quarta-feira, 30 de junho de 2021

Retrô mensal #11: junho/2021

quarta-feira, junho 30, 2021 14
O calendário maravilhoso é feito pela @soupotiria.


Eis que o sexto mês do ano acabou. Dá para acreditar que um semestre inteiro de 2021 se foi? Parece que eu vivi 15 vidas só nesse primeiro semestre. Foi assim para você também?

Apesar de 2021 continuar tão desafiador quanto 2020, eu consigo ver neste ano um movimento de profunda transformação. Espero que as coisas melhorem e nos levem a caminhos melhores, mais leves e mais felizes. 

#Retrô de boa

  • Terminei cinco peças no tricô (sendo três delas feitas para outras pessoas);
  • Participei de um evento educacional em que pude falar sobre o livro que escrevi, Narrativas Digitais: narro, logo existo! Registrar o meu mundo e construir histórias, para educadores do Centro Oeste (quem quiser baixar o material gratuitamente, acesse aqui);
  • Recebi a leitura crítica do meu livro novo de poemas. Agora só falta fazer os ajustes para enviar à editora.
  • Meu pai se vacinou. Agora só falta eu mesmo (estou esperando chegar a minha vez).
  • Terminei de revisar a segunda antologia do Projeto Escrita Criativa! :) Estou empolgadíssima com esse livro, porque ele está bonito demais! :) 
  • Fiz a revisão semestral e notei que metade das minhas metas foram concluídas nos primeiros seis meses do ano. :) (Para ler quais eram as metas para 2021, clique aqui.)
  • Consegui comemorar os dois anos do meu A Intermitência das Coisas e os meus 15 anos de Algumas Observações (queria ter escrito um post sobre isso, mas tive uma semana de crise de enxaqueca).
Live de comemoração do livro A Intermitência das Coisas. Nela li alguns poemas e contei curiosidades sobre o livro.

Café Notável com o Júnior Miranda. Para comemorar 15 anos do blog, nada como ter uma conversa com um dos primeiros leitores do Algumas Observações.

Sarau de comemoração dos 15 anos do Algumas Observações, com Carol Daixum, Livia Brazil e Lucila Eliazar Neves.

#Retrô para melhorar

Junho foi um mês tão complexo, tão dolorido, tão desolador por aqui, que não vou colocar nada para melhorar. Só de eu ter sobrevivido, já está ótimo.

Que julho e todo o segundo semestre seja mais leve!

Beijos e queijos :*
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segunda-feira, 28 de junho de 2021

{Resenha} O poder de cura dos chakras, de Tori Hartman

segunda-feira, junho 28, 2021 1
Resenha do livro O poder de cura dos chakras, de Tori Hartman.

Tori Hartman foi muito feliz ao escrever O Poder de Cura dos Chakras. O livro é ótimo para quem quer não só entender de onde vem a história dos chakras, mas também como esses centros de energia afetam o dia a dia. Além disso, Hartman apresenta exemplos e exercícios práticos que transformam esses conceitos tão abstratos em algo mais palpável ao nosso cotidiano, sempre tão corrido.

No começo do livro, a autora introduz seus leitores não só à obra, mas também à trajetória dos chakras desde tempos remotos até a atualidade. Ela também explica que há diversas perspectivas de se olhar para a história dos chakras e de qual delas partiu para escrever a obra, deixando claro que "este é um ponto de partida, não um guia definitivo. O objetivo é levá-lo a entender os chakras e a entrar em contato com suas energias" (página 33). 

A proposta de Hartman para os leitores é escrever um livro de diversão, em que o leitor leia e faça os exercícios para se perceber. É muito interessante como as propostas são simples e, ao mesmo tempo, de uma profundidade sem tamanho. A maioria delas envolve ou uma meditação (lida, uma vez que a própria Tori Hartman transcreve nos capítulos) e escrita — então é bom ler com um caderninho ao lado.



Os capítulos que descrevem os 7 chakras propriamente ditos apresentam uma estrutura parecida: na abertura há uma espécie de ficha técnica (com a descrição da flor de lótus, a regência, os órgãos, o significado, o conceito principal, a tradução ocidental, a cromoterapia ocidental e o aspecto kundalini), os aspectos físicos e os problemas pessoais (ambos com sugestões para amenizá-los), um trecho sobre as pedras e cristais relacionados ao chakra em questão, a cor do chakra descrito, a evolução do significado, a interpretação moderna, uma história de exemplo prático, uma meditação e um exercício. Além de tudo isso, cada capítulo tem um resumo final e como aquele chakra se relaciona com o próximo. Mas o livro não se detém em explicar apenas os chakras. Tori Hartman vai além e escreve um capítulo sobre o som dos chakras e sobre como trabalhá-los tanto pela manhã, quanto pela noite.

Falando assim, O poder de cura dos chakras pode parecer um livro didático, mas vejo que a autora conseguiu atingir o seu objetivo: a leitura foi super divertida e cheia de insights. Apesar de o propósito ser ir trabalhando e se autoconhecendo, eu devorei o livro numa sentada, porque ele tem esse efeito de fazer com que os leitores queiram entender a totalidade das conexões entre os chakras todos. Nesse sentido, acho que vale uma leitura completa do livro para ter uma visão geral e, depois, voltar nos capítulos para fazer os exercícios. De qualquer modo, como a própria Hartman escreveu: "O caminho para descobrir seu relacionamento com os SEUS chakras é único e pessoal, assim como você" (página 33) — isso também vale para o modo como você irá se relacionar com o livro. 😉

Capa do livro O poder de cura dos chakras, de Tori Hartman.


Livro: O poder de cura dos chakras: use seus centros de energia sutil para o bem-estar emocional, físico e espiritual
Título Original: Chakras — Using the chakras for emotional, physical, and spiritual weel-being
Autora: Tori Hartman
Tradução: Euclides Luiz Calloni
Páginas: 192
Editora: Pensamento
Apresentação: Este é um guia simples e moderno que explica como os chakras funcionam, revelando também como se beneficiar de suas energias curativas quando se encontram em pleno funcionamento. Esses meridianos de energia são os principais centros energéticos do nosso corpo; o trabalho com esses centros promove a saúde e a felicidade nas dimensões física, mental e espiritual. O livro traz a história simplificada dos chakras, suas principais áreas de influência e como trabalhar com esse poderoso fluxo de energia em sua vida. Você aprenderá meditações, exercícios e até mesmo como lançar mão de especiarias que vão te ajudar a acessar a energia transformadora dos chakras e, consequentemente, conhecer mais sobre si mesmo.

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terça-feira, 22 de junho de 2021

{Resenha} O Oráculo da Deusa, de Amy Sophia Marashinsky e Hrana Janto

terça-feira, junho 22, 2021 4
Entre em contato com as deusas.

A Editora Pensamento relançou em 2021 uma de suas publicações famosas, O Oráculo da Deusa. A obra foi escrita por Amy Sophia Marashinsky e ilustrada por Hrana Janto. O livro vem em uma caixa dura e é acompanhado por 52 cartas-oráculo.

A obra é bem organizada e didática. Marashinsky escreveu um breve prefácio em que explica o porquê de se entrar em contato com as deusas e como as religiões judaico-cristãs impactou a visão que ela — de familia judaica — teve por muitos anos do que é ser mulher. Ainda na introdução, há um breve relato do apagamento das deusas — e, em consequência, das figuras femininas — ao longo da história do patriarcado e a descrição da busca da autora por sua totalidade. É justamente esse "reintegrar os aspectos da personalidade" que ela busca oferecer às suas leitoras. 



A parte I do livro dá um norte de como usar as cartas do oráculo propondo desde como criar um ritual de concentração a como se conectar com as cartas. A autora também três sequências de como tirar as cartas, que são ótimas para quem nunca fez leitura alguma com oráculos. Além de apresentar o que se espera de cada posição tirada, Amy Sophia Marashinsk traz um exemplo prático de como interpretar a leitura. Nela a autora sugere que é possível usar o Oráculo da Deusa como complemento/confirmação de outra leitura feita com um outro oráculo ou com cartas de tarô.

Parte das 52 cartas que acompanham o livro.

A parte II do livro traz uma descrição completa de cada uma das 52 cartas do oráculo. Ali há o nome da deusa, a palavra-chave (qualidade) do que ela representa, um texto poético que dá voz à deusa ao lado de uma imagem em preto e branco da carta (que é colorida). Na sequência há a mitologia com a história da deusa, o significado da carta e uma sugestão de ritual para se conectar com ela. O bacana é que boa parte dos rituais são mentais (por meio de uma meditação, por exemplo) — o que torna essa conexão mais fácil de ser realizada.

Por fim, a parte III apresenta uma tabela-índice com as deusas, suas qualidades, sua sugestão de ritual e a cultura ou região de onde essa mitologia nasceu.

As cartas têm um tamanho bom para o manejo e têm boa qualidade, por serem impressas em papel de alta gramatura. Elas apresentam a ilustração colorida da deusa, feita por Hrana Janto, o nome da deusa e sua qualidade/palavra-chave. Então, em uma leitura intuitiva, dá para ter uma noção do que se trata a mensagem trazida pela deusa, mesmo sem olhar no livrinho. Já a caixa, por ser feita também em papelão de alta gramatura, protege tanto o livro quanto as cartas.

Capa. (A deusa da capa é a Sofia, da sabedoria.)


Livro: O oráculo da deusa
Autora: Amy Sophia Marashinsky 
Ilustração: Hrana Janto
Tradução: Zilda Hutchinson Schild Silva
Páginas: 200
Editora: Pensamento
Apresentação: Com mais de 150 mil exemplares vendidos, este clássico chega agora em caixa rígida. O livro celebra as muitas faces com as quais a Deusa foi adorada em culturas de todo mundo. O Oráculo da Deusa reúne 52 cartas que representam um aspecto particular da energia feminina e foi criado para dar fácil acesso aos conhecimentos sobre as Deusas e seus significados simbólicos, ligados ao Sagrado Feminino. Por meio de uma combinação dinâmica de poesia, mitologia e rituais, este livro responde a diversas perguntas, além de oferecer conhecimentos intuitivos e orientações para encarar os desafios do dia a dia. Um oráculo que ajuda você a entrar em contato com o presente e a criar o futuro que sempre desejou.
Livro no Skoob. | Livro no Goodreads.

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terça-feira, 15 de junho de 2021

{Vamos falar sobre escrita?} Como ter um blog impulsiona a carreira de escritor

terça-feira, junho 15, 2021 16
Já pensou em ter um blog?

No dia 24 de junho, o Algumas Observações completa 15 anos (🎈🎉), por isso eu me peguei refletindo sobre como esta jornada me ajudou na minha carreira de escritora. É legal olhar para trás e saber que consegui me manter firme por tanto tempo na escrita e perceber que este espaço foi fundamental para isso. Sendo assim, eu listei nove motivos importantes que impulsionam o escritor e a escritora — iniciante ou não — nessa jornada. Se você sonha em ser autor ou já escreve, veja a lista. Se você conhece alguém que tem esse sonho, compartilhe com o coleguinha! 😉

Antes de começarmos, entretanto, é valido dizer aqui que é escritor toda pessoa que se dedica à escrita como profissão, o que significa que não é porque uma pessoa nunca publicou um livro físico que ela deva se achar menos importante do que quem já o fez. A ideia desse post é fortalecer os dois perfis: tanto quem quer escrever sem pretensão de publicar livros, quanto quem tem esse desejo de ser autor publicado.

Foto por Nick Morrison, via Unsplash.


Experimentar diferentes formas de escrita

Diferente do que acontece com um livro, que o autor precisa ter um projeto com uma proposta coesa, no blog é possível escrever diferentes tipos de textos. Aqui eu publico majoritariamente contos, crônicas, poemas, resenhas e artigos, mas há outros escritores que usam os próprios blogs para soltarem os capítulos de seus romances. Poder testar diferentes tipos de texto e ir percebendo com qual tem mais afinidade é importante até para definir o que o autor quer aprofundar, levando para a publicação em livro. 

Registro de evolução da escrita

Ao longo dos anos, isso se torna cada vez mais evidente: a nossa escrita muda, amadurece, segue por novos caminhos. Ter um blog é uma forma de registro dessas mudanças e pode ser usado pelo escritor como forma de estudo da própria obra. É possível ver nos arquivos não só o gênero textual mais escrito, mas também observar os temas de predileção e como eles influenciam no que é produzido.

Além disso, é possível registrar também como é o processo da escrita do próprio livro em si, compartilhando os bastidores de como anda o processo de criação, revisão, publicação.

Foto por Max Saeling, via Unsplash.


Mistura de diferentes linguagens

Em um blog é possível colocar texto, imagem, vídeo e áudio juntos. Para escritores que pretendem criar projetos experimentais, isso pode ser uma forma de ir testando como criar uma miscelânea artística que funcione dentro da proposta estética do projeto futuro a ser lançado.

Feedback instantâneo

O mais legal — e por vezes surpreendente — em um blog é que o autor tem um retorno praticamente instantâneo do texto. Pode acontecer de o autor do blog criar um post mega elaborado e não ter muito feedback positivo e de fazer um texto às pressas e todo mundo amar. Esse é um grande exercício de equilíbrio entre saber ouvir os leitores e, ao mesmo tempo, não se deixar pautar apenas no que os outros querem que seja escrito.

Criação de uma comunidade de leitores-escritores

Ter um blog — e visitar os blogs de outras pessoas — ajuda muito na criação de uma comunidade de leitores. Essa é uma forma bacana de fortalecer relações. Normalmente serão os leitores do blog os primeiros a apoiar o autor quando ele for lançar o seu primeiro livro. O pensamento dessas pessoas costuma ser: "se é legal ler o que o Fulano escreve na internet, imagine em um livro?". Também serão essas pessoas que ajudarão na divulgação da obra — não há nada melhor que o boca a boca! 😍

Independência das redes sociais

Quem viveu o ápice e o fim do Orkut sabe que não se pode publicar somente nas redes sociais. Já parou para pensar se o Instagram ou Facebook resolvem mudar tudo do nada?! Provavelmente quem só publica por essas plataformas corre o risco de perder seus textos. Ter um espaço próprio garante que o autor siga as suas próprias regras, não as ditadas pelo dono da rede social em que publica. 

Foto por Lauren Mancke, via Unsplash.

Portfólio e ponto de informações oficiais

Além de ser o portfólio de registro das criações literárias, o blog serve para o escritor deixar suas informações e todos os links disponíveis na internet. Assim, seus leitores têm informações oficiais e seguras sobre o autor e suas obras.

Argumento para publicação em editoras, editais ou apoio no financiamento coletivo

Quando eu decidi que queria publicar por uma editora, de modo tradicional, eu sabia que ter um blog há 13 anos (na época) era um ponto muito favorável a meu favor. Primeiro porque mostrava que eu não era alguém que resolveu escrever do nada, que já tinha experiência nesse assunto. Segundo, porque eu pude dizer que tinha pessoas que me liam há 13 anos  o que, para editora, significou uma maior probabilidade de vendas (do que se eu tivesse chegado sem blog e sem leitores). Terceiro, porque eu já tinha uma plataforma sólida de divulgação do meu trabalho, uma forma própria de me comunicar e me posicionar nas redes sociais — isso deu mais segurança à editora de que ela poderia contar comigo para divulgar o meu livro. A última coisa que as editoras querem hoje é autor que só escrevem e não fazem nada para vender a própria obra.

Esses mesmos argumentos poderiam ser válidos na escrita de um projeto para algum edital de incentivo à cultura que dão apoio com verba para os autores publicarem. 

Por ter um público estabelecido, esses argumentos e a comunidade de leitores conquistadas podem ser de grande valia caso o autor resolva publicar via financiamento coletivo. 

Estabelecimento de parcerias

Sendo um escritor, é possível que seu blog consiga parceria tanto com editoras, quanto com outros autores e outros blogs literários. Isso é importante porque ajuda a desenvolver o lado profissional entre escritor e as pessoas que fazem parte do mercado editorial: leitores, editoras e produtores de conteúdo.

Mão na massa

Você tem blog? Teve blog? Pensa em ter blog?! Quer publicar um livro mas nunca teve coragem? Me conte aí nos comentários (lembrando que eu tenho um grupo de estudos e uma mentoria de escrita, para quem precisar de ajuda. Os detalhes estão aqui). Vai ser ótimo saber como você se sente em relação à escrita.


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domingo, 13 de junho de 2021

Meio-fio

domingo, junho 13, 2021 10


Meu desejo por poesia está tão grande quanto a secura na minha garganta. É quase inverno e não chove.

Recebo propostas absurdas para escrever sobre temas que não têm nada a ver comigo.

Sonho que estou em um lugar em que não há pessoas negras além de mim.
Acordo com dor de cabeça.

Há cada dia é mais difícil seguir vendo notícias, quando a única coisa boa do telejornal é a bela voz grave do Bonner dizendo “Boa noite”.
Uma mulher grávida foi morta por uma bala encontrada de uma violência sem fim. Ela tinha a pele como a minha. O bebê que ela carregava no ventre, também.
Fiquei sabendo disso pela minha amiga que mora na Argentina. A amiga dela era amiga da moça.

Parentes que passaram mais de um ano aglomerando pegaram covid e ligaram e casa para pedir para a gente “se cuidar”. Precisa quase morrer para entender as orientações da OMS?

Hoje cedo teve um eclipse solar, mas o céu está nublado. Mesmo se estivesse ensolarado, não seria visto do Brasil. O Brasil, por sua vez, está sendo cada vez mais ignorado. Quem quer ser amigo de alguém que é uma bomba de miséria?

Ontem dei um play numa entrevista do padre Júlio Lancellotti. Sempre que o vejo falar me emociono e me sinto convocada a pensar se aprendi amar sem medo. Ele olha para todos como irmãos. Eu consigo andar na rua sem me sentir ameaçada?

Aí penso que meu medo é por ser mulher. O padre é homem — e padre. Isso por si só levanta uma barreira de respeito. É preciso muito para uma mulher chegar nesse nível de proteção liberta. Eu ainda estou aprendendo.

Leio as minhas companheiras de aula de escrita e mais uma vez me emociono. O mergulho para dentro. O mergulho para fora. A profusão de imagens que elas captaram de si e do outro. Me questiono se tenho a capacidade de estar entre elas. A dúvida é eterna. Penso em desistir.

Piso na navalha que é pertencer.

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sexta-feira, 11 de junho de 2021

{Resenha} Ossos Açucarados, de Rafael Farina

sexta-feira, junho 11, 2021 10
Resenha do livro Ossos Açucarados, de Rafael Farina.



O que há no centro do eu, de mais importante? A poética em Ossos Açucarados vai em busca, não das respostas, mas do caminho. Os ossos estão no cerne e o açúcar vem na medida — amor demais sempre transborda.

O livro apresenta poemas que fazem uma fronteira entre a lírica e a crônica. Seu autor, Rafael Faria, é preciso no equilíbrio de coletar os fatos cotidianos, os detalhes que passariam despercebidos e os sentimentos — sejam eles latentes ou evidentes — e transformá-los em textos que aguçam o leitor. Os poemas, que trazem o olhar sobre as vivências e o que está ao redor do poeta, são profundos justamente porque tocam naquilo que é universal: a humanidade que resiste em cada um — ainda mais agora, em tempos que as telas mediam boa parte das relações entre as pessoas.

Ossos Açucarados, de Rafael Farina.


Amor e desejo andam, lado a lado,  numa geografia própria — mesmo que não sejam correspondidos. Eles brotam das ondas,  da solidão na companhia do cachorro que toma banho de sol, no pesado casaco, na curva do corpo da pessoa amada. A lírica atravessa os tempos modernos e hiperconectados, movendo o poeta em trânsito. É interessante notar como cada texto abre portas para que o leitor se relacione não só com os versos em si, mas também com o que há em seus próprios ossos. Seriam eles também açucarados?

Um dos poemas do Ossos Açucarados.

A publicação em si também está impecável. O livro, lançado de modo independente em parceria com a revista Rusga, conta com a capa e com o projeto gráfico da Yasnaya Yanez.


"Da mesma forma que o mar
nunca repete as mesmas ondas

os melhores encontros
ocorrem de imprevisto."
(Rafael Farina)


No dia 26 de maio, conversei com o Rafael em uma live no YouTube. Vocês podem ver o bate-papo aqui:

 

"Entre três e cinco da tarde
ponho o Sol na palma da mão
caso tu apareça
de surpresa
reclamando que o tempo virou."
(Rafael Farina)

Capa do livro Ossos Açucarados.
Capa.



Livro: Ossos Açucarados
Autor: Rafael Farina
Gênero: Poesia
Apresentação: Uma autópsia em cada página, em cada estação do ano. A suposta facilidade em se adaptar cada vez que abre os olhos contrasta com as dificuldades ao esbarrar com alguma parte do corpo dela. Quando a incisão da caneta perfura fundo, um perfume doce escapa pelas frestas. 
📙 Para comprar um exemplar físico, entre em contato com o autor, via Instagram: @rafael.com.f. | Para comprar o e-book, acesse o livro na Amazon ou no Clube de Autores.
📙 Para ler a entrevista que o Rafael respondeu para o blog, em outubro de 2020, clique aqui.

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quarta-feira, 9 de junho de 2021

A Intermitência das Coisas — uma reflexão dois anos depois

quarta-feira, junho 09, 2021 4


Há dois anos, em um oito de junho, lancei meu primeiro livro, A Intermitência das Coisas: sobre o que há entre o vazio e o caos, pela Editora Penalux. Na época, eu era uma escritora que estava tentando se entender não só como artista, mas também como pessoa. 

Foto do lançamento, por Patricia Rodrigues.


Depois de lançado o livro, fiz um processo intenso de divulgação e o deixei na prateleira. Foi apenas agora, com mais distância de todo o processo de escrita e do nascimento da obra, que eu parei para reler o livro como um todo. E que processo interessante!

Há autores que buscam se distanciarem o máximo de suas obras. Eu nunca fiz parte desse grupo. Primeiro porque acredito que tudo aquilo que uma pessoa escreve passa pelo olhar de seu autor — esteja isso ficcionado ou não. Segundo, porque eu faço ficção —  mesmo dentro dos versos —  muito baseada no que me move, no que me atravessa causando alguma reflexão, sentimento bom ou desconforto.

Um dos marcadores de página do livro, com o poema "Maravilhamento" (página 14).
Foto por Anna Carolina Ribeiro.


Pensando nisso, ainda sou a mesma autora que escreveu o A Intermitência das Coisas. Aliás, continuo na corda bamba entre o vazio e o caos, e talvez este seja um tema que seguirá como mote da literatura que produzo. Também continuo ser solitário em meio a tantas gentes —  como versei na primeira estrofe de "Visão". Nesse sentido, é curioso como a primeira obra é a impressão digital da nossa arte no mundo.


Fernanda Rodrigues segurando um exemplar de seu livro A Intermitência das Coisas, lançado em 2019.
Criadora e criatura — dois anos depois. 💙


Por outro lado, não sou mais a mesma, ainda que "Bato" e "Sentença" (abaixo) sejam um prenúncio de como escrever me mantinha e ainda me mantém viva. A Fernanda que escreveu A Intermitência das Coisas estava acuada e ferida, carregando dores e se culpando — como o eu-lírico dos poemas "Escolhas" e "Escolhas 2" nos conta. Olhando hoje, estas feridas já cicatrizaram. E, observando já com os olhos da distância, posso dizer que o evento de lançamento teve muito a ver com isso. Que ironia escrever sobre tanta dor e receber tanto amor em troca. Sem dúvida alguma, esse foi o dia em que mais me senti honrada e amada na vida. Sou muito grata por todos que estiveram ao meu lado.


Um dos poemas do livro A Intermitência das Coisas.


Faz frio e nada melhor do que ler um livro de poesias em uma tarde gelada. Fiz a releitura como se me dedicasse a uma obra escrita por outras pessoas. Foi bom. É sempre bom revisitar o próprio processo criativo. Em termos de estilo, há poemas que eu faria de outro jeito, por puro amadurecimento do modo com que vejo a construção do texto poético hoje. Em termos de conteúdo, há dor, mas também há esperança e uma dose de inocência que sempre me acompanharam e que continuam me agradando.

É bacana poder olhar para uma publicação e se orgulhar dela. Que sorte a minha! 

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Para ver a live que fiz comentando tudo isso e lendo alguns dos poemas do livro, acesse o IGTV ou aperte o play: 


Para ver a playlist completa do livro, acesse aqui.

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quarta-feira, 2 de junho de 2021

Em obras

quarta-feira, junho 02, 2021 12


Olhar para dentro é sempre um processo que exige esforço. Não digo pelo olhar em si, mas sim pela análise que o acompanha. É preciso ter coragem para acessar áreas que estão sinalizadas com uma placa de “acesso restrito”, pedaços do ser que só o inconsciente tem passe livre.

Às vezes, como em um conto de fadas, adentro à área proibida da floresta. É ali, no lago iluminado pela Lua cheia, que me perco e me acho. Há feridas que me acompanham ao longo da vida e que talvez nunca se curem. Mesmo assim, é bom ver meu reflexo na água. Quantas vidas cabem em um segundo?!

Nem sempre, contudo, esse exercício vem premeditado. Uma coisa é olhar para dentro numa sessão de terapia, em que as condições de temperatura e pressão são aparentemente controladas. Outra é se pegar pensando ao andar na rua, ao olhar o céu, ao ler um verso de um poema. Quando o mergulho é tão espontâneo quanto o ir e vir das ondas do mar, ele é muito mais profundo. A surpresa, muitas vezes, estremece. 

Olhar para dentro exige esforço. E exige humildade também. Não é possível racionalizar tudo o tempo todo e controle é algo tão ilusório quanto enfileirar a vida em dias, meses e anos. Fermentar bons sentimentos diante do pavor é uma lição a ser apreendida.

Ainda não sei o que vou fazer com o relicário encontrado no espaço interditado que há em mim.

Selo de participação da blogagem coletiva do Projeto Escrita Criativa.
O tema da blogagem coletiva de junho de 2021 foi: Aquilo que eu vi....
Para saber mais sobre o Projeto Escrita Criativaclique aqui.
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