quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O sonho

Imagem por Harry Pherson, sob licença creative commons.

O sonho não termina. Ele não se apaga com o passar do tempo, com a desilusão, com a dor. O sonho é especialista em se camuflar, em se esconder no mais profundo. Ele fica ali adormecido, esperando apenas a oportunidade certa para vir à tona, com o seu kit de sobrevivência em punho, surpreendendo a todos.

O sonho é intrínseco, intenso, explosivo. Ele faz nossas mãos suarem frio, nossas pupilas dilatarem, e nossos lábios se esticarem em um sorriso amplo que nos lembra que a felicidade é a melhor roupa que podemos vestir. Ele nos lembra que podemos ser quem quisermos, onde quisermos, com a força que nunca acreditamos ter. O sonho renova a fé, a esperança, a energia. Quanto mais o buscamos, melhor é a sensação de realização. Assim nos tornamos aquele super-herói invencível.

A realização de um sonho pode ser rápida ou longa, mas o que ficam são as lembranças de como ele nos tornou mais fortes e mais amáveis. Fica o desejo de ter outros sonhos realizados e de ajudar as outras pessoas a conquistarem os seus desejos mais profundos. São os nossos sonhos que nos movem em busca de um futuro mais doce, mais querido, mais feliz. E é justamente isso que não tem preço.

Você já parou para pensar em qual será o próximo sonho que você vai realizar?

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Red light, warning sign (ou a Crônica do 1%)

Caption de I'll go crazy if I don't go crazy tonight.

Ter o coração partido muitas vezes é uma merda em vários sentidos. A princípio, vem a dor intensa, que é de praxe nestas ocasiões. Como compartilhou algum dos meus amigos dia desses, no instagram: "A decepção só dói, porque vem de quem não esperamos". Bem isso. Mas, depois que a tal dor profunda vai embora, o que fica? O medo. Medo de que tudo se repita, como no looping eterno de uma história de terror.

Parece coisa de doido, mas o subconsciente tem pós-doutorado em como pregar peça nas pessoas. O meu tem sido bem esperto quando o assunto é "cuidado, porque você já foi muito idiota antes". Por mais que eu não queira ficar alerta, não dá para evitar.

O Atomic Tom tem uma música chamada Red light warning sign. Lembro-me bem que este título grudou na minha cabeça desde a primeira vez que o ouvi, como se dissesse: o amor é um alerta vermelho, então run, baby, run. Foi assim que eu a senti.  É aquele lance de "99% fico derretida, mas aquele 1% grita um: ele está dizendo aquilo que sabe que você quer ouvir. NÃO CAIA NESSA!". Por mais que não queira, este 1% é um alerta poderoso que, nestes casos, pode significar muito, muito mesmo.

Every beauty must go out with an idiot, how can we stand next to the truth and not see it? Oh, a change of heart comes slow, diz outra das minhas músicas preferidas. U2 tem lá sua razão, e eu espero realmente ter esgotado a minha cota de idiotas com os que já passaram pela minha vida. O lance, então, é como enxergar a verdade quando se percebe apaixonado? Entregar o coração que já foi remendado tantas vezes é muito complicado. Exige uma coragem que eu me pergunto de onde vem. Esta tal mudança, a perda do medo, vem mesmo lentamente... Não?

O passado ensina ao presente que as pessoas são diferentes e que não se deve culpar quem acabou de chegar pelos erros de quem já se foi. Fico repetindo este mantra a mim mesma, porque sei que me libertar das dores me levará a momentos de felicidade. As pessoas não são iguais, todas merecem uma chance de serem felizes e eu me incluo neste pacote. É assim que deve ser não é mesmo?

(Mas aquele 1%, ah, aquele 1% continua por aqui...)

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

{Resenha} Todas as Mulheres, de Fabricio Carpinejar

Imagem: youtube.

Todas as Mulheres é o livro que marca a volta de Carpinejar à poesia (publicada em livros, porque ele sempre foi poético nas redes sociais). Partindo do ponto de vista hipotético do seu próprio velório, o escritor poetiza sobre as mulheres que passaram por sua vida, sempre se questionando quem será a sua viúva.

Um tanto mórbido, é verdade, mas o livro é um deleite para todos os amantes da poesia. Cada verso traz, além do lirismo, uma reflexão sobre as relações amorosas do eu-lírico, que faz com que nós, seus leitores, pensemos nos nossos próprios encontros e desencontros com o amor.



Vemos a morte e o nascimento das relações, vemos a autoconsciência tomando forma. Vemos o trágico e o lírico andando lado a lado, na fadada e eterna busca por um alguém. Carpinejar é incisivo ao criar versos questionadores que giram em torno da questão principal: "Quem será a minha viúva?". E aqui, o amor que aparece como o título da obra, uma espécie de dedicatória, define: o livro retrata o amor sentido por todas as mulheres - mãe, amigas, namoradas, todas aquelas que marcaram sua trajetória. É por meio da indagação retórica que vemos o seu eu-poético se abrindo e tentando entender o que fora para este possível amor que ele tinha a esperança que chegaria um dia.



Em paralelo à busca por sua viúva, os poemas retratam a força da mulher que um dia foi abandonada, que um dia quis sentir um amor verdadeiro e respeitoso, como nota-se nos seguintes versos:

Minha mãe que procurou demonstrar que os homens eram fracos,
que falham na palavra, que não firmavam seu compromisso.
Minha mãe, viúva sem morto,
amando por dois,
para não sofrer dissidências.

Todas as mulheres é uma obra que nos leva a pensar em quem somos e no que queremos ser para aqueles a quem amamos. Ela também nos mostra a força que todas as mulheres têm no seu processo de amar. A grandeza do amor e sua busca, a dor dos encontros e das despedidas e a eterna esperança nos movem a cada verso, a cada página.




Livro: Todas as mulheres
Autor: Fabricio Carpinejar
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 112
Sinopse: Concebido como um poema de poemas interligados, Todas as Mulheres apresenta um dos mais verticais mergulhos íntimos da contemporânea literatura brasileira e marca também a volta de Fabrício Carpinejar à poesia como quem nunca tivesse partido, sem deixar de ser ao mesmo tempo novo na acepção mais poderosa do termo, o novo quando audácia. Entre tantas manifestações do feminino, Carpinejar redescobre nos amores vividos o primeiro, enquanto busca por aquele que será o último.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Fim de tarde

Metrô de São Paulo (alguém sabe quem é o autor da imagem?)

Adentrei naquele vagão com a expectativa de viajar não apenas ao longo do trajeto entre uma estação e outra, mas também com o intento de desligar-me dos muitos perrengues da vida. 

As portas se fecharam e, enquanto sentia o ar gelado em minha pele, o metrô partiu em velocidade. Sabia que, em poucos minutos, não seria mais apenas eu, mas sim um cercado de eus que viviam entre o desânimo e a vitalidade, a conversa e o silêncio, o sono e o despertar.

Ao meu lado dois rapazes travam um diálogo sobre futebol, cada um a defender empolgadamente a sua equipe do coração. À minha frente, por sua vez, um senhor lê concentrado o seu jornal e uma senhora tira um cochilo.

Assim, no vai e vêm da grande metrópole, durante mais um fim de tarde cotidiano, a vida segue.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Lembranças

Imagem por Thomas, sob licença creative commons.

A marca é forte, é plácida.
Às vezes é saudade doída,
às vezes é lembrança vaga.
A marca é forte e não se apaga.

A marca é forte, fogo pulsante:
Às vezes é quente, um verdadeiro amante.
Às vezes é fria, vento cortante.
A marca é surpresa, voo rasante.

A marca é forte,
é ferro, fogo, terra e água.
A marca é forte,
Lembrança que nunca se apaga.

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