{Vamos falar sobre escrita?} Oficina de Autopublicação no Clube da Escrita para Mulheres

by - 10:12 PM

Imagem por Jarid Arraes.
Entrei naquela sala e me sentei na cadeira que estava próxima à parede. Depois de tanto tempo fazendo curso em um único lugar, estar em um ambiente completamente desconhecido era intrigante e estimulante.

Estava cercada de mulheres. Todas diferentes, carregando não apenas suas histórias de vida, mas também sua singular criatividade. Em comum, a escrita. Todas éramos escritoras. O encontro foi mediado pela Dani Costa Russo e pela Jarid Arraes — coordenadora e fundadora, respectivamente, do Clube da Escrita para Mulheres. As quatro horas que passamos juntas foi um montar de quebra-cabeças. Desconstruíamos os velhos paradigmas para remontar novas esperanças. Ao mesmo tempo em que passamos a entender como o mercado editorial é cruel com os autores desconhecidos, vimos como é possível ser melhor mesmo estando longe de uma grande editora. O sonho de ver o livro publicado não é impossível.

Nós, mulheres, sempre somos questionadas ao dizermos que somos escritoras. A nossa sociedade ainda aceita melhor um homem que escreve, do que uma mulher. Quando dizemos que escrevemos, recebemos um olhar de dúvida, de desaprovação e o questionamento da quantidade de livros que já publicamos — como se precisássemos comprovar que escrevemos. Em uma era pautada pela tecnologia, uma das reflexões que surgiu na oficina é justamente relacionada a isso: precisamos publicar um livro físico para dizer que escrevemos? Apesar de ter o desejo de finalmente ver o texto em um objeto-livro na prateleira, não é isso que determina quem é ou não escritor. Escritor(a) é aquele(a) que escreve. Portanto, ser mulher e se posicionar como escritora é, em si, um ato político que transpõe o paradigma machista que prega que escritor “de verdade” é apenas homem.

Repost do instagram da Jarid Arraes.

Talvez o parágrafo anterior lhe pareça um exagero. Então, volto com um dado estatístico que uma colega apresentou quando chegamos a essa discussão na oficina: 95% dos escritores que publicam nas principais editoras tradicionais do Brasil são homens. Sim, você leu certo. Noventa e cinco porcento. Ouço esse dado e penso na minha turma de pós-graduação e nos total de participantes do Projeto Escrita Criativa, ambos compostos por pelo menos 90% de mulheres. São contas que não fecham. E por que não fecham? Porque ainda vivemos em uma sociedade extremamente machista.

Enquanto compartilhavam a experiência de se autopublicar, Dani e Jarid davam mais e mais exemplos de pessoas que tentaram fazê-las desistir e de como elas enfrentaram o mundo nesse processo. Para mim, o que ficou de importante é que se faz necessário ter em mente que ser independente é, de alguma forma, ter mais trabalho (não que isso seja ruim, pelo o contrário, você se desenvolve mais em diferentes aspectos). Ser independente não é ser escritor apenas, mas sim editor, preparador de texto, revisor, social media, diagramador, capista, fotógrafo, produtor de eventos, gerente de vendas, mediador de uma pequena equipe (normalmente formada por parceiros e amigos que acreditam no livro tanto quanto nós). É preciso disponibilidade mental para dar conta de tudo isso. Por outro lado, é válido lembrar que ter o contrato com uma grande editora não garante que o escritor não tenha que assumir uma ou várias dessas funções.

Ainda não sei como vou publicar o meu livro — não mencionei, mas se você me segue no Instagram sabe que ele acabou de ficar pronto —, o que posso dizer é que participar desta oficina me deixou mais forte como mulher que apoia outras mulheres e como escritora que vai fazer minhas palavras se tornarem realidade. 

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Para conhecer o trabalho da Jarid Arraes clique aqui; já para saber mais sobre a Dani Costa Russo, acesse aqui.

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5 comentários

  1. Que legal, adorei o assunto do clube. Um encontro que deve ter trazido a tona muitos questionamentos com certeza :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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  2. É triste ver tanto machismo na literatura. Toda discussão é boa para fazer a gente refletir, incentivar e até mesmo consumir mais livros escritos por mulheres.
    Bjus!

    galerafashion.com

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  3. Fernanda, adorei a existência de um clube da escrita para Mulheres. Eu não me considero escritora, mas sinto que há, ainda, certa resistência às escritoras. Tenho tentado ler mais livros escritos por mulheres e assim acabei percebendo que poucas mulheres estão na lista dos mais vendidos e não é por falta de qualidade dos livros e sim por não terem a visibilidade que merecem!

    :)
    Beijo
    Li

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  4. Ahhhh, que coisa mais linda essa sala cheia de mulheres com um sonho em comum! Eu fiquei chocada com essa porcentagem, mas se parar pra pensar na sociedade em que a gente vive, nem é tão surpresa assim, né? Uma pena. Mas fico feliz de ver tantas mulheres talentosas dispostas a mudar esse número, tô aqui torcendo por vocês!
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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