sábado, 7 de setembro de 2019

37 livros LGBTQIA+ para serem lidos no Brasil e no mundo

sábado, setembro 07, 2019 3
Foto por Jiroe, via Unsplash.

Diante de tudo o que aconteceu no ontem, 06 de setembro, com o prefeito do Rio de Janeiro querendo censurar a venda de uma HQ em uma das maiores feiras literárias do Brasil, porque há na publicação um quadrinho em que dois personagens homens se beijam, eu resolvi trazer aqui para o blog uma lista de 37 livros com personagens/de autores LGBTQIA+ como indicação para quem quiser ler mais ou iniciar esse tipo de leitura.

Como professora, acredito que qualquer governante (brasileiro ou não) deve se preocupar se as crianças e adolescentes têm todas as refeições, atendimento de saúde, áreas de lazer (sem um helicóptero apontando armas para as cabeças delas, como a gente sabe que acontece lá no Rio), e escolas dignas tanto para quem estuda, quanto para quem trabalha nelas. Como escritora e cidadã, repudio qualquer ato de censura e acredito na livre circulação de ideias e pensamentos. Por isso, vejo o quanto a diversidade na literatura e em todas as outras formas de arte é primordial em uma sociedade.

Capa do jornal Folha de São Paulo de 07 de setembro de 2019.

  1. Ninguém nasce heroi, de Eric Novello;
  2. Conectadas, da Clara Alves;
  3. O Pacifista, de John Boyne;
  4. Devassos no Paraíso, de João Silvério Trevisan;
  5. Redemoinho em dia quente, da Jarid Arraes;
  6. Fera, de Brie Spangler; 
  7. Middlesex, de Jeffrey Eugenides;
  8. Todos nós adorávamos caubóis, de Carol Bensimon;
  9. Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo, de Benjamin Alire Sáenz;
  10. Você é minha mãe?, de Alison Bechdel;
  11. Queer, de William S. Burroughs;
  12. Minha querida Sputnik, de Haruki Murakami;
  13. Orlando, de Virginia Woolf;
  14. Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago;
  15. Fabián e o caos, de Pedro Juan Gutiérrez;
  16. O amor dos homens avulsos, de Victor Heringer;
  17. Olívia tem dois papais, de Márcia Leite;
  18. Sergio Y. vai à América, de Alexandre Vidal Porto;
  19. Muchacha, de Laerte Coutinho; 
  20. Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron; 
  21. O ministério da felicidade absoluta, de Arundhati Roy; 
  22. Fedro, de Platão; 
  23. Guadalupe, de Angélica Freitas e Odyr; 
  24. Tash e Tolstói, de Kathryn Orsmbee; 
  25. Supernormal, de Pedro Neschling;
  26. Will & Will, de John Green;
  27. Dois garotos se beijando, de David Levithan;
  28. Todo dia, de David Levithan
  29. Um milhão de finais felizes, de Vitor Martins;
  30. Quinze dias, de Vitor Martins;
  31. Você tem a vida inteira, de Lucas Rocha;
  32. Tudo o que nela brilha e queima, da Ryane Leão;
  33. E se eu fosse puta?, da Amara Moira;
  34. Ninguém vai lembrar de mim, da Gabriela Soutello;
  35. Calígula, do Allan Massie;
  36. Antologia Além do Arco-íris, vários autores;
  37. Antologia Todas as cores de Natal, vários autores.

Conhece mais livros para aumentar esta lista? Então deixe aqui nos comentários. 
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domingo, 1 de setembro de 2019

Miou o BEDA? | BEDA agosto/2019 #28-31

domingo, setembro 01, 2019 6
Voltei! (Foto: Bruna T. Russo)
Bora conversar?

Então, no começo do BEDA eu disse que não sabia se terminaria tudo. E até que, mesmo me perguntando um milhão de vezes por que eu havia me metido nessa de novo, eu consegui levar todos os posts sem atraso. Até que veio a crise de rinite e de enxaqueca e pá, atrasei os últimos posts. 

Se tem uma coisa que eu aprendi ao longo dos anos é que a gente tem que saber quais são os nossos próprios limites. Por isso, eu resolvi aproveitar o pouco tempo livre que tive disponível para ficar deitadinha, no escuro, tomando muita água e tentando me restabelecer. Até que deu certo. Depois de quase quatro dias inteiros, agora estou melhor. Peço desculpas a quem veio aqui todos os dias e eu deixei na mão.

Backstreet Boys durante a DNA Tour. Foto por Justin Segura.

Paralelo a isso, além da agenda cheia e da dor de cabeça, fiquei bem estressada com a quantidade de gente que surgiu do nada para me perguntar sobre a passagem dos Backstreet Boys aqui no Brasil no ano que vem. Por favor, não seja a pessoa que nunca conversa, nunca pergunta como você está e vem falar apenas para perguntar algo cuja informação está a menos de um segundo no google. Isso é extremamente desagradável. Se você está há mais de cinco anos sem falar com uma pessoa, seja ao menos educado e pergunte como vai a vida antes de pedir ajuda. É o mínimo que se pode esperar, não acham?

Setembro chegou por aqui, com suas águas. Eu, além de aliviada (meu sistema respiratório agradece), fico pensativa. Sempre acontece uma retrospectiva mental quando estou próxima a mais um ano novo. Você fica todo nostálgico também?

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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Lojinha do Algumas Observações | BEDA agosto/2019 #27

terça-feira, agosto 27, 2019 6

Acredito que os leitores mais atentos já devam ter percebido que eu abri uma lojinha aqui no blog. A princípio, o objetivo era de vender tanto os meus livros, mas não é que tive algumas ideias no meio do caminho?

Cartão Poético em processo de confecção.

Agora, quem quiser, além das obras literárias, pode adquirir os marcadores do A Intermitência das Coisas e peças de um projeto experimental feito artesanalmente: os Cartões Poéticos. Além disso, em breve, eu também disponibilizarei os Embrulhos Poéticos e mais umas outras ideias que estão morando na minha cabeça. Será bem legal, e eu estou muito empolgada para isso!

Foto: Bruno Andrade.

Então, quem quiser conhecer o meu trabalho e ter um livro ou um texto autografado, dê um pulo na lojinha clicando aqui.

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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

3 canais do YouTube para você chamar de seu! | BEDA agosto/2019 #26

segunda-feira, agosto 26, 2019 5
Foto por John Schnobrich via Unsplash.

No começo do BEDA, eu recomendei 3 podcasts para você chamar de seu. Agora, eu venho aqui para compartilhar 3 canais do YouTube que são os meus queridinhos da vida. Então pegue o balde de pipoca e vamos lá! ;)

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Isa Gateira

Isa Gateira

Quando eu contei como me preparei para a adoção da Poesia, eu mencionei o quanto o canal da Isa Gateira me ajudou a entender o universo dos gatos. Agora, mais de um ano depois de ter as minha bichanas, continuo ligada nas dicas que a Isa traz sobre os felinos. Até hoje, os vídeos dela SEMPRE me salvam de algum modo. Algumas playlists do canal são muito relevantes e vale a pena conferir:
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Casa do Saber

Casa do Saber
O que eu mais gosto do canal da Casa do Saber é que eu consigo relacionar bem as minhas áreas de interesse (Literatura, Filosofia, Psicologia, História e Política) em um único lugar, com fontes confiáveis. Todos que falam lá são especialistas em suas áreas e, ao meu ver, trazem os assuntos de modo muito didático. Abaixo, algumas das minhas playlists preferidas:
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Lilia Schwarcz

Lilia Schwarcz
O canal da Profª Lili é tão maravilhoso e didático quanto os livros dela. É incrível como a Lilia tem a capacidade de esmiuçar temas complexos de forma tão clara. Para quem não sabe, ela é antropóloga, historiadora e escritora. Tenho profunda admiração não só pelos livros, mas pela paciência com que a Lilia usa dados históricos para esclarecer as bobagens ditas por um certo senhor aí... #notmypresident

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E você? O que você tem visto no YouTube? Me conte nos comentários! ;)

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domingo, 25 de agosto de 2019

4 poemas de Paulo Leminski que você precisa conhecer | BEDA agosto/2019 #25

domingo, agosto 25, 2019 1
Paulo Leminski.
Ontem foi aniversário de nascimento do poeta curitibano Paulo Leminski e como ele é um dos meus poetas preferidos nesta vida, resolvi fazer deste sábado e domingo um final de semana leminskiano aqui no Algumas Observações. 

Fala de Paulo Leminski sobre os poetas, publicada na edição 248 da revista Cult.
Se no post de ontem eu abri o meu coração em uma carta, no de hoje eu resolvi separar quatro poemas do autor para que vocês possam conhecê-lo um pouco melhor. Selecionei parte dos meus textos preferidos, então espero que vocês gostem. Os poemas apresentados abaixo estão no livro Toda Poesia, publicado pela Companhia das Letras, entre parenteses seguem as páginas onde estão cada texto.



pareça e desapareça

      Parece que foi ontem.
Tudo parecia alguma coisa.
      O dia parecia noite.
E o vinho parecia rosas.
       Até parece mentira,
tudo parecia alguma coisa.
      O tempo parecia pouco,
e a gente se parecia muito.
      A dor, sobretudo,
parecia prazer.
      Parecer era tudo
que as coisas sabiam fazer.
      O próximo, eu mesmo.
Tão fácil ser semelhante,
      quando eu tinha um espelho
pra me servir de exemplo.
      Mas vice-versa e vide a vida.
Nada se parece com nada.
      A fita não coincide
Com a tragédia encenada.
      Parece que foi ontem.
O resto, as próprias coisas contem.
                                      (página 207)

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     um bom poema
leva anos 
     cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
      seis carregando pedra, 
nove namorando a vizinha,
      sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
     três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
     uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
                                      (página 245)

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ouverture la vie en close

     em latim
"porta" se diz "janua"
     e "janela" se diz "fenestra"

     a palavra "fenestra"
não veio para o português
     mas veio o diminutivo de "janua"
"januela", "portinha"
     que deu nossa "janela"
"fenestra" veio
     mas não como esse ponto da casa
que olha o mundo lá fora,
     de "fenestra", veio "fresta",
o que é coisa bem diversa

     já em inglês
"janela" se diz "window"
      porque por ela entra
o vento ("wind") frio do norte
      a menos que a fechemos
como quem abre
     o grande dicionário etimológico
dos espaços interiores
                                      (página 248)

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Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo 
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui.
                                      (página 356)

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E você? Conhece o trabalho do Leminski? Gosta das produções dele? Me conte nos comentários! Vamos conversar. ;) 

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sábado, 24 de agosto de 2019

Feliz aniversário, Leminski | BEDA agosto/2019 #24

sábado, agosto 24, 2019 0
75 anos de Paulo Leminski. 
"Poesia é um ato de amor entre o poeta e a linguagem".
(Paulo Leminski)

Querido Paulo Leminksi,

Talvez você não saiba, mas você é um dos meus poetas preferidos. Não sei bem como explicar o que me fisgou no seu texto. Já te conhecia de outros carnavais, mas desde que a Companhia das Letras reuniu toda a sua poesia em um único livro, o volume laranja com o bigodão na capa é meu companheiro de cabeceira e de vida. Sendo assim, obrigada, Paulo, por me acompanhar nesta jornada.

Seus versos me ensinaram a ser poeta; mas, sobretudo, me fizeram acreditar que a poesia é para todos. Essa sua obsessão passou também a ser minha. Quebrar esta barreira de que a literatura é algo  apenas para seres iluminados, canônicos e eruditos faz parte da minha jornada como escritora e, sobretudo, como poeta. 

Poesia é música, poesia é necessidade, poesia é comunicação, poesia é inovação e você sempre garantiu e defendeu que fosse assim. A poesia tem a sua profundidade mesmo sendo pop. Há coisa mais legal que isso?

Obrigada pela presença, pela influência, pelos ensinamentos. Obrigada pela companhia, pelas palavras, pelo afago e pelos socos poéticos no estômago. Obrigada por me colocar para pensar, por ser magnífico e por se perpetuar em sua obra. No que depender de mim, muitas pessoas mais entrarão em contato com você.

Feliz aniversário! 

Fernanda
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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

"Amar, verbo intransitivo" no teatro | BEDA agosto/2019 #23

sexta-feira, agosto 23, 2019 2

Se tem uma coisa que eu amo fazer — e que há tempos não colocava em prática — é ir ao teatro. Sendo assim, aproveitei a noite de ontem para correr atrás disso e fui ver o espetáculo Amar, verbo intransitivo que está em cartaz no Teatro Eva Herz (aquele, localizado dentro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional). A montagem é baseada na obra homônima de Mário de Andrade e foi adaptada pela Luciana Carnieli que também atua ao lado do ator Pedro Daher.


É interessante ver tanto o trabalho textual quanto cênico e como eles nos levam a refletir sobre os tempos em que vivemos. Se por um lado temos um Mário de Andrade dizendo que a Fräulein Elza não é fruto de imaginação, que ela apareceu para ele (em um retrato fiel da sociedade da época); por outro, percebemos que não estamos distante desse passado em que as mulheres são objetificadas para servirem ao homem. Carlos era um homem violento que às vezes machucava as mulheres "sem querer". À Fräulein não lhe cabia sonhar não viver o casamento, já que isso é coisa apenas para as mulheres ditas puras.

Além disso, outra coisa que me chamou bastante a atenção (e que, sejamos francos, também não mudou muito ao longo dos tempos) é a questão racial e de classe: sempre que os pais ou a própria Elza pensavam no futuro do Carlos, os anos vindouros eram imaginados em um casamento com uma mulher branca de mesmo nível ou de nível elevado (ditos cultural e economicamente). Na adaptação, vê-se bem como há hipocrisia social nesse sentido também. 

Se vocês tiverem uma noite de quinta-feira livre, recomendo. A peça fica em cartaz até o dia 26 de setembro.

🎭 Peça: Amar, verbo intransitivo
Texto: Mário de Andrade
Adaptação: Luciana Carnieli
Direção: Dagoberto Feliz
Elenco: Luciana Carnieli e Pedro Daher
Contrarregra em cena: Sérgio Marques
Em cartaz: quintas-feiras, às 21h, até 26 de setembro
Duração: 75 minutos
Faixa etária: 12 anos
Local: Teatro Eva Herz SP (Conjunto Nacional)
Av. Paulista, 2073 - 01311-940 Bela Vista - São Paulo/SP
Ingressos: R$50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia entrada)
Compras no site ou na bilheteria:
Terça a Sábado, das 14h às 21h
Domingos e feriados, das 13h às 19h (feriados sujeito a alterações)
Sinopse: A trama narra a história da governanta Fräulein Elza (interpretada pela própria Luciana Carnieli), que é contratada por uma família tradicional paulista nos anos de 1920 para fazer a iniciação amorosa e sexual de Carlos (vivido por Pedro Daher), o primogênito herdeiro. A partir desse encontro, os personagens vivem uma relação amorosa, revelando críticas sociais e comportamentais.


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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Conheça o Meu Trampo Plus: entrevista com a blogueira e influenciadora digital Carol Vayda | BEDA agosto/2019 #22

quinta-feira, agosto 22, 2019 2
Foto por Marvin Meyer via Unsplash.
Quem me segue lá no Instagram viu que, em julho, eu participei como palestrante da primeira edição do projeto Meu Trampo Plus. Esta experiência para mim foi incrível; mas, mais do que ouvir de mim, eu queria que vocês conhecessem o projeto da sua idealizadora. Sendo assim, convidei a Carol Vayda para uma entrevista aqui no blog. Vamos saber mais?

Meu Trampo +.

Algumas Observações: Gostaria que você contasse um pouco do que é o Meu Trampo Plus e de onde surgiu a ideia de criar um evento como esse.
Carol Vayda: O Meu Trampo Plus surgiu da minha necessidade, como blogueira, de fazer algo além de postar looks do dia. Durante uma treinamento com outros influenciadores, vi que pauta maior ainda era autoestima, looks do dia, se olhar no espelho e se sentir bonita… não existia uma conversa sobre a gordofobia corporativa que, imagino, boa parte daquelas pessoas sofriam ou sofreram em algum momento da vida e também não se davam conta. Semanas depois resolvi fazer uma enquete em meus stories sobre o tema e vi que não poderia não falar sobre isso e não fazer alguma coisa.
O projeto tem como objetivo qualificar e mostrar novas perspectivas profissionais para pessoas gordas. A princípio com cursos e vivências e, com o tempo, auxiliando em colocações em vagas de trabalho.

AO: Nesse sentido, como a sua experiência como gorda e sua trajetória pessoal de vida influenciam no trabalho que você desenvolve seja no Meu Trampo Plus, seja como influenciadora digital?
CV: Ser gorda pra mim sempre foi um problema, e só consegui entender que não havia nada de errado em não ser magra depois de muito lutar contra a balança e apoiar discursos gordofóbicos. Sempre vivi na pele a gordofobia, pressão estética e todo o tipo de discriminação com o meu peso e fiquei quieta - tanto que tudo isso me renderam crises de pânico e ansiedade. Com o tempo (e com muita informação) consegui me enxergar como uma mulher capaz, linda, inteligente E gorda. Foi a informação que me trouxe para a luz. Hoje, como criadora de conteúdo digital, tenho o poder de levar conhecimento e compartilhar experiências para pessoas que talvez ainda estejam nas trevas. O Meu Trampo Plus nasceu para criar conexões e também ser um catalisador de experiências e criador de conexões, levando informação, bem estar e segurança para as pessoas gordas.

Registro de parte da minha oficina, em um momento de significação do eu no grupo.

AO: Você considera o seu trabalho na internet é voltado apenas às pessoas gordas? Por quê?
CV: Mais ou menos. Obviamente que o meu alcance entre pessoas gordas é maior, por enfrentarmos as mesmas dificuldades, mas cada dia mais tenho alcançado pessoas que não são gordas. Recentemente uma amiga me contou que estava compartilhando meu conteúdo com grupos de pessoas magras e que eles começaram a conversar sobre como a sociedade odeia a pessoa gorda. Isso pra mim foi mágico - além de uma grande prova de amizade. Angela Davis disse que “não basta não ser racista, devemos ser antirracistas”, acredito que este posicionamento de encaixa para qualquer tipo de discriminação.

Palestrantes da primeira edição do Meu Trampo+.
Da esquerda para direita: Jennifer Nascimento, Bia Lombardi, eu, Carol Vayda, Gabi Menezes e Mari Clamarroca

AO: Voltando a falar especificamente do Meu Trampo Plus, como foi o processo de escolha dos parceiros do projeto?
CV: Ahhhh minhas parceiras <3
Primeiramente, a escolha das palestrantes foi pensando no conteúdo que gostaria que os participantes tivessem acesso. Mas, no fundo, a escolha foi por posicionamento perante as causas das minorias. Queria muito que o time fosse composto de pessoas que fossem bem sucedidas em suas atividades profissionais, referências, além de apaixonadas por pessoas. Não poderia ter sido tão certeira! 
O conteúdo das palestras se complementaram, criaram um ambiente acolhedor e ainda proporcionou experiências individuais nas participantes. Isso foi incrível! 


AO: E como foi a escolha dos participantes? Teve algum critério em específico?
CV: Definitivamente foi a parte mais difícil do processo! 
Tive que ser prática e, primeiramente, considerar quem morava menos longe do local do evento. Com isso, dividi as vagas de forma que conseguisse atender pessoas negras, mães-solo, pessoas LGBTQI+, pessoas com e sem experiência profissional e, também, priorizar quem não estava trabalhando. O mais lindo deste processo foi ver que 100% das inscrições foram feitas por mulheres! 

AO: Quais são os próximos passos do Meu Trampo Plus? 
CV: Dominar o mundo, óbvio! hahahha
A primeira turma ainda não encerrou, temos mais três encontros entre a nossa psicóloga e nossas participantes. Mas, a próxima edição já está no forno e em breve abriremos turmas! 

AO: E quais são os seus outros projetos futuros?
CV: Até o final do ano, esperamos abrir turmas para empreendedores, profissionais de áreas pontuais e cursos pagos - para conseguir atender, também, quem está trabalhando e pode investir uma graninha na sua carreira. Agora, para o ano que vem, estamos sonhando com algumas parcerias com RH e, quem sabe um podcast sobre carreiras...

AO: O que você, como pessoa gorda, gostaria que a sociedade entendesse de uma vez por todas?
CV: Que ser gordo não é um problema e ponto. Ser gordo não significa ser doente, preguiçoso, esfomeado e coitado. Ser gordo é apenas uma característica física como ser magro, por exemplo.

Palestrantes e participantes da primeira edição do Meu Trampo Plus.

AO: Quem quiser conhecer mais do seu trabalho como influenciadora digital e o que você desenvolve no Meu Trampo Plus pode te acompanhar de qual forma?
CV: Quem quiser acompanhar de perto o projeto, basta nos seguir no instagram.com/meutrampoplus que tudo acontece primeiro por lá. Agora, quem quiser falar sobre amor próprio, autoestima, rolêzinhos plus size e moda, pode me seguir no instagram.com/carolvayda e acessar o www.carolvayda.com.br

AO: Por fim, mas não menos importante, deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
CV: Comecem suas próprias revoluções! Fazer o que a gente ama é o maior ato transformação e rebeldia que podemos praticar! Acreditem naquilo que te faz bem que o mundo vai começar a girar a seu favor! <3

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

{Fotografia} Pausa para respirar | BEDA agosto/2019 #21

quarta-feira, agosto 21, 2019 0
Vista do mirante do SESC Paulista, São Paulo, Brasil.
Às vezes, tudo o que a gente precisa é parar, respirar e perceber como estamos inseridos no mundo que nos rodeia. Esse momento de estar presente é, a meu ver, uma das formas fundamentais para não enlouquecer em meio a tantas notícias ruins. Por isso, trouxe uma pausa para que possamos, juntos, apreciar a vista sem moderação.

Meus pés no metrô de São Paulo, Brasil.

Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil.

Avenida Paulista, São Paulo, Brasil.

Biblioteca Monteiro Lobato, em São Paulo, Brasil.

Por onde os seus pés têm te levado?

PS: Pensei em retomar a ideia de postar mais das minhas fotografias aleatórias por aqui, o que vocês acham da ideia?

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terça-feira, 20 de agosto de 2019

{Vou por aí} Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba | BEDA agosto/2019 #20

terça-feira, agosto 20, 2019 2
Museu Oscar Niemeyer.
Um dos passeios interessantíssimos que eu fiz quando estive em Curitiba foi a visita ao Museu Oscar Niemeyer (MON), conhecido popularmente como Museu do Olho.

Museu visto de fora. Foto Mari Malfacini.

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o MON abriga cerca de 7 mil obras de peças nas áreas das artes visuais, da arquitetura e do design, elaboradas por nomes importantes como Alfredo Andersen, João Turin, Theodoro De Bona, Miguel Bakun, Guido Viaro, Helena Wong, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Ianelli, Caribé, Tomie Ohtake, Andy Warhol, Di Cavalcanti, Francisco Brennand, entre outros.

Vista panorâmica de um dos espaços de exposição. Clique sobre a imagem para ampliá-la.
Maquete da Catedral Metropolitana de Brasilia, também projetada pelo Oscar Niemeyer.

Quem conhece as obras do Niemeyer sabe que ele era o arquiteto que gostava de contrastar retas e curvas. Este conceito não deixa de estar presente no museu que leva o seu nome. Lá, tudo foi pensado seguindo esses parâmetros.

Conversa de arquiteto. Texto de Oscar Niemeyer no museu que leva o nome dele.


Eu fique bastante impressionada com a variedade das instalações e com a organização espacial/arquitetônica do local. O prédio principal contém vários andares interligados por rampas e elevadores. Já o anexo (Olho), tem 30 metros de altura e é composto por quatro pavimentos. O acesso ao Olho é feito por um corredor no subterrâneo do museu. Além da área que abriga as exposições, o museu também tem uma loja de souvenirs e um café.

Túnel de acesso ao prédio anexo (Olho) do museu.
Sessão: Artistas do nosso acervo. Foto: Mari Malfacini.
Artistas do nosso museu. Foto: Mari Malfacini.

Foto: Mari Malfacini.

Lembrando também que o MON possui guada-volumes. Então é possível você turistar pela cidade e passar pelo museu sem ficar carregando bolsas e mochilas.

Museu Oscar Niemeyer

Endereço: Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cí́vico / CEP 80530-230 – Curitiba/PR
Telefone: 55 41 3350-4400
Funcionamento: de Terça a Domingo das 10h às 18h (acesso às salas até às 17h30)
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia-entrada para professores e estudantes com identificação; doadores de sangue; pessoas com deficiência; titulares da ID Jovem; portadores de câncer com documento comprovatório). Vendas na bilheteria ou clicando aqui.
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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Há de ser gentil | BEDA agosto/2019 #19

segunda-feira, agosto 19, 2019 3
Foto por Greg Rakozy via Unsplash.
Em um mundo tão hostil,
em que você não conhece
quem mora ao lado,
onde tudo se torna um grande pecado,
Há de ser gentil.

Quando a polícia mata mais do que protege,
quando o padre e o pastor agem como hereges,
quando a política virou sinônimo de balbúrdia
e os órgãos públicos, lugar de corrupção,
há de ser gentil.

Quando a floresta mais é derrubada do que renovada,
quando a arte é desvalorizada,
há de ser gentil.

Porque amar é resistir,
criar é resistir,
dialogar é resistir.

Resistir nas gentilezas
também é uma forma de guerrear.

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domingo, 18 de agosto de 2019

Ultimamente têm passado muitos anos | BEDA agosto/2019 #18

domingo, agosto 18, 2019 2
Rubem Braga. Imagem: Reprodução

Caro Rubem,
desculpe-me por dispensar as formalidades e não chamá-lo de Sr. Braga. Como compartilhamos do mesmo olhar de cronista, tomo a liberdade de tratá-lo pelo primeiro nome.

Tenho 32 anos e, ao contrário do poeta, os meus ombros não suportam o mundo. A humanidade pesa. Ela pesa em um grau que, às vezes, me faz desejar passar horas deitada em posição fetal, rogando um final feliz a todos nós (rogando a um Deus que hoje eu não tenho certeza que existe).

Assim como tomei a intimidade de chamá-lo de Rubem, roubo o título da sua crônica. Como  pode o tempo passar tão depressa? Não sei quanto a você, mas vejo a grande mão da velocidade me pressionar contra a parede. Isso me envelhece, velho Braga. Isso faz de mim uma anciã.

No final do ano passado, encontrei o primeiro fio branco, deslocado em meio à farta cabeleira. O golpe me desequilibrou e foi difícil focar no espelho. A genética aparenta que eu puxei à família do meu pai; contudo, a brancura dos meus cabelos desabrochou antes da do meu patriarca. Como lidar?

Aliás, Rubem, como lidar? Como lidar com a velhice turbulenta, que vê crianças sendo assassinadas nas escolas, políticos se autoexilando por terem um ponto de vista diferente, governantes jogando a segurança nas responsabilidades dos civis? Como você lidava, caro Braga, com o caos?

Sinto falta dos passarinhos, de sentar e observar o ir e vir sem ficar sabendo de uma barbaridade nova a cada minuto. Ultimamente têm passado muitos anos e eles não são felizes. Sinto que está a cada dia mais difícil conviver.

Há como cultivar a esperança?

Para ler o texto do Rubem Braga de onde roubei o título desta crônica, clique aqui.
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sábado, 17 de agosto de 2019

{Receita} Batata assada no forno | BEDA agosto/2019 #17

sábado, agosto 17, 2019 1

Quem é louco por batata pode se juntar a mim! ♥

Esta receita é para aquele dia em que você quer comer algo diferente, mas não está com muita paciência para cozinhar. Sabe aquela receita que além de não dar trabalho, não deixa muita louça para lavar? Então, o post de hoje é desse tipo. Vamos lá?

Ingredientes:
  • 1/2 quilo de batatas;
  • Sal a gosto;
  • Orégano a gosto;
  • Alecrim a gosto.
  • Azeite de oliva extra virgem.

Modo de fazer:
  1. Corte as batatas em rodelas de espessura mediana e coloque-as em uma tigela;
  2. Jogue por cima bastante azeite. A ideia é que as batatas fiquem envoltas por ele;
  3. Em seguida, coloque um pouco de sal, o orégano e o alecrim. Misture bem;
  4. Espalhe as batatas em uma forma e leve ao forno pré-aquecido;
  5. Deixe em assar por meia hora em temperatura média.

Observação:
Há a possibilidade de substituir o forno por uma panela elétrica. Neste caso, costumo deixar por cerca de 15 minutos na temperatura de 200ºC. 

Bom apetite!
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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Recitação: Não quero | BEDA agosto/2019 #16

sexta-feira, agosto 16, 2019 1
Foto: Bruno Andrade.
O post de hoje é para compartilhar o vídeo feito pela Michelle Cruz, do blog Misttura Criativa. Ela tem uma coluna no blog dela em que declama vários textos e um dos escolhidos foi o "Não quero", do meu livro A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos (Editora Penalux, 2019).

Deixo abaixo o vídeo, para que vocês confiram esta lindeza!



💻 Quer acessar o blog da Michelle? Clique aqui.
📖 Para comprar o A Intermitência das Coisas, acesse aqui.

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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Vastidão | BEDA agosto/2019 #15

quinta-feira, agosto 15, 2019 8
Em Curitiba, Paraná.
A história que passa na sua cabeça, de eu ser sempre feliz e autoconfiante, essa não é a história da minha vida.

A história da nerd que sempre sabe tudo, que sempre tem uma resposta pronta, que sempre tira nota 10, essa não é a história da minha vida.

Também não faz parte da minha vida ter sido cortejada, ter tido muitos namorados, caras a rodo para beijar. Nunca fui a preferida. De longe, essa não é a história da minha vida. 

Não faz parte da minha narrativa o corpo esguio, o cabelo loiro e liso, os olhos azuis. Esse não é o biotipo da minha vida.

A profissão de prestígio, de riqueza, de luxo? Não foi essa a que escolhi.

Faz parte da minha vida me rasgar por inteiro, me converter em palavras. Faz parte da minha vida construir o futuro e apoiar sonhos. Faz parte da minha essência olhar para fora e olhar para dentro.  Faz parte querer viagens, não filhos. É inteiro querer afeto, não fachada. Vivenciar o profundo que habita no coração.

O sentir é essencial na minha vida.
O ser é inerente na minha vida.
O pulsar é a sinfonia que me move.

O meu caminho pode até ser tortuoso, cheio de marcas. 
A minha história, contudo, é Humana. 

(E ainda bem.)

O tema da blogagem coletiva de agosto de 2019 é: Não é história da minha vida.
Para saber mais sobre o Projeto Escrita Criativa, clique aqui.

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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

{Resenha} Água Indócil, de Anna Clara de Vitto | BEDA agosto/2019 #14

quarta-feira, agosto 14, 2019 1
Anna Clara de Vitto e o seu Água Indócil, no dia do lançamento da obra.
Imagem: blog da autora.

Água Indócil é o livro de estreia da escritora santista Anna Clara de Vitto e traz à tona uma poesia que, assim como o mar revolto, traga o leitor para dentro de seus versos de forma arrebatadora. 

A obra está dividida em três partes: Águas Abrigadas, Ressaca e Vento Noroeste. Nas águas abrigadas, vi muito da formação da personalidade da poeta. Desde menina, até a fase adulta: todas as experiências que lhe permearam a construção de quem esse eu-lírico é atualmente. 

"o mar cerrou as portas"
(Verso do poema "Primeiras palavras" / página 20).

Vemos ali a formação da poeta como fruto do autoconhecimento; que, por sua vez, resulta da absorção do externo para um mergulho interno. Como se o mar só fosse reabrir as portas quando o eu-lírico se redescobrisse. Nessa busca por uma identidade, é possível que o leitor se depare com temas bem atuais, a exemplo da procura pela felicidade em tempos de liquidez. De certo modo, poeta leitor e mundo fundem-se em atitudes cotidianas, conforme traduz o poema "Arrebentação" (página 22):

"procuro inutilmente
na fotografia recém tirada
um pedaço de felicidade
sobrevivente"


Ainda nas águas abrigadas a poeta demonstra a destreza que tem ao manejar a língua, ao escrever o poema "coronel Agenor de Camargo, 314". Ali, o trabalho com a mistura de gêneros desloca o leitor para a cena e a torna tão contundente para ele quanto é para o eu-lírico que a vive.


Com a Clarinha. Foto do dia do lançamento do Água Indócil

A maior parte dos meus poemas preferidos estão no segundo trecho, a Ressaca. É no miolo da obra em que vemos a imigrante, aquela que vem à capital e traz o mar consigo. Nesse bloco, vemos o lado de alguém que vive o não-lugar, que se adéqua sem se adequar: a rotina do metrô, a frieza das construções, as relações que não se relacionam.

"não foi possível evitar os desastres
com as pontas dos dedos
apago teus restos
entre as minhas pernas"

(Poema "Cidade sitiada" / página 57)

Segundo a própria autora, o vento noroeste é um vento que traz muitos desconfortos aos santistas. Sendo assim, cabe a última parte do livro falar sobre temas mais incômodos à poeta, de protestos. É ali que toda a ira desse eu-lírico vem à tona, nos provoca, nos tira do nosso lugar de conforto.

"parto porque é precisoparir"(Poema "par(t)ida III" / página 84)
Ler o Água Indócil é ganhar novas perspectivas do que é a poesia e do que é ser mulher. Como toda vista do mar, passamos do tranquilo ao arrebatador em fração de segundos e é esta força que é bela.

Livro: Água Indócil
Editora: Urutau
Páginas: 98
Apresentação: Como o mar, as imagens destes poemas são ondas que molham nossos olhos de nostalgia, água salgada que enche nossas bocas. São ondas rebeldes que ameaçam destruir todas as estruturas. Poemas que nossos corpos suportam porque conhecemos as pancadas. Anna Clara de Vitto não escreve águas fáceis e doces. Memória e morte dialogam com uma menina e com uma mulher que trocam olhares compreensivos. Sabem uma da outra. Contam histórias difíceis, mas que na estética e no toque de Anna Clara de Vitto revelam uma grande beleza. Neste livro, afogar-se e naufragar é desejável. Não há razão para temer. O momento de voltar a superfície chega. E com ele, a resiliência. Poemas políticos, punhos fechados de mulher. Escrita ferina. Então, toda a trajetória se fecha perfeitamente em uma obra coesa. Anna Clara de Vitto tem um trabalho excelente. Está a frente do Clube da Escrita Para Mulheres, coordenando exercícios de escrita que incluem centenas de mulheres que escrevem ou desejam começar a escrever. Sabe como transformar pequenas palavras em grandes universos imagéticos. Sua estética poética comprova: cada um de seus poemas é exatamente o que precisa ser. Água indócil prova muitos pontos. Entre eles, o de que toda lembrança, assim como toda dor, se lava. E vira luta. (Jarid Arraes)


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Algumas Observações | Ano 13 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.