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domingo, 25 de agosto de 2019

4 poemas de Paulo Leminski que você precisa conhecer | BEDA agosto/2019 #25

domingo, agosto 25, 2019 2
Paulo Leminski.
Ontem foi aniversário de nascimento do poeta curitibano Paulo Leminski e como ele é um dos meus poetas preferidos nesta vida, resolvi fazer deste sábado e domingo um final de semana leminskiano aqui no Algumas Observações. 

Fala de Paulo Leminski sobre os poetas, publicada na edição 248 da revista Cult.
Se no post de ontem eu abri o meu coração em uma carta, no de hoje eu resolvi separar quatro poemas do autor para que vocês possam conhecê-lo um pouco melhor. Selecionei parte dos meus textos preferidos, então espero que vocês gostem. Os poemas apresentados abaixo estão no livro Toda Poesia, publicado pela Companhia das Letras, entre parenteses seguem as páginas onde estão cada texto.



pareça e desapareça

      Parece que foi ontem.
Tudo parecia alguma coisa.
      O dia parecia noite.
E o vinho parecia rosas.
       Até parece mentira,
tudo parecia alguma coisa.
      O tempo parecia pouco,
e a gente se parecia muito.
      A dor, sobretudo,
parecia prazer.
      Parecer era tudo
que as coisas sabiam fazer.
      O próximo, eu mesmo.
Tão fácil ser semelhante,
      quando eu tinha um espelho
pra me servir de exemplo.
      Mas vice-versa e vide a vida.
Nada se parece com nada.
      A fita não coincide
Com a tragédia encenada.
      Parece que foi ontem.
O resto, as próprias coisas contem.
                                      (página 207)

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     um bom poema
leva anos 
     cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
      seis carregando pedra, 
nove namorando a vizinha,
      sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
     três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
     uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
                                      (página 245)

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ouverture la vie en close

     em latim
"porta" se diz "janua"
     e "janela" se diz "fenestra"

     a palavra "fenestra"
não veio para o português
     mas veio o diminutivo de "janua"
"januela", "portinha"
     que deu nossa "janela"
"fenestra" veio
     mas não como esse ponto da casa
que olha o mundo lá fora,
     de "fenestra", veio "fresta",
o que é coisa bem diversa

     já em inglês
"janela" se diz "window"
      porque por ela entra
o vento ("wind") frio do norte
      a menos que a fechemos
como quem abre
     o grande dicionário etimológico
dos espaços interiores
                                      (página 248)

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Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo 
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui.
                                      (página 356)

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E você? Conhece o trabalho do Leminski? Gosta das produções dele? Me conte nos comentários! Vamos conversar. ;) 

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sábado, 24 de agosto de 2019

Feliz aniversário, Leminski | BEDA agosto/2019 #24

sábado, agosto 24, 2019 0
75 anos de Paulo Leminski. 
"Poesia é um ato de amor entre o poeta e a linguagem".
(Paulo Leminski)

Querido Paulo Leminksi,

Talvez você não saiba, mas você é um dos meus poetas preferidos. Não sei bem como explicar o que me fisgou no seu texto. Já te conhecia de outros carnavais, mas desde que a Companhia das Letras reuniu toda a sua poesia em um único livro, o volume laranja com o bigodão na capa é meu companheiro de cabeceira e de vida. Sendo assim, obrigada, Paulo, por me acompanhar nesta jornada.

Seus versos me ensinaram a ser poeta; mas, sobretudo, me fizeram acreditar que a poesia é para todos. Essa sua obsessão passou também a ser minha. Quebrar esta barreira de que a literatura é algo  apenas para seres iluminados, canônicos e eruditos faz parte da minha jornada como escritora e, sobretudo, como poeta. 

Poesia é música, poesia é necessidade, poesia é comunicação, poesia é inovação e você sempre garantiu e defendeu que fosse assim. A poesia tem a sua profundidade mesmo sendo pop. Há coisa mais legal que isso?

Obrigada pela presença, pela influência, pelos ensinamentos. Obrigada pela companhia, pelas palavras, pelo afago e pelos socos poéticos no estômago. Obrigada por me colocar para pensar, por ser magnífico e por se perpetuar em sua obra. No que depender de mim, muitas pessoas mais entrarão em contato com você.

Feliz aniversário! 

Fernanda
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