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sexta-feira, 6 de março de 2026

6 on 6: trilha de cor: azul

sexta-feira, março 06, 2026 16


O tema do nosso segundo 6 on 6 é trilha de cor: azul, o que eu AMEI. Apesar de a minha cor preferida ser verde, eu também amo demais o azul e seus diferentes tons. Então eu fui atrás do que é azul na minha vida e o resultado foi este: 

Quais são os lugares em que resolvemos embarcar?
Pensar nos bilhetes que resolvemos comprar na vida — trabalho, família, amizades, relações amorosas — e os lugares em que embarcamos para bancar essas relações tem sido recorrente por aqui. Amizades que terminaram e que começaram. Reciprocidade. Como essas pessoas nos fazem se sentir? 

Em português, azul é uma cor tranquila, transcendente. Em espanhol, o azul é associado ao amor idealizado: el príncipe azul é o nosso príncipe encantado. Em inglês, to feel blue significa estar triste, para baixo. 

Tenho pensado nas relações, em como elas me fazem me sentir. Todas que acabaram tinham um padrão de me deixar não só pra baixo, mas também ansiosa e com um sentimento de inadequação (nada do que eu fizesse seria suficiente para sustentar tais trocas). Todas as que começaram me trouxeram o sentimento oposto.

É clichê, mas é verdade: a vida é como uma linha de metrô: tem final, tem começo, tem paradas. Podemos ir e voltar, mas não temos o poder de comprar o bilhete pelo outro de forçá-los a vir conosco. Não seria justo também. Às vezes nós precisamos mudar de rota. Às vezes o outro precisa seguir outro caminho.

Quais são os lugares em que podemos esperar?
Às vezes eu acho que a vida nos coloca num banco de espera até que estejamos prontos para o próximo passo. Este estar pronto pode ser em termos de energia física, emocional, mental; pode ser por falta de uma informação, de recursos, de dinheiro, de conexões. A gente espera até que estejamos recuperados para seguir em frente. 

Sigamos!

Com o que ou com quem nós nos combinamos?
Acho bonito quando algo feito pelo homem combina com a natureza. Poder enxergar isso no meu caminho é uma sincronicidade que me mostra o quanto podemos ter uma simbiose respeitosa. Ando com os pés no chão e com o olhar no alto. Os ladrilhos no mesmo tom do céu me fizeram sorrir. Sorrir de um jeito nunca pensado, porque o olhar viciado em olhar sempre pro chão encontrou beleza nas nuvens. É possível que elementos distintos caminhem juntos.

Por quais caminhos nos derramamos?
Quando eu vi que o tema deste 6 on 6 seria "trilha de cor: azul", eu prometi a mim mesma que fugiria do clichê de fotografar o céu. Não sei por quais motivos, mas temos a tendência de fazermos algumas promessas que são impossíveis. Voltava pra casa do meu encontro com o artista, quando ouvi uma mãe dizendo a um filho do outro lado da rua: "Olha, está chovendo só um pedaço. Você consegue ver?". Automaticamente, me virei para a direção que ela apontava e vi a enorme nuvem (provavelmente, uma Cumulonimbus), escolhendo se derramar apenas à direita do nosso caminho, afinal, para que a pressa? Para que se espraiar toda de uma vez? Fiz a foto e fiquei pensando nisso: em quais lugares eu me derramo? Quais promessas eu faço e ouço que são inevitáveis de serem quebradas? 

O que há no meio do caminho?
Caminho pelo meu bairro e reparo neste canteiro cheio de flores num limbo entre o azul e o lilás. Penso que elas dão aos montes e que justamente por isso há muita gente que não repara em suas delicadezas, em suas necessidades, em suas vidas. Sempre em pequenos ramalhetes, todas juntas — amigas que florescem no verão. Passo por elas na ida: o sol de rachar deixam suas pétalas e folhas caidinhas, implorando por refresco. Passo por elas na volta: a chuva veio e fez festa em seu corpo frágil. Elas não estão mais murchas e parecem, de algum modo, felizes. Olho para os lados, tiro o celular da bolsa, faço uma única foto e agradeço por serem tão fotogênicas. Só depois, sigo o meu caminho. As plantas me ensinam a paciência da espera por um refresco. Às vezes, parece que a vida não dá tréguas, mas a verdade é que ela sempre encontrar o seu caminho. Enquanto tudo não se faz claro, seguimos no limbo azul-lilás-calorento do verão.

Qual é a nossa saída?
Em um mundo tão caótico e violento, fico me perguntando qual é a nossa saída enquanto humanidade? Historiadores dizem que o mundo é caos e miséria desde seus princípios, mas tento manter dentro de mim um lado sonhador que busca por alternativas. Talvez a resposta que eu tenha para dar more nos roteiros mais complexos e mais humanos: Educação e Arte. Sempre acreditei nas escolas, nas universidades, nos museus, nas bibliotecas como espaços em que aprendemos e buscamos respostas para as nossas dores. Sempre vi na Arte a nossa tábua de salvação. Agora, em que o mundo parece que está diante de um clique, em que tudo virou um prompt em alguma inteligência artificial, serão a educação e a arte que nos salvarão. Elas farão isso não porque nos darão as respostas que tanto buscamos, mas porque o processo de aprender, de fazer arte e de entrar em contato com essas formas de conhecimento nos manterão humanos. O processo. Justamente a parte mais difícil, que mais leva tempo, que mais as máquinas querem nos roubar. Educação e Arte, as nossas saídas para fora de uma rota de autodestruição.

💙💙💙

Quando todos os outros participantes e eu estávamos discutindo qual seria o tema do 6 on 6 de fevereiro, eu não imaginei que pensar na cor azul fosse me trazer tantas reflexões existencialistas pelo caminho. Sempre achei curioso o fato de haver pessoas (sinestésicas) que veem e associam cores a exatamente tudo de um jeito que não é tido como o "comum". Logo, imaginei que encontraria cores pelo caminho e apenas soltaria fotos aqui. Ledo engando. A arte me levou por um caminho totalmente inesperado, se comparado ao primeiro mês fotografado. (Inclusive, devo dizer que eu tinha planejado duas fotos quando pensamos no tema e acabei não fazendo nenhuma das duas. Olha só que ironia!)

Quando vocês se dispõem a produzir alguma forma de arte baseada em um tema, como isso funciona pra vocês? É um processo planejado ou espontâneo? Me conta nos comentários?

📷📷📷

Equipamento usado no post:

As fotos deste post foram feitas com o celular.

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Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷


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domingo, 26 de abril de 2015

{Resenha} Cartas a Amélia, de Pedro Costi

domingo, abril 26, 2015 6
Trecho de Cartas a Amelia, de Pedro Costi.

“Não te abisma Amélia, a impotência humana de admirar o mundo?”


Não é a toa que Pedro Costi faz parte do selo Talentos da Literatura Brasileira. Com apenas 20 anos, este gaúcho escreveu Cartas a Amélia, um livro intenso, poético, filosófico e lindo – desses que nos deixa triste porque acabou.

O livro descreve uma série de cartas de Pierre, um poeta que sai em uma viagem sem destino certo. As epístolas são endereçadas a uma jovem chamada Amélia e relatam tanto o sentimento de seu redator, quanto as aventuras de sua jornada.

Ao deixar o seu apartamento e embarcar em um trem para a cidade mais distante, Pierre parte em uma busca por si mesmo. Na viagem, encontra de tudo: o artista, o músico, o louco, a morte, o amor, a infância. Com cada um Pierre aprende, levando e deixando um pouco de si pelo caminho. Com a viagem do personagem, o leitor aprende sobre a sua própria vida. A jornada de Pierre também passa a ser a nossa jornada.

A capa de Monalisa Morato é reflexo da beleza da obra. A entrega, a doçura, a natureza, o bucolismo que traz a paz em meio a um desespero da alma. Até a tristeza é bela em Cartas a Amélia.

É impossível não ser tocado por palavras tão doces e por reflexões são profundas. São justamente estas reflexões em formato de confissões que nos fazem quer ler a obra do começo ao fim. Ler Cartas a Amélia é um degustar poético que nos enche de esperança, mesmo nos momentos de despedidas, nas horas de angústia.

"E da pureza fizeram-se os sonhos".



Livro: Cartas a Amelia
Autor: Pedro Costi
Páginas: 176
Editora: Novo Século
Sinopse: Não te abisma, Amélia, a impotência humana de admirar o mundo? Ao iniciar uma viagem que busca descobrir o mundo e a si mesmo, Pierre relata através de cartas destinadas a sua amada Amélia, um profundo questionamento filosófico sobre a vida, o ser e alma humana. Poesia, amor, tristeza, solidão e todos os sentimentos que permeiam o espírito são aludidos e inquiridos com extrema sensibilidade. Cartas a Amélia promete proporcionar ao leitor um verdadeiro mergulho filosófico à essência humana, que busca sanar indagações e trazer acalanto à alma.



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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

{Resenha} A queda, de Albert Camus

sexta-feira, janeiro 10, 2014 6

"Já havia percorrido uns cinquenta metros aproximadamente, quando ouvi um ruido que, apesar da distâncias, me pareceu, no silêncio da noite, de um corpo caindo na água. Parei instintivamente sem me voltar".
Falar de um livro que nos faz pensar em tantos aspectos da nossa vida e da nossa sociedade é uma grande responsabilidade. A queda, de Albert Camus, nos faz refletir no rumo estamos seguindo.


A estrutura narrativa da obra é interessante. O texto nos mostra uma conversa em que o narrador conversa com um senhor sem falas. O monólogo que o Jean-Baptiste trava com o seu interlocutor nos transporta para dentro da obra. Este homem com quem ele conversa pode, muito bem, ser você ou eu.

"A aparência de sucesso, quando se apresenta de certa maneira, é capaz de irritar um santo".
Albert Camus

A queda então é dupla: não é apenas o corpo que cai no rio; mas de Jean-Baptiste que se vê como fruto de uma sociedade em que valores, ética e escrúpulos são distorcidos. Quem é o bonzinho afinal?! Aliás, o que é ser bom?! O que está por trás das atitudes das pessoas?! Todos estes questionamentos se desenrolam nos forçando enveredar por caminhos dos mais simples (como o daquele bom homem que ajuda os cegos a atravessar a rua) até os mais complexos (como a da função de um juiz ou a da falta de coragem de salvar alguém em uma situação de perigo).

Embora curto em tamanho – a obra tem apenas 112 páginas –, A queda é de uma densidade que nos acompanha mesmo depois de findada a leitura. Filosófico, intenso e perturbador, vale a pena ser conhecido e degustado aos poucos, como todo bom encontro que nos leva ao autoconhecimento deve ser.

Livro: A queda
Autor: Albert Camus
Tradução: Valerie Rumjanek
Páginas: 112
Editora: Record
Sinopse: Um advogado francês faz seu exame de consciência num bar de marinheiros, em Amsterdã. O narrador, autodenominado “juiz-penitente”, denuncia a própria natureza humana misturada a um penoso processo de autocrítica. O homem que fala em A queda se entrega a uma confissão calculada.
Mas onde começa a confissão e onde começa a acusação? Ele se isolou do mundo após presenciar o suicídio de uma mulher nas águas turvas do Sena, sem coragem de tentar salvá-la. Camus revela o homem moderno que abandona seus valores e mergulha num vazio existencial. Fundamental para todas as gerações.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Minha filosofia sobre o perdão

quinta-feira, outubro 10, 2013 7
Perdoar

Conversando com um amigo, ele me disse que "perdoar é esquecer". Discordo piamente disso. Talvez, porque eu saiba que um dos meus defeitos é a lembrança; talvez, porque eu tenha os dois pés bem firmes no chão quando o assunto é perdão.

Tive uma amiga que me dizia: "Eu erro. Deus é misericordioso, Ele perdoa". Isso realmente me irritava, porque não acredito que o perdão é algo tão simplório e barato assim - para os que acreditam ou não em Deus. 

Primeiro: para mim, perdoar e ser perdoado é receber uma dádiva, um pequeno grande milagre. Não acho que o perdão deve ser dado a qualquer um, por qualquer motivo. Isso dado à fala da minha ex-amiga, que errava sabendo que estava errando, uma vez que sabia da misericórdia divina do Criador. Sabia que ela fazia isso não apenas com Deus, mas também com a família e com os amigos. Sei que, como ela, há outras pessoas que se abusam da bondade e paciência alheia para "deitar e rolar" e depois surgir com aquele olhar de Gato de Botas, pedindo perdão. I'm so sorry, mas não tenho paciência para este tipo de atitude. 

Segundo: para mim, perdoar está muito longe de esquecer. É como cair e se machucar feio: se você perdoa, aprende a conviver com a cicatriz; se não, ficará remoendo sua feiura. Em ambos os casos, a cicatriz estará lá, não sumirá automaticamente só porque você resolveu desencanar dela. Então, perdoar é passar por cima de algo ruim, é aprender com uma atitude errada de alguém a ponto de conseguir conviver com esta pessoa sem que isso lhe doa. 

Acredite em mim, todas as pessoas que me disseram "eu esqueci", aproveitaram a primeira oportunidade para demonstrar que não, elas não tinham se esquecido. Penso ser muito mais honesto perdoar dizendo: "olha eu te perdoei e, embora não tenha esquecido, quero ter a sua amizade/seu amor porque sei que posso conviver com isso. Até porque, se não tivesse perdoado, não estaria nem falando com você...", do que fingir que esqueceu sem tê-lo feito.

É claro que perdoar sem esquecer exige maturidade e tempo. Tempo para que os sentimentos se coloquem em seus devidos lugares, e os envolvidos possam ver com clareza tudo o que aconteceu. De certa forma, o tempo traz consigo uma dose de racionalidade. A razão é o melhor termômetro para a concessão - ou não - do perdão. Já a maturidade é necessária para que se saiba olhar para a tal cicatriz. Quando se perdoa e se retoma um relacionamento, seja ele de amizade ou amoroso, sabe-se que problemas poderão surgir - que relacionamento não tem problemas? -, mas é aquela velha história: "águas passadas não movem moinhos". Saber não misturar as estações é sinal de que se é maduro os suficiente para lidar com as intempéries da vida.

Sei que você está se perguntando: mas se "águas passadas não movem moinhos", isso não é perdoar esquecendo?! Costumo dizer que perdoar sem esquecer é saber com quem se está lidando. Quando começamos um relacionamento com alguém, acreditamos cegamente na pessoa e isso nos leva à muitas expectativas utópicas de um relacionamento perfeito. Quando perdoamos alguém sem se esquecer, temos os pés no chão, porque sabemos do que este outro é capaz e, em via dupla, passamos a conhecer os nossos limites.

Falando pelas minhas experiências neste sentido - porque sempre que perdoo alguém, a minha posição é extremamente clara -, as relações se tornaram muito mais saudáveis, porque se tornaram mais honestas do que poderia imaginar que seriam. E, acredite em mim, isto é incrível!

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domingo, 14 de julho de 2013

[Resenha] O que a vida me ensinou, de Mario Sergio Cortella

domingo, julho 14, 2013 9
Em seus 19 capítulos, O que a vida me ensinou nos leva à uma viagem profunda sobre nós mesmos. Por meio de exemplos da literatura e da vida cotidiana, Mário Sérgio Cortella aborda temas filosóficos como vida, morte, prazer, aprendizado, felicidade simplicidade. Cada assunto é trazido à tona como se o autor estivesse conversando com os leitores, partindo da vivência cotidiana, podemos entender melhor como cada atitude influencia nossa vida. 

É deliciosa a busca pela nossa verdade, pela nossa essência. Qual é o legado que deixamos? Ele é expresso por meio de nossas reflexões e atitudes: como ensinamos, como aprendemos, como entendemos – ou não – as diferenças, como lidamos com os simples – aliás, o que consideramos simples? – tudo isso influencia na marca, no sinal, que deixamos no mundo. 

A provocação da capa – “Se você não existisse, que falta faria?” – é por si só, reveladora. O motivo? A busca genuína da resposta. Quem já parou para pensar nisso, sabe o quanto é difícil encontrar uma resposta que nos satisfaça... (pelo menos, comigo foi assim). 

Mais do que um livro de perguntas filosóficas, este livro é uma conversa sobre as inúmeras possibilidades. Possibilidades que aparecem na etimologia de uma palavra, na relação com os filhos, no amor pelos livros, na escolha de uma profissão, em uma palestra, nos bilhetes trocados, na correria do trânsito, na convivência com as pessoas que admiramos, na busca do “Viver em paz para morrer em paz”. 

Em O que a vida me ensinou, Cortella assume um papel de amigo do leitor, ele não nos dá respostas, apenas nos mostra parte dos caminhos que lhe ensinaram a ter paixão, a dar um sentido e a sentir felicidade na caminhada do viver.

Livro: O que a vida me ensinou 
Subtítulo: Viver em paz para morrer em paz (paixão, sentido e felicidade) 
Autor: Mario Sergio Cortella 
Editora: Saraiva : Versar 
Páginas: 112 
Sinopse: Neste segundo volume da coleção "O que a vida me ensinou", que mistura pequenas biografias com grandes lições de vida, o filósofo e educador Mario Sergio Cortella aborda questões como: Qual é a sua verdade? Qual é a sua essência? O que permanecerá de você no mundo? Se você não existisse, que falta faria? O autor conta suas experiências, seus medos e os obstáculos que percorreu para chegar ao topo.

terça-feira, 14 de maio de 2013

{Resenha} A arte de ser leve, de Leila Ferreira

terça-feira, maio 14, 2013 0

Você veio ao mundo de caminhão ou de bicicleta?! Após conhecer uma dona de salão de beleza que veio ao mundo sobre duas rodas, a jornalista Leila Ferreira resolveu entender o que faz algumas pessoas levarem a vida com bom-humor, mesmo rodeado de problemas. Assim, nasceu A arte de ser leve.


Leila Ferreira viajou o Brasil e o mundo, entrevistando desde pessoas simples e desconhecidas, até filósofos, atores, e estudiosos desta tal felicidade. Dividido em oito partes, A arte de ser leve aborda pontos cruciais da vida em sociedade que estão sendo atropelados (por caminhões?) pela rotina insana do dia a dia nas grandes cidades.

Gentileza, bom-humor, desaceleração, convivência com pessoas reais... Quanto disso está presente na nossa vida?! A obra escrita pela Leila Ferreira nos faz repensar em todos estes pontos. Para mim, funcionou como um meio de reflexão para me reeducar em certos aspectos (afinal, por que eu preciso correr tanto?!).

A leveza aparece desde o projeto gráfico da obra, que conta com ilustrações fofíssimas de Marina Mayumi Watanabe, até a forma como os capítulos são escritos. O que temos como fruto é uma conversa sincera e aberta, de uma autora que está em busca de conhecimento e que, ao mesmo tempo, quer compartilhar conosco, seus leitores.

Lindo, reflexivo, prazeroso e, é claro, leve. Alguns lerão como a solução de seus problemas; outros, com uma certa incredibilidade; haverão ainda aqueles que farão a leitura de coração aberto. Para mim, A arte de ser leve é um livro para mantermos na nossa cabeceira e do que precisamos para sermos felizes!

Livro: A arte de ser leve
Autora: Leila Ferreira
Editora: Globo/Planeta
Páginas: 280
Sinopse: Tem gente que anda com um enorme bacalhau nas costas. A imagem é usada pela jornalista Leila Ferreira pra descrever aqueles que não conseguem se livrar da carga do mau humor e vão estragando o dia de quem tem o azar de topar-lhes o caminho. Para quem ainda não reconheceu, a autora de A arte de ser leve se inspirou no rótulo de um tônico tradicional, a Emulsão de Scott, que continha o intragável óleo de fígado, e trazia estampado um marinheiro arcado sob o peso do peixe às suas costas. O livro é um antídoto contra os “bacalhaus” que muitas vezes arrastamos pela vida afora.
A autora não pretende em nenhum momento, como a leitura revela, ser a “dona da verdade”, usar de didatismo em receitas fáceis e desgastadas dos livros de autoajuda. Também não quer as complicações acadêmicas. As histórias e impressões vão sendo aos poucos tiradas do cotidiano, da memória, das entrevistas acumuladas em sua carreira com pessoas importantes e dos bate-papos com anônimos.
Leila Ferreira tem uma capacidade singular de observação – de recolher as melhores histórias e de fazer entrevistas com o tom saboroso da conversa informal. Mas, nem por isso o livro perde na potência da pesquisa jornalística, nos dados interessantes obtidos em pesquisas recentes da psicologia, da sociologia, da medicina.
Dessa maneira, costurando informações científicas, divagando, conversando, a autora propõe uma pequena revolução: num mundo abarrotado de e-mails e telefones celulares, de pouca cortesia e muitas dietas, cheio de ambição e consumismo transformar os gestos do cotidiano, aqueles que nos prendem e sobrecarregam sem sequer nos dar a chance de percebê-los.

terça-feira, 2 de abril de 2013

{Resenha} A Sabedoria do Condado, de Noble Smith

terça-feira, abril 02, 2013 6
Você já se perguntou o quanto uma determinada leitura influenciou a sua vida? Você é daquele tipo de leitor que tem uma enorme necessidade de ler e reler o mesmo livro quando está feliz e quando está triste? Você é capaz de falar sobre determinada obra por horas, destacando as diferenças e semelhança do livro e da adaptação cinematográfica? Você é daquele tipo de fã que quer espalhar a narrativa de seu autor preferido pelo mundo, porque realmente acredita que ela é boa demais para não ser conhecida por todos?! Então, você compreende todos os motivos pelos quais Noble Smith escreveu A Sabedoria do Condado

O livro é inspirado nos aprendizados que Smith teve ao ler as obras de J.R.R. Tolkien, principalmente em O Hobbit e na trilogia do Senhor dos Anéis; servindo, portanto, como um resumo destas lições que lhe marcaram a vida. Conforme diz o próprio subtítulo, A Sabedoria do Condado aborda Tudo sobre o estilo de vida dos hobbits para uma vida longa e feliz, o que pode levar muitas pessoas a pensarem que este é mais um daqueles livros de autoajuda que nos diz o que devemos ou não fazer. De fato, há muitos conselhos divididos ao longo dos 20 capítulos que compõem a obra; mas, em momento algum, ela se torna mandona e enfadonha. Pelo o contrário, A Sabedoria do Condado é mais uma conversa entre amantes da boa literatura. 

Partindo de experiências pessoais, Noble Smith nos fala como sua vida foi influenciada pela genialidade de Tolkien e o quanto esta influencia foi importante para a sua formação. Nota-se, então, que além de leitor, Smith se aprofundou na obra elaborada por Tolkien, buscando entender, por exemplo, o porquê de cada termo, o significado de cada personagem para o próprio autor que a criou. Percebe-se ainda o carinho com o qual Noble Smith escreveu o seu livro – os brasileiros têm o privilégio de ter uma introdução escrita especialmente para nós! – e a sensibilidade como cada situação é apresentada aos leitores. 

É claro que A Sabedoria do Condado apresenta inúmeros spoilers, uma vez que Noble Smith parte das passagens dos livros Tolkien para explicar como a sabedoria pode ser desenvolvida em nosso dia a dia. Entretanto, para quem nunca leu O Hobbit e/ou o Senhor dos Anéis – como é o meu caso, confesso! – isso serve apenas de incentivo para conhecer o mundo complexo em que as histórias se passam. Quem já leu Tolkien, por sua vez, ficará com uma louca vontade de reler tudo e tirar as suas próprias conclusões. 

Como já fora mencionado, o livro é um diálogo entre Smith e os seus leitores. Isso, de fato, é um ponto muito bacana na obra: a simplicidade e a sinceridade ali explícitas tornam a leitura EXTREMAMENTE prazerosa! Definitivamente, A Sabedoria do Condado é daquele tipo de volume que você devora e, quando chega à última página, fica triste porque acabou [o autor disponibilizou um capítulo extra (em inglês), quem quiser conferir, clique aqui.]. Não é à toa que o livro fora traduzido para sete línguas diferentes! Ele é ótimo para manter na cabeceira da cama e reler nos momentos diversos da vida!

Título original: The Wisdom of Shire: a short guide to a long and happy life
Tradução: Cibele da Silva Costa
Páginas: 176
Editora: Novo Conceito
Preço sugerido: R$29,90
Sinopse: Um guia do Hobbit para a vida de milhões de fãs do J.R.R. Tolkien. Smith mostra que uma toca-hobbit é, na verdade, um estado de espírito e como até as menores pessoas podem ter o valor de um Cavaleiro de Rohan. Ele explora assuntos importantes para os hobbits, como cerveja, comida e amizade, mas também assuntos mais sérios, como coragem, vida em harmonia com a natureza e bem versus mal. Como prazeres simples como jardinagem, longas caminhadas e refeições deliciosas com amigos podem fazer você significativamente mais feliz? Por que o ato de dar presentes no seu aniversário em vez de recebê-los é uma ideia tão revolucionária? E como podemos carregar nosso próprio “anel mágico” sem sermos devorados por ele? A Sabedoria do Condado tem a resposta para essas perguntas.

Booktrailer:

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

[Resenha] Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves

quarta-feira, fevereiro 13, 2013 24
O resgate de tudo o que é singelo. A luta pela felicidade em vida. A revolta por tudo aquilo que, embora lógico, não faz sentido (e, ainda assim, é aceito!). A palavra que é sentida pelo coração. Uma árvore, uma horta, uma amizade, a arte, Deus, Inferno, milagres, morte – todos eles ganham uma nova (ou seria mais honesta?!) dimensão em Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves. 

Dividido em onze capítulos temáticos (Caleidoscópio, Amor, Beleza, Crianças, Educação, Natureza, Política, Saúde Mental, Religião, Velhice e Morte), o livro é uma coleção de recortes que abordam o viver por diversos prismas.

Cada uma das partes, por sua vez, é composta por pequenos textos – fragmentos do próprio Alves, trechos e citações que o inspiraram, seja na literatura, na música ou de pessoas do cotidiano do autor.

A reflexão que nomeia a obra já nos dá um aperitivo da poesia disfarçada de prosa que compõem todo o livro e que nos delicia a cada página. A escrita, de forma delicada e sincera, é uma verdadeira conversa com todos os leitores. Prosa mineira, taciturna, que sempre percebe o que há de bom, de melhor, de lindo, sem abandonar as suas convicções. 

E por falar em convicções, a leitura de Ostra feliz não faz pérola deve ser feita com o coração aberto. Aberto aos novos e distintos pontos de vista. As visões do Rubem Alves psicanalista, filósofo e teólogo se fundem, gerando conceitos educacionais e religiosos que se diferem daquilo que a maior parte das pessoas está acostumada. Se assim você o fizer, conseguirá pensar em como você mesmo vê o mundo e quais são suas opiniões sobre ele. 

Embora já houvesse lido alguns textos de Rubem Alves, Ostra feliz não faz pérola foi a primeira obra completa que li deste autor. Assim como ocorrera outrora com os textos soltos, posso afirmar que o livro é um primor que nos conduz a uma celebração da vida. Sem dúvida, uma obra digna de ser lida, relida, dessas que deixamos em nossa cabeceira, sempre à mão!

Livro: Ostra feliz não faz pérola
Autor: Rubem Alves
Páginas: 280
Editora: Planeta
Sinopse: O autor define seu livro: “Pessoas felizes não sentem necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes, a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. Este livro está cheio de areias pontudas que me machucaram. Para me livrar da dor, escrevi”.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Asas ou gaiolas (Reflexões sobre o amor V)

quarta-feira, dezembro 26, 2012 11

Certa vez Rubem Alves escreveu que há escolas que são asas e outras que são como gaiolas. Trago agora a mesma analogia para os relacionamentos.

Teoricamente, o amor foi feito para nos dar asas. Vivê-lo, portanto, é sentir-se livre, liberta, bela, sonhadora e saber que há alguém ao nosso lado nos apoiando e nos incentivando, sendo um degrau que nos impulsiona, não um muro que nos aprisiona.

Há, entretanto, um tipo de amor (que eu considero falso) que não dá asas. Ele prende em gaiolas. Este é daquele possessivo, que nos anula e nos priva dos nossos momentos com os amigos, do nosso tempo com nós mesmos. O amor-gaiola é ciumento, cria barreiras, nos impede de progredir, é exclusivo - já que exclui todos ao nosso redor; por fim, ele é sufocante.

Na escola, certa vez, fiz uma experiência simples: acendi uma vela e a cobri com um copo. A chama intensa ficou acesa por um tempo e depois se apagou. Acabou o oxigênio. Assim é o amor-gaiola: ele nos suga, nos sufoca, sucumbe e acaba.

Quando penso em meus relacionamentos anteriores, vejo que todos eles tiveram um pouco de gaiolas. Quando olho para o futuro, desejo um amor que me (nos) faça voar alto! Acompanhados seguiremos sem que nada nos aprisione!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dádiva

quinta-feira, novembro 15, 2012 2
Estive, como sempre, a pensar na vida e cheguei à seguinte conclusão: é uma dádiva saber que a luta não fora em vão. Explico-me: é uma dádiva olhar para trás e perceber que fiz as escolhas certas. Se escolher uma profissão aos 17, 18 anos é uma responsabilidade árdua, escolhê-la aos 6 é algo heroico. Passada a fase da escolha, vem a da luta: estudar na escola, fazer cursinho. Lágrimas, sangue e suor dispendidos em dias e dias com a cara nos livros. Então, passar no vestibular, começar a faculdade, perceber que a etapa tão sonhada exige ainda mais: noites sem dormir (somadas a dias intensos de trabalho), feriados estudando, festas e viagens adiadas, responsabilidade crescendo proporcionalmente à formação profissional, toda a dor que é oriunda do processo de amadurecimento. E, enfim, a formatura e aquele pedaço de papel que lhe confere um título e uma autorização para você fazer o que sempre sonhou!

Sou feliz porque Deus me abençoou com a oportunidade de exercer aquela profissão que escolhi aos 6 anos. Sou feliz porque sou boa não apenas ensinando e aprendendo, mas também, fazendo aquilo que a outra vertente do curso de Letras me permite: escrever. Poder lecionar e escrever com amor, como convicção de que estou no caminho certo, faz o meu coração regojizar na felicidade. Sei que não sou perfeita, por isso, busco aprender mais e mais. Entretanto, é ótimo saber que consigo usar minhas habilidades para contribuir na vida de outras pessoas.

Quando vejo alguém estudando "só para ter um diploma" ou alguém formado, que trabalha em outra função pelo motivo que for, tenho pena. Minha tristeza não surge apenas por esta pessoa, mas também por quem está ao seu redor todos os dias. Quem não trabalha naquilo que sonhou pode ser o mais rico, pode ter as melhores tecnologias, os melhores carros... Contudo, voltamos à velha frase: tem-se tudo, mas não se é feliz. Dinheiro não traz, nem compra felicidade. Por sua vez, quem está ao redor de quem não trabalha naquilo que sonhou, está condenado a conviver com uma pessoa que vive na mentira (diz/aparenta ser feliz, mas não o é genuinamente) e/ou convive com a personificação da infelicidade. 

Sou grata a Deus por poder ter sucesso em tudo o que faço. Não que seja fácil, não que não tenha que engolir alguns sapos; mas sim por poder fazer o meu melhor e ver o meu esforço refletido no aprendizado que os meus alunos têm (e que eu tenho com eles) e no feedback dos que me leem.

Como diria Confúcio, o filósofo chinês,
Trabalhe com aquilo que gosta e não terá que trabalhar um dia sequer na vida.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Reflexões sobre o amor II.

sábado, dezembro 25, 2010 1
Capa do livro
Começo este texto com uma assertiva: toda mulher deveria ler Ele simplesmente não está a fim de você – entenda os homens sem desculpa, escrito por Greg Behrendt* e Liz Tuccillo** (Já aviso: o livro é diferente do filme. O que vou dizer vale para o livro, ok?). Se eu tivesse que dizer algo sobre o Greg, diria: ele é o único homem confiável na face da Terra (se é que há algum que seja confiável!)! hehehe E se eu tivesse que dizer algo sobre a Liz, diria: ela representa aquilo que nós, mulheres, esperamos de um cara.
Liz Tuccillo
Sim, comecemos pela Liz. Ela, como toda mulher moderna, trabalha (tanto ela quanto o Greg eram roteiristas da série americana Sex and the city) tem uma vida financeira estável, é uma pessoa estudada, bem-sucedida e solteira! (Pois é, o drama feminino da solteirice - ? – não é vivido apenas por brasileiras!)
Liz traz no livro o ponto de vista da mulher moderna: aquela que faz de tudo para ter um cara – porque quer desesperadamente acabar com a solidão. Mas, como é difícil arrumar alguém que goste da gente de verdade, ela também mostra o nosso desespero de quando encontramos este alguém e queremos acreditar – a todo custo – que o que sentimos é correspondido...
Greg Behrendt
E é aí que entra o Greg. A princípio, Greg Behrendt é o destruidor de lares, o despedaçador de corações, o que acaba com os sonhos de pobres mulheres solteiras, independentes e carentes de uma necessidade de acabar com a solidão.
(Se tem uma coisa que tanto o Greg quanto a Liz sabem é que mulheres se apegam muito fácil às pessoas; mas que, para desapegar, a coisa complica... – podia ser tudo na mesma velocidade, não acham?!)
Quando o assunto é relacionamento, podemos ter claro algumas coisas que nunca mudam – ainda que o mundo mude –, são elas:
1. Mulher tem necessidade de explicação. Nós queremos nomear as coisas e entendê-las a fundo (como disse no texto anterior, somos microscópicas, por isso queremos saber cada detalhe!). Se estamos “saindo” com um cara, queremos saber EXATAMENTE o que ele sente por nós e como podemos nomear este “embrião” de relacionamento: estamos ficando, namorando, nos conhecendo, what the fu**** hell?! O mesmo acontece quando uma relação (seja ela qual for) está em estágio de decomposição ou simplesmente acaba. Queremos saber por que acabou, se havia alguma coisa que poderíamos ter feito etc etc etc...
2. Homens não pensam muito em explicação e nomes. Eles fazem aquilo que sentem – ou seria que o instinto manda? – portanto, eles querem curtir o momento. Não se preocupam tanto em saber se o “estamos saindo” é ficada, namoro ou só uma pegada casual. Eles querem mesmo é curtir AQUELE momento (certo eles, se fôssemos assim, teríamos preocupações a menos). E quando o que eles sentem acaba, eles simplesmente não ficam mais a fim. Não há uma necessidade de “por quês”, simplesmente acabou e ponto final.
O que complica tudo é o que o próprio Greg diz: os homens inventam as mais mirabolantes situações para se livrarem de uma mulher. Para eles é mais fácil isso do que simplesmente ser honesto e dizer “eu simplesmente não estou a fim de você”. Eu sei, ouvir isso é doloroso (e como é!). Dizer isso também não deve nada ser fácil. Mas eu prefiro uma frase dessa na lata, do que as trocentas desculpas mirabolantes. E sabe por quê?! Porque a cada desculpa mirabolante, todas – ou quase todas – as mulheres ficam criando desculpas mais mirabolantes ainda para acreditar que o parceiro (ou seria “ex-parceiro”?) AINDA está a fim. Pelo menos, se a gente ouve um “eu simplesmente não estou a fim de você”, fica tudo mais claro: caímos de uma vez, sofremos de uma vez e nos reerguemos de uma vez; para, então, partir para outra.
Ler os conselhos do Greg me fez repensar em muitas coisas. Mais importante do que isso, me fez não desistir. Eu nunca esperei um príncipe encantado – pelo contrário, sempre achei os sapos mais interessantes! – contudo, de uns tempos para cá, estava esquecendo do que sempre sonhei para minha vida. Um homem para estar comigo, tem que comungar do mesmo horizonte que eu; e eu, por muitas vez, estava abrindo mão desta comunhão.
Como os autores reforçam, nós, mulheres, temos que ter os NOSSOS CRITÉRIOS. E os caras com quem saímos devem estar dentro deles. Como somos seres únicos, cada uma de nós temos a nossa lista individual, com nossa característica. Rever esses critérios também é uma ação importante – afinal, a vida muda, nosso ponto de vista também, por que os critérios não mudariam?!
No livro, Greg e Liz sugerem 10 critérios – que eu, definitivamente, APROVO – e sugere que nós criemos mais 10 (eu já fiz os meus!). Acho justo. Temos que saber o que queremos não só no campo profissional, mas também no emocional, não é?! E, se ELE não estiver a fim da gente, vai ter quem esteja e nos trate como devemos ser tratadas (assim eu espero...). Se tem uma coisa que eu aprendi com o Greg é: se um cara está a fim de uma garota, ele vai até o fim do fim do mundo por ela! Afinal, “para que ficar num limbo de relacionamentos esquisitos, se pode mudar para um território que será, com toda certeza, muito melhor?”. Fica aí a dica! ;)

Ele simplesmente não está a fim de você – entenda os homens sem desculpa
Título original: He's just not that into you - the no-excuses truth to understanding guys
Autores: Greg Behrendt e Liz Tuccillo
Tradução: Alyda Christina Sauer
Editora: Rocco
174 páginas

*Para os que não leram o livro: o Greg é casado com a Amiira Ruotola-Behrendt, com quem escreveu Quando termina é porque acabou – juntando os caquinhos e dando a volta por cima. Para ler a entrevista que ele concedeu à Revista Veja na ocasião do lançamento de Quando termina é porque acabou, clique aqui.
Além de autor, Greg é comediante e toca numa banda de rock! Para acessar o seu site oficial (em inglês), confira aqui.

** Liz Tuccillo também é autora do romance intitulado Como ser solteira, lançado pela editora Record. Para ler a entrevista que ela concedeu à Revista Veja quando lançou Ele simplesmente não está a fim de você, clique aqui.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Reflexões sobre o amor

domingo, dezembro 19, 2010 1
Estátua de Ovídio em Constança/Tomis.
Começo este texto com uma assertiva: todo homem deveria ler A arte de Amar, do Ovídio. Se todos lessem esse livro, não teria que ouvir por tantas vezes a tão famosa pergunta: “Como entender as mulheres?”. Sim, sabe aquela história de que a sabedoria se encontra nas pessoas mais antigas?! Pois bem, Ovídio escreveu este livro alguns anos depois de Cristo, ainda na época do Império Romano.

Pois é, a fórmula está pronta há todos estes anos e por preguiça/desconhecimento, muitos dos homens não sabiam que os “seus problemas acabaram”.

Mas falemos sobre a obra: A arte de amar é um livrinho curto (você encontra as edições de bolso da LPM e da Martin Claret em qualquer banca de jornal - recomendo uma versão que tenha notas, pois elas ajudam a entender as refeências mitológicas), dividido em três partes – ou três livros.

O primeiro livro trata da arte da conquista. Para o autor, os homens são caçadores que devem conhecer bem a sua presa e o território em que esta presa vive para poder atingir o alvo com sucesso. Falando assim, parece uma visão bem machista, mas a verdade é que a forma com que Ovídio escreve mostra uma preocupação com o bem-estar da mulher. Um de seus argumentos está concentrado em agradá-la, vendo-a como um ser único. Neste ponto, acredito que não há mulher que discorde. Homens têm a fatídica mania de achar que todas as mulheres são iguais e que vão reagir da mesma forma. Acham que o fato de uma mulher ter respondido a um presente, a uma fala de uma forma, que todas serão assim. Mero engano. Mulheres são complexas demais para serem tratadas em massa. Na arte da conquista, o homem ganha pontos cada vez que ele percebe as nuances de quem quer conquistar (Sábio era o Ovídio que percebeu isso tão bem...).

O segundo livro trata sobre a manutenção da conquista, porque não basta só conquistar, tem que saber sustentar o relacionamento. Neste trecho, Ovídio ressalta a importância de um espírito culto. Não sei se é porque tenho este meu lado nerd – ou não – mas, concordo plenamente com ele. Como diz meu professor, Everaldo, a mulher se atrai por aquilo que ela ouve; o homem, pelo o que vê. Se um homem não tem um mínimo de cultura, não vai conseguir sustentar uma conversa – o que pode nos irritar profundamente – e, o que é pior, não vai entender o discurso da mulher. Agora lhes dou uma informação extra a tudo o que o Ovídio diz: nós, mulheres, na maior parte das vezes, dizemos as coisas nas entrelinhas. Sim, enquanto vocês, homens, são macroscópicos e já mandam as coisas na lata; nós pensamos em cada pormenor – temos uma visão microscópica – e mencionamos cada detalhe nas nossas conversas/atitudes. O problema é que, muitas das vezes, nós não explicitamos o que estamos mencionando... nós queremos que vocês percebam isso (e, na maior parte das vezes, vocês NÃO percebem).


O terceiro livro é para que nós, mulheres, saibamos como lidar com esta situação toda. O que me chama mais atenção para esta parte é o fato de o autor tratar homens e mulheres de forma igualitária. Para ele, tanto os homens quanto as mulheres sentem as mesmas vontades amorosas (com a diferença de que as mulheres sabem esconder melhor as suas necessidades – ou como eu diria, nós sabemos controlar melhor isso).


Este livro nos faz pensar em quais são as diferenças entre homens e mulheres – se é que elas existem de fato. Ultimamente fui questionada sobre a questão: mulher tradicional x mulher moderna. O que as mulheres de hoje querem de fato?! A mesma coisa que as mulheres do império romano queriam: alguém que se importe com elas. Por mais que grande parte de nós sejamos modernas e paguemos as nossas contas, nós queremos alguém quem nos convide pra sair, que diga o quanto gosta e se importa conosco. Neste ponto, somos tradicionais. Neste ponto, concordamos com a “caça” de que fala Ovídio.


Para finalizar, quero repetir aqui uma citação que já havia postado aqui, na época em que li este livro:

"Cabe ao varão começar, fazer as súplicas, e a ela acolhê-las. Queres tê-la? Pede. Ela espera por isso. Conta-lhe a causa, a origem do teu desejo. Era Júpiter quem abordava as heroínas lendárias suplicando-as; nenhuma foi provocá-lo, apesar do seu poder"
(Ovídio, poeta romano, em A arte de Amar)


 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Conselho

segunda-feira, junho 28, 2010 1
Júpiter e Juno
Carracci, s. XVI

"Cabe ao varão começar, fazer as súplicas, e a ela acolhê-las. Queres tê-la? Pede. Ela espera por isso. Conta-lhe a causa, a origem do teu desejo. Era Júpiter quem abordava as heroínas lendárias suplicando-as; nenhuma foi provocá-lo, apesar do seu poder".
(Ovídio, poeta romano, em A arte de Amar)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009