quarta-feira, 29 de abril de 2015

Das poucas certezas que tenho

Eu, a blogueira que vos escreve.

Sou uma pessoa que não é muito certeira na vida. Com tantas reflexões, acabo sempre querendo me aprofundar mais nos assuntos, desejando me colocar no lugar dos diversos pontos de vista existentes até formar uma opinião própria e embasada não apenas no conhecimento técnico, mas também na vivência. As pessoas têm o direito a mudanças de humor e de modo de pensar, e todos nós - que usamos nossa massa cinzenta - estamos sujeitos a isso.

De qualquer maneira, hoje - enquanto lia um texto de um dos blogs do Estadão - bateu um insight sobre aquilo que eu quero ser. Esta ideia, a que eu chamo de certeza, está ligada aos valores que construí ao longo da vida e à minha personalidade (ou a qualquer coisa do gênero - não foquei muito na razão, para ser honesta). O fato é que, nesses meus quase 30 anos, resolvi que:

1. Quero ter qualidade de vida. A minha carreia é importante? Claro que sim. Lutei uma vida para chegar aqui e não quero perder o que conquistei. Por outro lado, não quero ser escrava do meu trabalho (ainda que às vezes os finais de bimestres me consumam, tenho tentado me organizar para "ter vida" durante este período - estou quase chegando no ideal);

2. Quero ter o suficiente, não preciso ser rica. Em um mundo extremamente competitivo, em que as pessoas querem ter mais, mais e mais, fico muito assutada com até que ponto a ganância move e modifica o ser humano. Vejo os meu amigos que ganham muito mais do que eu, mas que vivem doentes e estressados e fico pensando o quanto eu quero ir na contra-mão de tudo isso. Ganho o suficiente para pagar as minhas contas e ter uma reserva para uma emergência?! Então está ótimo. Há outras maneiras gratuitas de ser feliz... Por que não desfrutá-las?

3. Quero fazer o que eu quero, não o que os outros gostariam que eu fizesse. Estou cansada de ter que segurar a onda para todo mundo e quase não ter ninguém que faça o mesmo por mim. É muita pressão por um mundo cor de rosa de contos de fada, que obviamente não existe. Começou com a pressão das minhas melhores amigas ~da época~ que queriam "ditar" a melhor universidade para mim (nunca quis fazer USP. Ponto.) e hoje vai até a "por que você não vai a tal festa...". Ando cansada do mundo. Ando cansada de mim mesma. Ando cansada de ficar mal, porque não atingi às expectativas que as pessoas criaram sobre mim. Ninguém é perfeito, eu menos. Aliás, ando mesmo é querendo ficar no silêncio, na minha ("curtindo" toda esta onda de alergia que me pegou de jeito e não me deixa ¬¬).

4. Quero ser eu mesma, não o que o que a sociedade gostaria que eu fosse. Esta sou eu: cacheada, de óculos de grau e aparelho ortodôntico, que nunca quis alisar ou usar lentes de contato, que sempre gostou muito de estudar, mas que ainda não cursou uma pós-graduação e que sabe que só tentará um mestrado depois de ter um pouco de experiência que possa ser contrastado com os conhecimentos acadêmicos, que não tem a menor vontade de fazer concurso público e que não vê o dinheiro como sinônimo de felicidade. Cabeça-dura? Utópica? Clichê? Chata? Metida? Antissocial? Sendo muito honesta, ando numa fase em que quero afirmar cada vez mais a minha opinião - mesmo consciente de que ela pode mudar depois. Tentar agradar o mundo cansa e nunca dá 100% certo - tem sempre alguém que vai por defeito.

5. Quero amar muito quem estiver ao meu redor, mas sem estar grudado o tempo todo. 2015 está mesmo sendo um ano de mudanças drásticas. Quem me conhece sabe o quanto eu amo estar com as pessoas o tempo todo. Amigos, família, colegas de trabalho. Talvez seja por isso que eu viva tanto tempo online, esta é uma forma de ter alguém por perto mesmo que virtualmente... O grande lance é que tudo isso vem mudando. Pode ser que seja uma fase, pode ser porque eu ando meio enjoada por causa da alergia - e dos efeitos colaterais dos remédios - ou pode ser que eu esteja traçando um novo rumo para a minha vida mesmo... O fato é que eu tenho cada vez mais preferido a minha versão "bloco do eu sozinho", do que a versão "acompanhada com a galera" - tanto na versão presencial quanto virtual. Talvez seja porque eu tenha a sensação de que as pessoas estão focadas em coisas completamente diferentes das que eu estou. Isso acaba ou me irritando ou me entediando. Prefiro ficar na minha. Novos tempos de introspecção, novas descobertas. Acho que dá para demonstrar amor, carinho, dedicação, afeto de várias maneiras, e não vai ser mais estado 100% disponível aos outros que farei isso... Chegou o momento de cuidar de mim.

Isso tudo passou pela minha cabeça de uma vez só, então não sei se este post ficou claro como gostaria. De qualquer maneira, estou exercitando o "senta, escreve, publica" que tenho aprendido em todas as dicas de como ser uma escritora/blogueira melhor. Este é o meu desejo, a minha sexta certeza.

Qual é a sua?

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4 comentários:

  1. Eu também não sou uma pessoa muito certeira na vida. Eu penso tanto, mas tanto, que eu acabo me perdendo nas minhas reflexões e fico só no mundo das ideias :x rs
    Mas algumas dessas coisas que você resolveu eu também quero pra mim. Ter qualidade de vida, fazer o que eu quero (assim que eu descobrir, rsrs) e ser eu mesma. Eu ainda tenho alguns conflitos porque eu acho que ter uma carreira relativamente boa (e retorno financeiro) é fundamental pra fazer as coisas que eu mais quero fazer na vida, que seriam minhas viagens pelo mundo e poder parar um tempo pra criar meus filhos quando eu os tiver. Mas é uma coisa que acho que vou resolver com o tempo, rsrs
    Sobre seu comentário no WT, vou tentar esse 101 coisas em 1001 dias, definitivamente preciso estabelecer metas e um tempo (ou um número) pra realizá-las. E se você ficar sabendo de qualquer coisa na área de comunicação eu vou ficar imensamente grata! <3 rsrs
    Beijo!

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    1. Oi, Lys!
      Acho que ter certeza é algo que vem com o tempo. Quem sabe na nossa maturidade a gente passe a ver isso com outro olhar. Talvez a gente nem precise dessa certeza toda para ser feliz. A vida é mesmo feita de dúvidas...
      Acho que vc vai curtir o 101 coisas tanto quanto eu. É bacana começar um projeto assim e ver que você foi conquistando coisas.
      E no que eu souber, te aviso!
      Beijos!

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  2. Como sempre eu me identifico com seus textos, é incrível como eu tenho a impressão que você esta falando comigo. Amo seu blog ,posso comentar pouco , estar atrasada(sou enrolada mesmo confesso meu defeito rsrs) , mas não deixo de visitar e ler pelo simples fato de me proporcionar reflexões maravilhosas.Obrigada Fê.

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    1. Rê, obrigada por comentário tão carinhoso! <3
      Eu sempre ganho o meu dia quando alguém me diz que se identifica com o que escrevo. É como se eu não fosse a única pessoa no mundo a pensar assim.
      Obrigada por ser tão gentil sempre!
      Um beijo!

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