[Resenha] A arte de se leve, de Leila Ferreira


Você veio ao mundo de caminhão ou de bicicleta?! Após conhecer uma dona de salão de beleza que veio ao mundo sobre duas rodas, a jornalista Leila Ferreira resolveu entender o que faz algumas pessoas levarem a vida com bom-humor, mesmo rodeado de problemas. Assim, nasceu A arte de ser leve.


Leila Ferreira viajou o Brasil e o mundo, entrevistando desde pessoas simples e desconhecidas, até filósofos, atores, e estudiosos desta tal felicidade. Dividido em oito partes, A arte de ser leve aborda pontos cruciais da vida em sociedade que estão sendo atropelados (por caminhões?) pela rotina insana do dia a dia nas grandes cidades.

Gentileza, bom-humor, desaceleração, convivência com pessoas reais... Quanto disso está presente na nossa vida?! A obra escrita pela Leila Ferreira nos faz repensar em todos estes pontos. Para mim, funcionou como um meio de reflexão para me reeducar em certos aspectos (afinal, por que eu preciso correr tanto?!).

A leveza aparece desde o projeto gráfico da obra, que conta com ilustrações fofíssimas de Marina Mayumi Watanabe, até a forma como os capítulos são escritos. O que temos como fruto é uma conversa sincera e aberta, de uma autora que está em busca de conhecimento e que, ao mesmo tempo, quer compartilhar conosco, seus leitores.

Lindo, reflexivo, prazeroso e, é claro, leve. Alguns lerão como a solução de seus problemas; outros, com uma certa incredibilidade; haverão ainda aqueles que farão a leitura de coração aberto. Para mim, A arte de ser leve é um livro para mantermos na nossa cabeceira e do que precisamos para sermos felizes!

Livro: A arte de ser leve
Autora: Leila Ferreira
Editora: Globo
Páginas: 280
Sinopse: Tem gente que anda com um enorme bacalhau nas costas. A imagem é usada pela jornalista Leila Ferreira pra descrever aqueles que não conseguem se livrar da carga do mau humor e vão estragando o dia de quem tem o azar de topar-lhes o caminho. Para quem ainda não reconheceu, a autora de A arte de ser leve se inspirou no rótulo de um tônico tradicional, a Emulsão de Scott, que continha o intragável óleo de fígado, e trazia estampado um marinheiro arcado sob o peso do peixe às suas costas. O livro é um antídoto contra os “bacalhaus” que muitas vezes arrastamos pela vida afora.
A autora não pretende em nenhum momento, como a leitura revela, ser a “dona da verdade”, usar de didatismo em receitas fáceis e desgastadas dos livros de autoajuda. Também não quer as complicações acadêmicas. As histórias e impressões vão sendo aos poucos tiradas do cotidiano, da memória, das entrevistas acumuladas em sua carreira com pessoas importantes e dos bate-papos com anônimos.
Leila Ferreira tem uma capacidade singular de observação – de recolher as melhores histórias e de fazer entrevistas com o tom saboroso da conversa informal. Mas, nem por isso o livro perde na potência da pesquisa jornalística, nos dados interessantes obtidos em pesquisas recentes da psicologia, da sociologia, da medicina.
Dessa maneira, costurando informações científicas, divagando, conversando, a autora propõe uma pequena revolução: num mundo abarrotado de e-mails e telefones celulares, de pouca cortesia e muitas dietas, cheio de ambição e consumismo transformar os gestos do cotidiano, aqueles que nos prendem e sobrecarregam sem sequer nos dar a chance de percebê-los.

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