sábado, 30 de janeiro de 2016

{Sobre o preconceito} Vai ter textão sim

Fotos feitas pelo meu amigo, Renato Rodrigues. Elas representam a minha liberdade de escolha.
Let's be free!

No post de hoje, teremos ter textão digno de facebook sim. E digo o porquê: estou cansada dessas pessoas querendo ditar o que tenho ou não fazer da minha vida. Primeiro foi o cara que disse que estava solteira porque não aliso o meu cabelo. Depois, tivemos os episódios "filhos é só até 32, 33 anos, hem, Nanda!" e "você tem que liberar isso mais, fica regulando". Então vamos aos esclarecimentos, para ver se, desenhando, as pessoas entendem que sou eu quem vai decidir o que eu devo fazer da minha vida.

Sobre o meu cabelo

Sou crespa sim, com muito orgulho. AMO o meu cabelo do jeito que ele é, e esse volume todo faz parte da minha personalidade. Além disso, eu realmente acho que as pessoas têm que gostar de mim pelo o que sou. Se você se incomoda com o meu cabelo (ou com qualquer outra característica física minha), pode sair da minha vida sem retorno. Eu sou assim mesmo: gordinha, de óculos, aparelho e volume nos cabelos crespos, e olha, me acho princesa, diva, poderosa, dessas que chegam arrasando nos lugares! Estou feliz com o meu corpo e tenho certeza que autoestima elevada conta muito mais para um relacionamento do que uma chapinha/progressiva. Se algumas pessoas se deixam levar puramente por padrões de belezas impostos, isso é com elas. Eu simplesmente não consigo. Eu prefiro ser o que sou, não aquilo que esperam o que eu seja ou acham que combinam comigo (sério, já ouvi milhões de "acho o seu cabelo lindo. O meu é assim também, mas aliso porque não combina comigo" que me fizeram pensar um "como que algo que nasceu com você não combina com você?!", embora eu respeite e fique quieta, isso não entra na minha cabeça). Então, não se meta com o poder dos meus cachos - que eu prometo que não vou me intrometer com o seu cabelo.

Ah! E de uma vez por todas: cabelo ruim é cabelo mal cuidado. Isso não tem relação com ser liso ou crespo!

Sobre ter filhos

Hoje cedo apareceu um link de uma reportagem do El país na minha timeline do facebook, sobre o preconceito que as mulheres sofrem por não terem filhos (seja por escolha própria, por algum problema biológico ou porque o não apareceu um parceiro que elas gostassem, durante o período fértil delas), que me fez escrever por lá a seguinte reflexão que explica por si só o que tenho pensado sobre este assunto:

Tenho quase 30 anos, então as pessoas já ficam com comentários como "tem que correr, se não, não dá tempo", "e os namoradinhos? Cuidado porque o tempo passa rápido e logo você chega na casa dos 40". Antes de ontem mesmo, ouvi um "filhos é só até 32, 33 anos, hem, Nanda!".

O que essas pessoas não entendem é que sim, sempre quis ter filhos, mas não, não com qualquer um. Se eu encontrar alguém que seja bacana o suficiente, e nós dois decidirmos que é a hora, ok. Se não encontrar ninguém, não vou ter filhos só porque a sociedade dita que "toda mulher tem que passar pela maternidade". Criança não é brinquedo para a gente ter só porque todo mundo diz que tem que ser assim. Criança exige tempo, dinheiro, espaço físico e, sobretudo, maturidade dos pais (coisa que, me parece, falta nessas pessoas que acham que ter filho é algo tão banal quanto trocar de roupa). Honestamente, estas necessidades são tão óbvias para mim, que eu fico abismada de ver todo mundo ignorando isso. Na casa dos meus pais não tem espaço nem para eu ter um gato, imagine uma criança!

Então, não me venham dizer que tenho que correr pra encontrar alguém porque preciso ser mãe, porque isso não faz o menor sentido pra mim. O que eu tenho - se é que eu tenho alguma coisa - é que encontrar alguém que me ame, que me faça feliz e que me respeite, ponto. Não vou ficar com qualquer um só pra arrumar uma barriga, por causa da minha idade. De novo, isso não faz o menor sentido pra mim e quero ser respeitada pela minha decisão. Se, por ventura, isso faz sentido para você, vá em frente e me deixe em paz. Não vou me intrometer nas suas decisões a respeito do seu corpo e do rumo da sua vida.

Como costumo dizer, se cada um focasse na sua própria felicidade ao invés de ficar cuidando da vida do outro, o mundo seria muito mais feliz.


Sobre a minha vida sexual

Gente, em um mundo de redes sociais, as mulheres ficam cada dia mais expostas. Não que os homens não fiquem expostos também, mas eles não são cobrados disso, já nós... Estava conversando com uma amiga considerada por todos moderninha. Ela estava comentando do preconceito que sofre porque as pessoas sabem que, se ela sair com um cara e sentir vontade, ela vai transar e ponto. Muita gente vê essa atitude como "ser vadia, ser puta" - incluindo os caras, que acham que mulher assim não é para casar, e as amigas que sempre soltam um "você tem que ser mais difícil, tá sendo fácil demais", quando um relacionamento dela não dá certo.

Eu, particularmente falando, acho que fazer o que se tem vontade é um máximo e que isso é que o certo (independentemente de a sua opção ser transar com caras diferentes ou casar virgem. Se você tem certeza do que faz e confia que nisso, vá em frente!). Errado, para mim, é fazer algo que os outros pressupõe que você tem que fazer, não o que você acredita de coração.

Por outro lado, ao contrário da minha amiga, eu sempre fui reservada no que diz respeito aos meus relacionamentos. Eu escolhi não ficar divulgando por aí os meus namoros e rolos, tanto é que muita gente não sabe - vai ficar sabendo agora - que até um tempo atrás eu namorava. Então, quando o meu amigo soltou um "você tem que liberar isso mais, fica regulando", fiquei meio desconcertada e resolvi mudar de assunto, mas o fato é que isso me incomodou - tanto é que estou falando disso agora.

Vamos ao ponto: eu prefiro ter privacidade, porque eu acho que a minha vida com os caras que já passaram por ela diz respeito apenas a eles e a mim - e não aos meus amigos e conhecidos das redes sociais. Isso é escolha minha e acho que deveria ser respeitada.

Quem está certa: minha amiga ou eu? As duas. Nós duas estamos certas, porque ela tem o direito de falar sobre as transas dela com quem ela quiser, assim como eu tenho o direito de não falar das minhas - e nós duas não deveríamos ser julgadas por isso. Simples assim.

Como disse a um amigo meu dia desses: ser mulher não é fácil, porque se você é discreta é tachada de santinha, de certinha, de todos os -inha que te faz parecer nojenta e caxias. Se você fala sobre sexo abertamente, você é a puta, a vadia, a que não se apega, a que dá pra todo mundo e, portanto, é descartável e só serve pra uma noite. Desculpem o linguajar, mas é foda ser mulher nessa sociedade que só quer te colocar em caixas com rótulos, se esquecendo que nós somos seres dotados de sentimentos, vontades e inteligência. Se eu dou ou deixo de dar, se tenho orgasmos por semana ou por noite, se tenho um parceiro fixo ou vários o problema é de quem? Acertou! Só meu. Então, me deixa!

Resumindo

Eu não cuido da vida de ninguém. Eu não me meto nas decisões das pessoas sobre o que elas fazem com os seus respectivos corpos. Logo, eu gostaria que o mesmo fosse feito comigo. Não se intrometam, porque é a minha vida, meu corpo, meu parceiro, minhas decisões, no meu tempo. Simples assim. u.u Não fico tecendo esse tipo de comentário para os outros, não quero isso para mim.

Recado dado, a vida segue.
Beijos e queijos :*

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14 comentários:

  1. É insuportável ser rotulada ou precisar engolir saco informações dos outros sobre a sua própria vida!! Se cada um cuidasse do se quadrado e deixasse o outro cuidar sozinho do dele a vida seria muito mais leve e interessante.

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  2. É insuportável ser rotulada ou precisar engolir saco informações dos outros sobre a sua própria vida!! Se cada um cuidasse do se quadrado e deixasse o outro cuidar sozinho do dele a vida seria muito mais leve e interessante.

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    1. Seria. Acho que o mundo seria muito mais simples se as pessoas dessem menos pitacos na vida alheia. E é isso que eu espero, porque é assim que eu ajo com quem está ao meu redor. Reciprocidade é tudo!

      Beijos!

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  3. Eu diria que eh legal VC ter sua auto estima elevada, e tbm completo dizendo q nem tudo q as pessoas te dizem é para te magoar, às vezes são toques sutis para que VC possa melhorar algo que para você está ótimo, em conta partida que te prejudica em algumas áreas e VC não sabe. Nem tudo são pedras, e as rosas também tem espinhos. Sobre cabelo liso/enrolado, existem tantos produtos para qm n adere o alisamento e tem orgulho de seus cachos, cremes que podem definir e deixar a sua marca crespa no mundo de modo que as pessoas n precisem te indicar uma progressiva. Nem todo cabelo liso é bonito e nem todo cabelo carrapinha é cacheado e definido. Sobre vida sexual, VC dorme com qm VC quiser e na hora que VC quiser e se quiser morrer virgem tbm pode, afinal de contas, cada um faz o que quiser. Vamos com calma sobre o lance do preconceito, preconceito é uma semente que se for armada dará frutos. É só não aceitar, como VC n aceita os "padrões da saciedade", tbm n aceito mtas coisas, mas algumas críticas ou "toques sutis" eu procuro analisar, vai que eu estou cobrando com algo que poderia me trazer benefícios e não rótulos. Gostei do texto, dos seus pontos de vistas e estou apenas dando o meu, espero que entenda minha observação.

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    1. Oi, Mila.
      Acho que, para quem está dentro do contexto, dá para saber sim, quando as pessoas se metem querendo ser maldosas ou não. De qualquer forma, eu não me intrometo na vida das pessoas - a menos que elas peçam a minha opinião - e espero o mesmo. Acho que a reciprocidade é o ponto neste post.
      Sobre o cabelo, respeito o de todo mundo e espero isso com o meu. Acho que alisar não é saudável (há vários depoimentos sobre isso no youtube), mas não me meto em quem quer alisar. Só não acho que ter o cabelo liso ou crespo tenha relação com ter ou não um relacionamento. ;)
      Sobre dormir com quem quiser, na hora que quiser, nós duas pensamos parecido. Nosso corpo, nossa regra.
      E preconceito é assim: só sabe o que é, quem passa por ele. Infelizmente.

      Respeito a sua opinião e ela é sempre bem-vinda aqui no blog :)
      Beijos!

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  4. Também já ouvi muito essa do "amo cachos/crespo, são lindos, mas não combina comigo" Oi? Isso não me desce. Sempre que alguém diz isso eu ouço "acho cacheados e crespos feios, mas não quero te ofender dizendo isso". Por mim tudo bem se a pessoa quer usar cabelo liso, tudo bem mesmo, eu entendo, também gosto de cabelo liso, mas essa história de "não combina comigo" simplesmente não me desce. "Não combina comigo" é a desculpa que a pessoa dá quando não gosta. #ProntoFalei

    Tá mais que certa em escrever esse post. Essa coisa de cuidar da vida alheia enche o saco. Concordo com você na questão dos filhos. As pessoas são malucas, agem como se você tivesse que ter um filho porque se você não tiver agora, talvez não dê pra ter mais, só que E DAÍ? Meu irmão tem uns 30 anos também, e a esposa dele o mesmo, eles não tem filhos e às vezes as pessoas vem me perguntar se minha cunhada não pode ter filhos, porque depois de dois DOIS anos de casados, como ela ainda não está grávida? A vontade é de socar a pessoa na cara, mas eu só digo "não sei se pode ou não, vai ver eles não querem". Porque é que isso é tão absurdo? Gente chata.

    O mesmo para a sua (e a nossa) sexualidade. Também não sou de falar da minha vida pessoal pra todo mundo, mas não me importo com quem fala. Cada um faz o que quer

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    1. Oi, Marina!
      Quando eu ouço que o crespo não combina, o que penso é que a pessoa tem medo de ser quem ela realmente é. E isso me entristece. Acho que é mais honesto quando ela assume que prefere seguir os padrões...

      Sobre o restante, só espero respeito e a reciprocidade de não se meterem na minha vida, como não me meto nas dos outros.

      Beijos e obrigada pela sua opinião. :*

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    2. Fê, é exatamente isso que você disse! Eu preferia também que assumissem que preferem seguir os padrões, seria mais honesto, não com a gente, mas com a pessoa mesmo. Não vejo nada de errado em querer liso, vejo cortes de cabelo liso que são super lindos e morro de vontade de ter, mas não vou desmanchar meus cachos por isso. A mim, isso seria praticamente uma mentira, uma máscara, e eu sou péssima em mentir pra mim mesma. Mas se a pessoa prefere assim...

      Mudando de assunto, não sei se você viu mas criei um post com links de posts que gostei, e o seu está nele. Estou te convidando pra passar lá no blog e ver, o link é esse: Link Party - 31 de Março. Beijinhos, continue escrevendo posts maravilhosos ♥

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  5. Concordo com você em todas as palavras!!! E sabe, se a gente for dar ouvidos ao mundo... casamos com quem não gostamos, engravidamos em querer... aí se for menina já falam que vc tem que ter um casal. E aí depois pedem os netos e que vc tenha dinheiro.E então vc se mata de trabalhar e dizem que vc não tá vivendo!!

    :D o importante é saber que a vida é nossa. Fazemos dela o que quisermos e do jeito que a gente quiser!!!! Liberdade sempreee!

    Seguindo você :D
    ❥ www.amigadelicada.com

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    1. Oi!
      Obrigada pelas palavras!
      O que espero aqui é que as pessoas falem menos da MINHA vida e foquem mais nas delas próprias!

      Beijos

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  6. Fê concordo com você em tudo! Falou exatamente o que eu penso. Sou questionado sobre esses assuntos diariamente: por conta dos meus óculos, por ter quase 30 anos e não querer ter filhos e por estar sozinha hoje. Eu apenas me pergunto, se estou bem assim qual o problema?

    Parabéns pelo texto!

    Bjos
    http://thatsthewayilikeit.blogspot.com.br/

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    1. É complicado, Boo!
      Espero que um dia isso acabe.

      Beijos e obrigada pelo o apoio.

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  7. Meu Deus!!!!!
    Você me representa.
    Mesmo não sofrendo com a questão do cabelo, há e haverá sempre algo pra colocar rédeas nas nossas vontades e rótulos.
    Isso chega a ser insuportável e mais insuportável é que algumas mulheres reforçam esse pensamento. Fico P da vida. É de vontade de fazer textão escândalo o escambal.... Enfim. Apoiada e já espalhei geral :)

    Xero

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    1. Oi, Léa!
      Não sou muito de entrar em discussões, mas chega um momento que cansa, sabe? Então, preciso me colocar neste mundo tão hostil. É textão uma vez e se precisar, teremos mais. Acho linda a nossa luta, este movimento de quebra de esteriótipos e paradigmas que estamos vivendo e, como escritora, acho que também é meu papel levantar esta discussão - porque mesmo que haja gente que pense diferente, isso provoca todo mundo justamente a pensar sobre o assunto.
      Obrigada pelo apoio e por ter espalhado o texto por aí!
      Um beijo,

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