Sentimento Amarelado


Ela estava sob o céu carregado de nuvens negras. Pensava na vida. Caminhava calmamente agarrada à bolsa repleta de livros, embora lesse sempre o mesmo romance. Aquelas linhas de prosa quase que rimadas, com palavras escolhidas a dedo, que retratavam tão bem a sua busca de identidade, seu amor e sua vontade de conhecer aquilo que é desconhecidamente amarelado. Ela caminhava agarrada àquelas palavras tão doces e tão profundas... Era amarela como aqueles vocábulos que não se aprendem nos livros, mas que, respeitados até pelo diabo, são sentidos pelo coração.

O céu carregado, emocionado por vê-la entregar-se ao caos de seus pensamentos alaranjados, desmanchou-se em lágrimas que a molhavam, ainda que ela tentasse se proteger em baixo de seu pequeno guarda-chuva negro. Ela, então, abraçava-se mais fortemente à bolsa. Não importava se seus pés ou braços se molhavam. Não importava se sua roupa se sujava com as águas que respingavam dos carros que passavam. Queria apenas proteger aquele escrito que a consolava nas horas difíceis e nos momentos de solidão. Já não se importava com a chuva, com os raios e trovões. Queria apenas ser grata com aquele objeto. Entregara-se a ele. Era dependente daquelas palavras. Rendera-se àquele amor enquanto caminhava sob a chuva, com a certeza de que seu sentimento era infinito.

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