"Old, but good..."

by - 12:52 PM


Olá pessoal.

Hoje escrevo porque esta tem sido uma semana na qual eu tenho pensado muito em muitas coisas, tenho me questionado muito.

Logo na segunda-feira fui a uma reunião com o coordenador do meu curso na universidade. Nesta reunião estavámos nós dois e os demais representantes dos 1º e 3º anos de Letras e do 1º, 2º, 3º e 4º anos do curso de Tradutor e Interpréte. Durante o encontro, os representantes de Tradutor questionaram a possibilidade de um curso de Latim, já que eles não têm essa matéria. O profº respondeu que é contra ao ensino da Língua Latina (até mesmo no curso de Letras), já que, em suas palavras "o Latim é uma língua morta". Eu, bem... Eu quase infartei. Como que alguém que é formado no curso e trabalha com educação, pode ter uma mente tão pequena?!
[Por que eu quase infartei??! Porque as aulas de Latim são perfeitas. Além de aprendermos uma nova língua, entendemos melhor a nossa e ainda ampliamos infinitamente o nosso universo cultural]

Depois, estava dando aula de informática para a Terceira Idade. Pela primeira vez eles estavam usando o teclado, e eu pedi que eles falasse um pouco sobre suas vidas. Um senhor (que tem uma bagagem político-cultural imensa) virou pra mim e disse: "Para quê? Hoje você é jovem e tem sonhos, quando chegar aos 50, vai pensar 'pra que isso?'. Se chegar aos 70, 80 vai dizer: 'minha vida é uma merda'. " Eu fiquei em choque de novo. Como alguém com tantas histórias pode pensar assim?! (depois eu me lembrei que no dia anterior disse para as meninas que a minha vida está uma merda...) Fiquei me perguntando o porquê dele pensar assim. Quando fui ler o que ele havia escrito, vi que a velhice era o que pesava.

Por fim, ontem a minha professora professora de Latim/Estudos Diacrônicos leu para a turma uma entrevista da revista Língua Portuguesa com o jornalista portugues João Pereira Coutinho. Quando questionado sobre a variante brasileira da língua, ele disse que para ele "o português do Brasil sempre me pareceu mais arcaico (ou, se preferir, menos moderno) do que o português de Portugal. Isso pode parecer estranho, porque toda a gente tem a impressão de que o Brasil fala um português mais "solto", mais "moderno". Mas eu tenho a impressão contrária e creio mesmo que os portugueses do século 16 ou 17 falavam como os brasileiros falam hoje: uma linguagem mais musical, plena de arcaísmos (como "açougue", por exemplo). "
No momento em ouvi tais palavras dois pensamentos cruzaram a minha mente:
1. Por que o nosso?! Eles ainda mantêm uma grafia arcaica - etimologicamente falando.
2. Como alguém tão jovem pode ter tantas informações assim na ponta da língua? Se a gente for conversar com qualquer jovem da idade dele aqui no Brasil, rarissímos serão tão precisos assim...

E nisso eu fiquei pensando. A sociedade brasileira tem muito preconceito com tudo o que é velho. Todas as palavras que estão ligadas a um longo período de tempo têm, para nós, um sentido pejorativo: "velho", "arcaico", "passado"... Todo mundo coloca as esperanças numa juventude que não sabe o que quer. Que faz tudo de qualquer jeito. Que aceita as coisas sem questionar... E nisso, a educação vai mal, a economia vai mal, a política vai mal.
Os jovens de hoje não olham o passado. Não aprendem com os erros alheios. Se acham os donos do mundo e não sabem resolver uma operação matemática básica. São intransigentes... não olham o passado e deixam de aprender com quem sabia.

Na aula de Latim, eu aprendi que até hoje nós temos costumes romanos. Trabalhamos como os nossos ancestrais faziam há milênios atrás. A história está aí, seja de um homem ou de um povo, está aí para que aprendamos com ela...

Pena que nem todos percebem isso...

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7 comentários

  1. Hummm ..muito interessante...(o velinho)
    A alienação das coisas nos fazem ser ignorantes... o que não conhecemos não nos importamos ... como o velinho "pra que?" me dixa no meu mundinho...o futuro vai ser estragado, disso eu não tenho dúvidas.
    Se está ruim, calma que piora! (Aulas de Latim).

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  2. eu tbm tenho me questionado mto, achei erros a serem corrigidos

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  3. Bizarro, seu blog não aparece atualizado no meu painel do blogger, nem nos meus blogs amigos! oO

    Enfim, é, acho que talvez o senhor tenha alguma razão no que disse...E concordo plenamente com oq vc disse sore a juventude. Sempre falamos "é, a criaça é o futuro de amanhã".É como que se tirássemos o encago de consertar as coisas, deixa pro próximo, o proximo que se vire. Mas não damos nenhuma estrutura para esse próximo...Tá difícil situação..."/
    Bjs Fê

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  4. Essa semana eu tenho pensado em como as pessoas conseguem ser tão desleixadas com o conhecimento. Não procuram novidades, o acordo o ortográfico está aí e verificar se alguém que já "concluiu" os estudos(2ºGrau), se eles estão procurando atualizar-se. Não.Provavelmente eles estão verificando nos jornais sobre os resultados do campeonato de futebol, outros lendo sobre novelas.

    E quando trata-se do passado, eles querem saber menos ainda.

    É lamentável.

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  5. Oi Fê, eu sou TOTALMENTE CONTRA eles tirarem o Latim do nosso curso de Letras.
    Eu fico muito frustrada com o fato de um profissional da área considerar o aprendizado do Latim desnecessário e até tenho dúvidas se no fundo ele julga realmente desnecessário e se isto não seria apenas um pretexto para a redução de custos(visão da Educação como mercadoria).

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  6. Acho que eles acham que não adianta fazer mais nada...
    Esses dias, encontrei dois senhores conversando e me meti na conversa.
    Um senhor contando que não se casou, não teve vida por causa da mãe.. pra ficar com ela.. que nenhuma nora seria boa...
    E disse que nao se arrepende.

    Fico abismadacom algumas coisas que ecuto...

    bjs..

    Ei.. acho que vou usar esse comentário pra fazer um post...rs
    Não preciso contar outra vez...

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  7. Nossa muito bom o seu texto. Tbm sou contra em tirar o latim, pois é a origem da nossa língua. E de fato tudo que é velho é bom , pois é por causa desse mundo velho é q estamos aqui hoje.

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