101 coisas, estudos, trabalho, ano novo e outras observações

by - 10:13 PM

Alguém me dá uma luz?
- Instalação artística no Jardim do Palácio do Catete, Rio de Janeiro, RJ.
Obra: Caminhos mais claros, por Marcos Duarte. Madeira e fibra de vidro cromada. -

Trilha do post de hoje: Chris Cornell e seu Higher Truth.

Você já se sentiu cansado e perdido ao mesmo tempo? Ando um pouco assim. Logo, esta postagem é daquelas para organizar as ideias todas. Espero que dê certo e que, de alguma forma, você goste do bate-papo.

Semana passada estive no Rio de Janeiro. A cidade estava com um tempo horroroso, mas consegui aproveitar mesmo assim. Fiquei hospedada na casa da Gisela, uma amiga super querida que trabalhou comigo nos tempos de CDI. Realizei dois sonhos antigos: abracei a estátua do Drummond (meu muso!) e visitei a Biblioteca Nacional. Além disso, conheci a Livia Brazil, autora de Queria Tanto e Coisas não Ditas. publicados pela Editora Benvirá. Passamos o sábado juntas, e ela é sensacional não só como autora, mas também como pessoa! :) A viagem serviu como uma prévia de comemoração do meu aniversário e também era uma das minhas tarefas da lista de 101 coisas em 1001 dias (aliás, meu prazo está quase acabando! Dá para acreditar?). É claro que escreverei sobre os passeios todos com calma, com direito às descrições, impressões, custos e fotos. Mas isso acontecerá mais para frente...

O trabalho tem sido algo maluco para mim. Desde que voltei de férias tenho me questionado muito sobre o que tenho feito no colégio. Bateu uma depressão profissional forte, porque tenho a sensação de que, por mais que eu me esforce, não tenho causado o impacto que gostaria na vida dos meus alunos. Pode ser uma questão de perfeccionismo? Provavelmente. Todos os feedbacks que recebo das professoras que trabalham comigo, da minha coordenadora e da minha coach (sim, este ano estou chique e tenho uma coach!) são positivos. Entretanto, continuo perdendo tempo com a indisciplina e com as lições de casa não feitas, ainda tenho alunos que priorizam sair com os amigos, ir ao cinema, pular amarelinha a não fazer tarefas e, principalmente, tenho aqueles que são super inteligentes e capazes, mas que não movem uma linha na tentativa de aprender. Sinto-me um lixo por não ter encontrado a chave que muda esta postura e os motiva. Eles ainda são crianças e não têm noção do impacto que é saber ou não um idioma estrangeiro quando adultos. Eu tenho. Eu me esforço. E, infelizmente, me sinto falha. Pode ser uma má fase, pode ser o cansaço do fim do ano, pode ser que - de uma hora para a outra - eles amadureçam e mudem... E também pode ser que nada mude...

É louco pensar nisso e, por outro lado, ver que duas das minhas turmas (uma delas, uma das mais indisciplinadas) fizeram festinhas surpresas de aniversário para mim (foi na quinta, dia 17). Para quem não tinha nada planejado, tive um ano novo feliz! :D Tanto o 5º da manhã, quanto o da tarde me encheram de amor e carinho. Eles pensaram em tudo com tanta dedicação, que até agora me emociono ao pensar. Voltei para casa feliz, desejando que esta alegria toda se multiplique ao longo do restante do ano. Será triste não dar aulas para todos eles no ano que vem. :( Sentirei saudades de todas aquelas carinhas (por mais que um ou outro não acredite muito nisso!).

Numa tentativa de tentar ser uma professora melhor, comecei um curso novo, em inglês, sobre disciplina positiva (o nome é tão lindo: Positive Discipline in the Classroom Professional Development Workshops), com a professora (e amiga) Bete P. Rodrigues, que conheci quando fiz a extensão para professores de inglês na PUC. A disciplina positiva fala sobre como encorajar a criança, sobre como educar sendo firme e gentil ao mesmo tempo, sobre como ser justo (sem precisar usar qualquer forma de humilhação ou castigo). Como a Bete sabe explicar isso muito melhor que eu, recomendo que você acesse o blog dela para saber mais! ;)

Fora isso, tive uma ideia para um livro, então, vou tentar de novo. Para quem não sabe, escrevi dois de literatura infantil durante a época da faculdade. Teria um livro grande se vencesse a preguiça e reunisse todas as minhas poesias e tenho dois livros terminados (precisando de revisão) que irão um dia para o Wattpad ou para a loja da Amazon (talvez). Espero que eu consiga dar vida aos personagens que estão na minha cabeça. Meu grau de concentração tem sido o de uma criança de cinco anos ultimamente, contudo, pretendo me esforçar.

No mais, tenho sentido saudades de um monte de gente. Gente que está ocupada com outras prioridades (faculdade, pós, trabalho, namoro etc.) e que me deixa com o coração apertado pela distância. Não posso cobrar, não tenho este direito. E, sendo muito honesta, já passei dessa fase de ficar pedindo amor (tenho blog pra isso, não tenho? uahahahah). As pessoas sabem aonde me encontrar.

Também tenho sentido saudades de ter tempo para mim. Tenho saudades dos exercícios (abandonei a academia :/), do cronograma capilar (meu cabelo está longe do que foi um dia!) e de fazer a unha toda semana. A vida não é fácil, e eu tenho me esforçado para que tudo melhore. Espero que dê certo.

Ter esperança... Talvez seja esta a habilidade que não me permite deixar tudo para trás (não ainda).
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10 comentários

  1. Ah, Fê, fiquei lendo sobre o seu trabalho e pensando que eu me encaixaria tranquilamente em algum desses seus alunos. Eu era mega indisciplinada nas últimas séries (e na faculdade :B) e sem dúvidas esse foi o meu maior erro. Não é que eu não queria estudar... eu queria, sempre gostei, mas não queria estudar aquilo naquele momento. E hoje eu penso em alguns professores e sinto vergonha das notas, do meu comportamento, sabe? Então acredito que isso seja um momento pelo qual algumas pessoas precisam passar... faz parte da nossa subjetividade e a forma que passamos por algumas coisas na vida. O bom professor não consegue resultados na hora, mas a longo prazo :) Tenho certeza que você é muito boa no que faz, porque vejo a dedicação e o carinho que tem quando fala da sua profissão.

    PS: quero livros quero livros quero livros quero livros!!! :D

    A tal da Vivian

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    1. Vi, é complicado. Eu amo meus alunos como se fossem meus filhos e me dedico a eles com esse amor. O problema é que, quando a gente vê um aluno se comportando assim, podemos pensar um "ok, ele está passando por algo", mas quando é a maioria, isso não deixa de ser um feedback. Eu, como aluna, também já tive a minha fase cansada, mas assim como você, ela veio no fim da adolescência. Acho estranho uma criança de 7, 8, 9 anos estar com esse cansaço! uahahahah

      Sobre o livro, a Sô começou a ler um deles. Preciso terminar a reformulação por assim dizer.

      Beijos!

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  2. Imagino sua emoção a visitar o Rio, fico feliz por ter cumprindo mais um sonho de sua lista ♥

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    1. Eu gosto do Rio mais pelos amigos, do que pela cidade em si. Foi legal poder conhecer os lugares históricos, que pouca gente comenta, mas que são incríveis! :)

      Beijos!

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  3. Posso dizer que me sinto assim algumas vezes, e no meu caso eu acho que é um pouco de depressão. Na verdade eu me pego vendo que tenho inúmeras coisas para fazer e 24 hrs tem sido pouco para da conta de tudo, então eu fico frustrada.
    Não é a primeira vez que me sinto assim, aprendi a focar e aceitar que nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente quer,se der pra mim fazer bem, se não tento outro dia. Mas procuro não ficar me castigando entende?
    Bjs

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    1. Entendo!
      Acho que é importante isso. Eu tento fazer isso também. Há dias que são mais fáceis, outros mais difíceis... O importante é não desistir.

      Beijos!

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  4. Ai, Fê, a gente é tudo igual mesmo, né? Esse teu finalzinho aí é tão eu! Essa nossa vontade de querer fazer tudo. Gente, eu fico doida comigo mesma. Tem horas que fico pensando no tanto de coisas que queria fazer, e não consigo gerenciar tudo. E é nessas horas que eu lembro que a vida é assim mesmo, né? Tento engolir a angústia e reforçar pra mim mesma que não dá pra ter tudo, ser tudo, fazer tudo ao mesmo tempo. Tem coisas que são mais importantes que as outras, e aí a unha fica pra depois, o cabelo fica pra depois, a academia fica pra depois. Acho que o bombardeio de informação que temos hoje é que nos faz acreditar que não somos capazes de equilibrar nossa vida. Porque na mídia, na internet, todo mundo tem vida perfeita, cozinha, lava, passa, trabalha, ama, namora, viaja, e tá sempre linda e maravilhosa, né? E a vida real é tão longe disso...

    Nem sei se comentei algo que faz sentido, mas foi o que o finalzinho do teu texto me fez sentir.

    Enfim, feliz por você retomar a escrita! Quero ler teus livros, hein? E achei um barato que você foi pro Rio.

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    1. Oi, Ana!
      Sabe que isso faz total sentido! :) Tanto é que, quando estou no pique do estresse, procuro dar uma afastada das redes sociais. Tudo nelas é tão perfeito que fico entediada com isso.

      Sobre os livros, estou reescrevendo (revisando / acrescentando algumas coisas) o primeiro deles. Espero que fique bom para os leitores! :)

      E o Rio foi divertido! Minhas amigas são incríveis! :D

      Beijos

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  5. Resolvi vir aqui ler seu post, depois do comentário lá no meu ;D

    Bom sobre o estudo de linguas, se for inglês, por exemplo, que tal mostrar a seus alunos séries ou desenhos em inglês, e dizer a eles pra estudar e passar a ver essas coisas sem legendas. Não sei se funcionaria, mas antigamente eu odiava inglês, e hoje morro de vontade de aprender pra poder ver filmes inglês sem legenda. Você pode tentar ver o que eles gostam e buscar conteúdo em inglês sobre isso, se for exclusivo, ainda melhor. Tipo, eu gosto de Hqs e detesto quando descubro uma Hq nova e ninguém traduziu ela pra português ainda! Sabe, crianças tem dificuldade de pensar há longo prazo, então talvez tentar motivá-las falando sobre profissão e carreira pode não ser legal. Tente usar um argumento a curto prazo, nem que seja falar que eles vão ser mais legais por saberem falar mais de uma língua, ou que vão poder assistir aquele filme na língua original se levarem o estudo a sério. Bom, não sei se funcionaria, mas talvez você possa tirar alguma coisa disso. Outra coisa, não quero dizer que você seja má professora ou que "não esteja fazendo certo", ok? Sei que é boa professora, principalmente pela sua preocupação que todo mundo aprenda (alguns professores nem ligam, contanto que recebam no fim do mês), só estou sugerindo uma coisa que pode ser legal.

    Também quero escrever um livro! Na verdade, já teria escrito, se estivesse escrevendo. Comecei o tal do livro com uns 14 anos e hoje com 19, ainda não terminei. Uma vergonha. Fiz uma proposta pra mim mesma q escreveria uma página por dia, mas até hoje nada. O jeito é ter esperança né? kkk

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    1. Oi, Marina!

      Menina, crianças são bem complicadas. Já tentei tudo isso, mas ultimamente nada está bom, nada é divertido, nada contenta. Tudo tem que ser fácil e rápido como o google... O problema é que nosso cérebro não é um computador em que eu digito uma palavra/frase/expressão, clico em "salvar" e tcharán! Está ali para sempre. Tudo é um processo de aprendizado, que é longo e mais demorado do que o imediatismo a que as crianças estão acostumadas. É complicado!

      Quanto ao livro, separe um tempinho e mãos à obra! Eu sei que vc consegue! :D

      Beijos,

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