quarta-feira, 22 de outubro de 2014

[Resenha] Man Repeller, de Leandra Medine

Se você está procurando um livro leve, porém bonito, com toda certeza irá gostar das aventuras descritas por Leandra Medine em Man Repeller. Bem-humorada e envolvente, está obra faz parte da lista de leitura "fiquei triste porque terminou". É impossível não querer mais!

Leandra Medine nos apresenta, por meio de crônicas, a história de sua vida e sua busca incansável por seu verdadeiro eu. Como ela o faz? Relacionando cada fato por ela vivido com uma peça do seu guarda-roupa. Passamos a conhecer uma garota que, a princípio era totalmente reprimida por um uniforme de uma escola judia, e que passa a construir o seu eu-feminino desde a infância (seja querendo roupas como as das Spice Girls, seja descrevendo o modelo usado durante a sua primeira vez).

O livro também nos relata como Medine se deu conta que o seu modo de se vestir - bem distante só tão sonhado estilo francês, diga-se de passagem - afetava a sua vida. Foi em um provador que a autora teve um insight simples de que suas roupas e seu estilo repeliam os homens. Foi desta reflexão que nasceu o blog homônimo, Man Repeller.

Sobre o volume propriamente dito, há um encantamento logo de cara pela capa. O projeto gráfico é belíssimo e já nos dá uma pista do teor gostoso dos textos. Ademais, durante a leitura, temos fotografias da autora que comprovam os fatos narrados.

É muito difícil não rir ou não se emocionar com os textos. A identificação na busca de um estilo de vida e de um amor é real. No fim das contas, como a própria autora conclui, repelir ou não homens está atrelado a amar-se ou não. Reflexões como estas fazem a leitura - e a vida! - valerem a pena.

Livro: Man Repeller - A divertida moda que espanta os homens
Autora: Leandra Medine
Tradução: Antonio Carlos Vilela dos Reis
Páginas: 256
Editora: Novo Conceito
Sinopse: Desfilando um short saruel e um casaqueto no provador da Topshop em Manhattan, a desiludida Leandra teve uma epifania. Ao ver o seu refluxo no espelho, ela de repente percebeu que não conseguia arrumar um namorado por causa da sua maneira esquisitona de se vestir. Quanto mais ela pensava nisso, mais admitia que seus looks tinham muito a dizer sobre a sua vida: meio românticos, um pouco extravagantes.

Booktrailer: 


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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sentimentos VI (Carta para você - parte 6)


Abri o e-mail e rascunhei uma mensagem sem ter a certeza se deveria enviá-la ou não. Era seu aniversário, e há tantas coisas não ditas entre nós, que o meu primeiro impulso foi deixar os dedos trabalharem digitando todo o sentimento guardado nestes dois anos inteiros de separação. Escrevi , despejei tudo na tela do computador, depois deixei a mensagem lá nos rascunhos...

Editei e apaguei, numa tentativa de entender exatamente o que sinto. Quem sou eu agora afinal? O que sinto por você? Sinto sua falta, decerto, mas também sinto a raiva do abandono, que vem à tona todas as vezes que penso como você sumiu no mundo sem destino, sem me dirigir uma única palavra de despedida, um único adeus.

Acabo não enviando os votos de parabéns pelo seu dia - que, apesar da raiva, seriam sinceros. Não digo que sinto falta das conversas no final do dia, dos chocolates na hora do almoço ou do modo como você pegava em minha mão. Não retomo os sonhos. Apenas olho para dentro e vejo o meu reflexo nos cacos do coração que você partiu.

De certa maneira, sinto-me triste. Queria ser esta pessoa forte que todo mundo acha que sou, recolher a bagunça que você deixou e seguir em frente. Ainda não consigo e, embora saiba que hoje já posso me manter em pé, sinto-me cansada demais para recomeçar a caminhar. Ficar no meu canto é mais simples e me garante mais certeza de menos sofrimento. Traumas que você me deixou ou que eu mesma me impus? O fato é que não aguentaria ver alguém se tornar tão importante para mim partindo novamente - como você fez questão de fazer.

Hoje é domingo e o dia foi ensolarado. Entretanto, fiquei de cama, reclusa, tentando encontrar uma forma de me curar de você. Não mandei o e-mail - nem sei se você ainda usa aquele endereço - e nem vou mandar. Preciso manter a minha dignidade e respeitar a sua decisão de não me ter em sua vida é faz parte do processo.

Mais uma vez, pensei em você. Fico me perguntando se alguém pensará em mim um dia...

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Estou cansada

Estou cansada da falta de amor, da violência verbal, das caras dissimuladas. 
Estou cansada das reclamações, dos gritos, das manhas sem sentido. 
Estou cansada da distância que aparta os corações que eu queria que estivesse aqui por perto. 
Estou cansada do barulho, dos gritos, da indiferença, da descrença e da falta de afeto. 
Estou cansada do dedo na cara, que me acusa de ser errada
(mesmo quando estudo há anos, tentando percorrer um caminho mais correto.
Cansa-me o mundo que se diz o tempo todo certo).

Estou cansada da falta de esperança, do jeitinho que tudo resolve...
Estou cansada de ter que ser todo o tempo forte.
Estou cansada do "faremos do seu modo, como quiser, de qualquer forma", 
Estou cansada do seu dinheiro que paga a minha obra.

Estou cansada de lutar sozinha quando deveria ter respaldo,
cansa-me ter que fazer a tal cara de paisagem...
Que mata tudo o que me resta de beleza e de coragem.

A inspiração me falta, o peito aperta e espreme meus olhos em lágrimas salgadas
(para sentir-me, por fim, exausta de tanto verter água).
Estou tão cansada de sofrer e de sonhos matar...
Vejo a vida marcada, e ela cansa-me de tal forma que me pergunto:
Qual o sentido disto tudo, afinal?!
Cansa-me ter que buscar um sentido
que não se resuma a um poema banal.

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

[#aophotoaday] Temas de outubro no ar!

Oi pessoal!
Ando sumida, mas estou por aqui.

Coisas de uma mente cheia de ideias para um possível novo livro (oi?!) e de acontecimentos que serão temas de outros posts (se Deus quiser!). Entretanto, o #aophotoaday continua lindo, firme e forte (quer ver com os próprios olhos?! Clique aqui e veja as imagens dos participantes!) e eu não poderia deixar de trazer os temas de outubro para vocês. Vamos a eles?!

Juro que este verde lousa no mês do dia dos professores foi o
meu subconsciente trabalhando. Só me dei conta quando terminei de fazer
a lista. hahaha

Compartilhe a lista acima e imprima o calendário para que você não se perca! Vamos lá?!



É isso! :D
Não se esqueçam de usar a tag #aophotoaday, para que eu possa encontrar o seu clique pelas redes sociais! :D

Beijos e queijos!
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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Carta da despedida

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
(The road not taken - by Robert Frost)


Oi professor,
Acabei de ler a notícia sobre a sua morte. De súbito, todas as memórias daquele 2010 vieram a minha mente: desde o dia em que nos conhecemos, até o encontro casual no corredor da universidade (já quase em época de férias). Meu coração ficou apertado e triste por saber que você foi de maneira tão trágica, ainda mais porque sabia que você era tão cheio de vida. Não pude deixar de recordar do seu relato sobre quando morou em Israel... Sair de um lugar tão cheio de guerras para morrer em um acidente de carro... É isso o que as pessoas chamam de ironias da vida?! Definitivamente, não gostei nem um pouco disso...

Sei que parece estranho escrever sobre tudo isso agora (mas você foi um dos que me ensinaram que a escrita tem poder e eu preciso tentar diminuir este nó na garganta que me avassala o peito). Ainda mais uma pessoa que aproveitava as suas aulas para corrigir as tarefas dos meus alunos do learning center. Nada educado, eu sei (e desde já peço desculpas). Mas o fato é que sim, eu prestava a atenção em cada palavra que você dizia. E sim, eu me sentia privilegiada por ouvir uma pessoa com tantos conhecimentos como você. Depois, conversando com a professora Lilian, ela também demonstrou admiração por toda a sua trajetória profissional – o que me fez ver que eu deveria dar créditos ao professor marrento que assumiu a minha turma numa situação de emergência.

Sabe, ainda me lembro daquela dia em que a aula era última de uma sexta-feira fria e chuvosa – véspera de feriado prolongado – que não tinha quase ninguém. Estudávamos a constituição americana e você arrebentou! Até então nunca havíamos trocado palavras que não fossem estritamente necessárias, mas agora me sinto aliviada por ter voltado até a sala depois que todos foram embora (e você apagava a lousa) e ter te dito o quanto eu havia gostado daquelas horas em que estudávamos a importância da legislação americana não só para a constituição do país, quanto para a literatura. Sua cara surpresa valeu o dia e me fez voltar para casa feliz!

Depois vieram os sonetos de Shakespeare – o 20 em especial. Adorava quando você perguntava qual era a nossa interpretação para o que estava ali escrito. Muita gente não tinha coragem de falar e outros falavam até demais, como sempre acontece em salas numerosas... Gostava do debate. Debates enriquecem a nossa mente de sabedoria (e o seu tom, por vezes sarcástico, tornava tudo muito interessante. Você nos fazia pensar e querer estar sempre um passo adiante)... Mas voltando aos poemas, amei “The road not taken”. Acho que foi com ele a primeira vez que expus a minha visão/opinião (ou seria sentimento?) para todos na sua aula. Contudo, o que me deixou feliz mesmo foi ver a sua cara de aprovação ao ouvir o que eu disse. O seu pequeno e discreto sorriso foi muito significativo.

Quando veio o trabalho de análise de Death of a Salesman*, eu dei o meu melhor. Queria te provar que conseguiria sim fazer uma análise decente de uma obra importante. Era uma coisa de “questão de honra”, mas também era questão de reconhecimento. Bati o pé igual uma criança mimada, perdendo horas dos meus finais de semana (e de qualquer outra mísera sobra de tempo livre), porque queria ser reconhecida por você. Queria que o meu trabalho fosse um dos mais incríveis que você tivesse lido. Queria que você olhasse para mim não como uma qualquer que fez Letras porque não sabia o que queria da vida, mas como uma aluna de verdade que sempre amou o curso que escolheu. Infelizmente não estava no dia em que você devolveu os trabalhos aos, todavia foi extremamente recompensador ouvir os colegas chegando e dizendo que o “Feldman elogiou demais o seu trabalho”. Essa frase, por si só, serviria para fechar o ano e o curso com chave de ouro.

Voltando para todas as memórias que me vieram à mente, fico aliviada por ter te procurado lá na turma de psicologia - fora do horário da minha aula - para agradecer não só pelos elogios feitos na minha ausência no dia da entrega da análise de Death of a Salesman, como pelo ano como um todo. Foi ótimo poder reconhecer o seu papel como professor e foi incrível ter a sua aprovação enquanto aluna. Pensar neste dia, me faz sorrir até hoje e eu só tenho que agradecer mais uma vez por isto! Muito obrigada.

Enquanto escrevia esta carta, voltei de novo na notícia que anunciou a sua partida. Vi as imagens do seu carro destroçado... E doeu muito! Eu não quero imaginar a sua dor. Não quero imaginar a tristeza dos seus familiares, principalmente do seu filho – que você tanto amava (era lindo ver os seus olhos brilhando ao falar dele!). Não quero pensar na dor da sua namorada que te viu partir de forma tão trágica... Eu quero focar em você falando com entusiasmo da literatura canadense ou da vida em Israel. Quero me lembrar do seu sorriso ao me avistar no corredor e do meneio com a cabeça, dizendo oi. A partida dói demais, por isso prefiro ter o seu sorriso na minha memória.

Mais uma vez,
Obrigada por tudo!

Com amor,
a aluna (também) marrenta do 3ALEN de 2010.

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*Death of a Salesman = A morte do Caixeiro Viajante (escrito por Arthur Miller)

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