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domingo, 8 de junho de 2025

Seis anos de publicação: reflexões de uma jornada de escrita e de leitura

domingo, junho 08, 2025 14
Há 6 anos, eu publicava o meu primeiro livro.

Hoje, 8 de junho, faz seis anos que publiquei o meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos (Editora Litteralux). Ao mesmo tempo que foi ontem, parece que vivi uma vida inteira desde aquele dia.


Me considero escritora desde que abri o meu primeiro blog, Escritos Humanos, lá pelos idos de 2004. Minha carreira foi ganhando consistência, no entanto, quando eu comecei a trabalhar aqui no Algumas Observações, em 2006. Entretanto, há um mito no imaginário coletivo de que pessoas só se tornam escritoras quando tem o objeto livro publicado em formato físico. Há uma necessidade intrínseca de pegar o livro nas mãos e fazer aquilo chamamos de Leitura Sensorial. Talvez por isso mesmo que comemorar o aniversário do A Intermitência sempre me traga para um espaço de reflexão: porque foi a partir dele que muitas pessoas ao meu redor passaram a me considerar “escritora de verdade”, ainda que eu nunca tenha sido “escritora de mentira”.


Meu livro em Paraty, durante a Flip.


É claro que eu ainda não preencho todos os requisitos para muitos leitores por aí. O motivo? Meus livros literários solos são todos de poesia. Se, para mim, escritor é quem escreve, para muita gente ser poeta não é ser escritor (assim como ser cronista ou contista também não). Vejo a empolgação e a frustração toda vez que o seguinte diálogo se repete:

 

— O que você faz?

— Sou professora e escritora. Tenho dois livros literários e um didático publicados. O meu primeiro foi traduzido para o espanhol.

— Sério? E sobre o que fala as histórias dos seus livros?

— Na verdade, meus livros são de poesia.

— Ah…

 

✨ Veja como foi o lançamento do A Intermitência das Coisas, clicando aqui.💙


O ar reticente vem muitas vezes com “poesia é tão difícil, né?”. Com jeitinho, tento responder que “não, poesia não é difícil”. Eu — e aqui falo também como professora de língua e de literatura — não acho que ler ou escrever poesia seja difícil. Acho apenas que nós — sejamos leitores ou escritores — temos que entrar por essa porta com uma chave diferente.

Os múltiplos abraços no dia do lançamento. 

Pensando na analogia da chave: você não abre um cadeado com a chave do carro, do mesmo modo que você não tranca um portão com a chave de uma gaveta ou de um armário. Com a leitura e com a escrita acontece algo similar: não adianta eu ler um poema esperando dele o que viria no romance ou num artigo científico. São chaves diferentes. A gente precisa entrar no livro com a chave certa.


Certa vez, me peguei pensando qual é o propósito da minha escrita e cheguei à conclusão de que tudo o que faço, seja como blogueira, como autora de livros, seja como professora é tentar ser ponte para que as pessoas percam o medo dos livros, da palavra escrita, da poesia.  E por que isso? Porque a poesia está da vida, mas o sistema estabelecido socialmente vai matando o nosso olhar artístico para as belezas ao nosso redor. A gente se acostuma com o piloto automático. E como já diria Marina Colasanti, “Eu sei que a gente, mas não devia”.


✨ A intermitência das coisas nas bibliotecas públicas de São Paulo. 💙


Há 6 anos eu venho, profissionalmente falando, dizendo que se textos de não ficção são para serem lidos com o racional; a prosa, num mix de razão e de emoção; a poesia — assim como a sua irmã: a canção — é para ser lida com o emocional. Quando a gente abre o coração, a gente sente a poesia. Poesia é feita para ser, sobretudo, sentida. Via de regra, quem quer analisar intelectualmente um poema é alguém que exerce a função de crítico literário.

Meus livros juntos. :)

Estou dizendo que só críticos podem analisar intelectualmente? Não. Mas pense comigo: tente se lembrar de um poema ou de uma canção que você já leu/ouviu e de que gostou muito. Muitas vezes, esses os versos entraram nas suas entranhas. Você gosta porque gosta, porque o poema ou a canção moveu um sentimento tão profundo, intrínseco, inconsciente, que fica difícil racionalizar por que raios você gosta tanto daquele texto. É sobre isso que estou falando. Quando a gente lê um poema com essa chave, a poesia se torna muito menos assustadora. E é por isso que eu continuo a escrever poesia: porque essa forma de escrita me acessa nos meus lugares mais recônditos e porque eu sei que se meu leitor perder o medo, ele também vai encontrar os lugares mais recônditos dentro de si.


Seis anos se passaram e o A Intermitência segue firme me ajudando nessa missão. Além de alcançar leitores em língua portuguesa, ano passado ele foi traduzido e agora pode ser lido en español, além de ser vendido no Brasil e na Argentina. Eu só posso agradecer por saber que há leitores nacionais e estrangeiros que se permitem navegar pelos meus versos — com medo dos versos ou não. São justamente esses leitores que continuam a me dar forças para ser um pequeno ponto de luz poética insistente contra essa vida corrida e líquida que tenta nos engolir o tempo todo. A todos que me leem, muito obrigada! 


✨Quer apoiar meu trabalho como escritora? Meus livros estão à venda e você pode conferir todos os títulos aqui! Obrigada por ler, seguir, e caminhar junto nessa jornada de palavras. 💙💜

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domingo, 6 de outubro de 2024

La Intermitencia de las cosas em pré-lançamento

domingo, outubro 06, 2024 6
Leia a versão em português mais abaixo no post. 😉



¡Hola, mi gente!

Mi primer posteo en español es para decirles que mi primer libro fue traducido y está en preventa. El libro se llama La Intermitencia de las cosas: sobre lo que hay entre el vacío y el caos y puedes comprarlo tanto en la página web de Caravana Editorial, cuanto en la librería Caburé Libros, ubicada en Buenos Aires y en la tienda electrónica de mi blog.

Para los que aún no conocen, La Intermitencia de las cosas fue lanzado en portugués en 2019, acá en Brasil, por Editora Penalux (ahora Editora Litteralux), y es un éxito con el público. Ahora, la versión en español llega por Caravana Editorial para brasileños, argentinos y toda la comunidad hispanohablante.

Les dejo abajo todas las informaciones del libro:


Libro: La intermitencia de las cosas: sobre lo que hay entre el vacío y el caos
Autora: Fernanda Rodrigues
Traducción: Paula Correia Ramos
Género literário: Poesia
Número de páginas: 56
Editorial: Caravana
Design: Celeide Luz
Presentación: Fernanda Rodrigues nos lleva por un recorrido en el enmarañado de sus sentimientos que fluctúan entre el vacío y el caos que es vivir y sentir. El dolor y el amor bailan en conjunto con sus palabras a cada nueva página que leemos, como la misma dice “golpeo, muero, renazco” demostrando su fuerza interna de seguir adelante en las intermitencias de los acontecimientos de la vida, en el cual vive el deseo por un equilibrio en el pasado, presente y en el mañana. La autora nos invita a mirar para adentro de uno mismo, en cada línea de perfecto y desperfecto de la rutina, en amores pasados y futuros, valorando las pequeñas cosas del día a día que se convierten en grandes abrazos de confort. Son ciclos que se abren y cierran a cada nueva tomada de aire al buscar su lugar en el mundo, porque “Allí las cosas están bien”. (Ayumi Teruya)

Compra tu libro en la página web de la editorial o autografiado en la tienda de mi blog. En el caso que estés en Buenos Aires, puedes irte a la librería Caburé Libros ubicada en la calle México, 620. Haz un click aquí para ver la ubicación en Google Maps.
 
(Información extra: Caburé Libros — que está en calle México — es cerca de la estátua de Mafalda — que está en calle Chile —, entonces puedes hacer los dos paseos en el mismo día 😉)


📚📚📚



Oi, pessoal!
Escrevo para contar que começou a pré-venda do meu livro em espanhol. Ele se chama La intermitência de las cosas: sobre lo que hay entre el vacío y el caos e você pode comprá-lo tanto no site da Caravana Editorial, quanto presencialmente na livraria Caburé Libros, de Buenos Aires (Argentina), quanto na loja do meu blog.

Para os que ainda não conhecem, o A Intermitência das Coisas foi lançado em português em 2019, aqui no Brasil, pela Editora Penalux (agora chamada Litteralux), e foi um sucesso de público. Agora, a versão em espanhol, La intermitencia de las cosas, chega pela Caravana Editorial para brasileiros, argentinos e toda comunidade falante de espanhol.

Deixo abaixo a ficha técnica da obra:

Título da obra: La intermitencia de las cosas: sobre lo que hay entre el vacío y el caos
Autora:
Fernanda Rodrigues
Tradução: Paula Correia Ramos
Gênero: Poesia
Número de páginas: 56
Editora: Caravana
Design: Celeide Luz
Apresentação (em espanhol): Fernanda Rodrigues nos lleva por un recorrido en el enmarañado de sus sentimientos que fluctúan entre el vacío y el caos que es vivir y sentir. El dolor y el amor bailan en conjunto con sus palabras a cada nueva página que leemos, como la misma dice “golpeo, muero, renazco” demostrando su fuerza interna de seguir adelante en las intermitencias de los acontecimientos de la vida, en el cual vive el deseo por un equilibrio en el pasado, presente y en el mañana. La autora nos invita a mirar para adentro de uno mismo, en cada línea de perfecto y desperfecto de la rutina, en amores pasados y futuros, valorando las pequeñas cosas del día a día que se convierten en grandes abrazos de confort. Son ciclos que se abren y cierran a cada nueva tomada de aire al buscar su lugar en el mundo, porque “Allí las cosas están bien”. (Ayumi Teruya)


Lembrando que você pode comprar o exemplar do seu livro no site da editora ou numa versão com autógrafos na loja do meu blog. Se você estiver em Buenos Aires, pode ir até a livraria Caburé Libros, localizada na rua/calle México, 620. Você pode clicar aqui para ver a localização direto no Google Mapa.


(Uma dica extra: a Caburé Libros — que é na calle México — está próximo da estátua da Mafalda — que é na calle Chile —, então você pode fazer os dois passeios no mesmo dia 😉)
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sábado, 8 de junho de 2024

A Intermitência das Coisas: 5 curiosidades, 5 anos depois

sábado, junho 08, 2024 14
Vem saber das novidades!

Junho é um mês muito especial para mim, porque eu abro o mês relembrando o lançamento do meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, e fecho o mês comemorando o aniversário do meu blog, o Algumas Observações.


Como neste sábado, 08 de junho, eu celebro 5 anos de A Intermitência das Coisas, resolvi separar 5 curiosidades sobre o livro para  compartilhar com vocês.


Antes de mais nada, vem conhecer um pouco do livro:

Com os meus editores, Tonho França e Wilson Gorj, da Editora Penalux.

A Intermitência das Coisas
é um livro que reúne cerca de 45 poesias. Seus versos retratam a movimentação da poeta no espaço contemporâneo, suas mudanças e os aprendizados e, principalmente, como os ciclos que se iniciam e que se findam preenchem o vácuo que habita entre o vazio e o caos.
A publicação em português é da maravilhosa, perfeita, sem defeitos, Editora Penalux. 


Agora, sim, vamos às curiosidades:

 1.  O livro nasceu sem a intenção de ser um livro

O começo do A Intermitência foi um pouco caótico e sem pretensão. Eu abri um arquivo de Word em que resolvi escrever um poema por dia. Depois de um tempo, somei a alguns textos que havia escrito para uma disciplina da pós-graduação (Formação de escritores). Foi apenas com esse conjunto que eu notei que havia um embrião de livro eu poderia ser trabalhado.


Parte dos muitos abraços que recebi no evento de lançamento do livro.


2. O nome veio de uma conversa com 2 amigas escritoras

Depois de mostrar o embrião de livro para a Ane Venâncio e para a Ayumi Teruya, minhas amigas com quem tive a honra de cofundar o Projeto Escrita Criativa, elas vieram com este ponto importante: são poemas sobre a intermitência. Algo que fica entre o vazio e o caos, o caos e o vazio. Me senti representada. Essa é, de fato, a essência da obra. Sendo assim, não foi tão difícil bater o martelo para o nome do conjunto de poemas.

 

3. Há apenas  um poema que eu considero “de amor", mas não é para ninguém que eu amei romanticamente

Ao longo dos anos uma pergunta que eu sempre ouço é: Para quem é o poema "Você" (página 21). Bem, a verdade é ele é o único poema que eu realmente considero com essa temática de amor, mas ele surgiu de um exercício da pós-graduação que pedia que a gente escrevesse um retrato. Eu escrevi um retrato de alguém que admiro de forma artística, mas o tom saiu diferente. Gostei, não mexi no tom e aqui estamos com os versos no livro.

 

4. A intermitência, o vazio e o caos como tema de escrita na minha vida

Até escrever o livro, eu nunca tinha parado para refletir sobre qual é o tema predominante na minha escrita ou como ela se apresenta para o mundo. Juntar textos curtos (sejam eles contos, crônicas ou poemas) em um livro, coloca seu autor para pensar nas unidades temáticas que irão compor o trabalho. E como a minha cabeça ama pensar, levei isso para a vida.


Eu notei que meus textos, independentemente do livro, fazem esse ping-pong: vazio x caos; vida x morte; existência x produtividade; amor x desamor; natureza x intervenção humana; etc.; etc.; etc.  Então, meu ponto agora tem sido como explorar essa minha grande temática de modos diferentes. 

 

Autografando no lançamento. 

5. O livro ganhará uma versão em espanhol

Há um pouco mais de um ano, eu assinei um contrato com uma editora brasileira que também publica/vende na Argentina. O livro já era para ter saído, houve um pequeno atraso, mas eu ainda tenho fé que dê certo. (Na conversa que tive brevemente com o editor, nessa semana que passou, ele disse que vai dar.)

Ter um livro em español sempre foi um sonho, que eu espero que se realize em breve! Portanto, fiquem de olho nas novidades.

 

Playlist com leituras dos poemas, imagens do lançamento, live de 2 anos do livro, etc.


Ainda não leu A Intermitência das Coisas ou quer presentear alguém querido?

  • Você pode comprar tanto o A Intermitência das Coisas  (ou qualquer outro livro escrito por mim) autografado, com dedicatória, na loja do blog ou entrando em contato via e-mail: contato@algumasobservacoes.com.
  • Além disso, é possível adquiri-lo (sem autógrafo) nos seguintes sites: Editora PenaluxAmazon, SubmarinoAmericanas.
  • Se você já leu o livro, pode deixar a sua avaliação no Skoob ou no Goodreads
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

A Intermitência das Coisas nas bibliotecas públicas de São Paulo

terça-feira, fevereiro 15, 2022 6


Em junho de 2019, publiquei o meu primeiro livro A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, pela Editora Penalux. Desde então, tive exemplares que foram para leitores de várias partes do Brasil e do mundo algo que me deixa muito honrada! :)

Como escritora, quero ver o meu livro ganhando cada vez mais leitores e uma forma honesta de ver isso acontecendo é tendo os meus exemplares em bibliotecas. Sendo assim, escrever este post tem sido muito bacana porque é legal saber que há livros meus em quatro grandes bibliotecas da minha cidade! 

Meu livro na estante de entrada da Biblioteca Paulo Duarte. 💙

O que é preciso para pegar um livro emprestado no sistema municipal de bibliotecas de São Paulo?

Qualquer pessoa pode se cadastrar para realizar um empréstimo e o sistema municipal é integrado (com a mesma carteirinha, o leitor pode pegar livros em todas as bibliotecas municipais). Não há limite de idade ou de escolaridade para fazer o cadastro. 

Para realizar o cadastro é preciso levar um documento de identificação (Certidão de Nascimento, Carteira de Identidade - RG, Carteira de Trabalho, Carteira de Conselho Profissional, Carteira de Motorista, Certificado de Reservista ou Passaporte) e um comprovante de residência emitido nos últimos três meses (com o nome do leitor, dos pais ou do cônjuge). Pessoas albergadas devem apresentar uma declaração emitida por Assistente Social do albergue.

A carteirinha é válida por um ano a partir da data de emissão.

Para saber mais de todas as regras dos empréstimos, basta clicar aqui

Onde fazer o empréstimo do A Intermitência das Coisas?

Se você mora em São Paulo e quiser pegar um exemplar do A Intermitência das Coisas emprestado, pode ir até as bibliotecas listadas abaixo. Para saber se o exemplar está disponível, basta clicar aqui para realizar a consulta.

Alceu Amoroso Lima (Temática em Poesias)

Rua Henrique Schaumann, 777 
Pinheiros, São Paulo - SP
CEP: 05413-021


Centro Cultural São Paulo - Biblioteca Sérgio Milliet

Rua Vergueiro, 1000 
Liberdade, São Paulo - SP
CEP: 01504-000

A biblioteca fica dentro do CCSP. A estação de metrô mais próxima (literalmente ao lado do Centro Cultural) é a Vergueiro, da Linha 1-Azul.


Biblioteca Mário de Andrade

Rua da Consolação, 94 
República, São Paulo - SP
CEP: 01302-000

As estações de metrô mais próximas são a Anhangabaú (Linha 3-Vermelha) ou a República (Linha 3-Vermelha e Linha 4-Amarela). Há muitas linhas de ônibus que passam por lá.


Biblioteca Paulo Duarte (Temática em Estudos afro-brasileiros)

Rua Arsênio Tavolieri, 45 
Jardim Oriental, São Paulo - SP
CEP: 04321-030

A biblioteca é bem próxima à estação Jabaquara (Linha 1-Azul do metrô), ao lado do Hospital Saboya.


E se eu quiser comprar o livro?

Meu livro passeando por Paraty. 💙


Se você quiser ter um exemplar para sempre, há várias formas de comprar o livro. Você pode adquiri-lo pelo site da Editora Penalux, na Amazon, na Americanas, no Submarino. Esses envios são feitos direto pela editora e não passam por mim.

Caso você queira o livro autografado e com marcadores, pode comprar diretamente comigo. Essas encomendas podem ser feitas pela loja do Algumas Observações, pela DM do meu Instagram ou via e-mail: contato@algumasobservacoes.com. 

Espero que vocês leiam, gostem, recomendem! Saber que vocês me leem em livro é sempre muito feliz.
(E aguardem novidades, porque logo teremos mais lançamentos! 😉)
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quarta-feira, 9 de junho de 2021

A Intermitência das Coisas — uma reflexão dois anos depois

quarta-feira, junho 09, 2021 4


Há dois anos, em um oito de junho, lancei meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, pela Editora Penalux. Na época, eu era uma escritora que estava tentando se entender não só como artista, mas também como pessoa. 

Foto do lançamento, por Patricia Rodrigues.


Depois de lançado o livro, fiz um processo intenso de divulgação e o deixei na prateleira. Foi apenas agora, com mais distância de todo o processo de escrita e do nascimento da obra, que eu parei para reler o livro como um todo. E que processo interessante!

Há autores que buscam se distanciarem o máximo de suas obras. Eu nunca fiz parte desse grupo. Primeiro porque acredito que tudo aquilo que uma pessoa escreve passa pelo olhar de seu autor — esteja isso ficcionado ou não. Segundo, porque eu faço ficção —  mesmo dentro dos versos —  muito baseada no que me move, no que me atravessa causando alguma reflexão, sentimento bom ou desconforto.

Um dos marcadores de página do livro, com o poema "Maravilhamento" (página 14).
Foto por Anna Carolina Ribeiro.


Pensando nisso, ainda sou a mesma autora que escreveu o A Intermitência das Coisas. Aliás, continuo na corda bamba entre o vazio e o caos, e talvez este seja um tema que seguirá como mote da literatura que produzo. Também continuo ser solitário em meio a tantas gentes —  como versei na primeira estrofe de "Visão". Nesse sentido, é curioso como a primeira obra é a impressão digital da nossa arte no mundo.


Fernanda Rodrigues segurando um exemplar de seu livro A Intermitência das Coisas, lançado em 2019.
Criadora e criatura — dois anos depois. 💙


Por outro lado, não sou mais a mesma, ainda que "Bato" e "Sentença" (abaixo) sejam um prenúncio de como escrever me mantinha e ainda me mantém viva. A Fernanda que escreveu A Intermitência das Coisas estava acuada e ferida, carregando dores e se culpando — como o eu-lírico dos poemas "Escolhas" e "Escolhas 2" nos conta. Olhando hoje, estas feridas já cicatrizaram. E, observando já com os olhos da distância, posso dizer que o evento de lançamento teve muito a ver com isso. Que ironia escrever sobre tanta dor e receber tanto amor em troca. Sem dúvida alguma, esse foi o dia em que mais me senti honrada e amada na vida. Sou muito grata por todos que estiveram ao meu lado.


Um dos poemas do livro A Intermitência das Coisas.


Faz frio e nada melhor do que ler um livro de poesias em uma tarde gelada. Fiz a releitura como se me dedicasse a uma obra escrita por outras pessoas. Foi bom. É sempre bom revisitar o próprio processo criativo. Em termos de estilo, há poemas que eu faria de outro jeito, por puro amadurecimento do modo com que vejo a construção do texto poético hoje. Em termos de conteúdo, há dor, mas também há esperança e uma dose de inocência que sempre me acompanharam e que continuam me agradando.

É bacana poder olhar para uma publicação e se orgulhar dela. Que sorte a minha! 

💙💙💙

Para ver a live que fiz comentando tudo isso e lendo alguns dos poemas do livro, acesse o IGTV ou aperte o play: 


Para ver a playlist completa do livro, acesse aqui.

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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

{Agenda} Mulheres negras em prosa e verso: a escrita feminina contemporânea

quinta-feira, novembro 19, 2020 4

Olá, pessoal!
Quero convidar todo mundo para um evento (on-line e gratuito!) de que eu vou participar. Vem!
 
No próximo domingo, 22 de novembro, às 18h, estarei em uma live no canal da Editora Penalux para bater um papo sobre a escrita no contemporâneo, com a escritora sergipana Taylane Cruz. Essa conversa será mediada pelo jornalista e escritor Cefas Carvalho.

Clique em "definir lembrete" para ser lembrado pelo YouTube.


A Editora Penalux editou o meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos. Você pode adquirir um exemplar autografado por meio da loja do blog, clicando aqui, ou por meio do e-mail: contato@algumasobservacoes.com.

Vejo vocês no domingo!
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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Não tenho respostas, mas continuo tentando

sexta-feira, junho 05, 2020 20

Imagem de um muro amarelo com título da postagem sobreposto: Não tenho respostas, mas continuo tentando.
Imagem de Pexels por Pixabay.

2020 está sendo um ano muito curioso no sentido das
transformações: interna e externamente, tudo vem mudando, de forma acentuada. A carreira, as amizades, o amor (talvez), a sociedade. O que é bom está ficando mais forte e o que é ruim está sendo jogado fora sem dó nem piedade.

Talvez por isso mesmo, que escrever tem se tornado um processo diferente para mim. Se antes eu sentava, levantava uma agenda para o blog e trabalhava para que ela acontecesse, agora eu preciso olhar para fora e para dentro, tentar compreender essa equação e, só assim, criar. As mudanças trazem consigo oscilações entre alegrias e tristezas. Entre felicidade e revolta. Entre amor e desprezo. É nessa montanha russa que sigo. Seguimos.

Ontem comentei nos stories do meu Instagram que, até um tempo atrás, estava com muita vontade de comemorar o primeiro ano do meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas. Entretanto, ver o número crescente de mortes ao meu redor (seja por corona vírus, seja por racismo), foi cortando o meu barato. Como comemorar algo com tanta gente morrendo? Por outro lado, sou mulher, sou negra e fui publicada. Só quem está no mercado editorial sabe como isso é difícil de acontecer. Será que comemorar o meu livro não é um meio de inspirar outras mulheres negras a correrem atrás do próprio sonho? 

Vidas negras importam (ontem, hoje e sempre).

O mundo está divido, e eu, muitas vezes, não consigo respirar. Eu não consigo respirar quando olho para fora e vejo a indiferença e a irresponsabilidade dos nossos governantes. Eu não consigo respirar quando hospitais de campanha não são abertos mesmo já estando construídos ou tendo verba para tal, quando gastam fortunas e chegam equipamentos errado no Pará, quando vejo médicos tendo que escolher quem vai ou não para a UTI. Eu não consigo respirar quando vejo a verba do Bolsa Família sendo cortada no Nordeste ou quando milhões de brasileiros ficam na incerteza da aprovação do recebimento do auxílio emergencial. Eu não consigo respirar quando vejo pessoas sendo despejadas e indo morar nas ruas sem terem o que comer. Eu não consigo respirar quando a polícia atira numa criança, quando vejo uma mulher branca matando uma criança negra. Eu não consigo respirar quando vejo que um policial branco assassinando um homem negro por puro prazer. Estou há quase três meses sem sair de casa e, daqui do meu privilégio de ter um lar, eu me sinto MUITO impotente.

Cada vez que eu penso em atualizar o blog, alguma notícia chega e leva um pouco da minha esperança. Por isso o meu silêncio. Por isso o meu sumiço (daqui e da leitura dos blogs que eu tanto amo). Precisava de um tempo para entender como equilibrar os acontecimentos bons da minha vida pessoal (que, a passos lentos, está seguindo uma transição para um rumo menos tóxico), com o que chega de fora. Precisava de um tempo para entender como eu posso ecoar a minha voz para apoiar outras pessoas, para me unir a essa luta por um mundo mais justo. Macro e micro devem andar juntos, por mais que eu não saiba bem como. Ainda não cheguei a uma resposta exata da melhor maneira de fazer isso, mas continuo tentando. 

Em um post que escrevi em março, eu havia dito que não pretendia falar mais da pandemia aqui no blog, porque entendo o quanto todos nós precisamos de afeto nesse momento tão complexo (que inclui o luto de muitas pessoas que amamos). Acho que estou falhando miseravelmente na missão, mas não vejo outro modo de seguir por aqui. Manter o silêncio é uma forma de se posicionar e não é essa a que está de acordo com aquilo que acredito e com o futuro que eu sonho para todos nós. Por isso escrevo este texto.

Essa semana, enquanto estava em uma conversa com a 3ª série do Ensino Médio, um aluno me perguntou o que eu penso sobre o silêncio de figuras públicas, a exemplo de Neymar Jr., diante dos últimos acontecimentos globais. Eu fui honesta ao dizer que impor algo a alguém é complexo, mas que vejo que uma pessoa pública tem nas mãos um poder grande de trazer à tona a discussão e de fortalecer o diálogo (tanto usando as plataformas da Internet, quanto fora delas). Vivemos em uma sociedade em que todos estão habituados com respostas rápidas para tudo (oi, Google!), contudo, diante dessas mudanças em tantas áreas ao mesmo tempo, não dá para colocar tudo em caixinhas, ter soluções, sair dizendo o que é certo ou errado, sendo que há tantas perspectivas postas à mesa. Não dá para querer a exatidão em uma fração de segundos. Vejo que trazer a discussão à tona e ser honesto falando que está estudando o assunto, que está tentando entender, que está na busca para contribuir com a sociedade pode inspirar os outros a fazerem o mesmo. Como professora, escritora e cidadã, vejo que é isso que a gente precisa agora: não de pessoas que assumam um único lado da narrativa como algo perfeito e inabalável, mas sim de sujeitos críticos e pensantes, que busquem ouvir, pesquisar e compreender as diversas vertentes, recursos, interesses e responsáveis de forma racional, objetiva, compromissada consigo e com quem estiver ao seu redor.

Foi por tudo isso que me ausentei do blog. Estava processando a vida real. Por causa dessas conversas (com a minha família, com os meus amigos, com os meus alunos, com os meus livros) que dei esse passo atrás de parar a produção de conteúdo por um tempo. Também foi por conta dessa reflexão que volto agora (talvez ainda sem uma regularidade e uma agenda). Quero continuar essa caminhada, essa busca, ao lado de todos que me leem. Mais uma vez: não tenho respostas (e, dependendo do momento, fico sem ar e sem forças), mas quero e vou continuar abrindo diálogos e, sobretudo, continuar lutando. 

Você vem comigo? 

Aproveito para lembrá-lo de que criei uma página aqui no blog chamada QUARENTENA e que nela vocês podem encontrar diversos empreendedores, causas e organizações sérias para apoiarem durante esse período. Para acessá-la, clique aqui.

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domingo, 1 de março de 2020

{Fotografia} Pausa para respirar #4

domingo, março 01, 2020 4
Algumas Observações | {Fotografia} Pausa para respirar #4
Livros que estou lendo.
Fevereiro, mesmo sendo mais longo, voou!
Trabalhei bastante, bastante MESMO, dei uma choradinha, li muito (mas não tanto quanto gostaria), sobrevivi às tretas todas do dia a dia, encontrei algumas amigas e fiquei doente. Ou seja, teve de tudo! hehehe

Algumas Observações | Flores brancas sobre a mesa do restaurante
Momentos de paz.

Depois de uma manhã dura, fui almoçar em um lugar que tinha essas flores na mesa. São os pequenos detalhes que fazem diferença.

Algumas Observações | Árvore com flores roxas em dia nublado
Postei essa foto no meu Instagram. Na legenda, há um poema. Clique aqui para lê-lo.

Esta árvore fica em frente do estúdio em que faço Pilates. Acho linda quando ela fica inteira florida. Já o céu cinza é reflexo desse tempo doido que está rolando aqui em São Paulo. Fevereiro foi bem mais frio do que de costume. Chuva, garoa e nuvem foi o que tivemos. Já estou mofando. Saudades, sol.

Algumas Observações | Gatas Notáveis: Camomila e Poesia brincando em caixa de papelão
Camomila (dentro da caixa) e Poesia (fora da caixa) brincando.

Post passado eu contei 10 formas de autorregulação que funcionam para mim. Se quisesse, poderia incluir uma 11ª: passar mais tempo mais tempo com as gatas. Estar com a Camomila e com a Poesia me enche de amor e de calma. De novo (porque acho que já falei isso): eu não consigo nem me lembrar de como era a minha a vida sem as gatas. 💚

Algumas Observações | Encontro de escritoras: Elizza Barreto e Fernanda Rodrigues
Elizza Barreto e eu.
Encontrei a minha amiga Elizza para um jantar. Falamos de literatura (ela vai lançar um livro chamado Afetos em Ruínas. Para quem for de São Paulo, apareça para nos ver! Mais aqui.) e sobre a vida. É sempre bom poder sentar com as amigas e fazer muitos nadas. 

Algumas Observações | Livro A Intermitência das Coisas no catálogo Biblioteca Viva, das bibliotecas municipais de São Paulo
Para quem for de São Paulo. :)
Algumas Observações | Livro A Intermitência das Coisas no catálogo Biblioteca Viva, das bibliotecas municipais de São Paulo
Você, que já pegou o livro emprestado: te amo! 💙

Eu estou muito feliz, porque agora há três exemplares do meu livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, em duas bibliotecas públicas aqui de São Paulo: a Mário de Andrade e a Sérgio Milliet (do Centro Cultural São Paulo). Vocês podem consultar o catálogo das duas bibliotecas clicando aqui.

Algumas Observações | Livro A Intermitência das Coisas no clube de leitura Coletivo Escreviver
Coletivo EscreViver.
Eu já havia colocado na agenda aqui do blog, mas fica o aviso de novo. Recebi no finzinho de fevereiro a arte de divulgação do encontro do Coletivo Escreviver. Agora em março o lido livro será o A Intermitência das coisas. O encontro será no início de abril, na biblioteca do Parque Villa-Lobos, em São Paulo. VEM, GENTE! Quero ver todo mundo lá! 💙

Acho que é isso! 
Que março seja um mês em que a gente se sinta completo, saudável e feliz. 😉
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

12 livros para ler no carnaval

quarta-feira, fevereiro 19, 2020 4
Imagem de Pexels por Pixabay
Olá, pessoal!
Não sei quanto a vocês, mas eu adoro aproveitar o feriado de carnaval para dar aquele gás nas leituras, principalmente nos livros que são grandes ou mais complexos, que levam mais tempo e energia para serem findados.

Pensando que este feriadão pode ser uma boa oportunidade para você criar ou desenvolver o hábito de leitura, fiz uma listinha com 12 livros que são ideais para o feriadão. Para facilitar, separei a lista em 6 categorias, cada uma delas com objetivos diferentes. Vamos lá?

Lista de livros para ler no carnaval
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1. Para quem quer mais de uma história em um único livro

Minha sugestão para quem não tem muita paciência para ler uma história grande é começar lendo crônicas. Esse gênero textual costuma ser leve, descontraído e sempre se apresenta com narrativas mais curtas.  É ótimo para quem está começando a desenvolver o hábito da leitura ou para quem quer algo em tom de conversa, de causo. Minhas sugestões são: 

Trinta e Poucos, do Antônio Prata
Capa do livro Trinta e Poucos, de Antônio Prata (Companhia das Letras)

Sinopse: Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero - consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica. Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade. Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.
Editora: Companhia das Letras. | Resenha aqui


A arte de ser leve, de Leila Ferreira

Capa do livro A arte de ser leve, de Leila Ferreira (Editora Planeta)Sinopse:  Gentileza, bom humor, desaceleração e felicidade são alguns dos temas discutidos de formaA Arte de Ser Leve aponta para o perigo de emagrecermos o corpo, mas ficarmos com obesidade mórbida de espírito.
inteligente e divertida por Leila Ferreira. Exímia contadora de histórias e entrevistadora, Leila reflete, a partir de depoimentos colhidos por ela no Brasil e em outros países, sobre a possibilidade de vivermos de forma menos complicada e estressante. Ao fazer o leitor enxergar, de forma crítica, as ciladas que criamos para nós mesmos,
Editora: Planeta | Resenha aqui.



2. Para quem quer se preparar para o vestibular

Normalmente, cada universidade tem a sua lista de vestibular. Aqui, deixo duas sugestões da lista FUVEST 2020 (você pode ler as listas completas de 2020, 2021 e 2022 clicando aqui). Essas leituras são necessárias a todos que quiserem prestar o vestibular para entrar na USP (Universidade de São Paulo).

Poemas Escolhidos de Gregório de Matos, organização José Miguel Wisnik
Gregório de Matos é, historicamente, o primeiro grande poeta do Brasil. Sua obra, talvez a mais importante produzida pelo Barroco poético nas Américas portuguesa e espanhola, conserva ainda hoje grande parte de seu interesse, por força, sobretudo, da agudeza e do vigor com que o poeta soube fixar satiricamente, numa linguagem vivaz que já deixa transparecer o gênio local na exploração de sonoridades africanas e tupis e que, na sua mordacidade feroz, não recua nem diante da pornografia, a dissolução de costumes da Bahia do século XVIII. Nesta já clássica coletânea preparada por José Miguel Wisnik nos anos 1970, e agora revista pelo organizador, o leitor encontrará uma seleção dos melhores poemas de Gregório de Matos nas diversas modalidades que cultivou - a satírica, a encomiástica, a lírica amorosa e a religiosa -, de par com numerosas notas de esclarecimento do texto, um pequeno perfil biográfico do poeta e uma análise crítica de sua obra.

Sinopse: Gregório de Matos é, historicamente, o primeiro grande poeta do Brasil. Sua obra, talvez a mais importante produzida pelo Barroco poético nas Américas portuguesa e espanhola, conserva ainda hoje grande parte de seu interesse, por força, sobretudo, da agudeza e do vigor com que o poeta soube fixar satiricamente, numa linguagem vivaz que já deixa transparecer o gênio local na exploração de sonoridades africanas e tupis e que, na sua mordacidade feroz, não recua nem diante da pornografia, a dissolução de costumes da Bahia do século XVIII. Nesta já clássica coletânea preparada por José Miguel Wisnik nos anos 1970, e agora revista pelo organizador, o leitor encontrará uma seleção dos melhores poemas de Gregório de Matos nas diversas modalidades que cultivou - a satírica, a encomiástica, a lírica amorosa e a religiosa -, de par com numerosas notas de esclarecimento do texto, um pequeno perfil biográfico do poeta e uma análise crítica de sua obra.

Quincas Borbas, de Machado de Assis

Capa do livro Quincas Borbas, de Machado de Assis (Penguin Companhia)Sinopse: Publicado pela primeira vez em livro em 1891, depois portanto de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e antes de Dom Casmurro (1899), Quincas Borba é uma das obras mais marcantes da fase realista de Machado de Assis. Talvez por se situar justamente entre esses dois monumentos da obra machadiana, o romance muitas vezes foi considerado uma realização menor, uma espécie de mera continuação das Memórias póstumas - para irritação de seu autor, que em um raro comentário sobre a própria ficção afirmou que a presença do personagem Quincas Borba era "o único vínculo" entre os dois livros. Mais do que ao marco inaugural do Realismo no Brasil, porém, Quincas Borba remete ao Machado contista que começava a abordar temas historicamente mais próximos de sua época e a explorar os conflitos psicológicos de seus personagens com sua sofisticada e irônica narrativa em terceira pessoa presente em contos clássicos como "A cartomante" e "A causa secreta". Neste romance da maturidade do autor, a história do provinciano Rubião - herdeiro da fortuna do idiossincrático filósofo Quincas Borba - e dos tipos urbanos da corte que o levam à ruína é narrada com o distanciamento, o ceticismo e o senso de humor implacável de que só Machado de Assis era capaz.
Editora: Penguin Companhia

3. Para quem gosta de grandes histórias

As sugestões abaixo são para quem gosta de pegar um livro e se sentir preso a cada linha. Os romances abaixo são daqueles de tirar o fôlego de cada leitor.

Desonra,  de J. M. Coetzee

Capa do livro Desonra, de JM Coetzee (Companhia das Letras)Sinopse: Sucesso de público e crítica - foi publicado em mais de vinte países e ganhou o BookerDesonra é considerado o melhor romance de J. M. Coetzee. O livro conta a história de David Lurie, um homem que cai em desgraça. Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy.
Prize, o mais importante prêmio literário da Inglaterra -,
No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. Com personagens vivos, com um ritmo narrativo que magnetiza o leitor, Desonra investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva.
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

O pacifista, de John Boyne

Capa do livro O pacifista, de John Boyne (Companhia das Letras)Sinopse: Inglaterra, setembro de 1919. Tristan Sadler, vinte e um anos, toma o trem de Londres aO pacifista é uma história de amor e de guerra que se insere na tradição do romance Reparação, de Ian McEwan. Nada é o que parece nesta trama envolvente e vigorosa, que revela as consequências de uma vida tragicamente marcada pelo silêncio. Com uma abordagem original e relevante para o nosso tempo, o autor do best-seller internacional O menino do pijama listrado revisita neste romance o universo da guerra, tendo dessa vez como pano de fundo a Primeira Guerra Mundial. Sensível e engenhoso, John Boyne esmiúça um dos capítulos mais traumáticos da história da humanidade pela perspectiva de dois jovens soldados que lutam, acima de tudo, contra a complexidade de suas emoções.
Norwich para entregar algumas cartas à irmã mais velha de William Bancroft, soldado com quem combateu na Grande Guerra. As cartas, porém, não são o verdadeiro motivo da viagem de Tristan. Ele já não suporta o peso de um segredo que carrega no fundo de sua alma, e está desesperado para se livrar desse fardo, revelando tudo a Marian Bancroft. Resta saber se o antigo combatente terá coragem para tanto. Enquanto reconta os detalhes sombrios de uma guerra que para ele perdeu o sentido, Tristan fala também de sua amizade com Will, desde o campo de treinamento em Aldershot, onde se encontraram pela primeira vez, até o período que passaram juntos nas trincheiras do norte da França. O leitor testemunha o relato de uma relação intensa e complicada, que proporcionou alegrias e descobertas, mas também foi motivo de muita dor e desespero.

4. Para quem gosta de biografias

Biografias são sempre ótimas oportunidades de aprendizado com as experiências de outras pessoas. Eu, particularmente, gosto bastante (principalmente quando eu tenho uma grande diferença de idade com o biografado ou quando ele exerceu alguma das minhas profissões).

Eu sou Malala, de Malala Yousafzai com Christina Lamb

Capa do livro Eu sou Malala, de Malala Yousafzai com Christina Lamb (Companhia das Letras)Sinospe: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz.
Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã. Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

Prólogo, Ato, Epílogo, de Fernanda Montenegro com a colaboração com Marta Góes

Capa do livro Prólogo, Ato, Epílogo, de Fernanda Montenegro com a colaboração com Marta Góes (Companhia das Letras)Sinopse: Em Prólogo, ato, epílogo, Fernanda Montenegro narra suas memórias numa prosa afetiva, cheia de inteligência e sensibilidade. Com sua voz inconfundível, ela coloca no papel a saga de seus antepassados lavradores portugueses, do lado paterno, e pastores sardos, do lado materno. Lidas hoje, são histórias que podem "parecer um folhetim. Ou uma tragédia" – gêneros que a atriz domina com maestria. Na turma de jovens que circulavam pela rádio estava Fernando Torres, que ela reencontrou nos ensaios da peça Alegres canções na montanha, quando começaram a namorar. Fernando largou a Panair, Fernanda largou a Berlitz, e o casal se entregou de corpo e alma à arte, paixão de uma vida. Constituíram uma família e realizaram juntos um sem-número de peças, ao lado dos principais nomes do teatro brasileiro. Em páginas de grande emoção, ela relembra os desafios de criar os filhos sobrevivendo como artistas; a busca permanente pela qualidade; a persistência combativa durante os anos de chumbo; a capacidade de constante reinvenção; o padecimento de Fernando; o inesperado sucesso internacional nos anos 1990; a crença na terra que acolheu seus antepassados imigrantes e a devoção por esse país. Fernanda encarna o melhor do Brasil. Não surpreende que alguém que passou a vida memorizando textos tenha desenvolvido notável capacidade de rememorar com sutileza fatos ocorridos décadas atrás. A atriz que há anos encanta multidões em palcos e telas pelo mundo agora se mostra uma contadora de histórias de mão-cheia.
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

5. Para quem é ou quer ser escritor

Se você quer se aventurar no mundo da escrita, deixo abaixo duas sugestões muito gostosas de serem lidas e que podem ajudar na empreitada.

Capa do livro Crônicas para jovens: de escrita e vida, de Clarice Lispector (Rocco Jovens Leitores)Crônicas para jovens: de escrita e vida, de Clarice Lispector

Sinopse: Para Clarice Lispector escrita e vida eram as duas faces de um mesmo milagre: a vida cotidiana. Nesta seleta de reflexões sobre a escrita e o ato de escrever, extraídas de suas crônicas, alguns poderão encontrar as chaves para a compreensão das motivações profundas de sua obra. Ao passo que outros encontrarão certamente estímulo para escrever e, assim, adensar a história de suas próprias vidas. De escrita e vida não ilumina apenas a produção literária e a existência de Clarice, lançando também um esclarecedor foco de luz sobre as vidas dos próprios leitores.
Editora: Rocco Jovens Leitores | Resenha aqui.



Devoção, de Patti Smith

Capa do livro Devoção, de Patti Smith (Companhia das Letras)Sinopse: Por que escrevemos? De onde vêm as ideias para uma história? Como funcionam as engrenagens da inspiração e da literatura? Dividido em três partes, Devoção vai refletir sobre questões como essas. O relato se inicia com uma viagem da autora a Paris. Percorrendo as "ruas abstratas de Patrick Modiano" e lendo uma biografia de Simone Weil, Patti Smith começa a esboçar um conto, que vai se materializar no segundo capítulo do livro – a história de uma jovem patinadora, sua jornada em busca de si mesma e de suas origens. Ao fim, Patti volta à cena e narra uma visita à casa de Albert Camus, na cidade de Lourmarin, onde depara com o manuscrito de O primeiro homem, romance inacabado do escritor argelino. "Por que alguém se sente compelido a escrever?", é a pergunta que nos acompanha até o fim. "Para dar voz ao futuro, revisitar a infância. Para dar rédea curta às loucuras e aos horrores da imaginação", Patti diz. E porque, afinal, "não podemos apenas viver".
Editora: Companhia das Letras | Resenha aqui.

6. Para quem gosta de poesia

Poesia é, sem dúvida, um dos meus gêneros literários preferidos. O motivo? É lendo poemas que somos livres para sentir - sem a preocupação estrita de racionalizar tudo. Deixo abaixo duas sugestões: uma escrita pela grande Hilda Hilst; a outra, por mim. :) Espero que gostem.

Do desejo, de Hilda Hilst

capa do livro Do desejo, de Hilda Hilst (Globo - Biblioteca Azul)Sinopse: Lançado originalmente em 1992, Do desejo é uma reunião (não uma antologia, como se tem Do desejo (homônio do título do conjunto) e Da Noite. Concebida pela própria autora, a reunião desses livros oferece, na sua disposição não-cronológica, possibilidades originais de leitura que o tornam um livro único, bem diferente da soma de leituras de cada livro particular incorporado nele. Se fosse possível reduzir sua poesia de questões a uma única, Do desejo postula o dilema de sustentar o gozo de um amante particular e viciário em versos que buscam a eternidade e o absoluto.
divulgado) de sete livros de Hilda Hilst, produzidos num intervalo de seis anos. Dois deles eram então inéditos:
Editora: Globo - Biblioteca Azul | Resenha aqui.


A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, de Fernanda Rodrigues

Capa do livro A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, de Fernanda Rodrigues (Editora Penalux)Sinopse: A Intermitência das Coisas é um livro que reúne cerca de 45 poesias. Seus versos retratam a movimentação da poeta no espaço contemporâneo, suas mudanças e os aprendizados e, principalmente, como os ciclos que se iniciam e que se findam preenchem o vácuo que habita entre o vazio e o caos.
Editora: Penalux | Saiba mais aqui.






Gostou da lista? Já leu algum desses livros? Vocês têm a sua própria lista de leitura para o carnaval? Me conte tudo nos comentários! Vou adorar saber mais sobre o que vocês estão lendo.

Beijos e queijos :*


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