sábado, 25 de março de 2017

Sobre a vida

Quais são os caminhos da sua plenitude?

Quis ser feliz a custo da honestidade. Fazia o que lhe dava na telha, cantava o que via no mundo, aquilo que acreditava ser verdade. Observava, pensava, em determinados momentos se calava. “Algumas brigas não valem à pena”, praticava.

Sentia orgulho a cada falha. Os tropeços eram convites: vamos ser melhor? De novo e de novo: reaprendia a cada dia. Frustração e perfeição podem ser lados da mesma moeda... ou não! Cada momento e sua singularidade na vida.

Achava injusta a cobrança que leva à falta de liberdade. Me deixe se mulher, me deixe viver à minha maneira. Minhas roupas, meus cabelos, meu modo de pensar, não são da sua conta! Bradava em silêncio, mas ainda assim, bradava. 



Uma vida em que não se pode ser honesto sobre quem você é, é como criar um inferno e viver nele. Vivo em paz. E, se isso incomoda, bem, que o inferno fique com os outros.

Este texto faz parte do Desafio Criativo proposto pelo Projeto Escrita Criativa, que reúne escritores e blogueiros para colocarem no “papel” suas ideias. Quem quiser conhecer mais, acesse a página ou o grupo do projeto. Lá há a lista com todos os links dos blogs participantes. 

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sexta-feira, 17 de março de 2017

Não é possível ser poeta

Jardim da Casa das Rosas.

Queria escrever um poema sobre a gratidão. No fundo, queria falar sobre a beleza, sobre a felicidade, sobre o afago de dormir em conchinha, sobre o acolhimento que a gente sente diante das coisas simples. Mas hoje, agora, não consigo. Só posso falar sobre a solidão.

É engraçado. Há tempos não me sentia solitária. Melhor dizendo, há tempos não sentia a solidão do modo doloroso. A de antes era aquela dos sonhos e das esperanças, da que nos leva ao topo do mundo. A de agora, contudo, é daquela dolorida, que nos faz ficar embaixo do cobertor, em posição fetal, ouvindo a chuva que cai sobre o telhado.

Fiquei me perguntando o que mudou — se é que mudou algo. A estranheza da vez está no fato de que agora me vejo sob outra ótica, por um ângulo de quem se afasta e se vê de fora. A dor não é mais pela perda, muito menos do tipo desesperada e sem consolo. Ela é triste pelo o que não deu certo e, sobretudo, conformada pelos caminhos que me trouxeram até aqui. 

Isso acontece em parte por saber que não dá para mudar o passado, em parte por ter certeza do enfrentamento do futuro. Não se pode fugir das situações mais incômodas. Sempre fui de enfrentar o medo. Espero mesmo que isso me liberte...

Há dias bons, dias ruins e dias tristes. Nestes, não é possível ser poeta.

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terça-feira, 14 de março de 2017

{Resenha} A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch

Há tempos não lia algo tão bom, tão bem feito! 

Há tempos um livro não me pegava como A guerra não tem rosto de mulher me pegou. A proposta de sua autora, a vencedora do prêmio Nobel de Literatura 2015, Svetlana Aleksiévitch, é simples: trazer à tona um retrato da Segunda Guerra Mundial a partir do olhar da mulheres que participaram deste evento. Para isso, ela foi atrás das combatentes e deu voz a quem teve que permanecer calada por muito tempo. A guerra dos homens é uma; a das mulheres, outra. Isso é nítido a cada relato que lemos. E isso me fez me perguntar por que ninguém havia buscado o testemunho feminino antes?

Tudo o que eu conhecia sobre a Segunda Grande Guerra tinha sido por meio de homens. Na escola, tive professores. Nos livros, tive autores. Então, estava sedenta por compreender este período tão violento por meio de uma perspectiva mais alinhada com a minha, por um ponto de vista feminino.

Como todo relato de guerras, o livro é cercado de sangue, morte e luta por sobrevivência. A principio, isso foi o que me fisgou: a coragem e o desejo que essas mulheres tinham desde muito cedo (algumas no auge dos seus 14 anos) a quererem pegar nas armas. Elas almejavam ir para guerra tanto quanto os homens porque não conseguiam ver o país sendo invadido e ficarem de braços cruzados. 

Já nas primeiras páginas, senti náuseas por me imaginar naquela situação. Este livro é muito sinestésico: é impossível você não se ver nas trincheiras, não se comover com os relatos das pessoas que viram outras se explodirem, da falta de recursos para o tratamento dos doentes, das falas sobre a fome e a miséria. Senti náuseas pela violência. Respirei fundo, mas não consegui parar a leitura. Este é o trunfo de Svetlana Aleksiévitch: ela puxa o leitor para dentro da sua narrativa, é como se caíssemos em um pântano, na areia movediça. Quanto mais lemos e desconfortáveis nos sentimos, mais queremos saber os detalhes do que aconteceu.

Página 112. Não é o trecho mais pesado, mas é um dos que mais me comoveu.

Além da violência, do estresse e do trauma bélicos, o livro traz outro ponto à tona: o sexismo. Enquanto os homens se tornaram heróis, as combatentes não foram vistas da mesma maneira, sendo condenadas por terem deixado a família (ou levado os filhos para o combate). Boa parte delas foi taxada como prostitutas, acusadas de terem "roubado" os soldados das famílias, e acabaram sozinhas por não serem "boas moças" o suficiente para casar. (Nem preciso dizer o quanto isso me deixou indignada, preciso?)

A bravura e a coragem em contraste com a inocência nos coloca para pensar sobre a humanidade. O abandono e o preconceito sofridos por elas no pós-guerra, nos tira o pouco da esperança que nos resta. A vida se sobrepondo à morte nos faz rever nossos conceitos. A guerra não tem rosto de mulher nos coloca para pensar e repensar a maneira como conduzimos a nossa jornada de maneira individual e coletiva e nos leva a uma dúvida: será que a humanidade tem jeito? Fiquei com a sensação de que ainda temos muito que aprender.

"O caminho é um só: amar o ser humano. Compreendê-lo pelo amor". 
(A guerra não tem rosto de mulher, página 189)


Livro: A guerra não tem rosto de mulher
Autora: Svetlana Aleksiévitch
Tradução: Cecília Rosas
Páginas: 392
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente.
É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Aleksiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

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sexta-feira, 10 de março de 2017

5 dicas para planejar uma viagem sem perrengues

Carol e eu estamos aqui para te ajudar com a sua próxima viagem! ;)
Oi, gente!
Tudo certo?

Hoje eu vim aqui mostrar para vocês mais um vídeo que eu gravei com a Carol Vayda, em que ela nos dá cinco dicas poderosas para planejar uma viagem sem perrengues.

Para ver o outro vídeo, com as metas de ano novo, clique aqui.

Quem já acompanha o Algumas Observações há algum tempo sabe que a Vayda é uma amiga querida. O que talvez vocês desconheçam é o fato de que, além de ser blogueira, ela é turismóloga, com mais de dez anos de experiência em agências de viagem e intercâmbio. Ela, melhor que ninguém, conhece as necessidades das pessoas perdidas ao planejar aquela viagem dos sonhos.

Garanto que você ficou curiosa, não? Chega de papo e bora dar o play no vídeo! 😉




Recapitulando:

5 dicas para planejar uma viagem sem perrengues + alguns extras

1. Antecedência no planejamento
Comece a planejar com pelo menos 6 meses de antes da ida.

2. Flexibilidade nas datas
Tenha flexibilidade de datas para partidas e chegadas.

3. Escolha o lugar prioridade
Escolha um lugar como base.

4. Faça orçamentos
Não falamos de pesquisa, mas OR-ÇA-MEN-TO (veja o vídeo para entender a diferença).

5. Tenha a internet como sua aliada
Bonus tiiiiiime! 
Sobre isso, algumas dicas extras:

  • Dica da Fê #1: acesse os posts de viagem aqui do blog, porque eles podem te ajudar a conhecer novos lugares.
  • Dica da Fê #2: nem preciso dizer que a Vayda fala sobre viagem no blog dela, preciso?
  • Dica da Fê #3: quando fui a Buenos Aires pela primeira vez, foi uma mão na roda ter conhecido as dicas do Buenos Bares BA (no instagram: @buenosbaresba) antes de sair do Brasil. Hoje, a Naty e o Dan já se tornaram amigos e as idas pra lá sempre contam com, pelo menos, um jantar com os dois (E PS: eles não são um casal! uahahaha).
  • Dica da Fê #4: Quer ir a um lugar diferente? Que tal a Suécia? Bem, se você resolver conhecer Estocolmo, recomendo o Morando na Suécia (pelamordeDeus, sigam a Victória no Snapchat, porque ela é demais! @stronglica).
  • Dica da Fê #5: o Pinterest salva vida na pesquisa de lugares para visitar. Recomendo este board aqui com algumas dicas de lugares.

Bem, pessoal, é isso!
Me contem aí nos comentários os planos de viagens de vocês, como vocês costumam fazer durante o planejamento e quais foram os perrengues pelos quais vocês já passaram.

Beijos e queijos :*

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quarta-feira, 8 de março de 2017

Muito obrigada

Já posso dar um abraço em cada mulher presente na minha vida? ♥

Oito de março. Dia da mulher. Me peguei aqui pensando que queria muito falar sobre isso, mas sem saber exatamente como fazê-lo. Então, resolvi falar com vocês, mulheres da minha vida. Eu quero agradecer a todas as mulheres que sempre estiveram do meu lado. Se cheguei aqui hoje, é muito por culpa de vocês.

Vocês que me apoiaram, que não me deixaram desistir, que sempre fizeram questão de me lembrar o quanto eu sou incrível (em todos aqueles momentos em que eu desacreditei). Vocês que me ensinaram tanto - seja na escola, seja no trabalho. Vocês que vibraram com as minhas realizações, que alimentam os meus sonhos. Vocês que me leem, que me encorajam. Vocês que consolam as minhas lágrimas, que oram por mim, que não me deixam perder a fé.

Mulheres da minha família. Meus alicerces. Mulheres da minha vida acadêmica. Com quem até hoje compartilho as minhas angústias (que nem sempre são relacionadas à academia). Mulheres dos meus trabalhos todos, que tanto me fizeram crescer. Minhas amigas. As irmãs que escolhi para mim. Minhas autoras preferidas. Aquelas que abriram o caminho para nós, escritoras novatas que não desistem do reino das palavras.

Obrigada por continuarem comigo nesta luta por um mundo mais justo. Obrigada por criarem suas crianças pautadas na igualdade e no respeito. Obrigada por serem amor, por serem coragem, por serem força, por espalharem sua luz.

Que este oito de março renove as nossas energias. Que no futuro nossas filhas, netas, amigas, vizinhas e desconhecidas possam ganhar tanto quanto o seu colega homem, andar nas ruas sem medo, escolher a roupa, a profissão e a vida que bem entenderem. Que no futuro esta data seja mesmo para festejar. 

Enquanto isso acontece, a luta continua. E o meu sentimento de gratidão por vocês existirem na minha vida também. 💚

PS: Sue, se você ler, feliz aniversário também (e de novo!)! 😉

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