Crônica de uma mente sem sono
Fernanda Rodrigues
segunda-feira, dezembro 22, 2014
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00:10.
É madrugada. Depois de um dia muito quente, começou a chover e - graças a Deus - a temperatura caiu um pouquinho. Diz o app do meu celular que agora temos 24°C, e eu, que deveria estar no meu vigésimo quinto sono de beleza, estou aqui olhando para o teto.
O fato é que entre sentir ciúme besta e pensar em quem já é passado fico neste limbo. Não sei por que o passado tem vindo à tona tão fortemente esses dias. Será que é por causa do natal e seus duendes amarelos?
00:20.
De qualquer forma, prefiro escrever. As palavras me levam para longe. Passo a frequentar um mundo sem fronteiras entre a sanidade e a loucura. Muito melhor assim. Mais confortável também.
No mundo das palavras não há dias chuvosos nem noites de solidão. Há apenas devaneios em meio a escuridão abafada de um dia de solstício.
00:51.
O relógio continua com o seu tic-tac intermitente. Os pingos de chuva insistemais em cair. O calor volta com força total (ainda que o meu celular minta, dizendo míseros 23°C).
Já não penso mais em nada, e as palavras vertem dedos à fora, numa tentativa de deixar a mente cansada. Mente que brava mente resiste e luta contra os olhos que já começam a arder...



