quinta-feira, 26 de março de 2020

Eu era silenciosa

Una charla con Mafalda en Buenos Aires.
"Eu era silenciosa". A frase de Clarice solta, assim como quem não quer nada em seu volume de crônicas, me pegou de jeito. Logo eu, a nerd faladeira, cuja reclamação era certa nas reuniões de pais e mestres: "A Fernanda, a Fernanda é maravilhosa, mas fala pelos cotovelos...".

Eu era silenciosa. De um silêncio que assustou meus pais. Lá pelas tantas, cresci e não falava. Minha mãe, preocupada, aproveitou a visita à casa de minha avó e colocou o pobre do filhotinho da galinha para piar na minha boca. O pintinho fez "piu" e, com ele, as compotas foram abertas. Magia, superstição ou fé? Não sei. O que posso dizer é que foi assim que a minha vida de tagarela começou.

Eu era silenciosa. Mas depois que abracei quem eu sou, passei a lutar pelas minhas próprias ideias. Dizem por aí que falo alto demais. Talvez fale mesmo. Em um mundo racista e patriarcal, é preciso elevar a voz. Às vezes, ir além: faz-se necessário rugir. 

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2 comentários:

  1. Oi, Fernanda! Excelente o escrito. Crônica perfeita para os tempos modernos. Eu adorei, parabéns. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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Algumas Observações | Ano 13 | Textos por Fernanda Rodrigues. Tecnologia do Blogger.