segunda-feira, 25 de maio de 2015

Segunda-feira


Mais uma semana,
mais um recomeço.
Luto para sair da cama,
novamente esmoreço...

Tento, resisto, debato,
no fim das contas ajo.
Não há muito o que fazer...

Então, o dia segue:
trabalho, almoço,
academia, prece.

Até que o dia acaba.
É vencida mais uma etapa.
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sexta-feira, 22 de maio de 2015

O que não é o amor

Amar é luz, mas também é escuridão.


You say love is a temple, love a higher law
Love is a temple, love the higher law.
You ask me to enter, but then you make me crawl
And I can't be holding on to what you got, when all you got is hurt.
(…)
We're one, but we're not the same.
We get to carry each other, carry each other...
(One – U2)

Cinco letras e uma imensidão; simplicidade ortográfica e uma carga sentimental sem fim. Quando nos conhecemos, eu finalmente achei que entendia o que era sentir o tal do amor. Nada me abalava. Nada me entristecia. Sentia-me invencível. Talvez seja isso... Amar é sinônimo de se iludir.

Mergulhei de cabeça em um oceano escuro e profundo, mesmo sem saber nadar. Você me bastava. O seu olhar me guiava, e suas mãos nas minhas eram o meu sustento. Sentia-me segura. Dias cinzas, acordar cedo, TPM, chefe insuportável, metrô lotado, poucas horas de sono, melhor amiga se mostrando uma das piores pessoas, TCC na faculdade, falta de grana... Nada, absolutamente nada, poderia me arruinar. Você estava ali. Eu amava. Você me amava. Ou seria mais uma das minhas utopias?

De tanto falar que morreria sozinha, de tanto tentar me convencer – e convencer aos outros – de que o tal do amor não era para mim, você resolveu mostrar que eu “pagaria a minha língua” da maneira mais prazerosa possível: beijos, abraços, sorrisos e consolos nos momentos de desespero. Flutuei. O que mais poderia fazer se não voar? Vivia sob a sua hipnose. Estar com você era entrar em um universo paralelo em que poderia apertar um botão e pausar o caos, a dor, o tormento. Você era a ilha isolada em que habitava a minha paz.

Agora, enquanto escrevo esta carta, é estranho pensar em tudo isso. Como pode haver tanta decepção em uma história de amor? Reflito sobre a toda a beleza do que sentia e, ao mesmo tempo, isso me faz querer lhe esconder em algum lugar em que eu não tenha muito acesso. Dizem que a tristeza tem lá o seu lado belo, por isso, não é à toa que você ainda surge no meu subconsciente como um misto de nostalgia e suplício. Ao mesmo tempo em que lhe desejo, quero-lhe longe. Não há como remediar o impossível. Por sua vez, o inatingível é insuportável, e lá no fundo eu sempre soube que eu nunca alcancei a posição que queria: o seu coração, a morada do seu amor...

Não quero pensar no que o amor não foi para mim. Saber que todas as promessas que você me fez foram em vão, faz de mim uma idiota (mais uma vez). Não quero pensar nisso, nem nas lágrimas, nem culpa que carrego das vezes em que lhe desapontei e das vezes em que deixei de ser eu mesma para tentar ser alguém melhor para você. Aqui estou com um: “You gave me nothing, now it's all I got” repetindo em looping, porque novamente fiquei de coração vazio. Você roubou o amor que eu tinha aqui, a esperança de que um dia eu finalmente pudesse encontrar a reciprocidade no ato de amar.

Eu sei que agora é tarde para trazer o passado à tona. Provavelmente você nem só não deve se lembrar dele, assim como não deve ter sofrido com o fim ou ter se importado comigo. Às vezes me questiono se hoje – mesmo com outra pessoa – você sabe o que é o amor... Por que eu só consegui aprender com você o que ele não é.


Este texto faz parte do Projeto Escrita Criativa, que reúne escritores e blogueiros para colocarem no “papel” suas ideias. Quem quiser conhecer mais, acesse o link aqui. Lá há a lista de todos os blogs participantes. O tema desse mês foi O que não é o amor.
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terça-feira, 19 de maio de 2015

O abre e fecha...


Estes dias todos tenho escrito muito. Muito mesmo, eu diria. Além de ter começado - junto com outras blogueiras - o projeto de escrita criativa lá no facebook, tenho feito três cursos online no future learn (um sobre como escrever ficção, outro sobre escrita acadêmica e o terceiro sobre exames internacionais de proficiência). Entretanto, fiquei meio na dúvida sobre o que postar aqui no blog. Por isso a pequena pausa ao longo destes últimos dias passados.

Abri e fechei o local de escrita das postagens várias vezes. Talvez tenha batido aquela neura da perfeição - não acho que produzi algo bom em português para ser publicado. Talvez seja apenas o cansaço me desanimando. Há tanta coisa acontecendo na vida offline que tenho aquela sensação de estar sendo atropelada por um trem, sem ter como respirar.

Espero mesmo que isso seja uma fase e que logo eu possa escrever sobre tudo por aqui. Alguns itens importantes da minha lista de 101 coisas em 1001 dias serão riscados, e eu quero compartilhar tudo em breve.

Estou fazendo de tudo para que a fase "abre e fecha sem postar" acabe. Então espero que dê certo! ;)
Por hoje, seguimos!

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segunda-feira, 18 de maio de 2015

{Favoritei} Projeto Escrita Criativa

Oi, pessoal!
Tudo bem?



O post de hoje é para contar sobre algo muito bacana que está acontecendo no facebook, o Projeto Escrita Criativa
A ideia surgiu em um outro, grupo em que vários blogueiros manifestaram um desejo de se juntar para praticar a escrita. Como todo mundo se conheceu há pouco tempo, está sendo bacana porque podemos decidir o funcionamento de tudo juntos!



E o que decidimos?
1. Que todos os meses teremos um tema - decidido pelo grupo - para postagem coletiva;
2. Que a moderação irá propor exercícios de escrita;
3. Que escreveremos um livro juntos! :)

Então, para todos fica o convite: venha escrever conosco

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domingo, 17 de maio de 2015

[Resenha] Segundos Depois, de Vinícius Márquez

Página 55 de Segundos Depois.

Poeticamente visceral, assim é a escrita de Vinícius Márquez em Segundos Depois, uma publicação da Livros Ilimitados. Composto por crônicas que abordam temas triviais da vida em grandes cidades, Márquez leva o seu leitor à uma reflexão profunda sobre a busca pelo amor, sobre a relação em sociedade, sobre o desejo (de amar e de transar), sobre quem afinal é Deus, sobre a verdade e a mentira, sobre o erro e o acerto, sobre o modo e o por que de agirmos como agimos. Tido por alguns como poeta maldito - e o "maldito" é aqui empregado com o sentido mais digno que esta palavra pode ter - o autor rasga o verbo, expondo a sua alma e - de certo modo - levando a nós, leitores, para o olho do furacão sentimental que é viver.

"Eu nunca mais te vi, te amei, abandonei, admirei, abominei, senti falta, quis, tirei a roupa, me decepcionei, despachei, alucinei, pedi perdão, voltei, vi o mar, a pauta, a tinta, o coração que batia em minhas mãos... ainda em lugar comum. Fui em festas esquizofrênicas". 
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 112)

Em tom confessional, Márquez conversa com o seus leitores. Isso faz com que a leitura flua de uma maneira que parece que o autor está ali, frente a frente, olhando nos olhos de quem o lê. Por ser claro a ponto de não fazer reservas a uso de palavrões, percebe-se que parte dos seus textos ganham um cunho poético, de quem está desesperadamente precisando colocar os sentimentos para fora. Esta necessidade transforma as palavras em belos textos.

A introspecção que se transforma em poesia é um tanto filosófica. O autor que, sozinho se perde em tantas vozes e gentes, ecoa verdades que levam aos leitores refletirem sobre trivialidades importantes que passam despercebidas (como o nascer e o por do Sol?). Erros e acertos que nos elevam e nos faz querer que a obra não se finde, para que a conversa com Márquez seja infinita, mesmo que seja sentimental, banal ou teatral.

"Eu fui implorar fui por baixo, joguei fora, e me senti o último. Vou procurar terapia. Alguém calmo e centrado, com família, problemas organizados, filhos... para me falar onde eu erro. Eu sei onde. Qualquer idiota alemão, desses que sambam o "tico-tico no fubá", diria que o problema está no desejo. (...) Eu queria dar, comer, queria amar, sumir, morrer... tudo ontem. Estou tão humilhado pela noite não ter sido, ter saído, bebido, por estar menstruado numa lua cheia que truqueira, minguava. Mapa errado. Sou daquele décimo terceiro signo, o tal que o buraco negro chupou, que entrou pelo cano cósmico: o serpentário. Liguei para a ex-namorada... Humilhação derradeira, que se é pra errar erra inteiro".
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 65)

Além do talento do autor, o projeto gráfico do livro é simplesmente impecável. Desde a capa - passando pelo prefácio escrito por Caio Sóh - já somos preparados para a magnificência dos textos que o compõe. A cada etapa, páginas inteiras dão destaques à trechos das crônicas - o que faz com que o leitor se delicie ainda mais em meio ao banquete de caos que é oferecido nos textos. Tudo para que queiramos mais e mais.

"É difícil desejar demasiadamente uma coisa sabendo que a diferença entre correr atrás e ficar lendo um livro, é mínima". 
(Vinícius Márquez, in: Segundos Depois - página 20)



Livro: Segundos Depois
Autor: Vinícius Márquez
Páginas: 140
Editora: Livros Ilimitados
Selo: AB Books
Sinopse: Após seu último e bem sucedido lançamento, o livro de fantasia e ficção científica Os Arqueiros do Rio Vermelho, Vinícius Márquez retorna ao estilo que o consagrou na cultuada obra Amor em 79:05, em mais um lançamento pelo selo AB Books. Em Segundos Depois, o autor solta o verbo e extravasa, divagando sem autoproteções e meias palavras sobre assuntos como amor e relações em geral, religião, passado, presente e futuro. Num mundo onde as pessoas estão cada vez mais contidas e buscam a proteção da internet para conseguir mostrar sua real natureza e propagar suas opiniões, Vinícius Márquez é uma exceção. Ele “dá a cara à tapa”. Com seu estilo próprio, o autor consegue fazer o leitor pensar ao mesmo tempo que o entretém, mesmo quando o assunto é tristeza, pois o transporta de forma direta para suas sensações, percepções e sentimentos. Segundos Depois é uma obra embriagante, perfeita para ficar na cabeceira ou no bar e ser consultada periodicamente, como um Salmo, porém às avessas. Não espere da obra uma ajuda para elucidar seus problemas financeiros ou emocionais, nem conselhos para simplificar sua vida, pelo contrário, você verá que a vida é muito mais caótica do que você jamais acreditou, mas que o caos pode ser muito divertido.
Livro no Skoob.

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