domingo, 22 de maio de 2016

{Resenha} The war of art, de Steven Pressfield

The war of art, de Steven Pressfild, é aquele tipo de livro que diz “ei, você, pare de adiar o seu sonho!”. Resolvi comprá-lo depois que tive uma conversa com a escritora e coach Allison Fallon, sobre o meu medo de me assumir autora. Ela fez a indicação, e eu, como uma boa aprendiz, acatei com carinho de quem quer mudar o jogo.

O subtítulo do livro, Break through the block and win your inner creative battles, já dá uma noção do caminho que a narrativa irá seguir: um a sequência de explicações, exemplos e incentivos para que o artista que o lê deixe de ser amador e passe a agir como um profissional.

A obra está dividida em três partes. No book 1, Resistance, defining the enemy, o autor apresenta todos os aspectos da resistência. Segundo o que ele defende, é ela que nos faz desistir - muitas vezes, sem tentar. A resistência pode se configurar em forma de procrastinação, de medo, de vício, de dramatização, de fundamentalismo, ou de qualquer outro jeito que paralise o artista, bloqueando o seu desejo mais íntimo de criar. Esta parte é interessante, porque não há como não se identificar com algum dos exemplos. Quem já tentou fazer arte alguma vez na vida, também sabe o que é se autossabotar.

"Sabe, Hitler queria ser um artista. Aos dezoito anos ele pegou a sua herança, setecentas coroas, e se mudou para Viena para viver e estudar. Lá, ele entrou na Academia de Artes e, depois, na Escola de Arquitetura. Você já viu alguma das pinturas dele? Nem eu. A resistência o venceu. Você pode chamar de exagero; mas, de qualquer forma, eu devo dizer: foi mais fácil para o Hitler começar a Segunda Guerra Mundial do que enfrentar uma tela em branco".
(trecho do livro The War of Art, em tradução livre)

No book 2, Combating resistance, turning pro, Pressfild ensina como combater a resistência, para se tornar um profissional, e defende a necessidade disso. Nesta parte, vemos a importância da persistência e do aprendizado quando falhamos. Aqui, ele também explica a maturidade do artista que age como profissional e que sabe que as críticas são feitas à arte, não à pessoa que as recebem.

Por fim, o book 3, Beyond Resistance, The higher realm, aborda como agir de maneira a conciliar a inspiração e o trabalho. Para o autor, certamente há uma Musa (anjos, áurea), algo superior que guie o processo criativo de seus artistas. Por outro lado, ele defende que esta energia só se torna arte, quando o artista se dedica todos os dias, como em um trabalho formal. Quanto mais você inspira e mergulha na sua arte, mais ela virá até você.



Os capítulos são curtos, mas muito reflexivos. Os que falam sobre o medo são os que dão um soco no estômago de quem quer se assumir escritor, pintor, fotógrafo, ator, cantor ou trabalhador artístico. Eles vão fundo no cerne das nossas inseguranças e nos provocam a ponto de nos fazer movimentar.

Em um mundo que vive falando que a arte é banalidade, The war of art é aquele tipo de livro que nos inspira a não desistir como artista.
Capa.

Livro: The war of art
Subtítulo: Break through the block and win your inner creative battles
Autor: Steven Pressfield
Editora: Black Irish Entertainment
Páginas: 190
Sinopse: A succinct, engaging, and practical guide for succeeding in any creative sphere, 'The war of art' is nothing less than Sun-Tzu for the soul hat keeps so many of us from doing what we long to do? Why is there a naysayer within? How can we avoid the roadblocks of any creative endeavor-be it starting up a dream business venture, writing a novel, or painting a masterpiece? Steven Pressfield identifies the enemy that every one of us must face, outlines a battle plan to conquer this internal foe, then pinpoints just how to achieve the greatest success. 'The war of art' emphasizes the resolve needed to recognize and overcome the obstacles of ambition and then effectively shows how to reach the highest level of creative discipline. Think of it as tough love... for yourself. Whether an artist, writer or business person, this simple, personal, and no-nonsense book will inspire you to seize the potential of your life.

PS: Eu importei pelo site da Livraria Cultura.

_____________________________________________________________
Observe também em: Bloglovin | Facebook | Twitter Instagram Flickr | About me

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Aquele da declaração saudosa


Saudades de escrever um daqueles textos românticos, cheios de declarações de amor e dedicatórias implícitas sobre dormir e acordar juntos, sobre andar de mãos dadas e trocar pequenos sorrisos com grandes significados.

Por mais que não queira, ainda sou como aqueles últimos românticos, gauche na vida, que não se encaixam numa sociedade cheia de status e falta de empatia. Ficar é algo profundo, porque ficar implica em estar junto, em compartilhar momentos profundos em que os sentimentos e as sensações se afloram de maneira intensa. Ficar vai além de beijos sem significados e fotos nas redes sociais.

Não sei se o que espero é uma utopia – é muito provável que seja – mas é dessa qualidade que não quero abrir mão. É por ela que eu busco. Alguém que se esforce em me compreender, quando eu nem eu mesma consigo. Alguém que aceite se abrir e deixar o que está lá no fundo chegar aos meus mares nunca dantes navegados. Dividir para multiplicar. Uma regra que funciona para quem deseja fortalecer um relacionamento.

Queria escrever um daqueles textos românticos, cheios de intensidade, desejo e, sobretudo, amor. Espalhar amor em um mundo cheio de ódios é quase uma luta diária, cuja batalha poucos se propõem a lutar. Quero fazer parte deste exército, mas não sei por onde começar.

Ser sozinha. Em algum momento da vida, todo mundo sente falta de não o ser. E não que isso seja especialmente ruim – aprende-se muito com a solidão. O fato é que aquilo que sobra em alguns aspectos (liberdade, sua linda!), falta em outros. Hoje, faltou-me. Não tenho sorrisos, jeitos atrapalhados na cozinha, brincadeira de criança, pegar na mão, dormir de conchinha.

Respirando, sigo. 
Amanhã venço a saudade e penso em outro assunto para chamar de meu.
_____________________________________________________________

sábado, 14 de maio de 2016

Trintão, você que me aguarde!

Foto por obpia30 (Creative Commons)

Tempo é algo mesmo relativo. O paradoxo vem, quando você sofre com o perfeccionismo e quer mensurar tudo ao redor. O muito vira pouco e o pouco vira nada. Às vezes, à avessa.

Dias atrás abri o meu blog e, em um susto, li a breve descrição na barra lateral “professora de inglês, quase 30”. Há quanto tempo escrevi isso? Uns dois anos, talvez. O fato é que agora que setembro já está quase às portas, a surpresa de ser uma balzaquiana me deixa com o frio na barriga.

Em junho meu blog fará 10 anos. Isso significa uma década de escrita em que, além de evolução na linguagem e no estilo (seja ele qual for), também tenho o marco no registro da minha vida: primeira viagem de avião, entrada no cursinho, coração partido, passar no vestibular, entrar na faculdade, mudar de emprego, escrever livros, apresentar na semana de Letras, me apaixonar, me formar, começar nova graduação, mudar de novo de emprego - seguindo a carreira que escolhi -, ter o coração mais partido ainda, primeira viagem internacional e outras nacionais, conhecer a banda da vida, entrar no tinder, apanhar mais uma vez pelo sentimento não correspondido, publicar livros no wattpad e, finalmente, me assumir escritora. Uma década. Uma década inteira de sonhos, trabalho, energia, amores e amigos que se foram e que chegaram (mais se foram do que chegaram). Dez anos inteiros.

Nunca gostei da música de Sandy e Junior, mas concordo com a Sandy que esta sensação de ser jovem para ser velha e de ser velha para ser jovem é bizarra. Como conversar com alguém que não sabe quem é a Garota de Berlim ou que não tenha se divertido ao ouvir um rock your body right?

Quase 30 e princesa. Porque ser professora de crianças é isso: viver em um reino muito, muito distante em que a fada dos dentes é tão nossa amiga quanto o monstro gosmento! Ser escritora também é isso: inventar novos mundos, quebrar velhos paradigmas. Enquanto me preparo para as comemorações, só posso desejar que venham mais 10 anos de registros aqui no blog e muitas décadas de conquistas. Trintão, você que me aguarde!

_____________________________________________________________

terça-feira, 10 de maio de 2016

{Vou por aí} Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Hey, pessoal!
Há tempos não trago nada na coluna Vou por aí, então resolvi postar sobre mais um passeio que fiz na minha última visita ao Rio de Janeiro, em setembro do ano passado.

Escadaria no interior, toda trabalhada no mármore.

A decisão de ir ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro aconteceu meio ao acaso. Gisela e eu estávamos na Biblioteca Nacional (que será assunto em outro post), quando resolvemos ver se o teatro estava aberto. Como um é muito próximo do outro, fomos à pé e demos sorte: conseguimos comprar ingressos para a última visita monitorada do dia, que aconteceria em uma hora.

O ingresso custou dez reais, e lá foi único lugar em que não paguei meia entrada por ser professora.

Vitrais.

Arte e lustre da sala de espetáculos.

O grupo é dividido no início da visita pelos idiomas de seus participantes: português com um monitor, inglês com outro e espanhol com um terceiro. Isso é feito de forma bem organizada, de modo que um não atrapalhe o roteiro de visitação do outro e todos visitem os ambientes de forma completa.

Pinturas expostas em um dos salões.
Composição em azulejo em uma das sacadas.

O início da construção se deu em 1905, depois da mobilização feita pelo dramaturgo Arthur Azevedo. Foi ele o primeiro a mostrar a necessidade carioca de se ter um grande teatro de moldes franceses. Seu projeto é dos arquitetos Francisco de Oliveira Passos e do francês Albert Guilbert, tendo como inspiração a Ópera de Paris, de Charles Garnier.

Escultura em uma das namoradeiras (é assim que chamam este tipo de sofá).

Sim, é confortável (aliás, saudades, cabelo curto).

Seu interior é marmorizado e conta com diversas obras de artes (esculturas e pinturas) dos artistas brasileiros renomados na época da construção: Eliseu Visconti, Henrique Bernardelli, Rodolfo Amoedo, Rodolfo Bernardelli. Em seu subsolo, destaca-se a decoração assíria do salão do restaurante.

Uma das paredes de decoração assíria.

Vista do salão assírio.

Detalhe de uma das colunas do salão assírio.
Gisela e eu, pagando de turistas.

Toda esta suntuosidade se traduz em uma regra do espaço, conforme afirma o seu próprio site:
Não é permitida a entrada de pessoas trajando bermuda, short, top, camisa sem manga e chinelos.
Vista de uma das janelas.
Para ver todas as fotos que tirei lá, acesse o flickr. ;)

Quer conhecer mais? Então anote aí:
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Endereço: Praça Floriano s/n° - Centro - Rio de Janeiro
Informações: (21) 2332-9191
Bilheteria: Boulevard Avenida Treze de Maio  (entrada pela Rua Evaristo da Veiga)
Horário da bilheteria: Segunda a sexta, sábados, domingos e feriados – 10h às 18h.
Nos dias de espetáculos, das 10h até a hora do início da apresentação.
Vendas na Bilheteria, no site Ingresso.com ou pelo telefone (21) 4003-2330
Site | Facebook
_____________________________________________________________

sábado, 7 de maio de 2016

Into the dark: quando nada é bom o suficiente

Imagem por Pezibear, sob licença Creative Commons

Diga-me o que sente e te direi quem és

Nos últimos meses passei por um período intenso de questionamentos. Foi assim que todas as minhas habilidades, escolhas e sentimentos foram colocados à prova pela juíza mais rigorosa de todas: eu mesma. Nada me parecia - e confesso que às vezes ainda não parece - bom o suficiente, belo o suficiente, interessante o suficiente. Minha autoestima desceu ladeira abaixo sem olhar para trás.

Em um mundo em que tudo é perfeito de forma aparente, cheguei naquele ponto em que este mesmo tudo era exagero: “você pensa demais”, “você é dramática demais”, “você é sentimental demais”. Aliás, pelo o que me lembre, tudo começou aos quinze anos, com um “por que você é tão clichê?” acompanhado de um olhar de desprezo que, como notam, nunca esqueci. Os questionamentos nascem, muitas vezes, de tanto ouvir pessoas queridas julgando cada passo e, sobretudo, cada sentimento seu. Por que, afinal, é tão ruim ser intensa?

Dois pontos chamam-me a atenção neste momento de autoanálise. O primeiro diz respeito a como as pessoas (e eu me incluo nesta) não estão preparadas para lidar com os sentimentos dos outros. É muito mais fácil julgar o par, considerando-o histérico, dramático, pensativo, depressivo, ou qualquer outro adjetivo usado de forma pejorativa, do que tentar se colocar no lugar do outro. Falta empatia. Falta querer aprofundar as relações. Sair do lugar comum e da zona de conforto e, por consequência, parar de ter medo de se expor. Porque, sim, quando alguém se abre para você, a reciprocidade vira a marca de gentileza e afeto, construtora de pontes.

O segundo ponto relaciona-se com a sociedade em que vivemos. Como se sentir seguro para ser você mesmo em um mundo que, além de viver de aparências, é extremamente opressor em julgamentos? As pessoas estão em um patamar que impõe: ou você é X ou você é Y. O meio termo não existe. As discordâncias viram motivos para brigas (e amizades desfeitas nas redes sociais). Só o que é significante do ponto de vista do Fulano importa, não cabendo os sentimentalismos do Beltrano na conversa.

Bate certa revolta por ver os rumos que nós estamos seguindo, em que a frieza, a pressa e o egoísmo tomam conta de tudo e de todos. Porque hoje o sentir é visto como algo piegas, frágil, feio e inútil. Esta desvalorização de ser um humano em sua totalidade é um grande soco em meu estômago, daqueles que me deixam sem ar por um bom tempo, quase me levando a nocaute.

E eu disse quase. Explico: talvez seja justamente a desvalorização dos sentimentos que tenha me deixado nesta crise existencial-de-baixa-autoestima. Eu, que sempre admirei as pessoas pelo o que elas sentem, percebi que não tinha os meus sentimentos valorizados desta forma (seja pelos outros ou por mim). Foi isso que fez com que eu me calasse e me afastasse de muita gente, foi isso que me levou de volta ao meu casulo (é duro você festejar as vitórias dos outros durante anos e notar que a sua é um nada para aqueles mesmos outros). Mas é justamente esta falta de empatia que me força a querer ser empática. Quando estou quase apagando, não me rendo ao nocaute...

Eu sei. Os autores de autoajuda de plantão - e seus respectivos leitores - dirão que é errado se importar com que os outros pensam, que é ruim dar forças a todas essas vozes inquisidoras e negativas. Concordo. Mas também sei que nenhum homem é uma ilha. E, como ser sociável que sou, gosto de poder compartilhar as minhas dúvidas, inseguranças, vitórias, derrotas e sonhos com quem amo.

O que fazer com tudo isso, depois de tanto pensar? Cair e levantar. Acho que todo artista tem um paradoxo dentro de si, e o meu está no fato de eu ser uma cética esperançosa. Diria mais, sou uma cética radicalmente esperançosa e é isto que me faz querer lutar pela humanização da vida - a começar pela minha. Sou cética a ponto de saber que não consigo transformar o mundo todo, por mais que eu queira. Sou esperançosa por saber que posso mudar o meu mundo, basta encontrar uma maneira criativa para isso.

Ando me aprofundando no minimalismo. Se for para estar em um lugar para ser apenas um número, se não puder ouvir e ser ouvida, se não houver troca, apoio, torcida e boas vibrações, simplesmente caio fora. Por mais que me doa romper alguns laços, é melhor ter qualidade do que quantidade, sentimentalismo a superficialismo. São relações empáticas que me fazem querer sair do abismo e querer ser uma pessoa melhor.

Fácil? Claro que não é. Muitas vezes deparo-me com situações que me fazem crer que a vida é um jogo de tentativas e erros. Quando se fala de relacionamentos (sejam eles amorosos ou amistosos), tendo a acreditar que ninguém entra em um, pensando no dia em que tudo acabará. Sou feita de felizes para sempre que não duraram e sei que isso faz parte. Falar de sentimentos não exclui os ruins.
 
Quando nada é bom o suficiente é sinal de que entramos naquela roleta-russa de ignorar os nossos sonhos, desejos, anseios e de querer sentir menos, porque o mundo dita que é melhor assim. Precisei de meses para pôr o pé no freio e perceber que não há mal algum em pensar demais, sentir demais, em ser clichê e piegas demais. Sou diva. Sou princesa. Sou poeta. Sou intensa. Sonhadora. Sou o que quiser, porque é isso que me faz ser incrível. Viver nesta toada é uma superação edificante. Então, por qual motivo tenho que deixar isso lado para agradar quem insiste em me ver mal?

_____________________________________________________________
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...