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sexta-feira, 6 de março de 2026

6 on 6: trilha de cor: azul

sexta-feira, março 06, 2026 16


O tema do nosso segundo 6 on 6 é trilha de cor: azul, o que eu AMEI. Apesar de a minha cor preferida ser verde, eu também amo demais o azul e seus diferentes tons. Então eu fui atrás do que é azul na minha vida e o resultado foi este: 

Quais são os lugares em que resolvemos embarcar?
Pensar nos bilhetes que resolvemos comprar na vida — trabalho, família, amizades, relações amorosas — e os lugares em que embarcamos para bancar essas relações tem sido recorrente por aqui. Amizades que terminaram e que começaram. Reciprocidade. Como essas pessoas nos fazem se sentir? 

Em português, azul é uma cor tranquila, transcendente. Em espanhol, o azul é associado ao amor idealizado: el príncipe azul é o nosso príncipe encantado. Em inglês, to feel blue significa estar triste, para baixo. 

Tenho pensado nas relações, em como elas me fazem me sentir. Todas que acabaram tinham um padrão de me deixar não só pra baixo, mas também ansiosa e com um sentimento de inadequação (nada do que eu fizesse seria suficiente para sustentar tais trocas). Todas as que começaram me trouxeram o sentimento oposto.

É clichê, mas é verdade: a vida é como uma linha de metrô: tem final, tem começo, tem paradas. Podemos ir e voltar, mas não temos o poder de comprar o bilhete pelo outro de forçá-los a vir conosco. Não seria justo também. Às vezes nós precisamos mudar de rota. Às vezes o outro precisa seguir outro caminho.

Quais são os lugares em que podemos esperar?
Às vezes eu acho que a vida nos coloca num banco de espera até que estejamos prontos para o próximo passo. Este estar pronto pode ser em termos de energia física, emocional, mental; pode ser por falta de uma informação, de recursos, de dinheiro, de conexões. A gente espera até que estejamos recuperados para seguir em frente. 

Sigamos!

Com o que ou com quem nós nos combinamos?
Acho bonito quando algo feito pelo homem combina com a natureza. Poder enxergar isso no meu caminho é uma sincronicidade que me mostra o quanto podemos ter uma simbiose respeitosa. Ando com os pés no chão e com o olhar no alto. Os ladrilhos no mesmo tom do céu me fizeram sorrir. Sorrir de um jeito nunca pensado, porque o olhar viciado em olhar sempre pro chão encontrou beleza nas nuvens. É possível que elementos distintos caminhem juntos.

Por quais caminhos nos derramamos?
Quando eu vi que o tema deste 6 on 6 seria "trilha de cor: azul", eu prometi a mim mesma que fugiria do clichê de fotografar o céu. Não sei por quais motivos, mas temos a tendência de fazermos algumas promessas que são impossíveis. Voltava pra casa do meu encontro com o artista, quando ouvi uma mãe dizendo a um filho do outro lado da rua: "Olha, está chovendo só um pedaço. Você consegue ver?". Automaticamente, me virei para a direção que ela apontava e vi a enorme nuvem (provavelmente, uma Cumulonimbus), escolhendo se derramar apenas à direita do nosso caminho, afinal, para que a pressa? Para que se espraiar toda de uma vez? Fiz a foto e fiquei pensando nisso: em quais lugares eu me derramo? Quais promessas eu faço e ouço que são inevitáveis de serem quebradas? 

O que há no meio do caminho?
Caminho pelo meu bairro e reparo neste canteiro cheio de flores num limbo entre o azul e o lilás. Penso que elas dão aos montes e que justamente por isso há muita gente que não repara em suas delicadezas, em suas necessidades, em suas vidas. Sempre em pequenos ramalhetes, todas juntas — amigas que florescem no verão. Passo por elas na ida: o sol de rachar deixam suas pétalas e folhas caidinhas, implorando por refresco. Passo por elas na volta: a chuva veio e fez festa em seu corpo frágil. Elas não estão mais murchas e parecem, de algum modo, felizes. Olho para os lados, tiro o celular da bolsa, faço uma única foto e agradeço por serem tão fotogênicas. Só depois, sigo o meu caminho. As plantas me ensinam a paciência da espera por um refresco. Às vezes, parece que a vida não dá tréguas, mas a verdade é que ela sempre encontrar o seu caminho. Enquanto tudo não se faz claro, seguimos no limbo azul-lilás-calorento do verão.

Qual é a nossa saída?
Em um mundo tão caótico e violento, fico me perguntando qual é a nossa saída enquanto humanidade? Historiadores dizem que o mundo é caos e miséria desde seus princípios, mas tento manter dentro de mim um lado sonhador que busca por alternativas. Talvez a resposta que eu tenha para dar more nos roteiros mais complexos e mais humanos: Educação e Arte. Sempre acreditei nas escolas, nas universidades, nos museus, nas bibliotecas como espaços em que aprendemos e buscamos respostas para as nossas dores. Sempre vi na Arte a nossa tábua de salvação. Agora, em que o mundo parece que está diante de um clique, em que tudo virou um prompt em alguma inteligência artificial, serão a educação e a arte que nos salvarão. Elas farão isso não porque nos darão as respostas que tanto buscamos, mas porque o processo de aprender, de fazer arte e de entrar em contato com essas formas de conhecimento nos manterão humanos. O processo. Justamente a parte mais difícil, que mais leva tempo, que mais as máquinas querem nos roubar. Educação e Arte, as nossas saídas para fora de uma rota de autodestruição.

💙💙💙

Quando todos os outros participantes e eu estávamos discutindo qual seria o tema do 6 on 6 de fevereiro, eu não imaginei que pensar na cor azul fosse me trazer tantas reflexões existencialistas pelo caminho. Sempre achei curioso o fato de haver pessoas (sinestésicas) que veem e associam cores a exatamente tudo de um jeito que não é tido como o "comum". Logo, imaginei que encontraria cores pelo caminho e apenas soltaria fotos aqui. Ledo engando. A arte me levou por um caminho totalmente inesperado, se comparado ao primeiro mês fotografado. (Inclusive, devo dizer que eu tinha planejado duas fotos quando pensamos no tema e acabei não fazendo nenhuma das duas. Olha só que ironia!)

Quando vocês se dispõem a produzir alguma forma de arte baseada em um tema, como isso funciona pra vocês? É um processo planejado ou espontâneo? Me conta nos comentários?

📷📷📷

Equipamento usado no post:

As fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:


Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: ReticênciasSweet LulyInventando assuntoCamila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷


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quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Beleza

quarta-feira, agosto 16, 2023 6
Foto feita por mim. Para ver mais delas, clique aqui.


Flores são lembradas como natureza em expansão. Buquês, como amor e casamento. Coroas, como homenagem aos mortos. Flores secas envelhecem no tempo, na delicadeza e na distância: se esfarelam sem motivos grandiosos. Chegar à adolescência é tido como florescer. Há flores com espinhos. Há as carnívoras, armadilhas mortais aos mosquitos. Flores doces, cheirosas todo tempo. Flores que só se perfumam à noite. (A maior flor do mundo é fedida.) Floradas longas ou breves. Ipês colorem as ruas. A flor de cerejeira é símbolo do Japão. São Paulo tem a Casa das Rosas. Nasci na primavera porque minha mãe me pariu no Hemisfério Sul. Vinícius escreveu "A rosa de Hiroshima". Clarice descreveu os encantos do Jardim Botânico em um conto chamado "Amor". 

Elenco ideias. 

Quero escrever algo leve e bonito, mas como escrever algo leve e bonito quando as mazelas do mundo me atingem em cheio?

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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Invariável quando existir

quarta-feira, abril 19, 2023 4

Foto de Javier Allegue Barros, via Unsplash.

Haver é um verbo vindo do ventre da esperança que se questiona sobre o infinito expandido na minúcia particular. O que há de vir vai realmente chegar em forma de matéria ou de sorriso?

Haver verte o eco sonoro sincero de quem equilibra pureza e esperança como quem engole as lágrimas do medo para seguir em frente. Adiante, diante do mundo.

Haver é veste da deusa tríplice: Hécate poderosa que tem em si a donzela, a mãe e a anciã, que há e que por haver basta.

Haver é direto, transitando intransferível. Cena tragicômica de quem sente que é transporte de um coração que bate.



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domingo, 25 de setembro de 2022

Avesso

domingo, setembro 25, 2022 2
Nebulosa. Foto por NASA, via Unsplash.


hoje o dia nasceu estranho, 
rastejando,
confinado.
hoje o dia nasceu querendo não nascer.

faz sol,
mas as horas anseiam por retornar ao útero,
ventre cósmico em que tudo é silêncio-semente.

hoje o dia nasceu de parto a fórceps:
obrigado,
compelido a se arrastar.

e arrastado segue arrastando tudo por onde passa.
e arrastando tudo, o dia desnasce.

hoje o dia não nasceu:
ele se despediu tragado na escuridão.

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terça-feira, 15 de março de 2022

Social

terça-feira, março 15, 2022 8
Foto por Jeremy Bezanger, via Unsplash.



algoritmos substituem casualidade 
direita, sim. esquerda, não. 
a escolha perfeita no cardápio 
é possível ser conquistado por alguém sem link na bio? 

casualidades substituem o espontâneo ao rolar tela infinitamente
diversas possibilidades:
americano com latina, brasileira com francês, italianos e britânicos. 
dancinhas e declarações de amor são verdadeiras?

carros substituem passos
não há mais conversa fiada no elevador. 
Morreram o “Bom dia” e o “Tá calor... Acho que vai chover” 
A mudez do acaso habita apenas a esquina?

Caminhos se cruzam 
cada vez mais distantes, 
amparados por telas e sedentos por abraços 
que não dão engajamento.





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quinta-feira, 3 de março de 2022

Vazio

quinta-feira, março 03, 2022 6
Foto por James Lee, via Unsplash.


homens de terno regem o mundo. 
homens de farda bombardeiam o mundo.

nesta esfera flutuante no universo, há este ponto que respira e anda e come e dorme e pensa e escreve e ama e sente medo. é impossível não sentir medo, enquanto há morte e destruição.

pensar numa saída? como?

de tempos em tempos, meus olhos cravados no céu desejam sonhar. há amplitude na poesia ruidosa. é possível que a paz um dia, como por um milagre, abrace a Terra? sou piegas — sempre fui — mas o que posso fazer diante da minha pequenez?

homens de terno regem o mundo.
homens de farda bombardeiam o mundo.
eles todos sufocam a minha esperança.


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domingo, 7 de fevereiro de 2021

Descobertas recentes

domingo, fevereiro 07, 2021 20
Foto por Saad Chaudhry , via Unsplash.


Dente de leão é uma das minhas flores preferidas.
A escrita flui na madrugada.
É mais fácil escrever poesia
— ela faz parte de mim.
É bom limpar a casa quando a cabeça está sem foco.
O pôr do sol é o meu ponto zero.
Sinto saudades de ver o Lenine ao vivo.
Compartilho da mesma personalidade de um dos Obama.
Andar na rua
— com sol ou com chuva —
é motivo para me sentir grata.
Gosto das imperfeições das polaroides que não deram certo.
Alguns áudios no WhatsApp são mais importantes do que outros.
Posso ser doce quando me apaixono.
O amor é complexo, mas não é complicado (e se for, não é amor).
É importante compartilhar com quem vibra pelas minhas conquistas.
Pegar na mão é uma das declarações de amor mais grandiosas que alguém pode dar ao outro.
Multiplicidades se formam na minha cabeça.
Às vezes, preciso inspirar em 3 e expirar em 6.
Às vezes, preciso de silêncio para aplacar a raiva.
Às vezes, preciso organizar o trânsito dos pensamentos que se atropelam.
É necessário transbordar,
para fazer o monólogo interior sair de mim.
Para parar de imaginar o pior.

Aproveitar os silêncios é mais do que importante,
é compaixão.
Comunicar é mais do que importante,
é sobrevivência.
Permaneço viva a cada dia
e me orgulho da minha jornada.

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sábado, 17 de outubro de 2020

O que há do ser?

sábado, outubro 17, 2020 6
Da viagem a Brasília, em 2017.


— O que é ser mulher hoje? — Uma professora me pergunta do outro lado da tela. Ela sorri com toda a sua vivacidade e juventude. 

— O que é ser mulher hoje? — Me pergunto, enquanto meus neurônios tentam raciocinar e achar uma lógica para algo que deve ser dito em uma fração de segundos. As palavras “luta”, “resistência”, “força”, “voz” e “fragilidade” brotam das bocas de outros colegas. Eu, submersa em mim mesma, tento regressar à superfície. 

Será que eu posso ser eu mesma? Com a minha pele negra, meu ar astuto de quem tem curiosidade sobre a vida, com a minha nacionalidade que convive a desigualdade todos os dias, será que eu posso ser eu mesma? Posso trazer à tona o que há dentro de mim? 

Olho rapidamente as anotações em meu caderno. Leio “a arte transforma”, “o conhecimento liberta”. Acabo escrevendo no chat que “ser mulher é lutar para ser o que se quer ser, não o que as pessoas querem que as mulheres sejam”. No fundo, todas nós travamos as nossas lutas diárias pela sobrevivência, por fazer aquilo que acredita. 

Mais uma vez me pergunto se posso trazer à tona o que há dentro de mim. Penso nas minhas ancestrais e nas minhas contemporâneas. Essas mulheres me dão forças para seguir em frente. Se há um front, seguimos juntas.

O tema da blogagem coletiva de outubro de 2020 é: Dentro de mim.
Para saber mais sobre o Projeto Escrita Criativa, clique aqui.

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