sexta-feira, 30 de abril de 2010

A noite, a volta e o senhor da lotação

sexta-feira, abril 30, 2010 5
Saí da faculdade mais tarde do que o costume. Acabada de tanto cansaço, só queria tomar um bom banho e ir dormir. Da sala de aula, ainda consegui rumar até a estação de metrô, conversando animadamente com minhas amigas; contudo, já no vagão, o sono me dominava.

Desci na última estação daquela linha (ou na primeira, como preferir) e parti em direção ao ponto de ônibus. Só mais dez minutos, pensei, e finalmente chegarei em casa.
Já no ponto, entrei na lotação que, de vazia, rapidamente fez jus ao nome e se encheu. Quando o motorista estava prestes a partir, ouvi uma voz dizer:

- Abre a do fundo, motô!

Já não havia mais espaço; as portas se abriram e um senhor entrou e parou nos degraus próximo à porta. Era negro, pouco mais alto do que eu, cabelos raros e barba por fazer (ambos grisalhos, quase brancos). Sua roupa era velha e suada; ele, parecia ter vindo de longe.
O ônibus partiu e, sem querer, aquele senhor se encostou em mim:

- Desculpa, mocinha – disse ele humildemente encabulado. Ao ver a minha cara surpresa com as escusas, completou – encostei em você sem querer.

Abri um sorriso e disse a ele que não precisava se desculpar. Acho que depois de tantos ônibus e metrôs lotados durante o horário de pico, desacostumei com a simpatia e gentileza por parte dos outros usuários, por isso minha reação foi sorrir. Este fato que o surpreendeu, pois acredito que ele esperava um olhar de desprezo ou algo parecido, coisa que não fiz. Sabia que o senhor não tinha culpa por ter se esbarrado em mim.
Passados alguns minutos, percebi que chegava próximo ao meu ponto e dei sinal. Ele, por sua vez, ao perceber que eu iria descer, me deu passagem e, quando a lotação estava prestes a abrir as postas, disse-me carinhosamente:

- Tchau, mocinha, boa noite!
- Boa noite para o senhor também! – respondi com um sorriso.
- Vai com Deus e bom descanso!
- Para o senhor também, um bom descanso!

Fui para casa com a imagem daquele senhor na minha cabeça. Naquela noite, dormi em paz.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Haiti depende das nossas promessas

quinta-feira, abril 15, 2010 2
(Texto por: Shakira / *Tradução: Fernanda Rodrigues)

No domingo passado visitei o Haiti. Nunca tinha visto um lugar em tal grau de destruição. Um país em que não sobrou nenhum hospital, nenhum tipo de infra-estrutura: água, saúde pública, eletricidade, escolas ou hospitais, com 86 por cento da população desempregada e um milhão e oitocentos mil desempregados. Vi mães que perderam seus filhos, filhos que perderam seus pais, mulheres que perderam suas famílias inteiras. Vi um país que perdeu quase tudo, mas que ainda mantém sua fortaleza.

Levo estampado em meus olhos o olhar de homens e mulheres que não se sentem nem derrotados nem vencidos. Jovens esperançosos prontos para reconstruir. Crianças que ainda sorriem e sonham com uma vida melhor. Esta força é a oportunidade desta nação, que hoje espera toda a ajuda internacional possível, que depende das nossas promessas e da nossa boa memória; porque, mais grave que a catástrofe, seria que o Haiti sofresse o esquecimento.

Contudo, me enche de otimismo, ter me encontrado com pessoas de lugares diferentes: estudantes e professores, anônimos ou famosos, que decidiram doar seu tempo e esforços para se instalar no Haiti e ajudar. Sean Penn, por exemplo, conduz pessoalmente um dos maiores campos de refugiados. Ele mora há quase três meses em um daqueles acampamentos. Dorme em uma pequena e precária barraca, que em nada se difere das dos 60.000 desabrigados que ali vivem, enquanto ele tenta realojá-los. Ele conseguiu uma grande quantidade de ajuda internacional e segue inspirando a todos que como ele se entregam a brindar este povo com ajuda necessária. Marinheiros americanos, filipinos e hindus, e tantos outros jovens voluntários que se mobilizaram e foram até lá para unir as suas forças.

As gerações mais novas absorvem a estes exemplos e sabem que, no mundo de hoje, os problemas de um só país são os problemas do mundo inteiro. Minha esperança é que, por meio da educação e da comunicação, esta mensagem se difunda e seja o legado que deixamos a nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos.

Nos encontros que tive no Haiti, entendi que só construindo escolas e hospitais a sociedade haitiana poderá recuperar a sua dignidade e seguir adiante. Estamos vendo possíveis lugares onde poderemos construir uma escola Pies Descalzos¹, em que as crianças possam receber alimentação e educação adequadas. Nos reunimos com algumas ONGs e possíveis parceiros para poder por mãos a obra nos próximos meses. Começaremos a construção de uma escola no Haiti que, se tivermos sorte, poderá estar terminada no fim deste ano.

Logo virá a temporada de furacões e só espero que o povo do Haiti possa encontrar refúgio contra as intempéries, e que nós estejamos aqui para eles. Quis compartilhar a minha experiência porque sei que há muito para ser feito e que individualmente podemos ser gotas de água, mas juntos somos um oceano. Isso me foi ensinado por um menino de 11 anos, que pouco viu, mas que tanto já sabe.

N. da T.:
Pies Descalzos¹: A escola que a Shakira pretende construir no Haiti é como as que há na Colombia (país da cantora) e que fazem parte do projeto da Fundación Pies Descalzos. Esta fundação, criada por ela, tem como missão desenvolver um modelo de educação pública para crianças de comunidades carentes, por meio de estratégias de proteção integral que permitam melhorar a qualidade de vida dos estudantes e suas famílias. Para saber mais, visite o site da fundação clicando aqui (em espanhol).

Para ler o texto original, clique aqui.

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*Resolvi traduzir este texto porque há fatos que não devem ser esquecidos, este é um deles.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

She'll never stop...

quarta-feira, abril 14, 2010 0
She counts the time 'til her heart breaks
Just waiting for her next mistake
Don't give up I know you've stopped believing
And you're down and you're begging you're pleading
Don't give up cause you're not too far gone...
(Watch Over Me - I. Hanson / T. Hanson / Z. Hanson)


Minha vida anda uma loucura, uma verdadeira confusão de sentimentos... Não sei se o que virá ser necessariamente bom, só sei que I'll never stop! But please, watch over me!



N. da A.: Sobre a música: sim, são os mesmos Hanson do MMMBop (agora muito mais crescidos). Sim, ainda gosto deles. Sim, o meu preferido é o Isaac (quase que eu escolho um video deste mesmo show em que a menina só o filmou!)... eu sei, todo mundo pensava que fosse o Taylor, mas desde que eu os conheço, sempre foi o Ike! =P . Esta música reflete bem o que eu venho sentido nos últimos dias... Ela pertence a um álbum chamado The Walk. Quer ver a letra completa e a tradução?! Clique aqui.

sábado, 10 de abril de 2010

A estreia de um sonhador

sábado, abril 10, 2010 2


Era domingo e a família de André voltava da casa da matriarca da família. Pai, mãe e filho entraram na estação de metrô, que já sofria o efeito monótono do final do fim de semana. Tudo era nostalgia, entretanto, algo chamou a atenção do pequeno André. Letras garrafais diziam: “NÃO PERCA ESTE ESPETÁCULO! VENHA VER A NOSSA SELEÇÃO DAR UM SHOW!”. O menino correu até o cartaz, ao passo que o desejo inato de ver a seleção canarinha jogando só aumentava.

O anúncio, pregado na parede daquela estação de metrô, fez o garoto sonhar: via-se em meio à multidão, sendo filmado pela maior emissora de tv. Depois, os craques que saíam do vestiário, subiam as escadas do túnel e surgiam no gramado! Ah, o verde gramado!… André devaneava, quando sentiu uma mão sobre o seu ombro. Olhou para o alto e sorriu:

– Pai, me leva?! – pediu o menino, não somente com palavras; mas, também, com o olhar.
– Filho… – o pai olhou rapidamente para a mãe e, em seguida, respirou fundo – acho que o pai não tem dinheiro para comprar esse ingresso. Deve ser muito caro…

André abaixou a cabeça, enquanto seus pais sentiam-se frustrados. Embora não fossem paupérrimos, também não eram ricos. Pertencer à classe média era a angústia dos pais de André. Eles queriam fazer a vontade do filho; todavia, tinham a consciência do orçamento apertado.

Os três embarcaram no vagão do metrô em silêncio; cada um, mergulhado em sua tristeza pessoal. Ao chegarem a casa, a mãe foi colocar o filho para dormir. Nada como uma boa noite de sono para mandar a dor embora; contudo, os pais de André não se esqueceriam do episódio tão cedo. No dia seguinte, o pai resolveu mobilizar a família: ligou para os avós, para os tios, para os padrinhos do menino, com a tarefa de fazer uma vaquinha. Como o aniversário de 9 anos do menino estava chegando, nada melhor do que realizar o sonho do guri. Se dependesse dele, seu filho veria a seleção brasileira jogando a final da Copa do Mundo!

A família conseguiu reunir o dinheiro necessário, o problema maior foi comprar as entradas. Não é todo o dia que a Copa do Mundo é disputada no Brasil. Então, conseguir um lugar no estádio era mais difícil do que correr uma maratona. Mas tudo pela realização do sonho do pequeno André! Horas e horas em uma fila embaixo de um sol escaldante e lá estava o ingresso comprado.

Alguns meses após o episódio do metrô, o pequeno acordou com sua família toda em seu quarto. Era o grande dia. Estavam presentes pais, avós, tios, padrinhos, amigos da família. Todos queriam ver a carinha feliz da criança ao saber que sim, ele estaria na final do mundial!

– Filho, acorda…
– Mas, já, mãe… Me deixa dormir mais um pouquinho…
– Nós temos um presente para você – disse o pai.

A palavra “presente” despertou o menino:

– Que presente?!
– Esse. – o pai passou o envelope com as entrada para o filho que não acreditou no que tinha nas mãos.

Passado o momento de surpresa, pai e filho foram se arrumar. A preparação era, não só um momento de felicidade, mas de cumplicidade entre os dois. Aquela era a primeira vez do garoto em um estádio de futebol, então queriam aproveitar ao máximo.

Durante o caminho, foram conversando. Os olhos brilhando, o entusiasmo aumentando gradativamente. Quanto mais se aproximavam do estádio, mais a multidão crescia. Todos com um só propósito, todos com a mesma expectativa.

Já na arquibancada, ouvia-se a música vibrando dos tambores dos torcedores. Diferentemente de um clássico onde duas torcidas concorrem para saber quem é a melhor, a participação das pessoas durante a Copa era unicamente torcer pela mesma equipe. Quase não havia torcedores adversários. A vibração era singular; a participação, intensa.

Os times entraram em campo, os corações batiam forte. O pai de André segurou a mão do menino. Os dois sorriam. Todos sorriam. A felicidade e animação duraram quase toda a partida. Estavam alegres até que o atacante adversário calou a nação brasileira nos 45 do segundo tempo. Os canarinhos levaram um gol.

André e seu pai não acreditavam no que seus olhos viam. Faltavam apenas dois minutos para o término do jogo. Somente com um milagre nossa seleção empataria… O milagre não veio. Perdemos a Copa.

Para o menino, restou apenas o fim amargo da sua estreia como torcedor, o silêncio da volta para casa e o vazio da derrota de sua amada seleção.

terça-feira, 6 de abril de 2010

It's a shame...

terça-feira, abril 06, 2010 2
[Ok, já aviso, postagem do tipo desabafo ON!]

I hate to be, to be the one
Who's given up
And feels that all our hope is gone
But what I Thought was a miracle
Just turnen into the same old
Problem that it was
She longs for better days
She's always been afraid

It's a shame, oh it's a shame
That you are throwing your life wole life away
It's a shame, oh it's a shame
I wonder if you're ever going to change
It's a shame

It's a shame (by Third Day)
[Tradução aqui]





Eu sou um desastre! Sabe, às vezes eu deveria ter vergonha alheia de mim mesma... (frase semanticamente confusa, anyway) O fato é que eu estou numa fase super carente (e não, não é TPM. #OliviaFeelings), da qual nem eu mesma estou me suportando. Sabe quando o que você mais deseja é ter um abraço e um ombro amigo para desabafar?! Pois é, isso é o que eu mais desejo hoje! Meus problemas estão fazendo com que eu brigue com todo mundo. Minha carência está fazendo com que eu não consiga vibrar com a felicidade das minhas amigas (e elas merecem tanto que eu vibre!!!!)...
E, para ajudar, esta chuva que só me deixa mais down!

É fogo, viu?!

(E sim, eu quero um namorado! #prontofalei)
[Mode desabafo OFF]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Não, eu não morri!

sexta-feira, abril 02, 2010 5
Oi pessoal!
Espero que tudo esteja bem com todos vocês!

Eu sei, eu sei... acredito que quem passou por aqui na última semana deve ter pensado: "Poor Fê, morreu dando a aula do To be...". A verdade é que não passei por aqui antes por falta de tempo, mesmo. Mas tenho tantas coisas para compartilhar!
O que aconteceu, é que sim, eu sobrevivi à aula do to be e ainda recebi um elogio de uma aluna que me disse que foi a melhor aula de to be que ela já teve!!! (Lô, thank you one more time!) Aliás, eu sobrevivi ao to be e às Wh Questions! Acho que estou pegando o jeito da coisa!!!!!

Também consegui me organizar melhor durante esta semana. Consegui ensinar tudo o que havia planejado, terminar as minhas aulas em tempo e subir para assistir aula sem chegar atrasada! (AEEE!!!)

Meus alunos também não estão me olhando com aquela cara de: "eu não acredito que ela está falando isso DE NOVO!" O que faz com que eu ensine melhor. É muito ruim quando você está dando aula e os alunos estão com aquela cara de: "que saco!"

Já no trabalho, as coisas continuam complicadas... Espero que tudo se resolva logo!
Continuar sem salário é tenso! Não sei como pagarei as contas neste mês... Sem contar o fato de quem está indo trabalhar (como eu), fica sobrecarregado (já que está fazendo o trabalho de quem não está indo...).
É tão ruim ver as caras preocupadas e os semblantes tristes... 

Bem, sobre mim acho que é isso:
Correndo com as aulas; sobrevivendo no trabalho...
(Em crise existencial com as pessoas que insistem em resurgir do meu passado...)

E sobre o blog, acho que vocês perceberam, não?! Mudei o layout!!! =)
O antigo fez um ano, então achei que já estava na hora de mudar a cara da casa! =)
Espero que vocês tenham gostado!

Beijos e queijos! =*