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segunda-feira, 15 de julho de 2019

{Vou por aí} Relato de viagem literária: FLIP 2019

segunda-feira, julho 15, 2019 28
Paraty, Rio de Janeiro.
"O que me fez escrever foi o desejo de compreensão do mundo".
(Conceição Evaristo, 12 de julho de 2019, Casa Tag, FLIP)

"A literatura trata do que é a confusão das nossas vidas".
(Eliana Cardoso, 13 de julho de 2019, Casa Livre & Santa Rita de Cássia, FLIP)

Sabe quando você decide algo de última hora, se joga e só vai? Foi assim com a minha primeira vez na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Resolvi viajar na terça de manhã, aos quarenta e cinco do segundo tempo, quando uma amiga disse que tinha uma vaga sobrando na hospedagem em que ela iria ficar, que não era longe do centro histórico e que não estava tão cara.

Paraty: pense numa cidade linda! :)

Corri com tudo o que era preciso adiantar de projeto de trabalho, fiz a minha mala, coloquei os meus livros para vender na mochila e parti na quinta de manhã para Paraty, sem ter muita certeza do que fazer. Além de não ter dado tempo de pesquisar da programação (um milhão de coisas pipocando na minha timeline, porque um milhão de amigos participaram tanto da programação oficial, quanto da extra-oficial, tudo ao mesmo tempo!), também acabei não pesquisando sobre a cidade e entendendo como ela funciona.

Antonio Prata e Djamila Ribeiro, na mesa Incorretamente Políticos, realizada na Casa Folha.

Na chegada, encontrei a Aline e entrei na fila com ela para ver a mesa Incorretamente Políticos, promovida pela Casa Folha, com a Djamila Ribeiro e o Antonio Prata. Costumo brincar que o meu eu-cronista sempre vai buscar respirar o mesmo ar que o Antonio Prata, para a inspiração literária vir. Já a Djamila me instiga de outro jeito, como mulher negra que conseguiu acessar um espaço que é tão preconceituoso e de difícil entrada para todos nós, negros, que é a academia. Ouvi-la, sobretudo, me dá forças para continuar a caminhada. 

O politicamente correto é um assunto que abrange complexidade com o advento das redes sociais. No Brasil, ser correto às normas  [racistas, homofóbicas etc.] não é ser correto. O recalque volta como sintoma. A eficácia do termo "politicamente correto" está enfraquecida dos dois lados, porque [esse termo] é mal visto. É uma maquiagem e um tapume contra o discurso de ódio. [Me pergunto] há uma solução? 
(anotações sobre a reflexão trazida pelo Antônio Prata) 

A Casa Folha estava lotada, e eu achei um pouco ruim a disposição dos convidados e do público, mas deu para ouvir e anotar bastante coisa, então foi válido mesmo assim.

Lugar de fala é diferente de representatividade. A representatividade é importante. Todo mundo é localizado socialmente. O homem branco não está acostumado a se localizar socialmente. O que significa fazer parte de um lugar em que tudo gira em torno do privilégio? Lugar de fala é, portanto, uma postura ética. As consciências dos lugares sociais são um processo de construção de empatia. O processo é doloroso, é incômodo, porque muitas vezes você se vê no lugar de opressor e tem que repensar as próprias atitudes.
(anotações sobre a reflexão trazida pela Djamila Ribeiro) 

Stéfhanie, do blog Nosso Relicário, e eu em frente ao projeto Ocupa Beauvoir.

Depois, voltei à Casa da Porta Amarela para comer algo e, sem querer, acabei conhecendo a Stéfhanie, do blog Nosso Relicário. A gente já se lia há algum tempo, então foi legal demais tê-la conhecido e me inteirar do clube de leitura que ela modera (vamos!). Foi com a Sté que eu fui a minha volta de reconhecimento pela cidade. A ideia era ver uma mesa da Natalia Timberman, no barco da FLIPEI, mas a programação se atrasou. Então fomos tomar um café, o que foi bacana, porque a nossa mesinha virou um mini ponto de encontro: primeiro, apresentei a Sté para a Jarid Arraes; segundo porque encontrei a Fernanda, uma professora amiga minha, que não via há uns 10 anos, pelo menos.

Nesse ponto, cheguei à conclusão que estar na FLIP é como viver longos dias de festa em que todos os seus amigos estão juntos. Tem coisa melhor que isso?

Socorro Acioli e Noemi Jaffe, na Casa Tag.

No dia seguinte dormi até um pouco mais tarde e acabei pegando metade da mesa da Noemi Jaffe com a Socorro Acioli na Casa Tag. Vi da janela mesmo (a casa estava lotada) e fiquei bem contente porque consegui perguntar a Socorro se ela virá à Flipop desse ano deu alívio saber que ela vem e que vou poder ouvi-la com mais calma de novo

O conselho dado por ambas escritoras é leia muito. Leia tanto obras de outros escritores, quanto o seu próprio texto, para trabalhar a reescrita. Para Noemi, é importante que o autor brasileiro conheça a Literatura Brasileira desde os primórdios até o que é produzido na contemporaneidade. Só assim: lendo e reescrevendo, que é possível se tornar um bom escritor. Já a Socorro acrescentou que é importante saber qual é a história que só você pode contar no lugar de seguir o que está na onda da vez do mercado editorial. 
(anotações sobre as falas de Socorro Acioli e Noemi Jaffe)


Mel Duarte abrindo a mesa com a Conceição Evaristo e Jarid Arraes. 

À tarde, voltei a Casa Tag  e, enquanto estava na fila para ver a Jarid mediando a mesa com a Conceição Evaristo, vi a performance feita na rua pelas escritoras do Slam das Minas RJ. Os poemas declamados foram tão impactantes que vale a pena passar no Instagram delas e ver os destaques "flip 2019".

Voltando à Jarid e à Conceição, o que dizer desse encontro? Ao estar entre autoras negras me sinto como se fizesse parte de uma grande família (e faço, não?). Momentos como esse é sempre viver dentro de um eterno abraço. Tão maravilhoso! Conceição disse que "foram os nossos que legitimaram a nossa voz", a fala dela endossa esse sentimento tão bom de ver alguém com tanta sabedoria compartilhando o que sabe (de literatura, de militância e de vida) com o público que estava ali presente.

Conceição Evaristo e Jarid Arraes autografando na Casa Tag.
'O discurso literário pretende mostrar o rosto de uma nação'. A literatura deve ser, portanto, completa em termos de representantes e vivências. A FLIP muda o rosto porque nós reivindicamos. (...) Nós sempre falamos, mas há vozes que falam mais alto que nós'. A autoria negra só chega à universidade com mais veemência a partir das afirmações, com acesso do público negro às universidades. Isso tem relação com as disputas de narrativa e com o medo com que nos colocamos. (...) Sendo assim, 'o nosso texto não pode ficar dentro do nosso limite. O texto de outro escritor faz parte da literatura brasileira, como o nosso [de autoria negra também faz]'. (...) 'O texto de autoria negra mostra um Brasil que as pessoas não querem ver. (...) A gente não quer colocar no branco um sentimento de culpabilidade, mas sim de responsabilidade, porque ainda são as pessoas brancas que estão no comando'.
(anotações sobre a reflexão trazida pela Conceição Evaristo) 

Retrato que fiz da americana Kristen Roupenian.

Permaneci na Casa Tag para ver a mesa seguinte, com a escritora americana Kristen Roupenian, autora do livro Cat Person e outros contos. Foi interessante demais para mim, que estou conectada a tantos escritores nacionais, entender como funciona o processo criativo de alguém que tem outra origem e vive outra cultura. Além de ser simpática ao extremo, Kristen relatou como lida com timidez em ter os seus textos lidos por tantas pessoas ao redor do mundo e como cria as suas narrativas. 

A questão é 'O que fazer com o desconforto? Como leitora, eu gosto de me sentir desconfortável'. Portanto, o processo criativo se dá a partir de algo ou de uma situação que instiga, que provoca, não a partir de um tema específico. Há histórias que nascem das duas formas: mais estruturadas, planejadas (mesmo que seja um planejamento apenas mental) e outras surgem de modo mais espontâneo. 
(anotações da fala da autora Kristen Roupenian) 

Estava tão fan girl que não tirei foto com a Lili.
Segue a dedicatória cheia de amor que ela me fez, deste livro que já estou devorando. 

Saindo da Kristen, fui tomar café com a Aline. Depois disso, voltei à Casa da Porta Amarela e lá conheci a Liliane Prata, que autografou o seu lançamento mais recente para mim, O mundo que habita em nós. Eu dei um exemplar do meu A Intermitência das Coisas para ela. Esse foi, sem dúvida alguma, o meu momento fan girl da FLIP, porque eu acompanho a Lili há muito tempo e foi legal dizer a ela o quanto tenho curtido o podcast (Proibido Fritar Pastel) e o quanto ainda estou impactada pelo episódio de estreia sobre o nada (ouçam e tirem as suas próprias conclusões!).

Talita Taliberti, do KDP, a escritora Eliana Cardoso e a editora Janaina Senna, da Nova Fronteira.

O meu terceiro dia de FLIP, começou na Casa Libre e Sta. Rita de Cássia, com a mesa da Eliana Cardoso, vencedora da 3ª edição do Prêmio Kindle de Literatura e a Janaina Senna, editora da Nova Fronteira. Eliana venceu a premiação com o romance Dama de Paus, que narra um assassinato e um suicídio numa cidade fictícia do noroeste de Minas Gerais. 

Durante a mesa, Janaina contou como funciona o processo de seleção da obras do Prêmio Kindle desde a inscrição no KDP até a publicação da obra (inscrições para o prêmio deste ano entre 15 de agosto a 15 de outubro, saiba mais aqui). Já a Eliana compartilhou de forma muito fofa como é o processo de escrita dela e o que é preciso para ganhar a premiação. 


Na ficção, a ideia nasce mais desordenada, por isso é importante ter um arco narrativo. Também é necessário estar aberto às críticas dos leitores e dos editores e ler, ler muito.  Aceitar o que o editor diz e fazer os cortes e adaptações necessários são impressindíveis para tornar o livro melhor. Indicação de leitura: O tempo envelhece depressa, de Antonio Tabucchi.
(anotações sobre a fala da escritora Eliana Cardoso) 

Poesia em outras margens, com Flávia Péret e Dennis Radünz.

Uma pausa para o almoço e, depois disso, caminhadinha com direito a sorvete e fotos pela cidade na companhia da Sté. Foi nessa voltinha que acabamos entrando no SESC (Unidade Santa Rita), e vendo o café literário "Poesia em outras margens", com Dennis Radünz e Flávia Péret. Pensem na grata surpresa. A Flávia, além de poeta, dá aulas de escrita criativa e vê-la compartilhando os seus conhecimentos como docente me trouxe muitas ideias para as oficinas de escrita criativa que eu leciono. Já o Dennis estabeleceu o paralelo entre a literatura e as outras formas de arte.

"Poesia tem muito mais relação com artes visuais, com música, do que com literatura, com muitas aspas na palavra literatura. (...) Quando a gente está falando de poesia ou de artes visuais, a gente está falando de política". 
 (Fala de Dennis Radünz sobre o fazer poético) 

Praia do Pontal, Paraty, Rio de Janeiro.
Já era o meio da tarde quando eu resolvi descansar um pouco. Estava exausta, cada amigo estava com uma programação diferente, e eu percebi que não conseguiria mais acompanhar nada de tão cansada. Então fiz o melhor que podia: caminhei até a praia, me sentei em uma das pedras, e passei boa parte da tarde contemplando a natureza. Há tempos não fazia algo assim e me reconectar com a essência foi ótimo para me reenergizar.

Sarau no barco Embarque na Poesia

Tinha planejado mais um sarau e uma mesa para o sábado à noite, entretanto, o frio me pegou de um jeito que, mesmo de casaco, comecei a passar mal. Fiquei triste de ter que sair no meio do sarau, porque três amigos meus estavam apresentando os seus poemas, mas senti que tinha que respeitar o meu corpo. Sendo assim, voltei, tomei um banho quente, depois fui comer e dormir para aguentar a viagem de volta no dia seguinte.


Admirando a cria o A Intermitência das Coisas em Paraty.
(📷: Stéfhanie Fanticeli)

Apesar de inesperada, a minha primeira Flip foi bacana. Ainda que não tenha ido com o propósito de vender os meus livros, consegui fazer algumas vendas, o que me deixou feliz por ter feito parte do evento também como autora. Ao voltar para casa, vi que a lista dos livros mais vendidos foi composta por negros e indígenas em sua maioria, o que é um marco para o mercado editorial brasileiro. Além de ser uma conquista e tanto para todos nós, dá orgulho de ter uma amiga ali no meio!

Enfim, a Flip foi um bom presente de férias. Agora, que venha a edição do ano que vem!

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Ah! Para quem quiser ver boa parte desses momentos, acesse os stories do meu Instagram, no destaque FLIP 2019
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terça-feira, 10 de maio de 2016

{Vou por aí} Theatro Municipal do Rio de Janeiro

terça-feira, maio 10, 2016 12
Hey, pessoal!
Há tempos não trago nada na coluna Vou por aí, então resolvi postar sobre mais um passeio que fiz na minha última visita ao Rio de Janeiro, em setembro do ano passado.

Escadaria no interior, toda trabalhada no mármore.

A decisão de ir ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro aconteceu meio ao acaso. Gisela e eu estávamos na Biblioteca Nacional (que será assunto em outro post), quando resolvemos ver se o teatro estava aberto. Como um é muito próximo do outro, fomos à pé e demos sorte: conseguimos comprar ingressos para a última visita monitorada do dia, que aconteceria em uma hora.

O ingresso custou dez reais, e lá foi único lugar em que não paguei meia entrada por ser professora.

Vitrais.

Arte e lustre da sala de espetáculos.

O grupo é dividido no início da visita pelos idiomas de seus participantes: português com um monitor, inglês com outro e espanhol com um terceiro. Isso é feito de forma bem organizada, de modo que um não atrapalhe o roteiro de visitação do outro e todos visitem os ambientes de forma completa.

Pinturas expostas em um dos salões.
Composição em azulejo em uma das sacadas.

O início da construção se deu em 1905, depois da mobilização feita pelo dramaturgo Arthur Azevedo. Foi ele o primeiro a mostrar a necessidade carioca de se ter um grande teatro de moldes franceses. Seu projeto é dos arquitetos Francisco de Oliveira Passos e do francês Albert Guilbert, tendo como inspiração a Ópera de Paris, de Charles Garnier.

Escultura em uma das namoradeiras (é assim que chamam este tipo de sofá).

Sim, é confortável (aliás, saudades, cabelo curto).

Seu interior é marmorizado e conta com diversas obras de artes (esculturas e pinturas) dos artistas brasileiros renomados na época da construção: Eliseu Visconti, Henrique Bernardelli, Rodolfo Amoedo, Rodolfo Bernardelli. Em seu subsolo, destaca-se a decoração assíria do salão do restaurante.

Uma das paredes de decoração assíria.

Vista do salão assírio.

Detalhe de uma das colunas do salão assírio.
Gisela e eu, pagando de turistas.

Toda esta suntuosidade se traduz em uma regra do espaço, conforme afirma o seu próprio site:
Não é permitida a entrada de pessoas trajando bermuda, short, top, camisa sem manga e chinelos.
Vista de uma das janelas.
Para ver todas as fotos que tirei lá, acesse o flickr. ;)

Quer conhecer mais? Então anote aí:
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Endereço: Praça Floriano s/n° - Centro - Rio de Janeiro
Informações: (21) 2332-9191
Bilheteria: Boulevard Avenida Treze de Maio  (entrada pela Rua Evaristo da Veiga)
Horário da bilheteria: Segunda a sexta, sábados, domingos e feriados – 10h às 18h.
Nos dias de espetáculos, das 10h até a hora do início da apresentação.
Vendas na Bilheteria, no site Ingresso.com ou pelo telefone (21) 4003-2330
Site | Facebook
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sábado, 26 de dezembro de 2015

{Vou por aí} (Instituto de Pesquisas) Jardim Botânico do Rio de Janeiro

sábado, dezembro 26, 2015 6
Oi, gente!
Hoje vim contar mais da última viagem que fiz ao Rio de Janeiro. Desta vez, o nosso destino é o Jardim Botânico carioca, lugar muito visitado por turistas e, pelo o que as meninas me disseram, por noivos que usam a beleza natural do local para as fotos do álbum de casamento.

Eu, no lugar preferido das noivas.

Fazer esta visita com duas amigas queridas foi muito divertido. Elas aproveitaram para me fotografar, e eu nem preciso dizer o quanto isso rendeu muitas risadas, preciso?


Selfie com azamiga: Lívia, eu e Gi.
Sobre o lugar em si, não me admira todo mundo querer fazer fotos por lá. O espaço é grande e tem uma beleza de tirar o fôlego! Os únicos pontos que estranhei foram o chão de areia (pois é, pensem na areia no tênis pós noite chuvosa ¬¬) e o fato de não poder entrar comida. Ali seria um espaço extremamente gostoso para fazer piqueniques. 

Chão de areia, pós chuva noturna.

Para quem não sabe, segue um pouco da história: o jardim botânico carioca foi aberto após o regente português, Dom João, decidir que o Rio precisava uma fábrica de pólvoras e de um espaço que acolhesse diversas espécies de plantas vindas de várias partes do planeta. A fundação do Jardim foi em 13 de junho de 1808 e seu nome oficial, desde 1995, é Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A instituição é vinculada ao Ministério do Meio-Ambiente, sendo referência mundial no estudo e pesquisa nas áreas de botânica e conservação ambiental.

Árvores antigas. ♥

Lívia e eu no caminho das palmeiras - acho que era esse o nome da ruazinha.
O mesmo lugar, por outro ângulo. Na imagem, palmeiras-imperiais.

O fim de semana em estive lá (em setembro) foi considerado frio para os padrões cariocas - ameno, para nós, paulistas - então, não sofremos com o calor ao andarmos pelo espaço. Havia alguns grupos de fotógrafos, muitos pais com crianças e grupos de estrangeiros (até ajudamos dois deles a encontrar o caminho de volta ao metrô no final do nosso passeio).

Além das plantas, há algumas espécies de aves por lá. É muito gostoso poder não apenas ouvir os cantos entre a vegetação, como poder ver alguns pássaros comendo pelo chão.




O espaço também abriga muitas esculturas, fontes e pequenos riachos, o que traz um ar histórico ao Jardim. Conforme vamos andando pelas ruazinhas, nos deparamos com estas formas de artes. Entretanto, como amante das Letras, o que mais gostei foi o espaço dedicado à Clarice Lispector. Os banquinhos, pelo o que entendi, são patrocínio da editora Rocco - pelo menos, tem o nome deles lá! - e trazem trechos da autora, que falam sobre o Rio de Janeiro.

Uma das esculturas. Esta fica em um pequeno mirante (?), em que temos a vista para parte do Jardim.

Pequeno riacho. Uma pena que próximo dele havia uma placa dizendo: água não potável. :(

Espaço Clarice Lispector (A Lívia que tirou essa foto fofa minha lá!).
Detalhes dos bancos. :)

Há ainda mais três espaços que são diversificados: o cactário, o orquidário e o bromedário. Os três são ambientes totalmente distintos do restante do Jardim Botânico, o que nos aproxima das três espécies de plantas.

Cactário.
Algumas das orquídeas do orquidário.
Vista do bromedário.
Tudo muito lindo, não?
Então anote aí e programe a sua visita:

Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Ingresso: R$9,00 - atenção: eles não aceitam cartão, só dinheiro!
Horário de funcionamento: das 9h às 17h
Rua Jardim Botânico nº1008
Rio de Janeiro - R.J.
CEP: 22470-180
Telefones: (21) 3874-1808 |  (21) 3874-1214
Site: http://www.jbrj.gov.br/
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domingo, 1 de novembro de 2015

{Vou por aí} O dia em que "conheci" o Drummond

domingo, novembro 01, 2015 6
Carlos Drummond de Andrade, Copacabana, Rio de Janeiro.

Quando decidi que iria ao Rio de Janeiro, dois desejos estavam claros em minha mente. O primeiro era visitar a Biblioteca Nacional (em breve teremos posts sobre isso); o segundo, por sua vez, era conhecer a famosa estátua do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade.

Esta história, entretanto, começou há tempos, quando estava no ensino médio. Estudar na adolescência foi um processo doloroso e, ao mesmo tempo, de descoberta. Doloroso por uma série de fatores que talvez eu conte um dia; de descoberta, porque foi justamente nesta época em que me descobrir como leitora e como escritora.

A poesia drummondiana entrou na minha vida durante as aulas da professora Cláudia. Ela sempre foi aquele tipo de docente que adorava teatro, então, as suas leituras eram sempre dramáticas. Definitivamente, ela era aquela contadoras de histórias de mão cheia. De lá para cá, o Drummond se tornou um dos meus refúgios. É para ele que eu volto quando sinto necessidade de ficar bem.

Na última vez que estive em terras cariocas, estava chovendo e frio para quem mora lá. Mesmo assim, fiz questão de dar um abraço naquele que sempre me completa. E quem me conhece sabe o quanto eu me empolgo com algo quando gosto (os Backstreet Boys que o digam), portanto, parecia uma criança feliz! uahahahaha

Vejam só: 

Fotos feitas pela querida da Livia Brazil.

A que mais gostei de todas foi essa:

Ah, gente, fala se essa foto não ficou amor puro? ♥ (Esta também foi feita pela Livia)

Se teve um momento da minha vida em que eu fui turista doida de verdade nesta viagem, foi esse. O mais engraçado é como isso contagiou as pessoas. Alguns transeuntes passaram e pediram que a gente aproveitasse para tirar uma foto deles também. O mesmo aconteceu com a Livia e com a Gisela, minhas hosts lá no Rio, e que não tinham fotos com ele ainda (acho):

Gi e o Drummond ♥
Livia e o Drummond ♥

Para quem gosta de literatura, este é um passeio bonitinho, barato e divertido (afinal, é na praia de Copacabana!). De lá, você pode dar um pulo no Forte para visitar o museu e tomar algo no café (e sim, isso será assunto para outros posts)!

Partiu, visitar o Drummond?

Estátua Carlos Drummond de Andradre
Avenida Atlântica, s/n
Copacabana, Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Veja localização no google maps.

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domingo, 11 de outubro de 2015

{Vou por aí} Palácio do Catete - Rio de Janeiro

domingo, outubro 11, 2015 6
Palácio do Catete visto do Jardim.
Em setembro, visitei o Rio de Janeiro e aproveitei para conhecer alguns lugares que sempre tive vontade, mas que nunca havia tido a oportunidade. Choveu o fim de semana todo, então não deu praia. De qualquer maneira, me diverti bastante conhecendo os espaços culturais lindos que há por lá. 

(Aliás, penso que as pessoas - cariocas e turistas - deveriam aproveitar mais os centros culturais que há no Rio. Nem só de praia e boemia vive o homem...)

Fiquei hospedada na casa de uma amiga carioca - Gi, sua linda, obrigada de novo! - e ela foi uma guia incrível! Acho o Rio meio confuso no sentido de locomoção (principalmente porque aqui em São Paulo eu faço tudo de metrô e o de lá não vai a todos os lugares), então estar com uma carioca o tempo todo foi uma mão na roda! 

O primeiro lugar que visitamos foi o Palácio do Catete. Lá há um jardim incrível, o Museu da República, um café, uma biblioteca e um cineclube. Nós visitamos o jardim e o museu e valeu muito a pena! :)

O Jardim


Obra: Caminhos mais claros, por Marcos Duarte. Madeira e fibra de vidro cromada.

Começamos a nossa visita pelo jardim. Além de lindo, ele estava com uma instalação artística em que várias obras de arte contemporânea contrastavam com as esculturas já existentes desde a construção do Palácio de Nova Friburgo (antigo nome do Palácio do Catete).

Obra: Walk in ball, por Felipe Barbosa. 135 bolas de futebol abertas e recosturadas e estrutura metálica

O jardim serve como refúgio ao caos urbano. Cercado de comércio, prédios, carros e movimento, várias pessoas vão até lá para descansar, ler, ter um momento para si. Com a chegada da primavera, os passarinhos estavam cantando felizes, o que trazia uma sensação de paz muito grande ao local. Recomendo a visita para quem quiser relaxar.

Escultura representando O Nascimento de Vênus.

Depois de darmos uma volta no jardim, entramos no museu abrigado dentro do palácio que serviu de cede da República, quando a capital do Brasil ainda era o Rio, e que também é conhecido por ser o lugar em que o presidente Vargas faleceu.

Piso térreo/1º andar

Logo na entrada temos noção da suntuosidade do lugar. Somos recebidos por duas esculturas que representam a Leitura e a Escrita, cada uma de cada lado da grande escadaria que nos leva aos pisos superiores.


Obra: A escrita.

Obra: A leitura.
No andar térreo, conhecemos um pouco da história do Palácio, construído entre 1858 e 1867, pelo Barão de Nova Friburgo, Antônio Clemente Pinto. À época o local foi considerado o símbolo do poder da elite cafeicultora. Vinte anos após o falecimento do Barão, o local foi vendido para uma companhia hoteleira - mas não chegou a se transformar em um hotel, porque foi comercializado novamente, sendo comprado pelo conselheiro Francisco de Paula Mayrink. Em 1896, o palácio foi adquirido pelo governo federal para servir de sede da Presidência da República.

Linha do tempo com os governantes brasileiros.
Ao visitarmos a sala de reuniões ministeriais somos recebidos pelo poema de Fernando Pessoa, Eros e Psiquê:

Poema localizado ao lado da entrada da sala ministerial.

Sala ministerial em que o presidente e seus ministros de reuniam. Ao centro da mesa, a estátua simbolizando a Justiça.


2º andar - Piso Nobre

Este é o andar que fora destinado às festas e recepções. Cada uma das salas tem uma decoração temática em que o visitante é submergido por arte: as paredes, os tetos, os vitrais, até as maçanetas são artísticas. A vista de acesso que a escada principal nos dá, já nos faz ter noção do que nos espera nos andares superiores.

Detalhes na escada principal.

Vista que temos da escada aos andares superiores.

É no piso nobre que temos acesso às salas de jantar (Salão de Banquetes) e de jogos (Salão Mourisco). Nele também há um espaço para a recepção de visitas e bailes (Salões Pompeano, Nobre e Veneziano) e uma capela. Consta na história que realizava-se saraus no salão Veneziano e foi lá em que aconteceu o sarau com as músicas de Chiquinha Gonzaga. Foi neste evento em que a elite pode conhecer um novo ritmo, o Corta-jaca, fato que escandalizou a sociedade da época. Este evento foi realizado pela D. Nair de Teffé, segunda esposa do presidente Hermes da Fonseca.

Salão de Banquetes.
Detalhe do teto do Salão de Banquetes.
Selfie no Salão Veneziano.

Neste andar também há a sala do presidente, com detalhes do escritório de Getúlio Vargas. Tudo está tão conservado que dá a impressão que ele pode aparecer a qualquer momento. Vejam só:

Manuscritos do presidente Getúlio Vargas.
Vista do Escritório.
Selfie no elevador presidencial.

3º andar - Habitações

Este é o andar em que estavam os quartos dos moradores do palácio - e o local em que Getúlio Vergas se suicidou em 24 de agosto de 1954. Infelizmente, não pude visitá-lo, porque esta parte do museu está fechada para restauração. Segundo nota no site do museu:
Devido a problemas estruturais e reformas, o terceiro andar do Palácio do Catete, Museu da República, onde se encontra o quarto do Getúlio e a Exposição “Res publica”, está fechado para visitação.
No entanto, o “Pijama do Getúlio” e a arma utilizada no suicídio estão em exibição no andar térreo, como parte da exposição “Saio da vida para entrar na História”.
Sem dúvida, esta é uma visita que vale muito se feita!
Para ver mais fotos e sentir mais deste lugar, visite o álbum no flickr.

PALÁCIO DO CATETE
Jardim: entrada gratuita
Museu da República: R$6,00 (estudante e professor pagam meia entrada)
Local: Rua do Catete nº153 - Catete - Rio de Janeiro | R.J.
Telefone: +55 21 2127-0324

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