quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Como catalogo os meus livros mais 5 dicas práticas para você catalogar os seus também

quinta-feira, fevereiro 28, 2019 50
Imagem por Marisa_ Sias.
Oi, pessoal!
Um problema constante de quem tem muito livros é como organizá-los. Por isso, no post de hoje, eu venho contar um pouco de como tenho controlado cada volume da minha coleção (principalmente quando empresto para alguém).

Escolhendo um método

A princípio, pensei em baixar algum software específico de catalogação, mas todos o que encontrei são muito caros. Os poucos gratuitos não permitiam a personalização para as minhas necessidades. Pensei em criar um banco de dados no Access, contudo não entendo muito desse programa, o que tornaria o processo mais trabalhoso do que o de coletar todas as informações. Sendo assim, resolvi partir para o recurso que eu domino e tenho à mão: a boa e velha planilha de Excel.

As vantagens

A primeira vantagem de se catalogar os livros é ter um controle do que se tem ou não em montante e por categorias (gêneros literários, autores etc.). A segunda, relaciona-se ao fato de fazer leituras conscientes. Com uma planilha de Excel, é possível filtrar o que estou lendo (mais homens, mais mulheres, mais literatura estrangeira, mais brasileira, mais prosa ou mais poesia? As possibilidades são infinitas!) e, sobretudo, pensar se estou lendo o que quero ler. Eu, por exemplo, estou numa sede de ler autores brasileiros, de preferência, mulheres. Ainda não terminei de catalogar tudo, mas sei que minha biblioteca foi por um bom tempo – e talvez ainda seja – predominantemente masculina. Quando a planilha estiver pronta, será possível visualizar os dados, sair desse campo do achismo e direcionar as minhas compras para o caminho que quero seguir.

A terceira vantagem é a personalização. Dando um exemplo prático: eu gosto de ter um controle se o livro está comigo ou emprestado. Se emprestado, com quem está. Também gosto de saber se o livro do meu acervo tem algo de especial (é autografado ou tem alguma dedicatória?) e se ele foi resenhado ou não aqui no blog. Tenho amigas que estão investigando se elas leem mais autores vivos ou mortos. Essa seria uma informação importante para entrar na planilha delas, por exemplo.

Já salve esta imagem no seu Pinterest, para consultar este post com frequência. ;)


Quais informações colocar na planilha

Informações gerais:
Se você for mais técnico, pode seguir a ficha catalográfica e colocar em cada coluna:
• Nome do Livro; nome do autor; título original; nome do tradutor; ISBN; Edição; Número de páginas; Editora.

Informações extras
Aqui você pode inserir o que for pertinente à sua realidade e à sua curiosidade enquanto leitor. Eu inclui na minha lista os seguintes itens:
• Ano de publicação; Faz parte de série? (se sim, qual é o nº do livro dentro dessa série?); País do livro/autor (acho que isso ajuda a perceber se as leituras estão muito eurocêntricas); Foi resenhado no blog?; Tem alguma dedicatória/autógrafo; Está no acervo ou não? Se emprestado, com quem está?; Sinopse/apresentação; Citações.
• Como eu tenho dois espaços distintos para guardar os meus livros, criei uma última coluna dizendo onde eles estão. Assim, economizo tempo procurando-os.

Status de leitura:
Eu adotei quatro status que são práticos para mim, baseados na minha experiência de usuária do Skoob: lido, não lido, lendo, leitura abandonada. Além disso, quem quiser pode colocar prazos para início e término da leitura, como forma de acompanhar o próprio ritmo e perceber quantas leituras você dá conta de fazer simultaneamente.

Como usar e o que facilita na prática

Cada informação que eu queria virou uma coluna na planilha do Excel. Depois de nomeá-las, congelei a primeira linha, de modo a conseguir caminhar por todo o conteúdo sem perder os títulos das colunas. Para fazer isso, basta procurar na sua Dashboard a opção Exibir e ir em Congelar Painéis

Outra forma de facilitar a consulta é o uso das ferramentas Localizar e dos Filtros. Por meio dos filtros é possível encontrar informações baseando-se em apenas um dos padrões de resposta (por exemplo: só os volumes que são de contos, só os livros lidos, só os da editora X etc.).

Em resumo

1. Selecione os dados que você quer ter catalogado. Crie a planilha com tudo o que você julga importante saber;
2. Colha os dados. Tire os seus livros da estante para a coleta de informações. Lembre-se que muitas delas estão ou na ficha catalográfica ou nos sites da editora e do próprio autor. Aproveite para limpá-los, folheá-los e fazer com que as páginas respirem;
3. Congele a primeira linha e use os filtros para entender a sua biblioteca;
4. Analise os dados coletados para saber se você precisa de todos os livros que tem e quais serão as suas próximas leituras;
5. Guarde os livros conforme os dados da planilha. Se você quiser organizá-los por ordem alfabética, por exemplo, basta colocar a planilha em ordem alfabética e tcharán! Terá economizado todo o trabalho de pensar na disposição dos livros. O mesmo vale se você quiser organizar os volumes por sessão, por exemplo. Use um filtro e você logo saberá quais são os romances que devem ir para tais prateleiras e quais são os poemas que devem ficar nas outras prateleiras.

Infográfico com um resumão de tudo? Claro que eu faria isso para você!
No computador: clique com o botão direito do mouse e escolha a opção "salvar imagem como...";
No celular: pressione a imagem até aparecer a opção "fazer o download da imagem".

Espero que estas dicas sejam úteis e que funcionem na organização das suas obras. Se você tiver mais dicas, por favor, deixe nos comentários. Se tentar construir esta planilha, não deixe de me contar como foi a experiência de catalogação. 😉

Beijos e queijos!

Este post parte de uma experiência pessoal em parceria com a Udemy. Para saber sobre os cursos, clique aqui.
_____________________________________________________________

domingo, 24 de fevereiro de 2019

{Vamos falar sobre escrita?} Entrevista com a escritora Aline Caixeta

domingo, fevereiro 24, 2019 44
Vamos falar sobre escrita com a escritora Aline Caixeta? ;)
Olá, pessoal!
Como vocês sabem, vira e mexe eu entrevisto alguém cujo trabalho me causa algum tipo de admiração. Sendo assim, este ano decidi trazer para o Algumas Observações mais entrevistas com escritoras nacionais.  

Na Vamos falar sobre escrita de hoje, vocês terão a oportunidade de conhecer mais do trabalho da  escritora mineira Aline Caixeta. Neste bate-papo conversamos sobre os desafios do escritor contemporâneo, o papel da literatura, as diferenças entre os diversos gêneros literários e muito mais! Vamos lá?

Escritora Aline Caixeta ministrando uma oficina literária.

Algumas Observações: Para muitas pessoas é difícil se assumir como escritores. Como foi esse processo de se auto intitular escritora e se inserir no mercado profissional?
Aline Caixeta: Meu processo de me reconhecer enquanto escritora ocorreu na infância, quando uma professora sugeriu que eu publicasse um conto no jornalzinho da escola. Desde então, venho tentando me profissionalizar na área para me inserir no mercado, mas entendo que muitas pessoas tenham dificuldade para se assumir na escrita, pois a arte ainda é pouco valorizada no Brasil. Muita gente acredita que não é necessário estudar para escrever, que basta ter a famosa “inspiração”, mas não creio que seja tão simples. Essa história da “inspiração” faz parecer – ao menos para mim – que o ato criativo não passa de um simples passo de mágica, quando na verdade há bastante trabalho envolvido no processo. Existem exceções, é claro, artistas que criam apenas com a mais pura intuição, mas eu não sou assim.

AO: Você começou a escrever e procurou uma formação literária ou foi o contrário? Poderia comentar um pouco sobre a ligação entre a sua formação e a profissão de escritora? A sua formação transformou seu processo de escrita ao longo do tempo?
AC: Primeiro me veio a escrita, depois a formação. Quase todo/a escritor/a começa a escrever de uma forma muito ingênua, sem muita certeza do próprio estilo, mostra um texto ou outro para a mãe, o melhor amigo, irmãos, namorado, namorada... pessoas afetivamente importantes (e que são indispensáveis para dar aquele empurrãozinho necessário na autoconfiança), mas que talvez, por carinho ou falta de formação, não sejam as mais adequadas para fazer uma leitura crítica realmente construtiva. Existem questões que poucas pessoas são capazes de responder com propriedade, por isso senti a necessidade de me especializar e ouvir críticas responsáveis e bem embasadas sobre os meus textos. No começo foi bem doloroso, mas à medida que fui aprendendo a filtrar o que fazia sentido para mim, minha escrita foi evoluindo. Particularmente, vejo uma diferença gritante na qualidade dos textos que eu escrevia sozinha, para guardar na gaveta, e na dos que escrevo hoje, depois de tantas experiências formativas.


AO: Como é a sua rotina de trabalho? Você estabelece metas para si mesma?
AC: Minha rotina envolve muitas atividades literárias para além da escrita. Administro um blog (o Recanto da Prosa), ministro oficinas, realizo leituras críticas e trabalho como freelancer fazendo preparação e revisão de textos. Já tentei estabelecer metas diárias, uma rotina fixa de trabalho, mas como minha agenda é imprevisível, nunca consegui me dar muito bem com métodos rígidos de produção. Há dias em que escrevo 10, 15, 20 páginas de uma vez. Há contos e crônicas que saem como num espirro, no meio da madrugada, poemas de ônibus e por aí vai. Mas também há dias em que não consigo escrever uma linha, e está tudo bem para mim. Somos seres humanos, não máquinas. E estou aprendendo a respeitar meus limites e processos criativos do jeito que são.

AO: Falando do texto em si, como funciona o seu processo de pré-publicação dos seus escritos?
AC: Eu trabalho com processos de pré-publicação, então entendo a importância de cada etapa na construção de uma obra. Nenhum texto nasce pronto. Isso não existe. Via de regra, o/a escritor(a) não tem o distanciamento crítico necessário para examinar o próprio livro com objetividade. Eu mesma não tenho. Há muitas questões envolvidas. O que está claro na cabeça do/a escritor(a) está claro no texto? Existem contradições ou trechos inverossímeis? Há questões linguísticas ou gramaticais a serem consideradas? Isso sem contar as questões de mercado. O livro é um produto. Não é um filho, não é o autor (mesmo que esteja intimamente ligado a ele). Enquanto escritora, foi muito importante para mim entender tudo isso e me desfazer de algumas ideias que hoje me parecem um tanto ingênuas.

AO: Você escreve literatura adulta e infantil. Você vê alguma diferença no processo de produção das duas literaturas?
AC: Há diferenças. O público infantojuvenil é um público em formação, com conflitos e desejos muito distintos daqueles dos adultos, menos experiências de vida e menos familiaridade com a palavra escrita, mas que não deixa de ser um público tão complexo quanto qualquer outro. Há certas particularidades envolvidas, questões de adequação temática e de linguagem, mas o grau de dificuldade do processo de escrita é o mesmo (ou, às vezes, até maior). Existe um mito de que é mais fácil escrever livros infantojuvenis, de que a literatura para crianças e jovens é uma literatura menor, escrita por autores menores, mas isso é tudo uma grande bobagem. Alguns dos meus escritores e escritoras preferidos trabalham com esse público e produzem textos extremamente profundos e bem redigidos.

Aline Caixeta autografando o seu livro, As Aventuras de Simon.
AO: Quantos livros você tem publicados? Você pode falar um pouco sobre as suas obras?
AC: Até o momento, tenho apenas um livro físico publicado (As Aventuras de Simon), embora tenha alguns contos e crônicas espalhados em antologias por aí. Gosto de falar desse livro, pois ele nasceu de um período muito doloroso da minha vida e ficou engavetado por bastante tempo, até o final de 2015, quando uma amiga muito querida me sugeriu que tentasse escrever um projeto para a secretaria municipal de cultura da nossa cidade. O projeto foi aprovado e recebemos uma verba para publicar o material, desde que houvesse uma contrapartida para a sociedade. Decidimos então doar 40% dos exemplares para escolas e instituições culturais; e realizar oficinas com crianças e adolescentes para trabalhar a leitura e a escrita de histórias tristes, observando o potencial desse tipo de narrativa para acessar as emoções, promover reflexões e nos humanizar. Esse é um projeto que me fez e continua me fazendo muito feliz.

AO: Quais são os desafios diários de ser escritora?
AC: Para mim, são basicamente dois: manter a minha crítica-sabotadora sob controle (que vive tentando me convencer de que não sou boa o bastante, que ninguém vai se interessar pelo que tenho a dizer, que não tenho talento, etc.); e vencer a procrastinação: esse demônio que atormenta nove a cada dez dos escritores e escritoras que conheço. Falta de tempo é uma desculpa que escuto com frequência e que (por que mentir?) já usei em mais de uma ocasião; mas que atualmente não me convence mais. Tempo é uma questão de prioridade e conheço gente que escreve sob circunstâncias extremamente desafiadoras, com poucos recursos, filhos pequenos, contas para pagar, jornadas de trabalho exaustivas, enfim. Se essas pessoas conseguem encontrar um tempo em suas rotinas tão atribuladas para escrever, eu também consigo.

AO: Como você recebe as críticas em relação ao seu trabalho?
AC: Depende. Se estamos falando de críticas destrutivas, faço o possível para que elas não se acomodem dentro de mim, o que é um desafio enorme, mas que vem se tornando gradativamente mais fácil de superar. Por outro lado, se as críticas são positivas, mesmo que duras, recebo com muita gratidão. É claro que isso é o resultado de um processo, e acho importante dizer que a gente leva um tempo para aprender a diferenciar umas das outras, mas minha escrita não teria evoluído tanto quanto evoluiu nos últimos tempos se não fosse por alguns leitores críticos de confiança, que realmente queriam (e ainda querem) me ajudar a crescer. Particularmente, acho muito difícil lidar com pessoas que não aceitam críticas construtivas, esse comportamento me parece refletir um pouco de prepotência e/ou falta de maturidade.

AO: Você também escreve em um blog. Pode comentar um pouco sobre esse tipo de escrita?
AC: Escrever em um blog é um desafio para mim. Primeiro porque mesmo depois de quase três anos, ainda me sinto um pouco exposta ao fazer um post; e depois porque estou mais familiarizada com a prosa longa do que com os textos rápidos que os leitores da internet procuram. Precisei trabalhar minha timidez e meu poder de concisão para começar a escrever no blog, mas hoje tenho muito orgulho do Recanto da Prosa e quero fazê-lo crescer cada vez mais.

AO: Você vê algum papel político-social da literatura no Brasil contemporâneo, seja ela direcionada para os adultos ou para as crianças?
AC: A literatura é política. Em qualquer lugar, em qualquer época. O próprio ato de escrever em uma sociedade que desvaloriza o trabalho artístico é um ato político, um ato de resistência e contestação. Mesmo que o/a autor(a) não levante nenhuma bandeira, que não haja nenhuma menção explícita a cargos, partidos, movimentos, ou batalhas ideológicas, há sempre algo que escapa nas entrelinhas, que passa por uma determinada visão de mundo, determinadas crenças, posicionamentos, valores, códigos de ética e moral. Um livro pode influenciar todo um povo. Um discurso pode levantar multidões em defesa de uma causa. Simplesmente não entendo como algumas pessoas conseguem conceber uma literatura que não seja política. Isso me parece ingenuidade.


AO: Quais são seus projetos futuros?
AC: Tenho sempre um milhão de projetos no papel, meu problema é terminar aqueles que começo. Estou com uma coletânea infantojuvenil finalizada, de sete contos, com releituras de narrativas clássicas, que venho inscrevendo em concursos literários e buscando formas de publicar; um romance em andamento, com foco no público adulto feminino; várias oficinas agendadas, tanto para adultos, quanto para crianças; e um projeto para ministrar um curso de escrita criativa em minha cidade natal, Uberlândia (Minas Gerais). Também tenho considerado a ideia de transformar o Recanto da Prosa em um espaço físico, uma espécie de centro cultural, mas isso ainda é uma ideia em gestação.

AO: Quais conselhos você daria para uma escritora em começo de carreira?
AC: Leia muito: teoria, clássicos, contemporâneos, independentes, livros escritos por homens, mulheres, gente de outros países, outras raízes, épocas, visões de mundo, experiências, estilos, etc. Escreva com honestidade, buscando aquilo que é urgente e verdadeiro para você. Não deixe de procurar alguém de confiança para fazer uma boa leitura crítica e esteja aberta a sugestões. Procure oficinas, cursos, grupos de estudo, autônomos ou institucionalizados, presenciais ou à distância e integre-se a clubes de leitura e escrita que possuam propostas sérias e motivadoras. Converse com o máximo de profissionais da área que puder encontrar pelo caminho. Descubra o que te inspira, tome consciência do seu processo criativo e então leia um pouco mais.


Entrevista bacana, não? 
Para conhecer e acompanhar o trabalho da Aline Caixeta, acesse:
Recanto da Prosa | Facebook | Instagram

_____________________________________________________________

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Ed Sheeran e a Divide Tour (parte 2)

domingo, fevereiro 17, 2019 26
Teve Ed Sheeran de novo? Teve! 
E não é que o Ed Sheeran voltou ao Brasil? Depois de tê-lo visto em 2017, eu prometi a mim mesma que não perderia mais nenhuma turnê dele por aqui. Só não contava que ele voltaria com a Divide Tour novamente. Ok, ok, o que importa é se divertir, não é mesmo? Ele é maravilhoso, então não perdi tempo em comprar o ingresso. Exite forma melhor de se comemorar o Valentine's Day

My girls (Dai, eu, Boo, Aline e Andressa).

Por sorte, quinta-feira é o dia em que saio cedo do colégio. Encontrei-me com a minha amiga de infância e rumamos para o shopping West Plaza, ponto de encontro do restante do grupo. Lá nos juntamos a Aline, Andressa e Boo (companheiras de outros shows, a exemplo da apresentação Paul McCartney).

A lojinha estava mais cara desta vez, mas não resisti e comprei duas recordações: a camiseta da turnê e o CD do Passenger. Aliás, sou fã do Passenger há um bom tempo e fiquei imensamente feliz por saber que ele vinha não só com o Ed, mas que voltaria para um show solo. A minha missão, portanto, era convencer as meninas a ir ao show dele comigo.

Mike Rosenberg, também conhecido como Passenger.

Falando do Mike, em si, o show dele levantou a plateia talvez mais que o próprio Ed. Amei que ele cantou muitas músicas que eu conhecia. Além da famosa Let her go, me diverti muito quando ele começou I hate (na verdade, vamos ser francos, tive um mini surto, porque eu AMO essa música!).

As meninas curtiram muito também. Quando acabou o show, a Aline aceitou o meu convite, e nós compramos os ingressos para vê-lo na mesma hora. *-*



O show do Ed foi impecável novamente! Ele é brilhante cantando qualquer coisa. Amei que ele fez um trecho de No diggity e cantou Love Yourself, música que ele escreveu e foi gravada pelo Justin Bieber. Felicidade também foi ouvir You need me I don't need You! Essa sempre vai ter um espaço no meu coração!

Achei a plateia muito desanimada (e isso me irritou um pouco), tanto é que quase ninguém levantou as mãos em Bloodstream e ele não conseguiu fazer o coral de Give me Love (como fez da outra vez). Eu dei aloka mesmo assim, porque sendo fã de Backstreet Boys, já tenho PhD. em cantar, dançar e voltar rouca para casa.


Foi uma noite bem gostosa com as amigas. Não vejo a hora de ele gravar o CD novo e voltar de novo! #VoltaEdinho!

Abaixo os setlists dos shows:

Passenger arrebentando no violão! *_*

Passenger:

  • The Sound of Silence (Simon & Garfunkel cover)
  • Hell or High Water
  • I Hate
  • Survivors
  • Let Her Go
  • Suzanne

÷ Tour

Ed Sheeran:

  • Castle on the Hill
  • Eraser
  • The A Team
  • Don't / No Diggity / Nina
  • Dive
  • Bloodstream
  • Love Yourself (Justin Bieber cover)
  • Tenerife Sea
  • Kiss Me / Hearts Don't Break Around Here / Give Me Love
  • Galway Girl
  • I'm a Mess
  • Thinking Out Loud
  • Photograph
  • Perfect
  • Nancy Mulligan
  • Sing
Encore:
  • Shape of You
  • You Need Me, I Don't Need You
Já foi a algum show do Ed ou tem vontade de ir? Conte tudo nos comentários!

Volta, Edinho!

Para saber mais (em inglês):
_____________________________________________________________

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Carta a São Valentim

quinta-feira, fevereiro 14, 2019 12
Imagem: LUM3N.
Caro Valentim,
escrevo-lhe esta carta porque você é quem entende do assunto. Não sei bem o que você pensa dos dias de hoje e se vê as atitudes das pessoas com bons olhos, mas resolvi tentar mesmo assim. Espero que a gente se entenda.

Veja bem, tenho 32 anos e ainda não compreendi se esse lance de amor romântico é para mim. Na verdade, amor -- desses que geram o tal "e viveram felizes para sempre" -- eu nunca conheci. Aliás, Valentim, não sei quem foi que inventou esse lance de "felizes para sempre", mas olha, queria matar esse cidadão. Espero, de verdade, que não tenha sido você ou o Antônio; porque, se foi, só digo uma coisa: ou vocês não sabem de nada ou se aproveitam do privilégio de serem homens. Para nós, mulheres, não está fácil. Nunca esteve fácil.

Ok, ok, me desculpe pela afronta, não quero soar grosseira. O lance todo é que são trinta e dois anos só me apaixonando por embustes. Estou cansada. Não rolou com nenhum amigo de infância, nem da vida adulta. Não trabalho com muitos homens, os que estão por aqui são casados, e Deus me livre furar os olhos de alguém! 

Há dois anos, pensei que o Antônio resolveria este problema depois que peguei duas imagens dele do buquê que a minha prima jogou no casamento dela, mas isso também me parece que é uma lenda, não é? Até nada até agora. Será que você é melhor que ele nesse sentido? Vocês trabalham juntos? Ou vocês se dividem: ele casa os falantes anglo-saxões, e você, os latinos?

Imagino que tanto você quanto o Toninho tenham muito trabalho para fazer; porque, pelas conversas que tenho com as minhas amigas solteiras, a vida não está fácil pra ninguém. Seja em shopping, balada, bar, parque ou Tinder, os homens não estão colaborando com os serviços matrimoniais que vocês prometem cumprir. A propósito, além do prazo de espera andar longo, se as mulheres pudessem reclamar de vocês no Procon ou no Reclame Aqui, a lista seria um tanto infinita. Já mencionei que só conheci embustes, não? Pois é! A qualidade do produto está péssima também.

Eu sei, eu sei. O meu grau de exigência é grande. Tem que ser inteligente, carinhoso, responsável, fiel, gostar de viajar (e ir a museus durante as viagens!), gostar de de fotografia e de andar pela cidade, não querer ter filhos (ou ter um adotivo), amar a minha família e os meus amigos, ser gentil, conseguir arrancar aquele sorriso fácil mesmo quando os meus dias são difíceis, maratonar Friends, aguentar as minhas loucuras de fã, olhar o céu, ainda saber dividir as conversas e os silêncios. São muitas especificidades, contudo, tanto você quanto o Antônio têm contato direto com o Divino, não? O que são especificidades para quem tem acesso ao Todo Poderoso?

Enfim, acho que esta carta ficou meio sem pé e sem cabeça, então me despeço por aqui. Que no ano que vem você já tenha me dado um amor para chamar de meu.

Feliz seu dia,

Fernanda

_____________________________________________________________

domingo, 10 de fevereiro de 2019

{Vou por aí} Jardim Botânico de Curitiba

domingo, fevereiro 10, 2019 42
Vista do jardim em estilo francês.
Em janeiro fui com a minha amiga-irmã a Curitiba, no Paraná, e um dos primeiros passeios grandes que fizemos foi a visita ao Jardim Botânico da cidade. O lugar, inaugurado em 5 de outubro de 1991, tem um estilo inspirado nos jardins franceses e homenageia a engenheira civil formada pela UFPR Francisca Maria Garfunkel Rischbieter, pioneira no planejamento urbano curitibano.

Vista da estufa que, apesar de fechada, é linda mesmo assim.

Logo da entrada, o visitante tem a vista da icônica estufa de vidro que acolhe espécies da Mata Atlântica. Infelizmente, não dei sorte, e este espaço estava fechado para manutenção. Mesmo assim, a vista de fora é linda.

Bem turistona. Tem coisa melhor?
(Foto: Mari Malfacini)
Estufa vista de perto.
(Foto: Mari Malfacini)
Aproveitei para abraçar esta árvore lindona! 💚
(Foto: Mari Malfacini)
Também abracei esta araucária majestosa!
(Foto: Mari Malfacini)

Da estufa, caminhamos em direção ao Jardim das Sensações. Acho que esta foi a minha área preferida do jardim, justamente porque ali é permitido cheirar e tocar as plantas (a maior parte delas medicinais e temperos) para perceber as suas diferentes texturas. Lá havia placas informativas com dados de cada plantinha em português e em braile. A área tem cerca de 200 metros e, além das plantas, é possível ouvir o canto dos pássaros e ver as borboletinhas voando felizes entre as flores.

Na entrada do Jardim das Sensações há esta placa com o mapa e a explicação de como ele funciona.
Exemplo de plantinha e da plaquinha em português e braile.

Vista do Jardim das Sensações (vamos fingir que vocês não sabem que eu quase caí quando fui fazer essa foto! hahaha)
(Foto: Mari Malfacini)

De um modo geral, gostei bastante do passeio, embora tenha estranhado um pouco (talvez porque o que eu tinha na cabeça eram os Jardins Botânicos de São Paulo e do Rio). Achei bacana que a entrada é gratuita e, apesar de ter ido nas férias, e ter muita gente, não achei que estava lotado (lembrando que a minha percepção de lotado é de uma paulistana que vai à rua 25 de março. hehehe).

Mari e eu em frente à estufa (sob um sol de rachar!).
No último dia de viagem, acabamos voltando ao Jardim Botânico, porque estava rolando uma feirinha (que vai até março) e comprar as lembrancinhas de viagem lá foi sucesso! 😉

Sem dúvida, é uma visita que vale ser feita. 

Local: Jardim Botânico de Curitiba
Endereço: Rua Eng°. Ostoja Roguski, s/n°. - Jardim Botânico - Curitiba, Paraná.
Entrada: gratuita
Telefones: (41) 3264-6994 (Administração) / 3362-1800 (Museu)
Horários de funcionamento:

  • Das 06h às 20h (durante o horário de verão);
  • Das 06h às 19h30 (durante o horário de inverno).

_____________________________________________________________

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Das dores que não se vão

sexta-feira, fevereiro 08, 2019 4
Imagem: Tama66.
É difícil pensar rápido quando o futuro se vislumbra em destruição a olho nu. Ficção científica, coisa de país subdesenvolvido, qualquer uma dessas balelas hollywoodianas, nada disso coube naquela avalanche de lama que deslizava sob a terra quente de verão. Imparável, ela se aproximava engolindo casa, carro, bicho e gente, forçando as pessoas a deixarem  ainda que sem entender o porquê da catástrofe  tudo para trás. 

Precisava pensar rápido, mas a magnitude do desespero era atraente demais. Latidos, miados, cacarejos, mugidos e choros se tornaram sinônimo de silêncio. O que importa além da vida? Meus entes corriam com a Poesia no colo. Eu tinha que correr também. Nunca pensei que o "fuja para colinas" que sempre dizia ao brincar quando um cara problemático surgia em minha vida seria lema para além da piada. Precisava correr para longe, mas era o interior da casa, do meu pedaço de chão, que me chamava, que berrava para que eu ficasse, que não a deixasse morrer sufocada pelo resto de minério e água que a poucos minutos insistiria em invadi-la, em um estado de rebeldia vingativa da natureza. A montanha explorada e destruída cobrava preço alto e éramos nós quem pagaríamos com juros.

A fração de segundos se prolongou ainda mais quando entrei na casa em vez de sair dela. Adentrei com a cabeça latejando, com o coração em disparada e aquele suador frio de quem vê a morte virando a esquina. O som da avalanche aumentava. A minha falta de fôlego, também. Agarrei a mochila, joguei dentro dela tudo aquilo que estava à mão e que me faria manter a sanidade  nessas horas, há sanidade?  e corri.

Já no alto do morro, vi a lama sedenta devorando a minha gente, o meu passado. Marcando para sempre o meu futuro. No presente, não há mochila e conteúdo que me console.

Texto ficcional escrito durante a reunião do Clube da Escrita para Mulheres. Para saber como participar, clique aqui.
_____________________________________________________________

domingo, 3 de fevereiro de 2019

{Resenha} Carta a D.: História de um amor, por André Gorz

domingo, fevereiro 03, 2019 6
Carta a D., livro de André Gorz.

A precisão das lembranças que eu guardo me diz a que ponto eu a amava, a que ponto nós nos amávamos. (página 26)

Carta a D. é uma declaração de amor de André Gorz a sua querida Dorine. O livro, escrito em 2006 pelo filósofo e jornalista, foi o modo de registrar uma vida inteira de companheirismo e produção intelectual compartilhada. 

"Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. Nós nos doamos inteiramente um ao outro". (página 15)

Dorine sofria de uma doença degenerativa incurável e mesmo assim foi parte importante na vida de André. Por isso, ele começa a obra se retratando, desmentindo a fragilidade aparente com que sempre tratou a esposa diante da sociedade francesa do pós-guerra. Dorine, que sempre o ajudava a criar seus textos, nunca havia recebido os devidos créditos por isso. Carta a D. não deixa de ser, portanto, um pedido declarado e oficial de desculpas.

André Gorz e Dorine Keir, em 1985. | Foto: Cédric Philibert. 

Gorz acaba escrevendo uma autoanálise de sua vida enquanto rememora os momentos importantes desta jornada que viveu ao lado de sua amada. É interessante para o leitor observar como o escritor percebe as mudanças que a relação amorosa lhe proporcionou. Como o escritor nasceu em Viena, Áustria, e tinha origem judaica (em um panorama de guerra/pós-guerra), ter uma identidade não era algo herdado e radicado em um único local. Para ele, a construção da própria identidade se deu com o tempo, e a contribuição de Dorine foi fundamental para este processo. Essas nuances, perceptíveis ora de modo sutil, ora de modo escancarado, fazem com que o leitor se aproxime da narrativa, se tornando quase que um amigo íntimo do casal.

"Com você, eu estava em outro lugar; um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo. Você me dava acesso a uma dimensão de alteridade suplementar — a mim, que sempre rejeitei toda identidade e juntei uma identidade na outra, sem que nenhuma fosse realmente a minha. Falando com você em inglês, eu fazia minha a sua língua. Até hoje continuo a me dirigir a você em inglês, mesmo quando você responde em francês". (página 16)

O processo de criar e refletir do escritor sempre esteve atrelado às conversas que ele teve com sua companheira de vida. Além de ajudá-lo a organizar o pensamento político-filosófico, Dorine era grande apoiadora na elaboração das obras de Gorz. Sempre que ele se questionava se deveria continuar trabalhando em algum texto, ela lhe respondia com um "sem dúvida", mesmo que isso custasse a ela noites sem o autor  que se dedicava ao seu trabalho. Neste ponto, a carta torna-se também um olhar para os dilemas vividos por quem se dedica à profissão do escritor.

"O principal objetivo do escritor não é o que ele escreve. Sua necessidade primeira é escrever. Escrever, isto é, ausentar-se do mundo e de si mesmo para, eventualmente, fazer disso a matéria de elaborações literárias. É apenas num segundo momento que se põe a questão do "tema" a ser tratado. O tema é a condição necessária, necessariamente contingente da produção de escritos. Não importa qual tema é o melhor, desde que ele permita escrever". (páginas 41 e 42)

Como notado no trecho acima, às vezes a carta ganha um tom que flerta com outros gêneros textuais, como o jornalístico e o ensaístico, mas mesmo assim, ela não perde o tom intimista que o casal tinha.

Apesar da adoração que Gorz sente por Dorine, o livro torna-se lindo justamente porque ele é um retrato de uma relação real. As crises se alternam com momentos felizes. As dificuldades vividas pelos dois se mostram tão presentes quanto os momentos de glória. Assim, o leitor percebe também como funciona a dinâmica de um relacionamento tão duradouro: hoje, em tempos de relacionamentos que se esvaem, Gorz e Dorine exemplificam a importância de não se desistir tão facilmente.

Falando do objeto-livro em si, esta obra foi escrita em 2006 e publicada pela primeira vez no Brasil em 2008, pela Cosac Naify. Em 2017, ganhou uma versão definitiva, publicada pela Companhia das Letras (que foi lida por mim e aparece nas fotos deste post). Edição esta, que tem todo um cuidado de apresentação: o livro vem dentro de uma capa-caixa em formato de envelope, que dá ao design uma dimensão tão especial quanto o amor de Dorine e Gorz. O livro também conta com notas de rodapé que são essenciais para entender acontecimentos do contexto históricos e frases-chaves que, eventualmente, não foram traduzidas no texto corrido. O leitor tem a chance de aproveitar o momento agradável da leitura sensorial e assim se sentir ainda mais atraído pelo conteúdo ali escrito.

Gorz e Dorine | Foto de Daniel Mordziski – Editora Galillée

André Gorz e Dorine tiraram a própria vida juntos, um ano depois da publicação de Carta a D.

"Você acabou de fazer oitenta e dois anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz quarenta e cinco anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o seu corpo estreitado contra o meu pode preencher". (página 101)

Livro: Carta a D.:História de um amor
Título original: Lettre à D.: Histoire d'un amour
Autor: André Gorz
Tradução: Celso Azzan Jr.
Capa: Violaine Cadinot
Páginas: 104
Editora: Companhia das Letras
Sinopse/Apresentação: “Você está para fazer 82 anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que 45 quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz 58 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca.” Assim André Gorz inicia sua carta de amor a Dorine, mulher ao lado de quem ele passou a vida e que há alguns anos sofria de uma doença degenerativa incurável. Como um dos principais filósofos do pós-guerra francês, Gorz escreveu inúmeros livros influentes, mas nenhuma de suas obras será tão amplamente lida e lembrada quanto esta carta simples e bela, em que ele rememora tanto a história de companheirismo, amor e militância do casal como a trajetória intelectual que percorreram juntos. Um ano após a publicação de Carta a D., um bilhete encontrado na casa onde moravam fez as vezes de pós-escrito à narrativa: André e Dorine tiraram a própria vida juntos, numa renúncia comovente a viver sozinhos.

_____________________________________________________________