domingo, 26 de janeiro de 2020

Best-seller

domingo, janeiro 26, 2020 0
Imagem de Yerson Retamal por Pixabay

Do rascunho ao livro
aquela história
tinha tudo para dar certo:

O telefonema,
o encontro,
a fuga para o lugar incrível.

(E as falas,
e as trocas de carícias,
e o silêncio.)

Desejos
incontidos,
incompletos:

Distintos,
Destintos.

No fina das contas,
contudo,
percebeu-se a icógnita
de uma matemática não fecha.

O "nós"
se transfigurou:

Cada um de um lado do sinal
que não é de igual.

Somos um livro bom
com um final difícil de engolir:

Infelicidade é sempre ruim.


Para saber mais sobre o Desafio Criativo, clique aqui.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

{Fotografia} Pausa para respirar #3

quarta-feira, janeiro 22, 2020 3
Do dia em que parei para respirar no Ibirapuera.
Eita, pessoal!
2019 acabou e praticamente mais da metade do mês de janeiro se foi também. Tudo voando na velocidade da luz, não? Muita coisa aconteceu por aqui e eu vou deixar alguns fatos bem aleatórios nesta pausa que fazemos para respirar.

Cartão poético que fiz para a Elizza.
(Quem quiser também, está a venda na loja do blog)


É interessante notar como todas essas mudanças trazem cansaço, mas também trazem aquela sensação de "ready to say I'm glad to be alive".


Dentinho de vampirinha da Poesia.

Primeira selfie e passeio de carro do ano.

Camomila tirando uma soneca.

Clube de Escrita para Mulheres no Clube de Leitura da Livraria Cultura (encontro do livro Redemoinho em Dia Quente, da maravilhosa Jarid Arraes, que está ao meu lado na foto).
Amiga e escritora Elizza Barreto e eu no Clube de Leitura da Livraria Cultura. Nós duas queremos esta estante para gente.
Livraria Cultura, me nota!

Sigamos! Que o restante do mês seja produtivo e feliz.
Beijos e queijos!
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domingo, 19 de janeiro de 2020

5 canais no YouTube para aperfeiçoar o inglês aperfeiçoando a vida

domingo, janeiro 19, 2020 6
Imagem de StockSnap por Pixabay.
Oi, pessoal!
Vira e mexe alguém me pergunta como estudar inglês sem gastar muito. Normalmente, a resposta que eu dou depende muito de quem perguntou (porque eu busco uma estratégia que tenha a ver com o perfil da pessoa), mas hoje eu quero contar um pouco de como eu tenho feito para estudar.

Desde o final do ano passado para cá eu venho buscando atividades e estudos que me ajudem a viver uma vida com propósito. Não sou uma pessoa que gosta de luxo, mas que quer ter uma jornada tranquila e causar um impacto positivo não apenas na vida que vivo, mas também na das pessoas que me cercam. Sendo assim, passei a procurar sobre esse conteúdo no Youtube. Fico ouvindo os vídeos enquanto lavo a louça ou organizo as minhas coisas (férias, sempre tão maravilhosas!) e aproveito para refletir sobre a minha própria caminhada. São esses canais/vídeos que eu quero compartilhar no post de hoje.

Se expôr ao máximo à língua que queremos aprender é um dos melhores meios de internalizá-la. Quanto mais ouvimos em seus diferentes sotaques e ritmos (como acontece com as sugestões abaixo), mais nos sentimos preparados para as diversas situações que a vida pode nos oferecer. Sendo assim, se a sua meta para 2020 é estudar mais inglês, o conteúdo abaixo pode ajudar nesse sentido.

MuchelleB

O primeiro canal que quero compartilhar é o da Muchelle B. Ela é australiana e fala bem rápido, mas os vídeos dela têm a opção de legenda no YouTube. O que me chama atenção no trabalho da Muchelle é o fato de ela ser muito prática. Isso ajuda muito para quem não sabe muito bem por onde começar e precisa de um caminho. Abaixo deixo o vídeo em quem ela dá dicas de como melhorar o planejamento semanal (vou testar o que ela faz e depois conto para vocês se funcionou por aqui):




Lavendaire

O segundo canal que eu tenho acompanhado bastante é o Lavendaire, da Aileen. Ela se define como empreendedora e "artist of life". O que gosto bastante da Aileen é que além de compartilhar como ela se organiza, ela também mostra o conteúdo da vida pessoal dentro desta organização (o que funcionou ou não e o porquê). Dos vídeos que eu vi, este (abaixo) é um dos que mais gostei. Foi interessante porque eu tenho algumas amigas que também acompanham a Aileen, então pudemos conversar sobre tudo isso que envolve as técnicas que ela usa e sobre os nossos sonhos. Eu fiz esse exercício que ela cita no fim do vídeo (Current me x Future me). Estou doida para chegar no fim do ano e ver o que funcionou ou não.




Professional Wild Child

De todos os Youtubers desta lista, a que eu acompanho há mais tempo é a Zöe. Ela é dos Países Baixos e trabalha como nômade digital, então sempre traz alguma coisa sobre o lugar em que está no momento. Abaixo, um vídeo que ela gravou com o pai dela. Ele tem 70 anos e deu algumas recomendações sobre o que ele aprendeu ao longo da vida.



Matt D'Avella

O que gosto no Matt é que ele busca experimentar coisas que o tire da zona de conforto. O canal dele é cheio de "tentei tal hábito por tanto tempo" e ele costuma ser muito sincero no que funciona e no que não. O vídeo abaixo é um trecho de uma entrevista que ele fez, falando sobre ter menos coisas e mais espaço (físico, mental e na agenda) para viver uma vida mais plena.



Nathaniel Drew

O Nathaniel tem um estilo parecido com o do Matt no que diz respeito ao minimalismo e a tentar hábitos que quebrem a rotina. Gosto do slogan (?) do canal dele: In Search of Mental Clarity. Isso ressoa comigo, porque eu também estou nesta busca. Abaixo deixo o vídeo em que ele tentou vivenciar a rotina (insana) do Leonardo da Vinci, porque gosto disso de tentar o que os grandes mestres já fizeam.



Se vocês quiserem que eu traga mais conteúdos de estudo/aprendizado aqui para o blog, me avisem nos comentários. ;)
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

{Resenha} O ano do macaco, de Patti Smith

quarta-feira, janeiro 15, 2020 2
Imagem: Facebook da Patti Smith.
Assim como aconteceu com Devoção (o primeiro livro que li de Patti Smith), O ano do macaco me fisgou. Na obra a autora narra, de modo muito peculiar, seu 2016: o ano do macaco no horóscopo chinês. 365 dias que levaram consigo duas pessoas importantes da vida da autora, que foi marcado pela eleição de Donald Trump à presidência dos EUA, que trouxe o aniversário de 70 anos da escritora que também é ícone da música.

O livro é uma mistura de fatos reais, de sonhos e pura ficção. Ao contrário do que acontece em Devoção, essa miscelânea não tem fronteira clara. Pelo contrário, em O Ano do Macaco, não importa a fronteira de cada uma dessas fontes que compõe a história, é justamente o borrão que faz da narrativa intrigante. O leitor caminha ávido pela imaginação e pela biografia da autora, sem querer desvendar esse mistério, porque há outro maior: a própria vida o que a cerca.

Capa da versão estrangeira de O Ano do Macaco.
Como é possível ver mais abaixo, a capa brasileira (de Fabio Uehara) manteve a essência da versão em inglês.
Imagem: Facebook da Patti Smith.

"De manhã, bebi dois copos de água mineral, fiz uns ovos mexidos com cebolinha e comi em pé. Contei o dinheiro, pus um mapa no bolso, enchi uma garrafa d'água e enrolei uns pãezinhos doces num pano. Era o Ano do Macaco e eu havia me transportado para um novo território, numa estrada sem sombras sob um sol molecular". (página 64)

O Ano do Macaco é escrito com uma linguagem própria, poética. Poética não só no sentido das imagens que constrói, mas no modo de captar o mundo. E de lidar com ele. Como comemorar o aniversário quando se vê a vida dos dois melhores amigos - o músico e produtor Sandy Pearlman e a o escritor Sam Shepard - se esvaindo? Como lidar com o planeta ficando cada vez mais conservador? Uma saída talvez seja experimentar o presente (seja ele uma noite do sono, o restaurante preferido ou uma carona com um casal excêntrico). É isso que faz com que Patti atravesse 2016: ela carrega e transmite uma melancolia misturada a uma pequena dose de esperança. É isso que faz o leitor se afeiçoar tanto à sua obra.

Livro: O Ano do Macaco

Autora: Patti Smitt
Tradução: Camila von Holdefer
Páginas: 168
Editora: Companhia das Letras
Apresentação: Em O ano do Macaco acompanhamos uma Patti Smith prestes a completar setenta anos e precisando lidar com a perda de dois amigos queridos – seu mentor, o músico Sandy Pearlman, e seu referencial artístico da vida toda, o escritor e dramaturgo Sam Shepard. O ano é 2016. Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos e Patti, na estrada, atravessa o país fazendo shows, deixando-se levar por sonhos e delírios, adentrando a bruma de uma espécie de mundo das maravilhas muito particular, onde a lógica do tempo não existe e os mortos podem falar. Nessas memórias, a autora do aclamado Só garotos nos leva por uma delicada e surreal jornada ao coração de um dos períodos mais turbulentos de sua trajetória.
Livro no skoob. | Livro no goodreads.

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domingo, 12 de janeiro de 2020

Para onde vão os nossos bytes depois que a gente morre?

domingo, janeiro 12, 2020 6

Acordo antes do despertador. Pela luz que atravessa a cortina da pequena janela, sinto que não sou a única: o Sol já está de pé. A estrela mais importante da estação despertara cedíssimo, com o canto do bem-te-vi. A ave, por sua vez, resiste cantando na antena do vizinho mesmo tendo as minhas gatas a observá-lo.

Acordo, porém não sei se me desperto. Apenas sinto: natureza me diz muito do meu futuro. Raízes que voam, que se deixam levar pela corrente de ar quente. Raízes que vagueiam de forma planejada. Sou árvore, mas também sou águia. Sou águia e, também, guia.

Continuo na cama. Desafios, eles pipocam na minha mente acelerada antes que possa controlá-los. Na rapidez, pego o celular e rolo a infinita tela do Instagram. Se a vida não é infinita, para onde vão os nossos bytes depois que a gente morre?

Coloco o celular de lado e as minhas mortes rondam meus pensamentos. Não a derradeira, que fará meu coração parar de bater e meu cérebro parar de enviar seus impulsos neuronais, não. Penso na morte que nasce das pequenas coisas. O quanto de mim morreu ontem? O que sobreviverá de mim para o amanhã? Nascer e morrer. Cada verbo numa ponta do tempo de vida, mas tão interligados em suas oposições...

Minhas raízes sussurram a minha essência. Meus sonhos me empurram para o céu. O horizonte é o limite, mas por que ele é tão distante? O calor do sol me aquece, mas também me queima. Já quanto ao bem-te-vi, bem, ele continua cantando, sem pensar.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com o escritor Felipe Nani

terça-feira, janeiro 07, 2020 18
Vamos falar sobre escrita com o escritor Felipe Nani? ;)
Olá, pessoal!
No primeiro post da Vamos falar sobre escrita? de 2020, eu trago para vocês a entrevista com o escritor Felipe Nani, autor do recém-lançado Insânia. Nesta conversa, falamos não apenas da obra, mas também sobre o processo criativo do escritor e como ele vê o mercado literário.  Quer saber como foi? Então, confira abaixo!

Algumas Observações: Comente um pouco como foi o seu despertar para a escrita. Em qual momento você passou a se intitular escritor? Como foi para você deixar de ver a escrita como um hobby e passar a vê-la como um trabalho?
Felipe Nani: Em primeiro lugar, obrigado por abrir esse espaço para que eu fale um pouco mais sobre o meu trabalho e também obrigado pela disposição em ajudar. É com atitudes assim que nós fortalecemos nosso campo literário e artístico.
Desde muito novinho estive conectado à arte e suas formas, embora sempre houvesse uma grande resistência para que eu não praticasse ou exercesse nada voltado a esse segmento, no sentido de que, na minha realidade, como a de muitos, o caminho de fazer um curso profissionalizante em uma área tecnológica ou que tenha consolidação no mercado de trabalho é o caminho “certo” a ser seguido. Isso foi (ainda é) um fator determinante para que eu transitasse pelas beiradas em alguns segmentos artísticos. Comecei com a música, que me levou a escrever minhas primeiras poesias, isso eu tinha mais ou menos 9 anos de idade. Depois migrei para o desenho de HQ, onde comecei a rascunhar as minhas primeiras estórias de super-heróis. Como eu comentei, foi um momento em que tive que caminhar pelas beiradas, nada muito a sério, então entrei no ramo da indústria de energia elétrica e deixei de lado tudo referente a arte, isso com 14 anos. Por um acaso da vida, em um churrasco encontrei um amigo e começamos a falar sobre cinema, eu tinha 18 anos e naquele dia, e decidimos entrar em uma escola de teatro. Foi onde me reconectei com a arte, comigo mesmo e percebi que sou um artista. Nesse meio tempo atuei em cerca de 10 montagens teatrais. Foi no teatro, imerso em um processo criativo onde nós, atores e atrizes, por indicação da direção, éramos produtores da nossa própria dramaturgia, que veio a vontade de escrever e escrever. Essa foi a brecha para que eu voltasse a rascunhar estórias, crônicas e poesias, e passei a produzir os meus próprios textos como ator. Foi um momento extremamente importante para que eu entendesse que dentro de qualquer forma de arte que eu estiver, serei um contador de estórias, um criador de metáforas. Foi também um momento muito bonito onde percebi que não adiantava ficar sufocando meu sonho em um emprego em uma área que não me contemplava como ser humano. Fiquei um bom tempo para reunir um dinheiro para que hoje eu tenha uma folguinha para me dedicar a escrita.

Felipe Nani, autor de Insânia.

AO: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesmo? Você tem outras ocupações profissionais além da escrita? Se sim, como concilia os dois?
FN: Normalmente eu escrevo pela manhã, assim que acordo. Estabeleço um cronograma e horários para que eu também não fique apenas na escrita, já que também tenho outras atribuições. Sou estudante de Game Design e atualmente estou trabalhando como designer e redator freelance para que eu consiga ter uma renda para manter e consolidar o meu sonho de ser escritor. Eu basicamente tenho o meu cronograma e uma tabela de horários onde tenho que ter disciplina para cumprir.

AO: Você tem alguma formação literária, estuda por conta própria ou escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento profissional?
FN: O Insânia foi um romance que veio de forma totalmente intuitiva, eu não sabia sequer o que era uma estrutura de 3 atos. Foi um experimento que surgiu de um sonho (pesadelo). Naquele dia acordei de madrugada fazendo anotações e dizendo para eu mesmo “Eu preciso escrever esse sonho”. Assim surgiu um romance. O Insânia veio em um momento em que as emoções provocadas pelo teatro estavam pulsantes, e eu estava consumindo muita literatura e dramaturgia. Só após terminar o livro que percebi que eu precisava me “profissionalizar”, no sentido de que eu precisava entender mais sobre os processos de escrita e sobre o que a teoria poderia me ajudar para que as minhas próximas estórias sejam melhores. Eu não acredito que é necessário o conhecimento teórico ou ser um acadêmico para ser um escritor, mas toda teoria que é aprendida com certeza ajuda a concatenar o caos criativo, que é extremamente importante para a criação artística.
Nessa busca por estudar mais a fundo, fiz diversos cursos de roteiro e de como contar estórias. Fiz curso com o André Vianco, Nano Fregonese, Thiago Fogaça e por aí vai. Fora os livros clássicos de roteiro e também sobre psicologia, que me deu uma base muito legal de como entender melhor a mente humana.

Felipe Nani no lançamento do seu livro, Insânia.

AO: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser bom o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?)
FN: O maior desafio que enfrento é uma cobrança minha para comigo mesmo. Todos os dias vêm aquelas questões: “Será que vou conseguir viver de escrever?”, “Será que o Insânia vai vingar?”, “Será que terei que voltar a trabalhar em uma área que eu não gosto apenas pelo salário?”, “Tenho que fazer um novo livro o quanto antes”. São pensamentos que minam a minha energia e que acabam gerando esse medo do amanhã. O que me faz voltar a pôr os pés no chão é entender que esse é um processo árduo e que exige muito trabalho. Sempre que me vem essas crises, que também são normais, eu penso que tenho que transformar o medo em trabalho, em possibilidades de fazer acontecer. Minimizar o máximo que eu posso o depender da “sorte”.

AO: Falando do texto em si, o que você mais gosta de escrever? Como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos e o que você acha importante fazer antes de soltar um texto no mundo?
FN: A primeira coisa é ler, reler e reler mais uma vez. Só me sinto seguro de mostrar algo quando tenho a sensação de que eu gostaria de ler aquilo que escrevi. Após isso eu mando para os meus amigos mais íntimos e minha parceira, a Lídia, são aquelas pessoas especiais que falam sem receios quando está “ruim” e fazem apontamentos construtivos. Eu os chamo de meus leitores beta. Depois eu volto, lapido mais um pouco e deixo reservado para que um dia eu publique. Aprendi que apagar também é escrever.

AO: Quantos livros você tem publicados? Você pode falar um pouco sobre as suas obras?
FN: Por enquanto publiquei apenas o Insânia, que vou deixar a sinopse e mais informações sobre a obra logo na sequência [Ver no final da entrevista]. Ah, e estou me planejando para publicar minhas poesias e crônicas em um blog, mas isso é um projeto para um futuro próximo.

AO: Qual é o papel das redes sociais para o seu trabalho de escritor? Como é a sua interação com seus leitores na Internet?
FN: Acredito que para novos escritores e escritoras as redes sociais são imprescindíveis para que os projetos deem certo. É um campo onde encurta drasticamente os espaços e intermédios que haveriam sem ela. Pelo menos, no meu caso, sem as redes sociais, o Insânia nem estaria engatinhando como está hoje. Construir uma audiência e uma conexão com seguidores/leitores é a única maneira, ao meu ver, de levar o oficio de ser escritor para frente nos dias de hoje. As formas de se conectar e de se relacionar estão muito diferentes de dez, vinte anos atrás, então devemos nos atentar e aproveitar o lado positivo que essas mudanças fornecem e nos atentar com o lado negativo é intrínseco a questão virtual e superficial que permeia o campo das redes sociais. É claro, não deixando de lado que é muito importante participar de eventos, conversar com as pessoas e passar o livro de mão e mão.

AO: Como você vê o mercado editorial para os novos autores? Quais são os principais desafios para quem quer publicar?
FN: Ainda é um mundo muito novo para mim. Cada dia estou aprendendo uma coisa nova. Acredito que estou conhecendo os maiores desafios, que é o de fazer o livro chegar até as pessoas e de que as pessoas ao redor encarem o ato de escrever um livro e produzir conteúdo literário é um trabalho que precisa ser remunerado, como qualquer outro. Como autor independente e desconhecido é muito difícil que as pessoas apoiem ou se interessem pelo trabalho. Para a pré-venda do Insânia fiz um projeto no Catarse para cobrir os gastos que tive com a publicação, que não foi nada barato e tirei do meu bolso para realizar. Nesse período de campanha, pude ter o feeling de muitas situações que rondam esse meio literário e alguns até similares com o das outras formas de arte. Como por exemplo em que as pessoas estão muito mais interessadas em criticar tecnicamente do que de fato consumir a estória. Também existe o lado de não entender que escrever um livro é um trabalho, que necessita de tempo e dinheiro para que vingue e se sustente. Acredito que precisamos abrir formas de diálogo para que esteja mais claro que as manifestações artísticas, deslocadas do eixo industrial e convencional de se ter uma fonte de renda, é sim um trabalho. Quando eu fazia teatro, dedicava o meu dinheiro e tempo em estudos e ensaios, no momento de apresentar as pessoas pediam ingresso gratuito para assistir as peças. A mesma coisa aconteceu e acontece com o livro. Ninguém é obrigado a consumir a arte de ninguém, mas precisamos evidenciar essa questão que barra o crescimento dos artistas, para que haja um campo de maior respeito e disponibilidade para que artistas sobrevivam do seu ofício.

AO: Quais são seus projetos futuros?
FN: Bom, eu tenho um projeto de ensaios, que venho escrevendo faz algum tempo, mas não sei se está no momento de lançar, acredito que eu tenho que viver mais, construir um público com romances antes de eu lançá-lo. Estou em um processo de criação de um romance novo já faz 1 ano e posso adiantar que ele está um pouco pesado, estou pesquisando formas de deixar a leitura menos chocante e mais densa, não será um terror ou horror, é um livro de suspense/thriller e estou muito ansioso para terminá-lo, mesmo sabendo que é um processo árduo e que exige muita persistência e paciência.

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
FN: O recado que eu gostaria de deixar é: Obrigado por ter lido essa entrevista até aqui. Obrigado, Fernanda, pelo espaço cedido. Me acompanhem nas redes sociais, pois é só o começo da minha carreira como escritor. Nós, apaixonados por literatura, vamos olhar com mais carinho ao redor, pois há muita gente bacana produzindo coisas legais por aí, não falo necessariamente de mim. É só entrar nos projetos de financiamento coletivo ou ir em feiras de autores independentes, tem muito material lindo e de qualidade sendo feito. Vamos dar uma chance para os artistas independentes e novos que estão por aí precisando do nosso apoio.

→ Para acompanhar o trabalho do Felipe Nani, acesse o Instagram do autor clicando aqui ou lhe escreva no e-mail contato.felipenani@gmail.com.

Sobre o Insânia

Criação do livro

Significado de Insânia:
1. Condição de insano; demência ou delírio;
2. Ausência de juízo; imprudência ou insensatez.
(Etm. do latim: insanĭa)

Por quê, Insânia? Insânia é um substantivo que transita entre um quadro patológico, como insanidade e demência. Insânia contempla também um estado psicofísico, oriundo do campo das escolhas, como a imprudência e a insensatez.

Escolhas, patologias. E o que acontece quando essas escolhas parecem não serem realmente escolhas? E sim, um arrastar de braços, feito pelas mãos duras de algo que está além da compreensão necessária para que sequer possa ser enfrentado as claras, sem a névoa intensa do mistério.
E se fosse você convidado pela floresta a se aventurar em seu interior denso e desconhecido?
Para isso, escolhi o Parque Anhanguera para ser palco do Insânia, pois ele fez parte de minha infância. Onde a vida teceu muitos momentos bons, mas em contrapartida, deixou em mim um grande receio do que há dentro daquela mata fechada, com diversos pontos perigosos, que em qualquer caminhada um pouco mais desatenta, poderia fazer facilmente eu me perder dentro dessa imensidão e sabe-se lá o que poderia acontecer. Existem boatos e histórias tenebrosas de pessoas que se perderam lá dentro.

Insânia é uma obra composta de muitas premissas, muitas perguntas, e as respostas são o fragmentar da realidade a partir de um ponto de vista, que é o de Otávio. A infante aventura e curiosidade foi o maior dos chamados que colocou Otávio e seus amigos na direção dos piores de seus pesadelos. Descobriram que fora o pior, a partir do momento em que a dor não parou ao abrirem os olhos. O que resta é a dúvida de que se realmente tudo isso fora mesmo uma escolha feita por cada um.

Sinopse da obra

Dois garotos disputam uma corrida de bicicleta no parque da cidade. Otávio, que está liderando, é surpreendido com o ataque de uma ave misteriosa que o tira da pista, fazendo-o cair dentro da floresta. Ele e seu amigo Caíque, envolvidos pelo medo e mistério da floresta, descobrem uma cabana que até então ninguém havia descoberto.
Esse encontro curioso com o desconhecido desperta pesadelos cruéis que parecem tomar forma física além da imaginação de Otávio. Apavorado e sem explicações, é convencido pelos amigos de escola a investigarem juntos o que de fato existe dentro dessa cabana e qual os limites de seus sonhos. Será tudo uma brincadeira fruto de sua mente ou realmente os jovens estão brincando com o fogo do sobrenatural?

→ Para comprar o seu exemplar de Insânia e recebê-lo com dedicatória e marca-páginas personalizado, clique aqui ou entre em contato direto com o autor via Instagram. Para comprar no formato e-book, clique aqui.

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domingo, 5 de janeiro de 2020

2020 e as minhas metas (conscientes)

domingo, janeiro 05, 2020 30
Não estava nos planos fazer um post sobre metas, mas aqui vaí.
Hoje choveu por quase todo o dia. Gosto da chuva porque ela me traz tédio. O tédio, por sua vez, me faz pensar: o que me faz ter um dia bom, um mês ótimo, um ano incrível? A primeira palavra que me vem é tranquilidade. Foi com esse sentimento em mente — e com tudo o que vi de planejamento do ano no YouTube — que tracei as minhas metas para os próximos anos.

Ter a mente tranquila, para mim, envolve vários aspectos (que eu coloquei na Roda da Vida que eu fiz no dia 1º), que precisam estar em equilíbrio. Sendo assim, busquei ter ao menos um objetivo de curto prazo (para 2020) para cada área. Organizar o micro para refletir na composição do meu eu. Minha lista de metas para o ano ficou assim:

1. Equilíbrio emocional: continuar na terapia e voltar a meditar;
2. Saúde e disposição: fazer o Pilates e incluir alguma outra atividade física na rotina;
3. Desenvolvimento intelectual: terminar a pós, definir um projeto de mestrado, aprender mais sobre finanças, voltar a estudar inglês e alemão;
4. Realização e propósito: fazer um bom ano no trabalho, dar aulas de escrita criativa e inspirar pessoas a criarem;
5. Recursos financeiros: comprar apenas o necessário, guardar dinheiro;
6. Projetos: terminar o meu próximo livro, voltar a trabalhar com afinco no Projeto Escrita Criativa;
7. Família: impor limites de modo gentil (eu sei que eu sou bruta);
8. Amor: colocar a cara ao sol (ninguém vai me conhecer se eu continuar enfurnada em casa);
9. Vida social e amigos: quero cuidar mais das minhas amizades porque eu fui muito relapsa com os meus amigos nos últimos dois anos;
10. Hobbies e diversão: ir ao teatro mais vezes, celebrar o meu aniversário, (aprender a) andar de bicicleta;
11. Plenitude: fazer os meus encontros com o artista; equilibrar trabalho e outras áreas da vida;
12. Espiritualidade: meditar, escrever no diário, prestar atenção nas sincronicidades e ouvir a minha voz interior.

O lema para o meu ano é Coragem. Sei que estou repetindo o mesmo de dois anos atrás (dois ou três? Não me lembro), mas me lembrar de ter coragem me ajuda a levantar a cabeça, trazer para 2020 apenas o que for importante e a enfrentar tudo o que for preciso daqui até 31 de dezembro.

Definição de Coragem, do Dicionário Houaiss (clique para ampliar).

E você? Muitas expectativas, planos e trabalho para 2020? Me conta nos comentários! ;)
Beijos e queijos! :*
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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Retrospectiva notável: 44 fatos de 2019

terça-feira, dezembro 31, 2019 14
Eita ano gigante! Não sei como foi por aí, mas aqui parece que foram 2 em 1.
Foto: Aline Codonho.

Oi, pessoal!
Como é tradição, cá estou eu de novo olhando para o ano que se encerra hoje. 2019 foi, sem dúvida alguma, um ano de extremos: picos de felicidade se alternaram com os de raiva, tristeza e desespero. Pensei que não fosse aguentar, estive à beira de um colapso; mas, agora que tudo passou, vejo o quanto tudo isso contribuiu para o meu amadurecimento. A vida ensina de formas que a gente só compreende lá na frente e, por sorte, esse "lá na frente" veio rápido desta vez. 

É engraçado notar que a minha retrospectiva de 2017 começou com um tom parecido com a deste ano. Fico me perguntando se a gente se repete ou se a vida só amplia os ciclos: sofre um pouquinho, aprende, é feliz, sofre um pouco mais, aprofunda o aprendizado, se torna um pouco mais feliz, ad infinitum (ou finitum, já que morremos, não é mesmo?).

Meu best nine é meu e do meu livro.
(Acho que é a primeira vez que tantos closes aparece no meu best nine. Obrigada pelo amor!)


Janeiro

Foto tirada pela Mari, no museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

1. O ano começou comigo me encontrando com a Carol Galhardo, minha amiga de graduação que mora na França. Ela veio para São Paulo e, como fazia um tempo que não nos víamos, foi ótimo matar a saudade, atualizar da vida e estar com alguém que eu quero bem e que me quer bem. 

2. Viagem a Curitiba. Fui para o Paraná com a minha melhor amiga-irmã, a Mari, e apesar de ter sido o verão mais quente dos últimos anos por lá, foi uma delícia conhecer todos aqueles parques, ir ao Hard Rock Café, estar na companhia da minha best friend.

3. Comecei um curso de escrita criativa mediado pela Jéssica Balbino, pela Lâmia Brito e pela Ryane Leão lá no SESC Pinheiros, que foi SENSACIONAL! Valeu muito a pena pensar nas minhas vivências como fonte de escrita e como isso ajuda a curar as feridas internas.

4. Enviei uma newsletter falando sobre Recomeços e autocuidado.

Fevereiro

Girls night out: Day, eu, Boo, Line e Dêssa esperando o Passenger e o Ed Sheeran.
5. Fui de novo ao show do Ed Sheeran com as amigas e nos divertimos muito. Também vi o Passenger, coisa que achava que nunca iria acontecer aqui no Brasil.

6. Comecei um curso online de Narrativas de Viagem, que não terminei, mas pretendo. O curso é bom, mas eu me atrapalhei na minha organização. Quero terminar em 2020 e trazer um pouco da minha produção aqui no blog.

7. Cumpri a meta de renovar (na verdade, é fazer um novo) passaporte. O processo foi pontual, rápido e tranquilo. A retirada aconteceu conforme o previsto, e a organização da Polícia Federal nesse sentido deixa qualquer virginiana pulando de felicidade.

8. Comecei a pós-graduação em Docência em Literatura e Humanidades. Conheci pessoas incríveis no curso e tive um aprofundamento literário bacana. Agora, só falta o TCC, que ficou para 2020 - como já era previsto.

9. Em 26 de fevereiro recebi o e-mail da Editora Penalux, dizendo que o meu livro tinha passado no processo de curadoria da editora e que, portanto, seria publicado. Aquele foi um dia de cão no trabalho, então quase não acreditei quando vi o e-mail na minha caixa de entrada. Comemorei com vários gritos e pulos e vinho com a Carol Vayda.

10. Enviei uma newsletter falando com o tema Incômodos e o que a gente pode aprender com eles.

Março

Camomila apareceu no meu quintal. Aqui ela ainda não era oficialmente minha ainda.
11. O mês começou com um date que deu muito errado mesmo (mas o carra arrumou uma moça muito parecida comigo e saiu com ela depois. Me senti naquele episódio de Friends em que o Ross conhece o Russ, o que foi muito engraçado). Hoje, olho para trás e vejo como: a. fui paciente; b. ainda bem que não foi pra frente, porque a gente não tinha nada a ver. 

12. Fui ao show solo do Passenger e conheci melhor o trabalho do Stu Larsen (que abriu o show dele). Foi em uma casa de shows bem pequenininha e aconchegante. Tanto o Mike quanto o Stu são pessoas fantásticas, e ter ido ao show foi uma das melhores coisas que eu fiz!

13. Assinei o contrato de publicação do livro com a Penalux e comecei a correr com os preparativos do evento que aconteceu em junho.

14. Terminei o mês em outro show, desta vez, do Lenine. Fui com a Lucila Eliazar (do Reticências), com a Carol Vayda e com o Leo Campel (do Ser Curioso). Lá encontrei a Carla (do Faltou Açúcar), muito por acaso. Amei ver a energia do Lenine ao vivo e, sem dúvida alguma, quero ir a mais shows dele outra vez.

15. A Camomila apareceu no meu quintal pela primeira vez. Decidi que arrumaria um dono para ela, mas já sabia de algum modo que essa dona seria eu.

Abril

Line e eu na FLipoços. Estávamos muito blogueiras literárias. 

16. Fui a uma roda de conversa sobre Tolerância Religiosa mediada pelo meu professor da pós, da disciplina de Educação em Direitos Humanos, Silas Fiorotti. Foi bacana compreender como as diversas religiões podem conviver em paz. Lá havia representantes católicos, protestantes e de religiões de matrizes africanas.

17. Fiz uma oficina de poema-objeto na Casa das Rosas que foi muito diferente do que eu esperava que seria, mas igualmente boa.

18. Passei o primeiro final de semana da Flipoços em Poços de Caldas, na companhia da Aline Caixeta (do Recanto da Prosa) cobrindo o evento aqui para o blog

Maio

Line e eu no seguindo fim de semana de Flipoços. A gente trabalha, mas se diverte.
19. Minha volta ao segundo final de semana da Flipoços não estava programada, mas sair dos planos vez ou outra faz bem, sendo assim, voltei. Essa volta produziu vários vídeos para o canal, que você pode ver clicando aqui.

Junho

Eu autografando um dos exemplares do meu livro.
Foto: Bruno Andrade.

20. Atualizei o layout daqui do Algumas Observações como forma de comemorar os 13 anos de existência do blog.

21. Eu lancei o A Intermitência das Coisas em um evento lindo que aconteceu na Casa Elefante. Sem dúvida, esse foi o dia em que mais recebi amor na vida. Foi intenso demais! Algo difícil até de explicar por palavras. Foi importante demais para mim estar com pessoas tão, tão, tão queridas! Só consigo agradecer a todos que me ajudaram ao longo da jornada e à Penalux por ter confiado na minha literatura.

Julho

 Meu A Intermitência das Coisas em Paraty.

22. As férias começaram com um evento sobre poesia realizado na Casa Elefante, chamado Sexta Literária em que falei com mais 4 poetas (Anna Clara de Vitto, Tatiana Eskenazi e Viviane Nogueira) sobre o meu processo literário. A mediação foi da Aline Caixeta. Fez frio naquele dia, mesmo assim a Casa encheu e foi bacana demais. <3

23. 2019 também foi o ano da minha primeira Flip! Fui de última hora, com a Laura, da Editora Incompleta. Foi bacana demais ver o mar, estar com tanta gente bacana, reencontrar amigos, conhecer a Liliane Prata e desvirtualizar a Sté, do Nosso Relicário.

24. Participei do Meu Trampo Plus ministrando uma oficina de escrita criativa chamada "O que eu trago é o que transforma". Parece que eu estava adivinhando quando dei esse nome para a oficina, porque foi um dia muito transformador mesmo. Conheci mulheres maravilhosas e tive a chance de trabalhar com pessoas que admiro muito!

Agosto

Fui ao teatro, baby!

25. Comecei uma oficina de escrita com a Lili Prata e com o Marcelo Ariel, que foi linda demais no mês que eu fui. Tive que parar em meados de setembro, porque a minha vida desandou e a minha cabeça, por consequência. Quero voltar no ano que vem, mas preciso ver como vai ficar a minha agenda. Muitas mudanças estão previstas para 2020 nesse sentido.

26. Em decorrência da oficina, comecei a fazer um Diário de Leitura. Ainda que eu não faça com todos os livros que leio, tem sido uma boa experiência poder registrar com muitos detalhes o que os livros me despertam.

27. 2019 foi o ano que me levou de volta ao teatro! Ai, como eu amo ir ao teatro! Vi a peça Amar, Verbo Intransitivo, baseada no livro do Mário de Andrade - que voltará a entrar em cartaz ano que vem.

28. Comecei o #BEDA, mas não terminei porque minha saúde mental e o meu volume de coisas no trabalho não deixaram. O fim de agosto foi um prenúncio do que seria a barra dos próximos meses.

Setembro

Jessie J maravilhosa, diva, rainha do universo!

29. Os Backstreet Boys disseram que viriam para a América Latina no ano que vem e soltaram que os ingressos seriam vendidos em poucos dias do anúncio. Resultado? Todo mundo sem dinheiro, fazendo contas de conversão do dólar (graças ao bom Deus eles não venderam meet & greet ainda) e se ajudando a comprar (os horários de venda batiam com os horários de trabalho, então já viu). Saí dessa com dois ingressos e um bocadinho de esperança.

30. Meu aniversário, pelo 3º ano consecutivo, foi bem ruim. Então, gostaria de voltar à pequena comemoração que fiz nos meus 30 anos e ficar por lá. Eu estava tão desgastada emocionalmente que nem respondi às felicitações que me fizeram.

31. Foi em meados de setembro, depois do meu aniversário, que eu resolvi que faria alguma atividade física. Primeiro, porque eu vinha me prometendo isso há anos. Segundo, porque eu estava tão no fundo do poço que precisava fazer algo por mim. Quando a minha amiga me chamou para o Pilates, fui fazer a aula teste e me apaixonei. Não vivo mais sem.

32. Setembro terminou com aquilo que eu chamei de "celebração de aniversário", que foi o incrível show da Jessie J. Sabe aquele pontinho de felicidade em meio do caos? Foi isso. A Jessie é uma das pessoas mais maravilhosas que eu já vi em um palco. Vê-la foi como estar em um abraço.

Outubro

Lançamento da Puñado 6: com esse time maravilhoso de mulheres que trabalharam na revista.
33. A minha participação vendendo os meus livros na feira da Mário de Andrade, junto com as escritoras do Clube da Escrita para Mulheres, foi um momento que eu nem sei como descrever. Eu, ali, junto com tantos outros profissionais do livro! Foi demais! :D

34. A Dani Botelho veio para SP e salvou o meu dia dos professores. Foi muito bom poder compartilhar com uma amiga tão querida a bagunça que estava a minha cabeça naquele período.

35. Foi logo na volta do dia dos professores que eu fui agredida por uma aluna. Isso, sem dúvida alguma foi algo que mexeu muito comigo e que me fez repensar muitos pontos da minha carreira. Lidar com o sentimento de dor e de impotência fez com que me questionasse sobre como eu quero lidar com a docência e com a minha carreira de um modo geral.

36. Teve o lançamento da Puñado 6, a revista de Literatura Latino-Americana e Caribenha, cujo o tema é Jornada. Esta edição é a de aniversário e tem dois volumes, 6-A e 6-B. Eu tive a honra de entrevistar a escritora granadina Merle Collins, autora de "Pedrona". A conversa saiu na Puñado 6-B. Quem quiser conhecer mais da revista pode clicar aqui para ir para o site da Incompleta.

Novembro

Primeira foto com a Instax.
37. A Mari veio para São Paulo, e eu passei um dia lindo com ela e com a Ludi, uma amiga que temos em comum, e que eu não via há muito tempo! Foi tão, tão bom!

38. Comprei o meu planner de 2020 com antecedência e me deu um prazer enorme em saber que ele chegaria a tempo do início do ano. Também comprei uma instax - algo que estava na minha lista há tempos! Foi uma Black Friday feliz (mas só a Black Friday mesmo, porque ô mês cheio de perrengue!).

39. Enviei a newsletter que eu mais gostei de ter escrito, sobre as Conexões que fazemos na vida a partir do que absorvemos do mundo. Prometo tentar enviar os próximos textos na mesma qualidade com que esse foi escrito.

Dezembro

Passenger e Stu Larsen: um dos shows mais lindos da vida. 
40. Mudei de área. Minha vontade era a de contar em um post mais detalhado (talvez eu faça isso, caso vocês queiram), mas eu finalmente consegui mudar de área no meu trabalho. Apesar do frio na barriga e do impacto financeiro, estou muito feliz com a minha decisão. A partir de 2020, não serei mais teacher, mas sim professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Negociar e decidir esta mudança consumiu toda a minha energia; contudo, foi importante para o meu bem-estar (físico e psicológico). Então, não vejo a hora de voltar à sala de aula de novo.

41. Fui ao show do Passenger com a Aline. Era para a minha irmã ter ido comigo - seria o nosso primeiro show juntas - mas ela desistiu de última hora. A Line é uma companhia que show maravilhosa! Tanto o Passenger quanto o Stu são dois queridos, e foi ótimo tê-los visto da grade! *_*

42. Me dei férias de verdade. Sempre que eu saio de férias, acabo emendando nos meus projetos pessoais e, por conta disso, fico sem descansar. Entretanto, este ano foi tão pesado emocionalmente falando, que eu resolvi ficar sem fazer nada de importante. Encerrei as atividades no colégio, entreguei a primeira revisão do livro em que estou trabalhando e não fiz mais nada de importante. Preciso respeitar o meu corpo, que já estava dando sinais de pane. 

43. Já há alguns anos eu venho buscando me sentir bem com a minha própria companhia, sem precisar ficar dependendo dos outros. Isso apareceu pela primeira vez de forma clara aqui no blog na retrospectiva do ano passado e, olhando de lá até aqui, vejo o quanto eu consegui evoluir nessa missão. Hoje eu realmente cheguei ao ponto que não me incomoda mais pegar as minhas coisas e dar uma volta sozinha. Pelo o contrário, tenho curtido demais fazer tudo no meu ritmo, ouvindo os meus pensamentos e a minha respiração. Estar presente e me sentir presente: me conhecer. Em tempos de caos (do mundo e da minha cabeça), considero encontrar nesta paz interior a minha vitória.

44. Entreguei o meu último trabalho textual (era uma preparação de um romance) e contabilizei 6 trabalhos ao longo do ano. Fiquei feliz demais por ter conseguido fazer mais desse tipo de freela, porque é algo que além de me dar satisfação, também me faz refletir muito sobre a minha própria escrita. Para saber mais de que tipo de trabalho estou falando, clique aqui.

Best nine da Poesia e da Camomila


Não cumpri a tarefa de acompanhar a política de perto, porque estava me fazendo mal demais ver toda a briga que envolve não só o Brasil, mas os governos ao redor do mundo. Procurei ver o que estava acontecendo com parcimônia para não bagunçar mais o meus estado emocional. Acho que foi uma escolha sábia.

Se você chegou até aqui o post ficou grande, eu sei, me conte como foi o seu 2019 e como você sobreviveu a ele (pode fazer textão nos comentários, eu deixo!).

Beijos, queijos e até 2020!
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sábado, 28 de dezembro de 2019

Retrospectiva literária: lidos em 2019

sábado, dezembro 28, 2019 8
Imagem de Free-Photos por Pixabay.
2019 foi um ano em que eu li um pouco menos de literatura, por conta das leituras técnicas da pós-graduação. Ainda assim, foi um ano muito produtivo, porque as leituras que eu fiz tiveram qualidade. Acho que não fiz uma leitura que fosse considerada ruim, ainda que alguns livros estejam em andamento. 

Abaixo deixo uma lista com nome, autor, editora e resenha (para os que já resenhei):

  1. Úmidas paisagens, vários autores (Editora Penalux).
  2. Love yourself like your life is depending on it, Kamal Ravikant (Publicação independente)
  3. Love your truth, Kamal Ravikant (Publicação independente)
  4. A Intermitêmcia das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, livro escrito por mim e que teve inúmeras leituras antes (e algumas depois) de sua publicação (Editora Penalux)
  5. A utilidade do rascunho, de Tadeu Rodrigues (selo doburro)
  6. Sobre gatos, de Charles Bukowski (L&PM Editores)
  7. Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão, de Hilda Hilst (Companhia das Letras)
  8. Todas as funções de uma cicatriz, de Lâmia Brito (Publicação Independente)
  9. O homem ridículo, de Marcelo Rubens Paiva (Tordesilhas)
  10. Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus (Editora Ática)
  11. Água Indócil, de Anna Clara de Vitto (Editora Urutau)
  12. Redemoinho em dia quente, de Jarid Arraes (Editora Alfaguara)
  13. ABCDelas,de Janaina Tokitaka (Companhia das Letras)
  14. O mundo que habita em nós, de Liliane Prata (Editora Instante)
  15. Ninguém vai lembrar de mim, de Gabriela Soutello (Pólen / Ferina)
  16. Nação crioula, de José Eduardo Agualusa
  17. Contos africanos dos países de língua portuguesa, vários autores (Editora Ática)
  18. Devoção, de Patti Smith (Companhia das Letras)
  19. O ano do macaco, de Patti Smith (Companhia das Letras)
  20. Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém, de Charles Bukowski (Editora 7 letras)

As releituras foram:
  1. Extraordinário, RJ Palácio (Intrínseca)
  2. Tchau, de Lygia Bojunga (Casa Lygia Bojunga)
  3. Laços de Família, de Clarice Lispector (Editora Rocco)

As leituras que estão em andamento são:
  1. Triste Visionário, de Lilia Schwarcz (Companhia das Letras)
  2. Ato, prólogo e epílogo, de Fernanda Montenegro (Companhia das Letras)
  3. Mulheres que correm com os lobos, de Larissa Pinkola Estés (Rocco)
  4. O Caminho do Artista, de Julia Cameron (Sextante)
  5. Escrever sobre escrever, de Claudia Amigo Pino e Roberto Zular (Editora Martins Fontes)

Somam-se à lista acima mais cinco livros que estão em processo de publicação (fiz a leitura crítica e/ou a revisão de textos). Infelizmente ainda não posso contar muito a respeito deles.


Trinta e três livros. Para quem teve um ano tumultuado ao extremo, acho que fiz uma boa marca. E vocês? Acertaram nas leituras, cumpriram as suas metas? Me contem aqui nos comentários!

Beijos e queijos
:*
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domingo, 22 de dezembro de 2019

Pilates

domingo, dezembro 22, 2019 8
Imagem de ArtCoreStudios por Pixabay

Dores nas costas, na região dos ombros, para ser mais precisa. Desde que comecei o Pilates, no final de setembro, tenho observado melhor o meu corpo. Agora, já sei distinguir o que interno, o que é externo e o que vem dos exercícios. 

Na terceira semana de aula, passei a fazer os movimentos com os halteres de dois quilos. Estava indo bem e, depois de um longo tempo, até passei a me encarar no espelho. É engraçado este processo de se redescobrir. Em tempos instagramáveis, estava acostumada a me ver por meio da lente da câmera. Se olhar no espelho é diferente. Sem filtro, a gente precisa de uma alta dose de amor próprio.

Mudei de um para dois quilos e estava animada com o meu progresso, ainda que a complexidade do que era proposto fosse maior para os meus músculos e articulações há tanto tempo sedentários. Insisti. Precisava me dar uma chance.

Então chegou a quarta semana, e tudo mudou de cabeça pra baixo. Vieram as dores: a mental e a física. Quantas pessoas já me disseram que estava próximo do Burnout? Como as relações de trabalho podem ser tóxicas? Até que ponto podemos chegar para realizar os nossos sonhos? Como lidar com as partidas? A dor mental foi fruto de uma crise. Pensamentos que se aceleram na velocidade da luz. Externo, afetando o interno. Interno refletindo no externo. Não teve jeito, tive que voltar para o halter de um quilo. 

Foram mais 3 semanas sofrendo com a dor de carregar a tensão nos ombros. Tentando respeitar o meu ritmo enquanto a vida me atropelava, mais ágil que um trator. Até respirar era difícil. Mas, antes seguir devagar do que parar o barco de vez, não?

Semana passada, fiz um esforço. Mesmo com medo, tomei a decisão que vai mudar a minha vida de rumo. Também comecei a planejar meu 2020. Mesmo com dor, vesti minha roupa de ginástica e encarei o grande espelho da sala. É preciso sentir o ar percorrendo os pulmões. Voltei aos halteres de dois quilos.

Hoje, conversando com uma amiga, chegamos àquela conclusão do quanto não é simples ter uma vida em paz. Pelo o contrário, viver é complexo e desconfortável. É algo que exige uma coragem que eu não sei se eu tenho, mas que não desisto de tentar ter.

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