Mostrando postagens com marcador saúde mental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saúde mental. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Novos caminhos

segunda-feira, julho 06, 2020 14

Quem leu a última newsletter que enviei nesse fim de semana que passou, sabe que estou em uma intensa transformação de vida. 

2020 veio intenso para todos nós, e essa intensidade me provocou profundamente: o que você tem feito da sua vida? — ela me pergunta todos os dias, a cada vez que os jornais me mostram números crescentes de mortes ou a cada vez que uma vida chega ao final ao meu redor. O que eu tenho feito? Onde tenho depositado a minha atenção?

Há algum tempo não me sentia feliz. Seguia na contramão disso. A pandemia só acentuou o processo: cobranças e mais cobranças, semanas se emendando sem fim, falta de tempo até para os momentos mais simples (nem dia das mães tive esse ano, emendando trabalho e tendo que dizer um hoje não consigo te dar atenção, mãe), culpabilização por todos os lados (a culpa sempre cai no professor), falta de recursos... Muitos pratos para equilibrar (porque, além de tudo isso, professor também é gente, também sofre em gerenciar home office e também tem medo da pandemia) e ainda tinha que aparecer bem na frente das câmeras para os alunos, como se nada estivesse acontecendo... Como contornar a infelicidade nessas circunstâncias? 

Aprendi que tudo aquilo que a gente foca, cresce. Eu já estava tendo crises de ansiedade frequentes. A estabilidade financeira já não se sobrepunha à minha paz de espírito. Me lembrei da promessa que fiz a mim mesma no dia da minha formatura — no dia em que eu for uma professora medíocre ou no dia que a profissão me deixar doente, eu vou parar. Foi o que fiz: criei coragem, fui honesta comigo mesma e parei. Quero ver o belo crescendo, não o feio. Quero ter boas lembranças do meu tempo de docente, não pensar em escola como algo que me deixou doente.

Como disse na news, nunca deixarei de ser professora e talvez eu volte à educação formal no futuro. Quem já me viu falando sobre isso, sabe que ensinar e aprender está no meu DNA. Entretanto, compreendi o óbvio: eu não preciso estar numa escola para ser professora. Eu não preciso cortar vínculo com aqueles que — em algum momento dessa jornada de mais de 10 anos — já foram meus alunos. Vida que segue.

Agora estou focada em todos os trabalhos textuais e nas aulas particulares. Quem já espiou a área de serviços aqui do blog sabe que eu faço leitura crítica, preparação e revisão de textos, além de mentoria para novos escritores e aulas de inglês e de escrita criativa. Além disso tudo, quero abrir alguns cursos online, focar aqui no blog e gravar lá para o YouTube. É esse meu lado que eu quero que cresça agora.



Que o segundo semestre de 2020 seja mais saudável, mais leve, mais produtivo e feliz que a primeira parte do ano — e que todos nós tenhamos coragem para focar naquilo que nos faz bem!

_____________________________________________________________

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

10 formas de autorregulação que funcionam para mim

quarta-feira, fevereiro 26, 2020 16
Algumas Observações | 10 formas de autorregulação que funcionam para mim
Imagem de Lindsey White por Pixabay
Olá, pessoal!
Feliz ano novo de novo! :)

2020 chegou chegando. Tenho trabalhado tanto, mas tanto, que parece que foi há muito tempo que escrevi o meu post de metas, contudo ainda é fevereiro. Penso que é muito importante dar uma olhada nas metas vez ou outra; porque, se não fazemos isso, as metas se tornam meras listas engavetadas. 

Olhando para o que escrevi em janeiro, vejo que algumas áreas são mais complexas do que as outras. O mais difícil tem sido manter a plenitude. Ainda me falta o equilíbrio entre o trabalho e as outras áreas da vida (o trabalho tem levado o nome à risca e me dado muito trabalho!), o que me leva a não ter forças para pôr a cara ao sol e encontrar o grande amor da minha vida - hahaha.

Para não infartar antes dos shows dos Backstreet Boys¹ (tenho que sobreviver até março²), eu tenho anotado tudo aquilo que me ajuda a esfriar a cabeça e seguir em frente. 

Autorregulação

Eu chamo de autorregulação tudo aquilo que me ajuda a não ser estúpida comigo e com quem estiver ao meu redor nos momentos de raiva, frustração e angústia. Não sei se é um termo técnico (talvez tenha ouvido sobre isso nos cursos de disciplina positiva ou na terapia, ou talvez tenha tirado da minha cabeça mesmo), então já digo que se tiver algum psicólogo/psiquiatra me lendo, me perdoe se eu usei o termo de forma errada. 

Como disse acima, eu tenho observado o que me ajuda a centrar e anotado para colocar em prática naqueles momentos em que tudo me tira do eixo. Esse processo de anotar, para mim, é importante, porque funciona como um "lembrol". Na raiva, muitas vezes me esqueço do que posso fazer além de querer esfolar o coleguinha ou a mim mesma no asfalto. Ter a lista (no planner ou no celular) é sempre útil.

Compartilho a lista porque pode te ajudar também.

1. Beber água

Beber água é algo que funciona muito principalmente quando estou no trabalho. Só de ir buscar a água e tomar devagar, o cérebro já ganha uns segundos a mais para se acalmar. Como água nunca faz mal, na pior das hipóteses, fico hidratada.

2. Respirar fundo/meditação

Contar até dez não funciona para mim, mas respirar fundo e soltar o ar aos poucos, sim. Em casa, dá para sentar e tirar uns minutinhos para meditar. Na rua, dá para correr no banheiro e respirar por um minuto que seja.

3. Tomar café (ou chá)

Eu sei, isso é controverso e desafia a ciência. Hehehe. Se o café te deixar muito agitado, pode ser chá. O que eu gosto mesmo não é o café em si, mas o ritual envolto no beber café. Sair de casa e ir a uma cafeteria ou colocar a água ferver e ver o café coando... Isso me traz uma desaceleração que me acalma.

4. Fazer listas

Uma das coisas que me estressa é quando eu me sinto sobrecarregada com a quantidade de tarefas, prazos e solicitações do que é preciso ser feito. Então, colocar todas as tarefas em um lista e ir riscando conforme vou fazendo o que é necessário, me dá - literalmente - a sensação de alívio. Vejo que, para mim, as listas no papel me acalmam mais do que a eletrônica, por isso, normalmente tenho as duas (a eletrônica funciona bem para quando estou na rua).

5. Escrever livremente

Manter um diário e escrever sem filtro (em um lugar que ninguém vá ler depois) é ótimo para soltar os monstros que moram dentro da gente. Também é uma forma ótima de exercitar a criatividade e ter novas ideias. Escrever livremente é uma ótima faxina mental para mim. 
(Sobre isso - de ter diários -, o Adriel escreveu um post bacana. Você pode lê-lo aqui.)

6. Ouvir música que traz boa memória afetiva

Eu sei. Quando a gente está triste a nossa tendência é procurar músicas que reflitam essa tristeza. Aquilo que nos leva mais ainda ao fundo do poço e nos faz continuar cavando com uma colherinha de café. Entretanto, eu sempre coloco para tocar alguma música que me traga uma lembrança feliz. Como gosto muito de ir a shows, sempre tem alguma que me marcou de alguma apresentação em que estive. Pensar nesses momentos me ajuda a virar a chave para uma postura mais positiva.

7. Tomar banho

Pode parecer loucura, mas tomar banho me ajuda MUITO. É como se eu imaginasse toda a urucubaca indo embora do meu corpo e da minha vida. Fora que a água quente ajuda a relaxar e que fazer uma tarefa corriqueira também ajuda a ter novas ideias.

8. Dormir

Como a minha rotina é muito pesada, às vezes o cansaço potencializa o stress. Tirar uma soneca, deitar mais cedo, dormir uma boa noite de sono são estratégias que eu uso para tentar aliviar o corpo da pressão mental.

9. Pilates

A atividade física tem sido renovadora para mim. Além de ajudar no quesito saúde, estar com as novas amigas (e rir o tempo todo) levanta demais o meu astral. O Pilates em si, é ótimo para a questão de respirar fundo.

10. Terapia

Ter um momento na semana para revisar o passado, entender o presente e planejar o futuro - sem julgamento - é simplesmente incrível! Ajuda muito nesse processo de ver o mundo com outra perspectivas e saber que não estamos sozinhos.

Autocuidado

No fundo, essa questão de se autorregular não passa de, no meu ponto de vista, ter autocuidado. Quando a gente respeita o nosso próprio ritmo, a sociedade não passa por cima da gente. Quando a gente consegue fazer tudo isso, também aprende a dizer "não" para o que é preciso e acolher o que é preciso também.

E você? Como você se cuida, como se acalma?
____________
¹ A DNA tour logo chega ao Brasil, e eu estou contando os dias!
² Lua em Peixes para em já tem lua em Peixes significa drama em dobro? 
_____________________________________________________________

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

BEDA agosto/2018 #27 — Sobre o que está na nossa cabeça

segunda-feira, agosto 27, 2018 4

Sente aí, pegue a pipoca e vamos conversar.

Muitas vezes, a cena é a mesma: a gente quer fazer algo que morre de vontade ou que considera importante e pá! Surge uma voz na nossa cabeça que diz: "você nunca vai conseguir. Você não é capaz". Primeiro, essa mensagem aparece em um sussurro; depois, ela cresce até que vira um grito que nos deixa loucas.

Normalmente, isso acontece por conta de medo. Medo de dar errado. Medo de passar vergonha. Medo de sentir dor (seja ela física ou mental). Medo de relembrar um sentimento ruim. Aí vem o primeiro ponto que queria abordar neste post e que vem martelando na minha cabeça há algum tempo: não subestime o medo do outro. Nunca. Never. Jamais.

Sabe aquele seu amigo que tem medo de lugares fechados e evita o elevador? Aquela que não suporta ver um inseto e grita ao ver uma borboleta? O primo que não vai na sacada do seu apartamento por conta do medo de altura? Sim, eles realmente pensam que vão morrer e tudo o que eles menos precisam é a sua "cara de isso não é nada".

Eu tenho um pavor grande de agulhas. Por isso, eu deixo de fazer muitas coisas que as envolvem — desde tatuagens e um segundo furo na orelha à exames de sangue, por exemplo. Em geral, evito falar sobre esse assunto com alguém que não seja a minha psicóloga, porque na maior parte das vezes a reação das pessoas é:
1. "Nossa, mas você tem medo disso? Agulhas não doem" — para ela, isso é confortável;
2. "Mas isso é uma ignorância da sua parte" — como se eu não soubesse o quanto o cuidado com a saúde é importante.
3. Elas simplesmente riem — e isso me deixa profundamente chateada, porque eu estou ali me abrindo e a pessoa está rindo da minha cara.

O que falta, nesses casos? Empatia. Se colocar no lugar do outro e pensar no seu próprio medo. Ouvir, acolher, dizer que as coisas darão certo, indicar a terapia para quem não a faz. Ser minimamente simpático. Não sabe o que dizer? Então, seja sincero e mude de assunto. Simples assim.

O segundo ponto que também vem dançando no trapézio das ideias da minha cabeça é a insegurança. Ontem estava passeando pelo meu feed no Instagram, vi uma mensagem motivacional e um comentário de uma amiga toda tristonha, sendo que ela É MARAVILHOSA! Trabalhar para se enxergar do mesmo modo que os outros nos veem é um processo diário e muito necessário

Às vezes esse é o tema das minhas sessões de terapia, porque nem sempre a minha autoestima está elevada. Bate aquela desconfiança — olha a voz gritando na minha cabeça — de que eu não seja a filha/irmã/professora/blogueira/escritora/revisora que todo mundo diz que eu sou. Aí, até para aceitar um elogio singelo fica difícil.

Sabe o que é o mais impressionante em tudo isso? É que todas essas questões — sejam as minhas ou as suas — estão na nossa cabeça. Muitas vezes é o compartilhar com o outro que nos faz perceber que sim, há uma forma de resolver e de se sentir confortável com a vida. Há um modo de diminuir o volume dessa voz que nos atormenta por tanto tempo.

Sendo assim, o meu conselho é: façam terapia. Busquem indicações de profissionais com amigos que já fazem (às vezes, você pode conseguir um desconto por ser indicação), o CAPS da sua cidade, universidades que tenha curso de Psicologia ou grupos do Facebook (já vi psicólogos oferecendo o serviço a preços populares por lá). E lembre-se que não importa o motivo: você é capaz, você é incrível!

Não sei se consegui dizer exatamente o que queria e se o post ficou compreensível, mas seguimos conversando aí nos comentários.

Beijos, queijos e até amanhã!

_____________________________________________________________