{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a Ayumi Teruya, do blog Pandinando

Oi, pessoal!
Hoje, na Vamos Falar sobre Escrita, trouxe um bate papo gostoso. Como vocês sabem, às vezes eu ataco de jornalista e entrevisto pessoas cujo trabalho admiro. ♥ Desta vez, conversei com a minha colega de projeto Escrita Criativa, Ayumi Teruya, que além de blogueira no Pandinando, é autora de livros. Nesta conversa, ela me contou um pouco de como é o processo de criação das suas obras e como foi a experiência de autopublicação. Confira!

Ayumi Teruya, autora do blog Pandinando e de E quem disse que eu sou normal?

Algumas Observações: Quando você sentiu vontade de começar a escrever e em qual momento você passou a ver a sua escrita como arte?
Ayumi Teruya: Desde bem pequena eu sentia essa necessidade de estar criando e imaginando mundos novos. Tamanha era essa necessidade que com cinco anos pedi para minha prima adolescente escrever uma história que eu estaria contando para ela, claro que ela desistiu no meio do caminho. Com sete anos aprendi a escrever e a partir desse momento não parei mais, a escrita parecia me completar de uma forma que nada mais podia e com onze anos já tinha acumulado 14 caderninhos de 96 folhas cheios de histórias infantis. Comecei a enxergar a escrita como arte quando percebi que as minhas colegas e inclusive os coordenadores se interessavam pela minha escrita. Na época nós tínhamos os paradidáticos obrigatórios e eu acreditava que poderia me tornar uma Ruth Rocha ou Tatiana Belinky no futuro.

AO: O que te levou a abrir um blog?
AT: Antes de escrever no Pandinando, eu já tinha tido outras experiências com blog na infância. Adorava a interação e respostas dos leitores, mesmo quando criança. Criei o meu blog atual porque me sentia saturada de ideias que não tinham para onde fluir. Eu queria compartilhar tudo com o mundo, desde fotos, textos, DIYs e qualquer outra coisa que viesse a minha mente.

AO: Por que publicar só no blog não te satisfez como artista?
AT: O meu blog possui uma plataforma boa, porém eu não consigo ver quando alguém me deixa um comentário ou até mesmo o tráfego de pessoas, então às vezes é como se eu estivesse escrevendo para fantasmas. Isso faz do meu blog pessoal algo um pouco distante das pessoas que estão do outro lado da tela, eu queria que elas tivessem um contato maior e talvez uma pequena parte de mim perto delas.

AO: Em qual momento você decidiu escrever um livro? Como foi este processo de escrita?
AT: Eu sempre tive o sonho de ter algum livro publicado, desde quando eu escrevia histórias infantis quando criança. No final de 2009 eu percebi que já não conseguia mais escrever histórias curtas e infantis, eu queria algo mais adolescente e resolvi escrever um livro de verdade.
Foi um processo bastante complicado, eu tinha doze anos e não fazia ideia de como usar as ferramentas do word, as únicas referências de livro que eu tinha na época eram os infantis e Crepúsculo, mas continuei escrevendo com o incentivo da minha melhor amiga. Na época era tudo muito simples e bobinho, não havia tanta descrição e o texto só era composto de falas. Depois desse, continuei escrevendo continuações e percebi que a cada ano que passava eu melhorava algum aspecto, as aulas de português me ajudaram muito e por incrível que pareça, as normas dos trabalhos da ABNT também!
No início de 2013 eu decidi que iria reescrever o primeiro livro, foram dois anos e aproximadamente quatro versões diferentes da mesma história. Eu tirei grande parte dos erros e organizei a lógica que antes não fazia sentido, mudei algumas personalidades de personagens que antes eram irritantes e tentei manter aspectos da primeira versão para não quebrar completamente o meu “link” com o passado. Eu não queria mudar completamente a história, só queria que ela fosse compreensível e agradável para futuros leitores. Foi um longo caminho de adaptação.

Você pode comprar o primeiro livro publicado da Ayumi acessando o Clube de Autores.

AO: O que te fez querer publicá-lo?
AT: Sempre escrevi rascunhos dos meus livros em cadernos pequenos e isso chamava um pouco a atenção dos meus amigos, às vezes eles me pediam para que eu os deixasse ler algum trecho, eles ficavam interessados e diziam que eu deveria publicar. Depois de muito tempo eu percebi que havia passado cinco anos devotando a minha vida a história de uma personagem e eu queria que ela fosse compartilhada com outras pessoas, além disso, meus amigos e professores sempre me apoiaram. Juntei todo esse apoio, a obra praticamente terminada e mais um pouco de coragem para poder publicá-lo.

AO: Você procurou alguma editora renomada/tradicional?
AT: Fiz uma pesquisa com as editoras que acolhiam o estilo literário do meu livro, algumas estavam lotadas de livros para avaliar e só avaliariam o meu daqui dois anos, outros não estavam aceitando originais e alguns nem tinham informações quanto ao envio. Cheguei a enviar para uma editora de nome que nunca me respondeu, mas eu não desisti. Continuei à procura e encontrei uma que me deu assistência e recebi uma proposta, claro que eu fiquei muito feliz, mas como uma adolescente sem renda própria e com familiares não tão incentivadores, tive que recusar. Foi então que eu decidi que não dependeria de ninguém para poder mostrar a minha arte.

AO: Como foi escolher publicar de forma independente?
AT: Foi uma escolha complicada, eu não estava certa de nada e sabia que se conversasse com meus familiares eles diriam que estava muito cedo para eu tomar essa decisão, eles acabariam barrando a publicação. As editoras se tornaram de difícil acesso, mas eu não queria que meu sonho acabasse por conta de um contrato de alto custo. Fiz uma pesquisa sobre as plataformas de publicação, conversei com uma menina que já havia publicado dessa forma e me animei. Eu estava decidida a publicar e fiz tudo o que foi necessário, diagramação, capa, contracapa e revisão (que é a parte mais complicada até hoje).

AO: Como foi escolher entre e-book e livro físico? Você pretende trabalhar com os dois formatos?
AT: Sempre gostei mais do livro físico, é algo mais pessoal e há toda aquela sensação de sentir o papel. Mas acredito que com a chegada dos e-books nós temos que nos adaptar e inserir essa funcionalidade também. Atualmente disponibilizo o livro nos dois formatos, mas a procura maior é pelo livro físico.

AO: Por que escolheu o Clube de Autores? O que você viu de bacana nele?
AT: Muitas das plataformas que pesquisei não tinham livros conhecidos ou sequer publicados na época, em algumas havia casos de plágio e outras pareciam não dar muita assistência ao autor. Então lembrei da conversa que tive com uma menina que havia publicado por lá e fui em busca do site para me informar melhor. Era tudo muito bem explicado e especificado, havia uma grande organização e a equipe do site respondia rápido. O site sempre mostra autores em destaques e indica livros em sua página inicial o que ajuda muito os autores, além disso, há promoções constantes para os leitores. Há também uma ramificação do site que oferece ajuda de profissionais que podem estar diagramando, revisando e até fazendo a capa do seu livro. Sem falar que a versão em e-book pode ser vendida em livrarias parceiras como a própria Livraria Cultura.

Autora e sua obra.

AO: Publicar de forma independente valeu a pena? Você faria novamente?
AT: Publicar de forma independente exige muito esforço do autor, principalmente se você estiver na transição de colégio para faculdade, mas de certa forma valeu a pena. Só o fato de saber que há pessoas lá fora que gostaram do meu livro e que se interessam em tê-lo já é uma grande vitória. Cada pessoa que diz “adorei seu livro, vai ter continuação?”, “adicionado na listinha para ler”ou “seu livro tem um potencial muito grande”, já faz com que todos esses anos desde 2009 tenham valido a pena. Eu com certeza faria novamente!

AO: Agora que o livro está disponível para todos, nos conte um pouco sobre ele. O que você pode nos dizer sobre E quem disse que eu sou normal?
AT: O livro conta a história da Dolores que é uma adolescente de quatorze anos. Ela acabou de mudar de escola e conhece todo esse mundo diferente que nem imaginava que existia. Ela sempre se achou uma garota comum, meio nerd, tímida e com nenhum tipo de atrativo, até que ela descobre que tem poderes e um amigo famoso entra na sua vida. É uma história que pode parecer meio clichê no começo, mas tem muito mais mistério por trás: ela tem um passado desconhecido que parece querer tomar conta da sua vida atual, sombras estranhas parecem persegui-la e coisas inexplicáveis acontecem. Há muita fantasia e ficção envolvida, é realmente outro mundo, fora ela ainda ter que lidar com as crises da adolescência na parte da sua vida normal, como uma patricinha que fica pegando no seu pé e até uma quedinha que seu amigo tem por ela.
No início da minha escrita a Dolores era uma versão "melhor de mim", ou pelo menos como eu queria ser quando fosse mais velha, mas depois de tantas mudanças e versões, ela acabou se tornando uma grande companhia para mim durante a adolescência. Se eu não gostasse de algo, ela estaria ali me levando para outra realidade muito mais interessante que a minha.

AO: Quais são os seus projetos para o futuro?
AT: Atualmente eu pretendo continuar com a divulgação do livro, começar a faculdade e continuar com o blog. Estou reescrevendo o segundo e espero poder publicá-lo em um futuro próximo, mas sei que devo dar atenção ao primeiro livro antes de começar a publicar as sequências desenfreadamente. Também estou planejando reescrever outro livro, que tem uma história diferente, para estar concorrendo em concursos ou enviando para novas editoras independentes que estão surgindo. Quero buscar por novas oportunidades de poder mostrar a minha arte.

Gostou da entrevista?
Então acompanhe o trabalho da Ayumi Teruya mais de perto:
blog Pandinando | facebook | instagram | hotsite de E quem disse que eu sou normal?compre o livro aqui.

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12 comentários

  1. oi, oi.

    Fê, adorei a entrevista! que coisa mais chic! <3

    não conhecia a Ayumi, mas já a considero demais, principalmente pelo fato de ter escrito uma história adolescente. tenho 21 anos, mas ainda me sinto preso na mente de uma criança. por isso, adoro ler histórias que envolvem um pouco esse mudinho de mudanças, escolas... <3 vou esperar aparecer dinheiro por aqui pra eu comprar o livro. certeza que eu vou adorar.

    sobre publicar independentemente, eu acho que vale super à pena, porque se a gente for esperar por as editoras...

    bjs!
    Não me venha com desculpas

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    1. Oi, oi, Adriel!

      A publicação independente vem abrindo muitas portas. Acho que isso é o mais legal de tudo.

      Quando a Ayumi, ela é uma querida! Tenho certeza que você vai gostar muito do livro e do blog dela. Vale a pena conhecer!

      Beijos!

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  2. Adorei a entrevista e a Ayumi Teruya, engraçado como nos identificamos com alguns personagens no decorrer de nossas vidas, né?! Fiquei super interessada no livro tb, vou inserir na minha meta de leitura desse ano. Parabéns pelo trabalho!

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    1. O livro é tão fofo quanto ela! Tenho certeza que você irá curtir! :D

      Beijos

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  3. Oi Fê,
    Adorei a entrevista. Não conhecia a Ayumi, mas agora vou fuçar lá no blog dela também! Super legal ela estar reescrevendo a história que escreveu na infância ao invés de ter feito algo novo, já que foi com a Dolores que ela decidiu publicar um livro!
    Adoro livros que se passam em escola, vou deixar na lista de futuras leituras :D

    Um beijo!
    Aline
    Inventando Assunto

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    1. Eu também gostei muito de conhecer este processo de escrita da Ayumi, Line. Dá pra ver que ela fez o livro de forma muito madura e consciente. Não publicar por impulso foi algo bem legal, que garantiu a qualidade literária aos leitores.
      Foi bacana demais saber deste bastidor!

      Beijos

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  4. Oi, Fê!
    Não conhecia a Ayumi, mas adorei a entrevista!

    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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    1. Oi, Sô!

      A Ayumi é uma fofa! :D
      Fico feliz por você ter gostado!

      Beijos

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  5. Adorei a entrevista e ela deve ter adorado ser entrevistada rs! Não sabia que era tão difícil assim publicar um livro mas achei bem corajoso da parte dela fazer isso de forma independente, bjus!

    bomhumornaosaidemoda.blogspot.com

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    1. Ela disse que gostou!
      E sim, publicar envolve muita coragem! :D

      Beijos

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  6. Gente eu juro que não conhecia esse blog Pandinando e estou babando! Uma fofurice, e amo o fato dela ter publicado livro, ser escritora "mesmo" sabe? É muita inspiração. Eu sempre quis publicar um livro também, mas duas coisas me impede: medinho de ninguém gostar e o fato de nunca conseguir terminar ele hahahaha. Brega, eu sei, mas esse post foi uma fonte de inspiração! ♥
    http://passaro-de-inverno.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Marina!
      Então, só pelo nome dá pra ter noção de como o Pandinando é fofo, não é? Como não amar pandas? ♥
      Espero que você aproveite a vibe do post e termine o seu livro. Faça isso por você, porque terminar uma história traz uma sensação de conquista que é indescritível!

      Um beijo!

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