Precisamos falar sobre a violência contra a mulher

Imagem por skitterphoto, sob licença creative commons.

2016. Enquanto balas cortam o céu e o Ministro da Educação se reúne com um machista declarado, homens se juntam para violar o corpo de uma adolescente, no Rio de Janeiro. Como não ficar com esta dor na cabeça? O corpo não foi meu. Mas precisaria ser? Óbvio que não. As mulheres, todas as que conheço, estão na luta se manifestando contra esta barbaridade. E por que s sociedade demora tanto para falar sobre a violência contra a mulher? Por que faz isso de forma tão tímida? Por que a mídia não fala e quando o faz, joga a culpa na vítima - que sempre "supostamente foi estuprada", que "estava drogada", que "vestia roupas curtas, provocantes", que "estava andando sozinha à noite ou em um lugar deserto"?

Imagem da página Dilemas de Ivana.

Ninguém, repito NINGUÉM, tem o direito de forçar o outro a nada. Ninguém tem o direito sobre o corpo do outro. Não precisa ser muito gênio para entender que respeito é fundamental e primordial. O tal do direito de ir e vir não deveria ser um elefante branco. Eu, como ser humano do sexo feminino, tenho o direito de ir a onde quiser, vestindo o que quiser, a hora que quiser, acompanhada ou não. E, sim, mulheres, ao contrário do que a nossa cultura faz muita gente pensar, são humanas. E sim, você, caro colega, tem que entender isso de uma vez por todas. Eu, como mulher, escolho com quem quero me relacionar, se quero me relacionar. Não é um homem que vai determinar isso por mim.

Imagem da página Moça, você é mais poesia que mulher.

Eu fico pensando em todas as mulheres que eu conheço que já sofreram algum tipo de agressão (seja ela física ou psicológica) por causa da cultura do estupro que faz de nós objetos e inimigas umas das outras. O número, infelizmente, é alto e me inclui. Fico pensando nesta menina, que além de ter sido violentada, foi exposta na internet e teve sua vida mudada negativamente para sempre. Hoje, reflito sobre a postura de todos os homens que conheço, do silêncio deles em relação a toda luta que nós, mulheres, temos todos os dias. E penso - mais uma vez - no meu papel como professora e na importância que o meu trabalho (de formiguinha) tem na mudança deste quadro.

Nunca exponham uma vítima de violência.
(Imagem da página Empodere Duas Mulheres.)

A luta é grande. A luta é imensa. A luta é épica. Ver tudo isso acontecendo nos faz (querer) perder a fé na humanidade, mas não podemos desistir. Por mais que seja doloroso, temos que trazer cada vez mais este assunto para a roda de discussão. Não dá para ignorar. Não dá para simplesmente esquecer. Não dá, não queremos, não podemos. Por nós, pelas mulheres que conhecemos e pelas gerações futuras. 

Imagem da página Barbie sem Ken.

Para terminar, gostaria que vocês lessem os dois links abaixo:

Sigamos na luta! ♥

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17 comentários

  1. O que mais me dói é ver líderes religiosos mais preocupados com roupas unissex (por causa da propaganda da CEA) do que com a violência sofrida pelas mulheres TODOS OS DIAS. Particularmente, adotei a estratégia de expôr na hora o acontecido. Dia desses estava indo para casa com um vestido na altura do joelho, e comecei a ouvir coisas de "gostosa" para baixo de dois caras que vinham atrás de mim. Foi horrível ouvir tudo aquilo mas não me estatifiquei: aproveitei que tinha uma galera considerável na rua e comecei a gritar "socorro, tarado, socorro!" com toda a minha força. Os caras saíram correndo e nunca mais vi os pilantas!
    Infelizmente temos que nos fazer de louca para manter nossa saúde física em dia (e nem sempre conseguimos)

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    1. Eu fico me perguntando até quando a gente vai ter que se fazer de louca. :(
      É isso que me entristece e que me faz lutar.

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  2. Excelente texto, Fê. As pessoas precisam enxergar o que está acontecendo!!! A impunidade anda de mãos dadas com a violência. Precisa haver uma punição exemplar e essa punição tem que ser divulgada para que a sociedade saiba. Temos que conscientizar essa sociedade de que quem compartilha, quem faz piada, (está agindo de modo) tão grave quanto ao do estuprador.
    Beijos
    Lilica
    Www.liulustosa.blogspot.com.br

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    1. O caminho é a educação, que anda tão massacrada quanto o movimento feminista. De qualquer forma, como professora e mulher, não vou desistir. A gente não pode, não é?
      Continuemos na luta!

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  3. O mais triste é que isso acontece todos os dias, todas as horas do dia. E como mudar essa situação, que nos coloca em perigo só por já nascermos mulheres. Enquanto política pública, temos uma lei que nos protege, mas e aí, para que serve? Vamos nos vestir de preto, vamos impor respeito, seja de mini saia ou calça jeans! O corpo é nosso e ninguém tem o direito de violar, a menos que seja consensual. Lutemos para que a lei q nos auxilie, nos ajude a curar as feridas que essas situações acabam causando em nossa alma e que esses covardes, que se dizem homens, sejam realmente punidos!

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    1. É justamente isso que eu penso, Dê! A gente tem que ser respeitada não importa o que veste, o tipo de vida sexual que leva, o que papel que tenha na sociedade. Temos que ter de fato o direito de ir e vir sem nenhum homem tentar se aproveitar do fato de sermos mulheres.
      Que um dia a gente alcance o nosso ideal. Enquanto isso, continuaremos na luta.

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  4. Hey,gostei do seu desabafo.No entanto, temos que analisar os dois lados da moeda né?A menina teve um filho com 13 anos da idade.Um dos caras era seu "namorado".Ela, provavelmente, estava envolvida com algo pesado.33 caras não iriam vir do nada,certo?Agora..isso( DE JEITO NENHUM|) justifica o que eles fizeram, porque ela pode morr numa casa os pais tem problemas na relação e isso acabar afetando diretamente esse relacionamento.Entende?
    Não podemos culpar ou defender ninguém.Temos que analisar cada centímetro dessa história.

    ;;
    beeijão :)
    http://carolhermanas.blogspot.com.br/

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    1. Carol, discordo do seu ponto de vista, porque apesar de toda a história ter os dois lados, independente do que a adolescente fez ou não, se ela foi mãe ou não, se a namorado dela era de uma facção criminosa ou não, ela teve seu CORPO VIOLADO, VULNERÁVEL e não bastando isso, teve suas imagens EXPOSTAS EM REDES SOCIAIS! Independente do seu passado, o q aconteceu com ela foi GRAVÍSSIMO E não podemos deixar impunes esses 33 caras q a violaram! Poderia ter sido com qualquer uma de nós, somente pelo simples fato de termos nascido com uma vagina!

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    2. Oi, Carol!
      Acho que a Dê (do Embarcando na Leitura), já falou por mim, mas reitero o que ela disse: nada justifica. Ela poderia ter dez filhos e uma vida sexualmente ativa aos 13 anos, se ela disse "não", este não deve ser respeitado e ponto final.
      Uma sociedade que aceita um estupro como algo natural é doente. E por isso que sou professora, para lutar contra essas coisas.
      Beijos

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  5. Isso é tão triste, né Fer??
    É horrivel que ainda façam isso, é horrivel que sejam criados motivos para alguém ser estuprado - existe isso? Isso é violência! Nada justifica a mancha no coraçao e na alma que voce deixa em alguem ao cometer este ato
    imagine 33
    meu Deus
    não consigo nem imaginar a cabeça dessa menina e o que essa familia deve estar passando
    meu Deus! E acontece tanto, e a midia demorou tanto pra passar isso na tv...
    Adorei essa falando da pá e da jardinagem, e é verdade! É tudo verddade, e só Deus sabe como queríamos que não fosse, né?
    Um beijo!
    Pâm - www.interruptedreamer.com

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    1. Exatamente isso: tudo tão cru, tão verdadeiro, e a gente só queria que fosse um sonho ruim. Temos que lutar para diminuir esta violência, para que as mulheres se sintam unidas e fortes, para que os homens entendam que não é não.
      Continuemos na luta.
      :*

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  6. Fê, pensei tanto nisso esse ano inteiro, porque muitas vezes passamos por uma situação abusiva e não conseguimos contar para ninguém por medo de sermos transformadas em culpadas. O Não tem que ser suficiente. Não precisamos justificar por que não queremos. O não deve bastar.
    Infelizmente a sociedade têm a crença de que estupro é só o desconhecido que te arrasta para o terreno baldio quando você está voltando para casa a noite, mas quando seu amigo te oferece uma carona e se aproveita que você bebeu um pouco (ou muito) na festa para te beijar ou transar com você também é estupro. Se seu namorado força a bata com você naquele dia que você não quer transar, é abuso sim!
    Precisamos nos apoiar e não julgarmos umas as outras.

    Parabéns e obrigada por esse texto!
    Um beijo!
    Inventando Assunto

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    1. Essa cultura do só é violência quando há penetração me irrita profundamente. Mão boba, xingamento, pegada no braço. Tudo o que a gente não consente é assédio, é violência. E quanto mais a gente trouxer isso pra discussão, mais as pessoas irão entender isso (ao menos, é isso que espero).
      Que o mundo se torne um lugar mais habitável para nós!
      Beijos

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  7. Precisamos falar sobre violência contra mulher, agora mais do que nunca, já que esse caso chocou toda uma nação, mas sempre precisamos falar sobre isto porque é nossa realidade desde que fomos colonizados. A mulher sempre foi vista como objeto e essa cultura do estupro está enraizada na sociedade como se fosse algo natural. Mas NÃO é. Mulher não é um ser inferior, não é destinada à ficar nas mãos de ninguém e merece todo o respeito do mundo. Para mim, os responsáveis por essa barbaridade sem tamanho não podem ser considerados homens. Homem é meu pai, que criou cinco filhos (quatro meninas!!!) e nunca deixou faltar amor ou qualquer outra provisão. Esses crápulas são monstros, monstros que não respeitaram sequer as próprias mães, porque ninguém é filho de chocadeira, eles foram colocados no mundo por mulheres. Isso só torna o estupro pior.
    Bom, espero que realmente algo mude nessa nossa realidade tão triste e imunda.

    Carinhosamente, Jheni. Quinze Outonos

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    1. Oi, Jheni!
      É bem isso que vc disse: isso não é normal. A partir do momento em que todo mundo vê a cultura do estupro como algo natural, tudo está MUITO errado. É isso que estamos tentando mudar. Espero que consigamos!
      Beijos

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  8. Parabéns pelo texto Fê :D Adoro entrar no seu blog e poder ler algo grandioso como isso. Sinto muito por tudo o que nós, Homens, fizemos e fazemos contra vocês. Não me sinto nem um pouco bem em saber que isso acontece o tempo todo e com todas. Gostaria de poder fazer algo grande o suficiente para acabar com tudo isso. O que tento fazer é conversar com pessoas que não tem conhecimento algum sobre esse assunto e tentar fazê-la enxergar. Muito em breve, espero poder fazer mais. Gostaria muito de poder amenizar suas dores. E sinto muito por não estar sendo de grande ajuda na causa de vocês. E peço o seu perdão caso eu tenha falado besteira aqui.

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    1. Oi, Osmar!
      Acredito que os homens podem fazer muito se pararem de perpetuar a cultura do estupro, se denunciarem estes atos violentos. Quanto mais os homens tomarem outras atitudes que afrontem a postura machista, mais ajudarão!
      Beijos :*

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