terça-feira, 7 de janeiro de 2020

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com o escritor Felipe Nani

Vamos falar sobre escrita com o escritor Felipe Nani? ;)
Olá, pessoal!
No primeiro post da Vamos falar sobre escrita? de 2020, eu trago para vocês a entrevista com o escritor Felipe Nani, autor do recém-lançado Insânia. Nesta conversa, falamos não apenas da obra, mas também sobre o processo criativo do escritor e como ele vê o mercado literário.  Quer saber como foi? Então, confira abaixo!

Algumas Observações: Comente um pouco como foi o seu despertar para a escrita. Em qual momento você passou a se intitular escritor? Como foi para você deixar de ver a escrita como um hobby e passar a vê-la como um trabalho?
Felipe Nani: Em primeiro lugar, obrigado por abrir esse espaço para que eu fale um pouco mais sobre o meu trabalho e também obrigado pela disposição em ajudar. É com atitudes assim que nós fortalecemos nosso campo literário e artístico.
Desde muito novinho estive conectado à arte e suas formas, embora sempre houvesse uma grande resistência para que eu não praticasse ou exercesse nada voltado a esse segmento, no sentido de que, na minha realidade, como a de muitos, o caminho de fazer um curso profissionalizante em uma área tecnológica ou que tenha consolidação no mercado de trabalho é o caminho “certo” a ser seguido. Isso foi (ainda é) um fator determinante para que eu transitasse pelas beiradas em alguns segmentos artísticos. Comecei com a música, que me levou a escrever minhas primeiras poesias, isso eu tinha mais ou menos 9 anos de idade. Depois migrei para o desenho de HQ, onde comecei a rascunhar as minhas primeiras estórias de super-heróis. Como eu comentei, foi um momento em que tive que caminhar pelas beiradas, nada muito a sério, então entrei no ramo da indústria de energia elétrica e deixei de lado tudo referente a arte, isso com 14 anos. Por um acaso da vida, em um churrasco encontrei um amigo e começamos a falar sobre cinema, eu tinha 18 anos e naquele dia, e decidimos entrar em uma escola de teatro. Foi onde me reconectei com a arte, comigo mesmo e percebi que sou um artista. Nesse meio tempo atuei em cerca de 10 montagens teatrais. Foi no teatro, imerso em um processo criativo onde nós, atores e atrizes, por indicação da direção, éramos produtores da nossa própria dramaturgia, que veio a vontade de escrever e escrever. Essa foi a brecha para que eu voltasse a rascunhar estórias, crônicas e poesias, e passei a produzir os meus próprios textos como ator. Foi um momento extremamente importante para que eu entendesse que dentro de qualquer forma de arte que eu estiver, serei um contador de estórias, um criador de metáforas. Foi também um momento muito bonito onde percebi que não adiantava ficar sufocando meu sonho em um emprego em uma área que não me contemplava como ser humano. Fiquei um bom tempo para reunir um dinheiro para que hoje eu tenha uma folguinha para me dedicar a escrita.

Felipe Nani, autor de Insânia.

AO: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesmo? Você tem outras ocupações profissionais além da escrita? Se sim, como concilia os dois?
FN: Normalmente eu escrevo pela manhã, assim que acordo. Estabeleço um cronograma e horários para que eu também não fique apenas na escrita, já que também tenho outras atribuições. Sou estudante de Game Design e atualmente estou trabalhando como designer e redator freelance para que eu consiga ter uma renda para manter e consolidar o meu sonho de ser escritor. Eu basicamente tenho o meu cronograma e uma tabela de horários onde tenho que ter disciplina para cumprir.

AO: Você tem alguma formação literária, estuda por conta própria ou escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento profissional?
FN: O Insânia foi um romance que veio de forma totalmente intuitiva, eu não sabia sequer o que era uma estrutura de 3 atos. Foi um experimento que surgiu de um sonho (pesadelo). Naquele dia acordei de madrugada fazendo anotações e dizendo para eu mesmo “Eu preciso escrever esse sonho”. Assim surgiu um romance. O Insânia veio em um momento em que as emoções provocadas pelo teatro estavam pulsantes, e eu estava consumindo muita literatura e dramaturgia. Só após terminar o livro que percebi que eu precisava me “profissionalizar”, no sentido de que eu precisava entender mais sobre os processos de escrita e sobre o que a teoria poderia me ajudar para que as minhas próximas estórias sejam melhores. Eu não acredito que é necessário o conhecimento teórico ou ser um acadêmico para ser um escritor, mas toda teoria que é aprendida com certeza ajuda a concatenar o caos criativo, que é extremamente importante para a criação artística.
Nessa busca por estudar mais a fundo, fiz diversos cursos de roteiro e de como contar estórias. Fiz curso com o André Vianco, Nano Fregonese, Thiago Fogaça e por aí vai. Fora os livros clássicos de roteiro e também sobre psicologia, que me deu uma base muito legal de como entender melhor a mente humana.

Felipe Nani no lançamento do seu livro, Insânia.

AO: Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor? (Como você lida com a procrastinação? Com medo de não corresponder às expectativas? Às vezes bate aquela sensação de insegurança, sensação de não ser bom o bastante? Como você vence os bloqueios criativos de modo geral?)
FN: O maior desafio que enfrento é uma cobrança minha para comigo mesmo. Todos os dias vêm aquelas questões: “Será que vou conseguir viver de escrever?”, “Será que o Insânia vai vingar?”, “Será que terei que voltar a trabalhar em uma área que eu não gosto apenas pelo salário?”, “Tenho que fazer um novo livro o quanto antes”. São pensamentos que minam a minha energia e que acabam gerando esse medo do amanhã. O que me faz voltar a pôr os pés no chão é entender que esse é um processo árduo e que exige muito trabalho. Sempre que me vem essas crises, que também são normais, eu penso que tenho que transformar o medo em trabalho, em possibilidades de fazer acontecer. Minimizar o máximo que eu posso o depender da “sorte”.

AO: Falando do texto em si, o que você mais gosta de escrever? Como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos e o que você acha importante fazer antes de soltar um texto no mundo?
FN: A primeira coisa é ler, reler e reler mais uma vez. Só me sinto seguro de mostrar algo quando tenho a sensação de que eu gostaria de ler aquilo que escrevi. Após isso eu mando para os meus amigos mais íntimos e minha parceira, a Lídia, são aquelas pessoas especiais que falam sem receios quando está “ruim” e fazem apontamentos construtivos. Eu os chamo de meus leitores beta. Depois eu volto, lapido mais um pouco e deixo reservado para que um dia eu publique. Aprendi que apagar também é escrever.

AO: Quantos livros você tem publicados? Você pode falar um pouco sobre as suas obras?
FN: Por enquanto publiquei apenas o Insânia, que vou deixar a sinopse e mais informações sobre a obra logo na sequência [Ver no final da entrevista]. Ah, e estou me planejando para publicar minhas poesias e crônicas em um blog, mas isso é um projeto para um futuro próximo.

AO: Qual é o papel das redes sociais para o seu trabalho de escritor? Como é a sua interação com seus leitores na Internet?
FN: Acredito que para novos escritores e escritoras as redes sociais são imprescindíveis para que os projetos deem certo. É um campo onde encurta drasticamente os espaços e intermédios que haveriam sem ela. Pelo menos, no meu caso, sem as redes sociais, o Insânia nem estaria engatinhando como está hoje. Construir uma audiência e uma conexão com seguidores/leitores é a única maneira, ao meu ver, de levar o oficio de ser escritor para frente nos dias de hoje. As formas de se conectar e de se relacionar estão muito diferentes de dez, vinte anos atrás, então devemos nos atentar e aproveitar o lado positivo que essas mudanças fornecem e nos atentar com o lado negativo é intrínseco a questão virtual e superficial que permeia o campo das redes sociais. É claro, não deixando de lado que é muito importante participar de eventos, conversar com as pessoas e passar o livro de mão e mão.

AO: Como você vê o mercado editorial para os novos autores? Quais são os principais desafios para quem quer publicar?
FN: Ainda é um mundo muito novo para mim. Cada dia estou aprendendo uma coisa nova. Acredito que estou conhecendo os maiores desafios, que é o de fazer o livro chegar até as pessoas e de que as pessoas ao redor encarem o ato de escrever um livro e produzir conteúdo literário é um trabalho que precisa ser remunerado, como qualquer outro. Como autor independente e desconhecido é muito difícil que as pessoas apoiem ou se interessem pelo trabalho. Para a pré-venda do Insânia fiz um projeto no Catarse para cobrir os gastos que tive com a publicação, que não foi nada barato e tirei do meu bolso para realizar. Nesse período de campanha, pude ter o feeling de muitas situações que rondam esse meio literário e alguns até similares com o das outras formas de arte. Como por exemplo em que as pessoas estão muito mais interessadas em criticar tecnicamente do que de fato consumir a estória. Também existe o lado de não entender que escrever um livro é um trabalho, que necessita de tempo e dinheiro para que vingue e se sustente. Acredito que precisamos abrir formas de diálogo para que esteja mais claro que as manifestações artísticas, deslocadas do eixo industrial e convencional de se ter uma fonte de renda, é sim um trabalho. Quando eu fazia teatro, dedicava o meu dinheiro e tempo em estudos e ensaios, no momento de apresentar as pessoas pediam ingresso gratuito para assistir as peças. A mesma coisa aconteceu e acontece com o livro. Ninguém é obrigado a consumir a arte de ninguém, mas precisamos evidenciar essa questão que barra o crescimento dos artistas, para que haja um campo de maior respeito e disponibilidade para que artistas sobrevivam do seu ofício.

AO: Quais são seus projetos futuros?
FN: Bom, eu tenho um projeto de ensaios, que venho escrevendo faz algum tempo, mas não sei se está no momento de lançar, acredito que eu tenho que viver mais, construir um público com romances antes de eu lançá-lo. Estou em um processo de criação de um romance novo já faz 1 ano e posso adiantar que ele está um pouco pesado, estou pesquisando formas de deixar a leitura menos chocante e mais densa, não será um terror ou horror, é um livro de suspense/thriller e estou muito ansioso para terminá-lo, mesmo sabendo que é um processo árduo e que exige muita persistência e paciência.

AO: Deixe o seu recado para os leitores do Algumas Observações.
FN: O recado que eu gostaria de deixar é: Obrigado por ter lido essa entrevista até aqui. Obrigado, Fernanda, pelo espaço cedido. Me acompanhem nas redes sociais, pois é só o começo da minha carreira como escritor. Nós, apaixonados por literatura, vamos olhar com mais carinho ao redor, pois há muita gente bacana produzindo coisas legais por aí, não falo necessariamente de mim. É só entrar nos projetos de financiamento coletivo ou ir em feiras de autores independentes, tem muito material lindo e de qualidade sendo feito. Vamos dar uma chance para os artistas independentes e novos que estão por aí precisando do nosso apoio.

→ Para acompanhar o trabalho do Felipe Nani, acesse o Instagram do autor clicando aqui ou lhe escreva no e-mail contato.felipenani@gmail.com.

Sobre o Insânia

Criação do livro

Significado de Insânia:
1. Condição de insano; demência ou delírio;
2. Ausência de juízo; imprudência ou insensatez.
(Etm. do latim: insanĭa)

Por quê, Insânia? Insânia é um substantivo que transita entre um quadro patológico, como insanidade e demência. Insânia contempla também um estado psicofísico, oriundo do campo das escolhas, como a imprudência e a insensatez.

Escolhas, patologias. E o que acontece quando essas escolhas parecem não serem realmente escolhas? E sim, um arrastar de braços, feito pelas mãos duras de algo que está além da compreensão necessária para que sequer possa ser enfrentado as claras, sem a névoa intensa do mistério.
E se fosse você convidado pela floresta a se aventurar em seu interior denso e desconhecido?
Para isso, escolhi o Parque Anhanguera para ser palco do Insânia, pois ele fez parte de minha infância. Onde a vida teceu muitos momentos bons, mas em contrapartida, deixou em mim um grande receio do que há dentro daquela mata fechada, com diversos pontos perigosos, que em qualquer caminhada um pouco mais desatenta, poderia fazer facilmente eu me perder dentro dessa imensidão e sabe-se lá o que poderia acontecer. Existem boatos e histórias tenebrosas de pessoas que se perderam lá dentro.

Insânia é uma obra composta de muitas premissas, muitas perguntas, e as respostas são o fragmentar da realidade a partir de um ponto de vista, que é o de Otávio. A infante aventura e curiosidade foi o maior dos chamados que colocou Otávio e seus amigos na direção dos piores de seus pesadelos. Descobriram que fora o pior, a partir do momento em que a dor não parou ao abrirem os olhos. O que resta é a dúvida de que se realmente tudo isso fora mesmo uma escolha feita por cada um.

Sinopse da obra

Dois garotos disputam uma corrida de bicicleta no parque da cidade. Otávio, que está liderando, é surpreendido com o ataque de uma ave misteriosa que o tira da pista, fazendo-o cair dentro da floresta. Ele e seu amigo Caíque, envolvidos pelo medo e mistério da floresta, descobrem uma cabana que até então ninguém havia descoberto.
Esse encontro curioso com o desconhecido desperta pesadelos cruéis que parecem tomar forma física além da imaginação de Otávio. Apavorado e sem explicações, é convencido pelos amigos de escola a investigarem juntos o que de fato existe dentro dessa cabana e qual os limites de seus sonhos. Será tudo uma brincadeira fruto de sua mente ou realmente os jovens estão brincando com o fogo do sobrenatural?

→ Para comprar o seu exemplar de Insânia e recebê-lo com dedicatória e marca-páginas personalizado, clique aqui ou entre em contato direto com o autor via Instagram. Para comprar no formato e-book, clique aqui.

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9 comentários:

  1. Muito bom poder conhecer um escritor tão novo em idade e no mundo literário. Me identifiquei com ele pois eu também sempre pendi mais para o lado artístico da vida, além de também ter feito teatro. Ahh e eu amei a sinopse do livro, quando possível vou ler Insânia.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  2. Uau, que entrevista incrível. Ainda não o conhecia, mas fiquei doida para ler o ''Insânia'', deve ser um livro ótimo! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  3. Oii, como vai?
    Eu tenho escrito um pouco ultimamente e por isso gostei bastante das dicas, a entrevista ficou bem recheada e já anotei algumas diquinhas aqui.

    Abraço,
    Larissa | Parágrafo Cult

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  4. Gente que demais! Adoro entrevistas.
    Adoro saber mais sobre os artistas e autores no caso, é muito interessante.
    Ainda não conhecia a obra do Felipe, mas super curti :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

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  5. Oi, Fernanda como vai? Já li o livro "Insânia" é gostei bastante da experiência que esta leitura me proporcionou. Excelente a entrevista. Sucesso ao autor e a dona do blog. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  6. E a lista de livros para ler só aumenta. A gente precisa de mais de uma vida só pra ler tudo o que a gente quer.

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  7. Oi Fernanda!
    Não conhecia o autor, mas adoro entrevistas pois conseguimos descobrir mais sobre as pessoas por tras daquelas histórias. E quando o autor é simpático, a gente quer ainda mais conhecer as obras, rs.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  8. Oi Fernanda,

    Não conhecia o autor, mas achei super bacana a entrevista.
    Só pela sinopse já fiquei curiosa com o livro dele.

    Bjs,

    Bom fim de semana!
    Jéh Diário dos Livros
    http://diarioelivros.blogspot.com/

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  9. Oi, Fê!
    Muito legal a entrevista, é sempre bom ver como os autores concebem suas obras e têm experiências artísticas diferentes. Fiquei curiosa para conhecer mais sobre o livro do Felipe.
    Beijos,
    Uaba

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