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domingo, 18 de março de 2018

{Resenha} Cabine de Imprensa do filme Pedro Coelho

domingo, março 18, 2018 16

Oi, pessoal!
Na última sexta-feira (16), a minha amiga Aline e eu estivemos na cabine de impressa do filme Pedro Coelho, a convite da Companhia das Letras em parceria com a Sony Pictures.

O filme é inspirado da obra As Aventuras de Pedro Coelho, de Beatrix Potter e adapta muito bem as narrativas do livro lançado pela Companhia das Letras à telona. A live-action traz em seu elenco Sam Neill,  Domhall Greason e Rose Bryne.

Bea (Rose Bryne) ao lado de Pedro Coelho, do coelhinho Benjamim e dos coelhinhos Felpudos.

O que me chamou a atenção é a qualidade impecável tanto da live-action, em que a interação entre animação e realidade é feita de forma sensacional, quanto da fotografia e do que diz respeito ao roteiro: a adaptação das histórias originais e como elas se entrelaçam é cativante para quem já teve a oportunidade de ler o texto da Potter. É legal também esta sacada de ter uma personagem chamada Beatriz (como a autora) e do uso das ilustrações originais como parte da trama. Já para quem ainda não teve a chance de ler o livro, a história também se sustenta de forma prazerosa.

Parte da trilha sonora foi traduzida na versão dublada, ficando a cargo do grupo Rouge dar voz aos passarinhos em português brasileiro. Tanto a adaptação do Rouge, quanto as demais canções combinam e complementam bem o que é visto no filme. A trilha sonora é um ponto que vale muito a pena prestar a atenção, porque é maravilhosa demais!

É muito interessante perceber como Pedro Coelho é uma película que agrada não só crianças, mas também adultos. É leve, divertido, tem piadas inteligentes e engraçadas que arrancaram a minha gargalhada. Sem dúvida, os pais, tios, avós, padrinhos e madrinhas que levarem os pequenos também irão se divertir.
Aline e eu, após a sessão de Pedro Coelho.
Companhia das Letras, muito obrigada pelo convite!

Filme: Pedro Coelho
Título original: Peter Rabbit
Direção: Will Gluck
Estreia no Brasil: 22 de março de 2018
Duração: 1 hora e 35 minutos
Elenco: Sam Neill,  Domhall Greason, Rose Bryne e Marianne Jean-Baptiste
Distribuição: Sony Pictures
Sinopse: Em Pedro Coelho, o adorado personagem de histórias infantis chega às telas de cinema em uma irreverente e contemporânea comédia cheia de atitude. A eterna disputa de Pedro pelos vegetais cultivados no jardim proibido do ranzinza Sr. McGregor (Sam Neill) fica ainda mais intensa com a chegada de Jeremy Fisher (Domhnall Gleason), sobrinho de McGregor. O rebelde coelho e Jeremy travarão uma batalha pela atenção de Bea, a vizinha bondosa e amante dos animais (Rose Byrne).

Assista ao trailer:



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segunda-feira, 10 de julho de 2017

{Resenha} Filme: Papa Hemingway: Una História Verdadeira

segunda-feira, julho 10, 2017 7
"Nosso único valor como humanos são os riscos que nos dispomos a tomar".
(Ernest Hemingway)

Sob a direção de Bob Yari, o drama biográfico Papa Hemingway: Una História Verdadeira narra o início da amizade entre o jornalista americano Denne Petitclerc (no filme, Ed Meyers) e o escritor Ernest Hemingway e sua esposa Mary. 

Entre idas e vindas de Ed Meyers a Havana, Cuba, Papa Hemingway (como Ernest preferia ser chamado), passa a conhecer mais a história de vida de jovem jornalista e a ajudá-lo a encontrar a sua voz como escritor. Ed, por sua vez descobre todas as nuances do temperamento do autor que sempre o inspirou. Tudo isso acontece a partir de 1959, então, temos como pano de fundo a Revolução Cubana, com toda a sua truculência rondando os personagens.


"A man alone ain't got no chance". (Ernest Hemingway)
Na cena: Ed Meyers (Giovanni Ribisi) e Hemingway (Adrian Sparks).

Por termos sempre o ponto de vista de Ed, conseguimos acessar um lado da vida de Hemingway que nem todos conheciam: aquilo que estava na vida privada do vencedor do Nobel de Literatura de 1954. Sendo assim, é interessante observar como Papa Hemingway aborda o contexto do escritor de sucesso (vencedor de um Nobel) e suas lutas internas contra os próprios sentimentos, o bloqueio criativo, a fama, o sistema político. Em alguns momentos, o espectador é levado a refletir sobre o que é a liberdade, o amor e como lidar com a morte (que, lenta ou rápida, é sempre devastadora).

Cartaz do filme no Brasil.

Para quem nunca leu algo do Hemingway, o filme gera no espectador o desejo da leitura. Para quem já o leu, surge a vontade de ler mais. A película nos introduz o gênio e sua mania de contenção. Ser enxuto e, portanto, preciso é um dos lemas do autor e isso fica bem claro durante as conversas que ele trava com o Ed sobre a escrita.

Na cena: Ed Meyers (Giovanni Ribisi), Hemingway (Adrian Sparks) e Mary Hamingway (Joely Richardson)

O roteiro do filme foi escrito pelo próprio Denne Petitclerc, que seguiu amigo de Mary Hemingway, após a morte de Ernest. Vale ressaltar que o longa foi gravado nos cenários reais em que a amizade se deu, o que inclui a casa em Hemingway viveu em Cuba (hoje, um museu), e que a locação é incrível, tornando a fotografia impecável. Sobre isso, o diretor do filme, Bob Yari, relata que lidar com as diferenças de infraestrutura EUA x Cuba foi complicado e que a equipe americana teve que se adaptar ao ritmo cubano. Ainda bem que tudo deu certo e que eles conseguiram rodar um filme tão belo!

Filme: Papa Hemingway: Una História Verdadeira
Título Original: Papa Hemingway in Cuba
País: EUA, Canadá
Duração: 1h50
Gênero: Drama, Documentário
Classificação etária: 14 anos
Direção: Bob Yari
Elenco: Adrian Sparks, Giovanni Ribisi, Minka Kelly, Joely Richardson, Shaun Toub, James Remar, Daniel Travis
Sinopse: Durante a Revolução Cubana, um jornalista vai a Havana entrevistar Ernest Hemingway, o escritor e aventureiro que o inspirou.




Desculpem, mas não encontrei um trailer com legendas em português. :(
A informação feliz é que tem o filme lá na Netflix. :)

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

{Resenha} Neruda, o filme

quinta-feira, janeiro 19, 2017 2
Neruda, que filme! ♥

Ontem eu fui até o cinema assistir Neruda, filme escrito por Guillermo Calderón, dirigido por Pablo Narraín e estrelado por Luis Gnecco, Gael García Bernal e Mercedes Morán. Que filme! Que filme! Não é à toa que a película foi escolhida para representar o Chile para concorrer ao Oscar e ao Globo de Ouro, na categoria melhor filme estrangeiro, em 2017.

O longa-metragem narra o período mais obscuro da vida do senador e poeta chileno, seu exílio por ser comunista. Sem o comprometimento com a biografia real do escritor, vemos Pablo Neruda (Gnecco) deixando Santiago, tentando se esconder no sul do país, em meio à Cordilheira dos Andes. Para ele, esta fuga deve entrar na história, porque ele quer ser lembrado pela façanha de ter escapado.

O chileno é um dos meus poetas preferidos.
Estava na maior expectativa antes de o filme começar.

Em sua cola, segue o inspetor Óscar Peluchonneau (García Bernal), que sonha em sair do anonimato justamente por capturar o ganhador do prêmio Nobel. Por meio da metalinguagem, o espectador viaja nas paisagens chilenas e na possível criação de um dos livros de Neruda, Canto General.

A fotografia do filme é belíssima. Cada pequena cidade ganha vida, cada expressão no rosto das pessoas inspira não só o poeta-protagonista, quanto a nós que estamos assistindo. As cenas gravadas nos Andes são de tirar o fôlego. Narrín foi exemplar ao explorar este período da vida do Neruda tão sem informações concretas e criar este universo tão poético e encantador.

Além de Canto General, "A canção desesperada" (publicada no livro Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, de 1924) é citada diversas vezes - seja pelo próprio poeta, seja por outras personagens -, tornando as pessoas por vezes mais humanas.

Poético, intrigante metalinguístico e encantador, Neruda é aquele tipo de filme que nos faz sair do cinema querendo ler toda a obra do poeta chileno. Sem dúvida, é uma obra que vale a pena ser vista.


Trailer do filme



Filme: Neruda
Direção: Palo Narraín
Ano: 2016
Duração: 1h48
Gênero: Drama
Nacionalidade: Chile, Argentina, França, Espanha
Idiomas: espanhol e francês
Classificação: 12 anos
Sinopse: Chile, 1948. A chamada Lei Maldita do governo de Gabriel González Videla está a todo vapor para prender os militantes comunistas. Entre eles, o poeta Prêmio Nobel, Pablo Neruda (Luis Gnecco), que começa a ser perseguido incansavelmente pelo inspetor Óscar Peluchonneau (Gael Garcia Bernal).

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domingo, 18 de maio de 2014

[Resenha] Filme: Amante a domicílio

domingo, maio 18, 2014 6
Cartaz do Filme.

Ontem assisti ao filme Amante a domicilio. A escolha foi a busca por uma comédia, algo que me fizesse rir e me livrasse um pouco do estresse do dia a dia. Particularmente, não poderia ter feito algo melhor!

A película tem nomes de peso: John Turturro, Woody Allen, Sharon Stone, Sofia Vergara e Liev Schreiber fazem parte das estrelas que compõe seu elenco. A direção ficou a cargo de Turturro, que garantiu 90 minutos de risos sinceros de uma plateia exigente e perspicaz.

A narrativa começa entre um diálogo em que Murray (vivido por Allen) conta a seu amigo, o florista Fioravanti (Turturro), que sua dermatologista está a procura de um homem para fazer sexo a três. Murray vê, então, a oportunidade de indicar Fioravanti para tal empreitada e ganhar dinheiro com isso.

Fioravanti (Turturro) e Murray (Allen), conversam na floricultura.
Imagem: Divulgação
Ao longo do filme, Murray consegue novas clientes para o amigo - que vê sua fama crescendo. Então, o público é apresentado a questões contemporâneas: vê-se mulheres ricas e ao mesmo tempo carentes - o que nos leva a inferir que a velha máxima de diz que "dinheiro não traz felicidade" pode ser verdadeira -, vê-se como as pessoas têm uma necessidade de ter alguém que, de fato, olhem para elas como elas são - algo que está a cada dia mais raro na correria deste mundo moderno. 

Fioravanti é um homem extremamente cativante e disso vem o seu sucesso. Ele sabe olhar para as pessoas como pessoas - ainda que cobre por isso. Esse paradoxo reflete-se na máxima que é apresentada ao longo do filme: "Where there is love, there is pain", ou "Onde há amor, há dor". Tal ideia é defendida pelas personagens, já que elas que também vivem, cada uma à sua maneira, a questão da perda e da desilusão amorosa muito fortemente. 

Falando de termos mais técnicos, a fotografia do filme é simples, porém muito bonita. As ruas arborizadas do Brooklyn ganham destaque ao longo da história enquanto as clientes "fogem" para se encontrar com o seu amante.  Além disso, a trilha sonora é gostosa, daquelas que você deseja ter em casa para ouvir sempre.

Amante a domicílio é um ótimo filme para se entreter e dar boas risadas, uma vez que o Murray é um tanto atrapalhado, o que o torna engraçado. Algumas pessoas podem se sentir um pouco tímidas, porque há em alguns momentos, cenas de sexo (nada que não se veja em uma novela da globo); todavia isso não faz da película menos nobre ou bonita. A leveza com que todo o assunto é tratado garante divertimento aos espectadores. Vale à pena conferir! 

Meu ingresso e a citação sobre o amor.
Filme: Amante a domicílio 
Título original: Fading Gigolo
EUA (2013)
Duração: 90 minutos.
Gênero: Comédia
Censura: 14 anos
Direção: John Turturro
Elenco: John Turturro, Woody Allen, Sharon Stone, Sofia Vergara
Sinopse: Murray é um senhor de idade que, durante uma conversa sobre sexo, diz que conhece um gigolô. Ao saber o quanto poderia ganhar como cafetão, ele tenta convencer seu amigo, Fioravante, a entrar para o ramo. Só que ele é um pacato jardineiro e não quer se envolver em algo do tipo. Após muita insistência de Murray, Fioravanti topa fazer um programa com a doutora Parker, que está bastante insegura por ser a primeira vez que trai o marido. O sucesso do encontro faz com que a fama de Fioravanti corra entre as amigas da doutora, assim como ele mesmo passa a notar melhor as qualidades da nova profissão.



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terça-feira, 2 de julho de 2013

Férias, te quero! - Dicas culturais

terça-feira, julho 02, 2013 9
Aaaaaaaaah! Nada como estar de férias! Aliás, nada como estar de férias com as amigas!

Assim começaram as minhas: antes de ontem, gastei o dia todo dormindo! Isso mesmo, dormi, acordei, dormi de novo... Com esse frio e essa chuva, nada melhor para renovar as energias do que dormir tudo aquilo que não pôde ao longo do semestre!

Ontem, sai com a Anie. Na nossa programação constou The Great Gatsby, visita ao MASP e comprinhas na Livraria Cultura. E é sobre isso que eu quero falar nesta postagem.


Comecemos com filme, que trilha sonora incrível! Lana del Rey divando com Young and Beautiful nos momentos perfeitos. Crazy Love, da Beyoncé, numa roupagem maravilhosa. A única coisa que eu teria feito de diferente seria ter colocado a versão original de Love is Blindness. Não porque a do Jack White esteja ruim (é rock'n'roll total), mas porque acho a do U2 mais dramática - o que teria mais relação com a cena. O elenco é lindo também! Leonardo DiCaprio mostrando a que veio e, mais uma vez, colocando o seu talento acima da sua beleza! :) Já da narrativa em si, havia estudado a obra no curso de Letras e o que mais gosto nessa história é o lado filosófico dela: como lidar com as relações de passado, presente e futuro, com as frustrações, com o medo, com a ganância... Quem está ao nosso lado de verdade? Tudo isso é retratado na forma em que as relações se dão, no cotidiano de uma Nova York em plena transformação. Embora um período distante, dá para fazer muita relação com o nosso dia a dia de hoje... Para quem não assistiu ao filme, segue o trailer abaixo. Não quero falar muito, para não soltar todos os spoilers possíveis, mas fica a dica. Eu recomendo :)



Do MASP, além do acervo permanente agora há duas exposições que valem muito à pena. A primeira delas é do Portinari, chamada Série Bíblica e Retirantes, que conta com onze obras incríveis. É interessantíssimo como nós, brasileiros, nos vemos refletidos nos quadros do autor. A brasilidade não está só na temática da dor e pobreza dos retirantes - que morrem de fome, na seca - mas nos traços das pessoas retratadas. Com tons de preto, branco e cinza - e algumas pitadas de vermelho - percebemos a sensibilidade do pintor e o motivo pelo qual Portinari foi reconhecido como o grande artista que é: sua genialidade é inegável!

Retirantes, por Portinari.
Um dos quadros presentes na exposição do MASP

Jovem com rosas,
por Lucian Freud
Já a segunda exposição chama-se Lucian Freud: Corpos e Rostos, que traz fotografias, pinturas e ilustrações de um dos grandes nomes da arte contemporânea. Visitando a mostra, as pessoas entram em contato com cinco telas de diferentes décadas, retratando as diversas fases de Lucian Freud. Dentre elas, é possível ver Jovem com rosas, um de seus trabalhos mais famosos.

No que diz respeito às fotografias, há vinte e oito registros de seu estúdio e seus modelos (que inclui a Rainha Elizabeth II e David Dawson - assistente do artista).

Para quem gosta de ver diversas formas de expressão artística, vale à pena conferir! (Lembrando que o MASP é de graça às terças-feiras)



Das comprinhas, a Anie comprou Les Misérables; e eu, a Gramática do Cegalla. Sem dúvida, essa é a minha preferida, a que eu mais amo e que me faz vomitar arco-íris só de olhar pra ela! Voltarei a estudar, porque gramática nunca é demais e, segundo a Verinha (minha professora da Universidade), "é uma delícia!". Como não concordar?!

Espero que vocês tenham gostado das dicas.
Que o restante das minhas férias sejam tão incríveis como esses dois dias! hehehe :)
E, para quem também está de férias, que as de vocês também sejam um máximo!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A roteirista

sexta-feira, janeiro 18, 2013 34
Se a sua vida fosse um filme, qual final ele teria?!

Quero que você saiba que a história fica muito melhor depois que você saiu dela. Eu sei, pode parecer despeito, recalque, mas o que eu disse é a mais pura verdade. Você é aquele personagem chato, que tornava o roteiro do meu filme tedioso. Depois que você foi embora, tudo ganhou ação e cores.

Já não dependo mais de uma opinião, a minha basta e, acredite, faz deste filme muito mais atraente. A trilha sonora ganhou outros rumos; não preciso ficar presa entre as canções de amor e de coração partido (por que não investir nas políticas, engraçadas e - até mesmo! - nas que induzem apenas à pegação?!).

A sua ausência fez com que a minha película particular passasse a concorrer ao prêmio de melhor fotografia, melhor figurino e arte final. Sabe as razões disso? Explico: pouca coisa mudou nos cenários previsto neste roteiro, decerto. Entretanto, a forma e os ângulos de captação das imagens mudaram. Eles ganharam leveza e, sobretudo, otimismo. A pureza vista no mundo, beira à uma ingenuidade que, convenhamos, você não tem. O figurino, ainda que tenha mudado pouco, favorece a forma como eu, a atriz principal desta história, me vejo. Cada vez mais recebo elogios sobre o quanto estou mais bonita e sobre o quanto pareço iluminada.

Eu sei, você deve estar se roendo de curiosidade, tentando entender o porquê de eu te dizer tudo isso. Desde já, afirmo, não é por vingança - embora o seu plano de transformar este filme primeiro em terror, depois em drama, tenha dado errado - conto-lhe apenas para lhe dizer que eu agradeço por tudo o que você me fez. Se você não tivesse abandonado a direção e o seu papel de mocinho, eu jamais saberia que eu não só conseguiria sobreviver, mas também tomar as rédeas e ser a roteirista de minha própria história.

domingo, 6 de novembro de 2011

Sabadão = demaaaaaaaaaais!

domingo, novembro 06, 2011 1
Na sexta-feira estive conversando com minha amiga, Karlinha, que ao falar de si mesma, me fez perceber inúmeras coisas. Sabe aquele papo de “sou linda-formada-inteligente-e-tenho-que-parar-de-sofrer-pelos-outros”? Pois é, conversávamos sobre isso. Porque sim, tanto ela quanto eu, somos lindas, formadas, inteligentes e temos que parar de sofrer pelos outros. 

Eu sei, você sabe, isso nem sempre é muito fácil. Ainda mais se você for como eu: que sempre pensa nos outros antes de pensar em si mesma. Eu tenho consciência de alguns dos meus defeitos: um deles é justamente ser dependente. Detesto fazer as coisas sozinha. Odeio isso, mas tenho consciência de que este é mais um aprendizado que preciso construir... 

Ontem, fazia um solzão gostoso aqui em São Paulo, e eu sabia que tinha duas opções: ficar em casa ou sair sozinha. Escolhi a segunda alternativa e o fiz feliz. Desde que assisti a uma entrevista do Rodrigo Santoro (veja o vídeo abaixo) queria assistir Meu País, por isso, não tive dúvidas do que faria. 

Sobre a película, devo dizer que não me arrependi da escolha. A trama é linda, de uma sensibilidade tamanha, que nos faz refletir sobre as nossas relações com as outras pessoas, nossas relações com o mundo. É uma daquelas histórias que guardarei no coração. 

Saí do cinema pensando em tudo o que havia visto... Mas não queria voltar para a casa. E quem disse que tinha que voltar? Resolvi que aproveitaria a proximidade do cinema com o centro cultural, e fui até a exposição da obra do artista plástico Nelson Leirner. Dei sorte, porque também tinha um desejo de ver esta exposição e descobri que este era o último fim de semana. 

Enfim, desta vez, sair sozinha foi menos doloroso do que da última vez. Acho que, no fim das contas, estou aprendendo a lidar com estes momentos solitários... Como diz a Karlinha: “demaaaaaaaaaaaaaaaais”! ;) 

Veja a entrevista do Rodrigo Santoro, sobre o filme Meu País:

terça-feira, 29 de março de 2011

Voltando às origens

terça-feira, março 29, 2011 0
Hoje, recebemos em meu trabalho uma visita de um chileno. Visita esta que coincidiu com a releitura de um dos meus poemas favoritos, o “Poema 20”, escrito pelo também chileno Pablo Neruda... Isso gerou em mim recordações diversas de quando comecei a escrever...

A escrita brotou em minha vida por meio da poesia. Escrever de forma sintética e – por vezes – enigmática aquilo que eu sinto é o que me mantem viva. Entretanto, esse “escrever” não nasceu do nada. Este “escrever” foi fomentado por três grandes nomes... três grandes nomes que por lerem a minha alma, tornaram-se três grandes amigos (eu sei que parece loucura, não os conheci, mas eles são amados por mim e me ajudam tanto quanto meus amigos).

Se os responsáveis por me fazer ler – e gostar de - poesia são o Vinicius (de Moraes) e o (Carlos) Drummond (de Andrade)*, a culpa de eu ter me aventurado no “poetizar” foi do Neruda.

Cerca de 3 ou 4 anos após ter enveredado essa estrada – e de ter lido e relido vários livros de Vinicius, Drummond e Neruda –, “trombei” nos corredores da biblioteca com um exemplar de O Carteiro e o Poeta, do chileno Antonio Skármeta. Quem leu, sabe o quão linda é a narrativa. Tão bonita que, posteriormente, virou filme.

Abaixo segue um vídeo do Skármeta contando um pouco – entre outras coisas - sobre como foi escrever esse livro e a respeito da sua relação com o Neruda**. Espero que vocês gostem!


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* Eu sei que, por respeito, convencionou-se a se referir aos autores por nome e sobrenome e/ou sobrenome. Entretanto, como disse, eles não são autores... não para mim. Vinicius, Drummond e Neruda são, além de autores, amigos, são íntimos, são os escritores que relatam aquilo que sinto, mas que não consigo dizer com minhas próprias palaras.
** Depois de ver um chileno e de ler um poema chileno, ao chegar em casa, deparo-me com a entrevista do video... um chileno falando sobre outro chileno. Overdose boa, não? ;)

quarta-feira, 9 de março de 2011

[Resenha] Poesia, cinema coreano e solidão

quarta-feira, março 09, 2011 9
Sadness is beautiful, loneliness is tragical
so help me I can't win this war, oh no*
(Shape of My Heart – Max Martin/Rami/Lisa Miskovshy - Backstreet Boys)


Há tempos penso que preciso andar mais com as próprias pernas e ser menos dependente dos meus amigos. Sei que há momentos que a minha amizade sufoca a todos eles – sou muito superprotetora – e sei que, quando eles se sentem sufocados, acabam me magoando sem querer. Pois bem, uma das minhas metas para este ano é ser solteira e viver bem com essa situação toda, e viver bem com tudo isso, implica em estar mais sozinha. 

Pode parecer meio loucura isso tudo o que disse, mas basta analisar a seguinte situação: feriado prolongado + amigos solteiros longe + amigos comprometidos com seus respectivos parceiros + tempo chuvoso. Diante desta situação você:
a) Fica sozinho em casa, curtindo aquela tristeza.
b) Sai com os amigos comprometidos e fica de vela.
c) Sai sozinho e tenta se divertir.

Bem, eu me prometi que tentaria fazer da minha solteirice a mais feliz possível e, como não tenho mais cabeça/paciência para ficar vendo as PDAs** dos casais de namorados, me restou a alternativa C. O problema é que numa cidade enorme, quando se é nerd, o que sobra num carnaval é museus e cinemas, ou seja, nada muito animador para uma pessoa solitária. Sempre disse que “ir ao cinema sozinha é fim de carreira” e penso o mesmo sobre as idas ao museu. Ir sozinha, não ter ninguém do seu lado para comentar/consolar é a maior prova de solidão que um ser humano pode dar a si mesmo... Mas não é que hoje paguei o que vivia dizendo? Hoje, pela primeira vez em 24 anos de existência, fui ao cinema sozinha.

Sair de casa foi o primeiro ponto “estranho”. É diferente sair de casa para curtir algo sozinha, quando, normalmente, se está cercada por amigos. Meus pais me perguntaram (mais de uma vez) se iria MESMO sozinha, e eu tive que ter um bocadinho de paciência para repetir inúmeros “sim”. Aí, aquela coisa de sempre: ônibus, metrô (maquiagem no metrô, só para não perder o costume), caminhadinha na avenida, compra do ingresso. Comprar o ingresso também foi algo interessante. Ontem havia ido ao cinema assistir Cisne Negro com uma amiga e lá vi o cartaz de um filme que me chamou a atenção, Poesia é o seu nome. Foi ingresso para esta película que eu comprei. Como todos sabem, escrevo poesia, então, não poderia deixar a oportunidade de ver um longa-metragem com este tema. 


Entretanto, não foi apenas o assunto que me chamou a atenção. Antes de partir para esta “aventura” de visitar o cinema sozinha, fui pesquisar sobre a obra cujo cartaz me despertara a curiosidade no dia anterior. No site do cinema encontrei as seguintes informações:

POESIA (DIGITAL)
Coréia do Sul (2010) – 139 minutos.
Gênero: Drama
Censura: a definir
Direção: Lee Chang-dong
Elenco: Jeong-hee Yoon, Hira Kim, Da-wit Lee

Sinopse: Mija (Jeong-hee Yoon) vive com seu neto nas encostas do rio Han. É uma senhora excêntrica com uma mente inquieta e questionadora. Um dia, ela entra por acaso em uma aula de poesia em um centro cultural na vizinhança e é desafiada pela primeira vez a escrever um poema. Sua busca pela inspiração começa ao observar a beleza do cotidiano, as coisas ao seu redor que ela nunca havia reparado. Mas quando a realidade se torna cruel, ela é obrigada a ver que o mundo não é tão bonito quanto ela imaginava.
- Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes de 2010.

O que me deixou impressionada – e mais curiosa ainda – é o fato do filme ser uma produção sul-coreana. Eu, que raramente saio do eixo Hollywoodiano, querendo ver um filme coreano! Isso é o que chamo de sair MESMO da rotina...

Antes de começar a sessão, passeio na livraria (e compras, por que não?), suco no McDonald’s (ninguém é de ferro!) e telefonema para a amiga que faz aniversário (Sue, parabéns one more time!... e desculpe de novo pelo recado tosco na caixa postal! Sou melhor escrevendo do que falando, você sabe disso!). Até que chegou a hora. Ser a primeira a entrar na sala, ver os casais (uns mais jovens, outros bem idosos) se acomodarem, assistir aos comerciais e aos trailers sozinha... Poderia ter sido bem pior se eu fosse a única sozinha na sala de cinema; todavia, como vi as outras pessoas entrarem, percebi que não era a única naquela situação (não fazia parte da maioria, mas também não era a única). 

Falando do filme, ele é simplesmente uma obra de arte! Não é a toa que ganhou o prêmio em Cannes. A fotografia também está de parabéns. O set todo foi escolhido de maneira que ajudasse a compor a essência da trama. A história é envolvente, tocante e surpreendente! Não pude deixar de me emocionar em vários momentos, não pude deixar de sair daquela sala chorando. A busca pela profundidade das relações humanas se reflete na busca pela poesia que Mija faz em seu cotidiano e no seu próprio interior. Como diz o professor do filme: “O difícil não é escrever poesia, o difícil é encontrá-la no coração”. É esta a lição que levo comigo. Uma lição de que já sabia, mas que nunca havia encontrado palavras para expressá-la.


Saí do cinema comovida. Comovida sem colo ou consolo (essa é a parte ruim de ir sozinha). Comovida com a fraqueza e com a coragem de Mija. Comovida com a minha fraqueza e com a minha coragem. Mas, mais do que isso, orgulhosa por um pequeno passo que dei e com a pequena conquista que tive. Comovida e orgulhosa, durmo hoje, sabendo que a Poesia é o caminho, é o MEU melhor caminho para seguir solitária , porém feliz.

PS: Trailer do filme aqui. ;)
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*tradução: A tristeza é bonita, a solidão é trágica / Então ajude-me, eu não consigo vencer essa guerra oh não.
**PDA = Public display of affection = Demonstração pública de afeto

sexta-feira, 9 de julho de 2010

[Resenha] Caravaggio (o Filme)

sexta-feira, julho 09, 2010 0
Capa da versão em DVD.
"Toda arte contraria a experiência de vida.
Como comparar carne e sangue com óleo e pigmentos?"


"Incerteza e dúvida.
Vida longa à dúvida.
Pela dúvida, chega a inspiração."

Um dos indicados ao Urso de Ouro, no Festival de Berlim de 1996, Caravaggio é uma obra digna do pintor que a inspirou. O filme nos mostra a biografia do artista barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio que, em seu leito de morte, relembra os fatos principais de sua vida. Perigosamente aventureiras, as histórias são permeadas pela a visão de mundo do pintor: suas convicções artíticas, sua relação com a fama, com o amor - e sua sexualidade - e com a Igreja. Tudo isso é retratado por meio de imagens tão intensas quanto a sua pintura. Esta intensidade é reforçada pelo triangulo amoroso do artista e o casal Lena e Ranuccio, que se tornaram seus modelos.
Além disso, temos ao longo do filme exemplos claros da tensão entre o carnal e o divino, entre a riqueza e a probreza, entre o terreno e o sagrado, que são típicos do Barroco. Embora não haja uma preocupação com a reprodução de época, a produção tenta nos mostrar ao máximo a rebeldia, a sensualidade, a ironia, a irreverencia, a busca por um espaço no mundo controverso e a vida que luta pulsante até o último suspiro.
Com uma fotografia exemplar e uma trilha sonora magnífica, Cagavaggio prende a atenção do expectador do início ao fim!

Cena do filme:
Caravaggio trabalhando em uma obra.
Tilda Swinton como Lena
serve de inspiração para o pintor.













Caravaggio (1986)
Direção: Derek Jarman
Roteiro: Nicholas Ward Jackson, Derek Jarman, Suso Cecchi d'Amico
Gênero: Drama/Histórico
Origem: Reino Unido
Duração: 88 minutos
Tipo: Longa-metragem
Idioma: Inglês / Italiano
Legendas: Português
Sinopse: Michelangelo Merisi da Caravaggio (Nigel Terry), tendo sua história contada em "flashbacks", o artista recorda fatos de sua curta existência na terra e nos mostra sua infância, as decepções do início de sua carreira, seus últimos sucessos, sua amizade com um cardeal e sua relação destrutiva com um jogador muito atraente. Talvez, este seja o melhor trabalho de Jarman onde nos é contada toda a história da vida do pintor, exibindo as contradições entre as crenças religiosas e sua identidade sexual. Maravilhosamente filmado em cenário que nos recordam a própria sensibilidade de Caravaggio, o filme é cheio de lindos tons azuis e vermelhos banhando os atores em luzes de velas, criando um efeito assustador e misterioso. A paixão de Caravaggio pela sua arte e também por seus modelos, o conduzem para sua queda final nesta suntuosa e desafiante biografia de um lendário pintor.

quinta-feira, 23 de julho de 2009