quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Verdades

Keep your head up, dreamer.

Professora tem que casar com professor
Minha mãe sempre dizia
Mal sabe ela
Que a matéria do amor
É poesia
Que sonho de escritor
É o poeta que decifra
A alma de quem sempre o amou
Sem nunca tê-lo conhecido.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Vamos bienalizar?

Imagem: Bienal do Livro SP

Bienalizar. (v.) 1. frequentar uma bienal. 2. Ir à Bienal Internacional do Livro, sucumbindo às tentações de enfrentar longas filas, as de pagar micos na frente dos autores, as de gastar todo o dinheiro que tem e que não tem, as de sair carregado de sacolas e, claro, as de ter que criar uma explicação convincente sobre aonde colocar mais livros para ser dada com quem mora com você. 3. Usufruir da oportunidade de conhecer os seus autores preferidos, se divertir em meio aos amigos e/ou familiares e registrar tudo para postar no próprio blog e redes sociais.
Exemplos: Eu bienalizo sempre em São Paulo. / Passei o dia todo bienalizando hoje! / Vou bienalizar na companhia das minhas melhores amigas. / Não vejo a hora de bienalizar em 2016.
Fonte: Dicionário de Algumas Observações dos Leitores Anônimos
Organização: Fernanda Rodrigues

Sou uma bienalizadora de carteirinha desde que comecei a andar por aí com as próprias pernas e a pagar meus gastos com o meu próprio dinheiro. Primeiro, pelo amor incondicional que sinto por livros novos. Segundo, porque escrevi por anos em um blog literário. Terceiro, pela minha veia de escritora (que, até então, estava com vergonha de se assumir). Bienalizo com carteirinha e uma vontade tão contagiante, que faço as pessoas ao meu redor quererem enfrentar toda a maratona de filas e autógrafos junto comigo.

É claro que não tenho mais os mesmos 20 anos (hello, 30!) e o pique já não é mais o mesmo. E é claro que o evento mudou muito nas últimas edições. Há quem critique a edição que está chegando por ter como principais atrações youtubers que publicaram mais por moda do que por vocação literária. Eu vou deixar para opinar quando o evento começar, na semana que vem, em 26 de agosto. Por hora, voltei-me para dentro, pensando nos marcos que todos estes eventos me trouxeram.

2008. Eu estava cursando o primeiro ano do curso de Letras, o grande sonho da minha vida. Descobria a grande discussão entre gramáticos e linguistas e, por que não dizer, dos gramáticos entre si. Tentava tirar alguma conclusão sobre a forma como os países de língua portuguesa conduziam o tão polêmico acordo ortográfico. Me esforçava ainda mais para tentar compreender todas as mudanças, principalmente as sobre o hífen, que foram infernais. Neste contexto, saí correndo do trabalho, rumo à palestra no Salão das Ideias. Lá, encontrei pela primeira vez um imortal da Academia Brasileira de Letras, o professor, gramático e filólogo Evanildo Bechara (e descobri que ele não era tão ferrenho quanto pintavam). Na mesma mesa, também debatendo um professor português renomado, cujo o nome não me lembro, e Ataliba de Castilho, um dos maiores linguistas brasileiro. Depois da palestra, corri atrás de Bechara, que gentilmente, autografou um livro meu.

Daquela Bienal, entretanto, ficou-me o gosto feliz de conhecer o Ziraldo. Como não amar aquele menino de cabelo de algodão? Não tinha como ser melhor! Ele também autografou o meu exemplar de O menino da Lua e, ao meu ouvir dizendo o quanto sou sua fã, apertou a minha bochecha. Mais fofo, impossível.

2010 foi corrido. Dessa vez, voltei ao estande da Melhoramentos, para ver o Ziraldo novamente. Mais uma vez, ele apertou a minha bochecha ao me cumprimentar. Vê-lo já começava a se tornar uma tradição para mim. Foi neste ano que eu pude trabalhar pela primeira vez como correspondente para o blog literário em que escrevia na época. 

2012 foi a minha bienalização mais difícil. Estava de coração partido, sofrendo por um dos caras que mais amei na vida. Não tive ânimo para muita coisa, mas não poderia deixar de ter o meu apertão de bochechas do menino de cabelo de algodão. Não sei exatamente o porquê de o Ziraldo gostar tanto de fazer isso comigo, mas aceito feliz. Ele é um querido!

2014 foi a primeira bienal que fui sozinha, sem amigos ou rolos. Ainda não estava feliz por completo, mas estava contente por conseguir voltar a caminhar com as minhas próprias pernas, sem depender de alguém. Lá conheci a Virgínia e tive a chance de me abrir para os autores nacionais. Esta experiência de dar chances ao autores não muito conhecidos me rendeu boas descobertas, como o livro Cartas à Amélia, do Pedro Costi. Peguei muitas filas - fui uma das primeiras para ver o Ziraldo, de novo! - e consegui comprar algumas encomendas para as amigas que moram longe. 

Ainda tenho alguns destes livros na minha lista de leitura, mas a gente sempre dá um jeito, porque a biblioteca aqui é como coração de mãe: sempre cabe mais um.

2016 chegou cheio de expectativas. Até o ano passado, tinha muitos planos felizes, que hoje me fazem rir, porque não irão se concretizar (pelo menos, não comigo!), mas creio que voltei ao espírito sonhador de 2008 e isso é muito bom. É claro que hoje, mais madura e consciente do processo literário, não vou aceitar qualquer bombardeio de marketing sem critérios. Sei que não é qualquer obra que passa pelo meu crivo de leitora, mas bienalizar tem um espírito muito bom, que sempre deve ser vivido. Em um país de não-leitores, é incrível poder estar em um espaço tão lotado e tão diverso culturalmente, em que todos estão ali, apaixonado por este objeto mágico, cheio de palavras, que nos transporta para outras fronteiras, sejam elas geográficas ou psicológicas.

Que venha a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo! Que ela ajude a formar novos leitores e que marque a vida de todos eles, como as edições anteriores marcaram a minha. Afinal, bienalizar é incrível!

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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Tranquilidade febril

Imagem por Ernie, sob licença creative commons.

Brincar com fogo.
Viver contente.
O que é a vida
Se não um “de repente”?

O aqui,
O agora,
O instante que está...
A dúvida,
O rumo,
A decisão para tomar.

Brincar com o fogo,
Um tanto descrente
O que acontece com os ausentes?
O que se passa com o que aquece
Crepita, esquenta e, depois, morre?
O brincar com fogo,
Sentimento que consome.

Brincar com o fogo
Sentimento que acalma
Tranquilidade febril que acalenta alma.

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domingo, 14 de agosto de 2016

{Vou por aí} Encontro de escritoras na Argentina

O texto abaixo faz parte da série Buenos Aires - season 2 e relata o que vivi na capital argentina durante as férias de julho de 2016.

♥ Ayumi, eu e Raquel. ♥ 
A segunda temporada em Buenos Aires foi incrível! :) Além de ter visto um dos Backstreet Boys (Hello, Nick!) e de ter a companhia da Raquel (a Boo), do That's the way I like it, pude me encontrar com a Ayumi Teruya, do blog Pandinando. E que dia foi aquele! 

Nada naquele dia foi planejado. Na verdade, a Ayumi - que mora em uma província próxima a Buenos Aires - sabia que eu iria para a Argentina. Entrei em contato com ela para saber o que faríamos naquele sábado, 16 de julho. O problema é que a previsão do tempo dizia (o que se confirmou depois) que naquele final de semana faria o tal do frio polar. Aonde ir então?

Boo e eu pegamos o metrô e descemos na estação Congreso de Tucumán. Lá, encontramos a Ayumi e conhecemos a mãe, o padastro e um casal argentino amigo deles. Almoçamos todos juntos (milanesas, saudades!) e partimos para o UniCenter, o maior shopping center da Argentina. Localizado a cerca de 17 km, o centro de compras atrai nativos e turistas para suas 300 lojas e 16 salas de cinema.


Yenny, a livraria do UniCenter.
É claro que três escritoras juntas só poderiam fazer questão de querer conhecer a livraria de lá. Grande e espaçosa para o padrão argentino, não chega ao tamanho da Livraria Cultura daqui de São Paulo, mas é muito, muito acolhedora. 

Paraíso em espanhol.

Visão do segundo andar da livraria.

Ayumi, eu e Raquel, felizes na livraria. ♥
Da livraria - e dos assuntos literários - partimos para um café na Starbucks com mais baristas que eu já vi! Estava lotada, mas o café continuou delicioso (e aquecedor!) como sempre. No meio do caminho entre a livraria e o café, conversamos, entre outras coisas, sobre a moda das argentinas de usarem plataforma em absolutamente todos os tipos de sapatos. De havaianas, passando por tênis e chegando às botas, tudo na moda spice girls dos anos 90. Quase surreal (mas divertido). 

As plataformas todas... 

Do shopping, partimos para a casa daquele casal de amigos dos pais da Ayumi, que nos convidou para jantar. E quem diria que: 1. jantaríamos em uma casa tipicamente argentina? 2. Uma senhora, muito mais velha que nós três, seria tão, mas tão animada? Sério! Quero ser como a Antônia, quando eu crescer!

Turma toda reunida! Como não amar? ♥ Já estou doida para voltar a vê-los! ♥

Estávamos nós três conversando, quando a Antônia colocou música no rádio e nos tirou para dançar! ♥ Depois, do jantar (com salada de rúcula e choripan! ♥), ainda conversamos com a mãe dela via skype - pensem em nós três falando com uma senhorinha de 90 anos! :D

Doce de leite e café de sobremesa, com muita conversa sobre os contrastes culturais e políticos entre Brasil e Argentina. Muita simpatia e muito amor. ♥ Quando tudo acabou, a família da Ayumi anda nos levou de volta ao hostel, o que rendeu um pequeno tour noturno pelas ruas de Buenos Aires. :)

Definitivamente esse dia foi completamente diferente do que todas nós havíamos planejado e, talvez por isso mesmo, foi tudo muito incrível! :D 

Por mais dias assim! :D
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

{Resenha} Para viver um grande amor, de Vinicius de Moraes



Um livro híbrido. Assim é Para Viver um Grande Amor, de Vinicius de Moraes. Entre crônicas e poesias, somos convidados a mergulhar neste sentimento tão lindo, que o autor tanto conhecia bem.

O título da obra organizada em 1962 gera muita curiosidade. Qual seria a fórmula para se viver um grande amor? Para Vinicius de Moraes o amor está em tudo, no exercício da crônica, na separação, no mais-que-perfeito, na outra face de Lucina, no profeta urbano, no teu nome. Observador como era, não deixou passar o amor na morte de um pássaro, no tempo sob o sol, no menino da ilha ou em Oscar Niemeyer.

Seus poemas, às vezes com temas de crônicas, dão cadência ao livro. As crônicas, muitas vezes poéticas, tocam o leitor com suas palavras sinceras. Um livro que fala sobre o nascimento e a morte, a dor e o prazer, a chegada e a partida, acaba envolvendo o leitor, que se sente convidado a degustar cada imagem, cada associação de ideias que lhe é apresentada. Sem dúvida, este é um livro para ser apreciado sem pressa, com todo o tempo que a linguagem de Vinicius de Moraes merece para ser absorvida por seu leitor.

A edição (da Companhia das Letras) conta ainda com um posfácio de Francisco Bosco e com três textos de arquivo: "Advertência", do próprio Vinicius, "Aqui está o Vinicius mais acessível", do Otto Lara Resende, e "No Marimbás!", do Carlos Drummond de Andrade. Ou seja, o deleite do leitor se estende para além dos poemas e das crônicas.

Para viver um grade amor é um convite a um Vinicius que se abre. Cada palavra impressa no livro é como um abraço de um amigo recebido pelo leitor. E que amigo!

Livro: Para viver um grande amor
Autor: Vinicius de Moraes
Páginas: 240
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Para viver um grande amor estrutura-se de modo singular: alterna poesia e prosa. As crônicas guardam as marcas típicas do gênero, como a observação aguda do cotidiano e a linguagem despojada. Mas, além disso, conforme o próprio Vinicius, "há, para o leitor que se der ao trabalho de percorrê-las em sua integridade, uma unidade evidente que as enfeixa: a do grande amor". Quanto aos poemas, encontram-se, aqui, exemplares de grande força expressiva, como o impactante "Carta aos 'Puros'". Os poemas não raro tomam para si a tarefa da crônica e, então, surgem experiências como os bem-humorados "Feijoada à minha moda" e "Olhe aqui, Mr. Buster" ou o seco e dramático "Blues para Emmett Louis Till".
O volume abre com um caderno de imagens que reproduz originais de Vinicius e fotografias que ajudam a recriar o universo afetivo e intelectual do livro. Um posfácio do ensaísta Francisco Bosco, escrito especialmente para esta edição, lança um novo olhar crítico sobre a obra, ao passo que a sessão "Arquivo" recupera textos fundamentais e por vezes pouco conhecidos, como a crônica inédita em que Carlos Drummond de Andrade fala da noite de autógrafos de Para viver um grande amor.

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