Mostrando postagens com marcador projetos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador projetos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

6 on 6: brasilidade

quinta-feira, agosto 06, 2026 8

O tema do 6 on 6 de julho foi brasilidade. Até agora, foi o assunto mais difícil pra mim. Primeiro, porque eu queria sair do óbvio. Segundo, porque meu mês de julho foi um mês corrido demais pra mim (tanto em acontecimentos, quanto emocionalmente), o que significa que eu ainda estou exausta. Ainda que muita coisa bonita tenha acontecido, quase não tirei fotos, porque quis viver o momento. Então, para não ficar sem o post (não quero furar o projeto), resolvi buscar imagens nos meus arquivos. Segue, então, a minha leitura de brasilidade com fotos tiradas ao longo do primeiro semestre.

Lenine
Quem me conhece sabe que eu sou enlouquecida no Lenine. Pra mim, ele é um dos maiores artistas brasileiros que temos, com uma discografia que representa a nossa brasilidade do começo ao fim e que é linda tanto nas letras (este homem é um verdadeiro poeta!), quanto na sonoridade. No fim de abril, fui com a Lucila, ao show da turnê nova dele, chamada Eita (que também é o nome do álbum mais recente que ele lançou). Tanto a turnê quanto o álbum celebram a cultura nordestina, mais precisamente a pernambucana. Pernambuco faz parte das minhas raízes, então foi lindo demais me sentir em casa assim. Cantei, chorei, me diverti. Foi lindo! Queria que ele voltasse para mais apresentações por estas bandas de cá. 

Simplesmente eu, Clarice Lispector

Com a maravilhosa Beth Goulart

Nas segundas e terceiras fotos, juntamos duas bralisidades: o talento majestoso da atriz Beth Goulart e a monstruosidade literária da Clarice Lispector. Beth está em cartaz com a peça Simplesmente eu, Clarice Lispector, que eu tive a honra de assistir durante o mês de julho. Estar na primeira fila e ver a grandeza que é a Beth Goulart fazendo a Clarice é de arrepiar. Ela não só atua, ela realmente encarna a Clarice de tal modo que chega a ser assustador (de um jeito maravilhoso, mas ainda assim, assustador). Para quem respira Clarice como eu, foi uma honra não só ver a peça, mas ter um minutinho de dedo de prosa com a própria Beth após o espetáculo. Para quem estiver em São Paulo, a peça continua em cartaz agora em agosto. Vale a pena ver!

SP não é a Disney
No final de maio passei por essa obra e a inscrição manuscrita na placa que diz "SP não é a Disney" me chamou a atenção. Realmente, como paulista eu sei que aqui não tem a magia no ar. Tem realização de sonhos, tem trabalho, tem felicidade e estresse, tem contradição. Amo São Paulo com todas as forças do meu ser, mas reconheço que aqui está longe de ser o paraíso onde só se encontra os sonhos no ar. No fundo, me pergunto se Disney real (a dos bastidores) não tem um pouco de São Paulo nela também. Talvez o único lugar intocado de pecados seja o interior do interior de alguma floresta ou o fundo do oceano. Ou talvez nem isso, porque nós, os humanos, levamos problemas para esses lugares também.  Fora toda essa reflexão geográfica, os trabalhadores fazendo todo um esforço braçal é uma brasilidade desde a nossa fundação de país e que também é assunto que me gera toda uma gama de pensamentos críticos acerca das condições e jornadas de trabalho. Enfim, "SP não é a Disney" e talvez nem a Disney seja a Disney. Fiquei pensando em tudo isso no dia em que fiz a foto e continuo pensando em tudo isso cada vez que olho para ela.

Futebol feminino
No começo de junho eu fui com um amigo ver o amistoso de futebol feminino. O Brasil é o país do futebol, então quis trazer o esporte a partir da minha perspectiva: a feminina. Esta foi a minha primeira vez em um estádio para ver uma partida (antes tinha ido só para shows) e fiquei feliz, pois vencemos (não sou pé frio como o Mick Jagger). Me deu um orgulho danado, porque as meninas bateram um bolão (inclusive, jogaram muito mais que o time masculino na copa do mundo). Estou empolgadíssima para a copa que elas farão aqui no ano que vem. Se você tem algum preconceito com o futebol feminino, apenas peço: dê uma chance! Você não vai se arrepender.

Selfie da torcida

Tricotei este gorrinho e este cachecol para ver as meninas jogarem e para torcer pelo futebol masculino na copa do mundo. Como todo mundo já sabe, a participação do time masculino foi meio que um fiasco, mas eu (apesar de saber de todos os problemas envolvidos) amei a copa! Ficava vendo todos os jogos, torcendo pras outras seleções (alô, Cabo Verde!), acompanhando cada jogada. Me sinto um pouco órfã agora que tudo acabou (e, como disse antes, estou contando os dias pra Copa feminina aqui no Brasil).

📷📷📷

Equipamentos usado no post:

Todas as fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:

Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: Reticências, Sweet Luly, Inventando assunto, Camila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷 02 📷 03 📷 04 📷 05 📷 06 📷
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 24 de novembro de 2024

Comecei a tricotar uma manta do clima (temperature blanket)

domingo, novembro 24, 2024 2
Minha manta e eu. 😍


Como alguém que costuma sentir muito frio, eu já estava há algum tempo pensando em tricotar uma manta para os dias de temperatura mais baixas. Ao invés de buscar uma receita muito elaborada, optei por fazer uma manta que registrasse o meu ano pessoal. Depois de ver alguns vídeos sobre o assunto, resolvi tecer o que traduzi livremente como Manta do Clima (do inglês, Temperature Blanket). 

O que é uma Manta do Clima?

É uma manta tecida em tricô ou em crochê em que cada linha equivale à temperatura do dia. Normalmente ela é tecida ao longo de um ano, seja ele um ano gregoriano , seja ele um ano pessoal.

Como eu vou fazer a minha?

Depois de assistir a vários vídeos no YouTube e pesquisar no Ravelry, eu resolvi tecer a minha manta em tricô, usando como marcos o meu ano pessoal, ou seja, do meu aniversário de 2024 até o meu aniversário de 2025. Farei uma receita simples, apenas no ponto tricô. Para cada dia, teço o direito e o avesso. Também resolvi deixar franjas, que serão finalizadas quando eu terminar. Uso o branco para dividir os meses. Duas vezes o branco para dividir os anos. Na primavera e no verão eu vou tecer as máximas e no outono e no inverno, as mínimas.

Aperte o play para me ver contando como decidi fazer a manta do clima 
e o unboxing dos novelos.

Quais são os materiais que eu estou usando na minha manta do clima?

  • Agulha: embora eu esteja tecendo reto, estou tecendo em agulha circular (Círculo, 4mm de espessura e 100 cm de comprimento), além disso, uso tampas de agulha que comprei na Daiso.
  • Lã: escolhi a Família, da Pigouin (essa linha é muito tradicional, então há menos risco de ser descontinuada até eu terminar o projeto). Ela é 100% acrílico e cada novelo tem 100 gramas.
  • Tesoura.
  • Fita métrica.

Qual é a minha paleta de cores?

Escolhi uma paleta que está relacionada com as cores tradicionais que vemos para falar de temperatura (que vai do vermelho-escuro para as temperaturas mais altas ao azul-escuro para as temperaturas mais baixas).


Como eu tenho me organizado para isso?

Fiz uma página no Notion com todos os dados do material usado e com um banco de dados com as temperaturas do dia. É possível ver tudo isso no vídeo abaixo:

Veja os materiais que uso e a minha página no Notion.

Quer saber mais?

Então deixe nos comentários as suas dúvidas e comentários, porque eu vou gravar mais um vídeo para essa série da manta do clima. 😉 Para ver este e outros vídeos, se inscreva no canal. 


_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 7 de abril de 2024

Vem escrever comigo no Dia Mundial da Criatividade!

domingo, abril 07, 2024 18
Inscreva-se na nossa oficina, aqui.


Oi, gente!
O post de hoje é para contar uma novidade que me deixou muito feliz e para fazer um convite para todos vocês. Que tal participar de uma oficina presencial mediada por mim, em nome do Projeto Escrita Criativa, no Dia Mundial da Criatividade? Vem que eu te explico!

O que é o Dia Mundial da Criatividade?

O Dia Mundial da Criatividade e Inovação é celebrado em 21 de abril (data escolhida pela ONU) e seu festival acontece no Brasil desde 2018, reunindo organizações, empreendedores, empresas, voluntários, educadores e inspiradores em diversas atividades (palestras, oficinas, shows, bate-papos), para estimular uma vida mais criativa — tanto individual, quanto coletivamente.

Os eventos acontecem em diversas cidades do Brasil, incluindo as capitais dos estados, e têm como objetivo inspirar as pessoas a construírem seus próprios projetos, cidades e negócios inovadores. Além disso, o festival visa  preparar lideranças criativas e promover a colaboração, fomentando ecossistemas para impactar positivamente comunidades de modo a alavancar inclusão produtiva, por meio do empreendedorismo e de soluções para problemas contemporâneos, com a moldura do desenvolvimento sustentável e, claro, muita criatividade!

As três cofundadoras do Projeto Escrita Criativa: Ayumi Teruya, Ane Venâncio e eu.
Inscreava-se aqui.

Como será a atividade promovida pelo Projeto Escrita Criativa?

Inscreva-se aqui.

Neste encontro, com 2 horas de duração, os participantes serão estimulados a descobrir o poder da subjetividade ao escrever pequenas narrativas e a explorar os limites da criatividade. Na oficina, você:

  • Mergulhará no universo da subjetividade e da sua relação entre a escrita literária e criatividade — explore como a sua percepção única do mundo molda a sua narrativa e como você pode usar isso para criar histórias cativantes;
  • Desafiará sua criatividade com exercícios de escrita a partir da ideia de restrição e de expansão — experimente ir além da sua zona de conforto com propostas de escrita que te farão pensar além do comum.
  • Escreverá e compartilhará seu trabalho com outros participantes — aprimore suas habilidades de escrita e suas competências criativas.
Vem escrever com a gente!

Quando? Dia 20 de abril, às 10 horas (Horário de Brasília)
Onde? École Intuit Lab São Paulo — Rua Major Maragliano 181, Vila Mariana — Campus Vila Mariana (Veja no Google Maps.)
Duração: 2 horas.
Inscrições: Inscreva-se aqui.

Te espero. Até lá!
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 28 de janeiro de 2024

Aqui e agora

domingo, janeiro 28, 2024 18


as palavras estão sendo escolhidas
cultivadas a ferro e fogo na fornalha
vejamos todas elas se debaterem na lenha que se consome
calor que forja o metal faz dele espada afiada 
quando a delicadeza lhe é roubada, o que sobra?

silêncio!

elas, as palavras, vêm quente, mas eu volto fervendo
vocês assistem a este espetáculo ao vivo e acessível à palma da mão
tanto nas pequenas e quanto nas grandes telas é possível ver:
palavras e eu, em língua materna, nós duas nos debatendo
desde o útero, nos aniquilando

assim seguimos, sempre em silêncio
até que nada (nos) reste


Este texto nasceu da proposta de escrita do Projeto Escrita Criativa,
cujo tema é: as palavras que ninguém diz. Para conhecer mais do Projeto, clique aqui.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Jornada

quarta-feira, agosto 23, 2023 2
Foto por Josh Sorenson, via Pexels.

Meio do show. Meio da música. Meio da solidão. Click. Foi ali que Ana, a fã que dançava sozinha no lugar mais longínquo do estádio compreendeu. Não há fim sem começo, não há começo sem fim. O ditado popular é clichê, mas deve ser verdadeiro por algum motivo. Há tempos ela não se sentia daquele jeito, emocionada, leve, feliz. Algo imperceptível pairava no ar. Algo que não era possível ser visto ou explicado com palavras, mas que estava ali. Como definir o indefinível?

Ana dançava conforme a música no sentido literal e figurado. Sozinha há tantos anos, feliz apesar de tudo. Click. Solidão se converte mesmo em solitude? Isso não é só mais uma coisa da moda? A cerveja acabara no copo, a canção triste abria alas para aquela sobre viver na gentileza. Outro clichê... ou não?

Quando começa é porque algo acabou: o sonho, a espera, a dor. Muitas coisas tinham se findado na vida de Ana. Mas onde estava o tal recomeço afinal? Entre dois mundos. A suspensão a mantinha num estado de “agora vai” sem ir. Até aquela noite. Até aquela música. Até aquele cantor com cavanhaque de cafajeste de novela mexicana se divertindo. Até ela perceber que ela era a sua melhor companhia.

Meio do show. Meio da música. Imersão em arte. Queria gravar cada minuto do que estava sentindo na memória. O arrepio, o cantar até ficar rouca, o sorriso cúmplice vindo das pessoas desconhecidas ao seu redor. O uníssono em coreografia e vibração. Ana manteve o celular na bolsa. Desligado. Quanto mais offline estava, mais aquela adrenalina lhe invadia. Era bom poder ser ela mesma. Ela podia ser ela mesma, não podia?

Onde tudo termina, algo começa. Foi no meio do show que finalmente o sentimento veio. Sozinha, imersa, satisfeita, Ana se viu como tatu finalmente saindo da toca.


Este conto foi escrito a partir da proposta do Desafio Criativo para o mês de agosto de 2023, cujo tema é Tatu: Onde tudo começa e termina. O Desafio Criativo é organizado todos os anos pelo Projeto Escrita Criativa, que está desde 2015 reunindo na internet pessoas que amam escrever. Para saber mais e participar, acesse www.projetoescritacriativa.com.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Para ouvir a minha tormenta

quarta-feira, julho 19, 2023 2
Imagem por Ankush Dawar, via Pexels.


ergo a cabeça:

postura ereta.
vermelho-sangue nos lábios.
pernas descobertas pela saia curta,
dançando mesmo que não haja música.

afronto os ouvidos:
do macho que diz que a beleza dura apenas 10 anos,
do macho que fotografa por debaixo dos vestidos sem permissão,
do macho que só enaltece outros machos,
do que se faz de desconstruído, mas só pensa em mulher quando é pra foder.

me ouço rompendo os limites:
eco que se expande lado a lado com outras tormentas.
ano a ano passando a mão no cabelo da Medusa.
juntas seguimos,
transformando em pedras todas as dores que ficaram entaladas no meio do caminho.


Este conto foi escrito a partir da proposta do Desafio Criativo para o mês de junho de 2023, cujo tema é Estrela-do-mar: Rompendo os limites. O Desafio Criativo é organizado todos os anos pelo Projeto Escrita Criativa, que está desde 2015 reunindo na internet pessoas que amam escrever. Para saber mais e participar, acesse www.projetoescritacriativa.com.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Tentativa inevitável de travessia

quarta-feira, maio 24, 2023 14
Imagem por Kostina, via Pexels.

descoberta tátil
desequilíbrio corporal  
— face idêntica a uma das avós —
sabores na casa da tia
bolhas de sabão

vento no rosto ao descer a ladeira de patins
sol com o vô na calçada
tartaruga que caminha vagarosa
letras esparsas

primeiro beijo
primeiro show
uma nota baixa
— garrancho, rascunho ou mal-entendido? —
muitas notas altas
saque que não passava da metade da quadra
professor racista
professoras mães
um poema
¿hablas español?

descoberta da autora favorita
desilusão amorosa
primeiro emprego
desilusão amorosa
segundo emprego
coração verdadeiramente estilhaçado
escrita de um livro
what’s goin’ on?

cruzar fronteiras
adotar um gato
ser leoa
adotar outro gato
mais um passo
enfrentar o mundo

erguer a cabeça
— jogo de equilíbrio —
reaprender a amar
— sobretudo a si mesma —
caminhar em busca de sonhos para não esquecer

[toda ferida exposta um dia se cicatriza]


Este poema foi escrito a partir da proposta do Desafio Criativo para o mês de maio de 2023, cujo tema é Leão: Para não esquecer. O Desafio Criativo é organizado todos os anos pelo Projeto Escrita Criativa, que está desde 2015 reunindo na internet pessoas que amam escrever. Para saber mais e participar, acesse www.projetoescritacriativa.com.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 



domingo, 21 de maio de 2023

{Receita} Tricotando a Blusa Cacto do Amor

domingo, maio 21, 2023 12
Vem tricotar comigo!


Sabe aquele projeto que tinha tudo para dar errado, mas deu certo?! Pois bem, é justamente uma história assim que eu vim contar aqui hoje. Quem me lê há algum tempo sabe que eu voltei a tricotar. Como disse no post sobre o casaco que fiz, aprendi a fazer isso na infância, mas nunca havia tentado fazer peças que não fossem cachecóis. Depois de ter tecido o casaco, resolvi tentar algo mais difícil. Por que não uma blusa?!

Antes de começar 

Obrigada pela ideia, Harry! hehehe

Navegando no Pinterest, vi a foto acima do Harry Styles e pensei um "tá aí o meu próximo projeto". O problema era que eu não sabia como ler gráficos ou se conseguiria fazer algo com desenhos, já que nunca tinha feito antes. Mandei a imagem para a Claudinha, uma amiga querida que é muito habilidosa com artes manuais, e só de bater ela me disse como era a receita.

Na hora de comprar a lã, achei que esse tom mostarda ficaria apagado em mim. Mirei na cor terracota, acertei no marsala. A mesma coisa aconteceu com o verde, que era para ser mais vívido e veio mais apagado. Como comprei a lã pela internet, aconteceu de a cor da foto não ser como a cor real, mas elas continuaram combinando, e eu resolvi não desanimar. 

Look do dia do chá revelação do bebê da minha prima.


Tecendo

Acabei me confundindo na hora de fazer o gráfico original. Ao invés de ficar uma fileirinha de coração, uma de cacto e outra de coração, ficou cacto, cacto diferente, coração. No fim, gostei do resultado e não desmanchei o que tinha feito.

Meu objetivo era fazer uma blusa oversized, como a original. Talvez essa tenha sido a única coisa que, de fato, fato tenha acontecido. Por conta disso, acabei desmanchando as mangas e refazendo, porque eu tinha feito o corpo grande e as mangas estreitas. Tinha ficado estranho. Ao refazê-las, o resultado ficou como eu imaginei! :)

Material

  • Eu usei dois pares de agulhas retas, um de 6mm e outro de 10mm;
  • 11 novelos de lã Urbano da Círculo: 10 da cor picante (marsala), código 3986, e 1 da cor verde (militar), código 5718;
  • 1 tesoura;
  • 1 agulha de tapeçaria.

Para quem entende de lãs, as informações do fio Urbano são:
  • Fio Urbano Círculo Tex 909
  • Contém: 100 gramas = 110 metros
  • Composição: 80% Acrílico / 20% Poliamida

Minha receita

Para quem quiser tentar: não é difícil, porém é um pouco trabalhoso. Se você souber fazer os dois pontos básicos do tricô (o ponto tricô e o meia), não é impossível. Uma dica importante é: na hora de fazer os desenhos (trabalhar com a segunda cor), solte bastante o fio atrás, porque ele tem uma tendência a ficar apertadinho. Eu sou uma pessoa que sabe o básico do básico no tricô e consegui. Então, você consegue também.

Demorei mais ou menos um mês para fazer esta peça (tecendo um pouquinho toda noite). 

A minha receita foi feita em 4 partes (costas, frente e cada uma das mangas) foi feita deste jeito:

Costas:

Coloquei 91 pontos na agulha reta nº6 e teci o ponto barra 1 por 1 (um tricô e um meia) por 13 carreiras. Depois, troquei para a agulha nº10 e comecei a tecer o ponto malha (ponto meia do lado direito e ponto tricô, no avesso). Fiz isso por 6 carreiras. Na sétima (do lado direito), comecei o desenho, tecendo:
  • 1 ponto em vinho, 1 ponto em verde, 3 pontos em vinhos, 1 ponto em verde. Fui assim até o fim da carreira e voltei seguindo a mesma ordem. Ou seja, fiz o direito e o avesso (2 carreiras);
  • 1 ponto em verde e outro em vinho até o fim (avesso e direito);
  • 2 carreiras vinho (avesso e direito);
  • 1 vinho, 1 verde, 3 vinhos e 1 verde até o fim, avesso e direito;
  • 3 verdes e um vinho (avesso e direito);
  • 1 vinho, 1 verde, 3 vinhos, 1 verde até o fim, avesso e direito (2 carreiras);
  • 1 carreira de ponto meia em vinho (direito), sem nada em verde;
  • 1 vinho, 1 verde, 3 vinhos, 1 verde até o fim (avesso);
  • 1 verde e 1 vinho até o final (direito).
Depois, teci tudo em vinho, até a peça atingir 66 cm (contando desde o início da base).

Frente:


Parte da frente: aqui, havia tecido um obro, faltava o outro.


Fiz o mesmo procedimento das costas, na frente até a peça atingir 54cm (contando desde o início da base). Depois, arrematei 11 pontos centrais (equivalentes a 9 cm). Sobre as diminuições:

  • Diminuição no ombro direito = fiz dois pontos juntos no fim da carreira do lado direito (não diminuir do lado avesso), por 4 vezes. Depois tricotei até atingir a altura do tamanho das costas (66 cm desde a base).
  • Diminuição do ombro esquerdo = fiz dois pontos juntos no início da carreira do lado direito (não diminuir do lado avesso), por 4 vezes. Depois tricotei até atingir a altura do tamanho das costas (66 cm desde a base).
Os dois ombros finalizados.


Mangas: 

Fiz duas peças iguais. Para a montagem, teci 31 pontos. Fiz barra 1 por 1 por 13 carreiras. Depois, fiz 6 carreiras de ponto malha (meia no direito + tricô no avesso) de aumento, da seguinte forma:

Ponto barra 1 por 1, de uma das mangas.


  • aumentei 4 pontos no início e 4 no final da primeira carreira da primeira fila (após a barra, no direito);
  • teci a segunda carreira sem aumento;
  • aumentei 2 pontos no início e 2 no final da terceira carreira; 
  • teci a quarta carreira sem aumento;
  • aumentei 1 no início e outro no fim da 5ª carreira;
  • teci a sexta carreira sem aumento. No fim dela, tinha 45 pontos.
  • aumentei 2 pontos na sétima fileira e nela comecei a fazer o desenho, do mesmo modo que fiz na frente e nas costas.

Depois de terminado o desenho.

Depois, teci até ter 32cm. Na frente (direito), aumentei mais 3 pontos no início e no final da carreira. Por fim, teci mais 24cm até ter aproximadamente 50 cm desde a base.

Golas e costuras:

Momento da costura.

Costurei um dos ombros, fiz o levantamento dos pontos e o arremate da gola conforme as videoaulas da Bianca Schultz abaixo:




Depois costurei as mangas e fechei as laterais. 

Resultado

Tirei essa foto na hora em que fiz o último arremate.
Dá para ver o quanto eu estava feliz!


No fim, a blusa não ficou igual a do Harry, mas eu amei demais o resultado! Além de bonita e confortável, ela é super quentinha (o que ajudou demais com esse frio todo que anda fazendo!). Como sempre tem acontecido, o tricô tem me ensinado que sair da rota pode ser bom e, sobretudo divertido. 😉


Se você fizer também, me marca nas redes sociais. Vou ficar feliz de ver a sua peça. Se tiver alguma dúvida, basta perguntar aqui nos comentários. :)
_____________________________________________________________

domingo, 12 de março de 2023

Clandestina

domingo, março 12, 2023 2
Foto de Fox & Otter, via Unsplash. 


troco a cor das unhas
coloco os cachos, outrora rejeitados por outro, na touca de cetim
leio séculos disponíveis na cabeceira

deixo a pele velha morrer
melancolia se convertendo em luto
fogo que inflama e consome o terreno

evoco a força vinda da revolta
na cama de um dia chuvosamente tranquilo me lanço

e silencio
e como
e me deito
e gargalho

numa pequena troca de afetos entre noite e dia, sou versada
dou adeus às marcas passadas e mergulho
desgarrada oniricamente sigo
em pequeninos goles de felicidade.



Este poema foi escrito a partir da proposta do Desafio Criativo para o mês de março, cujo tema é "Felicidade Clandestina". O Desafio Criativo é organizado todos os anos pelo Projeto Escrita Criativa, que está desde 2015 reunindo na internet pessoas que amam escrever. Para saber mais, acesse www.projetoescritacriativa.com. 



_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Lançamento da Marés, a segunda antologia do Projeto Escrita Criativa

sexta-feira, setembro 02, 2022 4
Venha conhecer a Marés! 🌊


Amor, desilusão, aprendizado, protesto, nostalgia, amadurecimento, esperança são os principais temas da segunda antologia do Projeto Escrita Criativa

Como muitos de vocês sabem, sou uma das cofundadoras do Projeto Escrita Criativa — junto com a Ane Venâncio e Ayumi Teruya. Nós três participaremos de uma live no domingo, dia 04 de setembro, às 16 horas, que marcará o lançamento da Marés. 



A Marés é a segunda antologia organizada pelo Projeto Escrita Criativa. Nascido em 2015, o Projeto Escrita Criativa foi fundado com os objetivos de difundir conhecimentos sobre escrita, criatividade e mercado editorial e de estimular a todos que o acompanham a colocar a escrita literária na rotina. A Marés é mais um fruto deste trabalho.

A antologia é composta por textos escritos com temas propostos pelas duas frentes do Projeto Escrita Criativa — a Blogagem Coletiva e o Desafio Criativo — escritos no período entre maio de 2017 a novembro de 2019 e conta com a autoria de escritores brasileiros, argentinos e espanhóis radicados ao redor do mundo. O livro levou cerca de dois anos para chegar aos leitores justamente porque precisou passar por um processo de seleção de textos, tradução dos textos recebidos em espanhol e todas as outras etapas de produção de uma obra: revisão, diagramação e projeto gráfico — realizadas pelas fundadoras do Projeto Escrita Criativa.



Lançada de modo independente, a Marés promete uma leitura que rompa barreiras e provoque as águas internas de cada leitor, convidando-o a ir fundo nas próprias vivências. Segundo as fundadoras do Projeto Escrita Criativa, “amor, desilusão, aprendizado, protesto, nostalgia, amadurecimento, esperança, tudo anda lado a lado no olhar que as cartas, os contos, as crônicas e os poemas apresentam das diversas realidades de seus autores sobre o mundo”.



Sobre os autores participantes:

A Marés é composta por textos de 16 autores — Alexia B., Ane Venâncio, Ayumi Teruya, Bel Quintilio, Eduardo Fernandes, Elena Liñán, Fernanda Rodrigues, George Gimenez, Jeremías Sosa, Larissa Ardur, Leidiane Holmedal, Lucila Eliazar Neves, Luísa Scheid, Lyä, Michelle Cruz e Pablo Buendía — sendo eles 11 brasileiros, 3 argentinos e 2 espanhóis. Dos autores brasileiros, quatro deles moram fora do país e trouxeram seus olhares de expatriados ao livro, mesclando a cultura brasileira com as culturas argentina, canadense, portuguesa e norueguesa.

Alguns desses autores têm blogs, então vou deixar a lista dos links deles aqui:

Link para compra:


⚠ As 50 primeiras pessoas que comprarem o livro e enviarem o comprovante de pagamento para o e-mail contatoescritacriativa@gmail.com receberão um brinde digital exclusivo.

Evento de lançamento:



FICHA TÉCNICA:

Capa antologia Marés (org. Projeto Escrita Criativa).


Livro: Marés
Organização: Projeto Escrita Criativa
Gênero: Cartas, contos, crônicas e poemas
Autores: Alexia B., Ane Venâncio, Ayumi Teruya, Bel Quintilio, Eduardo Fernandes, Elena Liñán, Fernanda Rodrigues, George Gimenes, Jeremías Sosa, Larissa Ardur, Leidiane Holmedal, Lucila Eliazar Neves, Luísa Scheid, Lyä, Michelle Cruz e Pablo Buendía.
Edição, preparação e revisão: Fernanda Rodrigues
Tradução do espanhol e diagramação: Ayumi Teruya
Capa: Ane Venâncio
Editora: publicação independente
Lançamento: 04 de setembro de 2022
Apresentação: Ninguém consegue passar pela arte sem ser movido para algum lugar de reflexão. Ela põe a todos em movimento, e com Marés não seria diferente. Ao propor os temas do mês — tanto da blogagem coletiva, quanto do desafio criativo —, o objetivo do Projeto Escrita Criativa é justamente que escritores e leitores mergulhem em suas próprias profundezas ao entrar em contato com a literatura. Esta antologia, portanto, é o resultado desse o movimento: as águas — sejam elas emocionais ou físicas — estão presente ao longo da obra. Cada texto convocou os autores e convida os leitores a ir fundo em suas próprias vivências. Amor, desilusão, aprendizado, protesto, nostalgia, amadurecimento, esperança, tudo anda lado a lado no olhar que as cartas, os contos, as crônicas e os poemas apresentam das diversas realidades do mundo. Em Marés reunimos autores brasileiros, argentinos e espanhóis que residem em seis países — Brasil, Argentina, Canadá, Espanha, Portugal e Noruega — humanizando e universalizando suas experiências particulares, como só o bom texto literário é capaz de fazer.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Bifurcação

terça-feira, agosto 23, 2022 4
Foto por Yiran Ding, via Unsplash.

em meios a tantos porquês,
em meios a tantos tempos,
em meio a tantas gentes,
o caminho que não tomei me trouxe até aqui.

as respostas que não encontrei,
as perguntas que não fiz,
os estudos que busquei,
as pessoas com quem convivi,
o caminho que não tomei me trouxe até aqui.

cheguei até aqui colhendo os pedaços,
aprendendo a me levantar.
o caminho que não tomei foi tão importante quanto os que escolhi.


Este post faz parte da blogagem coletiva de agosto,
do Projeto Escrita Criativa, cujo tema é "Aquele caminho que eu não tomei".
Para saber mais sobre o Projeto Escrita Criativa, clique aqui.
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 




terça-feira, 28 de junho de 2022

Torpor

terça-feira, junho 28, 2022 8

Foto por Jarek Ceborski, via Unsplash.

linhas do tempo se misturam: antes e depois se convergem em agora. ontem pode ser um passado longínquo para quem está observando a fumaça exalando da xícara de café. ela a soprar seu vapor quente para longe. eu, esse ser estático, localizado no abafado do não ser. quando foi que o respirar se tornou assim, tão morno? o amargo me queima o céu da boca. é ele que me faz acordar das memórias de gritos, dos pesadelos insones em que deslizo da cama e me esborracho no chão em posição fetal. preciso trazer movimento. só assim o sangue circula. é preciso tanta coisa! não há mais doçura: eis a questão! não posso deixar que a minha bebida esfrie de vez.


O tema da blogagem coletiva de junho de 2022 foi: Antes que o café esfrie.
Para saber mais sobre o Projeto Escrita Criativa, clique aqui.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

terça-feira, 15 de março de 2022

Social

terça-feira, março 15, 2022 8
Foto por Jeremy Bezanger, via Unsplash.



algoritmos substituem casualidade 
direita, sim. esquerda, não. 
a escolha perfeita no cardápio 
é possível ser conquistado por alguém sem link na bio? 

casualidades substituem o espontâneo ao rolar tela infinitamente
diversas possibilidades:
americano com latina, brasileira com francês, italianos e britânicos. 
dancinhas e declarações de amor são verdadeiras?

carros substituem passos
não há mais conversa fiada no elevador. 
Morreram o “Bom dia” e o “Tá calor... Acho que vai chover” 
A mudez do acaso habita apenas a esquina?

Caminhos se cruzam 
cada vez mais distantes, 
amparados por telas e sedentos por abraços 
que não dão engajamento.





_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: