Domingo qualquer
Fernanda Rodrigues
domingo, outubro 30, 2022
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| Domingo de escrita. |
Refaço os planos como quem sai sem destino: evito filas, subo escadas, tomo chuva, vejo fotografias de um passado que revelam o futuro. Desejo com força e vontade. Tenho medo. Me escondo. Me abro ao vazio.
Recebo um elogio inesperado de uma desconhecida. Ofereço lugar a uma pessoa que nunca vira antes. Dialogo com Ana Cristina, enquanto bebo o meu café — dei folga à Clarice, provavelmente ela não gostaria dia de prosa em chuva e de céu cinzento.
Meu volume de Ulisses está guardado há mais de 10 anos a minha espera. Escrevo textos enquanto espero. Espero o quê? Algo que nem eu mesma sei.
A tarde se arrasta devagar. A noite chega devagar. A chuva segue impiedosa. E ainda que não beba conhaque, ainda que a tempestade me impeça de ver a Lua, a vida besta que levo me comove.
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