quinta-feira, 6 de agosto de 2026

6 on 6: brasilidade


O tema do 6 on 6 de julho foi brasilidade. Até agora, foi o assunto mais difícil pra mim. Primeiro, porque eu queria sair do óbvio. Segundo, porque meu mês de julho foi um mês corrido demais pra mim (tanto em acontecimentos, quanto emocionalmente), o que significa que eu ainda estou exausta. Ainda que muita coisa bonita tenha acontecido, quase não tirei fotos, porque quis viver o momento. Então, para não ficar sem o post (não quero furar o projeto), resolvi buscar imagens nos meus arquivos. Segue, então, a minha leitura de brasilidade com fotos tiradas ao longo do primeiro semestre.

Lenine
Quem me conhece sabe que eu sou enlouquecida no Lenine. Pra mim, ele é um dos maiores artistas brasileiros que temos, com uma discografia que representa a nossa brasilidade do começo ao fim e que é linda tanto nas letras (este homem é um verdadeiro poeta!), quanto na sonoridade. No fim de abril, fui com a Lucila, ao show da turnê nova dele, chamada Eita (que também é o nome do álbum mais recente que ele lançou). Tanto a turnê quanto o álbum celebram a cultura nordestina, mais precisamente a pernambucana. Pernambuco faz parte das minhas raízes, então foi lindo demais me sentir em casa assim. Cantei, chorei, me diverti. Foi lindo! Queria que ele voltasse para mais apresentações por estas bandas de cá. 

Simplesmente eu, Clarice Lispector

Com a maravilhosa Beth Goulart

Nas segundas e terceiras fotos, juntamos duas bralisidades: o talento majestoso da atriz Beth Goulart e a monstruosidade literária da Clarice Lispector. Beth está em cartaz com a peça Simplesmente eu, Clarice Lispector, que eu tive a honra de assistir durante o mês de julho. Estar na primeira fila e ver a grandeza que é a Beth Goulart fazendo a Clarice é de arrepiar. Ela não só atua, ela realmente encarna a Clarice de tal modo que chega a ser assustador (de um jeito maravilhoso, mas ainda assim, assustador). Para quem respira Clarice como eu, foi uma honra não só ver a peça, mas ter um minutinho de dedo de prosa com a própria Beth após o espetáculo. Para quem estiver em São Paulo, a peça continua em cartaz agora em agosto. Vale a pena ver!

SP não é a Disney
No final de maio passei por essa obra e a inscrição manuscrita na placa que diz "SP não é a Disney" me chamou a atenção. Realmente, como paulista eu sei que aqui não tem a magia no ar. Tem realização de sonhos, tem trabalho, tem felicidade e estresse, tem contradição. Amo São Paulo com todas as forças do meu ser, mas reconheço que aqui está longe de ser o paraíso onde só se encontra os sonhos no ar. No fundo, me pergunto se Disney real (a dos bastidores) não tem um pouco de São Paulo nela também. Talvez o único lugar intocado de pecados seja o interior do interior de alguma floresta ou o fundo do oceano. Ou talvez nem isso, porque nós, os humanos, levamos problemas para esses lugares também.  Fora toda essa reflexão geográfica, os trabalhadores fazendo todo um esforço braçal é uma brasilidade desde a nossa fundação de país e que também é assunto que me gera toda uma gama de pensamentos críticos acerca das condições e jornadas de trabalho. Enfim, "SP não é a Disney" e talvez nem a Disney seja a Disney. Fiquei pensando em tudo isso no dia em que fiz a foto e continuo pensando em tudo isso cada vez que olho para ela.

Futebol feminino
No começo de junho eu fui com um amigo ver o amistoso de futebol feminino. O Brasil é o país do futebol, então quis trazer o esporte a partir da minha perspectiva: a feminina. Esta foi a minha primeira vez em um estádio para ver uma partida (antes tinha ido só para shows) e fiquei feliz, pois vencemos (não sou pé frio como o Mick Jagger). Me deu um orgulho danado, porque as meninas bateram um bolão (inclusive, jogaram muito mais que o time masculino na copa do mundo). Estou empolgadíssima para a copa que elas farão aqui no ano que vem. Se você tem algum preconceito com o futebol feminino, apenas peço: dê uma chance! Você não vai se arrepender.

Selfie da torcida

Tricotei este gorrinho e este cachecol para ver as meninas jogarem e para torcer pelo futebol masculino na copa do mundo. Como todo mundo já sabe, a participação do time masculino foi meio que um fiasco, mas eu (apesar de saber de todos os problemas envolvidos) amei a copa! Ficava vendo todos os jogos, torcendo pras outras seleções (alô, Cabo Verde!), acompanhando cada jogada. Me sinto um pouco órfã agora que tudo acabou (e, como disse antes, estou contando os dias pra Copa feminina aqui no Brasil).

📷📷📷

Equipamentos usado no post:

Todas as fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:

Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: Reticências, Sweet Luly, Inventando assunto, Camila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷 02 📷 03 📷 04 📷 05 📷 06 📷
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2 comentários:

  1. Esse post ficou tão você. Quando fui vendo as fotos (principalmente as primeiras que traziam artistas) eu só pensava no quanto você ama tanto o Lenine quanto a Clarice. A gente tem uma arte que é muito característica nossa. Só a gente vai entender.

    E eu admiro o quanto você e talentosa com as agulhas. Ficou lindo seu conjunto de torcida ❤️

    Um beijo, Fe

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  2. Fe, eu tô MUITO empolgada pra Copa do Mundo ano que vem! Vou até tentar assistir algum jogo menos caro no estádio, algo que nunca cogitei fazer na Copa Masculina, porque tenho certeza que será memorável viver isso no nosso paisinho, assim como foi em 2014... Ou a parte boa de 2014!
    Eu amei que esse post teve de tudo: música, teatro/literatura/tricozinho e reflexões sobre o fato de que a Disney nesse sentido mágico, realmente, não existe no mundo capitalista em que vivemos (e que sustenta a própria Disney)!

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