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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Crônica de uma mente sem sono

segunda-feira, dezembro 22, 2014 4
00:10.

É madrugada. Depois de um dia muito quente, começou a chover e - graças a Deus - a temperatura caiu um pouquinho. Diz o app do meu celular que agora temos 24°C, e eu, que deveria estar no meu vigésimo quinto sono de beleza, estou aqui olhando para o teto.

O fato é que entre sentir ciúme besta e pensar em quem já é passado fico neste limbo. Não sei por que o passado tem vindo  à tona tão fortemente esses dias.  Será que é por causa do natal e seus duendes amarelos? 

00:20.

De qualquer forma, prefiro escrever. As palavras me levam para longe. Passo a frequentar um mundo sem fronteiras entre a sanidade e a loucura. Muito melhor assim. Mais confortável também. 

No mundo das palavras não há dias chuvosos nem noites de solidão. Há apenas devaneios em meio a escuridão abafada de um dia de solstício.  

00:51.

O relógio continua com o seu tic-tac intermitente.  Os pingos de chuva insistemais em cair. O calor volta com força total (ainda que o meu celular minta, dizendo míseros 23°C). 

Já não penso mais em nada, e as palavras vertem dedos à fora, numa tentativa de deixar a mente cansada. Mente que brava mente resiste e luta contra os olhos que já começam a arder...

sábado, 28 de junho de 2014

Reflexões da Madrugada IV: Choro

sábado, junho 28, 2014 4

Quando há a vontade de chorar, as lágrimas não vem. Elas só aparecem quando sabem que terão um porto seguro, um bom ombro ou um abraço sincero que as acolham. Na solidão, elas param na garganta e dão nó. Quando solitária, as lágrimas não chegam aos olhos, as nuvens não se transfiguram em chuva que lavam a alma e levam toda a dor consigo.

Queria chorar, verter lágrimas por tudo o que está acontecendo, pelo o que poderia ter sido, por tudo que virá. Água para carregar o que foi ruim. Água para abençoar o que é bom e será lindo.

Quando há a vontade de chorar, as lágrimas não vem. No fundo, elas sabem que não há espaço para uma inundação aqui. E, para ter esperança que este porto apareça, penso: "Quem sabe um dia, quem sabe..."

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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Reflexões da Madrugada III: Motivos

quarta-feira, julho 17, 2013 16
Memórias...


"Quantos motivos e por quanto tempo o sentimento perdurará?", peguei-me pensando sobre isso nos últimos dias... Na verdade, tudo começou com o encontro que tive com as minhas amigas de infância. Antes de sairmos, já havia avisado que não queria falar de nós dois, porque falar de nós, hoje, é falar do nosso fim. De qualquer forma, a curiosidade falou mais alto que a camaradagem, e elas acabaram tocando no assunto do "por que que vocês terminaram?". Naquele momento, aquilo me irritou; mas, sobretudo, doeu-me a alma. De qualquer forma, fiz um resumo, pedi que elas mudassem de assunto; e, graças a Deus, elas respeitaram. 

O fato é que este episódio me fez pensar muito sobre mim, sobre quem eu era antes e durante você na minha vida e quem sou depois de todo esse maremoto que você me causou. Sempre fui de enfrentar os problemas de frente, então, por que me doeu tanto ter que falar sobre isso? Será que quis fugir pela primeira vez na vida? A reflexão de algumas noites em claro me fez perceber: não quero falar do fim, porque ele me faz ter raiva de tudo o que aconteceu. Prefiro enterrar este fim no passado, de modo que só fiquem as lembranças boas, as bonitas memórias dos nossos sonhos sem fim (da família linda que queríamos construir). Falar do passado é reviver a dor, a mágoa e o seu desprezo por mim... Não quero alimentar tais sentimentos. Não acho justo com tudo de lindo que vivemos.

Hoje, enquanto arrumava as minhas coisas, encontrei o cartão que você me deu de aniversário. Embora tenha doído relê-lo, a dor foi diferente... Olhar para o cartão foi como procurar a memória de um filme, em um passado muito distante. No fundo, você sempre esteve assim: completamente distante...

Juro que não quero sentir raiva. Tento pensar em tudo o que nos aconteceu de uma maneira madura e consciente de que tinha que ser assim, contudo a dor é tão aguda, que dilacera o meu peito ainda hoje. É como os joelhos ralados durante a infância: por mais que tenha a casquinha, o machucado não está cicatrizado e, se for cutucado, sangra. 

domingo, 27 de março de 2011

Reflexões da madrugada II

domingo, março 27, 2011 2

Madrugada de domingo, eu a pensar nas coisas da vida: educação (minha formação e de meus futuros educandos), rotina alucinante - que me consome -, saudade dos amigos (que por algum motivo estão longe), a falta da tranquilidade serena da infância e a articulação gostosa da adolescência, a preocupação de “não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender”... Complexidades sem fim.

É difícil acreditar em um ideal e vê-lo se dissolver, escorrendo como água entre as mãos. Debato-me como um peixe que luta até o fim, mesmo sabendo que foi retirado das águas. Luto de forma incessante. Dizem que “a vida é uma caixinha de surpresas”. Lanço, então, o desafio para que ela me surpreenda. Preciso que a vida me traga bons ares e coisas novas, motivações que me impulsionem a novos desafios.

O tempo passa, e, assim como um peixe fora d’água, começo a perder minhas forças. É difícil acreditar que “después de la tormenta sale el sol”, quando tantas coisas dão erradas ao mesmo tempo. Estou perdida num labirinto sem fim, cuja saída está cada dia mais distante...

Sei que para que haja mudança é preciso que haja ação. Não adianta não se mover, não tentar outros caminhos, não buscar outras saídas – se não há movimento, nada acontece. Contudo, a incógnita maior, a mais sufocante, é: como fazer isso? Sinto que já tentei todos os meios, que já “gastei” todas as ideias que cruzam a minha mente. Sinto-me esgotada. Não quero abrir mão dos meus critérios, dos meus ideais, dos meus sonhos. É tão difícil assim conciliar sonho e realidade? Como transformar um grande sonho em realidade plena (se não plena, ao menos satisfatória)?

...

A relação homem-mundo é complicada. Talvez – muito provável que seja “quase com certeza” – esta complicação deva-se a própria forma de vida que os seres humanos escolheram para si (sua sociedade e sua espécie). Se “o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”, como retardar esta corrupção? Como minimizar os seus efeitos? Há uma maneira de se fazer isso?

Tento respirar em meio a tudo o que vem acontecendo e não consigo. Debato-me como o peixe que luta. Sei que fui boa ao batalhar por um dia; muito boa na peleja por vários dias, entretanto, será que conseguirei lutar por uma vida inteira e ser imprescindível?! 

(Se for parar para pensar: para quem e por que motivos ser imprescindível?)

Contradigo-me na loucura da busca por entendimento. Entendimento de uma vida que deve ser seguir seu curso, mas que hoje se vê em um rio encoberto de nuvens escuras e mal tempo...

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Reflexões da madrugada

domingo, fevereiro 13, 2011 1

Acordei naquele dia com a missão de ouvir as estrelas. Enquanto todos repousavam nos braços de Morfeu, caminhava nas ruas pensando no destino. Quantas pessoas entraram e saíram de minha vida e nesse vai e vem deixaram sua marca? Incontáveis! Mas o que importa são as marcas que ficaram: cada lembrança, cada aprendizado... 

Vejo as estrelas cintilarem e penso que aquela luz demorou anos para me alcançar. Anos de distância e de velocidade intensa, imensa. Penso na distância que me separa daqueles que amo. Qual é a razão que faz o destino nos aproximar e nos afastar de quem amamos? Capricho? Talvez. Começo a cantarolar uma canção e me ouço perguntando: “where can we go from here?” e essa se torna um bom questionamento. Para onde vamos não sei ao certo, mas tenho certeza que carrego um pouquinho desse “nós” em mim.

Algumas pessoas entraram em minha vida como o sol invade uma manhã de verão: depois de uma madrugada fria, silenciosa e sem graça, elas aparecem de mansinho e, com sua luz, trazem alegria, reflexão, crescimento. Com esse tipo de amizade, eu aprendo a ser mais generosa, a ter mais esperança, a ser mais eu mesma. Entendo um pouco mais sobre relações e ter mais confiança nelas... Entendo como respeitar as diferenças e a dar asas para a minha imaginação... Amizades que iluminam a nossa madrugada nos fazem perceber a vida com outro olhar, tornam a nossa visão de mundo mais pura, tão pura quanto uma criança perante o milagre do Natal...

Caminho sentindo o ar da madrugada no meu rosto, enquanto cantarolo e reflito minha vida. Amizades solares são generosas e talvez seja este o capricho do Destino. Temos que ser generosos o suficiente para sabermos a hora de deixar que nossos sóis iluminem outros céus. Despedidas são sempre difíceis, mas temos que ponderar o que é melhor para quem se despede... Por vezes, despedidas são necessárias e, se o amigo for mesmo a luz da aurora, ele não deixará voltarmos a ser madrugada novamente.