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| Na foto, meus diários e dois dos meus livros publicados. |
Quando eu tinha 19, 20 anos e abri o blog, me comprometi — mesmo que sem essa consciência toda — com o viver uma vida artística. Crônicas, poemas, fotografias, viagens, shows, museus, livros e o que mais cruzasse o meu caminho. Tudo por estar em contato com a arte, seja produzindo, seja analisando-a criticamente, seja apenas curtindo. Lidar com a arte, de um modo geral, é um recomeçar eterno. Morrer e renascer nas ideias, nos sentimentos. Ao mesmo tempo em que a maturidade vai “sujando” as lentes do olhar para a vida — com seus conhecimentos e vivência acumuladas —, a arte se encarrega de dar um novo olhar para as coisas. Quando a arte é boa, a gente se diverte ao revisitá-la.
Onde há vida, há desejo. Onde há
desejo, há renascimento. Há essa esperança que faz com que sigamos na empreitada
de empurrar a pedra mesmo sabendo que — em algum ponto do caminho — ela rolará
ladeira abaixo de novo e de novo. Talvez o envelhecer traga esse toque de
fatalismo à vida. Mas, tão certo quanto a morte é o fato de que,
invariavelmente, recomeçamos e que a arte é um apoio nesse recomeço. Não há
outra opção.
Justamente por não haver opção,
erguemos a cabeça e saímos deixando tudo o que não dos serve mais: os
familiares e amigos tóxicos, o amor que nunca foi recíproco, o emprego que
sugava até o último resquício de alma, a moradia insalubre ou quaisquer outras
coisas que emperram a engrenagem do destino. Recomeçar é o nosso livre-arbítrio
posto em prática. A arte nos serve de espelho e nos inspira nisso.
Perdi as contas de quantas vezes tive que recalcular a rota e começar de novo. Ter um plano é ótimo, mas ter autoconhecimento suficiente para replanejar o que for preciso é melhor ainda. E se tiver arte envolvida nesse plano, temos o que é o mais próximo daquilo que considero perfeição.
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| Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita, cujo tema de janeiro de 2026 é recomeço. Para saber os outros temas e como participar, clique aqui. |
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