Sobre a tal vulnerabilidade, sobre a vida

Por quais caminhos a vida te leva?
(Foto feita no Jardim Botânico do Rio de Janeiro)
Fiquei olhando a folha do computador em branco, pensando o que poderia escrever aqui. Então, resolvi ser realista e contar o que anda acontecendo. Minha vida anda meio de cabeça para baixo. Muita coisa boa anda acontecendo, mas muita coisa que me deixa confusa também. Talvez seja porque eu mudei de setênio (para quem não conhece a teoria dos setênios, vale a pena ler aqui, aqui e aqui), talvez seja porque eu esteja correndo atrás do meu chamado (finalmente!), talvez porque eu tenha me aproximado dos novos amigos, retomado às velhas amizades e porque um outro fato importante anda rolando (torçam para dar certo, porque se der, conto aqui depois).

É claro que tudo isso me deixa com muito medo e vulnerável. Ter que se abrir para o mundo é ter que refletir e, principalmente, se expor. Explico. Amizades são vias de mão duplas, não há como manter uma amizade por mais de 10 anos - como acontece com a maioria das minhas - sem dizer o que se passa dentro do peito. É confiando que se é confiado. É se abrindo que o outro vai se abrir também. Tudo uma questão de conexão, que a cada dia se torna mais forte e profunda. 

O mesmo acontece com o meu chamado. É engraçado como tudo acontece. É possível você querer ser duas pessoas na vida? Espero que seja. Porque eu sempre - desde os 6 anos - me vi professora. Achei que nunca saberia fazer outra coisa na vida, justamente porque ensinar é algo que me completa. E aqui nós temos a tal da vulnerabilidade de novo. É impossível ensinar sem estar disposto a aprender, sem estar disposto a conhecer quem aprende. É impossível aprender quando se está pensando nos problemas (na briga com o amigo, nos pais se separando, na falta de comida/carinho/brinquedo/saúde). O que mais tenho aprendido e ensinado aos meus alunos diz respeito ao quanto é normal a gente sentir tristeza, da mesma forma que sentimos alegria. É normal sentir raiva, da mesma forma que sentimos o amor. O que pesa, entretanto, é o que fazemos com os sentimentos ruins, porque as pessoas só nos ensinam o que fazer com os sentimentos bons, mas engolir os maus goela abaixo ou partir para a violência não é o caminho. Como transformar algo ruim em um aprendizado é o desafio da vida - seja você adulto ou criança, professor ou aluno. Ensinar e aprender é - ou deveria ser - uma tarefa humana, dessas em que você abre o coração sem medo, sem receio, dessas em que, mais uma vez, você se torna vulnerável. Muitos, quando me ouvem falando dos meus pimpolhos, tecem elogio à maneira como eu costumo lidar com as diversas adversidades escolares. O que estas pessoas talvez não saibam é que aquelas crianças entre 4 e 11 anos sabem ler a minha alma quase que de cor, porque eu dou a oportunidade de elas conhecerem os meus sentimentos e saber que se abrir não é algo ruim (não é à toa que alguma delas me procuram para conversar sobre sentimentos, não sobre o inglês).

Mas vejam eu desviando parcialmente o assunto. O fato é que além de ser educadora, eu venho refletido sobre o meu chamado interior, aquele me que faz manter um blog por quase 10 anos e que me rendeu altas notas quando o assunto é a redação. Acho que, de uma maneira ou de outra, nasci para ser escritora e - de alguma forma - só entrei neste processo de reconhecer isso agora. É claro que minhas professoras sempre elogiaram a minha redação. É claro que meus amigos e amigas enchem a minha bola. Também acontece de alguns de vocês, leitores queridos, deixarem comentários que preenchem o meu coração, quando dizem "você deveria publicar um livro!". Pois é, tanta gente me incentivando e eu demorei os quase dez anos da história deste blog - e mais uma vida toda, porque não dizer! - enrolando para me assumir escritora. O por que desta demora? Quem escreve sobre si, quem usa a escrita como forma de esvaziar a mente de sentimentos ruins, como forma de organizar as ideias, como eu faço, se torna o quê? Acertou quem disse a palavra vulnerável. É difícil expôr os sentimentos em formato de post, de livro, e esperar o feedback das pessoas. O medo da rejeição é sempre muito forte. 

A questão é que eu parei para raciocinar. Desde que escrevi as postagens da série #10daystoabetterblog tudo começou a rodar na minha cabeça. Acabei chegando às seguintes conclusões: 1. eu sempre amei escrever e me expressei melhor pela escrita; 2. Eu sempre me destaquei nas matérias que tinham que escrever; 3. Eu quero fazer o meu mestrado na área de Literatura, não de línguas ou de educação; 4. Não quero passar a vida toda ensinando inglês, quero migrar para o ensino de redação/literatura um dia; 5. Eu quero publicar um livro, seja lá como for. 
Foi partindo disso tudo que eu comecei a revisar o primeiro livro que escrevi na vida - antes de entrar na faculdade! - e que escrevi um livro de poemas (em uma sentada só!). Sumi do blog, para produzir...
Mais uma vez, as poucas pessoas que leram os meus escritos, gostaram. Por isso, estou pensando seriamente em publicar os dois no wattpad (já me siga lá, para ficar por dentro quando eu publicar) e partir para a revisão do meu texto (livro) preferido. Além disso, estou criando coragem (porque é muito longe mesmo!) para me inscrever na pós-graduação de Formação de Escritores do Vera Cruz. Ainda não sei se o meu texto é maduro o suficiente para uma pós como esta, mas também tenho consciência de que só saberei tentando.

Conversando com a minha sis(ter), Carol Vayda, ouvi um "o não você já tem". Ela tem razão. Às vezes o medo do desconhecido, da reação do outro, nos paralisa... Acredito que não pelas consequências em si - e foi o que argumentei a ela - mas pelo medo da resposta, pelo medo de chegar ao próprio não. E ela tem razão no que diz, porque normalmente - pelo menos comigo - é o sim que vai mudar a minha vida, o não mantém tudo como está. Eu sei, a gente sempre quer que a nossa vida dê aquele salto para melhor e ser rejeitado, negado, anulado, não é a melhor forma de isso acontecer... ou é?

Retomando aquilo que disse sobre a minha convivência com os meus alunos, é engraçado como, em tempos modernos, há uma imposição de ter que ser forte o tempo todo, inteligente o tempo todo, bonito o tempo todo, perfeito o tempo todo. Honestamente, ando cansada disso. Ando cansada de ter que viver em um mundo em que tudo tem que ser prático e rápido (e descartável, muitas vezes). As relações humanas não são assim. Não há como colocar cada um numa caixa e dizer que o outro tem que responder em determinado tempo, com determinado padrão de comportamento. Acho que é justamente uma tentativa de lutar contra esta desentimentalização que me levou a ser professora e que me guia nos caminhos da escrita. Se ser vulnerável e ter a coragem - no sentido original da palavra, de falar sobre algo que venha do coração - for necessário para viver uma trajetória mais humana e em paz, pois bem, assim será.

Para terminar, deixo abaixo duas palestras do TED a que assisti ontem. As duas são da mesma pessoa, Brené Brown, e estão com legendas habilitadas para o português. Ela traz dados sobre a importância da vulnerabilidade para a felicidade. Achei interessante como este link apareceu no meu twitter bem no momento em que andava fazendo todas estas reflexões. Nada acontece por acaso, não é mesmo?





Beijos e queijos! :*
(E, se eu não voltar antes, Feliz Natal!)
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2 comentários

  1. Ja to ansioso pra ler o seu livro ahahah

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    Respostas
    1. Eu fiquei tão feliz por saber que você acompanha o blog! :D
      Obrigada pelo incentivo! Sem dúvida, seu comentário pesou na decisão de ir para o wattpad :D
      Um beijo!

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