quinta-feira, 11 de abril de 2013

[Resenha] Floresta dos Corvos, de Andrew Peters

Capa
Repleto de valores éticos, Floresta dos Corvos é um livro que nos transporta para uma grande aventura e nos faz refletir sobre os diversos graus de relacionamento. A princípio somos introduzidos em um novo mundo. O cenário é o seguinte: o planeta se sofisticou de uma tal maneira, que a tecnologia acabou com quase todas as árvores. A madeira, antes abundantes, agora é artigo de luxo e sobrevive apenas em um local, a pequena ilha que a briga a floresta de Arborium. Lá, os habitantes construíram seu reino sobre a copa das árvores, uma vez que o solo é considerado poluído demais – até para um rato de esgoto.

Ainda que os outros povos, como o reino de vidro e aço de Maw, tenham desenvolvido a mais alta tecnologia, a sabedoria da natureza criou uma barreira de gás que mata qualquer um que não seja da cidade – por isso, se você se perguntou porque Arborium não fora destruída e sua madeira roubada, esta é a resposta: o gás que a protege.

A narrativa, entretanto, começa, quando um pequeno garoto de 14 anos, Arktorious Malikum, está trabalhando desentupindo os canos da casa de um dos conselheiros do rei de Arborium, Grasp, e ouve uma conspiração entre tal conselheiro e Lady Fenestra, do reino de Maw, que derrubaria o monarca arboriano durante o festival da colheita, dali a sete dias. Em desespero pelo o que poderá acontece, Ark acaba sendo descoberto e, então, começa a sua saga na fuga contra os conspiradores e na tentativa de chegar até o rei e lhe dizer a verdade.

Nestas primeiras páginas somos levados a pensar nas relações entre um governo e o seu povo. A desigualdade social não existe apenas no Brasil, mas também no reino de Arborium, uma vez que a segregação é nítida desde a infância, já que as crianças ricas continuam seus estudos e as pobres para de estudar, para trabalhar. A profissão, no caso das famílias pobres, é passada de pai para filho, como acontece na família de Ark – que é muito pobre e tem uma profissão muito desvalorizada.

Andrew Peters
Créditos da imagem: Ravenwood
Durante a busca pelo rei, Ark acaba fazendo amigos – e aqui pensamos no valor da amizade! – e inimigos. No final da história, Mucum (outro encanador que também trabalha Estação Executiva de Esgotos, com Ark), Shiv (pequena irmã de Ark) e Flô (uma garota da tribo de mineradores) formavam um time e tanto! Juntos, eles provaram do poder da união de uma amizade sólida! Por outro lado, o grande inimigo de Ark, Petrônio – filho do conselheiro Grasp – nos faz pensar na relação pai e filho. O conselheiro é um daqueles pais frios; Petrônio, o típico filho que faz de tudo para chamar sua atenção. O final dos dois? Surpreendente!

Ao longo da narrativa, Ark dribla a morte inúmeras vezes, por isso, a figura dos corvos, que em Arborium são aves extremamente desenvolvidas: grandes, com bicos tão afiados lâminas e garras tão prontas para servirem de prisão e navalhas. Os corvos, que se atraem pelo sangue e se alimentam da carne morta são peça fundamental no desenvolvimento da narrativa e têm um território só para eles, além das montanhas, em que vivem sob a companhia e proteção de Corvena, a rainha dos corvos. Tanto os animais, quanto a soberana, são de vital importância na vida de Ark, mas ele só descobre tudo isso quando a natureza assim o permite.

Este livro traz vários elementos pessoais de seu autor: assim como Flô e os demais mineradores, Andrew Peters também tem mais de dois metros de altura e desde pequeno, gosta de escalar as árvores. O amor que o escritor devota à natureza – e, consequentemente, às árvores –, é nitidamente transposto no amor que Ark tem pelo seu país. Nota-se também que Peters gosta da cultura latina e, por isso, coloca na obra referências relacionadas a este repertório cultural: além do nome do país e da personagem principal terem desinências que remetem ao Latim; a deusa Diana, venerada pelo de Arborium, é a mesma cultuada na Roma antiga.

De modo geral, Floresta dos Corvos é uma delícia de ser lida e, como acontece com quase toda literatura infanto-juvenil, é recomendada não apenas para as crianças, mas para todos os adultos! A história cresce, conforme Ark amadurece, ganha consciência e forças. E nós, enquanto leitores, aprendemos e crescemos junto com ele! Não há como não se apaixonar!

Andrew Peters com a edição brasileira de
Floresta dos Corvos. Créditos da imagem: Ravenwood
Livro: Floresta dos Corvos
Título original: Ravenwood
Autor: Andrew Peters
Tradução: Raquel Zampil
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Sinopse: Ark é um aprendiz de encanador de quatorze anos que mora na copa de uma das últimas árvores que restam no mundo, no país de Arborium. O ofício o obriga a transitar por lugares que pessoas comuns não visitariam, e é enquanto está ocupado com o vaso sanitário de um político poderoso que o garoto entreouve a conversa de conspiradores que pretendem destruir a região. Flagrado pelos malfeitores, ele parte em uma corrida desesperada, do galho mais alto às mais sombrias raízes do arvoredo, até a temida Floresta dos Corvos, onde talvez esteja sua única chance de salvar seu lar, seu povo e, é claro, a própria vida. Lady Fenestra, uma perversa enviada de Maw - o império inimigo feito de vidro e metal -, planeja tomar as ricas árvores de Arborium e transformá-las em matéria-prima, usando os pacíficos dendrianos como nada mais que escravos de seu plano maligno. Agora, o futuro de Arborium e de seus moradores depende de Ark, e ele não só terá de enfrentar os traidores, mas também decifrar as lendas ancestrais de seu povo.

6 comentários:

  1. Huuum, parece ser bem interessante, mas não é um pouco infantil? Sei lá talvez a capa (apesar de ser bem bonita) me passe essa impressão.

    Beeijão

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    Respostas
    1. Ele é infanto-juvenil, mas vale muito a pena ser lido! :D

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  2. Gostei de tudo, da capa e da resenha, me chamou a atenção! Beijinhos.

    http://palaciodeideias.blogspot.com.br

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  3. esse tipo de livro nunca me chamou a atenção, mas confesso que depois de reler essa resenha fiquei morrendo de vontade!
    adorei!
    beijos da Luci

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