lo.

Esta árvore fica em frente do estúdio em que faço Pilates. Acho linda quando ela fica inteira florida. Já o céu cinza é reflexo desse tempo doido que está rolando aqui em São Paulo. Fevereiro foi bem mais frio do que de costume. Chuva, garoa e nuvem foi o que tivemos. Já estou mofando. Saudades, sol.

Algumas Observações | Gatas Notáveis: Camomila e Poesia brincando em caixa de papelão
Camomila (dentro da caixa) e Poesia (fora da caixa) brincando.

Post passado eu contei 10 formas de autorregulação que funcionam para mim. Se quisesse, poderia incluir uma 11ª: passar mais tempo mais tempo com as gatas. Estar com a Camomila e com a Poesia me enche de amor e de calma. De novo (porque acho que já falei isso): eu não consigo nem me lembrar de como era a minha a vida sem as gatas. 💚

Algumas Observações | Encontro de escritoras: Elizza Barreto e Fernanda Rodrigues
Elizza Barreto e eu.
Encontrei a minha amiga Elizza para um jantar. Falamos de literatura (ela vai lançar um livro chamado Afetos em Ruínas. Para quem for de São Paulo, apareça para nos ver! Mais aqui.) e sobre a vida. É sempre bom poder sentar com as amigas e fazer muitos nadas. 

Algumas Observações | Livro A Intermitência das Coisas no catálogo Biblioteca Viva, das bibliotecas municipais de São Paulo
Para quem for de São Paulo. :)
Algumas Observações | Livro A Intermitência das Coisas no catálogo Biblioteca Viva, das bibliotecas municipais de São Paulo
Você, que já pegou o livro emprestado: te amo! 💙

Eu estou muito feliz, porque agora há três exemplares do meu livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, em duas bibliotecas públicas aqui de São Paulo: a Mário de Andrade e a Sérgio Milliet (do Centro Cultural São Paulo). Vocês podem consultar o catálogo das duas bibliotecas clicando aqui.

Algumas Observações | Livro A Intermitência das Coisas no clube de leitura Coletivo Escreviver
Coletivo EscreViver.
Eu já havia colocado na agenda aqui do blog, mas fica o aviso de novo. Recebi no finzinho de fevereiro a arte de divulgação do encontro do Coletivo Escreviver. Agora em março o lido livro será o A Intermitência das coisas. O encontro será no início de abril, na biblioteca do Parque Villa-Lobos, em São Paulo. VEM, GENTE! Quero ver todo mundo lá! 💙

Acho que é isso! 
Que março seja um mês em que a gente se sinta completo, saudável e feliz. 😉
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

10 formas de autorregulação que funcionam para mim

quarta-feira, fevereiro 26, 2020 16
Algumas Observações | 10 formas de autorregulação que funcionam para mim
Imagem de Lindsey White por Pixabay
Olá, pessoal!
Feliz ano novo de novo! :)

2020 chegou chegando. Tenho trabalhado tanto, mas tanto, que parece que foi há muito tempo que escrevi o meu post de metas, contudo ainda é fevereiro. Penso que é muito importante dar uma olhada nas metas vez ou outra; porque, se não fazemos isso, as metas se tornam meras listas engavetadas. 

Olhando para o que escrevi em janeiro, vejo que algumas áreas são mais complexas do que as outras. O mais difícil tem sido manter a plenitude. Ainda me falta o equilíbrio entre o trabalho e as outras áreas da vida (o trabalho tem levado o nome à risca e me dado muito trabalho!), o que me leva a não ter forças para pôr a cara ao sol e encontrar o grande amor da minha vida - hahaha.

Para não infartar antes dos shows dos Backstreet Boys¹ (tenho que sobreviver até março²), eu tenho anotado tudo aquilo que me ajuda a esfriar a cabeça e seguir em frente. 

Autorregulação

Eu chamo de autorregulação tudo aquilo que me ajuda a não ser estúpida comigo e com quem estiver ao meu redor nos momentos de raiva, frustração e angústia. Não sei se é um termo técnico (talvez tenha ouvido sobre isso nos cursos de disciplina positiva ou na terapia, ou talvez tenha tirado da minha cabeça mesmo), então já digo que se tiver algum psicólogo/psiquiatra me lendo, me perdoe se eu usei o termo de forma errada. 

Como disse acima, eu tenho observado o que me ajuda a centrar e anotado para colocar em prática naqueles momentos em que tudo me tira do eixo. Esse processo de anotar, para mim, é importante, porque funciona como um "lembrol". Na raiva, muitas vezes me esqueço do que posso fazer além de querer esfolar o coleguinha ou a mim mesma no asfalto. Ter a lista (no planner ou no celular) é sempre útil.

Compartilho a lista porque pode te ajudar também.

1. Beber água

Beber água é algo que funciona muito principalmente quando estou no trabalho. Só de ir buscar a água e tomar devagar, o cérebro já ganha uns segundos a mais para se acalmar. Como água nunca faz mal, na pior das hipóteses, fico hidratada.

2. Respirar fundo/meditação

Contar até dez não funciona para mim, mas respirar fundo e soltar o ar aos poucos, sim. Em casa, dá para sentar e tirar uns minutinhos para meditar. Na rua, dá para correr no banheiro e respirar por um minuto que seja.

3. Tomar café (ou chá)

Eu sei, isso é controverso e desafia a ciência. Hehehe. Se o café te deixar muito agitado, pode ser chá. O que eu gosto mesmo não é o café em si, mas o ritual envolto no beber café. Sair de casa e ir a uma cafeteria ou colocar a água ferver e ver o café coando... Isso me traz uma desaceleração que me acalma.

4. Fazer listas

Uma das coisas que me estressa é quando eu me sinto sobrecarregada com a quantidade de tarefas, prazos e solicitações do que é preciso ser feito. Então, colocar todas as tarefas em um lista e ir riscando conforme vou fazendo o que é necessário, me dá - literalmente - a sensação de alívio. Vejo que, para mim, as listas no papel me acalmam mais do que a eletrônica, por isso, normalmente tenho as duas (a eletrônica funciona bem para quando estou na rua).

5. Escrever livremente

Manter um diário e escrever sem filtro (em um lugar que ninguém vá ler depois) é ótimo para soltar os monstros que moram dentro da gente. Também é uma forma ótima de exercitar a criatividade e ter novas ideias. Escrever livremente é uma ótima faxina mental para mim. 
(Sobre isso - de ter diários -, o Adriel escreveu um post bacana. Você pode lê-lo aqui.)

6. Ouvir música que traz boa memória afetiva

Eu sei. Quando a gente está triste a nossa tendência é procurar músicas que reflitam essa tristeza. Aquilo que nos leva mais ainda ao fundo do poço e nos faz continuar cavando com uma colherinha de café. Entretanto, eu sempre coloco para tocar alguma música que me traga uma lembrança feliz. Como gosto muito de ir a shows, sempre tem alguma que me marcou de alguma apresentação em que estive. Pensar nesses momentos me ajuda a virar a chave para uma postura mais positiva.

7. Tomar banho

Pode parecer loucura, mas tomar banho me ajuda MUITO. É como se eu imaginasse toda a urucubaca indo embora do meu corpo e da minha vida. Fora que a água quente ajuda a relaxar e que fazer uma tarefa corriqueira também ajuda a ter novas ideias.

8. Dormir

Como a minha rotina é muito pesada, às vezes o cansaço potencializa o stress. Tirar uma soneca, deitar mais cedo, dormir uma boa noite de sono são estratégias que eu uso para tentar aliviar o corpo da pressão mental.

9. Pilates

A atividade física tem sido renovadora para mim. Além de ajudar no quesito saúde, estar com as novas amigas (e rir o tempo todo) levanta demais o meu astral. O Pilates em si, é ótimo para a questão de respirar fundo.

10. Terapia

Ter um momento na semana para revisar o passado, entender o presente e planejar o futuro - sem julgamento - é simplesmente incrível! Ajuda muito nesse processo de ver o mundo com outra perspectivas e saber que não estamos sozinhos.

Autocuidado

No fundo, essa questão de se autorregular não passa de, no meu ponto de vista, ter autocuidado. Quando a gente respeita o nosso próprio ritmo, a sociedade não passa por cima da gente. Quando a gente consegue fazer tudo isso, também aprende a dizer "não" para o que é preciso e acolher o que é preciso também.

E você? Como você se cuida, como se acalma?
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¹ A DNA tour logo chega ao Brasil, e eu estou contando os dias!
² Lua em Peixes para em já tem lua em Peixes significa drama em dobro? 
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domingo, 23 de fevereiro de 2020

{Resenha} Propósito, de Karinna Forlenza

domingo, fevereiro 23, 2020 12
{Resenha} Propósito, de Karinna Forlenza (Pólen Livros)

Publicado pela Pólen Livros, Propósito é um livro que tem como objetivo ajudar seus leitores sobretudo por meio da prática. Escrito pela coach Karinna Forlenza, a obra apresenta, como já aponta o seu subtítulo, 20 dicas para você criar o seu [propósito]. 

Os capítulos são curtos, o que faz da leitura em si algo agradável. O foco maior, contudo, são os exercícios - momento em que os leitores precisarão de tempo e de um lugar tranquilo para pôr em prática o que é proposto.

Cada uma das 20 dicas compõe um capítulo. Este, por sua vez, divide-se em uma parte teórica (que explica o porquê daquela dica) e outra pártica. Por ser coach, a autora foca muito ou na experiência pessoal ou na de seus clientes nos textos introdutórios das atividades. Como leitora e estudiosa, senti falta de referencial teórico. Parece-me que Forlenza acumulou conhecimentos, mas não diz de onde ele vem.

{Resenha} Propósito, de Karinna Forlenza (Pólen Livros)


Se por um lado falta referencial teórico nos textos; por outro, os exercícios são realmente inspiradores. Divididos em três categorias (os de revelar a Essência, os que ajudam a remover Obstáculos e o que apoiam na chegada da Clareza), tanto os capítulos quanto os exercícios podem ser feitos na ordem apresentada ou aleatoriamente conforme a sua necessidade.

A diagramação da obra é belíssima. Cada abertura de capítulo tem uma ilustração que conversa com a da capa. O papel em que o livro foi impresso (couché fosco) também contribui para a boa sensação de leitura.

Vejo que Propósito é aquele livro que mantemos em casa quando os caminhos se tornam nebulosos. Quando não sabemos bem para qual caminho seguir, fazer uma das atividades pode ser o caminho. Para quem gosta de autoconhecimento, o livro é uma boa pedida.

{Resenha} Propósito, de Karinna Forlenza
Abertura do capítulo 11.

Livro: Propósito: 20 dicas para Você Criar o Seu
Autora: Karinna Forlenza
Ilustração: Filipa Pinto
Editora: Pólen Livros
Páginas: 144
Apresentação: Você está procurando algo mais profundo para sua vida?
Questionando o que sabe e buscando sentido no que faz?
Então seu processo de mudança já começou.
E a partir daqui você está pronto para seguir as 20 dicas muito práticas reunidas neste livro. São dicas práticas, mas que não abrem mão da reflexão. E partem do princípio de que encontrar um Propósito é uma tarefa da vida inteira – mas que pode se transformar em uma jornada muito gratificante.
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

12 livros para ler no carnaval

quarta-feira, fevereiro 19, 2020 4
Imagem de Pexels por Pixabay
Olá, pessoal!
Não sei quanto a vocês, mas eu adoro aproveitar o feriado de carnaval para dar aquele gás nas leituras, principalmente nos livros que são grandes ou mais complexos, que levam mais tempo e energia para serem findados.

Pensando que este feriadão pode ser uma boa oportunidade para você criar ou desenvolver o hábito de leitura, fiz uma listinha com 12 livros que são ideais para o feriadão. Para facilitar, separei a lista em 6 categorias, cada uma delas com objetivos diferentes. Vamos lá?

Lista de livros para ler no carnaval
Imagem de Free-Photos por Pixabay

1. Para quem quer mais de uma história em um único livro

Minha sugestão para quem não tem muita paciência para ler uma história grande é começar lendo crônicas. Esse gênero textual costuma ser leve, descontraído e sempre se apresenta com narrativas mais curtas.  É ótimo para quem está começando a desenvolver o hábito da leitura ou para quem quer algo em tom de conversa, de causo. Minhas sugestões são: 

Trinta e Poucos, do Antônio Prata
Capa do livro Trinta e Poucos, de Antônio Prata (Companhia das Letras)

Sinopse: Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero - consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica. Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade. Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.
Editora: Companhia das Letras. | Resenha aqui


A arte de ser leve, de Leila Ferreira

Capa do livro A arte de ser leve, de Leila Ferreira (Editora Planeta)Sinopse:  Gentileza, bom humor, desaceleração e felicidade são alguns dos temas discutidos de formaA Arte de Ser Leve aponta para o perigo de emagrecermos o corpo, mas ficarmos com obesidade mórbida de espírito.
inteligente e divertida por Leila Ferreira. Exímia contadora de histórias e entrevistadora, Leila reflete, a partir de depoimentos colhidos por ela no Brasil e em outros países, sobre a possibilidade de vivermos de forma menos complicada e estressante. Ao fazer o leitor enxergar, de forma crítica, as ciladas que criamos para nós mesmos,
Editora: Planeta | Resenha aqui.



2. Para quem quer se preparar para o vestibular

Normalmente, cada universidade tem a sua lista de vestibular. Aqui, deixo duas sugestões da lista FUVEST 2020 (você pode ler as listas completas de 2020, 2021 e 2022 clicando aqui). Essas leituras são necessárias a todos que quiserem prestar o vestibular para entrar na USP (Universidade de São Paulo).

Poemas Escolhidos de Gregório de Matos, organização José Miguel Wisnik
Gregório de Matos é, historicamente, o primeiro grande poeta do Brasil. Sua obra, talvez a mais importante produzida pelo Barroco poético nas Américas portuguesa e espanhola, conserva ainda hoje grande parte de seu interesse, por força, sobretudo, da agudeza e do vigor com que o poeta soube fixar satiricamente, numa linguagem vivaz que já deixa transparecer o gênio local na exploração de sonoridades africanas e tupis e que, na sua mordacidade feroz, não recua nem diante da pornografia, a dissolução de costumes da Bahia do século XVIII. Nesta já clássica coletânea preparada por José Miguel Wisnik nos anos 1970, e agora revista pelo organizador, o leitor encontrará uma seleção dos melhores poemas de Gregório de Matos nas diversas modalidades que cultivou - a satírica, a encomiástica, a lírica amorosa e a religiosa -, de par com numerosas notas de esclarecimento do texto, um pequeno perfil biográfico do poeta e uma análise crítica de sua obra.

Sinopse: Gregório de Matos é, historicamente, o primeiro grande poeta do Brasil. Sua obra, talvez a mais importante produzida pelo Barroco poético nas Américas portuguesa e espanhola, conserva ainda hoje grande parte de seu interesse, por força, sobretudo, da agudeza e do vigor com que o poeta soube fixar satiricamente, numa linguagem vivaz que já deixa transparecer o gênio local na exploração de sonoridades africanas e tupis e que, na sua mordacidade feroz, não recua nem diante da pornografia, a dissolução de costumes da Bahia do século XVIII. Nesta já clássica coletânea preparada por José Miguel Wisnik nos anos 1970, e agora revista pelo organizador, o leitor encontrará uma seleção dos melhores poemas de Gregório de Matos nas diversas modalidades que cultivou - a satírica, a encomiástica, a lírica amorosa e a religiosa -, de par com numerosas notas de esclarecimento do texto, um pequeno perfil biográfico do poeta e uma análise crítica de sua obra.

Quincas Borbas, de Machado de Assis

Capa do livro Quincas Borbas, de Machado de Assis (Penguin Companhia)Sinopse: Publicado pela primeira vez em livro em 1891, depois portanto de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e antes de Dom Casmurro (1899), Quincas Borba é uma das obras mais marcantes da fase realista de Machado de Assis. Talvez por se situar justamente entre esses dois monumentos da obra machadiana, o romance muitas vezes foi considerado uma realização menor, uma espécie de mera continuação das Memórias póstumas - para irritação de seu autor, que em um raro comentário sobre a própria ficção afirmou que a presença do personagem Quincas Borba era "o único vínculo" entre os dois livros. Mais do que ao marco inaugural do Realismo no Brasil, porém, Quincas Borba remete ao Machado contista que começava a abordar temas historicamente mais próximos de sua época e a explorar os conflitos psicológicos de seus personagens com sua sofisticada e irônica narrativa em terceira pessoa presente em contos clássicos como "A cartomante" e "A causa secreta". Neste romance da maturidade do autor, a história do provinciano Rubião - herdeiro da fortuna do idiossincrático filósofo Quincas Borba - e dos tipos urbanos da corte que o levam à ruína é narrada com o distanciamento, o ceticismo e o senso de humor implacável de que só Machado de Assis era capaz.
Editora: Penguin Companhia

3. Para quem gosta de grandes histórias

As sugestões abaixo são para quem gosta de pegar um livro e se sentir preso a cada linha. Os romances abaixo são daqueles de tirar o fôlego de cada leitor.

Desonra,  de J. M. Coetzee

Capa do livro Desonra, de JM Coetzee (Companhia das Letras)Sinopse: Sucesso de público e crítica - foi publicado em mais de vinte países e ganhou o BookerDesonra é considerado o melhor romance de J. M. Coetzee. O livro conta a história de David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy.
Prize, o mais importante prêmio literário da Inglaterra -,
No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. Com personagens vivos, com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, Desonra investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva.
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

O pacifista, de John Boyne

Capa do livro O pacifista, de John Boyne (Companhia das Letras)Sinopse: Inglaterra, setembro de 1919. Tristan Sadler, vinte e um anos, toma o trem de Londres aO pacifista é uma história de amor e de guerra que se insere na tradição do romance Reparação, de Ian McEwan. Nada é o que parece nesta trama envolvente e vigorosa, que revela as consequências de uma vida tragicamente marcada pelo silêncio. Com uma abordagem original e relevante para o nosso tempo, o autor do best-seller internacional O menino do pijama listrado revisita neste romance o universo da guerra, tendo dessa vez como pano de fundo a Primeira Guerra Mundial. Sensível e engenhoso, John Boyne esmiúça um dos capítulos mais traumáticos da história da humanidade pela perspectiva de dois jovens soldados que lutam, acima de tudo, contra a complexidade de suas emoções.
Norwich para entregar algumas cartas à irmã mais velha de William Bancroft, soldado com quem combateu na Grande Guerra. As cartas, porém, não são o verdadeiro motivo da viagem de Tristan. Ele já não suporta o peso de um segredo que carrega no fundo de sua alma, e está desesperado para se livrar desse fardo, revelando tudo a Marian Bancroft. Resta saber se o antigo combatente terá coragem para tanto. Enquanto reconta os detalhes sombrios de uma guerra que para ele perdeu o sentido, Tristan fala também de sua amizade com Will, desde o campo de treinamento em Aldershot, onde se encontraram pela primeira vez, até o período que passaram juntos nas trincheiras do norte da França. O leitor testemunha o relato de uma relação intensa e complicada, que proporcionou alegrias e descobertas, mas também foi motivo de muita dor e desespero.

4. Para quem gosta de biografias

Biografias são sempre ótimas oportunidades de aprendizado com as experiências de outras pessoas. Eu, particularmente, gosto bastante (principalmente quando eu tenho uma grande diferença de idade com o biografado ou quando ele exerceu alguma das minhas profissões).

Eu sou Malala, de Malala Yousafzai com Christina Lamb

Capa do livro Eu sou Malala, de Malala Yousafzai com Christina Lamb (Companhia das Letras)Sinospe: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz.
Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

Prólogo, Ato, Epílogo, de Fernanda Montenegro com a colaboração com Marta Góes

Capa do livro Prólogo, Ato, Epílogo, de Fernanda Montenegro com a colaboração com Marta Góes (Companhia das Letras)Sinopse: Em Prólogo, ato, epílogo, Fernanda Montenegro narra suas memórias numa prosa afetiva, cheia de inteligência e sensibilidade. Com sua voz inconfundível, ela coloca no papel a saga de seus antepassados lavradores portugueses, do lado paterno, e pastores sardos, do lado materno. Lidas hoje, são histórias que podem "parecer um folhetim. Ou uma tragédia" – gêneros que a atriz domina com maestria. Na turma de jovens que circulavam pela rádio estava Fernando Torres, que ela reencontrou nos ensaios da peça Alegres canções na montanha, quando começaram a namorar. Fernando largou a Panair, Fernanda largou a Berlitz, e o casal se entregou de corpo e alma à arte, paixão de uma vida. Constituíram uma família e realizaram juntos um sem-número de peças, ao lado dos principais nomes do teatro brasileiro. Em páginas de grande emoção, ela relembra os desafios de criar os filhos sobrevivendo como artistas; a busca permanente pela qualidade; a persistência combativa durante os anos de chumbo; a capacidade de constante reinvenção; o padecimento de Fernando; o inesperado sucesso internacional nos anos 1990; a crença na terra que acolheu seus antepassados imigrantes e a devoção por esse país. Fernanda encarna o melhor do Brasil. Não surpreende que alguém que passou a vida memorizando textos tenha desenvolvido notável capacidade de rememorar com sutileza fatos ocorridos décadas atrás. A atriz que há anos encanta multidões em palcos e telas pelo mundo agora se mostra uma contadora de histórias de mão-cheia.
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

5. Para quem é ou quer ser escritor

Se você quer se aventurar no mundo da escrita, deixo abaixo duas sugestões muito gostosas de serem lidas e que podem ajudar na empreitada.

Capa do livro Crônicas para jovens: de escrita e vida, de Clarice Lispector (Rocco Jovens Leitores)Crônicas para jovens: de escrita e vida, de Clarice Lispector

Sinopse: Para Clarice Lispector escrita e vida eram as duas faces de um mesmo milagre: a vida cotidiana. Nesta seleta de reflexões sobre a escrita e o ato de escrever, extraídas de suas crônicas, alguns poderão encontrar as chaves para a compreensão das motivações profundas de sua obra. Ao passo que outros encontrarão certamente estímulo para escrever e, assim, adensar a história de suas próprias vidas. De escrita e vida não ilumina apenas a produção literária e a existência de Clarice, lançando também um esclarecedor foco de luz sobre as vidas dos próprios leitores.
Editora: Rocco Jovens Leitores | Resenha aqui.



Devoção, de Patti Smith

Capa do livro Devoção, de Patti Smith (Companhia das Letras)Sinopse: Por que escrevemos? De onde vêm as ideias para uma história? Como funcionam as engrenagens da inspiração e da literatura? Dividido em três partes, Devoção vai refletir sobre questões como essas. O relato se inicia com uma viagem da autora a Paris. Percorrendo as "ruas abstratas de Patrick Modiano" e lendo uma biografia de Simone Weil, Patti Smith começa a esboçar um conto, que vai se materializar no segundo capítulo do livro – a história de uma jovem patinadora, sua jornada em busca de si mesma e de suas origens. Ao fim, Patti volta à cena e narra uma visita à casa de Albert Camus, na cidade de Lourmarin, onde depara com o manuscrito de O primeiro homem, romance inacabado do escritor argelino. "Por que alguém se sente compelido a escrever?", é a pergunta que nos acompanha até o fim. "Para dar voz ao futuro, revisitar a infância. Para dar rédea curta às loucuras e aos horrores da imaginação", Patti diz. E porque, afinal, "não podemos apenas viver".
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

6. Para quem gosta de poesia

Poesia é, sem dúvida, um dos meus gêneros literários preferidos. O motivo? É lendo poemas que somos livres para sentir - sem a preocupação estrita de racionalizar tudo. Deixo abaixo duas sugestões: uma escrita pela grande Hilda Hilst; a outra, por mim. :) Espero que gostem.

Do desejo, de Hilda Hilst

capa do livro Do desejo, de Hilda Hilst (Globo - Biblioteca Azul)Sinopse: Lançado originalmente em 1992, Do desejo é uma reunião (não uma antologia, como se tem Do desejo (homônio do título do conjunto) e Da Noite. Concebida pela própria autora, a reunião desses livros oferece, na sua disposição não-cronológica, possibilidades originais de leitura que o tornam um livro único, bem diferente da soma de leituras de cada livro particular incorporado nele. Se fosse possível reduzir sua poesia de questões a uma única, Do desejo postula o dilema de sustentar o gozo de um amante particular e viciário em versos que buscam a eternidade e o absoluto.
divulgado) de sete livros de Hilda Hilst, produzidos num intervalo de seis anos. Dois deles eram então inéditos:
Editora: Globo - Biblioteca Azul | Resenha aqui.


A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, de Fernanda Rodrigues

Capa do livro A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, de Fernanda Rodrigues (Editora Penalux)Sinopse: A Intermitência das Coisas é um livro que reúne cerca de 45 poesias. Seus versos retratam a movimentação da poeta no espaço contemporâneo, suas mudanças e os aprendizados e, principalmente, como os ciclos que se iniciam e que se findam preenchem o vácuo que habita entre o vazio e o caos.
Editora: Penalux | Saiba mais aqui.






Gostou da lista? Já leu algum desses livros? Vocês têm a sua própria lista de leitura para o carnaval? Me conte tudo nos comentários! Vou adorar saber mais sobre o que vocês estão lendo.

Beijos e queijos :*


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Algumas Observações | Ano 13 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.