domingo, 30 de outubro de 2022

Domingo qualquer

domingo, outubro 30, 2022 6
Domingo de escrita.


Refaço os planos como quem sai sem destino: evito filas, subo escadas, tomo chuva, vejo fotografias de um passado que revelam o futuro. Desejo com força e vontade. Tenho medo. Me escondo. Me abro ao vazio.

Recebo um elogio inesperado de uma desconhecida. Ofereço lugar a uma pessoa que nunca vira antes. Dialogo com Ana Cristina, enquanto bebo o meu café — dei folga à Clarice, provavelmente ela não gostaria dia de prosa em chuva e de céu cinzento. 

Meu volume de Ulisses está guardado há mais de 10 anos a minha espera. Escrevo textos enquanto espero. Espero o quê? Algo que nem eu mesma sei. 

A tarde se arrasta devagar. A noite chega devagar. A chuva segue impiedosa. E ainda que não beba conhaque, ainda que a tempestade me impeça de ver a Lua, a vida besta que levo me comove. 

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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

{Vamos falar sobre escrita?} Preptober e a maratona do NaNoWriMo

quinta-feira, outubro 27, 2022 5


Novembro é mês de NaNoWriMo!!! YAY! Por isso, vou compartilhar os meus processos de escrita em lives no meu canal, no canal do Projeto Escrita Criativa e no Pandinando. Esses eventos serão em parceria com as escritoras Ane Venâncio e com a Ayumi Teruya.

O que é o NaNoWriMo?

O NaNoWriMo é uma iniciativa coletiva, um desafio para todos que um dia sonharam em escrever literariamente. Tudo começou em 1999, com um grupo formado por 21 americanos de São Francisco. De lá para cá, o desafio cresceu e, atualmente, estimula seus escritores de redigir um romance de 50.000 palavras durante o mês de novembro. A proposta é valorizar o entusiasmo, a determinação e prazo para que qualquer pessoa escreva o seu próprio livro.

Saiba mais: clique aqui para ver o passo a passo de como se inscrever no NaNoWriMo.


Qual é a minha experiência no NaNoWriMo?


Participei do NaNoWriMo nas edições de 2013, 2014, 2015, 2017 e 2018, mas nunca entrei nesse processo preparada. Primeiro porque eu não sou uma escritora que gosta de planejar textos, segundo porque eu descobri o conceito de Preptober (o uso do mês de outubro para se preparar e planejar os dias de NaNo) há uns dois anos. 

Apesar de eu nunca ter escrito 50 mil palavras, participar do NaNo foi algo que me fortaleceu como escritora. Um dos textos que está no meu Wattpad, o Pequenas Obsessões de um Amor Inacabado, foi escrito durante um NaNoWriMo. 

Agora, entro um pouco mais planejada, mas sem pressão, porque entendo que o fato de participar já é válido.

Aquele Planner de Escrita



Para facilitar o processo de planejamento (meu e de todo mundo), a equipe do Projeto Escrita Criativa elaborou o Aquele Planner de Escrita, que está disponível na loja do meu blog. Você pode ver mais sobre ele aqui.

Vamos ser amigos por lá?

É possível adicionar os amigos escritores no site do NaNoWriMo. Vou deixar abaixo 3 links: o do meu perfil, o da Ane Venâncio e o da Ayumi Teruya. Adicione a gente por lá. 

Vem escrever com a gente!

Abaixo estão as lives já agendadas. Ative o sininho:


27 de outubro, às 19h30, no meu canal:



01 de novembro, às 19h30, no Projeto Escrita Criativa: 



03 de novembro, 19h30, no Pandinando:


Pegue o seu material de escrita e vem! 

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sábado, 22 de outubro de 2022

{Resenha} Mandalas: 32 Caminhos de Sabedoria, de Celina Fioravanti

sábado, outubro 22, 2022 2


Escrito pela brasileira Celina Fioravanti, a obra Mandalas: 32 Caminhos de Sabedoria vai direto ao ponto. A obra reúne, como o próprio nome diz, 32 mandalas ilustradas pelo artista plástico Vagner Vargas. As ilustrações coloridas estão disponíveis em formato de cartas que podem ser usadas individualmente e são acompanhadas por um livro explicativo.

Caixa rígida, livro e as 32 cartas que o acompanham.


Antes da explicação de cada carta, o livro conta com 3 breves partes: uma introdução, um texto sobre os 32 caminhos da Sabedoria, e um terceiro com instruções de como utilizar as cartas. A explanação sobre cada mandala traz um texto descritivo do caminho que aquela ilustração representa, as orientações oraculares e uma pequena meditação. 

Caixa rígida, livreto e as cartas agrupadas em pequenos montes.
Suas cores me fizeram pensar nos 7 chakras.


Segundo a autora o trabalho com mandalas possibilita que as pessoas descubram seu potencial energético e representa uma forma de descoberta dos mundos exterior e interior. Elas podem ser usadas para melhorar a energia do ambiente, como recurso de autorreflexão e como oráculo. 

Livro aberto. Páginas 40 e 41, sobre a mandala 14.


No caso das mandalas pensadas para este livro, elas representam os 32 estados de consciência que contribuem para cumprir uma etapa evolutiva. Sendo assim, a Fioravantti sugere deixar a mandala no campo de visão para acessar o campo de vibração que ela produz. Conforme ela orienta:

"Há duas maneiras de selecionar uma carta de Mandala: deixar ao acaso ou seguir uma ordem seletiva." (página 9)

A autora ainda completa dizendo que, além de se conectar com a força da mandala, o leitor pode selecioná-la à revelia e tê-la como um oráculo, ou seja, como um potencial informativo.

Capa.


Livro: Mandalas: 32 Caminhos de Sabedoria
Autor: Celina Fioravanti
Ilustração: Vagner Vargas
Páginas: 80
Editora: Pensamento
Encadernação: caixa rígida
Sinopse: Com as belas e significativas mandalas criadas pelo artista plástico Vagner Vargas, Celina Fioravanti apresenta uma obra inovadora sobre o tema, que une a energia dos desenhos sagrados a um texto simples à primeira abordagem, mas com um profundo conteúdo místico.

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domingo, 16 de outubro de 2022

Sobre cactos, vampiros e unicórnios

domingo, outubro 16, 2022 10
Foto por Roberto Carlos Román Don, via Unsplash.

Quando comecei a dar aulas para crianças, minhas amigas professoras me precaveram: “dá trabalho, mas você irá se divertir, porque elas são cheias das pérolas”. Mal sabia eu o que viria pela frente...

Primeiro, surgem as curiosidades de praxe. Estes pequenos desbravadores do mundo começam pegando leve, numa tentativa de sondar o terreno e saber com quem estão lidando, depois fazem o teste de até onde podem ir. Como já aconteceu anteriormente com outros alunos, uma menina me perguntou se tenho filhos e, ao ouvir um “não” como resposta, disse com um ar de perita no assunto: “ah! Mas é fácil! É só engravidar ou adotar!”.

Conforme o tempo vai passando, a gente percebe que as crianças têm o seu próprio modo de demonstrar que se importam. E é isso que faz do convívio com elas uma relação sincera. Ano passado, no dia dos professores, ao entrar na sala do primeiro ano, um menino pegou um pequeno cacto em uma caixa cheia de suculentas e me deu de presente. Agradeci feliz, comecei a nossa rotina, até que percebi que um amigo discutia seriamente com ele:

— Vai lá e troca! A teacher não merece um cacto, a teacher merece uma planta!

Meu riso encheu a sala até que percebi que conversa entre o decidido e o inconformado estava indo longe. Então, interrompi para explicar que cactos são bem-vindos e que sim, gosto deles. Aproveitei para perguntar:

— Leo, você não quer dar um nome a ele?

— Ué, teacher, cactos são cactos, então o nome dele é Cacto, oras!

Foto por Nathalia Segato, via Unsplash.


Como iria discutir depois de uma dessa? Apenas aceitei a sabedoria infantil. Aliás, ser teacher não é só aceitar a sabedoria sobre como ter filhos ou nomear plantas, mas também a imaginação — que costuma ser fértil, muito, muito fértil. Esta semana, entre o “good afternoon” e correção da última lição de casa, ouvi um “teacher!”, exclamativo e urgente, de quem tinha algo importante para contar. Me aproximei atenta:

— Sou um vampiro! — Pedro sussurrou o seu segredo, com os olhos brilhando.

A vampire? Why? — perguntei tentando incentivá-lo a falar o tal do inglês.

Yes, teacher — ele respondeu solene — a vampire!

Minha expressão continuou na expectativa de compreender o que se passava. De súbito, Pedro ergueu o dedo indicador e, perito no assunto, abriu um sorriso que, por sua vez, me faz gargalhar. Ali estava ele, em sua troca de dentes de leite, com um espaço vazio de canino a canino. Ao me ver rindo, ainda disparou, tentando parecer malvado:

— Look! Eu bebo saaaaaangue!

Oh my God, Pedro! — Foi a única coisa que consegui dizer entre um ruidoso riso e outro... — Oh my God!

Brincadeiras à parte, voltamos para a tarefa da aula: desenhar os animais e escrever sobre suas características. Para ficar mais fácil (e eu não ter que lidar com a possibilidade de ter dinossauros, Pokemóns, X-Man e outros seres mágicos na lição), delimitamos como possibilidades os bichos de estimação, do zoológico e da fazenda, até que...

— Teacher, o Luciano está desenhando um unicórnio — denunciou o João.

— Unicórnios não existem! — Rebateu o Pedro, antes que eu dissesse algo.

Teacher, unicórnios existem, não existem? Diz que existem!

— Não existem, não! — João insistiu, querendo ver o circo pegar fogo.

Respirei fundo, enquanto pensava no que fazer, afinal, desiludir crianças nunca foi o meu forte. Tentei retomar o foco da atividade e o nosso combinado que me salvaria de ter unicórnios na tarefa.

— Lu, they are not pets, farm animals or from the zoo.

— Mas eles existem? — a esta altura, a insistência vinha acompanhada de lágrimas nos olhos. Acabei improvisando e dizendo que tudo o que a gente acredita existe. Unicórnios existiriam se ele acreditasse. Só assim, ele abaixou a cabeça e voltou à lição. Já eu, bem, eu respirei aliviada. Que poder eu tenho para acabar com esses seres fofos que espalham a pureza? A última coisa que quero é ter uma vida amaldiçoada. 

Trabalhei por dez anos como professora de crianças. Entre cactos, vampiros e unicórnios, fui feliz.

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