Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de abril de 2026

Trazendo 2016 de volta

domingo, abril 19, 2026 11


Se você está em alguma rede social, sabe que 2016 voltou a ser tendência. A nostalgia nos atingiu em cheio e isso é fruto desses tempos de incerteza tão bélico e politicamente dividido. Sempre que a sociedade entra em caos, há um desejo de olhar para trás e encontrar alguma forma de aconchego.

Eu respondi a essa trend no meu Instagram, mas ao visitar o blog da Valéria, o Hey, I'm with the band, vi que ela levou as respostas pro blog dela e me deu vontade de fazer a mesma coisa por aqui. 


De um modo geral, eu penso em 2016 com muito carinho. Foi um ano em que eu conheci gente nova, amigos que estão comigo até hoje. Além disso, ganhei balões de aniversário pela primeira vez (a Bia é uma amiga que sempre me emociona), visitei os meus lugares preferidos da vida, viajei com uma das minhas melhores amigas, fui a shows, abracei o Nick Carter, fotografei muito e encontrei poesia pelo caminho.














A vida me abraçou em 2016.
Eu abraço a vida em 2026.


_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

sexta-feira, 6 de março de 2026

6 on 6: trilha de cor: azul

sexta-feira, março 06, 2026 16


O tema do nosso segundo 6 on 6 é trilha de cor: azul, o que eu AMEI. Apesar de a minha cor preferida ser verde, eu também amo demais o azul e seus diferentes tons. Então eu fui atrás do que é azul na minha vida e o resultado foi este: 

Quais são os lugares em que resolvemos embarcar?
Pensar nos bilhetes que resolvemos comprar na vida — trabalho, família, amizades, relações amorosas — e os lugares em que embarcamos para bancar essas relações tem sido recorrente por aqui. Amizades que terminaram e que começaram. Reciprocidade. Como essas pessoas nos fazem se sentir? 

Em português, azul é uma cor tranquila, transcendente. Em espanhol, o azul é associado ao amor idealizado: el príncipe azul é o nosso príncipe encantado. Em inglês, to feel blue significa estar triste, para baixo. 

Tenho pensado nas relações, em como elas me fazem me sentir. Todas que acabaram tinham um padrão de me deixar não só pra baixo, mas também ansiosa e com um sentimento de inadequação (nada do que eu fizesse seria suficiente para sustentar tais trocas). Todas as que começaram me trouxeram o sentimento oposto.

É clichê, mas é verdade: a vida é como uma linha de metrô: tem final, tem começo, tem paradas. Podemos ir e voltar, mas não temos o poder de comprar o bilhete pelo outro de forçá-los a vir conosco. Não seria justo também. Às vezes nós precisamos mudar de rota. Às vezes o outro precisa seguir outro caminho.

Quais são os lugares em que podemos esperar?
Às vezes eu acho que a vida nos coloca num banco de espera até que estejamos prontos para o próximo passo. Este estar pronto pode ser em termos de energia física, emocional, mental; pode ser por falta de uma informação, de recursos, de dinheiro, de conexões. A gente espera até que estejamos recuperados para seguir em frente. 

Sigamos!

Com o que ou com quem nós nos combinamos?
Acho bonito quando algo feito pelo homem combina com a natureza. Poder enxergar isso no meu caminho é uma sincronicidade que me mostra o quanto podemos ter uma simbiose respeitosa. Ando com os pés no chão e com o olhar no alto. Os ladrilhos no mesmo tom do céu me fizeram sorrir. Sorrir de um jeito nunca pensado, porque o olhar viciado em olhar sempre pro chão encontrou beleza nas nuvens. É possível que elementos distintos caminhem juntos.

Por quais caminhos nos derramamos?
Quando eu vi que o tema deste 6 on 6 seria "trilha de cor: azul", eu prometi a mim mesma que fugiria do clichê de fotografar o céu. Não sei por quais motivos, mas temos a tendência de fazermos algumas promessas que são impossíveis. Voltava pra casa do meu encontro com o artista, quando ouvi uma mãe dizendo a um filho do outro lado da rua: "Olha, está chovendo só um pedaço. Você consegue ver?". Automaticamente, me virei para a direção que ela apontava e vi a enorme nuvem (provavelmente, uma Cumulonimbus), escolhendo se derramar apenas à direita do nosso caminho, afinal, para que a pressa? Para que se espraiar toda de uma vez? Fiz a foto e fiquei pensando nisso: em quais lugares eu me derramo? Quais promessas eu faço e ouço que são inevitáveis de serem quebradas? 

O que há no meio do caminho?
Caminho pelo meu bairro e reparo neste canteiro cheio de flores num limbo entre o azul e o lilás. Penso que elas dão aos montes e que justamente por isso há muita gente que não repara em suas delicadezas, em suas necessidades, em suas vidas. Sempre em pequenos ramalhetes, todas juntas — amigas que florescem no verão. Passo por elas na ida: o sol de rachar deixam suas pétalas e folhas caidinhas, implorando por refresco. Passo por elas na volta: a chuva veio e fez festa em seu corpo frágil. Elas não estão mais murchas e parecem, de algum modo, felizes. Olho para os lados, tiro o celular da bolsa, faço uma única foto e agradeço por serem tão fotogênicas. Só depois, sigo o meu caminho. As plantas me ensinam a paciência da espera por um refresco. Às vezes, parece que a vida não dá tréguas, mas a verdade é que ela sempre encontrar o seu caminho. Enquanto tudo não se faz claro, seguimos no limbo azul-lilás-calorento do verão.

Qual é a nossa saída?
Em um mundo tão caótico e violento, fico me perguntando qual é a nossa saída enquanto humanidade? Historiadores dizem que o mundo é caos e miséria desde seus princípios, mas tento manter dentro de mim um lado sonhador que busca por alternativas. Talvez a resposta que eu tenha para dar more nos roteiros mais complexos e mais humanos: Educação e Arte. Sempre acreditei nas escolas, nas universidades, nos museus, nas bibliotecas como espaços em que aprendemos e buscamos respostas para as nossas dores. Sempre vi na Arte a nossa tábua de salvação. Agora, em que o mundo parece que está diante de um clique, em que tudo virou um prompt em alguma inteligência artificial, serão a educação e a arte que nos salvarão. Elas farão isso não porque nos darão as respostas que tanto buscamos, mas porque o processo de aprender, de fazer arte e de entrar em contato com essas formas de conhecimento nos manterão humanos. O processo. Justamente a parte mais difícil, que mais leva tempo, que mais as máquinas querem nos roubar. Educação e Arte, as nossas saídas para fora de uma rota de autodestruição.

💙💙💙

Quando todos os outros participantes e eu estávamos discutindo qual seria o tema do 6 on 6 de fevereiro, eu não imaginei que pensar na cor azul fosse me trazer tantas reflexões existencialistas pelo caminho. Sempre achei curioso o fato de haver pessoas (sinestésicas) que veem e associam cores a exatamente tudo de um jeito que não é tido como o "comum". Logo, imaginei que encontraria cores pelo caminho e apenas soltaria fotos aqui. Ledo engando. A arte me levou por um caminho totalmente inesperado, se comparado ao primeiro mês fotografado. (Inclusive, devo dizer que eu tinha planejado duas fotos quando pensamos no tema e acabei não fazendo nenhuma das duas. Olha só que ironia!)

Quando vocês se dispõem a produzir alguma forma de arte baseada em um tema, como isso funciona pra vocês? É um processo planejado ou espontâneo? Me conta nos comentários?

📷📷📷

Equipamento usado no post:

As fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:


Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: ReticênciasSweet LulyInventando assuntoCamila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷


_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 13 de abril de 2025

Entre rachaduras e frestas

domingo, abril 13, 2025 7

Gosto de registrar trivialidades do meu dia – destas que ninguém se importa. Documentalizar uma vida simples, sem importância, lenta. Uma vida vagarosa em meio ao vazio e ao caso. Sou lenta. Sempre fui. Mas também sou um paradoxo. Sempre fui também. Uma mente ansiosa – e, por vezes, catastrófica – para domar. Cada um tem o seu próprio desafio interno – e se acha que não o tem, é porque ainda não o descobriu.

Ano passado, em setembro, minha tia me deu um cacto de presente de aniversário. Muda nascida do cacto que ela mesma cuida há anos. Ela me deu. Eu agradeci, feliz com a singeleza, e procurei um lugar de honra no meio das minhas suculentas. O cacto? Bem, ele detestou. Um mês depois, a mesma tia estava em casa vendo a minha cara de “eu não sei mais o que fazer”, ao mostrar para ela as pontas amareladas e molengas da planta.

– Ele é bruto. Põe no sol. Ele vai ficar bem.

Gosto de cactos porque eles – de algum modo – me lembram dos poetas: ambos estão num mundo hostil, com pouquíssimos recursos, contudo dão um jeito não só de sobreviver, mas também de fazer isso com leveza. Poetas e cactos mudam a paisagem árida e trazem a boniteza para ela.

Meu cacto foi parar do lado de fora da janela da cozinha. Está ali: sujeito a todo tipo de intempéries (sol, chuva, vento, garoa, neblina…) e num lugar nada glamuroso, sem destaque algum. Vulnerável, entregue. A parte mole e amarelada, entretanto, aos poucos foi recuperando o verde, ganhando a firmeza perdida. Novos caules foram nascendo, crescendo. Chegou ao ponto de eu pensar em comprar um vaso novo. Preciso perguntar à tia como replantá-lo.

Há três semanas tive uma surpresa. Fui conversar com ele – sou da espécie que conversa com fauna e flora – e me deparei com um tímido botão.

– Mãããããe, acho que o cacto vai dar flor, vem ver! – Meus olhos brilhavam, claro.

Foi aí, então, que a minha mente lenta que gosta de ser ansiosa resolveu sair da maratona e correr um sprint: “Será que o botão vai crescer?”, “Será que vai abrir outro botão?”, “Será que a flor demora para abrir?”, “Que cor será a flor?” – emoções todas de alguém cujos outros cactos e suculentas nunca floresceram, tal qual mãe de primeira viagem.

A onda de calor veio e, por incrível que pareça, meu cacto amou! Apesar de tomar todo o sol da tarde, o botão estava a cada dia maior e maior e maior. Maior a ponto de minha mãe vir me dizer um “manda foto para sua tia e pergunta se isso é normal”. Mandei a foto só pra dizer que vinha uma flor por aí. Ela, claro, ficou feliz também.

Ontem de manhã fui lavar a louça do café da manhã e espiei o outro lado da janela. Algo havia mudado. O botão estava abrindo. Corri para destrancar a porta e atravessar a parede. Precisava observar mais de perto. Era verdade!!! Estava abrindo uma flor peluda e rajadinha – quase como a descrição de um gato. Tirei foto orgulhosa – não sem antes dizer ao cacto que sua flor é linda! – e mandei a imagem para a minha tia, que está em viagem, e para as minhas melhores amigas – que acompanham de perto as minhas trivialidades. Na conversa com elas surgiu a dúvida: que cacto é esse, afinal?

Usei o Google Lens para a pesquisa. Coloquei a foto que havia tirado. O primeiro link, em inglês, dizia que a espécie é sul-africana, que há variações nas cores da flor (podem ser roxas, brancas, amarelas e rosa) e que – apesar de parecer carnívora – por causa dos pelinhos na flor –, a planta não é. Aliás, ela é adequada para quem tem pets. Vir de um lugar quente explica ela ser o único ser vivo nesta casa a amar a onda de calor.

Duas horas mais tarde, fui pegar um balde no quintal, e ela já tinha aberto de vez. Florida em sua potência. Fiquei emocionada. Tirei uma nova foto. Mandei para a tia, para as amigas e postei nos stories do Instagram.

Gosto de registrar trivialidades que ninguém se importa. Elas me comovem e me lembram que – apesar de estar num mundo tão bélico – a poesia nasce das rachaduras e de frestas.

(Ainda bem.)

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 30 de março de 2025

Registro

domingo, março 30, 2025 8


sentar e ouvir os próprios pensamentos:
tudo ecoando no papel,
materializando — em eterno gerúndio — as ideias.

pausar.

sentir.

inspirar e respirar:
contínua
mente.  

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

domingo, 4 de agosto de 2024

Reflexões sobre a simplicidade

domingo, agosto 04, 2024 6
Meu minibuquê de sempre-vivas. 


Às vezes, o que precisamos é de simplificar. Fazer o que tem que ser feito, não ficar pensando muito. Sabe aquela conversa difícil, aquela tarefa chata do trabalho, aquela pinha de roupa no canto do quarto? Não pensar muito. Ir lá e fazer. Falar. Entregar.

Quando o blog completou 18 anos, muitas pessoas me parabenizaram pela consistência. "Como manter um site por tanto tempo?" é a pergunta que ainda hoje mais ouço. Pois bem, a fórmula mágica é essa: aparecer. Vir aqui, clicar em "novo post", escrever e colocar os pensamentos no ar.

O problema, para mim ao menos, é que em alguns momentos eu me esqueço de levar esta máxima para a vida. As coisas mais óbvias, mais simples, são aquelas que precisam ser lembradas constantemente. Em uma época em que é fácil ser engolida por mil uma tarefas, mil e uma informações, mil e um medos, é fácil ser devorada por qualquer coisa que não seja realmente importante. 

Tenho pensado muito sobre isso. Sobre o que é simples e essencial. Sobre o que me traz pro eixo e me acalma. Sobre o que me tira dessa máquina de moer carne que é este tempo em que tudo tem que ser novo e pra ontem. O que traz calma e paz?

Não consigo encontrar uma resposta certa, mas tenho algumas pistas. Bloquinhos de coisas que posso montar e desmontar de modos diferentes, a depender das circunstâncias: conversar com quem amo, bolo, banho quente, chá, vídeos de stand up no YouTube, colocar no papel novos planos, um docinho depois do almoço, uma caminhadinha ao sol, visitar museus, escrever em cafeterias, gargalhar espontaneamente, ir a shows, limpar a casa, brincar com as gatas, postar no blog, estudar, visitar um parque, fotografar o que me chama a atenção, minha flor preferida, a ternura do amor...

Às vezes, o que precisamos é simplificar.

_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: 

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Vamos celebrar: 18 anos de Algumas Observações

segunda-feira, junho 24, 2024 6
Aquele em que o blog fez 18. 💖

24 de junho é uma data que entrou para a minha história. A Fernanda do passado, que despretenciosamente resolveu ter um blog, não imaginava que estaria aqui, 18 anos depois.

Fiquei pensando no que escrever aqui, um texto bonito, emocionante, daqueles que arrancam lágrimas de quem escreve e de quem lê, mas a verdade é que as coisas que vêm do coração, além de bregas, são simples. E por serem simples são efetivas. Sendo assim:

Eu quero agradecer a você que me lê, que acompanha o blog desde o início ou que chegou agora; você que começou a me ler e sempre comenta; você que lê e, por timidez, não deixa ccomentários; você, que não só me lê, mas entrou em contato por e-mail ou pelas redes sociais; você que se tornou amigo; você que sempre torceu para que eu publicasse os meus livros; você que viu que também sou professora e quis ser minha aluna; você que deseja ser aluno e tem isso como planos futuros. Você, que é tão especial na minha vida, mesmo sem saber. Muito, muito, MUITO obrigada! 😍

Eu não teria chegaado até aqui se não fosse o apoio de cada um de vocês. 💚



Os 18 anos mais lidos do Algumas Observações

Mais uma vez, muito obrigada 💚
_____________________________________________________________
Gostou deste post?
Então considere se inscrever na Newsletter para receber boletins mensais 
ou me acompanhar nas redes sociais: