quarta-feira, 21 de julho de 2021

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a escritora Camila Dió

quarta-feira, julho 21, 2021 1
Vamos conhecer o trabalho da escritora Camila Dió? VAMOS!

Como vocês sabem, eu adoro bater papo com as pessoas. Quando elas são escritoras, então! :) Aí é que o dedo de prosa fica bom. No primeiro semestre eu tive a chance de mediar o lançamento do livro Quando Versos Gotejo, da escritora Camila Dió. Na oportunidade, pedi a ela que respondesse a uma entrevista aqui para o blog, para que todos pudessem conhecer mais do trabalho dela. É este o post que vocês irão conferir agora. Vamos lá?!


Livro de estreia de Camila Dió, Não Escrevo Poemas de Amor.


Algumas Observações: Camila, gostaria que você comentasse um pouco como foi o seu despertar para a escrita. Você sempre soube que seria escritora ou isso foi um processo de descoberta? Você tinha a escrita como um passatempo? Se sim, como foi para você deixar de ver a escrita como um hobby e passar a vê-la como um trabalho?
Camila Dió: A vida tem sido, de certa maneira, surpreendente. Meu encontro com a escrita se deu em idade muito tenra e ao longo do meu caminhar foram aparecendo pistas do que e a que eu deveria ou não me dedicar, com o que eu teria mais afinidades ou não. É certo que meu percurso sempre se localizou em meio às artes de modo geral e sempre fui muito criativa. A criatividade, essa potência de vida, sempre me movimentou e ocupou uma parte notória em minha forma de experimentar, refletir, observar e experienciar o mundo e com a escrita não é diferente. Portanto, assim como as demais coisas, foi um processo de descoberta, algumas das quais não acontecem por acaso, como foi o inspirador encontro que tive com minha máquina de escrever e que me motivou a voltar à escrita depois de anos sem fazê-lo.

Podem inclusive conferir essa história em forma de crônica (A incrível máquina de fazer escritores) que publiquei na revista literária bit.ly/revistamargeal no link: https://sites.google.com/view/margeal/prosas-e-versos#h.4j15f5p7jea, da qual sou colunista.

Há pouco tempo atrás sequer imaginava que publicaria um livro, sequer dois, três ou quatro (dois sendo gestados no momento), mas sempre fui de escrever, embora com alguns intervalos. Tinha a escrita como um hobby, uma forma de me expressar.

Passar a vê-la como um trabalho é de certa forma gostoso, pois exige um compromisso comigo mesma para poder concretizar as ideias e é uma experiência magnífica dar corpo á isso, colocar o trabalho efetivamente no espaço e espalhá-lo pelo mundo. A gente vai criando relações com outros escritores, formando uma rede intelectual, compartilhando textos e publicações, explorando veículos de comunicação. É interessantíssimo.

Camila Dió e sua máquina de escrever.


AO: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesma, tem algum ritual ou mania na hora de escrever? Se sim, quais? Além disso, você tem outras ocupações profissionais além da escrita? Se sim, como concilia as duas profissões?
CD: Tenho escrito espontaneamente quase todos os dias, mas ultimamente sem grandes cobranças, embora, como disse anteriormente, eu tenha um compromisso comigo mesma.
Estudo para escrever, então depois do meu processo de escrita minha mesa de trabalho fica um caos total de papelada, rabiscos, livros, canetas, marcadores. Não sei se isso é ou não uma mania, mas preciso colocá-la em ordem sempre antes de começar a trabalhar. É também uma forma de me organizar mentalmente.
Sim, tenho outras ocupações profissionais além da escrita. Sou artista plástica e artesã, tenho uma marca de produtos artesanais em macramê que vocês podem conferir na página do Instagram @de.no.em.no.
Para mim não é difícil conciliar as duas coisas. Normalmente escrevo poesia durante o início da manhã e durante a tarde me dedico a outras atividades artísticas. Estou também me aventurando pelo universos dos contos (isso é novidade) e normalmente o faço à noite.

AO: Você tem alguma formação literária, estuda por conta própria ou escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento profissional?
CD: Sim, sou formada em Artes Visuais e estudante de Letras no momento. Tanto estudo quanto escrevo de maneira intuitiva é para mim um fazer em que essas duas coisas entram em simbiose. Estou sempre buscando aprimoramento profissional, buscando cursos e estudando muito por conta própria. Lendo bastante conteúdo literário também, como uma forma de fruição e também aprendizado.

AO: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser boa o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?)
CD: A parte de criação flui muito naturalmente por mim. Só é problemático quando passo longos períodos longe da escrita, aí demoro a pegar no tranco. Fazendo um adendo, para mim um dos maiores desafios de ser escritora são algumas questões para além do processo criativo: ganhar visibilidade e conquistar o engajamento e o interesse do público. Não é uma tarefa fácil e requer um esforço que vai além da escrita. Ou seja, por mais que você escreva bem e tenha um bom trabalho, a falta de visibilidade pode ser a morte de um escritor. Digo no sentido profissional. Se a intenção for apenas escrever por hobby, isso não tem tanta importância.
Normalmente não procrastino para escrever. O medo de não corresponder as expectativas existe, ainda mais depois de publicar um primeiro livro que as pessoas tenham gostado. Mas lido com isso da minha própria maneira, tranquila. Não passo por essa sensação de não me sentir boa o bastante, essa questão é muito subjetiva. Ser boa segundo qual parâmetro?
Sou bem exigente comigo mesma, mas não deixo isso interferir muito no meu processo, porque representa um atraso de vida. A escrita para mim tem que ser instigante e de alguma forma prazerosa, mesmo que trate de assuntos dolorosos ou sérios. Portanto deixo esse tipo de sentimento de fora para não me causar entraves e bloqueios. Quando as ideias não surgem naturalmente utilizo técnicas de desbloqueio criativo, que já utilizava quando era apenas artista e que são facilmente transferíveis de um campo para o outro. Em breve oferecerei pequenos cursos disso inclusive, por meio do meu instagram @camila.dio.poemas.

AO: Continuando com o processo criativo, escrever — e publicar — na pandemia muda alguma coisa na criação e lançamento de um livro?
CD: Não sei responder essa pergunta ao certo porque sou uma autora “da pandemia” lancei os dois livros vivenciando esse quadro, momento que marcará a humanidade para sempre e que é muito, digamos, específico. Quanto à criação, já posso comparar algo. Comecei essa empreitada mais séria um ano antes desse momento histórico e posso dizer que entre escrever anteriormente a pandemia e depois o que mudou foi o tempo de introspecção em casa, que aumentou. O que de certa maneira é bom, mas em contrapartida reduziu o tempo de contato com o mundo exterior, que me serviu muito como material de escrita. Então existem essas duas questões.
Lançar um livro neste momento tem vantagens e desvantagens. Antes disso tudo acontecer tive oportunidade de presenciar alguns lançamentos de livros presenciais. E é outro universo, coisa que eu almejava muito... Pois você tem ali o contato direto com o leitor, recita poemas, vende muito mais e é uma comemoração, uma festa, uma realização. Antes de lançar meu primeiro livro planejei muito esse momento, mas veio o balde de água fria e questões seríssimas e péssimas com relação a saúde pública e o governo, acontecendo ao mesmo tempo.
Fazer o lançamento pela internet foi o meio que achamos de nos adaptarmos à situação e que funciona de alguma forma, atingindo um público que talvez não atingiria em um contato mais pessoal, como pessoas de outras cidades e estados por exemplo.

Camila Dió e seus dois livros: Não escrevo poemas de amor e Quando versos gotejo.

AO: Você tem dois livros publicados (Não Escrevo poemas de Amor e o recém-lançado Quando Versos Gotejo, ambos pela Editora Penalux). Como foi o processo de escrita desses livros?
CD: O processo de escrita desses dois livros foi bem diferente, mas mais ou menos concomitante. Com o primeiro livro a escrita se deu da seguinte forma: Embora durante a adolescência passasse grande parte do tempo escrevendo, durante a minha primeira graduação  Artes Visuais  não escrevi nada além de coisas relacionadas ao curso. Tampouco li poesia que é o tipo de literatura que mais consumo no momento. Fiquei cerca de cinco anos sem escrever literariamente. Um tempo depois do curso, me dedicando a outras coisas, motivada pela inspiração surgida após meu encontro com minha máquina de escrever, retornei ao hábito da escrita gradual e lentamente. Apenas pelo prazer que isso me proporciona, motivada pelo desejo de me expressar criativamente por meio da escrita.
Isso por volta de 2016. Em 2017 e 2018 passei por um longo interstício. Em 2019 me voltei novamente à escrita e decidi fazer Letras. O que foi decisivo na minha ainda pequena carreira de escritora. Nesse mesmo ano passei a escrever freneticamente, o que me proporcionou material suficiente para publicar (juntando todos os poemas desde 2016)
Então o primeiro livro Não escrevo poemas de amor surgiu assim. Em meio aos textos desse primeiro livro, existiam alguns haicais que por bem a editora decidiu deixar de fora dessa obra. Mas eram poucos. Como gostei muito da experiência de publicar e com o advento da pandemia, confinada em casa devido ao momento, decidi pegar esses trabalhos e dar continuidade à eles. Assim surgiu o segundo livro Quando versos gotejo.

AO: Falando especificamente do seu livro mais recente, na abertura de Quando Versos Gotejo, você fala que gosta do atrevimento de gotejar. Queria que você explorasse para os leitores do blog essa ideia de atrevimento. O que, para você, é ser poeta e como esse atrevimento te moveu a escrever o Quando versos Gotejo?
CD: Ser poeta é, movida pela paixão de expressar o que a alma e o universo almejam, ou mesmo necessitam, doar parte de si aos outros.
Ler e escrever são atos tão simples, mas ao mesmo tempo tão extraordinariamente revolucionários! O atrevimento já começa com o fato de ser uma escritora. Que é uma área de atuação muitas vezes desvalorizada financeiramente e é predominantemente dominada por homens, os quais ganham maiores destaques e oportunidades de fala. Embora essa realidade esteja mudando.
E quanto a alguns tipos de poemas, são regidos por certas formalidades estruturais e inclusive temáticas muito bem definidas, que é o caso do haicai que se exprime de forma tão sintética e ao mesmo tempo tão bela. É ao que me refiro quanto a gotejar. Me disseram um dia que alguns dos meus poemas não obedeciam algumas dessas formalidades e embora eu tenha pesquisado sobre o assunto, decidi mesmo assim mantê-los. Esse livro me deu a oportunidade de experimentar esse tipo de poema. E partindo dessa premissa e liberdade de criação, e de que sou ainda pouco experiente, mas ainda sim atrevida e carrego comigo certa tempestuosidade, sempre tive em mente que era de fato uma experimentação e que não havia nada do que me envergonhar ou excluir apenas por serem diferentes, pois eles fazem parte do meu processo. Se um dia minha carreira de alguma forma repercutir, quero mesmo que saibam que entre meus poemas existiram aqueles considerados inadequados e que mesmo assim segui em frente. Minha opinião, partindo de minha vivência, é que o mundo carece de mais ousadia.
O que diabos  com o perdão da palavra  foi realizado sem um pouco de ousadia?

Camila Dió, seus livros e suas leituras.


AO: Ao escrever o Quando versos gotejo, você se apropriou da estrutura do haicai. Queria que você falasse um pouco como você chegou nesse formato/estrutura para o livro e como/se a literatura asiática te influenciou de alguma forma.
CD: Conheci o haicai por meio do Leminski. Foi minha primeira referência, depois Alice Ruiz, Millôr, entre outros. Sempre fui muito dada à poesia brasileira. Quando comecei a escrever procurei por Bashô que é o grande mestre desse tipo de poema no Oriente. Então de alguma forma me influenciou, mas confesso que foi no meio do caminho e da ignorância é uma pedra. Só fui entender o haicai de fato quando decidi conceber o livro, o que foi escrito antes era bastante cru nesse sentido. Tinha um conhecimento superficial que fui amadurecendo aos poucos e ainda está em processo de amadurecimento.


AO: Nesse livro nota-se uma grande influência dos modernistas: sua epígrafe traz um trecho do Drummond (e há um poema na página 34 que faz intertexto com “a flor e a náusea”), já em outros dois textos você cita que leu Leminski e a Alice Ruiz (ambos poetas que escreveram haicais), em outro relembra explicitamente os haicais do Millor Fernandes. Como é essa sua ligação com o cânone brasileiro e até que ponto ele te atravessa nesse livro?
CD: Antes de cursar Letras não tinha conhecimento algum de poesia contemporânea, e antes de me enveredar e usar ativamente as redes sociais nesse sentido, sequer tinha acesso. Então, o cânone certamente influenciou o meu trabalho de alguma maneira.

AO: Além da citação dos autores brasileiros, você vai fundo em alguns elementos culturais do nosso folclore, a exemplos do Curupira, da Caipora, do Boto, da Cuca e da Iara. O quanto foi importante trazer essa brasilidade para um texto que, como já dissemos, faz uso da estrutura japonesa do haicai?
CD: Considero importante trazer elementos da nossa cultura para a nossa poesia, quando digo nossa, falo brasileira. Porque é de uma riqueza inigualável e por vezes é relegada aos porões da escrita e quando tratada é grande parte das vezes apenas em literatura infantil. E esses elementos folclóricos são ricos e interessantes com suas origens tão variadas. O folclore sempre permeou a minha mente durante principalmente a infância então resolvi trazê-la para a minha fase adulta e expressá-la para que não nos esqueçamos de nossas origens. É uma forma de resgatar o contato do adulto com o folclore brasileiro. É um elemento que faz parte de ser humano, e que une “crença” que é algo humano aos elementos da natureza.

AO: Ainda falando sobre temas: a natureza é muito frequente no seu livro, seja pelos elementos (como o mar, a mata, a chuva, a lua), seja pelos ciclos (as estações do ano). Como você a ligação da poesia com a natureza, já que os leitores andam cada vez mais urbanos e desconectados com esse sistema mais natural?
CD: É comum no haicai abordar esses assuntos, mas também estão muito presentes no meu trabalho de modo geral. Poetas do mundo inteiro falam sobre a lua, o mar, as flores. Embora vivamos uma realidade tão desconectada da natureza, é nela que buscamos refúgio em momentos de estresse, por exemplo. É dela que retiramos nossos alimentos, seus ciclos regem a forma como nos vestimos, o que comemos e por onde andamos. Então não estamos assim tão distantes, embora essa proximidade não seja tão grande quanto eu gostaria. A poesia aproxima o leitor das paisagens da natureza e seus elementos, faz a imaginação voar por lá, pousar e fazer morada, mesmo nos centros mais urbanos.

AO: Algo que eu gosto muito em Quando Versos Gotejo é que você consegue fazer provocações no leitor a partir de perguntas e de temas do cotidiano. Em alguns momentos, você abre uma brecha para assuntos que exigem muito do leitor atual, como no poema sobre o Brasil (p.21) ou os sobre política (p. 51, 71 e 79). Como você espera que essas provocações cheguem aos seus leitores?
CD: Gosto de promover reflexões. Como autora gosto de pensar que sou multifacetada e que se eu me permito tratar de tantos assuntos  dar forma, beleza a eles  porque não levar para o público questões relevantes para a sociedade? Penso que a leitura é também uma forma de continuação. Um poema não termina após a lido, ele reverbera e o leitor dá continuidade por meio de seus pensamentos, por isso acho importante as questões da atualidade, da realidade que por vezes são injustas ou cruéis. É algo que realmente mereça atenção, embora como poeta pense que tudo, até o menor grão de poeira pousado na mesa da sala é um assunto digno de ser retratado em poesia .

AO: O humor também é presente no Quando Versos Gotejo. Como você vê o papel do riso no gênero poético?
CD: Vez ou outra sinto que o riso é relegado às margens da poesia. Mas acho importante a presença dele ali para temperar as coisas. A poesia não precisa ser tão séria assim, acho que existe espaço ali para todos os tipos de humores e é o que torna tudo muito mais interessante. Sou uma pessoa bem-humorada e o riso faz parte do meu dia-a-dia então resolvi colocá-lo no papel também e oferecê-lo aos leitores. Por que não o faria?

AO: Falando do projeto gráfico de Quando Versos Gotejo, como foi o processo de ilustração e feitura da capa?
CD: Embora também desenhe, eu queria muito com a ilustração do livro, a visão de outra pessoa sobre os poemas. Devido a minha formação, tenho muitos amigos na área. Cecília Viana é uma dessas pessoas e executou esse trabalho lindamente. Escolhi os poemas e dei total liberdade a ela no processo de criação, pontuando uma coisa ou outra no final do processo, mas sem grandes mudanças. Quanto a capa, a Penalux escolheu uma dessas ilustrações e a utilizou. A capa foi realizada a partir do trabalho da Cecília pela Karina Tenório que também fez um excelente e belo trabalho de edição. Sou imensamente grata à elas.

AO: Você publica vários textos seus no Instagram. Então, gostaria de saber qual é a sua visão sobre o papel das redes sociais para a carreira do escritor. Além disso quero aproveitar para perguntar por onde/como as pessoas podem entrar em contato com você?
CD: Hoje as redes sociais são muito importantes para que o escritor tenha visibilidade, possa falar de seu trabalho, compartilhar textos, promover reflexões e interagir com o público, principalmente na nossa atual realidade de pandemia. As redes sociais aproximam o público e outros canais de divulgação do profissional. Faz você entrar em contato com outros profissionais da área e ter mais contato com o mercado editorial além estabelecer relações e se fazer conhecido e conhecer outros escritores.
As pessoas podem entrar em contato comigo pelo Instagram @camiladiopoemas e também por meio do e-mail camila.dio.poemas@gmail.com. 

Camila Dió e suas leituras.


AO: Quais conselhos você daria para uma escritora em começo de carreira?
CD: Busque, corra atrás, procure outros escritores, converse com pessoas do meio, tire suas dúvidas com coragem e ousadia. Confie em si mesma, compartilhe os textos com amigos, peça a opinião deles e não tenha vergonha ou medo. Estude e leia muito, procure saber a trajetória de vida dos escritores conhecidos. procure gente com quem você se identifique literariamente e converse. Deixe o mundo e as emoções te inspirarem que assim você irá cada vez mais longe, mas principalmente não duvide de si e acredite em suas ideias.

AO: Quais são os seus planos futuros? Já pensa em um próximo projeto?
CD: Gostaria muito de continuar escrevendo e abrir o meu leque de possibilidades literárias. Me dedicar à escrita é uma paixão que provavelmente levarei comigo a vida toda e se eu puder compartilhá-la, tiver oportunidade de lançá-la ao mundo, é o que irei fazer até meu último suspiro.

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
CD: Fernanda, primeiramente gostaria de agradecer pelo espaço para falar sobre o meu trabalho e parabenizá-la pelo blog lindíssimo e organizado! Excelente entrevista é sempre um prazer falar com você.
O recado que deixo aos leitores é: deem oportunidade a literatura contemporânea, conheçam os autores, converse com eles e se você escreve e tiver alguma dúvida sobre como publicar e se lançar no mercado editorial, sinta-se totalmente à vontade para me procurar sou totalmente aberta. Um grande abraço e obrigada!

Para ver como foi o lançamento de Quando Versos Gotejo, aperte o play: 

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segunda-feira, 19 de julho de 2021

Vacinei — parte 1

segunda-feira, julho 19, 2021 5


O Algumas Observações é parte importante da minha vida. Aqui há registros de vários momentos que são marcantes e cruciais, então é por isso que eu resolvi escrever.

Hoje, depois de 1 ano, 4 meses e 6 dias de quarentena, sem ver amigos ou fazer qualquer coisa de lazer na rua, tomei a primeira dose da vacina contra o coronavírus.

Quem me conhece mais de perto e há muito tempo sabe que eu sofro de fobia de agulha (não vou entrar em detalhes agora, mas não, não é só uma picadinha. Viver na minha cabeça é muito mais complexo) que se agravou ao longo da pandemia (o que mais se tem é imagens de agulhas por todos os lugares), então ir tomar essa vacina exigiu bastante de mim. Por outro lado, sou uma pessoa que acredita na força da educação, da ciência, do coletivo e da democracia. Eu sei que todo mundo deve se vacinar, porque é só isso que vai tirar a todos nós deste buraco, e que todos devem se vacinar com a vacina que tiver no posto. Simples assim.

Primeira vez que o casaco feito por mim saiu de casa.
Aprovado, já que estavam 11ºC hoje cedo.
Fui bem fangirl do John Mayer (saudades show de BH!).
A máscara de gatinhos foi feita pela Mulher Vitrola.

Eu estou orgulhosa por ter me vacinado. Perdi uma pessoa que amava muito por causa dessa doença. Meu pai perdeu um grande amigo. Vi colegas e amigos perdendo pais, primos, tios, avós. Vi dois dos meus ex-alunos, duas crianças pequenas, ficando sem a mãe. Fora toda a tensão de ver muita gente ficando muito mal e tendo que lidar com todas as sequelas. Tudo porque essas pessoas não tiveram a oportunidade que eu tive e que todos nós estamos, mesmo que aos poucos, tendo. 

Se você, que está me lendo agora, ainda não tomou a sua vacina, e ela estiver disponível para a sua idade, vá. Se você já tomou a primeira dose, fique de olho e volte para a segunda. Os cuidados todos — uso de máscara, lavar as mãos/álcool em gel, distanciamento — ainda continuam, mas vamos vencer. Espero que, cada vez mais, a gente possa sorrir ao ver os números de brasileiros vacinados no jornal. É dessa estatística que a gente tem que fazer parte.

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segunda-feira, 12 de julho de 2021

{Resenha} Desvio, de Iasmim Martins

segunda-feira, julho 12, 2021 4

Escrito pela psicanalista Iasmim Martins, Desvio é livro de poemas que costura as ausências para tecer as descobertas do corpo desse eu lírico que transita por espaços e sentimentos. Enquanto vagueia entre a casa, a praia, o apartamento e o corpo do outro, os poemas narram uma construção de si. Há um amadurecimento da desconstrução dos ideais para a elaboração de conclusões próprias sobre o que é a vida e o amor e como isso se dá da relação consigo e com os outros.

Esse processo não se dá sozinho. Ele acontece na voz que busca, nos olhos que leem (Frederico Tavares, Charles Baudelaire) ou que observam os barquinhos ao longe, nos pés que se banham nas ondas e por meio dos ouvidos que acreditam que a palavra alheia também é poesia. Nesse sentido, o livro é cíclico ao nos lembrar que viver é um constante movimento de morte e de renascimento.

OBJETO
Você diz que gosta do meu objeto
E do jeito que falo do meu objeto
Eu fico só para escutar da tua boca
Jorrar o poema.
(Iasmim Martins, em Desvio, página 40)


A jornada é apresentada ao leitor em três partes: Lampejos, Incêndios e Punhais. Lampejos nos introduz a essa poeta caminhante, que observa o seu redor de forma a coletar as pequenas miudezas de seu cotidiano, advindos de insights concisos. Incêndios, nos mostra esse mesmo eu poético desejando pertencer a esse mundo indizível, improvável, impossível. Por fim, em Punhais o desvio acontece de forma brutal: a ausência presente e o que fazer com ela ganham forma à medida que essa dor e essa tomada de consciência se verbalizam nos versos. Se em Lampejos e Incêndios, a gente tinha uma poeta que conversava consigo mesma e, no máximo, com um possível ser amado, em Punhais, ela se abre para observar e interagir com outras pessoas do mundo, ainda que este mesmo mundo não valha nada, seja injusto e arbitrário em suas leis. 

Eu fui a mediadora do evento de lançamento do livro. 
Aperte o play para ver como foi a conversa com a autora.

Além da narrativa por escrito, o livro apresenta em sua composição fotografias. Por meio dos retratos da autora, podemos nos aprofundar tanto no que dizem os poemas, quanto na história que todas as fotos juntas compõe: o aprofundamento interno do eu, a força e a coragem, as múltiplas formas de ser mulher.
Capa.


Livro: Desvio
Autora: Iasmim Martins
Páginas: 66
Editora: Penalux
Apresentação: Será o desvio um erro no percurso que nos afasta do caminho ou um atalho perspicaz? Para onde nos leva? O que nos é posto diante do desvio? Uma decisão deve ser tomada? Neste livro o Desvio é o próprio caminho, não por um engano ou por uma escolha, mas por uma “condição irremediável de ser”. Os poemas aqui escritos revelam o estreito encontro entre o ir e o ficar. Somos convidados a atravessar vazios sem norte, percorrer vias sinuosas, desbravar horizontes ocultos em busca do encontro de si mesmo, em si, no outro e no mundo. A autora afirma e nega o devir, transita no campo do entre e num rompante nos entrega de maneira precisa e profunda o despertar incendiado dos desejos do corpo e da alma de uma mulher, que se alastra em busca das próprias descobertas. As imagens parecem movimentar-se ao som de uma partitura silenciosa entre os véus que a escondem, protegem, suavizam e a confortam da “agonia de ir existindo”. Desvio traduz em poesia o indizível, nos convoca para despedida das nossas ausências, liberta-nos dos véus. A autora veste-se de si, e nos encoraja a cerrar os punhos e carregar em nossas mãos o poder da “condição irremediável de ser mulher”! [LISANE IRALA]
Livro no Skoob. 

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quinta-feira, 8 de julho de 2021

Planejando a segunda metade de 2021

quinta-feira, julho 08, 2021 4
Foto por Diego PH, via Unsplash.


Chegamos ao segundo semestre de 2021. Além de todos os aniversários (do meu livro e daqui do blog), foi também em junho que eu completei um ano de demissão. Essa temporada é a primeira que passei longe da sala de aula desde que me formei e... que aventura, não?!

Multitarefas

Foto por Patrick Perkins, via Unsplash.


Aliás, por falar em aventuras, sempre que eu digo que estou começando um projeto ou que tirei um tempo para fazer algo que eu gosto (escrever, ler, tricotar, brincar com as gatas, dormir ou qualquer coisa do gênero), o que eu mais ouço é "não sei como você tem tempo para tudo!", "queria ser como você", "como você consegue fazer tantas coisas" ou variações dessas ideias. Eu já pensei demais sobre isso e o que tenho a dizer é:

1. Eu tenho múltiplos projetos/trabalhos/hobbies porque eu gosto de fazer coisas diferentes ao mesmo tempo. Isso é importante. Acho que uma pessoa que não goste de fazer muitas coisas ao mesmo tempo não conseguiria ter uma agenda como a minha — e isso não significa que ela seja melhor ou pior que eu. Somos apenas diferentes;
2. Eu faço muitas coisas, mas o meu foco principal está em 2 ou 3 delas no máximo. Sou ser humano e também tenho meus limites. Quantas vezes eu disse por aqui que o blog teve menos post por conta do trabalho, por exemplo? Nem sempre dá para fazer tudo, mas isso também não significa que eu tenho que desistir só porque não deu tempo;
3. Eu planejo. O meu planejamento não é uma camisa de forças — sou rainha em programar X e acordar sem energia e fazer Y —, contudo, colocar as ideias no papel me ajuda a não perder os meus desejos de vista. Um exemplo prático? No começo do ano eu falei que queria ampliar as minhas aulas de escrita, todavia não tinha feito nada no primeiro trimestre relacionado a isso. Quando abri o meu planejamento anual em maio, corri atrás de reservar o horário, separar o material das aulas e escrever o post divulgando tudo. De lá para cá, consegui formar duas turmas. Muito provavelmente se eu não tivesse colocado essa ideia no papel — e não tivesse revisitado esse papel —, a rotina teria me engolido e o desejo de lecionar escrita literária teria ficado bem distante.

Recalculando a rota

Foto por Annie Spratt, via Unsplash.

A primeira parte do meu planejamento é com papel e caneta. normalmente sigo as etapas abaixo:

1. Acho que a primeira coisa a se fazer é revisitar as listas de objetivos para o ano, de objetivos a médio e longo prazo e a de próximas ações. Ao rever tudo isso é possível avaliar o que já foi feito, o que está em andamento, o que vai ser adiado ou o que simplesmente não faz mais sentido algum;
2. Eu gosto de fazer a roda da vida a cada início de trimestre. Assim consigo avaliar a quantas ando em todas as áreas da vida (isso é importante, porque eu tenho uma tendência a focar muito no trabalho). Divido a minha da seguinte forma: equilíbrio emocional, saúde e disposição, desenvolvimento intelectual, realização e propósito, recursos financeiros, projetos, família, amor, vida social, hobbies, plenitude, espiritualidade;
3. Depois gosto de fazer uma lista de tudo o que não estava planejado, mas que eu consegui fazer. É legal poder ver o que surgiu de demanda, o que tentei fazer e deu certo ou não;
4. Também tento pensar por que eu consegui atingir os objetivos que atingi e por que não consegui fazer o que tinha me proposto. Entender isso me ajuda a ver se fui eu mesma que não quis ou me autossabotei ou se teve algum fator externo (oi, pandemia!) que impediu que eu fizesse tal coisa dentro desse período;
5. Após ter olhado as listas e feito essa avaliação, gosto de escrever como seria o meus segundo semestre ideal e colocar uma ordem hierárquica nesses objetivos. Isso me ajuda ver onde eu tenho que focar mais ou menos energia;
6. Por fim, anoto ações que eu considero importantes para chegar nesse segundo semestre ideal e faço os lembretes necessários (coloco o que é preciso na lista de próximas ações ou no calendário, caso tenha uma data específica).

Sazonalidade

Foto por rocknwool, via Unsplash.

Feito tudo isso, parto para ações práticas do item 6 e para organizações sazonáis:
1. Arquivos eletrônicos — dou uma geral no meu computador, principalmente na pasta "downloads". Também reviso os arquivos do celular. Aproveito para ver se há alguma pasta que precise de backup (geralmente são a de fotos, as dos textos que escrevo e dos cursos que elaboro).
2. Livros e roupas — faço a faxina interna dos armários e aproveito para verificar se tem algum livro que eu não queira mais e que possa ser doado.
3. Conserto, reaproveitamento e lixo — nessas arrumações também vejo se há algo que precise ser consertado, que possa ganhar um outro uso ou se precisa ser jogado fora.
4. Organização de agenda — aproveito para verificar se há algo pontual que precise ser agendado (como a vacina das gatas).

Revisão

Depois de ter feito tudo isso, coloco na agenda um horário específico para revisitar tudo de tempos em tempos (normalmente, repasso o planejamento uma vez por semana). Não adianta ter todo o trabalho de escrever o plano e não voltar nele nunca mais. 
Outro fator que tem contribuido muito para mim é fazer as retrospectivas mensais aqui no blog. A ideia surgiu para eu ver que havia vida dentro do confinamento em casa; mas, querendo ou não, esse também é um momento de revisão mensal que me ajuda a perceber quando eu estou me aproximando mais daquilo que desejo e quando não.

Esse planejamento me ajuda não só na virada do semestre, mas sempre que eu preciso voltar a me sentir no controle das coisas, a valorizar a minha caminhada. 😉

Agora eu quero saber: como você planeja a sua vida?! Tem alguma dica boa para me dar?! Deixe nos comentários. 😍

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quarta-feira, 30 de junho de 2021

Retrô mensal #11: junho/2021

quarta-feira, junho 30, 2021 7
O calendário maravilhoso é feito pela @soupotiria.


Eis que o sexto mês do ano acabou. Dá para acreditar que um semestre inteiro de 2021 se foi? Parece que eu vivi 15 vidas só nesse primeiro semestre. Foi assim para você também?

Apesar de 2021 continuar tão desafiador quanto 2020, eu consigo ver neste ano um movimento de profunda transformação. Espero que as coisas melhorem e nos levem a caminhos melhores, mais leves e mais felizes. 

#Retrô de boa

  • Terminei cinco peças no tricô (sendo três delas feitas para outras pessoas);
  • Participei de um evento educacional em que pude falar sobre o livro que escrevi, Narrativas Digitais: narro, logo existo! Registrar o meu mundo e construir histórias, para educadores do Centro Oeste (quem quiser baixar o material gratuitamente, acesse aqui);
  • Recebi a leitura crítica do meu livro novo de poemas. Agora só falta fazer os ajustes para enviar à editora.
  • Meu pai se vacinou. Agora só falta eu mesmo (estou esperando chegar a minha vez).
  • Terminei de revisar a segunda antologia do Projeto Escrita Criativa! :) Estou empolgadíssima com esse livro, porque ele está bonito demais! :) 
  • Fiz a revisão semestral e notei que metade das minhas metas foram concluídas nos primeiros seis meses do ano. :) (Para ler quais eram as metas para 2021, clique aqui.)
  • Consegui comemorar os dois anos do meu A Intermitência das Coisas e os meus 15 anos de Algumas Observações (queria ter escrito um post sobre isso, mas tive uma semana de crise de enxaqueca).
Live de comemoração do livro A Intermitência das Coisas. Nela li alguns poemas e contei curiosidades sobre o livro.

Café Notável com o Júnior Miranda. Para comemorar 15 anos do blog, nada como ter uma conversa com um dos primeiros leitores do Algumas Observações.

Sarau de comemoração dos 15 anos do Algumas Observações, com Carol Daixum, Livia Brazil e Lucila Eliazar Neves.

#Retrô para melhorar

Junho foi um mês tão complexo, tão dolorido, tão desolador por aqui, que não vou colocar nada para melhorar. Só de eu ter sobrevivido, já está ótimo.

Que julho e todo o segundo semestre seja mais leve!

Beijos e queijos :*
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segunda-feira, 28 de junho de 2021

{Resenha} O poder de cura dos chakras, de Tori Hartman

segunda-feira, junho 28, 2021 0
Resenha do livro O poder de cura dos chakras, de Tori Hartman.

Tori Hartman foi muito feliz ao escrever O Poder de Cura dos Chakras. O livro é ótimo para quem quer não só entender de onde vem a história dos chakras, mas também como esses centros de energia afetam o dia a dia. Além disso, Hartman apresenta exemplos e exercícios práticos que transformam esses conceitos tão abstratos em algo mais palpável ao nosso cotidiano, sempre tão corrido.

No começo do livro, a autora introduz seus leitores não só à obra, mas também à trajetória dos chakras desde tempos remotos até a atualidade. Ela também explica que há diversas perspectivas de se olhar para a história dos chakras e de qual delas partiu para escrever a obra, deixando claro que "este é um ponto de partida, não um guia definitivo. O objetivo é levá-lo a entender os chakras e a entrar em contato com suas energias" (página 33). 

A proposta de Hartman para os leitores é escrever um livro de diversão, em que o leitor leia e faça os exercícios para se perceber. É muito interessante como as propostas são simples e, ao mesmo tempo, de uma profundidade sem tamanho. A maioria delas envolve ou uma meditação (lida, uma vez que a própria Tori Hartman transcreve nos capítulos) e escrita — então é bom ler com um caderninho ao lado.



Os capítulos que descrevem os 7 chakras propriamente ditos apresentam uma estrutura parecida: na abertura há uma espécie de ficha técnica (com a descrição da flor de lótus, a regência, os órgãos, o significado, o conceito principal, a tradução ocidental, a cromoterapia ocidental e o aspecto kundalini), os aspectos físicos e os problemas pessoais (ambos com sugestões para amenizá-los), um trecho sobre as pedras e cristais relacionados ao chakra em questão, a cor do chakra descrito, a evolução do significado, a interpretação moderna, uma história de exemplo prático, uma meditação e um exercício. Além de tudo isso, cada capítulo tem um resumo final e como aquele chakra se relaciona com o próximo. Mas o livro não se detém em explicar apenas os chakras. Tori Hartman vai além e escreve um capítulo sobre o som dos chakras e sobre como trabalhá-los tanto pela manhã, quanto pela noite.

Falando assim, O poder de cura dos chakras pode parecer um livro didático, mas vejo que a autora conseguiu atingir o seu objetivo: a leitura foi super divertida e cheia de insights. Apesar de o propósito ser ir trabalhando e se autoconhecendo, eu devorei o livro numa sentada, porque ele tem esse efeito de fazer com que os leitores queiram entender a totalidade das conexões entre os chakras todos. Nesse sentido, acho que vale uma leitura completa do livro para ter uma visão geral e, depois, voltar nos capítulos para fazer os exercícios. De qualquer modo, como a própria Hartman escreveu: "O caminho para descobrir seu relacionamento com os SEUS chakras é único e pessoal, assim como você" (página 33) — isso também vale para o modo como você irá se relacionar com o livro. 😉

Capa do livro O poder de cura dos chakras, de Tori Hartman.


Livro: O poder de cura dos chakras: use seus centros de energia sutil para o bem-estar emocional, físico e espiritual
Título Original: Chakras — Using the chakras for emotional, physical, and spiritual weel-being
Autora: Tori Hartman
Tradução: Euclides Luiz Calloni
Páginas: 192
Editora: Pensamento
Apresentação: Este é um guia simples e moderno que explica como os chakras funcionam, revelando também como se beneficiar de suas energias curativas quando se encontram em pleno funcionamento. Esses meridianos de energia são os principais centros energéticos do nosso corpo; o trabalho com esses centros promove a saúde e a felicidade nas dimensões física, mental e espiritual. O livro traz a história simplificada dos chakras, suas principais áreas de influência e como trabalhar com esse poderoso fluxo de energia em sua vida. Você aprenderá meditações, exercícios e até mesmo como lançar mão de especiarias que vão te ajudar a acessar a energia transformadora dos chakras e, consequentemente, conhecer mais sobre si mesmo.

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terça-feira, 22 de junho de 2021

{Resenha} O Oráculo da Deusa, de Amy Sophia Marashinsky e Hrana Janto

terça-feira, junho 22, 2021 2
Entre em contato com as deusas.

A Editora Pensamento relançou em 2021 uma de suas publicações famosas, O Oráculo da Deusa. A obra foi escrita por Amy Sophia Marashinsky e ilustrada por Hrana Janto. O livro vem em uma caixa dura e é acompanhado por 52 cartas-oráculo.

A obra é bem organizada e didática. Marashinsky escreveu um breve prefácio em que explica o porquê de se entrar em contato com as deusas e como as religiões judaico-cristãs impactou a visão que ela — de familia judaica — teve por muitos anos do que é ser mulher. Ainda na introdução, há um breve relato do apagamento das deusas — e, em consequência, das figuras femininas — ao longo da história do patriarcado e a descrição da busca da autora por sua totalidade. É justamente esse "reintegrar os aspectos da personalidade" que ela busca oferecer às suas leitoras. 



A parte I do livro dá um norte de como usar as cartas do oráculo propondo desde como criar um ritual de concentração a como se conectar com as cartas. A autora também três sequências de como tirar as cartas, que são ótimas para quem nunca fez leitura alguma com oráculos. Além de apresentar o que se espera de cada posição tirada, Amy Sophia Marashinsk traz um exemplo prático de como interpretar a leitura. Nela a autora sugere que é possível usar o Oráculo da Deusa como complemento/confirmação de outra leitura feita com um outro oráculo ou com cartas de tarô.

Parte das 52 cartas que acompanham o livro.

A parte II do livro traz uma descrição completa de cada uma das 52 cartas do oráculo. Ali há o nome da deusa, a palavra-chave (qualidade) do que ela representa, um texto poético que dá voz à deusa ao lado de uma imagem em preto e branco da carta (que é colorida). Na sequência há a mitologia com a história da deusa, o significado da carta e uma sugestão de ritual para se conectar com ela. O bacana é que boa parte dos rituais são mentais (por meio de uma meditação, por exemplo) — o que torna essa conexão mais fácil de ser realizada.

Por fim, a parte III apresenta uma tabela-índice com as deusas, suas qualidades, sua sugestão de ritual e a cultura ou região de onde essa mitologia nasceu.

As cartas têm um tamanho bom para o manejo e têm boa qualidade, por serem impressas em papel de alta gramatura. Elas apresentam a ilustração colorida da deusa, feita por Hrana Janto, o nome da deusa e sua qualidade/palavra-chave. Então, em uma leitura intuitiva, dá para ter uma noção do que se trata a mensagem trazida pela deusa, mesmo sem olhar no livrinho. Já a caixa, por ser feita também em papelão de alta gramatura, protege tanto o livro quanto as cartas.

Capa. (A deusa da capa é a Sofia, da sabedoria.)


Livro: O oráculo da deusa
Autora: Amy Sophia Marashinsky 
Ilustração: Hrana Janto
Tradução: Zilda Hutchinson Schild Silva
Páginas: 200
Editora: Pensamento
Apresentação: Com mais de 150 mil exemplares vendidos, este clássico chega agora em caixa rígida. O livro celebra as muitas faces com as quais a Deusa foi adorada em culturas de todo mundo. O Oráculo da Deusa reúne 52 cartas que representam um aspecto particular da energia feminina e foi criado para dar fácil acesso aos conhecimentos sobre as Deusas e seus significados simbólicos, ligados ao Sagrado Feminino. Por meio de uma combinação dinâmica de poesia, mitologia e rituais, este livro responde a diversas perguntas, além de oferecer conhecimentos intuitivos e orientações para encarar os desafios do dia a dia. Um oráculo que ajuda você a entrar em contato com o presente e a criar o futuro que sempre desejou.
Livro no Skoob. | Livro no Goodreads.

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terça-feira, 15 de junho de 2021

{Vamos falar sobre escrita?} Como ter um blog impulsiona a carreira de escritor

terça-feira, junho 15, 2021 14
Já pensou em ter um blog?

No dia 24 de junho, o Algumas Observações completa 15 anos (🎈🎉), por isso eu me peguei refletindo sobre como esta jornada me ajudou na minha carreira de escritora. É legal olhar para trás e saber que consegui me manter firme por tanto tempo na escrita e perceber que este espaço foi fundamental para isso. Sendo assim, eu listei nove motivos importantes que impulsionam o escritor e a escritora — iniciante ou não — nessa jornada. Se você sonha em ser autor ou já escreve, veja a lista. Se você conhece alguém que tem esse sonho, compartilhe com o coleguinha! 😉

Antes de começarmos, entretanto, é valido dizer aqui que é escritor toda pessoa que se dedica à escrita como profissão, o que significa que não é porque uma pessoa nunca publicou um livro físico que ela deva se achar menos importante do que quem já o fez. A ideia desse post é fortalecer os dois perfis: tanto quem quer escrever sem pretensão de publicar livros, quanto quem tem esse desejo de ser autor publicado.

Foto por Nick Morrison, via Unsplash.


Experimentar diferentes formas de escrita

Diferente do que acontece com um livro, que o autor precisa ter um projeto com uma proposta coesa, no blog é possível escrever diferentes tipos de textos. Aqui eu publico majoritariamente contos, crônicas, poemas, resenhas e artigos, mas há outros escritores que usam os próprios blogs para soltarem os capítulos de seus romances. Poder testar diferentes tipos de texto e ir percebendo com qual tem mais afinidade é importante até para definir o que o autor quer aprofundar, levando para a publicação em livro. 

Registro de evolução da escrita

Ao longo dos anos, isso se torna cada vez mais evidente: a nossa escrita muda, amadurece, segue por novos caminhos. Ter um blog é uma forma de registro dessas mudanças e pode ser usado pelo escritor como forma de estudo da própria obra. É possível ver nos arquivos não só o gênero textual mais escrito, mas também observar os temas de predileção e como eles influenciam no que é produzido.

Além disso, é possível registrar também como é o processo da escrita do próprio livro em si, compartilhando os bastidores de como anda o processo de criação, revisão, publicação.

Foto por Max Saeling, via Unsplash.


Mistura de diferentes linguagens

Em um blog é possível colocar texto, imagem, vídeo e áudio juntos. Para escritores que pretendem criar projetos experimentais, isso pode ser uma forma de ir testando como criar uma miscelânea artística que funcione dentro da proposta estética do projeto futuro a ser lançado.

Feedback instantâneo

O mais legal — e por vezes surpreendente — em um blog é que o autor tem um retorno praticamente instantâneo do texto. Pode acontecer de o autor do blog criar um post mega elaborado e não ter muito feedback positivo e de fazer um texto às pressas e todo mundo amar. Esse é um grande exercício de equilíbrio entre saber ouvir os leitores e, ao mesmo tempo, não se deixar pautar apenas no que os outros querem que seja escrito.

Criação de uma comunidade de leitores-escritores

Ter um blog — e visitar os blogs de outras pessoas — ajuda muito na criação de uma comunidade de leitores. Essa é uma forma bacana de fortalecer relações. Normalmente serão os leitores do blog os primeiros a apoiar o autor quando ele for lançar o seu primeiro livro. O pensamento dessas pessoas costuma ser: "se é legal ler o que o Fulano escreve na internet, imagine em um livro?". Também serão essas pessoas que ajudarão na divulgação da obra — não há nada melhor que o boca a boca! 😍

Independência das redes sociais

Quem viveu o ápice e o fim do Orkut sabe que não se pode publicar somente nas redes sociais. Já parou para pensar se o Instagram ou Facebook resolvem mudar tudo do nada?! Provavelmente quem só publica por essas plataformas corre o risco de perder seus textos. Ter um espaço próprio garante que o autor siga as suas próprias regras, não as ditadas pelo dono da rede social em que publica. 

Foto por Lauren Mancke, via Unsplash.

Portfólio e ponto de informações oficiais

Além de ser o portfólio de registro das criações literárias, o blog serve para o escritor deixar suas informações e todos os links disponíveis na internet. Assim, seus leitores têm informações oficiais e seguras sobre o autor e suas obras.

Argumento para publicação em editoras, editais ou apoio no financiamento coletivo

Quando eu decidi que queria publicar por uma editora, de modo tradicional, eu sabia que ter um blog há 13 anos (na época) era um ponto muito favorável a meu favor. Primeiro porque mostrava que eu não era alguém que resolveu escrever do nada, que já tinha experiência nesse assunto. Segundo, porque eu pude dizer que tinha pessoas que me liam há 13 anos  o que, para editora, significou uma maior probabilidade de vendas (do que se eu tivesse chegado sem blog e sem leitores). Terceiro, porque eu já tinha uma plataforma sólida de divulgação do meu trabalho, uma forma própria de me comunicar e me posicionar nas redes sociais — isso deu mais segurança à editora de que ela poderia contar comigo para divulgar o meu livro. A última coisa que as editoras querem hoje é autor que só escrevem e não fazem nada para vender a própria obra.

Esses mesmos argumentos poderiam ser válidos na escrita de um projeto para algum edital de incentivo à cultura que dão apoio com verba para os autores publicarem. 

Por ter um público estabelecido, esses argumentos e a comunidade de leitores conquistadas podem ser de grande valia caso o autor resolva publicar via financiamento coletivo. 

Estabelecimento de parcerias

Sendo um escritor, é possível que seu blog consiga parceria tanto com editoras, quanto com outros autores e outros blogs literários. Isso é importante porque ajuda a desenvolver o lado profissional entre escritor e as pessoas que fazem parte do mercado editorial: leitores, editoras e produtores de conteúdo.

Mão na massa

Você tem blog? Teve blog? Pensa em ter blog?! Quer publicar um livro mas nunca teve coragem? Me conte aí nos comentários (lembrando que eu tenho um grupo de estudos e uma mentoria de escrita, para quem precisar de ajuda. Os detalhes estão aqui). Vai ser ótimo saber como você se sente em relação à escrita.


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domingo, 13 de junho de 2021

Meio-fio

domingo, junho 13, 2021 10


Meu desejo por poesia está tão grande quanto a secura na minha garganta. É quase inverno e não chove.

Recebo propostas absurdas para escrever sobre temas que não têm nada a ver comigo.

Sonho que estou em um lugar em que não há pessoas negras além de mim.
Acordo com dor de cabeça.

Há cada dia é mais difícil seguir vendo notícias, quando a única coisa boa do telejornal é a bela voz grave do Bonner dizendo “Boa noite”.
Uma mulher grávida foi morta por uma bala encontrada de uma violência sem fim. Ela tinha a pele como a minha. O bebê que ela carregava no ventre, também.
Fiquei sabendo disso pela minha amiga que mora na Argentina. A amiga dela era amiga da moça.

Parentes que passaram mais de um ano aglomerando pegaram covid e ligaram e casa para pedir para a gente “se cuidar”. Precisa quase morrer para entender as orientações da OMS?

Hoje cedo teve um eclipse solar, mas o céu está nublado. Mesmo se estivesse ensolarado, não seria visto do Brasil. O Brasil, por sua vez, está sendo cada vez mais ignorado. Quem quer ser amigo de alguém que é uma bomba de miséria?

Ontem dei um play numa entrevista do padre Júlio Lancellotti. Sempre que o vejo falar me emociono e me sinto convocada a pensar se aprendi amar sem medo. Ele olha para todos como irmãos. Eu consigo andar na rua sem me sentir ameaçada?

Aí penso que meu medo é por ser mulher. O padre é homem — e padre. Isso por si só levanta uma barreira de respeito. É preciso muito para uma mulher chegar nesse nível de proteção liberta. Eu ainda estou aprendendo.

Leio as minhas companheiras de aula de escrita e mais uma vez me emociono. O mergulho para dentro. O mergulho para fora. A profusão de imagens que elas captaram de si e do outro. Me questiono se tenho a capacidade de estar entre elas. A dúvida é eterna. Penso em desistir.

Piso na navalha que é pertencer.

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

{Resenha} Ossos Açucarados, de Rafael Farina

sexta-feira, junho 11, 2021 10
Resenha do livro Ossos Açucarados, de Rafael Farina.



O que há no centro do eu, de mais importante? A poética em Ossos Açucarados vai em busca, não das respostas, mas do caminho. Os ossos estão no cerne e o açúcar vem na medida — amor demais sempre transborda.

O livro apresenta poemas que fazem uma fronteira entre a lírica e a crônica. Seu autor, Rafael Faria, é preciso no equilíbrio de coletar os fatos cotidianos, os detalhes que passariam despercebidos e os sentimentos — sejam eles latentes ou evidentes — e transformá-los em textos que aguçam o leitor. Os poemas, que trazem o olhar sobre as vivências e o que está ao redor do poeta, são profundos justamente porque tocam naquilo que é universal: a humanidade que resiste em cada um — ainda mais agora, em tempos que as telas mediam boa parte das relações entre as pessoas.

Ossos Açucarados, de Rafael Farina.


Amor e desejo andam, lado a lado,  numa geografia própria — mesmo que não sejam correspondidos. Eles brotam das ondas,  da solidão na companhia do cachorro que toma banho de sol, no pesado casaco, na curva do corpo da pessoa amada. A lírica atravessa os tempos modernos e hiperconectados, movendo o poeta em trânsito. É interessante notar como cada texto abre portas para que o leitor se relacione não só com os versos em si, mas também com o que há em seus próprios ossos. Seriam eles também açucarados?

Um dos poemas do Ossos Açucarados.

A publicação em si também está impecável. O livro, lançado de modo independente em parceria com a revista Rusga, conta com a capa e com o projeto gráfico da Yasnaya Yanez.


"Da mesma forma que o mar
nunca repete as mesmas ondas

os melhores encontros
ocorrem de imprevisto."
(Rafael Farina)


No dia 26 de maio, conversei com o Rafael em uma live no YouTube. Vocês podem ver o bate-papo aqui:

 

"Entre três e cinco da tarde
ponho o Sol na palma da mão
caso tu apareça
de surpresa
reclamando que o tempo virou."
(Rafael Farina)

Capa do livro Ossos Açucarados.
Capa.



Livro: Ossos Açucarados
Autor: Rafael Farina
Gênero: Poesia
Apresentação: Uma autópsia em cada página, em cada estação do ano. A suposta facilidade em se adaptar cada vez que abre os olhos contrasta com as dificuldades ao esbarrar com alguma parte do corpo dela. Quando a incisão da caneta perfura fundo, um perfume doce escapa pelas frestas. 
📙 Para comprar um exemplar físico, entre em contato com o autor, via Instagram: @rafael.com.f. | Para comprar o e-book, acesse o livro na Amazon ou no Clube de Autores.
📙 Para ler a entrevista que o Rafael respondeu para o blog, em outubro de 2020, clique aqui.

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Algumas Observações | Ano 14 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.