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quinta-feira, 23 de junho de 2022

Saiba como foi a mesa que eu participei na FLIG

quinta-feira, junho 23, 2022 10


Eu estava ansiosa. Muito ansiosa. Aquela foi a minha primeira mesa real oficial em um evento literário. Falar sobre literatura é algo que me move. Falar sobre como o meu olhar de pessoa negra atravessa o meu trabalho (seja como escritora, seja como educadora) é sempre algo que me deixa à flor da pele. Ao mesmo tempo que há dor, há emoção e há beleza também.

Abertura da mesa Negritude e Literatura Brasileira, na FLIG.


Como contei para vocês aqui, a mesa de que fui parte estava programada para o último dia da Festa Literária de Guaratinguetá e tinha como tema Negritude e Literatura Brasileira: novos horizontes no cenário literário. Além de mim, fizeram parte da conversa o poeta e romancista Gustavo da Cruz e a produtora de conteúdo digital Camilla Dias. A Camilla mediou a conversa.

Na abertura, a Camilla pontuou as diferenças entre as literaturas afro-brasileira e a negro-brasileira, dizendo que: "a literatura feita por pessoas negras não é uma literatura afro-brasileira. Há discordâncias, mas eu acredito e concordo com o filósofo e pensador Cuti, que diz que a literatura, ela é negro-brasileira." E acrescentou lendo um trecho das próprias palavras de Cuti:

"Denominar de afro a produção literária negro-brasileira, dos que se assumem como negros em seus textos é projetá-la a origem continental dos seus autores, deixando à margem da literatura brasileira, atribuindo principalmente uma desqualificação com base no viés da hierarquização das culturas. Afro-brasileira ou afro-descendente são expressões que induzem discreto retorno à África, afastamento silencioso do âmbito da literatura brasileira, para se fazer de sua vertente negra um mero apêndice da literatura africana. Atrelar a literatura negro-brasileira à literatura africana teria um efeito de referendar o não questionamento da realidade brasileira por esta última. E por último, quanto aos autores, o afro-brasileiro afro-descendente não é necessariamente um negro brasileiro".

Partindo dessa explicação, Camilla nos perguntou sobre a nossa produção, não apenas sobre as feridas que nós e nossos ancestrais carregam (ainda que elas existam e tenhamos tocado nesse assunto também). 

Foi uma honra poder conversar com todos!

Começamos falando um pouco sobre de onde vêm a nossa escrita. De onde vêm as ideias para as nossas escritas. Eu contei um pouco de como a escrita das cartas que minha mãe fazia para os meus avós durante a minha infância (num tempo sem internet, pois sou pré-histórica) me deixou com vontade de escrever e comunicar aquilo que sempre esteve na minha cabeça.

Falamos também sobre o quanto é importante ter referências, do quanto é difícil cavar o nosso espaço, porque muitas vezes as pessoas brancas esperam que escritores negros falem apenas sobre colonização e racismo. Foi ótimo reforçar que há muitas formas de ser uma escritora negra no Brasil e que não quero ter a responsabilidade de representar uma classe tão diversa (e que também acho muito opressor escolher um nome importante da literatura para representar toda a literatura negro-brasileira).

Juliana Maria, a poeta que me emocionou. 😭😍


Ao final, abrimos para perguntas. Uma moça (depois descobri que o nome dela é Juliana) pediu a palavra e disse que queria ler um texto que ela havia escrito enquanto ouvia a nossa fala. Esse foi um momento emocionante porque inspirar a escrita de um texto é sempre uma honra! O texto que ela escreveu diz o seguinte:

Eles esperam que eu fale de dor
E eu quero falar de passarinhos e café
Querem me impor uma identidade
Mais uma das tantas tentativas de desumanização
Porque eu não posso ter vontade, sensibilidade, emoção
É proibido a mulher negra falar de fé
É um absurdo uma mulher negra escrever sobre amor
Eles esperam que minhas palavras sejam navalhas e chibatadas
E eu quero falar do cheiro de mexerica no pé
Se minhas mãos não estivessem atadas
Pela militância que de mim esperam
Eu poderia voar, como passarinhos, mesmo com cor de café
Sem precisar gritar sobre lutas e lutos
Sem esquecer o que é, ser quem sou.

Para continuar lendo o que a Julina escreve, entre em contato com ela via Instagram: @julianissis.

Camilla, Aline, eu e Gustavo.


No fim da mesa aproveitamos para tirar uma foto com a secretária de cultura da cidade, Aline Damásio. Ficamos muito felizes por ver uma mulher negra ocupando um cargo de importância. Isso será sempre um motivo para celebrarmos! 🍻

Com os meus editores, Tonho França e Wilson Gorj.


Aproveito o post para agradecer os meus editores, Tonho França e Wilson Gorj, pelo convite. Ser escritora publicada pela Editora Penalux é sempre um deleite e uma honra. 💙

Esse dia foi lindo e vai ficar para sempre na minha memória. 💚 
Quem quiser ver alguns trechinhos da mesa, basta assistir à playlist abaixo: 



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domingo, 12 de junho de 2022

{Vou por aí} Um final de semana em Guaratinguetá

domingo, junho 12, 2022 12


Como contei para vocês neste poste aqui, fim de semana passado fui a Guaratinguetá participar da Flig, a festa literária da cidade. Hoje quero contar um pouco como foi a viagem e as minhas percepções. 

⚠ ATENÇÃO: Já aviso que vai ser um post bem diário bloguerístico raiz, porque assim me deu vontade. Pegue o seu café e fique comigo até o final!

Esta viagem foi duplamente especial. Primeiro porque foi o meu primeiro evento como uma escritora convidada. Segundo porque eu viajei com a minha amiga-irmã, Carol Vayda, pela primeira vez! YAY!

Carol e eu na FLIG :)


A gente se encontrou no Tietê bem cedo. A Carol é turismóloga e tem um projeto na internet chamado Dúvidas de Viagem (que vocês podem conferir aqui), então ela pôde gravar alguns takes para o conteúdo que ela está montando. A gente também tomou café juntas, o que foi bacana demais!

O trajeto durou mais ou menos 2 horas e meia. Nós fomos tagarelando daqui até lá! 😁

Tudo na cidade é muito perto. A rodoviária do centro. O centro do lugar do evento. Fizemos tudo caminhando, o que foi uma delícia. Ao contrário de São Paulo, que estava bem fria, Guaratinguetá estava com um solzão quente. 


Ficamos hospedadas no Hotel Kafé, que fica praticamente em frente à igreja matriz. Guaratinguetá é a cidade de Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro. Além disso, é coladinha com Aparecida. Então, o turismo religioso é bem forte. Depois de almoçarmos no Minuano (pense num bacalhau delicioso!) e de uma fatia de bolo na Sodiê, fomos até a casa que abriga um museu para o Frei Galvão.

O espaço é mantido pelos familiares do santo e conta a vida e as obras do Frei. É possível ver peças importantes — desde fotos aos pedaços do tronco da árvore onde ele dava aulas de catequese e dos ossos do santo — além de detalhes sobre os milagres que permitiram que ele fosse canonizado.

Igreja matriz.


A igreja matriz também é bem bonita. Grande e cheia de afrescos coloridos. Lá é possível falar com o padre e pegaras famosas pílulas milagrosas do Frei.

Por volta das três da tarde de sábado tudo fecha. São pouquíssimas as lojas que permanecem abertas. O comércio só reabre na segunda-feira de manhã. 

Pôsteres no restaurante Esperança.

Pessoa que não entende nada de cinema olha encantada para a parede do restaurante. 😂


Jantamos e almoçamos no dia seguinte num restaurante muito bonito chamado Esperança. Além de ter pizzas e buffet maravilhosos, o ambiente é todo decorado com pôsteres de filmes de diferentes épocas, o que confere um charme para o local. Assim como fizemos com o museu e com a igreja, também fomos ao restaurante caminhando.

Polaroid do jantar. :)


Por causa da minha participação no evento (assunto para o próximo post), acabei não conhecendo as trilhas ou indo ver a localização onde encontraram a estátua de Nossa Senhora Aparecida — que também fazem parte do turismo local.

Fica aí um motivo para voltar. E vocês, já foram até Guaratinguetá?
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