domingo, 26 de abril de 2026

Como uma playlist de música ruim no repeat

domingo, abril 26, 2026 5

— Foi só uma vez. Eu não tive escolha.

Alexandre me olha parado na porta daquele que até ontem foi o nosso quarto, com os lábios secos e os olhos úmidos. Ele espera por uma resposta. Mais uma resposta. E quanto mais ele espera, mais em silêncio eu fico. Estou sentada de costas para ele. Olho pela janela e vejo o céu azul, com suas pequenas nuvens brancas que prenunciam o fim do verão. Ele continua esperando, como se a vida dele dependesse da minha voz enchendo os seus ouvidos, o quarto, a casa. Persisto muda. É como se não houvesse ar capaz de encher os meus pulmões e de fazer as minhas cordas vocais vibrarem para emitir quaisquer sons. Meu corpo segue inerte.

— Fala alguma coisa... Você sabe que eu sou assim mesmo, mas sabe que eu te amo, não sabe?

Não. Eu sei que tudo isso não é amor, mas resolvo deixar que o silêncio continue falando por si só. Agora eu não me importo mais. Por tantas outras vezes, eu já havia gritado, chorado, jogado o que tinha ao alcance das mãos nas paredes, agora eu não tenho mais forças para argumentar. Estou esgotada até mesmo para rebater o “só uma vez”. Primeiro que não era “só”; segundo que era recorrente. As cenas das descobertas tiveram as suas nuances, é verdade, mas eram recorrentes. O mesmo modus operandi tanto nas merdas, quanto nas súplicas por perdão. Depois de três vezes, já dá pra pedir música no Fantástico, não é mesmo?

— Por Deus, amor, fala alguma coisa... Você sabe que eu sou assim mesmo; mas, que se eu não te contei, fiz isso por você, pra você não ficar chateada, triste e raivosa como está agora. Eu sou homem, tenho os meus instintos. Você sabe, todo homem faz isso, não sabe? Anda logo, me perdoa! 

Respiro fundo e me viro para ele. Alexandre continua tão bonito como quando nos conhecemos. Apesar da estatura mediana, sua voz envolvente, seu olhar profundo, suas tatuagens e as covinhas nas bochechas continuam ali. Ele continua ali. Inteiro e ao alcance das minhas mãos. Como pode a tentação que liberta o desejo despertar também tanta dor? Enquanto o meu corpo quer ter o dele, minha cabeça e meu coração me guiam por outro caminho: saio de perto da janela, levanto aquela que era a nossa cama box e abro o baú em silêncio. Pela visão periférica, noto que ele parece confuso, mas sigo firme. Tiro a mala de viagem há tempos guardada, coloco-a sobre o colchão, abro o armário sem dizer uma única palavra. Então, começo a pegar a parte que me cabe do nosso agora ex-pequeno latifúndio.

— Amor, você tá louca? Pelo amor de Deus, isso foi só um deslize, algo pequeno, da minha natureza. Você já me perdoou tantas vezes, não custa fazer isso mais uma? Eu prometo que isso não vai se repetir! Prometo! — Continuo impassível. Se alguém visse a cena pela janela, acharia que eu estou arrumando uma mala para uma viagem feliz de férias. Só quando Alexandre tenta tirar as peças já guardadas que eu o encaro:

— Você pode dizer o que for. — Minha voz soa tão calma, tão resignada, que até eu me surpreendo. — Eu vou pegar as minhas coisas e seguir a minha vida.

— Mas você não pode fazer isso! Você tem que me perdoar! O que as pessoas vão pensar de nós? De mim? Você não tem dó de mim, não?

— Alexandre, vai ficar tudo bem. Aliás, já está tudo bem. — Fecho a mala e a ponho no chão. — Quanto ao que vão dizer ou como você se sente, você deveria ter pensado nisso antes. Eu, honestamente, não me importo.

📻📻📻

Texto escrito a partir da proposta do Vivenciando a Escrita,
cujo tema de abril de 2026 é a mentiras que contamos.
Para saber os outros temas e como participar, clique aqui.

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domingo, 19 de abril de 2026

Trazendo 2016 de volta

domingo, abril 19, 2026 8


Se você está em alguma rede social, sabe que 2016 voltou a ser tendência. A nostalgia nos atingiu em cheio e isso é fruto desses tempos de incerteza tão bélico e politicamente dividido. Sempre que a sociedade entra em caos, há um desejo de olhar para trás e encontrar alguma forma de aconchego.

Eu respondi a essa trend no meu Instagram, mas ao visitar o blog da Valéria, o Hey, I'm with the band, vi que ela levou as respostas pro blog dela e me deu vontade de fazer a mesma coisa por aqui. 


De um modo geral, eu penso em 2016 com muito carinho. Foi um ano em que eu conheci gente nova, amigos que estão comigo até hoje. Além disso, ganhei balões de aniversário pela primeira vez (a Bia é uma amiga que sempre me emociona), visitei os meus lugares preferidos da vida, viajei com uma das minhas melhores amigas, fui a shows, abracei o Nick Carter, fotografei muito e encontrei poesia pelo caminho.














A vida me abraçou em 2016.
Eu abraço a vida em 2026.


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domingo, 12 de abril de 2026

Ciclos se encerram

domingo, abril 12, 2026 9

sempre fui muito faladeira, mas é importante aprender os momentos de calar e ouvir. nessas horas, gosto de escutar em modo de mergulho. sigo como as ondas: para fora e para dentro.

ouço e revejo.

nenhuma situação volta à toa. 

padrões ressurgem para que a gente possa refletir sobre o nosso aprendizado. não quero ter as mesmas atitudes de antes. cansei.

estou exausta de dar murros em ponta de faca.

é importante assumir as próprias responsabilidades e estabelecer limites. é importante não ignorar a bússola interna.

escolher as próprias batalhas. só assim se pode lutar.
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segunda-feira, 6 de abril de 2026

6 on 6: comida

segunda-feira, abril 06, 2026 10
Março foi cheio de momentos saborosos! Vem conferir!


Março foi um mês em que eu compartilhei a mesa com muita gente querida. Eu amo esses momentos em que a comida não está apenas servindo de combustível para o corpo, mas também conectando as pessoas e nutrindo a alma. 

Nosso sextou!
Conheci a Bibla Livraria. Fui com o Dan para o lançamento do livro da Carolina Zuppo Abed. Lá, aproveitamos para jantar juntos. Não deu tempo para fotografar nosso jantar (a fome foi mais rápida que o clique), mas nesta foto está a sobremesa: uma torta de maçã deliciosa e, claro, café espresso (sim, café à noite, porque sou maluca, mesmo). Eu amo dividir esses momentos com o Dan (ele já apareceu em alguns vlogs, no meu canal), fora que o evento foi perfeito e o livro da Carol é bem bonito!

O livro se chama Reforma — um tríptico insone e saiu pela editora Urutau.


Mis amigos peruanos y yo.
Março também teve um almoço muito especial, recebendo os meus amigos peruanos, Anthony e Yoss, aqui em São Paulo. Como é possível ver, a mesa estava farta! 🤩 Depois deste almoço feliz, ainda fomos ao parque. Uma experiência ao ar livre, como pede o fim do verão em São Paulo. 


O que eu faço com esta vontade de ir ao Peru?
Anthony e Yoss me trouxeram estes docinhos do Peru, e eu AMEI! O de Maní parece um pé-de-moleque cremoso. Já o de coco, uma cocada cremosa. Uma delícia! Se vocês tiverem chance, provem!


Leia também: tudo o que comi na última viagem a Buenos Aires (com indicação dos restaurantes).


O alho e o alecrim dão um toque especial.

O encontro mensal do Trio on Tour foi um Duo on Tour, mas nada que interferisse o nosso cardápio. Uma coisa que é unanimidade nos nossos almoços é batata. A gente ama com toda a força do nosso ser. Tá aí uma iguaria que não dá para ser ruim Hehehe


Nada como o tradicional X-salada.

Ainda nesse almoço, pedi um sanduíche. Entre uma atualização da vida e outra, fiquei feliz porque o lanche estava divino!

Neste dia, escolhemos a tradicional meia muçarela, meia calabresa.

Por fim, dividir comida com as pessoas que me trouxeram ao mundo é algo que eu amo demais! Sentar-me à mesa com os meus pais, conversar e rir… sou privilegiada demais por ter os dois ao meu lado e valorizo cada segundo com eles aqui. Sou a filha coruja e orgulhosa deles. Celebrar esses laços com uma pizzinha é sempre gostoso demais.

📷📷📷

Equipamento usado no post:

As fotos deste post foram feitas com o celular.

Mais 6 on 6:


Veja os outros posts integrantes deste 6 on 6 em: ReticênciasSweet LulyInventando assuntoCamila por aí e Adriel Christian.

Confira as outras edições do meu 6 on 6:
01 📷 02 📷

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