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domingo, 16 de agosto de 2026

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a escritora Nathália Pureza

domingo, agosto 16, 2026 3
Conheça o trabalho da escritora Nathália Pureza.

No post de hoje eu trago uma entrevista muito especial, com a escritora Nathália Pureza. Conheci a Nath quando ela se tornou minha aluna na mentoria de escrita literária há cerca de três anos. De lá para cá, vi a literatura que ela produz amadurecendo a ponto de se tornar um site, um livro e mais alguns projetos bacanas que virão por aí. Sendo assim, gosto muito da ideia de que vocês possam conhecer não só dela, mas da literatura dela também. Vamos lá?

Algumas Observações: Olhando para a sua trajetória, eu queria que você falasse um pouco do nascimento do Voar alto não precisa ser tão difícil. Em qual momento você decidiu escrever um livro? Como foi a construção da obra e quanto tempo durou esse processo?
Nathália Pureza: Comecei a escrever com treze anos, quando ganhei um caderno de meu pai, que me falava para expressar meus sentimentos quando eu não conseguia falar para outra pessoa. Desde aquele dia, sonhei que eu escrevia um livro. Ideias vinham espontaneamente e também a vontade de elaborar coisas não vividas, refletir, descobrir a mim mesma, os outros e o mundo concreto, acontecimentos, bem como a ideia de um livro. Apesar do sonho, primeiramente fui escrevendo coisas aleatórias. Quando estava no Ensino Médio escrevia, recitava poemas, e meu Professor de Literatura me incentivou a escrever um Livro de Poemas, que no caso se tornou o Voar Alto. Primeiramente juntei todos os poemas que eu tinha, cheguei a enviar para uma editora, mas não deu certo. Ainda bem! Na faculdade de Letras aprendi muitas técnicas sobre Literatura e Escrita e, como trabalho final, podia entregar projetos mais criativos, trouxe esse livro, para aprimorá-lo. Depois de sair da faculdade tirei um tempo para descansar, mas continuei escrevendo coisas. Queria que esse livro se concretizasse. Conversando com meus pais, percebemos que eu precisava de orientação, de um empurrão para que o livro e minha escrita se concretizassem, fossem mais profissionais. Resolvi buscar! Tentei uma antiga professora minha, mas ela disse que não fazia essa orientação que eu estava pedindo e me sugeriu buscar uma oficina. Sou muito intuitiva e introvertida, senti que não era isso que eu precisava. Então comecei a buscar na Internet pessoas especialistas em Poesia, depois de muito procurar achei a Fê (Rodrigues) e intui que ela era a pessoa certa para me ajudar. Com ela falei do livro e mandei o arquivo de como ele estava até ali. Precisava de aperfeiçoamento. Paralelamente a isso ela passava propostas de textos das aulas. Fazia os textos, mas esquecia de enviar para ela. Mostrar o que escrevo é desafiador. Então, ela sugeriu que eu começasse a enviar os poemas do livro, em blocos, o que tornou o processo mais leve. E assim ele se tornou o que é. Então... o processo durou, quase uma eternidade, diria que 11 anos.

AO: Seu livro é dividido em partes? Como você pensou cada uma delas? Que sensações você queria despertar no seu leitor durante o percurso de leitura?
NP: Sim, ele é divido em três partes. A primeira fala de sentimentos, memórias, caminhos turvos, mistura do presente e do passado, conflitos, que geraram algumas descobertas; a segunda mostra a busca pelo novo, mas ainda com resquícios do passado, experiências e reflexões internas; a última é sobre as quedas, as dores, as descobertas, busca por leveza, integração, continuar, seguir em frente, mesmo quando o passado e suas questões insistem em voltar. Apesar de ele ter essa separação definida, seria interessante o leitor não pensar tão linearmente. Na verdade, o leitor pode encarar o livro todo como um processo, com mergulhos, descobertas de si, do outro, de mundos, bem como suspensões, respiros, retornos, voos, sensações que as palavras, os sentimentos, as pessoas e acontecimentos podem mostrar, causar, impactar – transformar.

Nathália Pureza

AO: Como é para você esse processo de dar nomes ao livro, às partes do livro e aos poemas? É um processo mais de análise ou mais intuitivo e por quê?
NP: Começa como um processo muito intuitivo, espontâneo. Mas com a Fê, aprendi a olhar e criar títulos a partir de coisas que estão dentro do livro, uma frase, um verso, o título de um texto que está dentro dele. Voar Alto, por exemplo, é na verdade o verso de um dos poemas que está no livro. Diria, então, que é uma mistura dos dois.

AO: Por enquanto, o seu livro saiu apenas em formato de e-book e você optou por fazer uma publicação independente. Por que essa escolha? Como foi escolher publicar de forma independente?
NP: Na verdade, desde quando ele surgiu e ainda não era o que é, meu pai me incentivava a publicar na Amazon. O livro passou por algumas editoras e foi recusado. Senti uma urgência de publicá-lo, porque ele já estava pronto e também porque esse termo Voar Alto, tem circulado bastante atualmente, por isso o e-book. Além disso, a Amazon foi onde várias escritoras, poetas da minha geração começaram a se auto publicar: Rupi Kaur, Amanda Kviatkovski, Maria Costa, todas poetas. Publicar de forma independente é desafiante, porque o autor tem que divulgar muito e por conta própria, geralmente com apoio da família e dos amigos. Acredite ou não, para mim, divulgar têm sido mais difícil do que todo o processo de escrita e construção do livro. Tenho dificuldade de mostrar o meu trabalho.

AO: Para muitas pessoas é difícil se assumir como escritores. Como foi esse processo de se autointitular escritora e se inserir no mercado profissional?
NP: No meu primeiro ano de Mentoria com a Fê ela me falava “Escritora você já é!”, coloca lá na bio do seu Insta – Escritora, quando as pessoas perguntarem da sua profissão fala o que você é, escritora. Com ela também criei um site do zero, nele publico alguns poemas, crônicas e textos, palavras soltas, pensamentos que não tem um gênero definido, a que chamei de Pluralidades; também aprendi coisas sobre rotina criativa e como responder, dialogar, corretamente com as editoras, por exemplo o que fazer antes de enviar meu original e como refletir melhor sobre as editoras e seus critérios diferentes de publicação.

AO: Você começou a escrever e procurou uma formação literária ou foi o contrário? Poderia comentar um pouco sobre a ligação entre a sua formação e a profissão de escritora? A sua formação transformou seu processo de escrita ao longo do tempo?
NP: Comecei a escrever e procurei a formação. Fiz alguns meses de Jornalismo, mas não gostei e também sentia que minha escrita era mais ficcional do que jornalística, apesar de eu gostar de pesquisar e achar importante saber dos acontecimentos do mundo, inclusive para escrever. Então conversei com uma prima e ela me sugeriu fazer Letras. Enquanto procurava o Curso e as Universidades, me deparei com o Curso Letras – Produção Textual (Formação de Escritor), na PUC-Rio. Não fazia ideia que isso existia. Aí me formei nisso. Então, sinto que sim, minha escrita amadureceu muito, principalmente no nível técnico.

Nathália Pureza compartilha a sua rotina de escrita.

AO: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesma? Se sim, como essas metas te ajudaram a escrever o Voar Alto?
NP: Estou sempre lendo livros e coisas na internet. Leio um de cada vez, buscado revezar os assuntos e gêneros. Tenho “Ansiedade Literária”, sempre em busca de livros, assuntos, autoras/es que eu gosto, isso nunca para ou termina, mas não sofro. Em si minha escrita é mais espontânea, então a ideia, a palavra, vem muito rápido, anoto no que tenho mais perto de mim: notas do celular, caderno, papel solto, computador etc., e edito na hora, mas também deixo um tempo, para revisar e aprimorar. Quando me sinto muito travada, começo a ler textos e livros de autoras e gêneros daquilo que estou escrevendo, bem como também, assistir entrevistas sobre autoras/autores e seus temas, processos criativos, ou, uma coisa mais aleatória, assistir um filme, uma série. A Fê me ensina a escrever sob demanda, a cada quinze dias ela me passa uma proposta de escrita. Alguns textos escrevo rápido, mas demoro a entregar, porque reviso demais, outros demoro mais a escrever, porque me desafiam no gênero ou temática, por exemplo contos, que estou praticando desde o ano passado.

AO: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritora? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser boa o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?)
NP: Acho que meu maior desafio, particularmente, é escrever em um tempo curto sobre o que me pedem para escrever. A sensação de insegurança sempre me ronda. Também acontece de uma coisa, um assunto que eu não imaginava, acabar me inspirando. Como falei antes, leio textos dos gêneros, assisto entrevistas, um filme, uma série, coisas que eu gosto, também converso com pessoas próximas.

AO: Nos seus textos você costuma falar sobre o amor e outros sentimentos nobres — eles, inclusive, aparecem no Voar alto não devia ser tão difícil. Como você vê a relação do seu público com a obra que você produz, uma vez que vivemos em um mundo tão caótico e violento?
NP: Sendo bem sincera não tenho muita certeza ainda sobre o meu público. Quando eu publicava no Face e depois no Insta, eram coisas mais espontâneas, ou que eu tinha escrito a um tempo atrás. Mas penso que o Amor é um tema universal humano e da Literatura, nunca se esgota. A Fê me ensinou a explorar, pensar e escrever sobre isso de outros jeitos e pontos de vista diferentes.

AO: Falando do texto em si, o que você mais gosta de escrever? Como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos e o que você acha importante fazer antes de soltar um texto no mundo?
NP: O poema é onde me “sinto em casa”, na verdade diria que é quase um vício, não vivo sem escrever versos. Sou muito autocrítica, reviso muitas vezes antes de publicar. Quando comecei a publicar no Instagram publicava mais coisas que eu tinha acabado de escrever, não sem antes revisar mil vezes e trocar ideias com pessoas próximas, rsrsrsr e depois, fui ficando mais seletiva, mais cautelosa, bem como também acabei acumulando muitos textos soltos, que fui revisando e aperfeiçoando, em parte que eu já tinha escrito antes e outros depois, além das temáticas e propostas que vejo nas aulas, que a Fê ensina na Mentoria. Faz um tempo que estou com certo bloqueio, não para escrever, mas para publicar. Então, estou reaprendendo a deixar ir, soltar, publicar e não ficar pensando, imaginando tanto o que os outro vão achar, como vão agir/reagir, qual impacto estou causando, nesse sentido no meu caso, só praticando mesmo. O que fazer? Diria que uma revisão gramatical e também para você prestar atenção em como você mesma(o) se sentou depois de escrever, se sentou feliz e leve, sugiro soltar.

Instrumentos de ofício da Nathália Pureza.

AO: Você também escreve no seu site. Pode comentar um pouco sobre esse tipo de escrita?
NP: No meu caso eu já tenho muita coisa acumulada, que já está escrita, mas não está exposta. Falo isso porque talvez quem escreve em site, provavelmente escreve e publica, tudo junto, de uma maneira contínua, tanto textos técnicos quanto coisas pessoais, cotidianas, bem como também possíveis temáticas que gosta, mas também assuntos que estão circulando, ou não e que a pessoa goste ou ache relevante falar, refletir sobre tal assunto. Comigo foi um pouco ao contrário, revisei e editei muitos escritos antigos primeiro, que estavam engavetados, para depois publicar. Mas pode ser que em um futuro muito próximo isso mude, e eu não planeje mais tanto, reestabelecendo e ressignificando essa rotina. Além disso, estou sempre escrevendo, um texto, um pensamento, uma linha que seja!

AO: Quais conselhos você daria para uma escritora em começo de carreira?
NP: Escreva do seu jeito, se permita ser espontânea. Explore, se descubra. Leia coisas, autoras(es), gêneros que você gosta, mas também, coisas diferentes. Pratique para aperfeiçoar, compartilhe com seus amigos, pessoas próximas e que você confia. Mas, se quiser ser mais profissional, procure um especialista em texto, mercado literário e no gênero textual que você está escrevendo, ou alguém que entenda muito de português e do tema. Vá compartilhando, mostrando seus textos na Internet: redes socias ou site, blog.

AO: Quais são os seus planos futuros? Já pensa em um próximo projeto?
NP: Sim. Tenho quatro livros começados. Cada um vem seguindo um ritmo diferente. Tento seguir uma ordem, dos que vieram primeiro, mas nem sempre consigo manter, então, vou deixando acontecer espontaneamente. Inclusive um deles, surgiu ao acaso, não foi planejado, muito recente, através de um exercício da Mentoria.

AO: Você publica vários textos seus no Instagram e no seu site. Então, gostaria de saber qual é a sua visão sobre o papel das redes sociais para a carreira da escritora. Além disso quero aproveitar para perguntar por onde/como as pessoas podem entrar em contato com você? Como elas podem adquirir o seu livro?
NP: A internet abriu muitas portas para Escritoras(es), tornou a escrita, o acesso a ela e a troca entre autora e leitor, escritora e público mais democrática, mais próxima. Na Poesia especificamente, a internet e as redes sociais fizeram com que os poemas ficassem mais acessíveis, conectivos, inclusive na linguagem, amenizando a distância escritor-leitor e afastando o “medo” e crença das pessoas de que a poesia, os poemas, são difíceis de entender e ler por causa da linguagem. Poemas geralmente retratavam fragmentos, sentimentos, de um jeito que poucos apreciavam. Com internet e redes sociais surgiram os Instapoets, o que na minha opinião democratizou a poesia e aproximou mais os leitores, uma vez que as poesias passaram a ter uma linguagem mais simples e mais próxima da oralidade e do cotidiano, além de uma busca por mais igualdade – a maioria dos poetas contemporâneos escreve os versos com letras minúsculas, ou todas maiúsculas, justamente para representar mais igualdade e não afastamento, separação ou hierarquia e empoderamento.

Meus Textos estão publicados no meu Instagram: @purezanathalia,
Facebook: Nathalia Pureza
Podem me chamar no Direct (acesso mais o Insta) e no e-mail: natahaliapureza@yahoo.com.br

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
NP: Queridas(os) leitoras(es) do Algumas Observações, escrever é um abrir e bater de asas, pousar, entrar, se permitir molhar, fluir no rio, desaguar no mar, se deliciar nos pingos de chuva, se secar e se aquecer ao sol, em dançantes faíscas. É por vezes saltar no vazio, esbarrar, encontrar, dançar com outras vozes e corações cheios de tinta e cores, e também encarrar os próprios abismos, as sobras, mas também colocar, descobrir, deixar fretas para que a luz entre. Não prometo um céu estrelado todo tempo, mas de mãos dadas e corações pulsantes, vozes unidas, seguimos avente, batendo asas.

Beijos,
Muito Obrigada!
Nathália Pureza, Escritora

Conheça o livro da Nathália Pureza

Capa.

Livro: Voar alto não precisa ser tão difícil
Autora: Nathália Pureza
Ano: 2026
Páginas: 57
Formato: e-book
Apresentação: Em um mundo com tantas possibilidades, tecnologias, “facilidades”, por que às vezes podemos sentir dificuldade de encontrar leveza pelo caminho? Como as experiências passadas nos impactam negativa, positivamente até o momento presente que vivemos? Como lidar com isso, alçar voo e seguir além, além?
Olhar para si, para o outro. Caminhar pelo mundo livre, descobrir, criar mapas, atravessar direções tortas, correr riscos. Antes de alcançar o céu é preciso saber alavancar os pés na terra, caminhar sobre ela, descobrir, adentrar as águas de si, saber, aprender a atravessar o sol, as tempestades? Entre turbulências, com asas feridas, corações alagados voar, continuar a bater asas, bem abertas, voar grandes alturas sem temer a queda e seguir de peito aberto, apesar de.
Este é um livro dividido em três partes onde presente e passado se misturam, lembranças e emoções são turvas, mas geram reflexões; a busca pelo novo, ainda com resquícios do passado, novas experiências, reflexões internas e breve união do passado com o presente, impactos, soluções breves, caminhos desconhecidos, inexplorados, valem algum risco. Um conjunto que leva o leitor a reflexão de si, do mundo, dessa sociedade atual tão livre, cheia de alternativas, opções, mas ao mesmo tempo tão líquida e cada vez mais acelerada, instável.
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domingo, 8 de setembro de 2024

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a escritora Regiane Folter

domingo, setembro 08, 2024 8

Olá, leitores do Algumas Observações.
No post de hoje trago uma entrevista com a escritora contemporânea Regiane Folter. Nós conversamos sobre processo criativo, escrita, mercado editorial e, é claro, sobre os projetos da autora.
Vem conhecer! 😍

Algumas Observações: Qual é a sua memória de leitura mais remota?
Regiane Folter: Lembro de uns livros lindíssimos de contos de fadas que ganhei de presente em alguma data especial. Eram edições de capa dura, ilustrados, grandes e vistosos. Lembro de ler essas histórias com fascinação. Também me recordo com carinho das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica que mamãe assinava e chegavam em casa toda semana. Outra boa memória é a de ler uma série de livros em que você ia criando a história conforme lia. Não lembro bem do nome, mas eram sempre livros meios de mistério e você podia ir escolhendo o caminho da história. Com cada decisão, te levava pra uma parte diferente do livro. Me lembro de adorar essas histórias porque me sentia parte delas.

AO: Comente um pouco como foi o seu despertar para a escrita. Você teve aquele momento de deixar de ver a escrita como um hobby e passar a vê-la como um trabalho?
RF: Sem dúvida comecei a escrever como hobby ou talvez como terapia antes mesmo de saber o que era isso. Desde pequena, escrever me ajudava a lidar melhor com minhas emoções, especialmente as mais cinzentas. Também me divertia inventar histórias, criar mundos e personagens. Conforme fui crescendo, a escrita por diversão foi perdendo lugar no meu dia a dia, já que novas responsabilidades terminaram demandando muito do meu tempo. Mas sempre escrevi como uma forma de fazer catarse e digerir meus problemas e dúvidas. Somente em 2017, aos 25 anos, comecei a encarar a escrita realmente como um trabalho, algo que eu queria que se tornasse parte fundamental da minha vida.

AO: Para muitas pessoas é difícil se assumir como escritores. Como foi esse de se inserir no mercado profissional?
RF: Eu demorei uns aninhos pra me chamar de escritora. Acho que só ganhei coragem mesmo quando publiquei meu primeiro livro em 2020, ainda que há três anos já escrevesse e publicasse semanalmente no meu Medium. Penso que o peso do título de “escritora” nos intimida, porque automaticamente nos comparamos com os grandes autores e autoras que seguimos e amamos. Mas é um processo de desconstrução. Existem muitos escritores e escritoras, cada um com o seu tipo de escrita e publicação, e sempre há lugar pra mais um.

Quando me joguei, nunca mais voltei atrás! Hoje me apresento como escritora e a voz já não treme tanto haha!




AO: Você tem alguma formação literária, estuda por conta própria ou escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento profissional?
RF: Sempre aprendi muito sobre a escrita por meio da prática mesmo, de ir experimentando e melhorando. Estudei jornalismo na faculdade e o curso sem dúvida me ajudou a trabalhar questões de gramática, coesão, coerência, etc. Depois fiz cursos curtos de escrita e sigo autoras que estão constantemente compartilhando prompts e exercícios que me dão ideias novas sobre como e o que escrever.

Ler muito sempre foi vital nesse processo. Leio todos os dias e sinto que com cada livro, com cada texto, aprendo algo novo. Talvez ler seja a melhor ferramenta que temos para aprimorar a nossa escrita.


AO: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesma? Você tem outras ocupações profissionais além da escrita? Se sim, como concilia os dois?
RF: A escrita está muito presente no meu dia porque além dos meus projetos como escritora também trabalho com marketing, que é o meu trabalho formal das 9h às 18h. Todos os dias começo minha manhã dedicando meu tempo a trabalhar na minha escrita, seja escrevendo algum texto novo, editando outros, ou trabalhando em alguma questão de divulgação do meu trabalho como autora. Prefiro fazer isso cedinho antes de me conectar ao trabalho formal porque sou bem morning person e sinto que de manhã é quando tenho mais energia e melhores ideias.

Tenho metas de coisas que quero realizar como autora no ano e logo mês a mês vou acompanhando os resultados. Sou meio a maluca dos Trellos e das planilhas, gosto de ter listas de coisas pra fazer e ir marcando os avanços. Acho que ter objetivos é algo que me dá um gás, me motiva a continuar avançando.

AO: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritora? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser boa o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?)
RF: Todas as coisas que você menciona eu enfrento quase diariamente. Sinto muita insegurança, me comparo muito com os demais, penso constantemente que não estou fazendo o suficiente. A mente é a minha crítica mais ferrenha e, como a boa perfeccionista que sou, sempre penso que poderia fazer mais ou melhor. Nesses momentos, a melhor coisa termina sendo conversar com alguém, desabafar num papo ou até mesmo num texto e nesses casos a insegurança termina sendo inspiração pra outra história! Ter a terapia em dia também ajuda muito. Nesses últimos anos venho trabalhando muito a paciência, a aceitar o que posso dar neste momento e celebrar as pequenas vitórias. Não é fácil, mas aí vamos!




AO: Falando do texto em si, o que você mais gosta de escrever? Nos conte um pouco dos livros que você já publicou.
RF: O que mais naturalmente me saí é escrever crônicas, reflexões sobre meu cotidiano e as coisas que observo. Também gosto muito de escrever poesia e contos, me diverte inventar histórias totalmente fictícias, sinto que isso me permite me conectar com a minha menina interior. Em 2020 autopubliquei meu primeiro livro, AmoreZ, uma coleção de contos e crônicas sobre as diversas facetas do amor. Logo em 2023 publiquei um romance policial chamado Mulheres que não eram somente vítimas, com a editora Folheando.


AO: Você viu diferença entre os processos de criação dos seus diferentes livros? Como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos e o que você acha importante fazer antes de soltar um texto no mundo?
RF: Cada livro que publiquei teve um processo bem diferente um do outro. No primeiro, AmoreZ, o caminho foi meio ao revés. Um dia percebi que tinha escrito muitos textos ao redor da temática amor. Alguns estavam publicados no Medium, outros estavam na gaveta, e o que tinham em comum era que sempre falavam sobre algum aspecto ou tipo de amor diferente. Naquela época eu estava aprendendo muito sobre autopublicação porque trabalhava com uma escritora independente e pensei, “por que não autopublicar algo com todos esses relatos?”. Assim comecei a trabalhar na ideia do livro.

Já com Mulheres que não eram somente vítimas me lembro de ter um sonho sobre a história e ficar bastante impactada. Normalmente não me lembro dos meus sonhos, mas esse ficou gravado na minha mente. No dia seguinte comecei a escrever sobre o que tinha sonhado e a história começou a surgir. Primeiro me dediquei a desenhar uma linha do tempo e marcar o que acontecia na história, cada passo dos personagens até chegar ao desenlace. Depois coloquei a mão na massa e comecei realmente a contar a história. É minha história mais longa e a que levou mais tempo pra preparar, meses a fio.

Quando ficou pronta, eu decidi enviá-la a chamados de editoras e algum tempo depois fui aceita pela editora Folheando.

Em ambos casos, trabalhei muito nos textos antes de compartilhá-los com o mundo. Editei e voltei a editar várias vezes. Também compartilhei a ideia com outras pessoas e pedi feedback. Nos dois livros tive o apoio de revisores que me ajudaram com suas visões objetivas a identificar erros e melhorar alguns detalhes. Acho que é fundamental contar com pessoas externas que possam ver coisas que você não enxerga, porque já está tão imersa na história que detalhes passam despercebidos. Então estar aberto aos comentários alheios é fundamental, te ajuda a elevar a história a outro nível.




AO: Falando de leituras, quais são as suas influências, seus autores preferidos?
RF: Gosto de muitos tipos de escrita e gêneros. Sinto que tudo que leio me influencia de alguma maneira. Se penso nos textos, especialmente crônicas e poesia que venho escrevendo e publicando online nos últimos anos, acho que minhas principais influências são autoras e autores que admiro e cujo estilo de escrita direta e impactante é o que aspiro desenvolver na minha: Camila Sosa Villada, rupi kaur, Amanda Lovelace, Marie Gouiric, Carol Bensimon, Maria del Mar Ramón, Paula Gomes, Martha Medeiros, Alex Dimitrov, Chimamanda Ngozi, Aline Valek, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Ruiz Zafón e Isabel Allende são alguns deles. Acredito que o caminho que eles traçaram é o que me inspira a continuar escrevendo.


AO: Qual é o papel das redes sociais para o seu trabalho de escritora? Como é a sua interação com seus leitores na Internet? Como/onde os leitores do Algumas Observações podem entrar em contato com você?
RF: As redes sociais são um canal importante de divulgação, especialmente para autoras independentes como eu. Estou bastante no Instagram e por lá falo muito sobre meus livros. É um dos lugares online onde as pessoas podem me encontrar mais facilmente. Também vejo plataformas estilo Medium e Substack como espaços interessantes de troca e por lá converso com leitores e outros autores. Acho que quando alguém comenta num texto meu ou eu faço isso no texto de outra pessoa se abre um intercâmbio excelente entre as duas partes.

Os leitores do Algumas Observações podem entrar em contato comigo lá no Instagram ou pelas minhas páginas no Medium e Substack. Você pode encontrar todos os meus links e formas de contato no meu site: regianefolter.com

AO: Como você vê o mercado editorial para os novos autores? Quais são os principais desafios para quem quer publicar? Como você vê o cenário para os novos escritores no Brasil?
RF: O mercado editorial é supercompetitivo e não é uma jornada fácil. Há muita gente boa escrevendo e sinto que as editoras tradicionais não possuem lugar pra todo mundo. É desafiante se destacar. Acredito que se você realmente quer escrever e publicar suas histórias, é preciso explorar outros formatos: autopublicar, trabalhar com editoras independentes, participar de chamados de antologias, concursos, etc. São caminhos mais autônomos e que com certeza não vão te permitir viver 100% da sua escrita, mas são ótimos para colocar o seu trabalho pro mundo ver. Além disso, esses espaços te permitem ampliar sua rede de contatos e se conectar com outras pessoas relacionadas ao universo literário. Quem sabe que portas você poderia abrir no dia de amanhã?

AO: Quais conselhos você daria para uma escritora em começo de carreira?
RF: Eu lhe diria que tenha paciência, que o processo é lento e pode levar um tempinho até ela conseguir alcançar seus objetivos. Mas como graças à Deusa não há data de validade para escrever, não é preciso ter pressa. Inclusive, lhe diria que se vamos muito rápido, deixamos de desfrutar do caminho. Então meu outro conselho seria: aproveite! Se divirta com a escrita. Se deixar de ser algo que te motiva e te traz felicidade, perde totalmente o sentido.



AO: Quais são os seus planos futuros? Já pensa em um próximo projeto?
RF: Esse ano estou focada na divulgação de Mulheres que não eram somente vítimas, na minha newsletter no Substack e em continuar alimentando meus outros canais de comunicação. Mas já tenho uma ideia para um próximo livro dando voltas na minha cuca, então quem sabe? Acho que em 2025 essa nova obra vai ganhar mais corpo e vou começar a planejar como trazê-la ao mundo.

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
RF: Obrigada por conhecer a minha jornada! Se quiser saber mais sobre o meu trabalho, toda a informação está disponível em regianefolter.com.

Se gostou do que eu falei por aqui, vai gostar dos meus livros! AmoreZ e Mulheres que não eram somente vítimas estão disponíveis como ebook na Amazon ou em formato físico. Mais info no meu site.

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