quarta-feira, 9 de junho de 2021

A Intermitência das Coisas — uma reflexão dois anos depois



Há dois anos, em um oito de junho, lancei meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, pela Editora Penalux. Na época, eu era uma escritora que estava tentando se entender não só como artista, mas também como pessoa. 

Foto do lançamento, por Patricia Rodrigues.


Depois de lançado o livro, fiz um processo intenso de divulgação e o deixei na prateleira. Foi apenas agora, com mais distância de todo o processo de escrita e do nascimento da obra, que eu parei para reler o livro como um todo. E que processo interessante!

Há autores que buscam se distanciarem o máximo de suas obras. Eu nunca fiz parte desse grupo. Primeiro porque acredito que tudo aquilo que uma pessoa escreve passa pelo olhar de seu autor — esteja isso ficcionado ou não. Segundo, porque eu faço ficção —  mesmo dentro dos versos —  muito baseada no que me move, no que me atravessa causando alguma reflexão, sentimento bom ou desconforto.

Um dos marcadores de página do livro, com o poema "Maravilhamento" (página 14).
Foto por Anna Carolina Ribeiro.


Pensando nisso, ainda sou a mesma autora que escreveu o A Intermitência das Coisas. Aliás, continuo na corda bamba entre o vazio e o caos, e talvez este seja um tema que seguirá como mote da literatura que produzo. Também continuo ser solitário em meio a tantas gentes —  como versei na primeira estrofe de "Visão". Nesse sentido, é curioso como a primeira obra é a impressão digital da nossa arte no mundo.


Fernanda Rodrigues segurando um exemplar de seu livro A Intermitência das Coisas, lançado em 2019.
Criadora e criatura — dois anos depois. 💙


Por outro lado, não sou mais a mesma, ainda que "Bato" e "Sentença" (abaixo) sejam um prenúncio de como escrever me mantinha e ainda me mantém viva. A Fernanda que escreveu A Intermitência das Coisas estava acuada e ferida, carregando dores e se culpando — como o eu-lírico dos poemas "Escolhas" e "Escolhas 2" nos conta. Olhando hoje, estas feridas já cicatrizaram. E, observando já com os olhos da distância, posso dizer que o evento de lançamento teve muito a ver com isso. Que ironia escrever sobre tanta dor e receber tanto amor em troca. Sem dúvida alguma, esse foi o dia em que mais me senti honrada e amada na vida. Sou muito grata por todos que estiveram ao meu lado.


Um dos poemas do livro A Intermitência das Coisas.


Faz frio e nada melhor do que ler um livro de poesias em uma tarde gelada. Fiz a releitura como se me dedicasse a uma obra escrita por outras pessoas. Foi bom. É sempre bom revisitar o próprio processo criativo. Em termos de estilo, há poemas que eu faria de outro jeito, por puro amadurecimento do modo com que vejo a construção do texto poético hoje. Em termos de conteúdo, há dor, mas também há esperança e uma dose de inocência que sempre me acompanharam e que continuam me agradando.

É bacana poder olhar para uma publicação e se orgulhar dela. Que sorte a minha! 

💙💙💙

Para ver a live que fiz comentando tudo isso e lendo alguns dos poemas do livro, acesse o IGTV ou aperte o play: 


Para ver a playlist completa do livro, acesse aqui.

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4 comentários:

  1. Parabéns pelo trabalho, querida. Que muitas portas se abram por meio desse projeto.

    Boa semana!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  2. Deve ser muito interessante essa experiência de ler seu próprio livro um tempo depois...
    Muito bacana isso de você falar que é mesma pessoa, mas ao mesmo tempo não é.
    Curiosa pra ler seu livro um dia :)

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A essência não muda :)
      Fico feliz que você queira lê-lo.

      um beijo :*

      Excluir

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