quinta-feira, 28 de julho de 2016

Férias, bem que te quis

Imagem por Gellinger, sob licença creative commons.

Férias. Palavra de seis letras, uma das mais doces do vocabulário de quem vive na cidade grande. Férias, a razão do sumiço de tudo e de todos. Férias, o remédio que eu estava precisando.

Meu primeiro semestre foi tão estressante, que, no dia 30 de junho mal tive forças para virar e dizer um “feliz aniversário” da maneira entusiasmada e feliz que meu pai merecia. Estava cansada, doente, cheia de afazeres ainda por terminar, uma pilha de livro de cabeceira toda pela metade. Apesar de ter cumprido – male mal, é verdade – tudo o que havia proposto para o semestre, aquela primeira metade do ano me deixou com aquele gosto amargo na boca de quem sonhou muito, desejou o dobro, trabalhou o triplo e não conseguiu sair do lugar.

Para quem sempre teve que lidar com a luta de fazer tudo perfeito, isso não é nada fácil. Pior ainda, foi ter que deixar o planejamento das férias nas mãos das amigas (que, graças a Deus, são muito boas no que fazem), ver tudo chegando e estar sem ânimo para nada. Absolutamente nada. Exaustão talvez seja a palavra que melhor definia o meu estado (físico, mental, de espírito).

A primeira semana de julho foi dormindo. Literalmente dormindo. Estava frio, então tudo o que fazia se resumia ao círculo vicioso de comer, tomar banho e dormir. Não parecia que as próximas semanas prometiam tantas vivências lindas, tanta felicidade. Aliás, se eu soubesse que julho seria como foi, talvez tivesse arrumado mais forças dentro de mim, para sobreviver ao primeiro semestre.

Lá em janeiro, a Boo e eu decidimos que iriamos viajar. Ela não conhecia Buenos Aires, e eu estava louca para voltar. Era prato cheio para termos nossas primeiras férias juntas. No meio tempo em que planejávamos tudo (mais ela, do que eu, porque o trabalho e a pós realmente me consumiram), o Nick Carter, dos Backstreet Boys, anunciou que viria para a América Latina e que iria – vejam só que triste – para Buenos Aires. Nós, como fãs loucas que somos, comemoramos a ideia de vê-lo em terras portenhas! :D

Esperamos as datas dos shows de lá. Compramos os ingressos, para depois fechar hotel e passagem – quem é fã sabe que somos todos vida louca! Então, ele anunciou um show aqui. E lá foi Bia, salvadora da pátria, comprar as nossas entradas – porque eu estava em aula e seria impossível.

Graças as meninas, tudo deu certo. Meu desânimo e tristeza foi embora naquele domingo, 10 de julho, quando entrei no Via Marquês e vi aquele loiro me esperando para fazer a foto do meet and greet. Depois do show incrível, com os amigos todos (Jujuba, Elton, Bia ♥), veio a segunda-feira e toda a correria para dar conta de viajar no dia seguinte! E olha, foi a viagem mais doida e mais feliz da minha vida! :D

Nunca pensei que fosse conhecer tanta gente linda nessas últimas três semanas. Começou no show do Nick em São Paulo, com a Leslie (que é lá de Recife), passando por brasileiras que moram ou foram pro show da Argentina, argentinos legítimos, uma peruana e, até um francês (que conheci na volta, graças ao voluntariado da Jujuba nas Olimpíadas). Fora que ainda revi a Nati e o Dan (sigam o @buenosbaresba no instagram para saber quem eles são e receber as melhores dicas de Buenos Aires no seu feed!). Enfim, incrível!

Precisava dessa pausa, desse momento longe das preocupações, do computador, dos livros e da vida corrida. Foi bom para recarregar as baterias. E agora, vocês que me aguardem, porque estou cheia de histórias para contar por aqui! :D (Tudo será assunto para os próximos posts!)

Beijos e queijos :*

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domingo, 17 de julho de 2016

{Resenha} Eu receberia as piores notícias dos seus lindo lábios, de Marçal Aquino

O cenário era o seguinte: uma amiga de trabalho estava comigo na livraria, porque tínhamos a missão de comprar um presente de aniversário para a nossa chefe. Foi quando ela avistou aquele livro de capa crua com bolinhas laranjas e disse com toda autoridade do mundo: "você precisa ler este livro". 

Cerca de cinco anos se passaram, mas eu não esqueci a indicação. O nome da obra invoca poesia e quem é o louco de deixar qualquer poética de lado? Lá estava eu, em outro tempo, comprando o romance de nome lírico: Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios. Deveria ter feito isso antes. Deveria ter presenteado o mundo com este livro!

A história narra o amor de Cauby, um fotógrafo que vai fazer um trabalho em uma cidade de garimpo no Pará. Lá, ele conhece Lavínia, com quem vive um amor às escondidas. Lavínia é casada e tem uma personalidade extremamente marcante, o que faz com que Cauby se envolva cada vez mais com ela. Até que eles tenham suas vidas mudadas.

A edição da Companhia das Letras é primorosa, e o estilo do autor contundente. Uma de suas marcas neste livro é a não sinalização dos diálogos por meio de travessão ou aspas (e não, não fica confuso!). A outra, é a linguagem poética empregada de maneira tão natural, que leva o leitor à comoção. 

As descrições das cenas são praticamente cinematográficas*. É impossível para o leitor não visualizar cada ponto da cidade, cada gesto de Lavínia, cada toque de Cauby. É impossível não sentir o gosto da poeira na garganta ou o cheiro do perigo dos garimpeiros. A narrativa é sinestésica ao máximo, o que faz com que seu leitor ande lado a lado com o narrador.

Ler Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios me levou para aquele estágio em que queria devorar o livro, mas não queria que ele acabasse. Sem dúvida, é um romance de tirar o fôlego, da primeira à última linha!


Livro: Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios
Autor: Marçal Aquino
Páginas: 232
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Numa cidade de garimpo do Pará, conflagrada pelas tensões de uma corrida de ouro, um fotógrafo vive uma paixão clandestina com uma mulher misteriosa e sedutora. Mesmo sabendo dos riscos do jogo, ele decide ir até o fim - e agora está de volta para relatar o que viveu.

*O livro foi adaptado para o cinema em 2012, tendo no elenco a Camila Pitanga, como Lavínia, e o Gustavo Machado, como Cauby. A direção é do Beto Brant e do Renato Ciasca. Eu ainda não assisti, mas minha amiga que me indicou o livro disse que é bom também. 
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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Insight

Aqui é o seu lugar! ;)

Já amei e muito! E já quebrei a cara em demasia. Na verdade, a cara ficou intacta, o que se espatifou mesmo, foi o coração. Uma, duas, várias vezes. De coração partido, sou especialista.

Quando um relacionamento acaba, há vários estágios de sobrevivência, que incluem a dor aguda, o isolamento, a revolta, o desejo de vingança, a indiferença e a volta por cima. Tudo acontece – não necessariamente nesta ordem – com direito a altos e baixos, recaídas regadas a brigadeiro e trilha sonora deprê.

Mais dia ou menos dia, acontece aquilo que todos os seus amigos te dizem: tudo passa. Então, você se sente imune aos posts do ex nas redes sociais (mesmo que ele esteja almoçando com alguma outra mulher mundo à fora). Sim, você vai achar que está tudo bem. Você passará semanas sem pensar naquele último relacionamento e na forma como ele acabou. O céu estará mais azul, o canto dos pássaros mais alegres. Até que um dia, de uma hora para outra, algo – nem que seja o silêncio da madrugada – despertará aquela saudade, que se erguerá como um gigante à sua frente. Gigante, esse, que quer te esmagar em milhões de pedacinhos. Você vai se sentir a pior pessoa (e se amaldiçoar por estar sofrendo, enquanto ele almoça com outra por aí). Vai ser doloroso, vai ser torturante... Mas vai ser normal também. Talvez, seja por isso que eu esteja escrevendo isso agora, para lembrar que a saudade é inerente nos homo sapiens.

O lance é que, entre todos estes altos e baixos, há uma tendência a se fechar. Isso é questão de sobrevivência. Eu me apaixono, eu sofro. Se não me apaixonar, não vou sofrer. Quem nunca disse que iria fazer isso, que atire a primeira pedra. A gente age assim, mas deveria fazer justamente o contrário.

O coração é uma caixa, nosso porto seguro para tudo aquilo que amamos, certo? Então, quando a caixa é atirada ao abismo ela tende a se abrir, não é de fechar. Amar é, de alguma forma, se abrir a esse mundo que não é perfeito e que nos leva à dor, em algum momento da vida.

Sou especialista em ter o coração partido. Sempre que amo confio. Sempre que confio, vejo o meu coração sendo atirado ao longe. Costumo brincar que, a cada queda, os pedaços de tornam tão pequenos, que só alguém muito doido para querer remendá-lo (embora eu tenha cuidado disso sozinha, estou aberta a receber ajuda).

Um coração partido é um coração aberto, por isso, bora deixar um novo amor entrar! :)

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domingo, 3 de julho de 2016

Notívago

Noites, suas lindas! ♥

Quem me conhece, sabe: sou noturna. Se dependesse de mim, o horário comercial começaria ao meio-dia (ou um pouco depois disso) e se estenderia até o início da noite. Depois, teríamos o jantar em família e a luz da lua nos inspirando. A poesia e a criatividade tomariam conta do cotidiano. Com todos descansados, não conheceríamos o mau humor matinal. Diminuiríamos os sintomas de estresse e de fadiga. As pessoas seriam mais saudáveis, o mundo seria mais feliz.

Sou defensora das madrugadas. É à noite, quando todos dormem, que me sinto potencialmente dispersa e disposta. Enquanto ouço o tic-tac do relógio e o motor dos carros passando nas ruas mais distantes, sou capaz de encarar a faxina, a pilha de louças para levar ou a bacia com roupas para passar. Entretanto, minha predisposição acaba não saindo do plano das ideias. Tenho que ser educada, não posso atrapalhar o sono do restante da família que, diurna como é, dorme o sono dos justos. Não posso fazer barulho, para não atrapalhar os vizinhos. Por isso, o que me resta é escrever.

Talvez, o que mais goste nas férias seja justamente isso: as madrugadas em que posso ficar corujando em meio às palavras. Escrevo e leio. Aproveito a calmaria para faxinar as minhas ideias, trazendo à vida histórias escritas sejam por mim, sejam por outros autores. É sempre muito bom conseguir vivenciar momentos de paz de espírito assim.

Aproveito a chance, porque sei que trinta dias passam voando. Logo mais, voltarei à rotina insana de quem dorme tarde e acorda com o raiar do Sol... Muito triste isso. Aliás, já disse que acho o mundo deveria acordar depois do meio-dia?

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sexta-feira, 1 de julho de 2016

{Resenha} Amor à moda antiga, de Fabrício Carpinejar

Carpinejando durante o trajeto de metrô. ♥

Sempre pensei que é complicado definir uma paixão avassaladora com palavras. Ainda mais, quando ela acontece ao fim de uma leitura. Ao fechar o livro, você fica encarando a sua capa com um sorriso bobo nos lábios, um sorriso de quem ama, mas não sabe exatamente o que fazer.

Gosto dos livros do Carpinejar, porque eles me trazem está sentimento ao fim da leitura. É como se o autor publicasse pensando: “este é um presente para Fê” (no fundo, suspeito que seja um presente para todos que têm esperança). Quanto mais leio os livros dele, mais o sentimento floresce. É lindo de se ver!

Comprei o Amor à moda antiga no dia do aniversário de 10 anos do blog. Coincidência ou não, a data acabou refletindo o que está espaço é para mim: um amor à moda antiga. E este foi o prenúncio de mais um momento de conexão carpinejaneana.

O projeto gráfico deste livro é sensacional, já que Amor à moda antiga nasceu em uma máquina de escrever. Uma olivetti littera 82 (como a minha!). As páginas datilografadas foram digitalizadas e as correções foram feitas à mão pelo próprio autor. O miolo, que se altera ora páginas verdes-esmeraldas (cor da máquina), ora em brancas (cor do papel), revelam o cuidado que a editora teve na publicação dos versos do poeta. E que versos!

Ao longo da leitura, quis compartilhar os poemas com todos os tipos e pessoas. Era como se o Carpinejar tivesse colocado o meu sentimento sobre o mundo no papel. Vi-me ali pensando nos relacionamentos que não deram certo, nos que virão, em como o amor é simples e belo em sua inquietude, e no quanto nós complicamos tudo isso. Sorte nossa, que há a poesia para nos lembrar de certas coisas. Sorte nossa que o Carpinejar nos traz esse lembrete com tanta maestria.

Amor à moda antiga é uma pausa na dor dos telejornais, no medo instaurado nas ruas. É aquele sopro de esperança que nos diz que tudo dará certo quando a gente passar a aceitar o amar de forma plena.

Livro: Amor à moda antiga
Autor: Fabrício Carpinejar
Páginas: 112
Gênero: poesia
Editora: Belas-Letras
Sinopse:  Em seu aniversário de 43 anos, Fabrício Carpinejar ganhou de presente uma velha máquina de escrever Olivetti Lettera 82 verde-esmeralda. Desde esse dia, ele se dedica a escrever poemas de amor e a guardá-los como um inventário de seus sentimentos e emoções. Pela primeira vez, esses poemas são publicados, exatamente como os originais foram enviados à editora, sem nenhum tipo de correção ortográfica, edição ou retoques, inclusive com as anotações à mão feitas pelo próprio Carpinejar.
Livro no skoob.
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