domingo, 16 de agosto de 2026

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a escritora Nathália Pureza

Conheça o trabalho da escritora Nathália Pureza.

No post de hoje eu trago uma entrevista muito especial, com a escritora Nathália Pureza. Conheci a Nath quando ela se tornou minha aluna na mentoria de escrita literária há cerca de três anos. De lá para cá, vi a literatura que ela produz amadurecendo a ponto de se tornar um site, um livro e mais alguns projetos bacanas que virão por aí. Sendo assim, gosto muito da ideia de que vocês possam conhecer não só dela, mas da literatura dela também. Vamos lá?

Algumas Observações: Olhando para a sua trajetória, eu queria que você falasse um pouco do nascimento do Voar alto não precisa ser tão difícil. Em qual momento você decidiu escrever um livro? Como foi a construção da obra e quanto tempo durou esse processo?
Nathália Pureza: Comecei a escrever com treze anos, quando ganhei um caderno de meu pai, que me falava para expressar meus sentimentos quando eu não conseguia falar para outra pessoa. Desde aquele dia, sonhei que eu escrevia um livro. Ideias vinham espontaneamente e também a vontade de elaborar coisas não vividas, refletir, descobrir a mim mesma, os outros e o mundo concreto, acontecimentos, bem como a ideia de um livro. Apesar do sonho, primeiramente fui escrevendo coisas aleatórias. Quando estava no Ensino Médio escrevia, recitava poemas, e meu Professor de Literatura me incentivou a escrever um Livro de Poemas, que no caso se tornou o Voar Alto. Primeiramente juntei todos os poemas que eu tinha, cheguei a enviar para uma editora, mas não deu certo. Ainda bem! Na faculdade de Letras aprendi muitas técnicas sobre Literatura e Escrita e, como trabalho final, podia entregar projetos mais criativos, trouxe esse livro, para aprimorá-lo. Depois de sair da faculdade tirei um tempo para descansar, mas continuei escrevendo coisas. Queria que esse livro se concretizasse. Conversando com meus pais, percebemos que eu precisava de orientação, de um empurrão para que o livro e minha escrita se concretizassem, fossem mais profissionais. Resolvi buscar! Tentei uma antiga professora minha, mas ela disse que não fazia essa orientação que eu estava pedindo e me sugeriu buscar uma oficina. Sou muito intuitiva e introvertida, senti que não era isso que eu precisava. Então comecei a buscar na Internet pessoas especialistas em Poesia, depois de muito procurar achei a Fê (Rodrigues) e intui que ela era a pessoa certa para me ajudar. Com ela falei do livro e mandei o arquivo de como ele estava até ali. Precisava de aperfeiçoamento. Paralelamente a isso ela passava propostas de textos das aulas. Fazia os textos, mas esquecia de enviar para ela. Mostrar o que escrevo é desafiador. Então, ela sugeriu que eu começasse a enviar os poemas do livro, em blocos, o que tornou o processo mais leve. E assim ele se tornou o que é. Então... o processo durou, quase uma eternidade, diria que 11 anos.

AO: Seu livro é dividido em partes? Como você pensou cada uma delas? Que sensações você queria despertar no seu leitor durante o percurso de leitura?
NP: Sim, ele é divido em três partes. A primeira fala de sentimentos, memórias, caminhos turvos, mistura do presente e do passado, conflitos, que geraram algumas descobertas; a segunda mostra a busca pelo novo, mas ainda com resquícios do passado, experiências e reflexões internas; a última é sobre as quedas, as dores, as descobertas, busca por leveza, integração, continuar, seguir em frente, mesmo quando o passado e suas questões insistem em voltar. Apesar de ele ter essa separação definida, seria interessante o leitor não pensar tão linearmente. Na verdade, o leitor pode encarar o livro todo como um processo, com mergulhos, descobertas de si, do outro, de mundos, bem como suspensões, respiros, retornos, voos, sensações que as palavras, os sentimentos, as pessoas e acontecimentos podem mostrar, causar, impactar – transformar.

Nathália Pureza

AO: Como é para você esse processo de dar nomes ao livro, às partes do livro e aos poemas? É um processo mais de análise ou mais intuitivo e por quê?
NP: Começa como um processo muito intuitivo, espontâneo. Mas com a Fê, aprendi a olhar e criar títulos a partir de coisas que estão dentro do livro, uma frase, um verso, o título de um texto que está dentro dele. Voar Alto, por exemplo, é na verdade o verso de um dos poemas que está no livro. Diria, então, que é uma mistura dos dois.

AO: Por enquanto, o seu livro saiu apenas em formato de e-book e você optou por fazer uma publicação independente. Por que essa escolha? Como foi escolher publicar de forma independente?
NP: Na verdade, desde quando ele surgiu e ainda não era o que é, meu pai me incentivava a publicar na Amazon. O livro passou por algumas editoras e foi recusado. Senti uma urgência de publicá-lo, porque ele já estava pronto e também porque esse termo Voar Alto, tem circulado bastante atualmente, por isso o e-book. Além disso, a Amazon foi onde várias escritoras, poetas da minha geração começaram a se auto publicar: Rupi Kaur, Amanda Kviatkovski, Maria Costa, todas poetas. Publicar de forma independente é desafiante, porque o autor tem que divulgar muito e por conta própria, geralmente com apoio da família e dos amigos. Acredite ou não, para mim, divulgar têm sido mais difícil do que todo o processo de escrita e construção do livro. Tenho dificuldade de mostrar o meu trabalho.

AO: Para muitas pessoas é difícil se assumir como escritores. Como foi esse processo de se autointitular escritora e se inserir no mercado profissional?
NP: No meu primeiro ano de Mentoria com a Fê ela me falava “Escritora você já é!”, coloca lá na bio do seu Insta – Escritora, quando as pessoas perguntarem da sua profissão fala o que você é, escritora. Com ela também criei um site do zero, nele publico alguns poemas, crônicas e textos, palavras soltas, pensamentos que não tem um gênero definido, a que chamei de Pluralidades; também aprendi coisas sobre rotina criativa e como responder, dialogar, corretamente com as editoras, por exemplo o que fazer antes de enviar meu original e como refletir melhor sobre as editoras e seus critérios diferentes de publicação.

AO: Você começou a escrever e procurou uma formação literária ou foi o contrário? Poderia comentar um pouco sobre a ligação entre a sua formação e a profissão de escritora? A sua formação transformou seu processo de escrita ao longo do tempo?
NP: Comecei a escrever e procurei a formação. Fiz alguns meses de Jornalismo, mas não gostei e também sentia que minha escrita era mais ficcional do que jornalística, apesar de eu gostar de pesquisar e achar importante saber dos acontecimentos do mundo, inclusive para escrever. Então conversei com uma prima e ela me sugeriu fazer Letras. Enquanto procurava o Curso e as Universidades, me deparei com o Curso Letras – Produção Textual (Formação de Escritor), na PUC-Rio. Não fazia ideia que isso existia. Aí me formei nisso. Então, sinto que sim, minha escrita amadureceu muito, principalmente no nível técnico.

Nathália Pureza compartilha a sua rotina de escrita.

AO: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesma? Se sim, como essas metas te ajudaram a escrever o Voar Alto?
NP: Estou sempre lendo livros e coisas na internet. Leio um de cada vez, buscado revezar os assuntos e gêneros. Tenho “Ansiedade Literária”, sempre em busca de livros, assuntos, autoras/es que eu gosto, isso nunca para ou termina, mas não sofro. Em si minha escrita é mais espontânea, então a ideia, a palavra, vem muito rápido, anoto no que tenho mais perto de mim: notas do celular, caderno, papel solto, computador etc., e edito na hora, mas também deixo um tempo, para revisar e aprimorar. Quando me sinto muito travada, começo a ler textos e livros de autoras e gêneros daquilo que estou escrevendo, bem como também, assistir entrevistas sobre autoras/autores e seus temas, processos criativos, ou, uma coisa mais aleatória, assistir um filme, uma série. A Fê me ensina a escrever sob demanda, a cada quinze dias ela me passa uma proposta de escrita. Alguns textos escrevo rápido, mas demoro a entregar, porque reviso demais, outros demoro mais a escrever, porque me desafiam no gênero ou temática, por exemplo contos, que estou praticando desde o ano passado.

AO: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritora? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser boa o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?)
NP: Acho que meu maior desafio, particularmente, é escrever em um tempo curto sobre o que me pedem para escrever. A sensação de insegurança sempre me ronda. Também acontece de uma coisa, um assunto que eu não imaginava, acabar me inspirando. Como falei antes, leio textos dos gêneros, assisto entrevistas, um filme, uma série, coisas que eu gosto, também converso com pessoas próximas.

AO: Nos seus textos você costuma falar sobre o amor e outros sentimentos nobres — eles, inclusive, aparecem no Voar alto não devia ser tão difícil. Como você vê a relação do seu público com a obra que você produz, uma vez que vivemos em um mundo tão caótico e violento?
NP: Sendo bem sincera não tenho muita certeza ainda sobre o meu público. Quando eu publicava no Face e depois no Insta, eram coisas mais espontâneas, ou que eu tinha escrito a um tempo atrás. Mas penso que o Amor é um tema universal humano e da Literatura, nunca se esgota. A Fê me ensinou a explorar, pensar e escrever sobre isso de outros jeitos e pontos de vista diferentes.

AO: Falando do texto em si, o que você mais gosta de escrever? Como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos e o que você acha importante fazer antes de soltar um texto no mundo?
NP: O poema é onde me “sinto em casa”, na verdade diria que é quase um vício, não vivo sem escrever versos. Sou muito autocrítica, reviso muitas vezes antes de publicar. Quando comecei a publicar no Instagram publicava mais coisas que eu tinha acabado de escrever, não sem antes revisar mil vezes e trocar ideias com pessoas próximas, rsrsrsr e depois, fui ficando mais seletiva, mais cautelosa, bem como também acabei acumulando muitos textos soltos, que fui revisando e aperfeiçoando, em parte que eu já tinha escrito antes e outros depois, além das temáticas e propostas que vejo nas aulas, que a Fê ensina na Mentoria. Faz um tempo que estou com certo bloqueio, não para escrever, mas para publicar. Então, estou reaprendendo a deixar ir, soltar, publicar e não ficar pensando, imaginando tanto o que os outro vão achar, como vão agir/reagir, qual impacto estou causando, nesse sentido no meu caso, só praticando mesmo. O que fazer? Diria que uma revisão gramatical e também para você prestar atenção em como você mesma(o) se sentou depois de escrever, se sentou feliz e leve, sugiro soltar.

Instrumentos de ofício da Nathália Pureza.

AO: Você também escreve no seu site. Pode comentar um pouco sobre esse tipo de escrita?
NP: No meu caso eu já tenho muita coisa acumulada, que já está escrita, mas não está exposta. Falo isso porque talvez quem escreve em site, provavelmente escreve e publica, tudo junto, de uma maneira contínua, tanto textos técnicos quanto coisas pessoais, cotidianas, bem como também possíveis temáticas que gosta, mas também assuntos que estão circulando, ou não e que a pessoa goste ou ache relevante falar, refletir sobre tal assunto. Comigo foi um pouco ao contrário, revisei e editei muitos escritos antigos primeiro, que estavam engavetados, para depois publicar. Mas pode ser que em um futuro muito próximo isso mude, e eu não planeje mais tanto, reestabelecendo e ressignificando essa rotina. Além disso, estou sempre escrevendo, um texto, um pensamento, uma linha que seja!

AO: Quais conselhos você daria para uma escritora em começo de carreira?
NP: Escreva do seu jeito, se permita ser espontânea. Explore, se descubra. Leia coisas, autoras(es), gêneros que você gosta, mas também, coisas diferentes. Pratique para aperfeiçoar, compartilhe com seus amigos, pessoas próximas e que você confia. Mas, se quiser ser mais profissional, procure um especialista em texto, mercado literário e no gênero textual que você está escrevendo, ou alguém que entenda muito de português e do tema. Vá compartilhando, mostrando seus textos na Internet: redes socias ou site, blog.

AO: Quais são os seus planos futuros? Já pensa em um próximo projeto?
NP: Sim. Tenho quatro livros começados. Cada um vem seguindo um ritmo diferente. Tento seguir uma ordem, dos que vieram primeiro, mas nem sempre consigo manter, então, vou deixando acontecer espontaneamente. Inclusive um deles, surgiu ao acaso, não foi planejado, muito recente, através de um exercício da Mentoria.

AO: Você publica vários textos seus no Instagram e no seu site. Então, gostaria de saber qual é a sua visão sobre o papel das redes sociais para a carreira da escritora. Além disso quero aproveitar para perguntar por onde/como as pessoas podem entrar em contato com você? Como elas podem adquirir o seu livro?
NP: A internet abriu muitas portas para Escritoras(es), tornou a escrita, o acesso a ela e a troca entre autora e leitor, escritora e público mais democrática, mais próxima. Na Poesia especificamente, a internet e as redes sociais fizeram com que os poemas ficassem mais acessíveis, conectivos, inclusive na linguagem, amenizando a distância escritor-leitor e afastando o “medo” e crença das pessoas de que a poesia, os poemas, são difíceis de entender e ler por causa da linguagem. Poemas geralmente retratavam fragmentos, sentimentos, de um jeito que poucos apreciavam. Com internet e redes sociais surgiram os Instapoets, o que na minha opinião democratizou a poesia e aproximou mais os leitores, uma vez que as poesias passaram a ter uma linguagem mais simples e mais próxima da oralidade e do cotidiano, além de uma busca por mais igualdade – a maioria dos poetas contemporâneos escreve os versos com letras minúsculas, ou todas maiúsculas, justamente para representar mais igualdade e não afastamento, separação ou hierarquia e empoderamento.

Meus Textos estão publicados no meu Instagram: @purezanathalia,
Facebook: Nathalia Pureza
Podem me chamar no Direct (acesso mais o Insta) e no e-mail: natahaliapureza@yahoo.com.br

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
NP: Queridas(os) leitoras(es) do Algumas Observações, escrever é um abrir e bater de asas, pousar, entrar, se permitir molhar, fluir no rio, desaguar no mar, se deliciar nos pingos de chuva, se secar e se aquecer ao sol, em dançantes faíscas. É por vezes saltar no vazio, esbarrar, encontrar, dançar com outras vozes e corações cheios de tinta e cores, e também encarrar os próprios abismos, as sobras, mas também colocar, descobrir, deixar fretas para que a luz entre. Não prometo um céu estrelado todo tempo, mas de mãos dadas e corações pulsantes, vozes unidas, seguimos avente, batendo asas.

Beijos,
Muito Obrigada!
Nathália Pureza, Escritora

Conheça o livro da Nathália Pureza

Capa.

Livro: Voar alto não precisa ser tão difícil
Autora: Nathália Pureza
Ano: 2026
Páginas: 57
Formato: e-book
Apresentação: Em um mundo com tantas possibilidades, tecnologias, “facilidades”, por que às vezes podemos sentir dificuldade de encontrar leveza pelo caminho? Como as experiências passadas nos impactam negativa, positivamente até o momento presente que vivemos? Como lidar com isso, alçar voo e seguir além, além?
Olhar para si, para o outro. Caminhar pelo mundo livre, descobrir, criar mapas, atravessar direções tortas, correr riscos. Antes de alcançar o céu é preciso saber alavancar os pés na terra, caminhar sobre ela, descobrir, adentrar as águas de si, saber, aprender a atravessar o sol, as tempestades? Entre turbulências, com asas feridas, corações alagados voar, continuar a bater asas, bem abertas, voar grandes alturas sem temer a queda e seguir de peito aberto, apesar de.
Este é um livro dividido em três partes onde presente e passado se misturam, lembranças e emoções são turvas, mas geram reflexões; a busca pelo novo, ainda com resquícios do passado, novas experiências, reflexões internas e breve união do passado com o presente, impactos, soluções breves, caminhos desconhecidos, inexplorados, valem algum risco. Um conjunto que leva o leitor a reflexão de si, do mundo, dessa sociedade atual tão livre, cheia de alternativas, opções, mas ao mesmo tempo tão líquida e cada vez mais acelerada, instável.
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá!

♥ Quer comentar, mas não tem uma conta no Google? Basta alterar para a melhor opção no menu COMENTAR COMO. Se você não tiver uma conta para vincular, escolha a opção Nome/URL e deixe a URL em branco, comentando somente com seu nome.

♥ É muito bom poder ouvir o que você pensa sobre este post. Por favor, se possível, deixe o link do seu site/blog. Ficarei feliz por poder retribuir a sua visita.

♥ Quer saber mais sobre o Algumas Observações? Então, inscreva-se para receber a newsletter: bit.ly/newsletteralgumasobservacoes

♥ Volte sempre! ;)