segunda-feira, 20 de setembro de 2021

{Resenha} Memórias difusas, de Ivete Nenflidio




Memórias difusas é o primeiro livro de poesia da escritora, pesquisadora das manifestações tradicionais e folclóricas, curadora de festivais e gestora cultural, Ivete Nenflidio. A obra apresenta aos leitores sentimentos traduzidos na metalinguagem intrínseca da vivência do eu lírico da autora.

A partir do mergulho profundo na busca do eu, a poeta faz da lírica um diário artístico, quase em tom de crônica, que dá zoom às pequenas coisas, a exemplo da aranha avistada que é premissa do poema "Entressonho e ficção", e que se amplia no intertexto com outras áreas das humanidades, conforme acontece em “A pintura”.

A dualidade entre o amor e o desamor também é presente na poética de Nenflidio. Para isso, o eu lírico da autora caminha em direção à uma sensualidade convertida em obra de arte e na conexão com a natureza. Assim, é possível conhecer o mapeamento não só do próprio corpo desse eu poético, mas também da pessoa amada por esse eu lírico.

Há, no resgate dessas Memórias Difusas, uma singular singeleza na riqueza dos encontros e desencontros — artísticos, de pele, de natureza entranhada — nos versos Nenflidio. Alternando entre poemas longos e curtos, a poeta elabora versos soltos e livres de modo a se aproximar dos leitores, como se estivesse fazendo uma série confissões ao pé do ouvido: a falta, os desejos, os clamores de um “Corpo sedento”, o sono velado, o discurso repetido do “Enredo envelhecido” tudo é revisitado e (re)escrito com a força do “Vento Norte” de um tempo antigo. É assim que, pouco a pouco, os leitores são convidados não só a sentirem a poesia de Ivete Nenflidio, mas também a refletirem quais seriam as suas próprias memórias que lhes povoam de modo difuso.

De Arizona, à Amazônia, passando pela costa de La Perla, por toda profundidade do oceano de Netuno e do universo que sustenta o Sol e a Lua, Ivete Nenflidio consegue apontar com sua poesia o universal que há em sua particular experiência. Isso faz de Memórias Difusas um deleite da poesia brasileira contemporânea.

Capa



Livro: Memórias Difusas
Autora: Ivete Nenflidio
Editora: Beira Editorial
Gênero: poesia
Apresentação: Embora a autora julgue sua obra simples e acessível, a sua escrita poética é permeada por uma criatividade fantástica e original. Seus textos são como mergulho em águas profundas, revelando as impressões ligadas ao mais íntimo “eu”, transbordando emoções e sentimentos, apresentando uma narrativa rítmica e melodiosa. Sua poética é baseada no cotidiano e caracterizada por uma delicadeza surpreendente e por uma sabedoria de quem observou cada detalhe do caminho percorrido. A lírica de Ivete Nenflidio é impregnada de história, memória e ancestralidade. Manuel Luiz Freitas (Ed. Beira)

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4 comentários:

  1. oi, oi.

    fiquei encantado pra ler essa obra, Fê. eu adoro ler poemas pq após finalizá-lo, eu começo a fazer mil associações com a minha vida e vou parar bem longe da realidade. parece magia, sabe?!

    uma coisa q achei interessante nessa obra foi a apresentação, onde fala que a autora julga a obra simples e acessível. ela deve ser tão modesta e incrível!!! <3

    bj!

    Não me venha com desculpa - Adriel Christian

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  2. Oi, Fernanda. Como vai? Fiquei encantado com este livro e com sua redenha. Adorei. Abraço!



    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Olá,
    Eu confesso que raramente busco por poesias, mas é sempre bacana conhecer novas mentes que saibam brincar com sua criatividade e palavras.
    Quem sabe futuramente eu leia e conheça o trabalho da autora.
    Amei a capa.

    até mais,
    Canto Cultzíneo

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  4. Olá!
    Gostei muito de conhecer um pouco da escrita da autora, achei muito bacana ela mergulhar em si e usar isso na escrita, fica tudo mais profundo.
    Amei.
    beijos.


    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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