terça-feira, 23 de setembro de 2014

Carta da despedida

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
(The road not taken - by Robert Frost)


Oi professor,
Acabei de ler a notícia sobre a sua morte. De súbito, todas as memórias daquele 2010 vieram a minha mente: desde o dia em que nos conhecemos, até o encontro casual no corredor da universidade (já quase em época de férias). Meu coração ficou apertado e triste por saber que você foi de maneira tão trágica, ainda mais porque sabia que você era tão cheio de vida. Não pude deixar de recordar do seu relato sobre quando morou em Israel... Sair de um lugar tão cheio de guerras para morrer em um acidente de carro... É isso o que as pessoas chamam de ironias da vida?! Definitivamente, não gostei nem um pouco disso...

Sei que parece estranho escrever sobre tudo isso agora (mas você foi um dos que me ensinaram que a escrita tem poder e eu preciso tentar diminuir este nó na garganta que me avassala o peito). Ainda mais uma pessoa que aproveitava as suas aulas para corrigir as tarefas dos meus alunos do learning center. Nada educado, eu sei (e desde já peço desculpas). Mas o fato é que sim, eu prestava a atenção em cada palavra que você dizia. E sim, eu me sentia privilegiada por ouvir uma pessoa com tantos conhecimentos como você. Depois, conversando com a professora Lilian, ela também demonstrou admiração por toda a sua trajetória profissional – o que me fez ver que eu deveria dar créditos ao professor marrento que assumiu a minha turma numa situação de emergência.

Sabe, ainda me lembro daquela dia em que a aula era última de uma sexta-feira fria e chuvosa – véspera de feriado prolongado – que não tinha quase ninguém. Estudávamos a constituição americana e você arrebentou! Até então nunca havíamos trocado palavras que não fossem estritamente necessárias, mas agora me sinto aliviada por ter voltado até a sala depois que todos foram embora (e você apagava a lousa) e ter te dito o quanto eu havia gostado daquelas horas em que estudávamos a importância da legislação americana não só para a constituição do país, quanto para a literatura. Sua cara surpresa valeu o dia e me fez voltar para casa feliz!

Depois vieram os sonetos de Shakespeare – o 20 em especial. Adorava quando você perguntava qual era a nossa interpretação para o que estava ali escrito. Muita gente não tinha coragem de falar e outros falavam até demais, como sempre acontece em salas numerosas... Gostava do debate. Debates enriquecem a nossa mente de sabedoria (e o seu tom, por vezes sarcástico, tornava tudo muito interessante. Você nos fazia pensar e querer estar sempre um passo adiante)... Mas voltando aos poemas, amei “The road not taken”. Acho que foi com ele a primeira vez que expus a minha visão/opinião (ou seria sentimento?) para todos na sua aula. Contudo, o que me deixou feliz mesmo foi ver a sua cara de aprovação ao ouvir o que eu disse. O seu pequeno e discreto sorriso foi muito significativo.

Quando veio o trabalho de análise de Death of a Salesman*, eu dei o meu melhor. Queria te provar que conseguiria sim fazer uma análise decente de uma obra importante. Era uma coisa de “questão de honra”, mas também era questão de reconhecimento. Bati o pé igual uma criança mimada, perdendo horas dos meus finais de semana (e de qualquer outra mísera sobra de tempo livre), porque queria ser reconhecida por você. Queria que o meu trabalho fosse um dos mais incríveis que você tivesse lido. Queria que você olhasse para mim não como uma qualquer que fez Letras porque não sabia o que queria da vida, mas como uma aluna de verdade que sempre amou o curso que escolheu. Infelizmente não estava no dia em que você devolveu os trabalhos aos, todavia foi extremamente recompensador ouvir os colegas chegando e dizendo que o “Feldman elogiou demais o seu trabalho”. Essa frase, por si só, serviria para fechar o ano e o curso com chave de ouro.

Voltando para todas as memórias que me vieram à mente, fico aliviada por ter te procurado lá na turma de psicologia - fora do horário da minha aula - para agradecer não só pelos elogios feitos na minha ausência no dia da entrega da análise de Death of a Salesman, como pelo ano como um todo. Foi ótimo poder reconhecer o seu papel como professor e foi incrível ter a sua aprovação enquanto aluna. Pensar neste dia, me faz sorrir até hoje e eu só tenho que agradecer mais uma vez por isto! Muito obrigada.

Enquanto escrevia esta carta, voltei de novo na notícia que anunciou a sua partida. Vi as imagens do seu carro destroçado... E doeu muito! Eu não quero imaginar a sua dor. Não quero imaginar a tristeza dos seus familiares, principalmente do seu filho – que você tanto amava (era lindo ver os seus olhos brilhando ao falar dele!). Não quero pensar na dor da sua namorada que te viu partir de forma tão trágica... Eu quero focar em você falando com entusiasmo da literatura canadense ou da vida em Israel. Quero me lembrar do seu sorriso ao me avistar no corredor e do meneio com a cabeça, dizendo oi. A partida dói demais, por isso prefiro ter o seu sorriso na minha memória.

Mais uma vez,
Obrigada por tudo!

Com amor,
a aluna (também) marrenta do 3ALEN de 2010.

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*Death of a Salesman = A morte do Caixeiro Viajante (escrito por Arthur Miller)

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domingo, 21 de setembro de 2014

Cinco comunidades que eu criaria no Orkut

"O orkut não estará disponível depois de 30 de Setembro de 2014.
Saiba mais."

É meu povo, o dia 30 de setembro marcará o fim de uma era! 

Quem é da minha geração, sabe que o orkut foi um grande marco para os usuários de internet no Brasil. Eu, particularmente falando, não estive imune ao "só add com scrap" e dou graças a Deus por isso. Foi lá que conheci 70% do meu círculo de amizades real (sim, estas pessoas saíram da tela do computador e se tornaram grandes amigos), também foi lá que eu aprendi coisas úteis como usar o PhotoFiltre Studio (que já salvou muito mesmo a minha vida de blogueira), fora o tempo que ele serviu de back up para todas as minhas zilhões de fotos (vai dizer que você também não tem um monte de foto que te faz pensar "nooooooooossaaaa!" por lá).

Para celebrar esta época gloriosa em que fazíamos de tudo para saber a nossa sorte do dia, o rotaroots propôs o meme "Cinco comunidades que eu criaria no Orkut". E eis as minhas:

Sou brasileiro(a), mas não gosto de feijão

Descrição:
Sim, nasci no Brasil. Não, não gosto de feijão. Logo, não sinto a menor falta de arroz e feijão, seja ele de qual tipo for. E não adianta ficar indignado por isso.
Tópicos principais: 
- Você substitui o seu feijão por qual acompanhamento?
- Por que todo gringo faz uma cara de "isso é um absurdo" quando falo que não gosto de arroz com feijão?

Livrai-me do "SDV" no blog e nas redes sociais, amém

Print do dicionário informal.

Descrição:

Blogueiro nosso, que estais na blogsfera, bem sucedido seja o seu blog. Que venha a vós a inspiração, que seja feito o post a vossa vontade - tanto os de conteúdo próprio quanto os publieditorais. Que não vos visitem pessoas sem noção e livrai-nos do segue de volta no blog e nas redes sociais, amém.
Tópicos principais:
- Qual é o seu blog?
- Como lidar com o tal "sdv" - principalmente quando o blogueiro em questão tem um blog sem conteúdo de fato?
- Quem já foi plagiado?

Por um mundo que funcione das 11h às 17h

Descrição:
Comunidade para todos que não entendem qual a necessidade de ter que começar a estudar/trabalhar às 7h da madrugada manhã e ficam até às 11 parecendo um zumbi. Para todos que adorariam sair às 17 do trabalho/da escola para poder dar uma volta com os amigos e conseguir ver o pôr do sol. Porque trabalhar antes ou depois disso é muita crueldade.
Tópicos principais:
- Expresse a sua revolta em ter que acordar cedo.

Não leio as zilhões de mensagens do Whatsapp

Descrição:
É aquela velha história: você vai dormir e, quando acorda, vê 13727363718787327632 de mensagens
no whatsapp. Então, para evitar a fadiga, você simplesmente não as lê. Bem vindos ao clube (ou seria grupo?!)
Tópicos principais:
- Qual o seu Whatsapp?


Superheroes me faz chorar

Descrição:
Que o The Script só faz vídeos incríveis, isso a gente já sabe. Agora, o que foi a ideia da história em Superheros?! A comunidade não precisa nem de explicação, porque o vídeo é autoexplicativo.

Tópicos principais:
- Letra e tradução.
- Há quanto tempo você é fã do The Script?




Bem, acho que é isso!
Você entraria em alguma das minhas comunidades?!
Comente e me conte quais seriam as suas.

Beijos e queijos. :*

Este meme faz parte da proposta do Rotaroots, um grupo de blogueiros que tem o objetivo de resgatar a época de ouro dos blogs pessoais, incentivando a produção de conteúdo criativo e autoral, sem ser clichê e principalmente, sem regras, blogando pela diversão e pelo amor.
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sábado, 13 de setembro de 2014

[Resenha] Indomável, de Nick Vujicic

Quem vê o sorriso de Nick Vujicic (pronuncia-se vu-ii-chich) não consegue imaginar que um dia ele se sentiu tão frustrado ao ponto de querer morrer afogado em uma banheira. Depois de passar anos de sua vida pedindo a Deus que fizesse o milagre de lhe dar braços e pernas e de questiona-Lo: “Por que eu? Por que comigo?”, Nick virou o jogo, passou a ver a sua deficiência como uma oportunidade de levar esperança a outras pessoas. A pergunta, então, se transformou em: “Por que não comigo?”.

Indomável pode ser resumido em um encorajamento ao leitor a colocar a sua fé em prática. Este estímulo se dá por relatos da vida do próprio autor, por depoimentos que ele recebe em seu site, por histórias que ouviu ao longo das suas missões ao redor do mundo. Tudo isso embasados por trechos bíblicos e reflexões próprias.



Nas orelhas e nas últimas páginas do livro há algumas fotos
 que registram parte do que é relatado. Esta é uma delas.
Nela, vemos o autor e um menino que ele conheceu em uma de suas palestras.
Daniel, assim como Vujicic, nasceu sem pernas e braços.

Pode parecer pretensioso escrever um livro para dizer às pessoas para praticarem a sua fé. Mas a postura de Vujicic é sempre humilde, de quem está com o coração aberto para aprender com os outros e de quem quer ver os sinais de Deus nos pequenos gestos ao seu redor. Embora protestante, ele não se limita apenas ao seu ministério ou a sua denominação, absorvendo os bons exemplos de todos aqueles que se dispõem a seguir os ensinamentos deixados por Jesus, como na passagem em que ele menciona a Madre Teresa (missionária que ficou famosa ao ajudar os pobres de Calcutá).

A obra é uma espécie de compilação entre as dúvidas e assuntos mais frequentes que chegam até Nick Vujicic e divide-se em dez capítulos que abordam tópicos como crises pessoais, relacionamentos, desafios de carreira e emprego, preocupações com saúde e deficiências, pensamentos autodestrutivos, as diversas emoções, vícios, bullying, intolerâncias, violências, como lidar com questões que estão fora do nosso controle, como ajudar os outros e como encontrar o equilíbrio.

O lado gostoso de ler Indomável é a maneira como tudo é descrito: com respeito aos leitores e suas crenças – mesmo que elas não sejam idênticas às do autor – e muito bom humor. Isso só faz com que passemos a admirar ainda mais a história de superação daquele moço que nasceu sem pernas e braços, mas que adora dar abraços por onde passa.

Como ele mesmo brinca, se ele, que não tem braços e mãos, conseguiu escrever dois livros (além de Indomável, Vujicic é autor do best-seller Uma vida sem limites), por que você, leitor, não conseguiria ser indomável?! Com o amor de Deus, tudo é possível... Até mesmo se perguntar: Por que não eu?!


Livro: Indomável
Título Original: Unstoppable
Autor: Nick Vujicic
Tradução: Paulo Polzonoff Jr.
Páginas: 248
Editora: Novo Conceito
Sinopse: Milhares de pessoas já conhecem o rosto sorridente e a mensagem revigorante de Nick Vujicic, o coach motivacional que é, ele mesmo, uma motivação para todo o mundo. Apesar de ter nascido sem braços nem pernas, Vujicic não deixou de desfrutar de grandes aventuras, desenvolver uma carreira excepcionalmente compensadora e viver significativos relacionamentos amorosos.
Nick Vujicic consegue superar as provações e dificuldades de sua vida ao concentrar-se na certeza de que nasceu com um propósito único e relevante. E não importa o quanto tudo pareça, às vezes, desesperador e difícil, Nick continua a acreditar, porque ele sabe: seu poder é desencadeado quando a fé entra em ação.
E essa experiência de fé, essa certeza de que a dificuldade está aí para ser superada, pode ser conquistada por qualquer pessoa que realmente queira ter uma vida inacreditavelmente maravilhosa.
As adversidades do mundo moderno como: problemas de relacionamento; desafios da carreira e do trabalho; preocupações com a saúde; pensamentos autodestrutivos e vícios; bullying e intolerância são infortúnios que podem ser descartados. É realmente possível conquistar o desejado equilíbrio entre corpo e mente; coração e espírito. Mas essa é uma conquista que demanda know-how; um conhecimento que Nick Vujicic tem de sobra — e está disposto a compartilhar.

Trecho disponibilizado pela editora. | Livro no skoob. | Nick Vujicic no facebook.

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sábado, 6 de setembro de 2014

O que o Stop the Beauty Madness tem a ver comigo e com você

Na semana passada peguei o meu celular e vi que havia uma notificação do facebook, de uma conhecida minha. O post em que fui marcada era uma foto dela sem maquiagem e sem filtro, em que várias de suas amigas que eram desafiadas a fazerem o mesmo. Chamou-me a atenção, no entanto, que não havia na legenda quaisquer explicações sobre o motivo de se fazer uma foto assim. O primeiro comentário - de uma menina que não conheço - dizia: "Que desafio é esse? Como é a brincadeira?". E a resposta da que o propôs foi: "postar uma foto sem maquiagem e desafiar as amigas a fazerem o mesmo".

Dias depois, algo parecido aconteceu com outra amiga que me marcava em uma foto dela, também desafiando-me, desta vez, com as tags "#CaraLimpa #LindaComoSempre #AutoEstimaA1000", que recebeu comentários como "me inclua fora dessa".

"O que eu quero ser quando eu crescer?
Linda."

Pode parecer exagero, mas fiquei em choque. Como que as pessoas transformam algo importante em simples banalidades?! Como que alguém pode aderir à uma campanha cegamente, sem saber do que se trata?! Antes de ser marcada pelas meninas, já havia visto no instagram fotos de mulheres sem maquiagem e já havia pesquisado no google a expressão "Stop the beauty madness" (em português: "pare com a loucura da beleza"), por isso sabia a magnitude do projeto criado por Robin Rice e Lisa Meade. Com o objetivo de valorizar a verdadeira beleza feminina, a ideia é nos fazer refletir sobre o que é ser bonita, não importando como seja esta beleza. Esta valorização, é claro, começa como nós, mulheres, nos enxergamos. e passa pela forma (muitas vezes deturbada) de como o mundo nos vê.

É claro que tanto a Robin, quanto a Lisa não são contra a maquiagem. Elas apenas acreditam que nós não precisamos ser escravas de tantos produtos de beleza; porque, sim, podemos ser lindas sem eles.

Como professora, que convive diariamente com crianças, vejo como esta idealização da beleza começa desde cedo e como isto pode ser verdadeiramente cruel. Durante esta semana pedi para que os alunos fizessem desenhos de atividades que eles fazem ao longo do ano (porque estudávamos as quatro estações). Todas as cores e traços eram iguais: meninos e meninas loiras, de olhos claros e cabelos lisos. O problema disso?! Boa parte dos alunos não têm as características retratadas nos respectivos desenhos (alguns são descendentes de oriental!), mas não se eu pergunto: "você está loira?" a resposta vem na lata: "Ah, teacher! Deixa eu ser assim só desta vez?".

Se parasse só em um desenho, minhas preocupações seriam pequenas, mas a crueldade da ditadura da beleza vai muito além. Se você não é magro, te xingam de gordo. Se você não tem o cabelo liso, tem que alisar porque tem que ser como as meninas que aparecem na TV (Chiquititas, Rebelde, Malhação...). Se você não se maquia, os meninos não vão te olhar. O mesmo acontecerá se você for alta demais ou extremamente baixinha. E você é obrigada a atrair os meninos a todo custo. Eles só se atraem pelo padrão barbie girl, você sabe disso. Logo, não, não se pode pedir um doce na cantina. Não, também não se pode descer para o lanche sem batom. E sim, esta é a rotina que eu vejo começar entre as meninas de 7 ou 8 anos. E sim, isto tudo é incentivado desde casa, porque elas andam com as unhas mais bem feitas do que as minhas. O que me leva perguntar: elas não deveriam brincar ao invés de passar horas no salão de cabeleireiro?! 

"Então, se eu alisar o meu cabelo poderei seguir na vida?
Ok, mas quão livre é isso?"

Quanto a mim, fazer uma foto sem maquiagem não é um desafio. Quem me conhece sabe o quanto eu sou desencanada com essas coisas. Uso maquiagem quando tenho vontade e vou para o trabalho, shopping, festas, curso e qualquer outro lugar de cara limpa sem problemas. Quando era mais nova, achava engraçado como as minhas amigas não davam um passo para fora da cama sem maquiagem completa, mas isso nunca foi um fator determinante da minha existência. Pelo o contrário, se eu passei desapercebida no Ensino Médio, foi justamente porque sempre achei um absurdo ter que ser quem não sou para ser aceita. 

O mesmo é válido para o aparelho ortodôntico, para os óculos e para o cabelo. Sobre o aparelho, tenho amigas que sofreram horrores só para tirá-lo mais rapidamente. Eu, sempre preferi fazer as coisas com calma e não tenho a menor vergonha dele (ao contrário, ainda acho divertido trocar as cores dos elásticos). Sobre os óculos, é sempre a velha pergunta vinda de médicos, amigos, parentes e até desconhecidos: "por que você não usa lentes?" e o espanto ao ouvir a resposta: "porque eu gosto de usar óculos". O que diz respeito ao cabelo, quem lê este blog há tempos sabe que já me disseram que não arrumo um namorado, porque não aliso o cabelo. Eu só digo: não aliso mesmo. Eu tenho que estar com alguém que me ame como eu sou. E esta sou eu: a que ama o seu cabelo cacheado e os seus óculos. Não vou mudar porque há um padrão que impõe o cabelo liso e as lentes de contato.

Está aí: sem maquiagem, sem filtro, de pijama,
elástico no aparelho e com cabelo de quem
acabou de sair da cama (e que muitas vezes
vai para a rua assim mesmo). Com ou sem óculos,
esta sou eu. Sorridente, porque me acho linda.

Contudo, ouvir constantemente que o seu cabelo é ruim, que você é gordo, que sua pele é um lixo, que você é narigudo, que tem os pés/braços/mãos grandes, que deveria pintar o cabelo, que é magra demais, que deveria vestir a roupa X, não a Y e que deveria frequentar tais e tais lugares, que não deveria fazer tatuagem, dói. Dói muito. Ninguém gosta de ser colocado para baixo e, com o passar do tempo, isso faz com que nos tornemos pessoas minimamente mais descrente de que este planeta possa ser um bom lugar um dia

Esta competitividade do ser mais (magra, bonita, bem vestida, loira, lisa) leva as pessoas a serem menos (educadas, compreensivas, gentis). Com a tecnologia, o mundo passou a se esquecer o que é empatia. As pessoas não se colocam mais nos lugares das outras e se esquecem que atrás da tela do computador/tablet/celular há um ser humano de carne e osso. Por que eu estou falando isto?! Porque vejo muita abobrinha por aí, nos comentários de todas as timelines (minhas e dos blogs) nas redes sociais. Fico pensando se diriam no cara a cara que "fulano é feio" ou que "beltrano engordou horrores" ou que a tal moça "fica parecendo um E.T. sem maquiagem", como fazem via web. A tag #stopthebeautymadness trouxe esta reflexão à tona mais uma vez, porque o discernimento entre o que é a tal da "minha opinião" e o que é ofensa foi perdido. Acredito que o mesmo filtro (bom senso) que é usado na vida real deve aparecer na vida virtual (afinal, a mesma pessoa que vive uma vida offline é a que posta nas redes), todavia, não é o que vemos por aí.

"O que eu aprendi na escola hoje?
Gorda. Porca. Leitoa. Sub-humana. Nojenta.
Por que não basta se matar?"

Se cada um pensasse: "Eu gostaria de ouvir o que estou falando?!", não precisaríamos de mobilizar a internet para chamar a atenção para todas estas questões. Viveríamos em um mundo em que as pessoas teriam a consciência de que cada um tem um corpo e uma personalidade que não diz respeito a mim ou a você e que sim, isto pode ser diferente, mas não deixa de ser lindo.

Então, afinal, o que o Stop the Beauty Madness tem a ver comigo?! Para mim, tem total relação com a liberdade de ser linda com ou sem maquiagem, de poder se preocupar em ser saudável (ao invés de se preocupar em ser gorda ou magra), em poder envelhecer sem precisar sofrer com botox e plásticas, em ser aceita mesmo tendo peitos e/ou bundas pequenos, olhos escuros e cabelos crespos. O Stop the Beauty Madness é só uma forma de nos encorajar a sermos nós mesmos na vida real e na virtual - que no fundo é uma coisa só; mas que para muita gente é cheia de pose e photoshop. É uma forma de fugirmos do "é mais bonito, mais prático, mais adequado, mais aceito" (que muitas vezes são usados como desculpas para disfarçarem preconceitos) e nos mostrar como a realidade é. É uma prova de que o natural é belo e que podemos ter surpresas positivas quando nadamos contra a maré (a galeria de selfies do site é uma prova disso!). 

E para você, o que você me diz?!

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Notas:

1. Onde encontrar o Stop The Beauty Madness: site | facebook | twitter | instagram.
2. Este post é um dos temas de setembro do Rotaroots e veio muito de encontro a uma vontade que surgiu de escrever sobre o assunto quando fui marcada nas fotos das amigas no facebook.

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

[#aophotoaday] Finalmente a lista de setembro!

Ma oê! 
Pensem numa blogueira que está correndo alucinadamente. Pensaram?! Agora multipliquem a correria por 10 zilhões e vocês terão uma pequena noção de como eu estou.

Minha ideia era que este post tivesse ido ao ar hoje cedinho, mas adivinhem?! Acabou a energia elétrica ontem e ela só voltou hoje quando eu já estava trabalhando. Enfim, sem mais delongas, segue a lista de Setembro meu mês divo!


E, como já é de costume, segue abaixo o calendário para quem quiser imprimir.



Ufa!
Agora eu vou correr, porque ainda tenho que preparar um especial para o Nosso Clube do Livro. Juro que tento voltar ainda durante esta semana, para falar de como foi a Bienal!

Beijos e queijos ;*

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