Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond de Andrade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond de Andrade. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de janeiro de 2024

{Resenha} A lição do amigo, de Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade

domingo, janeiro 14, 2024 15
Quando a amizade é maior que a profissão. 💚


A lição do amigo: cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade é um livro interessantíssimo por mostrar, ao longo das suas 91 cartas, as mensagens que Drummond recebeu do amigo entre 10 de novembro de 1924 e 23 de fevereiro de 1945. As missivas foram organizadas pelo próprio Drummond, com notas de rodapé explicativas, que dão o contexto seja histórico, seja das pessoas e obras citadas.

Este é o tipo de livro que é para ser lido aos poucos, degustado, sentido. Além dos assuntos já esperados, a exemplo das conversas sobre literatura e escrita, há um rasgar-se por inteiro. Mário é um amigo que se entregou a amizade com disponibilidade, amor e preocupação, por vezes. Em alguns trechos, há pressa: a viagem, a doença ou a falta de dinheiro atingiam o autor de Macunaíma; em outros, por sua vez, Mário de Andrade fez análises delicadas e profundas dos poemas do Drummond (em especial, do livro Alguma poesia), deu-lhe conselhos amorosos e de como viver mais feliz, consolo pela perda do filho.

“Trabalhe nos seus pontos de escola, faça exame, isso é vida e é lindo viver, depois volte pros poemas e pro pensamento literário. Momentos de infecundidade toda gente tem, não se incomode com eles. E se acabar a poesia (o que pea mim é muito possível que aconteça breve, tais as indecisões e os problemas que me agitam e a que não encontro solução) volte pra prosa, crítica, e ficção isso não acaba mesmo nunca e nesse terreno quase tudo está por fazer entre nós. Não desanime por favor, isso é burrada grossa.” (Mário de Andrade, carta 8 — página 79)

Apesar de famoso, Mário de Andrade não hesitava em pedir ajuda quando necessário ou a opinião sobre seus textos. A troca entre os poetas era profunda, mesmo sem terem se visto muitas vezes pessoalmente. Havia contato e admiração. Essa intimidade fica presente ao longo do livro como um todo e o modo como a obra fora organizada joga a nós, seus leitores, para dentro desta amizade. Acabamos nos sentindo não só testemunhas, mas também de algum modo parte dela — ainda que só leiamos as cartas recebidas, não as enviadas. 

A linguagem é fácil de ser compreendida. Do mesmo modo que Mário de Andrade pretendia aproximar cada vez mais sua literatura da variante falada do português, para criar uma literatura essencialmente brasileira, nas cartas não havia uma preocupação com pompas. A preocupação era a da gentileza e a de falar com o coração de seu interlocutor.

“Agora Carlos, como cada carta de você me entristece! Palavra de honra que eu não queria que você fosse assim tão desalmado pra consigo mesmo. Uma coisa abatida, uma coisa amolecida na vida… Você sabe o que que eu tenho vontade de pedir de pra você? Quem sabe se você quer experimentar isso? Minta que é alegríssimo, que é forte, que tem coragem de encarar tudo com risada na boca, minta Carlos. Te juro que você acaba acreditando nisso e ficando feliz. Por outra: feliz não é bem o termo porque você nunca me falou propriamente que é desinfeliz. Nem triste propriamente a não ser em casos dolorosos onde só mesmo a tristeza cabe e eu também fico triste. O que me dá tristeza é o abatimento, a falta de coragem, a falta de seriedade. Não sei bem se você já reparou vem como a seriedade é um caso sério mesmo. Matute nisso”. (Mário de Andrade, carta 32 — páginas 166 e 167)

É interessante ver como dois autores do cânone da literatura brasileira descem do pedestal em que foram colocados na intimidade. No caso, vemos dois amigos preocupados com os interesses um do outro, apoiando um ao outro. Sem glamour. Sem estrelismos. Algo que explica bem o título do livro: afinal, o que é uma amizade senão um eterno trocar, aprender, evoluir juntos?

“Pra mim são tão importantes como escrever um romance ou sofrer uma recusa de amor. Tudo está em gostar da vida e saber vivê-la. Só há um jeito feliz de viver a vida: é ter espírito religioso. Explico melhor: não se trata de ter espírito católico ou budista, trata-se de ter espírito religioso com a vida, isto é, viver com a religião da vida. Eu sempre gostei muito de viver, de maneira que nenhuma manifestação da vida me é indiferente”. (Mário de Andrade, carta 1 — página 19)
capa.

Livro: A Lição do Amigo: cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade
Autor: Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade
Editora: Companhia das Letras
Gênero: cartas/epistolar
Páginas: 440 
Apresentação: Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade se conheceram em 1924, durante viagem do paulista a Minas Gerais. Mário já era uma figura de proa do movimento modernista, ao passo que o mineiro ainda não havia estreado em livro. A correspondência entre os dois poetas tomaria corpo pelos vinte anos seguintes, até as vésperas da morte de Mário, em 1945. As cartas, reunidas pelo próprio Drummond, são o testemunho luminoso de uma amizade entre dois autores fundamentais do Brasil. Entre conversas sobre a natureza da poesia, o dia a dia mais prosaico e comentários sobre o que é ser artista no Brasil, os dois poetas travam, com afeto e inteligência, uma conversa que ilumina e emociona.
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 14 de novembro de 2021

{Resenha} Tempo Vida Poesia, de Carlos Drummond de Andrade

domingo, novembro 14, 2021 10
Carlos Drummond de Andrade e Lya Cavalcanti (imagens: IMS)


Estudiosos da vida do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade sabem que o autor não era muito de ficar espalhando aos quatro ventos como era o seu dia a dia. Por isso mesmo, ler Tempo Vida Poesia é tão precioso. O livro não é muito grande — tem apenas 124 páginas —, mas é um tanto poderoso.

O volume é um compilado de oito conversas entre Drummond e sua amiga, a jornalista Lya Cavalcanti, que foram ao ar em oito domingos de 1954, no programa de rádio Quase memórias e que depois foram publicadas Jornal do Brasil. Dividida em pequenos capítulos, a prosa cobriu pontos importantes da vida do poeta de sete faces que foram desde as primeiras leituras da infância até a obsessão em reunir todos os artigos — fossem eles bons ou ruins — sobre um de seus mais famosos poemas, o "No meio do caminho" (de seu livro de estreia, Alguma Poesia).

Ao longo da leitura, o leitor entra em contato com outro Drummond: não o gauche, que tem uma vida besta, mas um menino fanfarrão que chegou a, literalmente, causar um incêndio em uma casa por causa de uma paquera. 

Carlos Drummond de Andrade e Lya Cavalcanti (imagens: IMS)


Também é muito interessante ver como as relações entre o grupo de escritores do Modernismo mineiro aconteciam e como esses autores se relacionavam com os demais (principalmente com os paulistas e com os cariocas). É bonito de ver como a escrita se relaciona com a vida, como a literatura habita tudo, como os autores se desenvolveram artisticamente no desenrolar dos acontecimentos.

Entre anedotas e influências, Drummond não deixou de dar o recado. Há muitas reflexões sobre o fazer literário, sobre a escrita e sobre o papel da arte naquele que era o seu mundo (e que, de algum modo, não deixou de ser o nosso, de seus leitores, também).

Nunca deixei de nutrir certo respeito-ternurinha pelos mais velhos que tinha feito o mesmo que eu tentava fazer. Podia  não ser muito afeiçoado ao que escreveram, mas eram de certo modo meus tios, pessoas a quem a gente dispensa consideração, mesmo não indo com a cara deles. De fato, se não fossem esses tios literários, que mal ou bem nos transmitem o fio de uma tradição que vem de longe, não haveria literatura. Ninguém a inventaria. Ela foi se formando por um anseio de expressão dos primeiros representantes de espécie humana que sentiram necessidade de formular alguma coisa mais do que o enunciado direto da fome, do sexo, da ambição e do medo. Alguma coisa que fosse ainda reflexo dessas necessidade, mas que chegasse além delas: tentativa de reinvenção do real em termos abstratos, ou de imaginação realizada em linguagem. Daí por diante a linguagem teria uma dupla missão: servir ao cotidiano e ao intemporal, constituido pela criação literária. Todos esses barbudos antigos que a utilizaram da segunda maneira são nossos pais ou irmãos mais velhos, companheiros da gente na aventura literária. Não houve uma geração inútil, ainda que se manifestasse mediocremente. De qualquer modo, serviu de elo na corrente infindável. Eu pego num livro velho com reverência; sinto nele a substância inerente a toda criação do espírito: o desejo de alongar as fronteiras da existência, pela reflexão ou pelo sonho acordado... (Carlos Drummond de Andrade — páginas 70 e 71)


Livro: Tempo Vida Poesia: Confissões no rádio
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Posfácio: Elvia Bezzera
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 124
Apresentação: Uma conversa entre amigos, pautada pelo humor e pela cumplicidade.
“Tudo o que tenho a dizer está nos meus livros”, disse certa vez Carlos Drummond de Andrade, avesso, habitualmente, a falar sobre a própria vida. No entanto, ao conversar em 1954 com a amiga e jornalista Lya Cavalcanti numa série de oito programas gravados para o rádio, sua discrição foi aos poucos se dissipando. A transcrição desses encontros, chamados de “Quase memórias”, viria a ser publicada nas páginas do Jornal do Brasil anos mais tarde e, em 1986, ganharia forma em livro.
No posfácio escrito para esta edição, Elvia Bezerra comenta que em Tempo vida poesia está “impregnado o frescor, a inteligência e a vivacidade de uma conversa entre dois jornalistas amigos tão diferentes em suas personalidades quanto afinados no que há de humano e intelectualmente essencial”.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

{Aula Gratuita} Livros à prova: Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade (Vestibular Fuvest)

quarta-feira, novembro 11, 2020 4
Eu visitando a estátua do Drummond no Rio de Janeiro (2015).

Oi, pessoal! 
Conforme contei para vocês na retrô de outubro, mês passado eu gravei um projeto muito especial junto com a minha amiga e também escritora Aline Caixeta. Juntas, fizemos uma aula sobre o livro Claro Enigma, do Carlos Drummond de Andrade, para o canal Oficinas Culturais do Estado de São Paulo. A obra está na lista de leitura obrigatória da Fuvest de 2020 e 2021, além de ser um importante livro do cânone brasileiro.

Carlos Drummond de Andrade

O Drummond é um dos meus escritores favoritos. Tanto na poesia, quanto na crônica, amo a literatura produzida por ele, então poderia passar a vida falando sobre ele (inclusive, vocês gostariam de vídeos assim no meu canal?). Por isso, fazer essa gravação foi um deleite! 



Estrutura da Aula

Assim como aconteceu com a aula que gravamos sobre a crônica da Clarice Lispector, antes de falarmos do livro propriamente dito, quisemos trazer um contexto para o nosso expectador. 

Panorama histórico

Iniciamos a aula apresentando um panorama histórico, tanto mundial, quanto do Brasil, ressaltando fatos que influenciaram a produção do Drummond e a criação do Claro Enigma, em especial.

Biografia e principais livros

A segunda parte da aula foi para apresentar alguns pontos da vida e as principais obras do Drummond. Como o Claro Enigma é um livro que traz muito tanto de fatos biográficos, quanto da intertextualidade com outros poemas escritos pelo autor, essa parte da aula é fundamental.



Claro Enigma

Por fim, entramos no livro propriamente dito. Apresentamos sua estrutura e analisamos tanto os poemas mais famosos, quanto os nossos preferidos. Durante a análise, apontamos os recursos estruturais e linguísticos, bem como a ligação dos poemas com os outros textos do autor, sua relação com outros escritores, com seus dados biográficos e com os fatos históricos da época. Também buscamos relacionar o texto com o nosso contexto atual, para que os expectadores percebam a relevância literária desta obra e os motivos que a levaram a ser parte do nosso cânone.


Aperte o play! :)


Para continuar estudando

Na descrição do vídeo há um link para o material utilizado na aula. Você pode fazer o download e continuar os seus estudos.

Espero que vocês gostem!


_____________________________________________________________
Observe também em: Bloglovin | Facebook | Twitter Instagram Flickr | Newsletter | Loja

sábado, 27 de outubro de 2018

Uma carta a Carlos Drummond de Andrade

sábado, outubro 27, 2018 8

Querido Carlos,

perdoe-me a intimidade de chamá-lo pelo primeiro nome. Acontece que não gosto de formalidades e, me parece, você também não. Ademais, quero conversar sobre o que anda transbordando do peito e isso também não combina com cerimonialismos.

Estava aqui pensando quando nos conhecemos e como foi o nosso primeiro encontro. Não consegui me lembrar ao certo, mas creio que isso aconteceu em uma sala de aula, há 17 anos. O poema que trazia as suas sete faces me despertou o desejo de entender mais da crítica literária e de querer esmiuçar cada verso, para lhe conhecer melhor. Dali, pulamos para "No meio do Caminho", "Quadrilha" e "Sentimento do mundo". Foi com "Sentimento do mundo" que você ganhou meu coração. Você mora nele até hoje.

Trecho de abertura do poema "Sentimento do Mundo", de Carlos Drummond de Andrade.
Alguns amigos lhe reconhecem no que eu escrevo, mesmo que eu não esteja pensando em você no momento da escrita. De algum modo mágico, seu texto se entranhou nas minhas veias. As crônicas, os poemas, o seu modo intenso de ver o mundo com uma simplicidade dolorosa... Não sei se aprendi com você a ser assim, ou se me reconheci em você justamente porque sou assim.

A resposta para esse dilema não importa. A confluência, sim. Principalmente quando ela é do amor. Tenho fé nas pessoas, Carlos, e não quero perdê-la. O mundo está de pernas para o ar; mas, ainda assim, quero manter fé nas pessoas. E é por isso também que lhe escrevo.

Carlinhos, você viveu o horror de presenciar as duas grandes guerras. Você também viu o que veio depois delas. Então, Carlos, me diga, como lidar com tanta gente se odiando? Como educar, como escrever, como encontrar forças para vencer o medo e o ódio que se espalham pelas ruas e ganham cada vez mais força? Como viver em uma sociedade que está polarizada? (Sim, de novo, Carlos. Em outro contexto decerto; contudo, aqui estamos nós, cada um de um lado.)

Poema "Congresso Internacional do Medo", de Carlos Drummond de Andrade.

Carlos, a amendoeira falou enquanto seus netos brincavam na praça. Será que voltarei a ver esta paz reinando novamente? Será que, de algum modo, a humanidade aprenderá com os seus erros e terá paz algum dia? Será que o José encontrará um consolo para o seu e agora?

Trecho do poema "As Sem-Razões do Amor", de Carlos Drummond de Andrade.

São muitas perguntas sem respostas, Drummonzinho. Muitas mesmo. De qualquer modo, por mais que eu conserve este nó no peito, quero lhe agradecer: suas crônicas e seus poemas sempre foram e sempre serão um abraço em meio ao caos.

Com carinho,
_____________________________________________________________

domingo, 4 de fevereiro de 2018

{Vou por aí} Coleção Brasiliana, do Itaú Cultural, em São Paulo

domingo, fevereiro 04, 2018 4
Coleção Brasiliana, do Itaú Cultural.
Semana de carnaval... Que tal aproveitar aquele momento em que você está à toa entre um bloquinho e outro para conferir uma super exposição? A sugestão do dia é dar um pulo no Itaú Cultural e percorrer os dois andares da Coleção Brasiliana, instalada no Espaço Olavo Setubal. Dividida em 9 módulos, a mostra apresenta a história do Brasil por meio de pinturas, fotografias, numismática, cartografia e literatura, trazendo ao visitante a multiplicidade da nossa cultura.

Este é um dos primeiros mapas em que o Brasil foi retratado.

O acervo parte de um Brasil desconhecido, cujo território foi desbravado e moldado por intermédio de relatos que partiam de um viés um tanto exótico-fantasioso. O canibalismo e o índio como figura européia são temas predominantes destas narrativas deste lugar que ninguém sabia ao certo que rumo teria. 

Do desconhecido o visitante é conduzido ao período de colonização holandesa e o pelo registro deixado pelo legado de Maurício de Nassau. Há, portanto, certa predominância de obras que retratam o Nordeste e sua paisagem durante estes oito anos.

Livros dos autores árcades Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Santa Rita Durão e Basílio da Gama.
A seguir, passa-se ao período em que os portugueses resolveram fechar as fronteiras, após a derrotarem os holandeses. Foi na mesma época também que os lusitanos descobriram o ouro da região de Minas Gerais. Além de retratar a tensão política, foi neste momento em que eu tive o meu primeiro impacto literário durante a minha visita: vi ali as primeiras edições dos livros dos dois principais autores árcades: Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa. Ao lado das edições, ainda pude observar documentos assinados pelos inconfidentes — incluindo o Tiradentes — e a imagem de Nossa Senhora das Dores, esculpida por Aleijadinho.

Deste impacto, o visitante é conduzido ao Brasil dos Naturalistas. O que mais me encantou neste módulo foram as cromolitografias: pássaros e plantas da nossa fauna e flora feitos com toda a delicadeza e precisão.

Observando as gravuras do Brasil dos Naturalistas. Uma imagem mais linda que a outra.
As capitais e as províncias são registradas nos módulos 5 e 6 da exposição, assim como o império, no módulo 7. Contudo o que mais expressa a nossa realidade é a oitava parte da exposição, O Brasil da Escravidão, que escancara o modo com que os diversos artistas viajantes retrataram, em contextos rural e urbano, a escravidão no Brasil.

Nem tudo são flores. A escravidão vista pelos diversos artistas que aqui passaram e deixaram estas imagens como documento histórico.
A viagem histórica termina no módulo 9, que ressalta o Brasil dos brasileiros. Ali, mais uma vez, meu coração pulsou com a coleção literária que inclui obras — algumas delas com dedicatórias ou autografadas — dos cânones Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Jorge de Lima e Manuel Bandeira.

Grande Sertão: Veredas, com dedicatória do Guimarães Rosa a Gilberto Amado.
E Sagarana, dedicado a José Lins do Rêgo. 
Dedicatória de Clarice Lispector, no livro Laços de Família.
Meu coração quase parou ao ver o livro do Drummond (meu divo, meu muso, meu amor). ♥

Visitar a Coleção Brasiliana foi, sem dúvida alguma, uma experiência enriquecedora. É sensacional poder, de algum modo, ver tudo o que estudamos sob outro olhar. Vale a pena conferir!



Exposição Coleção Brasiliana
Funcionamento: Terça a sexta das 9h às 20h. Sábado, domingo e feriado das 11h às 20h.
Endereço: Itaú Cultural — Espaço Olavo Setubal (Pisos 4 e 5)
Avenida Paulista, 149
São Paulo — SP
CEP: 01311-000
Telefone: +55 11 2168 1777
E-mail: atendimento@itaulcultural.org.br
Site | Facebook | Twitter | YouTube | Instagram

_____________________________________________________________

domingo, 1 de novembro de 2015

{Vou por aí} O dia em que "conheci" o Drummond

domingo, novembro 01, 2015 6
Carlos Drummond de Andrade, Copacabana, Rio de Janeiro.

Quando decidi que iria ao Rio de Janeiro, dois desejos estavam claros em minha mente. O primeiro era visitar a Biblioteca Nacional (em breve teremos posts sobre isso); o segundo, por sua vez, era conhecer a famosa estátua do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade.

Esta história, entretanto, começou há tempos, quando estava no ensino médio. Estudar na adolescência foi um processo doloroso e, ao mesmo tempo, de descoberta. Doloroso por uma série de fatores que talvez eu conte um dia; de descoberta, porque foi justamente nesta época em que me descobrir como leitora e como escritora.

A poesia drummondiana entrou na minha vida durante as aulas da professora Cláudia. Ela sempre foi aquele tipo de docente que adorava teatro, então, as suas leituras eram sempre dramáticas. Definitivamente, ela era aquela contadoras de histórias de mão cheia. De lá para cá, o Drummond se tornou um dos meus refúgios. É para ele que eu volto quando sinto necessidade de ficar bem.

Na última vez que estive em terras cariocas, estava chovendo e frio para quem mora lá. Mesmo assim, fiz questão de dar um abraço naquele que sempre me completa. E quem me conhece sabe o quanto eu me empolgo com algo quando gosto (os Backstreet Boys que o digam), portanto, parecia uma criança feliz! uahahahaha

Vejam só: 

Fotos feitas pela querida da Livia Brazil.

A que mais gostei de todas foi essa:

Ah, gente, fala se essa foto não ficou amor puro? ♥ (Esta também foi feita pela Livia)

Se teve um momento da minha vida em que eu fui turista doida de verdade nesta viagem, foi esse. O mais engraçado é como isso contagiou as pessoas. Alguns transeuntes passaram e pediram que a gente aproveitasse para tirar uma foto deles também. O mesmo aconteceu com a Livia e com a Gisela, minhas hosts lá no Rio, e que não tinham fotos com ele ainda (acho):

Gi e o Drummond ♥
Livia e o Drummond ♥

Para quem gosta de literatura, este é um passeio bonitinho, barato e divertido (afinal, é na praia de Copacabana!). De lá, você pode dar um pulo no Forte para visitar o museu e tomar algo no café (e sim, isso será assunto para outros posts)!

Partiu, visitar o Drummond?

Estátua Carlos Drummond de Andradre
Avenida Atlântica, s/n
Copacabana, Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Veja localização no google maps.

_____________________________________________________________

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Quando o sentimento do mundo está aqui...

sexta-feira, maio 31, 2013 6
Ilustração feita por mim, para o curso de Arte.

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Carlos Drummond de Andrade não é um dos meus poetas favoritos sem motivos. Ainda hoje, tantos anos depois de sua morte, lembro-me de suas palavras. Por mais que sua intenção seja a de transmitir outros sentimentos e outras verdades, seus versos me vêm à mente com uma facilidade, como se fossem um pensamento meu, não dele, que me descreve. Talvez ele soubesse que isso aconteceria, talvez não; mas, de qualquer forma, não poderia deixar de agradecer por conseguir resumir o peso que sinto na tensão dos músculos dos meus ombros de maneira tão poética.

Minhas mãos escrevem o sentimento do mudo que está preso garganta a dentro. É difícil olhar para as lembranças de um futuro promissor e vê-las escorrendo. O amor, que deveria ser confluente, é ausente. Os sonhos, aonde eles foram mesmo?!

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

As pessoas dizem que tudo passa e ficará bem; e, por mais que eu saiba disso, bate aquele desânimo de ver a vida seguindo um rumo que eu simplesmente não queria, não sonhei e não esperava. O desejo é cada vez mais raro. A guerra interna matou tudo: vontade, inspiração, força, luta...

Acabo me dispersando... Será que há alguém lá fora, um ombro amigo, para me abraçar, para me perdoar?!

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

A solidão faz da noite mais negra.
Quero amanhecer... Mas não consigo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

{TAG} Versatile Blogger e Campanha de Incentivo à Leitura

terça-feira, fevereiro 12, 2013 24

Olá pessoal!
Recebi dois selinhos do blog Ler & Escrever. Desde já, agradeço a Anhy que me passou os dois! :) Obrigada por ter se lembrado de mim! 
Vamos lá!

Versatile Blogger
Regras:

  1. Nomear 15 blogs; 
  2. Avisar a pessoa que você nomeou;
  3. Agradecer ao blog que te nomeou;
  4. Adicionar o post ao blog;
  5. Adicionar 7 coisas que você gosta.

Blogs nomeados (é só uma indicação, sintam-se livres para fazer ou não):
  1. Ensinar e aprender (sim, são duas em uma);
  2. Música;
  3. Queijo;
  4. Chocolate;
  5. Café;
  6. Ler;
  7. Escrever.


Campanha de Incentivo à Leitura

Regras:
  1. Responder a pergunta: "Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?".
  2. Indicar 10 blogs para o meme (é EXPRESSAMENTE PROIBIDO oferecer o laço "a quem quiser pegar" sem indicar seus blogs primeiro), ou seja, é somente por indicação.
  3. Avisar aos blogs que você indicou.
Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?
Depende do perfil da pessoa e da faixa etária dela. Se for para uma criança, O menino da Lua, do Ziraldo (e toda a coleção que nasceu a partir desse livro). Se for para um adolescente, a coleção Harry Potter, da JK Rowling, e A Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga. Para adultos, as Crônicas Vampirescas, da Anne Rice; os livros da Jennifer Egan - todos eles e os livros do Mia Couto!!!! (Mia, seu lindo!
E, para qualquer faixa etária: Drummond, Vinicius de Morais, Pablo Neruda... Poesia é sempre bem-vinda!
(Para saber o que eu gosto de ler, acesse a minha estante no skoob!)

Dez blogs indicados (é só uma indicação, sintam-se livres para fazer ou não):
Beijos e queijos para quem fica!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

110 anos de CDA

terça-feira, outubro 30, 2012 0
Passei para fazer uma propaganda rápida:

Amanhã é dia do meu divo, lindo, perfeito, maravilhoso, estupendo e inspirador, Carlos Drummond de Andrade. Por isso, as meninas do Nosso Clube do Livro e eu preparamos um especial recheado de postagens ao longo do dia, sobre o nosso poeta de sete faces! :) 

Convido a todos a passarem por lá e conferir!

Beijos e queijos!