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domingo, 22 de setembro de 2024

{TAG} Aquele em que Friends faz 30

domingo, setembro 22, 2024 2


Hoje, 22 de setembro, marca uma data muito especial: os 30 anos da estreia da minha série preferida: Friends. Por isso, me juntei à minha amiga Ane Venâncio e, com ela, criei a TAG Aquele em que Friends faz 30. Abaixo estão as minhas respostas. Se você quiser responder também, ficarei feliz em ler as suas respostas. Bora lá

1. Qual é a sua ligação com a série? 
Eu não me lembro quando eu comecei a assistir, mas a vida na cidade, a união entre os amigos e a forma como um apoia o outro têm muito a ver com aquilo que levo pra vida. Tem algo que me conforta de saber que não só eu sou assim. Acho que é por isso que essa é o único seriado que eu termino e volto a reassistir over and over again

2. Qual é a sua lembrança mais aleatória com a série?
Tenho duas!

1. O dia em que fui conhecer um boy do Tinder e no meio da conversa, do nada, ele me solta do nada um "Hey, how you doin'?" que me fez gargalhar tão alto (eu realmente não esperava) que o assustou. hahahaha

2. O dia em que a minha querida amiga Bia fez a cheese cake pra mim. Ela usou a receita original da série.

Joey, na sexta temporada, flertando.


3. Com qual personagem você mais se parece e por quê?
Monica Geller, com certeza. Mania de limpeza, a que sempre tem um conselho, a que adora receber as pessoas ("I'm always the host!"), a que faz de tudo pelos amigos e pela família, a que ama o trabalho bem-feito/perfeito, que é meio difícil de lidar às vezes (eu amo aquela cena em que o Chandler diz que fica com ela justamente por isso) e que é romântica ao mesmo tempo, que é a pessoa que a família não entende e meio que deixa de lado, que faz a competição consigo mesma. Definitivamente, eu sou muito a Monica.

4. Com qual personagem você menos se parece e por quê?
Fico dividida entre o Joey e a Phoebe. O Joey porque definitivamente não sei flertar. Já a Phoebe porque ela é muito desprendida da vida. 

5. Qual é o seu personagem preferido e por quê?
Chandler Muriel Bing. Porque ele é tudo: ele é engraçado, sensível, honesto, querido, cheio de traumas, sonhador, romântico, gosta de gatos, e, sobretudo, leal. Quem não quer um Chandler na vida, meu Deus? 

(Eu costumo brincar que a Marta Kauffman e o David Crane deveriam pagar a minha terapia, porque depois que a gente conhece o Chandler, não aceita menos como parceiro romântico na vida — e o Chandler não existe fisicamente, então essa conta não fecha. hahahaha)


Quem nunca se sentiu meio Chandler, que atire a primeira pedra.



6. Qual é o seu episódio preferido de cada temporada?
Lá vem a resposta que me deixa em dúvida e muda o tempo todo... Eu não consigo escolher um só, então vou fazer meu top 3 de cada temporada:

Primeira temporada: "The One with the Blackout" ("Aquele do Blecaute"), "The One with the Fake Monica" ("Aquele da Monica Falsa") e "The One Where Rachel Finds Out" ("Aquele em que Rachel Descobre").

Segunda temporada: "The One Where Heckles Dies" ("Aquele em que Heckles Morre"), "The One Where Ross Finds Out" ("Aquele em que Ross Descobre") e "The One with the Prom Video" ("Aquele com o Vídeo de Formatura").

Terceira temporada: "The One Where Chandler Can't Remember Which Sister" ("Aquele em que Chandler Não Lembra Qual Irmã"), "The One with the Hypnosis Tape" ("Aquele com a Fita de Hipnose"), e "The One with a Chick and a Duck" ("Aquele com o Pintinho e o Pato").

Quarta temporada: "The One with the Free Porn" ("Aquele com a Pornografia de Graça"), "The One with All the Wedding Dresses" ("Aquele com Todos os Vestidos de Noiva"), "The One with Ross's Wedding" ("Aquele do Casamento do Ross").

Quinta temporada: "The One with Ross's Sandwich" ("Aquele do Sanduíche do Ross"), "The One Where Everybody Finds Out" ("Aquele em que Todos Descobrem"), "The One Where Ross Can't Flirt" ("Aquele em que Ross Não Consegue Flertar").

Cena mais linda da história de todas as séries que existem e tenho dito.


Sexta temporada: a sexta temporada é uma das que eu mais gosto, minha vontade era responder: vejam inteira!!!!! Sendo assim, "The One with Unagi" ("Aquele do Unagi"), "The One with the Ring" ("Aquele com o Anel"), "The One with the Proposal" ("Aquele da Proposta de Casamento").

Sétima temporada: "The One Where Rosita Dies" ("Aquele em que Rosita Morre"), "The One with Chandler's Dad" ("Aquele com o Pai do Chandler") e "The One with Monica and Chandler's Wedding" ("Aquele do Casamento da Monica e do Chandler").

Oitava temporada: "The One with Monica's Boots" ("Aquele com as Botas da Monica"), "The One Where Chandler Takes a Bath" ("Aquele em que Chandler Toma Banho de Banheira") e "The One with the Birthing Video" ("Aquele com o Vídeo do Parto").

Nona temporada: "The One with Ross's Inappropriate Song" ("Aquele com a Canção Inadequada do Ross") , "The One with Phoebe's Rats" ("Aquele com os Ratos da Phoebe") e "The One in Barbados" ("Aquele em Barbados").

Décima temporada: "The One with Phoebe's Wedding" ("Aquele com o Casamento de Phoebe"), "The One Where Joey Speaks French" ("Aquele em que Joey Fala Francês"), "The Last One" ("O Último").

7. Qual é o seu episódio preferido de Thanksgiving?
"The one with Chandler in a box" ("Aquele com o Chandler na Caixa"). Tem tudo o que eu amo, incluindo a lealdade entre o Joey e o Chandler. E mostra o Joey todo manteiga derretida no fim. Amo demais! hahaha

8. Qual é o seu episódio de Natal preferido?
"The One with the holiday armadillo" ("Aquele com o Tatu das festividades"). Esse foi o episódio que me ensinou alguma coisa sobre o Hanukkah (Chanucá). Antes dele, não conhecia essa parte da cultura judaica. Além disso, acho muito bonitinho como todos os meninos se mobilizam para ensinar algo para o Ben e para deixá-lo feliz.







9. Qual é a sua participação especial preferida?
Eu amo o personagem do Tom Selleck, o Richard.  Também amo um dos crushes da Rachel, o Gavin, que foi feito pelo Dermot Mulroney. E nem preciso falar da brilhante Maggie Wheeler, com a icônica Janice, preciso? OH MY GOWD.



10. Qual é a sua música da Phoebe preferida?
Eu sei cantar todas as músicas da Pheebs. Além de Smelly Cat, que é hino, eu amo New York city has no powerI'm in a shower e The two of them kissed last night, Sticky shoes e as versões de músicas de natal (Holiday song).

(Dois bônus: um pra ela cantando Lionel Richie com o Chan e outro para paródia de Roxanne: Roooooss caaaaaaan, Rooooooss can gimme the tickets!)

Aperte o play, para ver o show.

11. Qual é o seu episódio de viagem preferido?
A viagem para Londres. Eu AMO o Joey dizendo "London, baby", Pheebs ligando pra tentar resolver tudo e o começo de Mondler. 😍

Quem nunca quis subir no mapa depois de ver o Joey fazendo isso? uashuashu


12. Você mudaria o rumo de algum personagem e por quê?
Não mudaria o rumo, mas queria ter visto o Ben e a Emma juntos. Acho que daria um tiquinho de mais espaço pro Gunther também (eu adoro o Gunther e fiquei muito triste com o falecimento do James😔).

13. Você tem alguma cena preferida? Qual?
Meu top 3: o pedido de casamento da Monica e do Chandler, o casamento deles dois, quando o Chandler convence a Erica que ele e a Mon serão os melhores pais adotivos pro bebê dela (até então, não se sabia que eram gêmeos).
Um bônus: a Rachel chegando no apartamento do Ross no último episódio. 

14. Tem alguma cena que já te fez chorar?
As 4 cenas citadas na resposta acima. TODA VEZ. Eu já sei o que vai rolar, o que eles vão  dizer (às vezes falo junto, até), mas não tem jeito...

15. Você teria coragem de comer o pavê da Rachel?
"Custard good. Jam good. Meat good." (Joey Tribbiani) — eu acho que eu sou do time do Joey. Como gosto de coisas agridoce, ao menos provar, eu provaria.




16. Tem alguma fala da série que você vive repetindo em momentos aleatórios da sua vida?
"London, baby". "It testes like feet". "Pivot!". "My Sandwich." "It's a moo point." "Whoopah!". "bla ble blu blê", pois meu francês é igual o do Joey. Também sou rainha de fazer o gesto do Ross:




17. Se você tivesse que escolher a profissão de um dos 6, qual escolheria e por quê?
Embora não seja na mesma área, eu tenho a profissão do Ross — nós 2 somos professores. Acho que seria atriz como o Joey. É uma profissão que está próxima à literatura. Também seria chef como a Mon. Gosto de ver a comida tanto como um ato de criatividade, quanto como um ato de amor.



18. Que tipo de situação te deixa com vontade de soltar um “ va fa Napoli”? 
Injustiças em geral. Políticos que não acreditam na democracia. Homem fazendo homice. Pessoas que não sabem ser recíprocas. Egoísmo.

19. Qual livro você já quis ou colocou no congelador?
Por incrível que pareça, O iluminado. Ganhei uma cópia de uma amiga. Fiquei com medo. Não li até hoje. (Sou muito fraca pra terror e suspense.)

20. Qual seu corte de cabelo favorito da Rachel? 
Gosto de quando o cabelo está mais ondulado, como no começo da série.




21. Qual personagem secundário você acha que merecia mais destaque na série e por quê?
Gunther. Eu gosto demais dele. Nem sei explicar o motivo, mas gosto.

22. Qual pedido você faria em uma visita ao Central Perk?
Pediria o muffin. Vira e mexe o Joey está comendo um. Se ele gosta, é porque é realmente bom.

23. Qual momento de Friends te deixou com vergonha alheia?
Acho que as piadas sobre ser gorda. Ao mesmo tempo que acho gordofóbico, tem o lado de retratar esse lance de pessoas que cresceram gordas querendo emagrecer e se manter magras a qualquer custo. Conheço muitas mulheres que ainda hoje vivem isso. Acho que isso poderia ser retratado na série de outro modo.

24. Se você pudesse dividir um apartamento com um dos personagens de Friends, quem seria e por quê?
Talvez com o Joey. Eu sou muito certinha e organizada. Ele traria um tico de leveza pra minha vida. (Como aconteceu com a Rachel.)

25. Qual peça de decoração dos apartamentos de Friends você acha que daria um toque especial à sua casa?
Eu amo os tapetes das paredes e do chão do apê da Mon. A clássica moldura amarela e um vaso azul em formato de rosto. 





26. Qual receita da Mônica você tentaria recriar em casa?
Eu sou famosa pela minha lasanha, então a gente tem isso em comum. Acho que faria a receita dos biscoitos de aveia (que era/não era da avó da Phoebe).

27. Tem alguma comida que você guarda só para você? Ou você é como Joey que não compartilhar nenhuma comida? 
Eu confesso que sou meio como o Joey. Então prefiro comprar tudo numa dose extra, assim cada um fica com o seu, ninguém fica sem e eu não preciso dividir. 



28. Qual episódio que você sempre volta quando quer dar boas risadas?
Eu maratono a sexta e a sétima temporadas. 

29. Qual dos hobbies dos personagens você gostaria de experimentar e por quê?
Eu gostaria de tocar violão e compor como a Pheebs. Mas, de novo, Monica e eu temos o mesmo hobby, o tricô. Falando nela, dançaria, fazendo a rotina. hahaha




30. A vida nem sempre segue o script, não é mesmo? Imagine que você está passando por um momento difícil. Qual dos personagens de Friends você procuraria para pedir um conselho?
Sempre que eu estou em um momento difícil, coloco algum episódio em que o Chandler é um dos principais. Fazer isso me tira de crises de ansiedade, me dá alguma dose de esperança. Fazer isso agora, também se tornou uma forma de honrar o Matthew. Eu não bateria à porta do Chandler. Eu ainda bato à porta dele.



E você? Como é a sua relação com Friends? Conte para mim nos comentários e não deixe de ler as respostas da Ane aqui e da Ayumi aqui.

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quarta-feira, 17 de maio de 2023

Sobre ter uma lista de pessoas que nos fazem felizes

quarta-feira, maio 17, 2023 17
Foto feita por mim.


Ontem fui preparar uma xícara de chá antes de dormir. Enquanto a música ecoava nos meus fones de ouvido, o insight veio: Paul McCartney é uma das pessoas que me faz feliz. Esta minha lista — uma das inúmeras que tenho mentalmente e por escrito — é extensa e aleatória: vai desde a minha irmã de coração até o ex-beatle, passando por pessoas do meu dia a dia a gênios que, provavelmente, nunca conhecerei frente a frente. 

Pessoas que me fazem feliz não são necessariamente pessoas que eu amo mais que tudo — embora, muitas vezes essas duas coisas casem. Não, essa lista em específico é composta por gente que acende a minha alma, que me estimula, que me apoia, que acredita em mim mesmo quando eu mesma não estou acreditando, que vibram quando eu realizo sonhos (e sim, há algumas pessoas que amo muito que não se encaixam nesses critérios). Pensar em alguém da lista de pessoas que me fazem feliz é sorrir automaticamente. 

Gosto desta lista porque me lembrar dessas pessoas no momento de caos é importante. Além de me acalmar, elas me servem de farol — são um porto seguro para me inspirar, para pedir um conselho, para ter como exemplo, para obter um lampejo. Elas são ótimas em pensar junto qual é o próximo passo, ao invés de jogar um balde de água fria no processo. São estrelas-guias na nossa jornada. 

Acho bonito que haja pessoas assim: que tomam para si essa postura, essa posição de fazer os outros felizes a partir de como se expressam no mundo. A princípio, eu penso em artistas com suas palavras, com suas músicas, com suas artes, com seus olhares — como disse, Paul me fez dançar sozinha, numa noite fria, enquanto preparava um chá —, mas há também pessoas comuns, que fazem da felicidade uma prática. Normalmente são elas que nos recebem com os olhos brilhando de entusiasmo mesmo que não exista um motivo especial para isso. Elas estão ali celebrando o fato de que estamos vivos, plenamente vivos! 

Pensar nessas pessoas muitas vezes pode parecer um pouco rota de fuga, uma tábua de salvação para os momentos complexos — às vezes, é mesmo! —; porém, mais do que isso, elas me dão aquela fagulha criativa de querer ser assim também: uma revolucionária que transforma o mundo através de pôr amor e gentileza nos lugares por onde passo. No fundo, talvez essa seja a nossa maior missão, o nosso maior propósito enquanto humanidade: ser felizes e inspirar os outros a serem felizes também. 

Olhar para essa lista de pessoas me ajuda também com outro ponto: me compreender. Isso porque é possível mapear o que me alimenta emocional e intelectualmente — que tipo de arte? Que tipo de relações? Qual é a qualidade disso tudo? — e avaliar a quantas eu ando. Houve tempo em que, mesmo sabendo que aquelas pessoas em específico não eram boas para mim, eu ainda as considerava na minha lista de pessoas que me fazem felizes. Nem preciso dizer que isso não foi saudável, preciso? No fundo, ter aquelas pessoas nessa lista falava mais sobre a minha como a minha autoestima andava baixa do que que qualquer outra coisa... 

Tudo isso pode parecer coisa besta, piegas, mas não é. Refletir sobre essas questões me faz pensar em outras fases da minha vida, em como tudo se transformou e continuará se transformando e no quanto eu não preciso lidar com a complexidade da jornada sozinha.

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Como foi o seu dia?

terça-feira, fevereiro 16, 2021 14
Foto do entardecer de 15 de fevereiro de 2021.


Sou alguém que ama compartilhar. Não digo apenas sobre o que sei — algo intrínseco da minha profissão de professora —, mas sim o que sinto, o que vivo, as miudezas da vida.

A partilha mais bonita responde ao como foi o seu dia?. Quando essa pergunta vem da alma, sua resposta é uma declaração de amor, de amizade, de troca. Quando a resposta é sincera, a reciprocidade é entrega à relação que está ali estabelecida — seja ela do tipo que for.

Algumas pessoas veem isso como "dar satisfação". Já eu gosto de pensar que  esse pequeno ritual estabelece vínculo. Não somos obrigados à nada, e justamente por não sermos, que perguntar ou responder a um como foi o seu dia? se torna um gesto de carinho. Em uma sociedade em que tudo é aparente e quase nada é profundo, em que as pessoas estão sempre dispostas a falar, mas nunca a ouvir, se importar de verdade é uma bandeira verde para a construção de laços duradouros.

Virginiana que sou, acabo implementando esse cuidado na rotina com facilidade. Quando me conecto a novas pessoas e sinto que elas são importantes, quando as velhas amizades se tornam cada dia mais fundamentais, com o meu pequeno núcleo familiar. Gosto da rotina de entender como as pessoas ao meu redor estão e de saber se posso ajudá-las a tornar o dia delas nem que seja um pouquinho melhor, um pouquinho mais feliz.

Contudo nem sempre isso é recíproco. Às vezes o cuidar vem com rejeição. Às vezes acompanhar o Big Brother é mais interessante do que perguntar como eu estou ou me sinto. Às vezes é furar a rotina do falar todos os dias por um motivo qualquer. Às vezes é o jeito distraído de quem só pensa em si mesmo. Às vezes, eu não tenho o mesmo grau de importância que essas pessoas têm para mim. Acontece. Tudo na vida é aprendizado (e algumas rejeições são livramento. Doem, mas no final sempre nos levam por melhores caminhos).

Tenho para mim a ideia de que são os pequenos gestos os que mais importam. O como foi o seu dia? é uma minúscula porta que permite que outras pequenas gentilezas entrem na relação — seja ela de que natureza for —, para estabelecer algo maior e mais bonito. E o que é o viver se não justamente construir e fortalecer laços com quem é importante para nós?

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Flashback

quarta-feira, agosto 05, 2020 8
Foto de sarandy westfall, via Unsplash.


Passei o dia escrevendo. Primeiro no blog, depois, uns rascunhos, nada que fosse sério ou bom de se ler. Estava longe da dita qualidade literária, mas senti que precisava jorrar palavras no papel. 

Acho curiosa essa capacidade humana de organizar o que sente em pensamentos que podem ser verbalizados por meio das palavras. Acho incrível, ainda que nem sempre elas deem conta de traduzir exatamente o que faz o coração pulsar ou parar de vez. 

É curioso pensar nisso agora, enquanto preencho essas linhas. As últimas semanas foram pesadas e, além de ter que lutar contra a existência de uma pandemia e dos problemas mais triviais, ainda me vejo aqui, me debatendo com letra após letra para encontrar o vocabulário exato que possa descrever essa angústia que me oprime. 

Na última quarta-feira — foi na quarta? — recebi de K. uma foto nossa. Do nada, deparei-me com a nossa versão de 18 anos atrás. Um eu magro e desengonçado, que tentava parecer feliz para a câmera. O sorriso era largo, mas morto por dentro. Não me reconheci ali. O que restou daquela menina em mim? Ainda há algo?

Eu, no Ensino Médio. Foto enviada por K.
Eu, na foto enviada por K.


O Ensino Médio foi duro. Implacável. Foi nessa época em que tive minha primeira grande crise depressiva, a primeira grande decepção amorosa, a primeira grande ruptura de uma amizade significativa. Olhar para aquela foto me trouxe mais sofrimento do que saudade.

Fiquei com aquele gosto amargo pelo resto da semana. Foi difícil me concentrar. A pedra no meu do caminho não me permitia abrir passagem para outras narrativas. Sei que K. queria despertar risos e lembranças de um tempo que não volta mais. Para ela tudo foi lindo. Para mim, o que foi então?

Hoje, entre um texto e outro, voltei a observar aquela foto. Se eu vivo dizendo que sempre há algo de bom até nas coisas ruins, resolvi que era preciso ter coragem. Encarei de frente o meu eu-adolescente, acolhi as suas dores e coloquei mais um pouco de remédio nessa ferida.

A verdade é que aquela Fernanda me ensinou a não abrir mão daquilo que ela acredita; que sempre há um refúgio em uma biblioteca; que pessoas vêm e vão das nossas vidas (e tudo bem); que às vezes aquele amor que parece ser tudo não é "o amor da nossa vida"; que quem quer ficar do nosso lado, fica sem esforço; que vale a pena não jogar tudo pro alto, por mais que a vontade seja essa. 

Redescobrir aquela Fernanda que habita em mim me fez querer sonhar de novo, voar de novo, ser mais feliz ainda! Aquela Fernanda me lembrou que sempre é possível recomeçar.

Este post foi escrito com base no tema "Uma foto, várias lembranças", do Desafio Criativo proposto pelo Projeto Escrita Criativa.

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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Não tenho respostas, mas continuo tentando

sexta-feira, junho 05, 2020 20

Imagem de um muro amarelo com título da postagem sobreposto: Não tenho respostas, mas continuo tentando.
Imagem de Pexels por Pixabay.

2020 está sendo um ano muito curioso no sentido das
transformações: interna e externamente, tudo vem mudando, de forma acentuada. A carreira, as amizades, o amor (talvez), a sociedade. O que é bom está ficando mais forte e o que é ruim está sendo jogado fora sem dó nem piedade.

Talvez por isso mesmo, que escrever tem se tornado um processo diferente para mim. Se antes eu sentava, levantava uma agenda para o blog e trabalhava para que ela acontecesse, agora eu preciso olhar para fora e para dentro, tentar compreender essa equação e, só assim, criar. As mudanças trazem consigo oscilações entre alegrias e tristezas. Entre felicidade e revolta. Entre amor e desprezo. É nessa montanha russa que sigo. Seguimos.

Ontem comentei nos stories do meu Instagram que, até um tempo atrás, estava com muita vontade de comemorar o primeiro ano do meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas. Entretanto, ver o número crescente de mortes ao meu redor (seja por corona vírus, seja por racismo), foi cortando o meu barato. Como comemorar algo com tanta gente morrendo? Por outro lado, sou mulher, sou negra e fui publicada. Só quem está no mercado editorial sabe como isso é difícil de acontecer. Será que comemorar o meu livro não é um meio de inspirar outras mulheres negras a correrem atrás do próprio sonho? 

Vidas negras importam (ontem, hoje e sempre).

O mundo está divido, e eu, muitas vezes, não consigo respirar. Eu não consigo respirar quando olho para fora e vejo a indiferença e a irresponsabilidade dos nossos governantes. Eu não consigo respirar quando hospitais de campanha não são abertos mesmo já estando construídos ou tendo verba para tal, quando gastam fortunas e chegam equipamentos errado no Pará, quando vejo médicos tendo que escolher quem vai ou não para a UTI. Eu não consigo respirar quando vejo a verba do Bolsa Família sendo cortada no Nordeste ou quando milhões de brasileiros ficam na incerteza da aprovação do recebimento do auxílio emergencial. Eu não consigo respirar quando vejo pessoas sendo despejadas e indo morar nas ruas sem terem o que comer. Eu não consigo respirar quando a polícia atira numa criança, quando vejo uma mulher branca matando uma criança negra. Eu não consigo respirar quando vejo que um policial branco assassinando um homem negro por puro prazer. Estou há quase três meses sem sair de casa e, daqui do meu privilégio de ter um lar, eu me sinto MUITO impotente.

Cada vez que eu penso em atualizar o blog, alguma notícia chega e leva um pouco da minha esperança. Por isso o meu silêncio. Por isso o meu sumiço (daqui e da leitura dos blogs que eu tanto amo). Precisava de um tempo para entender como equilibrar os acontecimentos bons da minha vida pessoal (que, a passos lentos, está seguindo uma transição para um rumo menos tóxico), com o que chega de fora. Precisava de um tempo para entender como eu posso ecoar a minha voz para apoiar outras pessoas, para me unir a essa luta por um mundo mais justo. Macro e micro devem andar juntos, por mais que eu não saiba bem como. Ainda não cheguei a uma resposta exata da melhor maneira de fazer isso, mas continuo tentando. 

Em um post que escrevi em março, eu havia dito que não pretendia falar mais da pandemia aqui no blog, porque entendo o quanto todos nós precisamos de afeto nesse momento tão complexo (que inclui o luto de muitas pessoas que amamos). Acho que estou falhando miseravelmente na missão, mas não vejo outro modo de seguir por aqui. Manter o silêncio é uma forma de se posicionar e não é essa a que está de acordo com aquilo que acredito e com o futuro que eu sonho para todos nós. Por isso escrevo este texto.

Essa semana, enquanto estava em uma conversa com a 3ª série do Ensino Médio, um aluno me perguntou o que eu penso sobre o silêncio de figuras públicas, a exemplo de Neymar Jr., diante dos últimos acontecimentos globais. Eu fui honesta ao dizer que impor algo a alguém é complexo, mas que vejo que uma pessoa pública tem nas mãos um poder grande de trazer à tona a discussão e de fortalecer o diálogo (tanto usando as plataformas da Internet, quanto fora delas). Vivemos em uma sociedade em que todos estão habituados com respostas rápidas para tudo (oi, Google!), contudo, diante dessas mudanças em tantas áreas ao mesmo tempo, não dá para colocar tudo em caixinhas, ter soluções, sair dizendo o que é certo ou errado, sendo que há tantas perspectivas postas à mesa. Não dá para querer a exatidão em uma fração de segundos. Vejo que trazer a discussão à tona e ser honesto falando que está estudando o assunto, que está tentando entender, que está na busca para contribuir com a sociedade pode inspirar os outros a fazerem o mesmo. Como professora, escritora e cidadã, vejo que é isso que a gente precisa agora: não de pessoas que assumam um único lado da narrativa como algo perfeito e inabalável, mas sim de sujeitos críticos e pensantes, que busquem ouvir, pesquisar e compreender as diversas vertentes, recursos, interesses e responsáveis de forma racional, objetiva, compromissada consigo e com quem estiver ao seu redor.

Foi por tudo isso que me ausentei do blog. Estava processando a vida real. Por causa dessas conversas (com a minha família, com os meus amigos, com os meus alunos, com os meus livros) que dei esse passo atrás de parar a produção de conteúdo por um tempo. Também foi por conta dessa reflexão que volto agora (talvez ainda sem uma regularidade e uma agenda). Quero continuar essa caminhada, essa busca, ao lado de todos que me leem. Mais uma vez: não tenho respostas (e, dependendo do momento, fico sem ar e sem forças), mas quero e vou continuar abrindo diálogos e, sobretudo, continuar lutando. 

Você vem comigo? 

Aproveito para lembrá-lo de que criei uma página aqui no blog chamada QUARENTENA e que nela vocês podem encontrar diversos empreendedores, causas e organizações sérias para apoiarem durante esse período. Para acessá-la, clique aqui.

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Aquele das expectativas que as pessoas criam sobre você | BEDA agosto/2019 #6

terça-feira, agosto 06, 2019 6
*Nota: achei esse texto perdido nos rascunhos do blog há um bom tempo. 
Resolvi publicá-lo; porque ainda que boa parte da minha opinião tenha mudado, 
continuo achando que cada um deve cuidar da sua vida.

Would you call me a saint or a sinner?
Would you love me a loser or a winner?
Voltei para casa meio de bode, depois de me encontrar com alguns amigos que não via há algum tempo. É engraçado como as pessoas criam expectativas sobre as outras, como elas transformam a nossa vida em um roteiro incrível e esperam que a gente cumpra o papel a que elas nos designou.

A primeira vez que isso aconteceu comigo de forma marcante foi no fim da adolescência. Sempre que penso em quando a minha amizade com a minha melhor amiga da época ruiu, me vem à mente aquela tarde em que ela tentou - em vão - em convencer a prestar FUVEST. Eu não queria fazer USP, ela achava que eu tinha tudo para dar certo lá. No fim das contas, encerramos o assunto com ela frustrada por eu não tentar, e comigo frustrada por ela não me entender. O meu curso de Letras na USP era um sonho dela, não meu (e o mais irônico nessa história toda é que ela mesma não cursou a graduação em universidade pública).

Agora, por certo, o roteiro era outro, mais parecido com aqueles versinhos que as crianças cantam em inglês: *"...First comes love. / Then comes marriage. / Then comes baby in the baby carriage...". Por isso, a decepção veio quando eu disse que, neste momento, não me vejo em um relacionamento. Depois de todas as interjeições possíveis, um dos amigos me solta um "mas o amor tão é bonito" - que insinuou que eu estou amarga por não sair para procurar alguém. O que ele não entende é que eu concordo com ele: o amor é, sim, lindo; mas há várias formas de amar que não seja estar em um relacionamento amoroso. E que não, não acho que eu preciso estar com alguém para ser feliz.

Ando meio de saco cheio das pessoas me dizendo que eu sou "para casar", de ter que convencê-las de que as frustrações delas são porque elas roteirizaram a minha vida, não eu. Que me desculpem os desinformados, eu não sou para casar, eu sou para ser aquilo que eu quiser. Então, acho melhor todo mundo começar a criar expectativas e planejar a própria vida, em vez de querer fazer isso com a minha. 

Pelo bem de todos e felicidade geral da nossa amizade, digo ao povo que eu já sei cuidar do meu nariz. 


*A tradução literal da música é "...Primeiro vem o amor. / Depois o casamento. / Então vem o bebê no carrinho de bebê...".

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domingo, 21 de julho de 2019

{Vou por aí} Lançamento do livro Redemoinho em Dia Quente, da escritora Jarid Arraes

domingo, julho 21, 2019 20

Na última quinta-feira, 18 de julho, estive no Centro Cultural São Paulo para o lançamento do livro Redemoinho em Dia Quente, da escritora cearense Jarid Arraes, publicado pela Editora Alfaguara, selo da Companhia das Letras.

O evento começou com um bate-papo entre a Jarid e o escritor pernambucano Marcelino Freire e, enquanto os dois falavam sobre literatura, pudemos ver em um telão as fotografias feitas pela própria autora. Fotografias estas que inspiraram os contos que compõem o livro. Eu, que conheço a Jarid há pouco mais um ano (jurava que fazia mais tempo!), achei interessante demais ver este outro lado artístico dela e, principalmente, como as fotos se conectam com a biografia dela.

Além das fotos expostas ao longo do bate-papo, elas também estavam impressas em uma mesa, disponíveis para o público ver com mais calma.

Durante a conversa, Marcelino perguntou como é transitar por tantos gêneros literários, uma vez que Jarid escreve cordéis e poesias e o Redemoinho é o seu primeiro livro de contos. Ela explicou que este foi um livro que demorou mais a nascer, porque envolveu pesquisa e a própria leitura de outros contistas, mas que, apesar do longo processo, este livro tem um sabor especial porque está servindo como uma reaproximação da autora com as suas origens. Ela também se comparou a uma árvore de raízes sólidas em que cada galho seja um dos seus trabalho literários: uma ramificação é o cordel, a outra é a poesia, a seguinte é o Clube de Escrita para Mulheres, a próxima é trabalho como curadora no selo Ferina e assim por diante.

Jarid Arraes e Marcelino Freire.
Os dois autores compartilharam com o público como foi para eles essa transição de deixar o Nordeste para viver em São Paulo e relataram o preconceito das pessoas em relação a particularidades como o sotaque. Eu, que sou fruto de uma família de ancestrais nordestinos, não consigo conceber como alguém pode desprezar outras pessoas só por causa da origem. Ouvi-los falar, com toda a sua musicalidade, foi como estar envolta em um abraço, em um aconchego familiar que só presencio quando entro em contato com o lado materno da minha família.

Para finalizar o encontro, Jarid e Marcelino fizeram uma leitura do conto "Boca do Povo" (localizado nas páginas 28 e 29 do livro), que tem uma estrutura que foge do conto tradicional, por ter a narrativa toda composta por verbetes de dicionário. Confira abaixo:



Enquanto eu esperava a fila de autógrafos diminuir, fiquei no mini encontro informal com as escritoras do Clube da Escrita Para Mulheres. Também encontrei o Eric Novello [tradutor e autor de Ninguém Nasce Herói (Editora Seguinte); Exorcismos, amores e uma Dose de Blues (Editora Gutenberg), entre outros títulos] e já disse a ele o quanto estou animadíssima para a Flipop deste ano!


Na fila, fiquei pondo o papo em dia com a escritora baiana Elizza Barreto. Nós aproveitamos para trocar exemplares dos nosso livros. Ela levou para casa um A Intermitência das Coisas, e eu trouxe um exemplar do romance Capuccino de Chocolate com Creme.

Com a Elizza e os nossos exemplares do Redemoinho em dia quente.

Foi, sem dúvida alguma, uma noite feliz. :)

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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

BEDA agosto/2018 #31 — 12 blogs para ler no dia do blog

sexta-feira, agosto 31, 2018 6
Imagem: Pexels.

Caracas! Dá para acreditar que chegamos ao último dia do #BEDA? Eu não creio ainda! Até porque este foi o mês de agosto mais rápido da história da humanidade (pelo menos, para mim.)

Para comemorar o Dia do Blog e o fim do meu primeiro BEDA, separei 12 dos meus blogs preferidos para você conferir. Muitos deles são de blogueiros que admiro e alguns deles viram meus amigos. Na lista, temos moda, literatura, fotografia, ilustração, histórias pessoais... Enfim, uma série de assuntos que me deixam com vontade de sentar com cada uma dessas pessoas e falar sobre a vida. 

  1. A dona da Frida, por Jade Maranhão
  2. Blog Carol Vayda, por Carol Vayda
  3. Faah Bastos, por Faah Basto
  4. Mrs. Margot, por Tiago Marques
  5. Misttura Criativa, por Michelle Cruz
  6. Mulher Vitrola, por Rê Vitrola
  7. Não me venha com desculpas, por Adriel Cristian
  8. Pandinando, por Ayumi Teruya
  9. Profano Feminino, por Ane Venâncio
  10. Quebrei a máquina de escrever, por Giulia Santana
  11. Recanto da Prosa, por Aline Caixeta
  12. Tenho dito e nada feito, por Giselle


Quais são os seus blogs preferidos? :)

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Nostalgia

segunda-feira, agosto 21, 2017 8
Saudades daquilo que não volta mais.
Não fui à aula hoje. Deveria ter ido, mas a combinação frio mais dente do siso dando o ar da graça me fez perder o pouco de coragem que me resta depois de trabalhar dez horas/aulas seguidas. Não fui à aula, voltei no tempo.

Há dias estava com vontade de ouvir umas músicas velhas da Thalia. Acho que o desejo veio desde que comecei a dar aulas particulares de espanhol para uma amiga. Aliás, fazia muito tempo que eu não me divertia tanto. Espanhol é a minha segunda língua do coração. Enquanto o inglês é a da necessidade de expressão, o espanhol é a que me traz esse sentimento de liberdade. Pois bem, fui atrás do meu cd da Thalia — sim, da Thalia — e entrei no túnel do tempo.

Eu sei, já disse isso. O fato é que eu encontrei um monte de músicas da época em que tinha mais amigos do que livros, mais sonhos do que preocupações, mais romantismo do que dor. Com Thalia, Juanes, Shakira, Sanz e todos os meus álbuns do Audioslave, voltei aos 15 anos. Em primeiro impulso, quis ouvir todos, principalmente o Audioslave. Quis ouvir, mas o coração ficou pequeno. Ainda não consegui me despedir do Chris Cornell. Aliás, deve ser por isso também que o meu projeto da pós anda arrastado. Antes, escrevia meu livro ao som do Higher Truth. Agora, não consigo enfrentar a perda, não consigo escrever sem ter o nó no peito de saber que o meu companheiro de criatividade se foi. Acho que meu eu criativo morreu naquele dia também.

Venho pensando muito nisso, digo, nas pessoas que se vão. Será que, em meio da minha neurose, tenho me isolado ou será que as pessoas estão cada vez mais vazias e individualistas? Entro nessa espiral de pensamentos por horas a fio e não chego à conclusão alguma. Estar no limbo é algo que tem acontecido com frequência e que me sufoca. Afinal, não bastam os problemas, ainda isso.

Sei — se é que posso dizer que sei algo — é que eu fico cada vez mais perplexa com os amigos que crescem na carreira e se tornam arrogantes, com aqueles que entram em uma área e se esquecem das pessoas que estão fora daquele nicho, das pessoas que querem dar palpites sem fazer ideia do que passa, dos que só procuram quando precisam de ajuda... Tudo isso tem se tornado cada vez mais frequente (ou eu estou cada vez mais saturada, que noto mais desses comportamentos?). Voltei no tempo e queria mesmo a ingenuidade dos amigos que se viam todos os dias e juravam fidelidade eterna. Bons tempos.

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

{Vlog | Vou por aí} São Paulo - Rio - Lima

sexta-feira, agosto 18, 2017 8
Bora conhecer São Paulo? Bora! ♥

Hola, ¿qué tal?
Se tem uma coisa que eu A-DO-RO é mostrar um pouco da minha cidade para os meus amigos. Quando vem alguém de fora do país, então... aí é que eu me divirto! E foi justamente o que aconteceu durante o mês de julho. Apesar de não ter viajado, aproveitei muito julho, recebendo as meninas do interior de São Paulo (Priscila e Camilla), do Rio (Maila) e de Lima (Anny e Cynthia). 

Como a própria Pri explicou, conheci as meninas ano passado em Buenos Aires, durante a All America Tour (valeu, Nick!). De lá para cá, foi um ano cheio de amor, confidências, realizações de sonhos, desabafos, momentos fangirls... E, claro, saudades! Por isso, fiquei empolgadíssima com a vinda das meninas.

Las chicas deram o azar de chegarem aqui nos dias mais frios do ano. Estava complicado turistar, mas acabamos ensinando às peruanas que brasileiros não desistem nunca. Acho que foi a primeira vez que eu entrei no Parque Ibirapuera tão vazio assim. Nem os patinhos queriam nadar! hahaha

Como as meninas deixaram o roteiro na minha mão, acabei escolhendo os meus lugares preferidos daqui de Sampa. No vlog abaixo, mostro quase todos eles. Então, pegue a pipoca e se prepare para uma dose de portunhol e muitas risadas! 



E você, o que gosta de São Paulo?
Beijos e queijos :*


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sexta-feira, 31 de março de 2017

Uma tarde na biblioteca

sexta-feira, março 31, 2017 3
Foto por: Carol Vayda

Desde que me mudei para esta escola enorme, tudo se tornou diferente. Minhas amigas - o quem eu achava que era minha amiga - ficaram muito mais preocupadas em parecerem bonitas para os meninos, do que em serem pessoas com quem outras podem contar. Me vi aqui, encostada na parede de uma imensidão de pátio, sem saber exatamente como agir, mas tendo a certeza de que o que menos quero é atrair um cara babaca como os que andam por aqui.

Ok, ok, eu sei que me apaixonei por um cara que escreve as suas iniciais em todos os lugares - da borracha ao teto do ônibus (sério, não acreditei quando vi aquelas duas letras no teto do ônibus que pego para chegar à escola) - então, talvez tenha sido tão idiota quanto elas. Mas o fato é que eu jamais abandonaria minhas amigas e jamais mudaria algo em mim por causa de homem. Eu, hem? Prefiro ficar só a ter que fazer isso.

O que importa aqui, agora, é que eu acho que a professora de português sacou que eu ando muito largada por aí. Ela tem aquele jeitão de mãe que sabe tudo e deve ter notado que não me adaptei. Tenho 99% de certeza disso, porque ela passou o recado dos horários de funcionamento da biblioteca do colégio praticamente olhando para mim. Foi uma encarada dessas certeiras, que fazem gelar a espinha - ainda que, desta vez, ela tenha feito isso mais por preocupação do que como uma bronca ou algo do gênero. Fora que ela sabe que um dos meus planos é cursar Letras quando sair daqui. Rola aquela identificação de quem respira livros.

Como não tenho nada a perder e ando sem paciência para o "você viu fulano comemorando gol sem camisa na aula de Educação Física?", resolvi que não tinha nada a perder se seguisse o conselho da professora. Por isso, lá fui eu, três lances de escada à cima, em busca da tal biblioteca.

Levei um pequeno susto ao passar por aquela porta minúscula. Aquele lugar era bem diferente do que conhecia, principalmente no que se referia à biblioteca pública municipal que frequentava. Logo ao lado da porta, havia cerca de três mesas redondas. Ao lado delas, um balcão de ponta a ponta. Atrás do balcão as estantes. Fiquei em choque quando soube que não poderia andar em meio às estantes. Nada de contato com os livros.

Quem me explicou tudo isso, de uma maneira muito mais calma do que o estado em que eu recebia as informações, foi uma bibliotecária muito gentil, que estava atrás do balcão. O sistema era simples: pegava uma das pastas disponíveis, olhava no índice o livro que queria, dizia a ela o nome e ela pegava pra mim. Este era o único jeito que a escola havia encontrado para manter o pequeno espaço organizado em meio à tanta gente.

Assim como aconteceu com a professora, Cecília, a bibliotecária, tinha um olhar que era firme e, ao mesmo tempo acolhedor. Ao prever minha dúvida se este era o melhor método de se escolher um livro, abriu a pasta catálogo e foi comentando os títulos que mais gosta, quais eram os que os alunos mais pediam emprestado, quais haviam acabado de chegar. 

Aquele foi o ano em que mais li e, aquele lugar tão exótica acabou sendo o que me salvou de eu me perder. Tudo por causa daquela primeira tarde que passei na biblioteca.

Este texto faz parte do Projeto Escrita Criativa, que reúne escritores e blogueiros para colocarem no “papel” suas ideias. Quem quiser conhecer mais, acesse a página ou o grupo do projeto. Lá há a lista de todos os blogs participantes. O tema da blogagem coletiva de março é "Uma tarde na biblioteca".
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quarta-feira, 8 de março de 2017

Muito obrigada

quarta-feira, março 08, 2017 4
Já posso dar um abraço em cada mulher presente na minha vida? ♥

Oito de março. Dia da mulher. Me peguei aqui pensando que queria muito falar sobre isso, mas sem saber exatamente como fazê-lo. Então, resolvi falar com vocês, mulheres da minha vida. Eu quero agradecer a todas as mulheres que sempre estiveram do meu lado. Se cheguei aqui hoje, é muito por culpa de vocês.

Vocês que me apoiaram, que não me deixaram desistir, que sempre fizeram questão de me lembrar o quanto eu sou incrível (em todos aqueles momentos em que eu desacreditei). Vocês que me ensinaram tanto - seja na escola, seja no trabalho. Vocês que vibraram com as minhas realizações, que alimentam os meus sonhos. Vocês que me leem, que me encorajam. Vocês que consolam as minhas lágrimas, que oram por mim, que não me deixam perder a fé.

Mulheres da minha família. Meus alicerces. Mulheres da minha vida acadêmica. Com quem até hoje compartilho as minhas angústias (que nem sempre são relacionadas à academia). Mulheres dos meus trabalhos todos, que tanto me fizeram crescer. Minhas amigas. As irmãs que escolhi para mim. Minhas autoras preferidas. Aquelas que abriram o caminho para nós, escritoras novatas que não desistem do reino das palavras.

Obrigada por continuarem comigo nesta luta por um mundo mais justo. Obrigada por criarem suas crianças pautadas na igualdade e no respeito. Obrigada por serem amor, por serem coragem, por serem força, por espalharem sua luz.

Que este oito de março renove as nossas energias. Que no futuro nossas filhas, netas, amigas, vizinhas e desconhecidas possam ganhar tanto quanto o seu colega homem, andar nas ruas sem medo, escolher a roupa, a profissão e a vida que bem entenderem. Que no futuro esta data seja mesmo para festejar. 

Enquanto isso acontece, a luta continua. E o meu sentimento de gratidão por vocês existirem na minha vida também. 💚

PS: Sue, se você ler, feliz aniversário também (e de novo!)! 😉

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