Expectativa

by - 11:27 PM


Estava no café, tomando um cappuccino e lendo um livro. Pessoas iam e vinham apressadas. Os grupos ao meu redor conversavam animadamente; mas, confesso, não prestava a menor atenção ao burburinho ao meu redor. Aquele era o meu momento, apenas eu, minha bebida e a história que me transportava para outro universo.

Tudo corria conforme o planejado, até que senti aquela vibração vinda de dentro da bolsa. Como sair da "bolha" era um sacrifício grande, peguei o telefone - que continuava a tocar insistentemente - e atendi com olhos grudados nas páginas da obra e a voz dispersa, de quem está em um reino muito distante.

- Alô?
- Mônica, que bom que você me atendeu! Está ocupada? Será que a gente pode se falar?

Aquele tom de voz urgente e conhecido, que disparava as frases com medo que eu desligasse, me trouxe de volta à realidade. Depois de tanto tempo, depois de tanto sofrimento, ali estava o Júlio do outro lado da linha, esperando por uma resposta minha.

- Mônica? - ouvi sua voz dizendo em meio ao meu silêncio. Fechei o livro, soltei um suspiro de quem respira fundo (isso foi mais forte do que eu) e aceitei saber o que ele queria, tanto tempo após ter me abandonado.

Ele ficou de ir me encontrar ali, naquele mesmo café em que eu havia aprendido a lidar com a solidão. Só me sobrou, então, a expectativa pelas suas palavras, pelo o que ele iria me dizer.

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4 comentários

  1. Ai que aflição imaginar estar em uma situação assim! O frio na barriga e tudo mais...

    Você escreve muito bem, Fer! :)

    ;**

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    Respostas
    1. Deve ser estranho mesmo. Mas acontece, não?! uahahah

      Obrigada, Bi! :D

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  2. Que frio na barriga, hein? Ótimo texto.
    beijo

    Marina Alessandra do blog Maior de Idade
    @mariinaale
    @maioordeidade

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