Entre rachaduras e frestas
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| Foto de JT, via Unsplash. |
Terra seca. Frutos ao vento. Sol na cabeça. Sede. Fome.
Palavras ganhando o mundo. O oco, o vazio. Loucura. Infertilidade. Estado de
quase morte que não mata, devora. Depois do caos, o vazio. Ciclo de yin e yang
sem fim. Conto meses, dias, horas, minutos e segundos. Vejo os bem-te-vis
cantarem. Sinto o verdejar querer desistir da clorofila. É verão, mas faz frio.
Chuva, trovão e vento sendo sinais?
O período de travessia é truncado. Há cansaço do trabalho de
parto. Há cansaço dos cuidados de um recém-nascido. Há orgulho também. Quem
dá luz — a sementes, bichos, livros — conhece as dores e os prazeres. Contudo, esse espaço
entre dois mundos que há entre o fim e o começo é escorregadio. Nem
sempre é possível dar conta da vida, das ideias, do coração. Como já diria o
poeta: “E agora, José?”.
Me forço a, pelo menos, procurar palavras. No meu tempo, mas
me forço. Saio farejando o mundo, um passo após o outro, numa tentativa de voltar. Voltar
para onde? À gênese de tudo: uma ideia que seja, um sentimento que baste. Sinto
muito e se tudo é bastante, nada sobra. Pedras sobre pedras desmoronam no
aqui e no agora. Sou estrangeira às minhas lembranças. Me agarro às dores do
mundo. Dizem que um dia isso passa. Eu professo: Será?
Se fosse Pandora, ao menos me restaria uma esperança. Não sou. A terra segue seca. Meus frutos seguem ao vento. Minha garganta arranha na aridez. Transito na estéril incógnita.
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| Nebulosa. Foto por NASA, via Unsplash. |
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| Imagem por lillolillolillo, via Pixabay. |
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| Foto por Matt Hardy, via Unsplash. |
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| Foto por Andrew Stickelman, via Unsplash. |
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O tema da blogagem coletiva de setembro de 2020 foi: a voz. Para saber mais sobre o Projeto Escrita Criativa, clique aqui. |
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| Foto por Nick Morrison via Unsplash. |
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| Imagem por Laura Elizia Haubert. |
"É sempre preciso ler e reler os livros de Toni Morrison. Todos eles são transcendentais. Você vai me agradecer depois da leitura". — Barack Obama
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| Imagem: Companhia das Letras. |
Uma das escritoras mais célebres e reverenciadas de nossos tempos, Toni sempre foi uma hábil observadora do mundo. Suas palavras são sublimes não só nos romances, mas também nas obras de não ficção. A autora, que recebeu em 1993 o prêmio Nobel de literatura, analisa as linhas tênues que separam "nós" e "o outro", principalmente no que diz respeito ao corpo negro. Esse e-book traz dois textos essenciais para entender melhor esse debate: "Racismo e fascismo" e "O corpo escravizado e o corpo negro". Os textos deste livro brilham com a elegância literária e intelectual que fizeram a voz de Toni Morrison ecoar até os dias de hoje.
O politicamente correto é um assunto que abrange complexidade com o advento das redes sociais. No Brasil, ser correto às normas [racistas, homofóbicas etc.] não é ser correto. O recalque volta como sintoma. A eficácia do termo "politicamente correto" está enfraquecida dos dois lados, porque [esse termo] é mal visto. É uma maquiagem e um tapume contra o discurso de ódio. [Me pergunto] há uma solução?
Lugar de fala é diferente de representatividade. A representatividade é importante. Todo mundo é localizado socialmente. O homem branco não está acostumado a se localizar socialmente. O que significa fazer parte de um lugar em que tudo gira em torno do privilégio? Lugar de fala é, portanto, uma postura ética. As consciências dos lugares sociais são um processo de construção de empatia. O processo é doloroso, é incômodo, porque muitas vezes você se vê no lugar de opressor e tem que repensar as próprias atitudes.
O conselho dado por ambas escritoras é leia muito. Leia tanto obras de outros escritores, quanto o seu próprio texto, para trabalhar a reescrita. Para Noemi, é importante que o autor brasileiro conheça a Literatura Brasileira desde os primórdios até o que é produzido na contemporaneidade. Só assim: lendo e reescrevendo, que é possível se tornar um bom escritor. Já a Socorro acrescentou que é importante saber qual é a história que só você pode contar no lugar de seguir o que está na onda da vez do mercado editorial.
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| Conceição Evaristo e Jarid Arraes autografando na Casa Tag. |
'O discurso literário pretende mostrar o rosto de uma nação'. A literatura deve ser, portanto, completa em termos de representantes e vivências. A FLIP muda o rosto porque nós reivindicamos. (...) Nós sempre falamos, mas há vozes que falam mais alto que nós'. A autoria negra só chega à universidade com mais veemência a partir das afirmações, com acesso do público negro às universidades. Isso tem relação com as disputas de narrativa e com o medo com que nos colocamos. (...) Sendo assim, 'o nosso texto não pode ficar dentro do nosso limite. O texto de outro escritor faz parte da literatura brasileira, como o nosso [de autoria negra também faz]'. (...) 'O texto de autoria negra mostra um Brasil que as pessoas não querem ver. (...) A gente não quer colocar no branco um sentimento de culpabilidade, mas sim de responsabilidade, porque ainda são as pessoas brancas que estão no comando'.
| Retrato que fiz da americana Kristen Roupenian. |
A questão é 'O que fazer com o desconforto? Como leitora, eu gosto de me sentir desconfortável'. Portanto, o processo criativo se dá a partir de algo ou de uma situação que instiga, que provoca, não a partir de um tema específico. Há histórias que nascem das duas formas: mais estruturadas, planejadas (mesmo que seja um planejamento apenas mental) e outras surgem de modo mais espontâneo.
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| Estava tão fan girl que não tirei foto com a Lili. Segue a dedicatória cheia de amor que ela me fez, deste livro que já estou devorando. |
| Talita Taliberti, do KDP, a escritora Eliana Cardoso e a editora Janaina Senna, da Nova Fronteira. |
Na ficção, a ideia nasce mais desordenada, por isso é importante ter um arco narrativo. Também é necessário estar aberto às críticas dos leitores e dos editores e ler, ler muito. Aceitar o que o editor diz e fazer os cortes e adaptações necessários são impressindíveis para tornar o livro melhor. Indicação de leitura: O tempo envelhece depressa, de Antonio Tabucchi.
| Poesia em outras margens, com Flávia Péret e Dennis Radünz. |
"Poesia tem muito mais relação com artes visuais, com música, do que com literatura, com muitas aspas na palavra literatura. (...) Quando a gente está falando de poesia ou de artes visuais, a gente está falando de política".
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| Praia do Pontal, Paraty, Rio de Janeiro. |
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| Sarau no barco Embarque na Poesia. |
| Admirando (📷: Stéfhanie Fanticeli) |
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| Imagem: pexels. |
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| (Imagem: freephotocc) |
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| Façamos juntos a dancinha da alegria. |
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| Biblioteca Pública Paulo Duarte, temática em Cultura Afro-brasileira. |
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| Vamos escrever juntos? |
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| Imagem: edar. |
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| Imagem por Jarid Arraes. |
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