domingo, 11 de janeiro de 2026

Que os nossos recomeços sempre surjam onde for preciso

Na foto, meus diários e dois dos meus livros publicados.

Quando eu tinha 19, 20 anos e abri o blog, me comprometi — mesmo que sem essa consciência toda — com o viver uma vida artística. Crônicas, poemas, fotografias, viagens, shows, museus, livros e o que mais cruzasse o meu caminho. Tudo por estar em contato com a arte, seja produzindo, seja analisando-a criticamente, seja apenas curtindo. Lidar com a arte, de um modo geral, é um recomeçar eterno. Morrer e renascer nas ideias, nos sentimentos. Ao mesmo tempo em que a maturidade vai “sujando” as lentes do olhar para a vida — com seus conhecimentos e vivência acumuladas —, a arte se encarrega de dar um novo olhar para as coisas. Quando a arte é boa, a gente se diverte ao revisitá-la.


Onde há vida, há desejo. Onde há desejo, há renascimento. Há essa esperança que faz com que sigamos na empreitada de empurrar a pedra mesmo sabendo que — em algum ponto do caminho — ela rolará ladeira abaixo de novo e de novo. Talvez o envelhecer traga esse toque de fatalismo à vida. Mas, tão certo quanto a morte é o fato de que, invariavelmente, recomeçamos e que a arte é um apoio nesse recomeço. Não há outra opção.


Justamente por não haver opção, erguemos a cabeça e saímos deixando tudo o que não dos serve mais: os familiares e amigos tóxicos, o amor que nunca foi recíproco, o emprego que sugava até o último resquício de alma, a moradia insalubre ou quaisquer outras coisas que emperram a engrenagem do destino. Recomeçar é o nosso livre-arbítrio posto em prática. A arte nos serve de espelho e nos inspira nisso.


Perdi as contas de quantas vezes tive que recalcular a rota e começar de novo. Ter um plano é ótimo, mas ter autoconhecimento suficiente para replanejar o que for preciso é melhor ainda. E se tiver arte envolvida nesse plano, temos o que é o mais próximo daquilo que considero perfeição.


Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita, cujo tema de janeiro de 2026 é recomeço.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

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12 comentários:

  1. Oi, Fe!
    Sabe, seu post me fez pensar muitos pensamentos... hahahaha
    Porque, cara, eu amo pessoas, e acima de tudo amo as pessoas que amo. E amo os bichos que amo, também. Mas, no fim, todos esses seres podem (e vão) nos deixar um dia, pelo bem ou pelo mal.
    A arte não. Ela não só não basta: também não tem fim!

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    1. Oi, Luly!
      Amo que você pensou muitos pensamentos hahaha
      A arte é registro e permanência, não é mesmo?
      Um beijo

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  2. Que levemos a vida com leveza, pois é isso que ela requer de nós.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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  3. Que texto bonito Fê! Dá pra sentir o quanto a arte te atravessa e te sustenta — como abrigo, espelho e impulso para seguir. Ler isso é inspirador. Os trechos “Recomeçar é o nosso livre-arbítrio posto em prática” e “Ter um plano é ótimo, mas ter autoconhecimento suficiente para replanejar o que for preciso é melhor ainda” são perfeitos para quando as coisas parecem sem saída: eles nos fazem revisitar e lembrar que poder recomeçar é um privilégio dos corajosos, daqueles que se permitem se aventurar no novo, mesmo tendo medo da incerteza.

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    1. Oi, Ane!
      Eu fico feliz porque o meu texto transpareceu o que eu sinto! :)
      Que sejamos todos artisticamente corajosos.
      Um beijo

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  4. Oi, Fernanda! Como vai? Atualmente, muitas pessoas vivem no piloto automático. Quando algo foge do planejado, elas se perdem e é complicado voltar ao que estavam fazendo antes. Às vezes, nem conseguem retomar o que era. Que a arte sempre te acompanhe e traga leveza nessa caminhada constante. Abraço!

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    1. Oi, Lu!
      É uma pena que as pessoas vivam tão desconectadas à arte. Que você também viva uma vida artística.
      Um beijo

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  5. Saí daqui pensando em quantas vezes também precisei mudar a rota, largar o que já não servia e seguir com menos certezas, mas com mais verdade. Obrigada por esse texto tão generoso e acolhedor

    www.saidaminhalente.com

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    1. Oi, Clayci!
      Eu que agradeço a leitura. Fico feliz que meu texto tenha gerado essas reflexões todas. :)
      Um beijo :*

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  6. Obrigada por esta reflexão! Estava mesmo a precisar de ler algo tão inspirador!

    Bjxxx,
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